Plano de aula Letramento real e digital



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Plano de aula - Letramento real e digital


Observação: plano publicado na Edição 18 (Março de 2010) - Ler e Escrever - Revista Onda Jovem (http://www.ondajovem.com.br/indice.asp?idedicao=20)


Proposta

Atividades para estimular a leitura e a escrita com estratégias da educomunicação e da semiótica, a ciência dos símbolos, signos e sinais.


Contextualização

Este plano de aula foi desenvolvido pelo educador José Luiz, do Núcleo de Comunicação Comunitária São Miguel no Ar, projeto social da Fundação Tide Setúbal realizado em São Miguel, região da periferia de São Paulo (SP).

O Núcleo promove a educação pela comunicação, ou educomunicação, oferecendo aos jovens da comunidade aprendizado em produção de mídias (fotografia, vídeo, rádio, impresso e internet), ao lado de formação para seu desenvolvimento pessoal e social. A linguagem da semiótica, que estuda os símbolos, signos e sinais, é utilizada pelo Núcleo para desenvolver a capacidade de leitura e escrita também no universo digital.

O plano, especialmente indicado para professores de educação artística, língua portuguesa e geografia, está dividido em três momentos: Sensibilização do olhar; Contar a história a partir dos bens simbólicos; e Mostrar a história (difusão do simbólico).


Desenvolvimento da atividade
ATIVIDADE 1: SENSIBILIZAÇÃO DO OLHAR
Proposta: Percepção e leitura do meio.
Objetivo: Exercitar a percepção dos jovens para a localização e identificação do espaço geográfico em que vivem, para um reflexão a partir de estímulos literários, sonoros e imagéticos sobre a comunicação e as relações humanas.
Materiais: Desenhos ou imagens de olhos de cores diferentes espalhados num círculo do tamanho de uma roda de ciranda; atrás de cada um dos olhos trechos da poesia “Canção de Ver” do poeta Manoel de Barros; imagens numeradas em ordem crescente e “vendas” para os olhos dos jovens; câmera fotográfica e filmadora; televisor para plugar a câmera; celulares dos jovens.
Procedimento

1 – Organize uma roda, em que cada jovem fique atrás de um dos olhos – poema (recortes com desenho de olhos para cinema e para baixo o trecho do poema), previamente dispostos na sala. A idéia é trabalhar signos, sinais e símbolos do lugar (espaço geográfico) nesse tempo presente da atividade e contextualizá-los, exercitar a percepção e a memória.


2 - Cada jovem pega um dos olhos – poema e lê o verso ou trecho do poema, de acordo com a ordem indicada no texto (1,2, 3, etc).
3 - Em seguida o educador pede para que os jovens se apresentem e criem gestos para representar a sua pessoa. Sucessivamente cada jovem fala o seu nome e apresenta o seu gesto – além do nome e o gesto do jovem anterior. Faça isso duas vezes passando pela roda inteira.
4 – Divida em subgrupos e os jovens preparam uma manifestação gestual composta pelos gestos de cada um, intermediado por falas (texto) para apresentar uma história sobre a localidade em que vivem. Nessa história os jovens da roda são personagens, num exercício de memória e de composição simbólica. Peça para que cada subgrupo apresente a sua história no máximo em 3 minutos. Importante gravar em vídeo essa apresentação. Peça para os jovens gravarem com o celular. Caso o educador disponha de uma câmera de vídeo, é interessante captar essas imagens e sons.
5 – Após essa apresentação, os jovens assistem essa gravação e em subgrupos novamente escrevem uma história que una todas as histórias apresentadas. Isso pode ser feito com o que podemos chamar de visitas aos subgrupos, ou seja, cada grupo visita o outro e assiste a gravação do outro, para cada grupo escrever uma história.
6 – Os jovens trocam as histórias e as levam para casa. Fica acordado entre os jovens que no próximo encontro reescrevem a história do outro e tragam também a original.

7 – Roda de conversa final - O educador reforça o pedido de levarem as histórias para casa, reescreverem e lança as seguintes questões para a roda, provocando uma roda livre de idéias e impressões:


. Foi possível perceber o outro?
. Qual a dificuldade quando da organização dos símbolos para contar a história do grupo a partir de imagens, gestos e poucas descrições verbais?
. Os olhos – poema que compuseram a “Canção do Ver” que relação tem ou teve com a atividade em si e com o que foi pensado e apresentado?
. O que pode ser feito no futuro com as imagens e áudios captados nesse encontro?
. Em algum momento pensou-se na localidade ou no lugar (escola, casa de cultura, ONG, bairro) onde nos encontrávamos?
Lembrete: pedir para que os jovens não apaguem as imagens e sons captados por seus celulares.
Poema “Canção do Ver” do livro de Manoel de Barros – Poemas Rupestres


Por viver anos dentro do mato


moda ave

O menino pegou um olhar de pássaro –

Contraiu visão Fontana.

Por forma que ele enxergava as coisas

por igual

como os pássaros enxergam.

As coisas todas inonimadas.

Água não era ainda a palavra água.

Pedra ainda não era a palavra pedra.

E tal.

As palavras eram livres de gramáticas e

podiam ficar em qualquer posição.

Por forma que o menino podia inaugurar.

Podia dar ao canto formato de sol.

E, se quisesse caber em uma abelha, era

só abrir a palavra abelha e entrar dentro

dela.

Como se fosse infância da língua.
ATIVIDADE 2: CONTAR A HISTÓRIA
Proposta: Organização de narrativas
Objetivo: Despertar a percepção dos jovens para formas, traçados, geografia, ambiência, composições imagéticas, sonoras e da oralidade, para organização de narrativas e criação de peça de comunicação.
Materiais: Textos escritos e reescritos produzidos na Atividade 1, “vendas” para os olhos, CDs musicais e de ruídos; gravador, câmera, celular e player - CD (é importante captar o áudio desta atividade).
Procedimento
1 – Aquecimento que consiste em alongar os músculos, respiração compassada, pensar na cidade, no bairro, nas pessoas. Recordar cenas recentes e falar sobre elas, um jovem de cada vez, de olhos fechados, para o grupo. Recomenda-se fazer o alongamento e o relaxamento com música bem leve e calma.
2 – Os jovens abrem os olhos, sentam-se em roda e, em seguida, ouvem sons da cidade, gravados, ruídos de carros, buzinas, torcidas de futebol, ruídos de rádio fora de sintonia , sons de trem, brecadas de ônibus, culminando com sons de pássaros.

3 – Eles apresentam os textos reescritos, aqueles que levaram para casa na atividade anterior, numa leitura compartilhada. As histórias são compartilhadas. O educador pede para que, a cada história contada, os jovens indiquem uma imagem (desenhos no quadro, ou no papel kraft) que represente aquela história. Essas indicações de imagens são colocadas no quadro ou na lousa de maneira bem visível para todos.


4 – Os jovens se levantam e gestualizam a poesia de Cecília Meirelles – “Pescaria”. Recomenda-se que o educador traga uma melodia para essa poesia. Os gestos são feitos em grupo para cada verso, numa roda de ciranda.
Pescaria – Cecília Meirelles
Cestos de peixes no chão,

Cheio de peixes o mar,

Cheiro de peixes pelo ar

E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia

Na maré cheia.

As mãos do mar vêm e vão,

As mãos do mar pela areia,

Onde os peixes estão,

As mãos do mar vêm e vão.

Em vão não chegarão

Aos peixes do chão.

