Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli



Baixar 477.29 Kb.
Página1/31
Encontro05.08.2016
Tamanho477.29 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   31

Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli

Saber Viver
Lições de uma longa vida

2a edição

Centro Redentor

Rio de Janeiro

2003

© Centro Redentor, 2003


Cantarelli, Pompeu Lustosa de Aquino


Saber viver. – 2a ed. – Rio de Janeiro: Centro

Redentor, 2003


Espiritualismo: Filosofia
ISBN
CDD – 133.9

CDU – 141.35



Endereço para correspondência


Centro Redentor

Rua Jorge Rudge, 119 – Vila Isabel

Rio de Janeiro – RJ - Brasil

CEP 20550-220

Internet
www.racionalismo-cristao.org.br




Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli

Sumário



Apresentação 7

Prefácio 8

Transmigração do espírito 11

Discorrendo sobre nutrição 14

Afinidade e evolução dos seres 15

Preconceitos 16

Exemplos do passado 17

Um povo forçado à guerra 20

A personalidade de Antonio Cottas 21

Rio de Janeiro 22

Palestra na Associação Antialcoólica de São Paulo 22

Degradação moral 25

Ser racionalista cristão 26

Ainda sobre alimentação 26

Tabagismo, suicídio lento 28

Intolerância, atavismo tribal 30

Companheiros inseparáveis 31

Medo, flagelo da humanidade 32

No torvelinho das paixões 34

Concepções de vida 35

Importância do estímulo 38

Educação racional 38

Juventude nova-era 39

Mais técnicos, menos doutores 41

Combate à pornografia 42

Um homem que viu a morte de perto 43

Glorificando a beleza e a eternidade da vida 45

Poluição mental 46

Saber querer é poder 48

As quatro fases da vida 48

Parcimônia 49

Pela verdade 51

Racionalismo Cristão 52

Carta a um amigo 53

Juiz de Direito mais velho do Brasil 55

Despedidas ao CORPM 56

Carta a um velho amigo (1) 57

Carta ao mano Pompílio 58

Carta a um velho amigo (2) 59

Os dez itens da minha vida 62

Carta ao poeta e escritos Urbano Lopes da Silva 63

Reminiscências 68

Sinfonia do Universo 70

Renascer, moralmente 72

Racionalização do trabalho 76

Alvorada no sertão 77

Defendamos a Natureza 77

O planeta dos homens 78

Churchill, cidadão do mundo 82

Campos Salles, estadista notável 83

O valor do pensamento 87

Descartes e Luiz de Mattos 87





Apresentação

“Assim como o tempo avançou no calendário e o flamboaiã floriu e refloriu nas primaveras do Sítio Santa Maria, em Parnamirim, Estado de Pernambuco”, nos idos da sua meninice, os anos passam e nos mostram o autor de Saber viver, Pompeu Cantarelli, no pleno vigor físico e com a lucidez daqueles que primam por uma conduta irrepreensível.

Às vésperas do centenário do seu nascimento, que, emocionados, comemoraremos em 2004, devemos refletir sobre a lição de vida que Pompeu Cantarelli nos oferece em seus textos, porque neles estão delineados os caminhos apontados pela Doutrina Racionalista Cristã para saber viver — disciplina, trabalho e vontade — e, assim, prolongar a vida física, aproveitando ao máximo a encarnação, como o autor nos ensina.

Sigamos o seu exemplo de homem digno, leal, amigo e desprendido das coisas materiais, qualidades que sempre acompanham espíritos que já acumulam sabedoria adquirida em várias existências, como Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli.


O Editor

Prefácio

O autor deste livro, nosso estimado Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli, foi alvo de merecida homenagem prestada pelos companheiros da Filial do Racionalismo Cristão de São Paulo em comemoração ao seu aniversário, transcorrido em 31 de agosto de 1994, quando completou noventa anos!


Linda e admirável idade! Façamos por seguir as pegadas dessa existência.
Essas palavras, entre aspas, são de Antonio Cottas, referindo-se a um grande amigo de Pompeu Cantarelli, Dr. Joaquim Crispiniano Coelho Brandão, quando este completou, em 30 de agosto de 1975, cem anos de idade! O elogio de Antonio Cottas ao então centenário Dr. Coelho Brandão cabe agora, com inteira justiça, ao nosso querido nonagenário Pompeu Cantarelli. Estimulado pelas palavras de Antonio Cottas, que sempre foi seu maior amigo e incentivador, nosso venerando companheiro há de prolongar por muito tempo ainda sua existência física, para alegria de seus familiares, de seus amigos, dos militantes da Casa Racionalista Cristã de São Paulo e dos racionalistas cristãos em geral. Disso temos certeza, tal a disposição física e a fortaleza de ânimo desse jovem aos noventa anos, sempre ativo, lúcido e disposto no exercício de suas funções de Diretor-Secretário da Filial de São Paulo.

Este prefácio, focalizando a personalidade de Pompeu Cantarelli, foi concebido, diga-se, a bem da verdade, à revelia do autor do livro, por conhecermos sua índole avessa, por natural modéstia, a homenagens e elogios. Sentimo-nos, porém, no dever de fazê-lo, levando em conta que os exemplos edificantes precisam ser registrados e assinalados, para que sirvam de modelo e de estímulo à geração presente e aos vindouros, seus e nossos continuadores, e estes, seguindo as pegadas dessa existência dedicada à família, aos bons costumes e à Causa racionalista cristã, aprendam, mais que uma lição, uma filosofia de vida.


* * *
Às vinte e três horas do dia 31 de agosto de 1904, no sítio Santa Maria, que dista apenas um quilômetro da cidade de Parnamirim, na época denominada Leopoldina, Estado de Pernambuco, nascia uma criança a quem deram o nome de Pompeu, em homenagem ao avô paterno, que se chamava Pompeu Cantarelli, sendo os pais do menino Antônio Lustosa Cantarelli e Ascendina Aquino. Desde garoto encarava a vida com seriedade e sensatez, motivo por que era chamado de menino-homem. Ainda bem jovem tornou-se livre-pensador, amigo da verdade, da justiça e da razão.1

Eis aí, em rápidas palavras, um retrato significativo da meninice e da juventude de Pompeu Cantarelli.

Em 1920, transferiu-se para a vizinha cidade de Cabrobó e, em 1924, com vinte anos de idade, estava residindo no Recife. Aí viveu quatro anos trabalhando na Drogaria e Farmácia Conceição e, depois, na Farmácia dos Pobres. À noite, estudava, após o expediente de trabalho, que se estendia até as vinte horas.

Em sua estada na capital pernambucana, freqüentava a casa do ex-governador do Estado, Dr. Manuel Pereira Borba, e a do então deputado federal Dr. Agamenom Magalhães, que posteriormente viria a ser também governador. Nesse período, travou conhecimento, ainda, com vários chefes políticos do sertão.

Desejando conhecer as plagas mais ao sul do país, chegou, em janeiro de 1929, a São Paulo. Dois meses depois, ingressava na Farmácia do Hospital Militar da Força Pública do Estado (hoje Polícia Militar), como civil contratado. Em janeiro de 1930, tirou o título de oficial de farmácia, mediante exames de habilitação, sendo, dois anos depois, militarizado com a graduação de sargento-ajudante. Tendo servido essa instituição durante vinte e cinco anos, passou, em 1954, para a reserva, no posto de capitão.

Já em 1929, ano de sua chegada a São Paulo, Pompeu Cantarelli passou a freqüentar a teosofia, tornando-se também vegetariano, por indução dessa sociedade espiritualista e filosófica.

Casou-se em 1934 com dona Alzira de Vecchia. Desse consórcio nasceram três filhas: Guiomar, Ascendina (ambas falecidas) e Amália, casada com o Dr. Lecy Ribas Camargo.

Em 1937, conheceu o Racionalismo Cristão, desligando-se, conseqüentemente, da Sociedade Teosófica e passando a freqüentar as sessões públicas de limpeza psíquica da Casa Racionalista Cristã de São Paulo, que na época funcionava na Rua Francisca Júlia, Alto de Santana. Em 1954, aposentado na Polícia Militar, pôde inscrever-se como militante da Doutrina, na Filial de São Paulo.

O ano de 1955 também marcou a vida do autor. Foi quando conheceu o Presidente Perpétuo do Racionalismo Cristão, Antonio do Nascimento Cottas, de quem se tornou amigo e pessoa de sua confiança.

Conhecedor do Racionalismo Cristão há quase sessenta anos e militante há mais de quarenta, Pompeu Cantarelli integrou-se de corpo e alma nessa Doutrina. Uma vez inscrito na militância do Racionalismo Cristão, distinguiu-se sempre pela constância e pela assiduidade, comparecendo às sessões públicas de limpeza psíquica e às sessões particulares.

A partir de l962 passou a ocupar o cargo de Diretor-Tesoureiro da Filial de São Paulo, por indicação de Antonio Cottas e de acordo com os saudosos amigos Antônio de Ornellas Flor e Humberto Romanelli, então Presidente e Diretor-Secretário, respectivamente. Caracterizou-se, no desempenho desse cargo, por sua austeridade e rigor na administração das finanças e do patrimônio do Racionalismo Cristão.

