Pl 03: MÉtodo da matriz do sonho social e sociodrama 17º congresso brasileiro de psicodrama e 1o congresso latino-americano de psicoterapia de grupo e processos grupais



Baixar 28.61 Kb.
Encontro04.08.2016
Tamanho28.61 Kb.


PL 03: MÉTODO DA MATRIZ DO SONHO SOCIAL E SOCIODRAMA

17º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICODRAMA E 1o CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE PSICOTERAPIA DE GRUPO E PROCESSOS GRUPAIS

04 DE SETEMBRO DE 2010
Diretora – momento 1: Maria da Gloria Hazan (Social Dreaming Matrix)

Diretora – momento 2: Anna Maria Knobel (Sociodrama)

Egos-auxiliares: Eni Fernandes, Karina Hazan, Mariana Kawazoe

Articulador: Marisa Nogueira Greeb

Sala: Camerino

Horário: 18h às 20h

Público: 50 (?) pessoas (aproximadamente)
MÉTODO DA MATRIZ DO SONHO SOCIAL
Espaço físico:
São aglomerados de três cadeiras dispostas de maneira que as pessoas fiquem de costas umas para as outras.

A luz é baixa, o que promove um ambiente propício à introspecção.


Aquecimento:
As pessoas devem manter o silêncio, relaxar e prestar atenção na sua respiração. O movimento é o de entrar em contato consigo mesmo e com o próprio mundo interno, em busca de seus sonhos.

Inicia-se o relato do primeiro sonho. Os demais relatos de sonhos devem ocorrer a partir de associações emergentes naquele momento.


Sonhos:
1) Não tem certeza se é um sonho ou se são dois sonhos. Estava tomando banho. Algo grave estava acontecendo. Era algo catastrófico. Seu filho caçula pedia socorro para tirá-lo de lá e colocá-lo fora do risco. Ao sair, achou engraçado, pois viu o filho nu, um adolescente de 16 anos, que não permite (na realidade) que veja seu corpo. Comentário: “Finalmente estou vendo seu corpo!”
2) É um sonho perturbador. Sente-se assustada. O sonho provoca uma sensação não agradável. Era uma casa com espaço amplo. Os quartos eram separados. Caminhou do quarto para o espaço de convivência. Havia amostras das madeiras do telhado. Subia degrau e ficou assustada com o que viu. Deu-se conta que era ela mesma morta, pendurada com lenços no espaço de convivência. Queria continuar o sonho, mas não conseguia.
3) (Espanhol) Espaço aberto onde ia. Havia porcos. (frase feita: “[...] los cerdos”). Eles têm um significado especial. Na terra os porcos se esbarram. Chove. Os porcos transbordam. Sente medo. Na vida real está preocupada com seu filho e não tem celular para ligar para ele.
4) Depois de um congresso, sonhou com o congresso em aldeia indígena. Saía de uma vivência e diziam que ela havia sido envenenada com flecha. Queria ajuda. Saía procurando antígeno. Tinha uma pessoa. Chegava perto dela. Pessoa sumiu e se transformou em foto 3x4 preto e branco.
5) Sonho recorrente (da infância). A cena tinha um lago enorme com água cristalina. Tinha uma criança de 4 ou 5 anos de idade. Era uma criança índia, uma rainha... (?) Via sangue... Havia uma comitiva de índios guerreiros guardando. Tinha um cortejo. O lago era raso. Atravessa-o com cavalo. O sol reflete as pedras na água. O cortejo segue até cachoeira. Silêncio. Sente-se protegida e amparada. Atravessa cachoeira. A água bate. Abrigo, conforto, acorda com sensação de proteção.
6) Sonho recorrente. Corre, toma impulso e voa. Cai lá de cima, mas não se machuca. Começa de novo (várias vezes) e o sonho acaba.
7) Sonhou com a mesma coisa. Era menor. Sonhava que voava. Voltou sonho. Tomava impulso, o vento a leva, ela cai e voa baixo entre árvores.
8) Estava atravessando um caminho, que tinha uma caverna cheia de obstáculos. Esse caminho tinha bastante dificuldade. Ao final vê uma porta de madeira fechada. Aproxima-se e a porta se abre. Sai voando pela porta e não cai.
9) Sonho recorrente. Era uma situação engraçada e não sabe exatamente qual a situação. Transporta para o riso. Ri. Era uma sensação gostosa do riso. Acorda com sensação do riso. Sensação prazerosa.
10) Na vida real, chegou cedo no aeroporto e cochilou. Sonho: no aeroporto, chegava hora do check in, levantava e não encontrava sua bagagem. Encontrou moças – funcionárias – que tinham objetos automáticos (parecidos com besouros). Elas saberiam onde estava bagagem. Tinha uma escada. Com o que tinha na mão conseguiria descer escadas. Acordou.
11) Imagem com pai. O que impactava era que, na realidade, não tinha relação boa com ele, era uma relação não fluída. Sonho: muito feliz. Conversava com seu pai sobre sua relação com ele. O importante do sonho era o afeto, o sentimento. Sentia intensamente. Imagem menos importante. Era como um filme curto de Youtube. Riam contentes.
12) Sonho recente e curto. Sala com pessoa que estava deitada e era feita de doce em cachos. Olhava nos olhos e tirou um olho, tirou o outro. Olhava. Foi ao oculista e viu os olhos do oculista com todas as partes. Eram doces. Colocava olhos de volta. Saiu. Era um cadáver de doce. Sensação intrigada, assustada, mas com tranquilidade. Não era muito assustador.
13) Estava tudo estragando. Na cozinha havia uns sacos. Pegou saco, abriu. No fundo havia vários peixes. “Qual o significado desses peixes?” Questionamento. Sensação de não compreensão.
14) Sonho recente. Perdeu irmão querido há 3 meses (na realidade). Sonho: ele subia compartimentos, colocava mão na cabeça, não parava em nenhum lugar. Tinha um lugar com uma bateria. Subia. Queria que irmão soubesse que ele não estava mais aqui. Amanheceu assustada.
15) Há tempos. Estava em um hospital, deitado no leito, doente. Havia duas pessoas fora de contexto, que o visitavam. Questiona: “Por que estão lá?” Eles mostram figura de uma mandala. O olhar era estranho. Era um mar de emoções. Sentido de consciência, amplitude... Acordou... Sentimentos de felicidade.
16) Mais de 40 anos. Passou por processo psicoterápico com Bermudez. Tinha uma ego-auxiliar que era uma atriz argentina. Ela tinha o biótipo de uma mestiça (índio com branco). No sonho ela era uma bruxa, uma feiticeira. Era tudo colorido. Ela tinha uma auréola e era dotada de poder. Sentido de revelar e transformar.
17) Fragmento de sonho. Na vida real, foi morar fora e quando voltou de viagem, não queria mais morar com o pai. O desejo de morar sozinha era forte. Foi morar sozinha em um apartamento, onde viveu momentos intensos. Sonho: Estava em um carro. Visitava apartamento quando morava só, antes de casar. Não tinha mais apartamento, mas tinha a chave. Era uma sensação estranha. Era como uma forma proibida. Não era mais seu apartamento. Teve a oportunidade de revisitar. Momento de morar sozinha era intenso.

