Permacultura: ferramenta para o novo paradigma Marsha Hanzi



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Encontro08.08.2016
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Permacultura: ferramenta para o novo paradigma

Marsha Hanzi

Um paradigma é um conjunto de idéias, atitudes e valores que gravitam por volta de “princípios”. Como exemplo temos os paradigmas que surgem por volta dos princípios de “competição” vs. “cooperação”. Estes princípios determinam atitudes e decisões que resultam em ações.

O resultado final num mundo baseado na competição é a guerra. O resultado final de um mundo baseado na “cooperação” é a paz e a evolução.

Atualmente o mundo encontra-se numa fase intermediária, em um paradigma extremamente destrutivo (que chamamos de “velho”) contrapondo-se a um novo, que propicia condições de regeneração e reconstrução de um mundo em harmonia.

Estes dois paradigmas podem ser simbolizados da seguinte maneira:

O velho paradigma O novo paradigma

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O velho paradigma
Analisando o triângulo como estrutura social (baseado em hierarquias), observamos que existem um ou poucos no topo e muitos em baixo. Aquele que está no topo sente-se ameaçado por quem está em baixo (querendo subir) e aquele que está em baixo sente medo de quem está no topo (mantendo o controle). Por este motivo o velho paradigma é baseado no medo e no controle. Isto implica competição

Neste paradigma, quem tem poder é a instituição. A pessoa no topo (o diretor, o chefe, etc.) parece poderoso, mas pode facilmente ser substituído. As pessoas comuns se sentem impotentes como indivíduos e procuram a segurança no mundo externo (o emprego, o marido, o governo, etc.). Depender assim do mundo externo leva ao materialismo. A felicidade é definida como subir na hierarquia e acumular bens (outro símbolo de ascensão social).


Finalmente, este paradigma tem seus argumentos baseados no pensamento linear, uma simples relação causa-efeito, sem levar em consideração todas as complexidades do contexto econômico, social e ecológico dentro do qual cada ação está inserida.
O novo paradigma
Na nova estrutura, baseada no vórtex, não tem ninguém no topo. Qualquer um pode assumir este papel, conforme a situação. Este é um paradigma baseado nas funções e nas relações de confiança mútua, levando à cooperação. É uma estrutura dinâmica em constante evolução, que contrasta com a rigidez da hierarquia.

Baseada na cooperação, reconhecendo a contribuição única de cada indivíduo, este paradigma se baseia no poder pessoal, significando também responsabilidade pessoal. Não se espera, portanto, que a instituição (governo, ciência, etc.) resolva os problemas.

A felicidade neste paradigma é definida como auto-realização individual e qualidade de vida. O mundo material é visto dentro de um contexto maior.

Assim sendo, este paradigma leva ao pensamento global (holístico/sistêmico), onde se reconhece que tudo está interligado, que cada ação resulta numa complexidade multidimensional de conseqüências.



Um ato de coragem e fé
Embora muitos desejem este novo mundo, o salto exige coragem e fé. É mais cômodo entregar o poder à instituição, porque essa atitude não implica riscos pessoais. Inserir-se no novo paradigma implica abrir mão de certas garantias dadas pelas hierarquias, abdicar do medo e confiar num universo abundante e benevolente. É colocar-se em movimento sem ter garantia do resultado final.

Quando o indivíduo dá este passo, as pessoas que ainda se agarram no velho se sentem ameaçadas, projetando seus medos sobre a pessoa em transição. Por este motivo, a transição é muito difícil sem o suporte de um grupo.


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