Pesquisando em Volta Redonda: cidade, biografias ou sindicalismo?



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Pesquisando em Volta Redonda: cidade, biografias ou sindicalismo?

Sérgio Martins Pereira1

Introdução

O objetivo deste texto é compartilhar algumas das orientações teórico-metodológicas a partir das quais venho construindo um objeto de análise na fase inicial de minha pesquisa de doutorado. Seguindo a perspectiva adotada em minha dissertação de mestrado (Pereira, 2003), busco revelar a importância do estudo das histórias de vida de lideranças sindicais para uma análise mais ampla do sindicalismo no sul do estado do Rio de Janeiro. Até este momento, minhas “explorações” têm revelado complexas relações que unem o espaço da cidade de Volta Redonda, as histórias de vida de seus militantes e moradores e os destinos experimentados pelo Sindicato dos Metalúrgicos.

A pesquisa que aqui começa a ser desenhada buscará entender um período significativo da dinâmica sindical de Volta Redonda das décadas de 1980 e 90, voltando-se porém para as histórias de vida de algumas das principais lideranças envolvidas neste processo2.

Vejo as trajetórias particulares dos indivíduos como meio para a apreensão dos diversos “mundos” pelos quais estes transitam. Parte-se do ponto de vista de que, ainda que sejam quase sempre contraditórias, diferentes dimensões da realidade podem ser encontradas de alguma forma conciliadas e expressas nas trajetórias individuais.

Tratar das histórias de vida de lideranças sindicais será o meio escolhido para se avaliar a influência sobre a ação sindical exercida por diferentes “realidades” – fábrica, sindicato, igreja, família, etc. Em torno destas dimensões se desenvolveram, em grande medida, as trajetórias de um conjunto significativo de sindicalistas e a própria história do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda (SMVR).

Certamente que tomar o SMVR como objeto de pesquisa indica um desejo ou a necessidade de se rediscutir parte significativa da história sindical brasileira, sobretudo das décadas de 1980 e 90. Contudo, a pretensão teórico-metodológica mais ampla (ou ambiciosa) será o desafio de se apreender as dinâmicas sociais abrangentes sem que para isso seja necessário abrir mão da riqueza das trajetórias e expressões individuais.


I – Trajetória do sindicato e histórias de militantes

Ao longo de sua história, o Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda vem conhecendo a influência das transformações político-econômicas por que passou o país nos últimos 50 anos. Alguns analistas já enquadraram os diferentes momentos do sindicalismo de Volta Redonda em diversos paradigmas de ação sindical, normalmente associando tais modelos a mudanças conjunturais mais amplas. Assim, a trajetória deste sindicato foi recorrentemente classificada como tendo sua origem no “sindicalismo corporativo”3. A “superação” desta primeira fase teria habilitado os metalúrgicos de Volta Redonda a uma aproximação com o “novo sindicalismo” e com o surgimento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no contexto das lutas pela redemocratização nas décadas de 1970 e 804. Já a conjuntura recessiva e de privatizações de início dos anos 1990 teria impelido à passagem de um sindicalismo de “enfrentamento” a uma concepção de parceria, culminando com sua “adesão” à central Força Sindical em 19915.

Por outro lado, no plano sindical mais concreto, muitas das vezes o próprio embate entre as diferentes concepções de movimento sindical girava em torno do envolvimento de seus membros com outras instituições como os partidos políticos e a Igreja Católica. Para se ter uma idéia destas relações, o apoio aberto do sindicato a políticos da região era fato comum assim como a própria candidatura de sindicalistas a cargos eletivos. Juarez Antunes, sua mais expressiva liderança, por exemplo, chegou a ser prefeito de Volta Redonda6. Também foi bastante significativa a presença da Igreja Católica nos movimentos sociais de Volta Redonda, seja pela constante figura do Bispo de Volta Redonda, Dom Waldyr Calheiros, ou pelo importante papel da igreja e da Acão Católica Operária (ACO) na formação de lideranças sindicais7.

Talvez um dos pontos em comum entre os atores e depoimentos com que tive contato, ou que atualmente esteja atraindo minha atenção, seja a capacidade que suas trajetórias tiveram em transitar por diferentes, e muitas vezes inconciliáveis, esferas da vida social. A despeito de sua heterogeneidade, estes domínios ganharam uma coexistência, seja esta mais conflitante ou mais harmoniosa, em suas carreiras. Além das dimensões já citadas como Igreja e Partido, à medida que se investiga mais a fundo as histórias de vida de algumas lideranças sindicais de Volta Redonda, revela-se também a importância da atuação destes mesmos atores em outros ambientes identitários como família, bairro, vizinhança etc.


Um primeiro exemplo dessa combinação entre diferentes esferas de significado pode ser dado pela trajetória de Luiz de Oliveira Rodrigues, presidente do SMVR entre 1992 e 1995. Luizinho, como é conhecido, tornou-se um dos mais importantes personagens do período abordado pelo fato de ter sido em torno de sua liderança que se aglutinaram os militantes que conduziram a “virada” de um sindicato “tradicionalmente” ligado às práticas “cutistas” para a filiação à Força Sindical8.

Entre os amigos sindicalistas, Luiz Rodrigues é visto como um “lutador”. Segundo esses relatos, ainda muito jovem o militante teria sido o responsável pela criação de seus irmãos mais novos após a morte de seus pais. Há ainda nesses relatos de uma biografia de “luta” problemas como uma hepatite que quase lhe tirou a vida ou mesmo o câncer enfrentado por sua esposa.

No plano sindical, o fato biográfico mais curioso é que, até certo momento, a trajetória de Luizinho poderia ser facilmente enquadrada naquilo que certas análises poderiam considerar como uma perfeita tipificação do militante da CUT ou do chamado “novo sindicalismo”. A trajetória de Luiz Rodrigues como trabalhador tem início tem início como aluno-operário da Escola Técnica Pandiá Calógeras (ETPC)9, desdobrando-se pelo trabalho na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e em algumas das empresas terceiras que auxiliam a CSN no processo de produção do aço.

A “atividade política” de Luizinho teve o seu início e esteve por um bom tempo orientada pela influência do movimento social ligado à Igreja Católica10. Já sua “carreira” de sindicalista tem início em 1983 quando integra a direção que é eleita para o sindicato, fazendo parte inclusive de uma facção mais radical de ativistas11. Conflitos com a direção do sindicato, após a morte de Juarez Antunes em 1989, fizeram com que Luiz Rodrigues fosse definitivamente expulso da entidade, o que de algum modo também está relacionado a uma primeira ruptura com outros militantes ligados à igreja. Em meio ao processo de privatização da CSN (1991-92), o sindicalista se filiou à Força Sindical, conquistando o apoio desta entidade. Junto com o advogado do sindicato (um antigo aliado de Juarez Antunes) e outros antigos e novos militantes, Luizinho formou um novo grupo de oposição chamado “formigueiro”, chegando à presidência do sindicato já na primeira eleição que este disputou, em 1992, sendo ainda reeleito em 1995. Após o término de seu segundo mandato, o sindicalista tornou-se o vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica (CNTM), entidade ligada a Força Sindical e comandada por Luiz Antônio de Medeiros, ex-presidente e fundador desta central. Com a eleição de Medeiros a deputado federal, Luizinho assumiu a presidência da CNTM em 1999, cargo em que se mantém até os dias atuais.

Com o início de minha pesquisa de doutorado, o trabalho de campo e as primeiras incursões pela cidade de Volta Redonda depararam-se com novos “personagens” que em certa medida vêm revelando outras dimensões da realidade da cena sindical dos anos 1980. Refiro-me principalmente a dois amigos e ex-militantes, um membro da diretoria executiva do SMVR e outro diretor sindical de base na CSN, que após serem por mais de quatro vezes demitidos (em represália a sua atuação) e readmitidos (após grandes mobilizações) ao longo da década de 1980, acabaram por se afastar completamente da vida sindical, tornando-se sócios em uma oficina mecânica no início dos anos 1990.

Os próprios “amigos-sócios” chegam a afirmar que teria sido necessário para a consolidação de seu negócio um completo afastamento de sua vida militante precedente e até mesmo o “esquecimento” da mesma. Segundo os dois ex-militantes, durante a década de 1990, eles foram procurados por outros pesquisadores ou jornalistas, mas apenas indicavam outros “ex-companheiros” que pudessem ser entrevistados, chegando mesmo a negar sua participação no ativismo sindical. Enquanto seu negócio não se consolidava, o silêncio para eles teria sido uma forma de impedir que a experiência de perseguições sofridas na CSN não se reproduzisse em suas carreiras de micro-empresários. Da época de trabalhadores e militantes, teriam lhes restado apenas os fatores que de algum modo auxiliassem na nova carreira, como o know-how em mecanismos pneumáticos e o apoio de alguns amigos, seja como clientes ou mesmo funcionários, haja vista a farta e qualificada mão-de-obra dispensada pela CSN após sua privatização em 1993.

Os “trânsitos” e as “singularidades” das trajetórias aqui apresentadas, ou mesmo suas contradições, apresentam-se como fatos que dramatizam e revelam a complexidade relações que unem o espaço da cidade, as histórias de vida de militantes e moradores de Volta Redonda e os destinos experimentados pelo Sindicato dos Metalúrgicos. Em minha busca pela rede de significados que “informam” e “motivam” o engajamento individual em ações coletivas, espaço e sociabilidade local são algumas das dimensões que se associam ao “mundo do trabalho” e a partir das quais busco desenvolver minha pesquisa de doutorado.

II – Questões e problemas propostos para investigação

Estudar um fenômeno social a partir dos significados subjetivos que este assume para os atores envolvidos nem sempre é algo usual nas ciências sociais. No caso dos estudos do trabalho e do sindicalismo, a valorização de fatores macro-estruturais como principal elemento explicativo das dinâmicas sociais é algo fartamente encontrado. Mesmo que se rejeite tais formas de abordagem, a simples escolha deste tema traz consigo uma necessidade quase inescapável de diálogo com aqueles que encontram apenas nas “estruturas" as causas de ações e comportamentos individuais.

Apesar disto, uma opção mais “subjetivista” abre espaço para a inserção deste trabalho em uma tradição de estudos que não entende “classes” ou “movimentos” sociais meramente como estruturas ou categorias, mas como algo que ocorre efetivamente (e cuja ocorrência pode ser demonstrada) nas relações humanas (Thompson, 1987 p. 9).

Trajetórias

A escolha pelo estudo de trajetórias individuais, ou por discutir a participação individual em fenômenos mais amplos, que se desenvolveram num passado recente aumenta a importância do depoimento oral em minha pesquisa. Conseqüentemente, um conjunto de temáticas e autores ligados à chamada história oral ganhou um papel relevante em meu trabalho. Isto não significa afirmar que a perspectiva dada pelos seus autores atingirá o status de modelo explicativo para as interrogações que pretendo produzir. Com base no debate sobre os “usos” do depoimento oral, pautado nas diferentes reivindicações de status para a história oral (técnica, metodologia ou disciplina teórica), podemos adotar uma perspectiva próxima àquela defendida por alguns historiadores: a da história oral como metodologia (Amado e Ferreira, 1996).

Dentro dos objetivos deste projeto, à história oral será dada a função de um primeiro tratamento metodológico do meu objeto. Esta tarefa consiste em identificar, a partir das narrativas produzidas pelos atores considerados, um conjunto de questões teóricas que possam dialogar com estudos e pesquisas sociologicamente orientados.

Uma vez definido o tratamento que os depoimentos orais terão para a construção desta pesquisa, o passo seguinte é voltar-se para o entendimento do ambiente em que se desenvolveram as histórias de vida a serem tratadas, com ênfase na diversidade de fatores que “informam” os indivíduos e suas trajetórias.



A cidade

O ponto de partida para um estudo em Volta Redonda é entender esta cidade como um núcleo populacional relativamente grande, denso e permanente de indivíduos socialmente heterogêneos (Wirth, 1967). Isto significa remeter a um conjunto de autores que entendem o meio urbano como dotado de dinâmicas sociais próprias. A cidade é assim apresentada como um meio onde variadas culturas se fundem, levando à coexistência de diferentes “cidades” dentro de uma mesma cidade (Park, 1967).

A considerável aglomeração populacional, hoje com cerca de 250 mil habitantes, ou mesmo a própria forma de organização racional do seu espaço, faz com que sejam observados em Volta Redonda traços das formas de sociabilidade que surgem nas grandes cidades. Simmel (1967) já enfatizara que o espaço da metrópole capitalista moderna, ao mesmo tempo em que dá ao indivíduo uma maior autonomia, proporciona também mecanismos “sociotecnológicos”, como a divisão do trabalho ou a organização do espaço, que atuam fortemente de modo a nivelar e uniformizar seus habitantes. Estes, por sua vez, seriam impelidos a reagir a esta tendência, de modo a dar sentido a suas experiências.

No caso de Volta Redonda, deve-se lembrar que a cidade fora construída pelo Estado a partir de 1940 e em torno de uma usina siderúrgica, setor econômica e politicamente estratégico no período do governo de Getúlio Vargas. Havia ainda claros objetivos de se estar fundando um modelo (exemplar) de “cidade operária”, ou de formas “exemplares” de relações de trabalho e controle da mão-de-obra. Em conseqüência desses fatores, a escolha da localização para o empreendimento recaiu sobre uma região consideravelmente militarizada12, sendo Volta Redonda considerada “área de segurança nacional”.

A organização racional do espaço com base na divisão e nas hierarquias do trabalho foi um fator constitutivo da cidade13. Não obstante a expansão do município para muito além do núcleo original e a considerável diminuição da influência da CSN sobre o cotidiano da cidade, ainda hoje é possível observar entre os moradores de Volta Redonda toda uma complexa gama de identidades, que atualizam e reinventam as divisões gestadas no passado.

Desde o princípio, porém, a dominação através da moradia e da divisão dos bairros imposta pela companhia, embora por muito tempo dominante, não se apresentou ao longo da história de Volta Redonda como única ou absoluta forma de construção de identidades entre seus trabalhadores e moradores14. Para além dos elementos intrínsecos à organização social classista empreendida pela companhia, ou das transformações relativas à gradual mudança do papel exercido pelo Estado, o que culminou na privatização da CSN em 1993, a história da “cidade operária” esteve cercada de outros elementos (sindicato, igreja, família, vizinhança etc.), como se tentou mostrar através das trajetórias individuais anteriormente abordadas.



Considerações finais

Estudar histórias de vida de lideranças e em Volta Redonda, significa abordar um conjunto significativo de atores que vivenciam de forma particular a contraditória experiência individual numa cidade-operária. A mobilidade e o trânsito por variadas esferas de realidade expuseram suas experiências a diferentes identidades, ethos, visões de mundo etc. Parte-se do princípio de que à medida que este processo se intensifica nas trajetórias dos sindicalistas abordados, estes tendem cada vez mais a orientar suas trajetórias por certos cursos que revelam de forma dramática não apenas suas experiências singulares mas a própria dinâmica de uma complexa realidade social de que foram parte.

Buscar o significado subjetivo da participação destes atores na movimentação sindical dos anos 1980 e 90, revelando seus esforços na definição de seu papel singular numa heterogeneidade grupos e filiações identitárias, é ainda um meio de tentar perceber a lógica social sem que para isso seja necessário abrir mão da riqueza das trajetórias e expressões individuais.

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1 Doutorando em Sociologia do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ.

2 O recorte temporal estabelecido compreenderá o período entre 1984, ano em que ocorreu a primeira greve na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e 1995, quando se dá o término do primeiro mandato da diretoria que conduziu o sindicato da Central Única dos Trabalhadores (CUT) à central rival Força Sindical.

3 Para uma análise da criação do SMVR em meio a suas relações com o Estado Populista e a CSN, bem como sobre os modos pelos quais o movimento dos trabalhadores de Volta Redonda ganhou autonomia face ao controle corporativo, ver Morel (1989 e 2001).

4 Além do estudo de Mangabeira (1993) sobre a consolidação e os dilemas do novo sindicalismo em Volta Redonda, um interessante relato sobre atuação de trabalhadores e sindicalistas durante as greves da década de 1980 pode ser encontrado no trabalho de Veiga e Fonseca (1990).

5 Graciolli, 2000.

6 Presidente do SMVR (1983-1989) e deputado constituinte (1986-1988), Juarez Antunes foi fundador do Partido dos Trabalhadores e da CUT em Volta Redonda. Eleito prefeito, já pelo PDT, o sindicalista morreu em acidente de automóvel um mês após tomar posse em 1989.

7 Entre os quatro presidentes eleitos entre 1974 e 1995, por exemplo, Juarez Antunes foi a única liderança não “formada” sob a influência da Igreja Católica. Um olhar sobre a relação entre igreja e movimento sindical de Volta Redonda pode ser encontrado em Costa, Pandolfi e Serbin (orgs.) (2001).

8 As centrais são entidades sindicais que atuam no plano nacional. Pelo fato de terem sido criadas para escapar ao controle hierárquico e corporativo da legislação trabalhista. Ainda que não sejam formalmente reconhecidos, estes organismos congregam, de forma horizontal, sindicatos de diversas categorias e bases territoriais.

9 A ETPC foi criada na década de 1940 para a formação da mão-de-obra para a CSN.

10 Segundo o próprio sindicalista, sua trajetória na igreja remonta à infância, quando levado pela mãe, tornou-se “coroinha”. Quando jovem, integrou as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a Pastoral Operária. Sua ruptura mais forte ou definitiva com a igreja deu-se apenas por volta de 1990.

11 Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP).

12 Volta Redonda situa-se praticamente entre Resende, onde está a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), e Barra Mansa, que abriga o Batalhão de Infantaria Blindada do Exército (BIB).

13 As moradias construídas pela fábrica para abrigar seus funcionários distinguiam-se por diferentes padrões de conforto e serviços de acordo com os níveis hierárquicos de sua força de trabalho. Além disso, a cidade foi organizada em distintos bairros destinados a operários, técnicos e engenheiros.

14 Para uma visão da dominação da mão de obra através da moradia e da divisão dos bairros, bem como da influência de fatores subjetivos sobre esta organização, ver Lask, 1991.



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