Por isso chora na areia a espuma de maré cheia
5 – Os jovens refletem sobre a poesia e as palavras que indicam imagens a lousa (quadro). Roda de significados. O educador também coloca no quadro de maneira visível os significados e interpretações que forem manifestados, em relação ao sentir que a poesia proporciona.
a) O educador propõe aos jovens que ouçam os sons do ambiente em que estão e reflete com eles sobre a necessidade de ouvir e buscar o silêncio
6 – Os olhos dos jovens são vendados e inicia-se uma “percorrida” pelo ambiente (praça, escola, etc), com o educador como guia e grupo em fila, com um jovem com a mão no ombro do outro, num exercício em silêncio para captar os sons do ambiente.
7 – Conclui-se a “percorrida” e os jovens, ainda com os olhos vendados, são conduzidos, um a um, para um local da sala. O educador pede para que os jovens representem com sons do corpo o que acabaram de ouvir durante a percorrida. Aos poucos, o educador pede para que os jovens emitam sons ritmados. Numa espécie de regência, o educador conduz o ritmo, como numa organização musical (importante gravar esse áudio).
8 – Os jovens são conduzidos pelos educadores, um a um, para que se sentem. As vendas são retiradas e inicia-se uma roda de conversa sobre os sons do lugar e seus significados, além da sensação de cada um. O educador então provoca uma reflexão sobre se é possível descrever imagens com sons. Manifestação dos jovens.
9 – Jovens se dividem em grupo. Educador solicita que cada grupo conte uma história, com os elementos de imagem, som, gestos, os textos escritos e reescritos e com a própria atividade em si com as suas dinâmicas. Educador fala sobre o que é narrativa. Pede aos jovens que apresentem um roteiro, uma história, com o que foi captado e sentido.
10 – Roda de conversa final em que os jovens apresentam as suas idéias de representação do que foi vivido e captado. O educador então revela que essa representação passará a ser também uma peça de comunicação.
a)Para reflexões em grupo:

-Existe a possibilidade de cada um contar a sua história, apesar de vivermos momentos juntos? Essas histórias podem ser diferentes?


-Pode-se perceber o olhar de cada um para comunicar a experiência vivida, por meio da composição, forma e organização da narrativa?
-Como foi a sensação de imaginar as imagens somente com o sentido da audição?
- A arte e a comunicação andam juntas, ou não existem relação entre elas?
Contextualizar essas impressões e opiniões manifestadas pelos jovens na roda final.
Lembrete: Pedir aos jovens que possuem celulares que tragam os seus aparelhos no próximo e último encontro, com as imagens captadas naquele primeiro dia.
ATIVIDADE 3 – MOSTRAR A HISTÓRIA
Proposta: Difusão do simbólico
Objetivo: Letramento digital
Materiais: Utilizar laboratório de informática e participação do educador de informática
Procedimento
1 – Roda de conversa inicial sobre o momento de mostrar a história vivida por meio da rede mundial de computadores, com o fim de ampliar o compartilhamento da experiência com as pessoas que utilizam a internet, estimulando a comunicação e os relacionamentos. O educador levanta a questão sobre os motivos que fazem os jovens utilizarem o Orkut o MSN e outras ferramentas de web comunicação.
2 – Após a contextualização e a conversa, o material de áudio e vídeo captado pelos celulares, câmera fotográfica e de vídeo é capturado pelo computador, bem como os textos.

3 – Após essa captura, jovens e educadores conversam e acordam a melhor maneira de organizar essa comunicação. Em qual veículo colocarão os vídeos, os textos e demais produtos de arte e ou comunicação.


4 – O educador reflete com os jovens sobre a utilização de um blog para essa finalidade de mostrar a história vivida.
5 – O educador de informática mostra como se dá o processo de construção de um blog .
6 – Os jovens são divididos em grupo e apresentam suas propostas de como será o conteúdo e a forma do blog de cada grupo.
7 – Os educadores pedem aos jovens os endereços eletrônicos para troca de mensagens, no sentido de elucidar dúvidas que possam ocorrer durante a produção do blog.
Lembrete: Organizar e reservar horários para os jovens no laboratório de informática, com acompanhamento de educador para desenvolvimento do blog.


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