Pessoas que viveram em países com ditaduras costumam ter uma conotação



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Encontro05.08.2016
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O poder corrompe?

SIM


Pessoas que viveram em países com ditaduras costumam ter uma conotação
negativa do termo 'poder'. Entretanto, se não houvesse poder em uma
semente de abóbora, não teríamos abóbora, por exemplo. Tudo existe
porque tem em si uma potência para a ação.
O exercício do poder, seja dentro da família ou na direção de Estados
e grandes empresas, exige que se diferencie o poder para alguém do
poder sobre alguém. O primeiro alavanca o talento, o potencial e a
capacidade criativa do outro e, a partir deste melhor, trabalha
sinergicamente no que podem criar juntos. O poder exercido sobre
alguém subordina e tira a autonomia do dominado, ditando suas
necessidades e o humilhando por necessitar da presença, do recurso e
do conhecimento do dominador. Nessa condição, o poder perverte, porque
não permite o crescimento e o desenvolvimento do potencial do outro e
ao contrário, breca sua capacidade.
Aqueles que não estão comprometidos com princípios e não têm uma ética
única que os oriente nos múltiplos papéis que exercem na vida,
dificilmente conseguem lidar com o exercício de sua liberdade
independente dos interesses.
Toda vez que alguém tem que abrir mão daquilo que o dignifica,
deslocando o que tem de melhor em nome de algo que lhe dê prestígio, destaque, essa pessoa foi corrompida pelo
poder. E nesse sentido, a sedução e o prazer também corrompem.
O poder traz um deleite psicológico e um sentimento de paz por
conseguir mais que o outro e por encontrar um significado para o seu
eu. A vida é poder, e nesse aspecto, quando mais vida você tem, mais
destacada e qualificada é sua condição. O ser humano é ávido de vida e
a vida em nós é ávida de si mesma, ela busca perpetuar-se de qualquer
forma, não interessa se dignamente ou não.
Mas, a exigência para sustentar-se no topo do poder é altíssima,
afinal existem outros candidatos por perto querendo ocupar a mesma
posição. O preço que se paga é a pouca convivência com a família,
pouco tempo para dormir e para permitir-se prazer, tranqüilidade
e ócio. Entretanto, o deleite pela manutenção do poder é muito
maior do que o prejuízo que ele está disposto a enfrentar. Se não
revisitarmos continuamente como estão os nossos princípios e
prioridades, somos capazes de fazer desatinos.

Lia Diskin é jornalista e escritora, co-fundadora e presidente da


Associação Palas Athena – Centros de Estudos Filosóficos, em São
Paulo.


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