Plataforma para Investigação Agrária e Inovação Tecnológica em Moçambique1



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Plataforma para Investigação Agrária e Inovação Tecnológica em Moçambique1

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No: 08 PIAIT Boletim Informativo Data: 16 -12-2010

Responsável: Unidade de Gestão da Plataforma (UGP)

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Caros parceiros da Plataforma:

Estamos as portas do fim do ano e este será o último boletim de 2010.

Esperamos contar com vosso suporte para continuar com redobrado entusiasmo as nossas tarefas para à implementação da Plataforma em 2011. Aproveitamos a oportunidade para agradecer as contribuições dos nossos parceiros tanto com o boletim Informativo como também com os eventos organizados pela Plataforma durante 2010. A participação de todos através da Plataforma será um excelente contributo para levar a Pesquisa Agrária de Moçambique ao nível necessário para que a agricultura possa ser suporte importante no desenvolvimento do país e a diminuição da pobreza.

Neste número do Boletim apresentamos notícias resumidas de actividades em que a Plataforma de uma ou outra forma tem participado durante Novembro e Dezembro.

Aproveitamos ademais para desejar festas felizes a todos nossos parceiros.

Atenciosamente

Membros da UGP

  1. SEGUNDA REUNIÃO DA PLATAFORMA DA INICIATIVA DA BATATA-DOCE PARA RENDA FAMILIAR E SAUDE


Teve lugar no IIAM em 2 e 3 de Dezembro, a reunião dos membros da PLATAFORMA DE APOIO A BATATA-DOCE (SPP), programa este que procura melhorar a vida de 10 milhões de famílias africanas em 10 anos, através da exploração do potencial da batata-doce para reduzir a malnutrição impulsionado pelo projecto específico Acção da Batata-doce para Segurança e Saúde em África (SASHA). Este projecto apoia o “pré-melhoramento” da batata-doce e reúne esforços para a produção de material genético de modo a ajudar iniciativas dos programas nacionais em África. Na África Austral, os esforços do melhoramento estão direccionados, entre outros, a produzir variedades ricas em vitamina A e com resistência a seca.

Como ponto de partida desta segunda reunião da Plataforma, teve lugar na Estação Agrária de Umbeluzi a cerimónia de abertura e Boas vindas precedida pelo Dr Calisto Bias DG do IIAM, a Engª Paciência Banze, Directora da Estação Agrária de Umbeluzi ,a Dra Isabel Andrade, Coordenadora Regional do Programa e a Dra Anabela Manhiça facilitadora da Plataforma. A continuação, foi realizado uma interessantíssima visita aos Campos de experimentação do programa no qual os membros da Plataforma e os convidados especiais tiveram a oportunidade de comprovar em loco os fantásticos avanços do programa de melhoramento, as metodologias utilizadas para produzir os cruzamentos e as técnicas de multiplicação dos clones mais promissores relacionados com os critérios de selecção. O programa já conta com 16 clones prontos para ser libertados e registados como “Materiais próprios de Moçambique” (made in Mozambique) e que por sua vez já estão sendo testados com êxito nos países membros da Plataforma, África do Sul, Suazilândia, Zâmbia e Malawi.

Logo da visita de campo a Umbeluzi, os participantes regressaram ao IIAM-Maputo e participaram em um capacitação para o manejo e a utilização do Portal de Conhecimentos da Batata-doce (Sweetpotato Knowledge Portal). Esta capacitação foi introduzida pela Sra Anabela Manhiça do IIAM e monitorada pelo Dr Jens Riss-Jacobsen funcionário principal do CIP de visita em Moçambique para este propósito. Este encontro teve lugar na sala de Vídeo-Conferência da PIAIT que conta com capacidade para 20 pessoas e excelentes facilidades de comunicação o que permitiu que os participantes tivessem acesso a rede de internet para os efeitos da capacitação.

  1. PALESTRA SOBRE O SISTEMA “BROTO: BATATA-SEMENTE”:


O Dr José Alberto Caram de Souza-Dias fitopatológico do Centro de Virologia do Instituto Agronómico de Campinas IAC, Estado do São Paulo, Brasil, proferiu, em 06-12 uma interessante palestra no IIAM sobre o tema da multiplicação da batata-semente através do uso dos “brotos” provenientes dos tubérculos sadios usados formalmente como semente de fundação, com fins reprodutivos. O Dr Caram assegura, baseado nas pesquisas já realizadas, que se os tubérculos usados como base para a produção de sementes estão livres de vírus e outras patogenias, os brotos que esses tubérculos produzem também estarão livres e sadios. Estes brotos são ate agora retirados dos tubérculos e atirados como um elemento sem uso nenhum, mas a partir das pesquisas realizadas no IAC e lideradas pelo Dr Caram, estes brotos podem ser utilizados também como elementos para a multiplicação da batata com grandes possibilidades de se converter em uma nova oportunidade de negocio para os produtores de sementes e uma economia no agro negócio da batata-semente.

De acordo com o apresentado pelo Dr Caram, os brotos dos tubérculos sadios são “colhidos” e semeados em camas localizadas dentro de estufas protegidas, a 15 cm entre eles em um solo solto, bem adubado e húmido; se os cuidados proporcionados às plantinhas nascidas dos brotos são adequados, poderão produzir a volta de 60-70 dias, entre 2 e 4 mini tubérculos sadios que por sua vez poderão ser utilizados para semear campos de produção de semente básica e continuar com o processo normal de produção de semente certificada de batata. Os tubérculos iniciais poderão ser “forçados” a produzir um maior número de brotos armazenando-os com temperatura e luz controladas. Desta forma, os produtores de semente de batata poderão comercializar entre eles os brotos facilitando grandemente o transporte da semente de fundação, pois os brotos são resistentes e de fácil manejo. No médio prazo, os brotos conservam bem a viabilidade; quando armazenados por 4 meses à 4 graus de temperatura positiva ainda à conservam. Algumas empresas dos países mas desenvolvidos na produção de batata já estão utilizando, a nível experimental este sistema inovador; no Brasil, já esta em processo a modificação das normas e procedimentos de sementes de batata para poder fazer uso deste sistema, diz-nos o Dr Caram. Este sistema de multiplicação de batata vai a encontro da protecção do agro-negócio através da diminuição dos custos de produção.

O Dr Caram visitou também o Centro Zonal Noroeste em Lichinga em companhia do Director do Centro Carolino Martinho para observar as oportunidades de implementar um programa piloto do uso do “broto: semente-batata” em Moçambique.

  1. UTILIZAÇÃO SUSTENTÁVEL DOS RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS


A PIAIT financiou parcialmente a participação da Dra Maria da Glória Taela, investigadora especialista em melhoramento genético animal da Direcção de Ciências Animais (DAS) do IIAM à Sexta Sessão do Grupo de Trabalho Técnico Intergovernamental dos Recursos Genéticos Animais para Alimentação e Agricultura que teve lugar na sede da FAO, Roma entre 24 e 26 de Novembro. Este grupo de trabalho foi estabelecido pela Comissão de Recursos Genéticos para alimentação e Agricultura em 1997. O objectivo da reunião foi rever os progressos e as acções desenvolvidas na implementação do Plano de Acção Global e rever os avanços do documento que descreve as tecnologias aplicadas na conservação e utilização dos recursos genéticos. Os pontos tratados na agenda foram:

  • Padrões internacionais para o melhoramento animal (ICAR)

  • Tratado Internacional em Recursos Genéticos para Alimentos e Agricultura – foi apresentada por Juanita Chaves, a experiência do primeiro processo de financiamento na área de produção vegetal, desde a submissão das propostas de projectos, a avaliação, os desembolsos dos fundos e todo o processo da monitoria e avaliação do progresso da implementação dos projectos.