18) Sonho recorrente. Fragmento de sonho. Raio de luz, de esperança. Via um barco, uma canoa indígena. Era na Polinésia e o mar era limpo. O dia estava lindo. Remava livremente no mar. Tinha possibilidade de navegar. Via um cavalo marinho. Era o final de temporada ruim. Tem esse sonho quanto está ruim.


19) Na vida real, estava na casa da mãe, que estava quase à beira da morte. Tirou um cochilo e sonhou com seu pai falecido há 5 anos. O pai dizia: “Não tenha medo, chegou a hora de vir buscar sua mãe.”
20) Sonhou que estava com uma prima querida. A casa dela era um barco no meio do oceano, mas o barco estava parado. Quando começou a maré, percebeu que a casa era um barco. Bateu um desespero. Acordou.
21) Estava andando na rua à noite. Dois agentes secretos estavam atrás dela. Sentia-se insegura. Era a rua onde moravam avó e avô. (Era o apartamento onde eles moravam quando ela tinha 5 anos de idade.) Foi para a porta de entrada no 6º andar. Alguém abriu a porta. No elevador sentia-se insegura. Os dois agentes entraram. Sentiu medo. Resolveu voltar e correu 6 andares a pé na escada. Escutava os homens. Tocava a campainha do apartamento. Sentia medo. Não ia dar tempo. A porta abriu. Não tinha nada no apartamento. Estava vazio. Ouvia uma voz que dizia que as pessoas tinham mudado. “Pra onde?” Para o 5º andar. Foi lá, entrou, e não entendia uma coisa. Era como se fosse um circo. As pessoas estavam treinando e ela treinava com eles. Queria ficar com eles no circo. Os dois homens (agentes) vieram e se espantaram. Acordou.
 Gloria pontua: Parece um processo de transformação. É como um círculo que sobe em movimento de transformação.
22) Estava intrigada. Andava na beira de um rio. Tinha uma lagoa e capins. “Natureza é hostil como hipopótamos.” Um hipopótamo aparece e não faz nada. Ela vai para a casa dos hipopótamos. É terapeuta desta família de hipopótamos. Vê como se fosse um desenho animado. Ela tratava da filha da família dos hipopótamos. Estava encantada. Marido dizia que as perguntas deveriam ser indiretas.
23) Tinha um navio que não se via, mas sabia que estava lá. Era um momento de pôr do sol. O cenário era dourado. Estava calmo, de profundo bem-estar. Acordou com essa sensação. Sentiu-se aliviada neste momento.
COMPARTILHAMENTO
Gloria: espiral. Entradas, saídas, transformação.

Fala dos participantes:



  • Não tem espiral. Foi onírico. Sentiu sonhando junto. Entrelaçamento. Viajava em algumas histórias.

  • Sensação: passeando por sonhos angustiantes – esperança – assustadora. Movimento: pulsação. Mergulhava e subia.

  • Na pulsação, às vezes reconectava. Às vezes entrava no sonho do outro, às vezes não.

  • Leveza.

  • Também sentiu leveza, principalmente no final. Às vezes ia longe, mobilizava coisas internas. Sentiu tranquilidade.

  • Foi como se tivesse entrado num filme. Sentia vontade de olhar para pessoa que contava o sonho, interagir. Pensava várias coisas. Ansiedade de aprender a escutar história do outro.

  • Leveza. Surpreendeu-se com o encadeamento. Uma história entrava na outra. Imagem de mar batendo, coisas ficavam na areia. Subindo / descendo.

  • Também teve sensação de mar. Tinha que selecionar sonhos. Ia trazer mar, perda de limite, terra e mar. Às vezes desligava, às vezes estava atenta. Questão: “Qual seria nosso sentido coletivo? Qual a conexão do que estamos vivendo?” Ficou curiosa. Do individual para o coletivo.

  • Sonho drástico. Não costuma se lembrar dos sonhos. Caiu no sono enquanto acontecia a atividade e sonhou. Na vida real, não mora com as filhas e sua filha mais velha está noiva. O noivo de sua filha foi pedir a mão dela em casamento. Sentiu-se mais pai. Sonhou com a caçula. Tinha umas portas.

  • Coletivo. Começa com sonho de pai e termina em metamorfoses de hipopótamos. Será que o congresso não é isso? Morre, renasce. Transforma (Kafka).

  • Era como se olhasse livro de fotos. Cada página tinha novas figuras. É estrangeira e estava ouvindo em português. Eram sons que não reconhecia. Lembrou-se de seus próprios sonhos. Cada tipo de história trazia imagens escuras e claras.

SOCIODRAMA


Temas que emergiram dos sonhos:


  • Medo / perigo

  • Tranquilidade

  • Coisas sem fim / entrelaçamento

  • Místicas


Ordem escolhida pelo grupo:


  1. Rede (entrelaçamento) – rizoma

  2. Sístole / diástole

  3. Medo suportável (temor sereno)

  4. Transmutação (transformação – espiral)

  5. Estranhamento

Catálogo: publicacoes -> arquivos
arquivos -> Norma Silvia Trindade de Lima educaçÃo e psicodrama: possíveis práticas de singularizaçÃO?
arquivos -> Adelsa Mª Alvarez Lima da Cunha Carlos Roberto Silveira o amor e o tempo reflexões sobre a linha do tempo amorosa e o conceito de clusters de papéIS
arquivos -> Da associaçÃo livre aos objetos mediadores em grupo: o processo associativo (e o tempo psíquico) no contato com objetos resumo
arquivos -> Da psicoterapia moreniana
arquivos -> Nota Técnica
arquivos -> Gustavo Queiroz Guimarães história em movimento: uma construçÃo coletiva
arquivos -> Escrito psicodramático teatro espontâneo
arquivos -> Uma nova resposta ao conceito de espontaneidade
arquivos -> Rosane Rodrigues contemporaneidade. O final das utopias da pós-vanguarda. E o lugar da utopia moreniana?
arquivos -> Tempo, sonho, trabalho e reencantamento. Temporalidades psicodramáticas para a contemporaneidade resumo


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal