Política de expansão e interiorizaçÃo da universidade federal de goiás karine Nunes Moraes



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POLÍTICA DE EXPANSÃO E INTERIORIZAÇÃO DA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

Karine Nunes Moraes (FE/UFG)

O presente estudo, em desenvolvimento, tem como objetivo analisar o processo político de interiorização da educação superior brasileira, nas décadas de 80 e 90, em particular busca compreender tal processo na UFG. Ao discutir como este movimento expansionista foi sendo consolidando na UFG, através dos caminhos percorridos por esta instituição ao longo dos anos, na implementação e no desdobramento de políticas internas e externas à instituição.

Busca-se identificar elementos teórico-metodológicos para avaliar os limites e paradoxos vivenciados pelas universidades públicas no cenário de políticas deliberadas expansão de oportunidades educacionais em nível superior do setor privado. A história da interiorização da educação superior, particularmente no que diz respeito às universidades públicas, intercruza-se com o movimento de sua própria consolidação e legitimação face à sociedade, implicando em políticas voltadas para a extensão universitária, sobretudo para aqueles que não tiveram a universidade. Assim sendo, as várias discussões travadas a respeito dos processos extencionistas do educação superior no país e a implementação de políticas governamentais e institucionais, tenderam muito mais ao desenvolvimento de ações de caráter assistencialista, ou seja, voltadas para o atendimento de necessidades básicas das comunidades nas quais as instituições encontravam-se inseridas, do que na efetiva ampliação da oferta de vagas neste nível de ensino.

Conforme parecem indicar a prática da extensionista, ela não é tida como uma das funções prioritárias das instituições universitárias e, sim, com uma atividade de menor importância, visto que seu desenvolvimento tem acontecido preferencialmente sob a forma de prestação de serviços sociais de caráter assistencialista, sem a vinculação com o ensino e a pesquisa (GURGEL,1986: 29).

Na tentativa, a discussão sobre o processo de expansão da educação superior esta investigação se propõe a analisar o processo de interiorização da UFG, no cenário nacional encontra respaldo nas discussões e estudos sobre o papel da extensão universitária, bem como sua dimensão, abrangência, significado e representação social. Logo, diferentes interloctores e olhares se cruzam, debruçando-se sobre o mesmo assunto dando origem a diversas interpretações e conformações sobre como a mesma foi sendo alicerçada e/ou conformadas dentro das próprias instituições universitárias.

Os estudos sobre a extensão universitária e, consequentemente, sua conceitualização, vão desde perspectivas que a defendem como devendo ser prioridade nas universidades por entendê-la como elemento de articulação, coesão e fortalecimento institucional na relação universidade-sociedade, como outras perspectivas que praticamente as encaram como uma atividade desarticuladora do próprio princípio da indissociabilidade entre ensino e pesquisa e há, ainda, outras que acreditam na extinção progressiva desta modalidade de atuação por parte das universidades.1

Segundo TAVARES (1994) as discussões acerca da extensão universitária podem ser agrupadas em três perspectivas diferenciadas, a saber, funcionalista, crítica e processual. Na perspectiva funcional a idéia predominante de extensão universitária encontra-se ligada à realização de cursos ou à prestação de serviços assistenciais, sendo um importante mecanismo de contato da universidade com a sociedade, neste ideário vários programas de integração da comunidade foram criados como o Rondon (Ministério do Interior), o CRUTAC (Ministério da Educação), Operação Osvaldo Cruz (Ministério da Saúde), Operação Mauá (Ministério dos Transportes) e Operação de Ação Cívico-Social (Ministério do Exército). Na perspectiva crítica há uma contraposição com respeito ao princípio constitucional da indissocibilidade ensino-pesquisa-extensão, por defenderem que a mesma esta contida no ensino e na pesquisa, ou seja, a extensão somente se efetiva por meio dessas funções. Já na perspectiva processual, a extensão é tida como o processo educativo, cultural e científico que tem o potencial de ser o articulador entre o ensino e a pesquisa, tornando-os indissociáveis, e viabilizador de uma relação transformadora entre universidade e sociedade.

Então, na tentativa de compreender as especificidades das políticas de expansão da educação superior, via interiorização, buscamos subsídios no processo de institucionalização das práticas extensionistas observando como estas foram sendo estruturadas e consolidadas no cenário brasileiro, analisando também, a perspectiva da extensão enquanto uma das formas utilizadas para o intercâmbio entre a universidade e a sociedade. Dentre as várias questões sucitadas, verticalizamos na discussão a cerca da possibilidade da utilização da mesma enquanto um instrumento a serviço dos interesses de Estado, bem como dos movimentos populares, e quais as mudanças que aconteceram internamente nas instituições com o desenvolvimento de atividades de extensão. Para tal análise, estamos investigando como se deu este processo no interior da UFG no período compreendido entre as décadas de 80 e 90.

Numa primeira aproximação ao nosso objeto de pesquisa, pudemos vislumbrar que tal movimento na UFG orientou-se por uma política de interiorização de suas práticas educacionais, através do desenvolvimento de atividades e/ou cursos de extensão e, também, por meio da consolidação de campi avançados, em algumas cidades pólos do interior do goiano e Porto Nacional em Tocantins.

Segundo o Catálogo de Graduação da UFG (1997), os campi avançados, que são também chamados de campi do interior, estão destinados ao desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão, no sentido de estar democratizando o acesso à universidade e interiorizando sua atuação. Segundo o mesmo, os campi avançados têm por objetivos principais:

a – promover a integração entre universidade e comunidade, de forma a assegurar o desenvolvimento de pesquisas e a formação de profissionais mais condizente com a realidade.

b – possibilitar à Universidade Federal de Goiás uma participação efetiva no processo de desenvolvimento sócio-econômico-cultural em nível regional, estadual e nacional.

c – conjugar esforços com órgãos públicos, bem como com empresas e instituições privadas, de modo a proporcionar, através das várias modalidades de extensão, melhores condições de desenvolvimento regional.

d – oferecer bases fiscais, administrativas e técnicas para a realização de programas de Extensão Universitária.

e – favorecer a realização de cursos de Extensão, de forma a garantir a utilização de tecnologia adequada ao desenvolvimento regional, bem como a melhoria de desempenho dos profissionais locais. (p:38).
Das análise observadas efetivadas foram possível depreende que o movimento de interiorização da UFG consolidou-se a partir de duas perspectivas diferenciadas: 1) voltada para a consecução de atividades de ensino, pesquisa e extensão efetivadas em Campi Avançados, sendo realizadas pela instituição em cidades interioranas do Estado, e 2) outra voltada para atividades de estágios curriculares, sobretudo, na área da saúde.

Neste sentido, com o objetivo de aprofundarmos à análise sobre as políticas de interiorização da UFG de modo a historizar os desdobramentos destas políticas pelo estudo de cinco diferentes convênios firmados entre a UFG e poderes públicos municipais, segundo alguns dados já coletados entidades locais municipais, nas décadas de 80 e 90, que deram origem aos Campi Avançados de Firminópolis e Porto Nacional e à extensão dos cursos de graduação nas cidades de São Luiz dos Monte Belos2, Goiás e Rialma.

Segundo alguns dados já coletados sobre os respectivos convênios e as instituições de criadas para o desdobramentos das atividades educacionais, por parte da UFG, destacamos algumas particularidades em relação a cada um casos que estão sendo analisados.

O Campus Avançado de Firminópolis, que foi criado a partir da Resolução nº1 de1980 do Conselho Universitário, se originou do Centro de Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária3 (CRUTAC) na década de 70, se destinando somente à realização de estágio de acadêmicos na área de saúde, sob a orientação docente. O campus estruturou-se como complementação da formação acadêmica (teórica) através da prestação de serviços assistencialistas à comunidade (prática). Sob a ótica do desenvolvimento de estágios curriculares tais práticas caracterizaram-se como atividades de formação e extensão que (em tese) contribuiriam tanto como a sociedade local como com o próprio ensino que deixaria de ser meramente teórico possibilitando aos acadêmicos vivência prática na área de formação antes da conclusão do curso.

O Campus Avançado de Porto Nacional, localizado no Estado de Tocantins, desde sua criação tem servido como campo de estágio dos graduandos das áreas de agronomia, bioquímica, medicina, nutrição, odontologia e serviço social. A análise dos documentos revelam uma lógica intrínseca a atuação da UFG naquele
Estado, qual seja de indutora de ações desenvolvimentista. Sob a perspectiva de a universidade estar participando efetivamente no processo de desenvolvimento sócio-econômico-cultural, através da prestação de serviços visando proporcionar à região melhores condições para se transformar em pólo de desenvolvimento, a UFG oferece, com regularidade, atividades de formação aos estagiários da área de saúde, serviço social e agronomia e o desenvolvimento de ações extensionistas no município em que o campus se sedia.

Além destas experiências de interiorização da Universidade Federal de Goiás através da criação de campi avançados outras se destacam como a oferta de cursos de graduação nas cidades de Goiás e Rialma. Na Cidade de Goiás é oferecido o curso de direito e em Rialma o curso de licenciatura plena em matemática. Trata-se de experiências de expansão e interiorização de oportunidades educacionais, por mio da oferta de cursos de graduação balizados por convênios instituídos entre a UFG e as prefeituras locais.

A escolha destas experiências de interiorização foi feita levando-se em consideração que ambos os convênios supracitados ainda não passaram por um processo sistemático de estudo e análise, como aconteceu com Campus Avançado de Catalão e o Campus de Jataí4, e também devido as particularidades de cada um dos convênios e seus desdobramentos. É objetivo deste estudo, portanto, a apresentação de novos elementos que possibilitem uma melhor discussão e compreensão das articulações e interesses políticos envolvidos neste processo de interiorização das ações da UFG, contribuindo também para a consolidação de acervos sobre estas instituições no Núcleo de Estudos e Documentação Educação, Sociedade e Cultura (NEDESC) da Faculdade de Educação/ UFG, do qual participei da análise e sistematização dos dados referentes ao ensino superior goiano dos anos 80, enquanto bolsista de iniciação científica no período compreendido entre 1997 a 1999.

BIBLIOGRAFIA


Catálogo de Graduação, 1997

DOURADO, Luiz Fernandes. Expansão e Interiorização do Ensino Superior em Goiás nos Anos 80: a política de privatização do público. Rio de Janeiro, 1997. Tese de doutorado, UFRJ/ RJ (mimeo).


GURGEL, Roberto Mauro. Extensão Universitária: comunicação ou domesticação? São Paulo: Cortez: Autores Associados: Universidade Federal do Ceará, 1986.

ESQUEMA DO PAINEL




TÍTULO DO PAINEL


CONVÊNIOS

CONVÊNIOS

UFG – políticas de extensão e interiorização

UFG – políticas de extensão e interiorização

CONSIDERAÇÕES



CONSIDERAÇÕES


1 A esse respeito ver: TAVARES, 1994.

2 No caso específico da criação de curso de licenciatura plena no município de São dos Montes Belos o convênio foi celebrado entre a Universidade Federal de Goiás, o Estado e a Prefeitura Municipal, sendo que pouco tempo depois o curso foi desativado em pleno funcionamento.

3 A esse respeito conferir GURGEL (1986).

4 A esse respeito ver: DOURADO, 1997. O estudo faz uma análise sobre as políticas de expansão e interiorização do ensino superior em Goiás nas décadas de 80 enfocando os desdobramentos assumidos pelas fundações municipais em parceria com a Universidade Federal de Goiás.



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