  • Informes dos países sobre o ponto de situação da implementação do plano global de acções para os recursos genéticos animáis (RGA). Neste ponto foi feita, entre outras, à apresentação: Sustainable use of animal genetic resources for food and poverty alleviation in Mozambique, por Maria da Glória Taela quem deu ênfase às realizações recentes com vista à elaboração de um programa nacional de melhoramento genético animal e sua utilização sustentável e aos esforços que o Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura (MINAG), está a realizar para o repovoamento e fomento pecuário.

Na base do informe apresentado e de outras constatações discutidas durante o trabalho, foi possivel formular as seguintes recomendações:




  • Senssibilidade em Moçambique sobre os aspectos da utilização sustentável dos recursos genéticos animais, pois com a utilização descontrolada que se tem verificado, algumas espécies e raças nativas de animais poderão entrar em risco de erosão ou mesmo de extinção. De lembrar que são as raças nativas de animais, adaptadas às condições locais, que poderão garantir a sobrevivência das espécies às agressividades ambientais actuais e futuras, permitindo a continuidade da provisão de produtos e serviços resultantes da sua utilização.

  • Criada a sensibilidade, a produção de animais domésticos figurará nas prioridades do país, podendo, então, mobilizarem-se recursos, interna ou externamente (através de submissão de propostas de projectos aos potencias financiadores) para o desenvolvimento, utilização sustentável e conservação dos recursos genéticos animais

  • Desenho e implementação de planos de utilização que permitam a exploração máxima do potencial dos animais para a satisfação das necessidades da população moçambicana em animais e produtos de origem animal, e para a contribuição no desenvolvimento da economia do país, preservando as espécies e o ambiente, para as gerações futuras.

Para além da gestão dos recursos genéticos, a Dra Taela aproveitou a oportunidade para abordar com outras divisões da FAO sobre outras possibilidades de parcerias de trabalho. Neste contexto, conversou com a Dra. Katinka de Balogh, “Senior Officer” de saúde pública veterinária em serviço na sede da FAO, dos projectos que a sua divisão está a levar a cabo nos diferentes países, incluindo Moçambique, no ramo do efeito das zoonoses negligenciadas na saúde pública. A Dra Taela manifestou a disponibilidade do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), através da Direcção de Ciências Animais, de colaborar com a FAO também na área de sanidade animal, tendo a Dr Katinka informado que se deslocará a Moçambique em meados de Janeiro de 2011, para acompanhamento dos projectos em curso, e manter encontro com a DCA, para planificação de parcerias de trabalho.
  1. VISITA DOS ESPECIALISTAS DE SOLOS DA EMBRAPA A MOÇAMBIQUE


No período de 22 de Novembro a 03 de Dezembro cinco pesquisadores oriundos de três Unidades de Pesquisa da EMBRAPA, realizaram uma missão de estudos para avaliação da aptidão e uso actual dos solos de Moçambique, nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Manica, Sofala, Zambézia e Nampula. Este estudo faz parte das actividades programadas para os Assuntos Transversais, no Projecto de Apoio à Plataforma de Inovação Agrária de Moçambique.

As avaliações foram feitas em amostragens de áreas em cultivo e com cobertura vegetal natural ao longo de um percurso aproximado de 4400 km no trecho Maputo - Nampula. A presença de um especialista em sócio economia na equipe teve o objectivo de captar imagens sobre a actuação das populações e possíveis correlações com o uso actual dos solos.

Antes do início da viagem foi feita uma reunião no escritório da UGP onde os pesquisadores explicaram os objectivos e detalharam a programação da viagem e receberam informações sobre instituições que geram conhecimentos relacionados com o tema em Moçambique.

Ainda como parte da preparação do trabalho, a equipe brasileira realizou um dia de trabalho no Departamento de Pedologia do IIAM, sob a liderança do responsável, Moisés Vilanculos e do pesquisador Jacinto Mafalacusser que participou da excursão de campo.

Concluída a etapa de campo os pesquisadores teceram comentários sobre o que encontraram ao longo da rota percorrida em termos da aptidão, usos e estado actual de conservação dos solos amostrados. O componente social do uso da terra em pequenas parcelas e a dedicação das mulheres ao trabalho agrícola chamou a atenção dos pesquisadores brasileiros. A missão encerou com uma reunião no Departamento de Pedologia, principal responsável pela execução das actividades futuras do projecto. O relatório completo da visita e as recomendações estarão em breve disponíveis.

Em sequência, no âmbito da actividades relacionadas com a Análise de solos, o pesquisador Marcelo Saldanha, especialista em laboratórios da EMBRAPA-Solos visitou a sede do IIAM em Maputo e o Centro Zonal Nordeste em Nampula e avaliou as instalações, os recursos humanos e a capacidade actual de prestação de serviços dos laboratórios de fertilidade de solos destas duas cedes do IIAM. Além de ter verificado in loco as condições da infra-estrutura e os recursos humanos disponíveis, Marcelo comandará uma agenda de trabalho voltada para a capacitação do quadro actual do IIAM em aspectos bem localizados, já que considerou muito bom o nível da equipe existente.

Uma importante questão geral está relacionada com as semelhanças e diferenças dos métodos analíticos utilizados no IIAM e os preconizados pela EMBRAPA para possível adaptação, se necessário, dos métodos em uso nestes laboratórios em relação aos métodos adoptados pela EMBRAPA.

  1. INVESTIGADORES DAS DTs DO IIAM, CAPACITADOS EM ASSUNTOS TRANSVERSAIS:


Dando seguimento ao plano de acção definido pela equipe de formadores do IIAM, sobre a integração dos Assuntos Transversais (HIV e SIDA, Nutrição, Género e ambiente) nos protocolos de Investigação, realizou-se de 8 a 9 de Dezembro do ano em curso, nas instalações da DCA, a capacitação dos investigadores e planificadores das Direcções Técnicas do IIAM. Os participantes foram 13 investigadores e 3 planificadores, sendo 12 mulheres e 4 homens. A capacitação teve como objectivo criar habilidades nos investigadores e planificadores, no uso de ferramentas para uma integração efectiva destes assuntos nos protocolos e projectos de investigação, bem como a interpretação destes nos resultados de pesquisa.

A abertura da sessão foi realizada pela Directora da DCA, Dra. Paula T. Dias e contou com a presença do Dr. Carlos Dominguez, representante da Plataforma para Investigação Agrária e Inovação Tecnológica em Moçambique (PIAIT). A oradora realçou a importância da integração dos assuntos transversais na agenda da investigação e especificamente nos protocolos e/ou projectos de investigação desde a sua concepção à analise destes nos relatórios finais.

A capacitação foi facilitada pelas formadoras do IIAM nomeadamente Alice Cambula, Anabela Manhiça, Sandra Gonçalves, Beatriz Dimande e Ana Paula L. Nguluve, num processo interactivo de co-facilitação, usando metodologias participativas, onde para além da abordagem de conceitos e ferramentas sobre assuntos transversais, destacou o exercício prático em grupos sobre análise geral de protocolos de modo a visualizar e integrar os assuntos relacionados com género, nutrição, HIV e SIDA e meio ambiente.

Para além da consciencialização sobre a importância do assunto, a avaliação pelos participantes realçou a necessidade de (i) constituir um grupo de suporte nas DTs para monitorar a integrar destes assuntos nos protocolos, (ii) capacitar um maior número de investigadores, chefes de programas e planificadores, (iii) reactivar o Conselho Técnico Científico do IIAM.

Ainda no âmbito das acções planificadas, realizar-se-ão réplicas nos Centros Zonais (CZ) Sul e Noroeste no presente ano e nos CZ Nordeste e Centro em Fevereiro de 2011. A implementação destas acções tem sido possível graças ao financiamento e comprometimento do PIAT e do IIAM (DTs e CZs).

Elaborado pela equipa de coordenação


1 Pessoa de contacto: Carlos Dominguez; Coordenador UGP

Endereço electrónico provisório: icrisatmoz@panintra.com



Tel de contacto provisorio: 258-21-461659


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