Pesquisa destaca falta de informações em produtos naturais



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Encontro05.08.2016
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Pesquisa destaca falta de informações em produtos naturais
O uso de plantas medicinais e seus derivados no tratamento de doenças é uma alternativa para quem quer fugir dos remédios manipulados quimicamente. No entanto, pesquisadores das Universidades Federal Rural (UFRPE) e Federal de Pernambuco (UFPE) constataram que apenas 7,4% dos produtos naturais vendidos em supermercados e farmácias, no Recife, contêm, nos rótulos ou nas bulas, informações técnico-científicas exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O diagnóstico é resultado do estudo Qualidade de produtos a base de plantas medicinais comercializados no Brasil, realizado por alunos de mestrado da UFRPE e da UFPE e coordenado por professores das duas Instituições. Os pesquisadores partiram do fato de haver aumentado o interesse público brasileiro por terapias naturais.

Foram analisados 27 produtos de marcas diferentes (provenientes de fabricantes de vários Estados), à base de capim-santo (11), castanha-da-índia (10) e seis amostras da centella, três espécies que aparecem com mais freqüência em produtos terapêuticos, como chás e xaropes. O levantamento desses produtos foi feito em 54 estabelecimentos comerciais no Recife, onde foram colhidas informações, como nome comercial do artigo, composição vegetal, laboratório produtor e indicações terapêuticas.

A pesquisa constatou que 92,6% de todos os produtos analisados não continham informações importantes para o consumidor, como a composição qualitativa e quantitativa dos princípios ativos, ação do produto, riscos, efeitos colaterais ou adversos e conduta em caso de superdosagem. De acordo com o coordenador do trabalho por parte da UFRPE e professor do Departamento de Biologia da Universidade, Ulysses Paulino de Albuquerque, os chás são comercializados em sachês que não seguem a padronização dos medicamentos convencionais. “Mas eles são produzidos a partir de plantas que contêm princípios ativos que podem ser tóxicos”, pondera.

A ausência das bulas, principal instrumento de informações ao consumidor, foi verificada em 22 produtos analisados. Apenas dois, um à base de centela e o outro de castanha-da-índia, continham as informações exigidas pela Anvisa. Essa falta de dados pode gerar alguns problemas, já que a população consome os chás, por exemplo, para uso medicinal, enquanto são comercializados como complementos dietéticos. “As embalagens, muitas vezes, oferecem informações de uso enganoso, fazendo com que o consumidor acredite nos efeitos milagrosos desses chás contra males como insônia, nervosismo e dor de cabeça”, destaca o professor.

Já as análises de pureza dos produtos demonstraram que 59,2% das amostras estavam fora do padrão recomendado pela Farmacopéia Brasileira da Anvisa, documento que estabelece a qualidade dos medicamentos em uso no Brasil. As análises foram desenvolvidas no Laboratório de Etnobotânica Aplicada da UFRPE e no de Química Farmacêutica da Federal.



Essa verificação baseou-se na determinação do teor de umidade e das cinzas totais. Duas amostras de castanha-da-índia, sete de capim-santo e todas de centela estavam com teor de umidade acima do recomendado, que são 10%, 11% e 6%, respectivamente. Já em relação ao teor de cinzas totais (impurezas inorgânicas, ou seja, componentes como areia misturados com a planta para dar volume), todas as amostras a base de centela ultrapassaram o percentual máximo de 11%. Os produtos derivados das outras duas plantas apresentaram percentuais de cinzas em concordância com o recomendado.

A pesquisa foi financiada pelo Ministério da Saúde, por meio da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


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