Com a desencarnação imprevista do inesquecível amigo Humberto Romanelli, em 1982, assumiu as funções de Diretor-Secretário, também por indicação de Antonio Cottas. Quando ainda Diretor-Tesoureiro, chegou a acumular as atividades de Diretor-Procurador e Encarregado de Salão, nas sessões públicas de limpeza psíquica. Acrescente-se que, desde a época em que conheceu Antonio Cottas, este passou a convidar Pompeu Cantarelli para auxiliá-lo nas inaugurações de Casas Racionalistas Cristãs em várias partes do Brasil, nomeando-o também repórter e representante do jornal A Razão nessas solenidades inaugurativas.

Como jornalista, tornou-se assíduo colaborador desse órgão de comunicação da Doutrina, constituindo muitas das colaborações boa parte do conteúdo deste livro.

Pompeu Cantarelli e Humberto Romanelli foram dois dos diretores da Filial de São Paulo de mais destacada atuação com que pôde contar o Presidente Antônio Flor, principalmente na construção da monumental sede própria do Racionalismo Cristão em São Paulo. Foi, como se sabe, uma etapa de grandes lutas e sofrimento. Mas que, afinal, valeram a pena, pois culminaram com o pleno sucesso do empreendimento, concretizado na inesquecível festa da inauguração do edifício, em 25 de novembro de 1973, presidida por Antonio Cottas.

Em sua vida relacionada com a Doutrina, uma das maiores alegrias de Pompeu Cantarelli, segundo ele, foi ter merecido a inteira confiança e a amizade de Antonio Cottas, e disso o Presidente Perpétuo deu provas cabais durante a construção do novo edifício-sede do Racionalismo Cristão no bairro de Santana da capital paulista. O autor lembra com saudade as inaugurações de Casas Racionalistas Cristãs. Antonio Cottas lhe escrevia, então, dizendo:

Você está convocado, em nome da Casa Chefe, para ir a tal lugar, a fim de fazer a reportagem para o jornal A Razão e organizar a cerimônia inaugurativa.

Tenho em meu arquivo inúmeras cartas que me enviou o Presidente Cottas, e as guardo como num relicário do grande homem que consolidou o Racionalismo Cristão, confidencia Pompeu Cantarelli.

É também com saudade que o autor evoca as figuras de Antônio Flor e Humberto Romanelli, pela grande amizade e o ótimo relacionamento que sempre houve entre eles. Antônio Flor costumava dizer que Humberto e Pompeu eram os seus braços na Filial de São Paulo. Mas nunca falava quem era o braço direito...

Na qualidade de amigos de Pompeu Cantarelli, os companheiros das Filiais de Santana e do Butantã, na capital paulista, tomaram a iniciativa de reunir neste livro sua produção literária esparsa em artigos no jornal A Razão e, mais recentemente, na revista A Razão, de Portugal. Sua produção não se limita apenas ao jornalismo. Há diversos trabalhos do autor fazendo parte de livros editados pelo Racionalismo Cristão. Além do mais, Pompeu Cantarelli, como é do conhecimento de muitos, é também poeta de generosa inspiração.

Tendo em conta a excelência dos seus escritos, versando variados assuntos, de cunho moral, educativo e cultural, achamos que deveríamos dar a esses trabalhos uma difusão mais ampla, com a publicação da presente obra, consignando nesta iniciativa a homenagem afetiva e sincera dos seus amigos e admiradores.

Homem de cultura e brilhantes dotes de inteligência, teve o nosso Pompeu Cantarelli a ventura de privar da amizade do “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, Guilherme de Almeida, conhecido e amado por paulistas e tantos brasileiros mais, pela simpatia irradiante de sua personalidade e pelo incomparável lirismo que sua alma de artista deixou extravasar em sua obra poética.

Foi no convívio com esse imortal da Academia Brasileira de Letras que Pompeu Cantarelli recebeu valiosas lições na arte de versejar, em que, aliás, se tornou exímio, como se verifica pela leitura de suas castigadas e fluentes estrofes.

Há quase trinta anos, o escriba que está alinhavando este prefácio teve seu primeiro contato com a poesia do mestre Cantarelli, antes de ter o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Esse primeiro contato deu-se em 1970, em Campinas, interior do Estado de São Paulo, num modesto barracão nos fundos da residência do Dr. Augusto Gomes, de saudosa memória. Funcionava ali o Filiado local do Racionalismo Cristão, presidido pelo Dr. Augusto. Foi ele quem me proporcionou a oportunidade de ler um poema de Pompeu Cantarelli que definia, em linhas gerais, a Doutrina Racionalista Cristã e sua nobre finalidade. Naquele ano estava iniciando-me nessa Doutrina, sob a orientação amiga do Dr. Augusto. Assim, esse poema faz parte das gratas recordações que guardo daqueles dias particularmente felizes da minha vida.
José Alves Martins, Jornalista, São Paulo/1975

  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   31


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal