Poder local e a Educação de Jovens e Adultos: o caso do vale do aço no leste mineiro



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Poder local e a Educação de Jovens e Adultos: o caso do vale do aço no leste mineiro
Fernanda Rodrigues Silva (autora)

Leôncio Soares (co-autor)

UFMG
Introdução

O trabalho apresenta parte dos resultados de pesquisa de mestrado realizada junto ao Fórum de EJA do Leste de Minas, cujo objetivo foi perceber as relações que se estabelecem entre o poder local, a os Fóruns de EJA e os impactos para educação na região. A natureza rural da região leste, de economia de subsistência, cedeu lugar, gradativamente, a projetos de urbanização centrados na indústria siderúrgica fortemente amparados pelo capital estatal. Esta consolidação econômica mono-industrial da região (Braga, 2004) inicia-se com a chegada da Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira, em João Monlevade (1934), com a implantação da ACESITA (Aços Especiais Itabira), hoje Arcelor-Mittal Timóteo, em Timóteo (1944) e da USIMINAS, em Ipatinga, no início da década de 60. Essas empresas, sustentando-se da exploração do carvão vegetal, dão novos contornos populacionais e econômicos à região. Acrescenta-se a este processo de conurbação a entrada da CENIBRA (Celulose Nipo-Brasileira), no município vizinho de Belo Oriente, em 1973. Esses grandes vetores econômicos foram determinantes para o adensamento populacional dos núcleos urbanos, resultando na formação do aglomerado em torno do eixo orientador: estrada de ferro, rodovias e o rio Piracicaba.

A divisão espacial decorrente da dinâmica de diferenciação econômica do Vale produziu contrastes e dependências, entre os municípios e a vizinhança, irreversíveis. O município de Coronel Fabriciano, por exemplo, o mais antigo e território de onde surgem os demais, assumiu, inicialmente, o setor terciário. Ao longo do passado recente vai cedendo a Ipatinga esta posição. Na medida em que o espaço socioeconômico se redefine, a conformação populacional também se altera, ou seja, Coronel Fabriciano na qualidade de município “dormitório”, receptor de mão-de-obra para as usinas, depende da capacidade de mobilização de investimentos das administrações municipais para enfrentar o crescimento populacional e a implantação de demandas sociais, podendo sofrer deficiência de recursos financeiros.

No saldo dos anos setenta, Ipatinga apresentava pouca intervenção do poder público municipal na configuração do espaço urbano. O aparato de infra-estrutura, escolas, hospitais, lazer e cooperativas de consumo foram executados pelas empresas e direcionados, preferencialmente, aos “seus”. O quadro começa a sofrer inflexão na administração municipal, no período 1989-2002, a qual buscou “inverter prioridades”, ou seja, reduzir a presença da empresa em setores decisivos como a educação fortalecendo a rede municipal de ensino. Com o mote “Ipatinga Cidadã” emergem mudanças política, social, cultural e espacial. Soma-se a nova postura do poder administrativo frente à grande indústria a organização da sociedade civil na cidade pública apoiada pela Igreja anunciada antes dos anos de 80. À época, fortalecem as Comunidades Eclesiais de Base, as Comissões Pastorais, bem como as lutas conjuntas de associações de bairros e de movimentos populares. A administração municipal concretizou a participação popular por meio de fóruns deliberativos, a exemplo, o Fórum Permanente de Educação e Cultura Popular (FOPEP), constituído por 29 entidades populares (Folder do MOVA-Ipatinga) e o Fórum Municipal de Políticas Públicas Ambientais.

Em consonância com o lema, inscreve-se a implantação do Movimento de Alfabetização (MOVA). A iniciativa da Prefeitura, em convênio celebrado entre o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipatinga (SINTSERPI) e a Secretaria de Educação, no ano de 1990, tinha como princípio atender a população analfabeta do município, com 15 anos ou mais, oriunda, sobretudo, do trabalho na mineração. Após longa discussão, foram abertas 20 turmas de 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental para 440 servidores municipais, como projeto inicial. A abertura oficial do MOVA ocorreu no dia 1º de maio de 1990, com palestra da cubana Maria Dolores Ortiz, coordenadora da campanha de alfabetização de Cuba em 1962. Após um ano de atividades, a Secretaria de Educação passa a dividir a execução do MOVA com o FOPEP. Seria incumbência de o Fórum Permanente cadastrar a população analfabeta, indicar os monitores, o bairro e ceder o local, enquanto a Secretaria de Educação responsabilizara-se pelo pagamento, pela capacitação e garantia da orientação pedagógica dos professores. Em 1997, a Associação dos Educadores de Jovens e Adultos (AEJA) substituiu o FOPEP no convênio com o município, garantindo ao MOVA continuidade e integração à rede municipal.

Nesse contexto insere-se, a partir de 2002, o Fórum Regional de EJA do Leste Mineiro em Ipatinga, uma realização da AEJA e da Prefeitura, abrangendo a Região Metropolitana do Vale do Aço. Durante o período de 2002 a 2004, o MOVA foi parceiro do Fórum Regional. Ao lembrar a época, Romilda1, membro da secretaria do Fórum, comenta:

[...] quando eu vim para a Secretaria de Educação coordenei o MOVA de 98 a 2004, o ano que o MOVA acabou em Ipatinga [...] A AEJA, que era a Associação, que coordenava o MOVA, ela era parceira do Fórum. Então assim, o MOVA foi importantíssimo, até para a concepção de EJA. Porque o MOVA é totalmente pautado em Paulo Freire, né?

Após o fechamento do MOVA, a Secretaria de Educação aderiu ao Programa Brasil Alfabetizado, em 2004. Neste ano foram abertas 38 salas de aula e cadastrados 4.801 alunos (Documento do Departamento Pedagógico – Ensino não Formal). Com essa ação, o poder administrativo prossegue o movimento em torno da EJA e o fortalece criando o Fórum Regional de EJA do Leste Mineiro.



Fórum Regional de EJA do Leste Mineiro ou somente Fórum do Leste

Ipatinga já havia designado à Coordenação Pedagógica de Ensino não Formal os cuidados da EJA, quando a gerente responsável recebeu um folder do Fórum Mineiro de EJA de Belo Horizonte2. Abro parênteses para lembrar que, à época, havia forte ênfase na divulgação deste Fórum por meio de envio postal da programação a Prefeitos e Secretários de Educação de quase todo o Estado e Ipatinga constava das remessas. Portanto, é pertinente cruzar esses dados cientes de que a administração de Ipatinga não deixaria passar despercebido o convite. Tanto que, ao lembrar-se de sua chegada ao Fórum Mineiro, Romilda comentou:

[...] “Logo no final de 99, nós recebemos uma propaganda do Fórum Mineiro. [...] Eu lembro que a minha gerente que viu e me passou, falou que era interessante. Eu liguei, a gente se interou e começamos a participar”.

O acesso ao folder abriu caminho para a participação constante do grupo da AEJA no Fórum Mineiro. Se em Ipatinga havia um grupo “latente” no poder local , a “pedra de toque” foram os membros do Fórum Mineiro. O depoimento de Romilda aponta esta evidência:

Aí eu lembro que a minha gerente falou: tem um encontro, um fórum em BH pra gente participar. Aí nós começamos a participar no Fórum Mineiro no final de 99, início de 2000. Logo que a gente começou a participar, no final de 2001, o Léo começou a conversar: aqui os Fóruns não são só estaduais, estão se regionalizando. E vocês lá do Leste por que não começam, não dão um pontapé inicial. Aí a gente começou a conversar e eu trouxe a idéia para Ipatinga e outros municípios. Em março de 2002 a gente começou o Fórum do Leste e o Léo veio fazer a palestra.

Se tentarmos localizar a “inspiração” do Fórum Regional de EJA do Leste Mineiro, é possível percebermos a presença tanto dos ideais do MOVA quanto do FOPEP na Secretaria de Educação. Daquele, encontramos traços da luta pela EJA, do espírito de “militância”, da vontade política na causa do analfabetismo, enquanto deste, estão presentes o trabalho coletivo, a integração com outros municípios. Até a quinta edição constava do folder do Fórum do Leste os seguintes objetivos do grupo: Promover a troca de experiências em educação de jovens e adultos; Socializar informações, metodologias e material instrucional; Discutir políticas e programas para a educação de jovens e adultos e Promover a elaboração e a adoção de novas concepções para a educação de jovens e adultos. (Folder do I ao V Fórum)

É interessante notar a preocupação em promover a troca de experiências em educação de jovens e adultos, se aliarmos ao que Romilda expressou. Há claramente o indício de que a troca não se restringe ao município de Ipatinga, pelo contrário, está presente o interesse em compor o Fórum de outros municípios vizinhos. Percebe-se que a troca de experiências faz parte de um processo de construção, pois as quatro primeiras edições ficaram a cargo da AEJA e da Prefeitura de Ipatinga. Nesse ponto, percebe-se desde o início a composição de um grupo plural para organizar o Fórum e um local para abrigar a secretaria. O envolvimento dos municípios está condicionado a uma série de fatores. É preciso detectá-los e buscar formas de interferir, o que acaba criando mais atribuição ao grupo que organiza:

Tem Fórum que a gente tem participação de 14, 16, já tivemos até de 20 municípios, sabe? Mas como eles vêm participar? Que às vezes a gente manda correspondência para a prefeitura, mas não chega em quem trabalha com a EJA, então nós já percebemos isto e quando tem Fórum a gente liga. Já tem até um caderninho dos municípios: ah! Eu quero falar com alguém que trabalha com a EJA. Aí você liga e conversa se chegou. Ou vou passar um fax, você quer? Você realmente tem que fazer um trabalho pra informação chegar em quem trabalha com a EJA porque não chega se manda uma correspondência. (Romilda, Ipatinga.).

A gente faz muitos convites para os municípios vizinhos. No último Fórum nós articulamos com a ANDE, Associação de Micro Região do Vale do Aço, que envolve os prefeitos. Nessa oportunidade a gente conseguiu reunir mais municípios, mas tem ainda pouca adesão, têm mais ou menos doze ou quinze, mas a participação é mínima, a gente tem no Fórum no máximo seis. (Cecília, Timóteo).

Há momentos em que um determinado município adere à parceria e depois se desliga, indicando que tem dificuldades em assegurar lugar no trabalho coletivo. As razões vão desde as trocas do executivo até a pequena inserção da EJA como prioridade da política pública municipal. Assim, Moreira (2005:29) lembra que o período compreendido entre as eleições municipais e a acomodação da nova gestão, de maio de 2003 a setembro de 2004, não houve plenárias do Fórum do Leste. Percebemos que a adesão de um município como parceiro do Fórum traduz o grau de envolvimento com a EJA enquanto política pública. Nas localidades onde o atendimento a EJA é incipiente, nota-se que há poucas possibilidades deles manterem a parceria. Ao passo que o município no qual a EJA está instituída na pauta da rede pública de ensino, no Plano Decenal ou no calendário escolar, há mais chances de levar adiante um regime colaborativo e o Fórum pode se constituir em espaço formativo, de discussão e informação.

Até o ano de 2005 Ipatinga organizou os Fóruns ao mesmo tempo em que tentava parcerias, desde então, tem compartilhado os encargos dos eventos com os municípios de Coronel Fabriciano, Timóteo e Iapu, e a realizá-los de forma itinerante. Quando os municípios aderem à proposta de realizar um encontro itinerante, isso significa que se comprometem a envidar esforços por realizar aquele Fórum, sem que se comprometa o caráter coletivo de organização. As falas do grupo que compõe a secretaria do Fórum do Leste apontam indícios neste sentido;

Geralmente a gente realiza quatro Fóruns por ano, cada um sediado por uma prefeitura. Já que não temos parceiro de instituições de nível superior e nem da SRE, então quem assume verdadeiramente são as prefeituras. No início do ano a gente se reúne. Hoje quem está sediando a secretaria é Fabriciano e a gente se reúne lá, geralmente de 15 em 15 dias. A gente define bem no início do ano quem vai subsidiar cada Fórum. (Cecília, Timóteo.).

Agora os municípios como Iapu e Paraíso que têm uma dificuldade financeira, a gente tenta ajudar, mesmo que tenha dificuldade. Igual o ano passado, Iapu não tinha dinheiro para o ônibus, a Fundação ACESITA de Timóteo bancou o ônibus, então, tentar a parceria para ajudar. Eu não posso ter a visão de que é meu município e eu só me preocupo com o que é meu. (Romilda, Ipatinga.).

A meta é fazer quatro Fóruns por ano. Ipatinga faz, Coronel Fabriciano, Iapu e Timóteo. E agora Paraíso. (Ana Maria, Coronel Fabriciano.).

A realização do Fórum, com opção pela itinerância, levanta a questão da possibilidade dos educadores participarem quando acontece fora de sua cidade, na medida em que acompanhar concorre com o acúmulo das discussões, a interação e troca de experiências, ou seja, com o continuum formativo. Sobre essa observação, temos como resposta que é possível garantir a participação por dois motivos pelo menos: apoio e institucionalização;

“Sim, pra nós isto é tranqüilo, porque o Fórum é à noite. A gente não tem aula e a gente providencia o transporte para o professor. E os professores cobram da gente e o Fórum quando vai ser, nós vamos participar?” [...] Está no calendário. (Romilda, Ipatinga.).

“[...] no nosso [Plano Decenal] é. Tem a garantia da permanência dos Fóruns. O que a gente pensa com relação à mudança de administração é como esses Fóruns serão articulados, como serão organizados. [...] Uma coisa interessante, há um acordo entre as prefeituras de que quando Fabriciano está sediando o Fórum, Ipatinga e Timóteo dispensam os educadores para estar participando. Então este grupo [300 a 500 pessoas] que Ana citou, é por isto também. E a gente como gestor fica feliz por isto, pois não foi uma conquista muito fácil, em nível de Secretaria, mas, como diz no popular, “a gente bateu o pé e disse vai ser assim”. (Cecília, Timóteo.).

Portanto, os municípios de Coronel Fabriciano e Timóteo também introduzem o Fórum no calendário escolar, dispensam educadores e alunos e oferecem transporte. Isso nos leva a inferir que o Fórum insere-se em um conjunto mais amplo de políticas públicas municipais para a EJA nessas localidades. O ponto de estrangulamento para o Fórum Regional é a periodicidade e, conseqüentemente, construir uma trajetória. Isso porque o Regional está sujeito a interferências de toda ordem. Levando em conta os seis anos (2002-2007) de encontros totalizados pelo Fórum, é possível falar que acumula uma trajetória do ponto de vista quantitativo e qualitativo.


Gráfico 1: Número de encontros realizados pelo Fórum do Leste: 2002-2007




Os anos de menor realização apontam a instabilidade do pode local em dividir as despesas do Fórum e incorporá-lo na agenda do município. O quadro abaixo sintetiza o volume de atividades no qual é possível inferir o grau de comprometimento necessário para a realização da plenária. No período pesquisado há certa discrepância nos números de frequentadores apontados pelas listas de presença e o que é contado pela organização. Em certa medida, isso se deve à perda das listas, a não assinatura dos educadores e, em menor número, aos alunos alfabetizando que se envergonham de assinar “na linha” com dificuldade.


Tabela 1: Trajetória do Fórum do Leste 2002-2007

Fórum

Data

Local

Palestrante

Tema

Realização

Público

Atividade Cultural



20/03/02

Prefeitura Municipal de Ipatinga

Leôncio Soares (UFMG)

A importância dos Fóruns na Educação de Jovens e Adultos

Prefeitura de Ipatinga e AEJA (Associação de Educadores de Jovens e Adultos)

130

Apresen-tação dos trabalhos do MOVA



7/05/02




Prefeitura Municipal de Ipatinga

Maria Clara Di Pierro

(Ação Educativa)



Compromissos Nacionais e Internacionais no campo da Educação de Jovens e Adultos

Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do Vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)

80

Coral do Projeto Surdos de Ipatinga



26/06/02

Prefeitura Municipal de Ipatinga


SESI, EJA no MST, Projeto Construindo o Saber: Alfabetização na Terceira Idade – Fundação ACESITA

Relatos de Experiência das Instituições

Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)


94

Banda de Música da APAE




7/08/02

Colégio Assedipa – Ipatinga


Miguel Arroyo (UFMG)

A Educação de Jovens Adultos em tempos de exclusão

Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)

200

Teatro dos alunos da E.M. Márcio Andrade Guerra



26/11/02

Auditório da UNIVALE–

Governa-dor Valadares



Sonia Kruppa (USP)

Plano Nacional de Educação

Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)

80


Recital de poesia Exposição de trabalhos manuais – UNIVALE



20/02/03

Clube dos Aposen-tados – Olaria II – Timóteo


Robinson Ayres (Secretário Municipal de Educação de Ipatinga – Presidente da UNDIME – Regional Sudeste)

A EJA e a atual conjuntura do Brasil

Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)

152


Teatro dos professores de EJA

Leitura de redação: aluna da EJA



23/05/03

Centro Universi-tário do Leste de MG – Coronel Fabriciano

Elvira de Souza Lima


Perfil do Educador de EJA no contexto sócio-histórico-social

Tarde: Oficinas: Alfabetização MOVA de Ipatinga:

Matemática: EJA de Timóteo: Material Dourado.

SESI: Artes.

EJA Ipatinga: Atividades Corporais.

EJA Ipatinga: Biodança

EJA Governador Valadares: Língua Portuguesa.

UNILESTE MG: Método Paulo Freire.



Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)

150






18/09/04

Faculdade Pereira de Freitas - Ipatinga


Analise de Jesus da Silva

(SMED-BH)



Contribuições de Paulo Freire para a Educação de Jovens e Adultos

Tarde: Grupos Temáticos: Currículo, Metodologia e Avaliação.



Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Ipatinga, AEJA, Universidade do vale do Rio Doce (UNIVALE), SESI-Ipatinga, 13ª SRE de Governador Valadares e 9ª SRE de Coronel Fabriciano)



80

Apresentação cultural dos alunos da E.M. João Reis

Grupo de dança Sênior

Apresen-tação de tango



20/11/04

Teatro da Fundação ACESITA – Timóteo

Cláudia Laurette

Colégio Marista-BH



Diálogos freireanos: ato político, ato criador e ato de conhecimento

Tarde: Painéis:

Educação de Jovens e Adultos e Desigualdades Sociais: Roberto Abdala Jr.

Avaliação com Prática Cidadã na EJA: Maria do Carmo S. Marisco.

Currículo Intercultural: organização democrática do ensino: Marlene de Araújo.

Paulo Freire: educação e mudança: Cláudia Laurette.



Comissão Representativa do Fórum (Prefeitura de Timóteo, Fundação ACESITA, UNILESTE)




Seresta

10º

8/07/05

Manhã


09/07/05



Colégio Assedipa - Ipatinga

Cláudia Veloso (SECAD-MEC)
09/07/2005

Vera Maria Ribeiro Vianna (SEE-DF)



Financiamento para a Educação de Jovens e Adultos

09/07/2005

Educação de Jovens e Adultos: um encontro com a cidadania


Comissão Representativa do Fórum (Secretarias Municipais de Ipatinga, Iapu, Timóteo, Coronel Fabriciano)

e SIND-UTE Ipatinga , Fundação ACESITA, Universidade Vale do Rio Doce



420

Coral de Surdos e Dança de Fitas - E.M. Zélia Duarte Grupo Com Tato

11º

21/10/05

Clube SESI - Timóteo

Sônia Couto

(IPF-SP)

Processos de Ensinar e Aprender: Enfoque, estratégias e práticas de EJA


Secretaria Municipal de Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, Sind-UTE Ipatinga e Fundação ACESITA)




Monólogo: alunos E.M. Monteiro Lobato

12º

10/11/05

Salão de Festa Samuray - Iapu

Jerry Adriani Silva

(SMED-BH)



Educação de Jovens e Adultos: concepções, desafios e perspectivas

Secretaria Municipal de Educação de Iapu, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, e Fundação ACESITA)







13º

24/05/06

Espaço do Vale - Ipatinga

Ana Lúcia Silva Souza

(Ação Educativa)



Orientações Curriculares para a EJA

Secretaria Municipal de Educação de Ipatinga, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, Sind-UTE Ipatinga e Fundação ACESITA)




Alunos da E.M. Zélia Duarte Passos

14º

6/07/06

Grêmio Recreativo da Associa-ção dos Aposen-tados e Pensio-nistas de Timóteo




Jane Paiva (UERJ)

Formação de Professores da EJA: do modo de aprender ao modo de ensinar

Secretaria Municipal de Educação de Timóteo, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, Sind-UTE Ipatinga e Fundação ACESITA)







15º

18/10/06

Clube Casa de Campo – Coronel Fabriciano

Jerry Adriani da Silva (SMED-BH)

Diversidade na Educação de Jovens e Adultos

Secretaria Municipal de Educação de Coronel Fabriciano, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, Sind-UTE Ipatinga e Fundação ACESITA)




Teatro dos alunos da EJA

16º

20/11/06

Salão de Festa Samuray - Iapu

Maria Amélia Gomes de Castro Giovanetti (UFMG)

Orientações Curriculares para a EJA

Secretaria Municipal de Educação de Iapu, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, Sind-UTE Ipatinga e Fundação ACESITA)







17º

13/06/07

Espaço do Vale - Ipatinga

Maria Clara Di Pierro (USP)

FUNDEB e o Financiamento da EJA

Secretaria Municipal de Educação de Ipatinga, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo e Fundação ACESITA)




Hip Hop, poesia e quadrilha: E. M. Zélia Duarte Passos

18º

10/08/07

Clube SESI/ASSEIT Timóteo

Vera Barreto (ONG Veredas-SP)

Ademi de Castro (SME)



Paulo Freire e a atualidade: um resgate necessário

Desafios da Escola Hoje



Secretaria Municipal de Educação de Timóteo, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, e Fundação ACESITA)







19º

26/10/07

Centro de Arte e Educação – Cel. Fabriciano

Miguel Arroyo (UFMG)

Balanço da EJA: o que dizer aos educadores?

Secretaria Municipal de Educação de Cel. Fabriciano, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo e Fundação ACESITA)

400

Dança de Fita e Dança Sênior

20º

13/12/07

Iapu

Cláudia Márcia C. Dias (UNILESTE)

Preconceito racial na EJA

Secretaria Municipal de Educação de Cel. Fabriciano, Secretaria do Fórum do Leste (Secretarias Municipais de: Ipatinga, Coronel Fabriciano, Iapu, Timóteo, Iapu e Fundação ACESITA)

300



O fato de Ipatinga engajar educadores e alunos de EJA em Fórum e, juntamente com seus pares da administração municipal, articular a continuidade dos encontros de 2002 até o momento da pesquisa, impele-nos destacar alguns pontos dessa trajetória. Isso porque o trabalho, quando analisado em conjunto, demonstra que os sujeitos que pensam o Fórum perseguem, explicita ou implicitamente, a realização de objetivos. Portanto, cada edição não está isenta de intencionalidade. Durante as entrevistas, quando perguntamos se há uma linha orientando a escolha dos temas, o grupo assim expressa os caminhos que percorrem:

Tem sim, eu acho que primeiro vem o contexto nacional, o que está sendo discutido na EJA, e a gente tenta adequar a necessidade do professor. Por exemplo, quando nós escolhemos que o tema do Fórum seria o FUNDEB, ele estava no auge. Aí nós tivemos que adiar por causa da meningite. E foi em junho. A gente tenta pegar pelos dois lados, o contexto nacional mais o que nossa realidade aqui está pedindo também. [...] Na nossa última reunião aqui, a gente já fez uma previsão pro ano que vem (2008). Depende do palestrante. Esta questão racial mesmo faz tempo que a gente quer discutir. (Romilda, Ipatinga.).

[...] Em reuniões com as três cidades a gente senta, fazemos reunião, discutimos o tema, não só com nós três, mas a gente leva os professores também. A gente leva em conta a necessidade dos professores. (Ana Maria, Coronel Fabriciano.).

A gente tem percebido que os professores precisam rever alguns conceitos do currículo, isto foi um dos motivos que incentivou Fabriciano a convidar o Arroyo para poder falar com a gente sobre currículo específico pra EJA. [...] Primeiro a gente busca o desejo dos professores, na avaliação e nos relatos. Estes temas a gente define na secretaria de acordo com a realidade. Então, na reunião da secretaria cada prefeitura tem a oportunidade de expor: ‘olha eu preciso de metodologia, eu preciso de currículo, os professores querem isto’, então em senso comum a gente define. (Cecília, Timóteo.).

Pensar a conjuntura da EJA no âmbito nacional, a necessidade dos municípios, a demanda dos educadores, dialogar com parceiros, tudo isso exige, em alguma medida, que o grupo conheça a realidade da EJA local, esteja atento às implicações administrativo-burocráticas e que tenha bom trâmite no âmbito da Secretaria Municipal de Educação. O bom trâmite diz respeito à obtenção de respostas, em tempo, aos ofícios, requisições, ordenamento de gastos, transferência de recursos, solicitação de material e passagens, entre outros. Este conjunto de atribuições desenvolvidas pelo grupo articulador incide diretamente no alcance dos objetivos, quer seja, manter o Fórum como espaço de formação, discussão e informação do educador da EJA promovido com o apoio das municipalidades.



Concluindo

A região do Vale do Aço, no Leste mineiro, foi se configurando em torno de grandes projetos de urbanização para atender o setor metalúrgico. Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Iapu, localidades vizinhas, responderam aos projetos abrigando processos migratórios significativos. As populações atraídas pelos serviços oferecidos no ramo acabaram se dividindo em dois grupos: o dos atendidos pelas companhias em suas vilas e os que se espraiaram no entorno das vilas. Estes respondiam a uma massa com certa homogeneidade: trabalhadores em condições precárias de vida, saúde e cultura, em sua maioria. Coube aos municípios o desafio de compor os bens sociais desses cidadãos. Em se tratando da educação, o município de Ipatinga empreende iniciativas de organização de alguns coletivos, terreno fértil para a área da alfabetização de jovens e adultos.

O presente estudo nos permite citar que o modelo de movimento em torno da EJA é pensado dentro de certa intencionalidade e que, a partir disso, a escolha pelo Fórum não é aleatória. O grupo da organização se mantém em sintonia com as questões locais, regionais e nacionais, estabelecendo assim, contatos com diferentes grupos de EJA do país. O percurso de seis anos do Fórum do Leste aquilate-se na busca pelo compromisso com a EJA. O conjunto de debates promovidos durante o período permite destacar que as preocupações com as questões prementes para a efetivação da modalidade procuram ser levadas à discussão com as esferas a quem de direito for, direta ou indiretamente. Ainda que o poder local apóie as iniciativas, às vezes, não consegue acompanhar as propostas consoantes a EJA como direito.

Verificamos que a palestra é o ponto que sustenta a sessão plenária, assim, reveste-se de grande expectativa. Os temas ligam-se, de modo geral, às necessidades locais e suas relações com as esferas municipal, estadual e nacional. Para tanto, busca-se relacionar a área específica de estudos do(a) palestrante e as contribuições para a EJA. Esta afinidade deveria propiciar ao público aprofundamento em questões pouco exploradas ou até polêmicas, incidindo na qualidade do debate, das proposições e na direção dos encaminhamentos. Porém, o que se percebe é que o educador ainda não se apropria desse espaço como momento de formação ampla. Nossas hipóteses são: nem todos os educadores podem ir repetidamente aos Fóruns; falta a eles uma conectividade maior com as questões internacionais da EJA que perpassam os Fóruns; a rotatividade dos educadores da EJA.

Levando em conta que a realização das plenárias demanda acordos na divisão de tarefas e gastos e que este trabalho é abarcado pelas instituições parceiras – municipalidades, instituições superiores de ensino, entidades afins, o grupo que organiza, não raras vezes enfrenta imprevistos de toda ordem e precisa optar por avançar, ou não, na organização de um evento. O Fórum do Leste teve suas atividades suspensas em função das últimas eleições de municipais e retornou as atividades ao final de 2009. Acreditamos que novas questões para pesquisa se colocam em marcha e o tema se coloca com relevância em um momento em que não se nega a importância dos coletivos para a educação atuando junto ao poder local.

Autores citados
BRAGA, T. M. (2004). Política Ambiental e produção social do espaço sob o signo da mono indústria: um estudo de caso sobre Ipatinga (MG). Anais do IX Seminário sobre Economia Mineira. Diamantina; MG, p. 1077-1097.

DANTAS, A. C. de L. (2005). Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Rio de Janeiro: tecendo novas práticas políticas na esfera pública. (Monografia). Faculdade de Educação. UERJ; RJ.



FOLDER DO FÓRUM DO LESTE. Elaboração da Prefeitura de Ipatinga, 2003.
MOREIRA. J. C. (2005). Fóruns de EJA: criação, trajetórias e desafios atuais. Universidade Federal de Viçosa; MG. (Monografia).
PAIVA, J. (2007). Educação de Jovens e Adultos: movimentos pela consolidação de direitos. Revista eletrônica REVEJA. Revista de Educação de Jovens e Adultos.
SILVA, E. J. L. (2005). Fórum de Educação de Jovens e Adultos: uma nova configuração em movimentos sociais. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB.
SOARES, L. J. G. (2004). O surgimento dos Fóruns de EJA no Brasil: articular, socializar e intervir. Revista Alfabetização e Cidadania, Nº 17, p. 25-35, 2004.


1 Os nomes são reais e foram concedidas as liberações para uso.

2 O referencial para Fórum de EJA se encontra em Jane Paiva (2007), Aline Dantas (2006), Janice Moreira (2005), Eduardo Jorge L. Silva (2005), Leôncio Soares (2004).


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