Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Faculdade de Psicologia



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(3) Regulação de pressão sangüínea: a pressão alta sangüínea (hipertensão) pode ser a causa ou também o resultado da enfermidade renal. O controle da pressão arterial sangüínea também é uma função dos rins. Estes órgãos controlam as concentrações de sódio e a quantidade de líquido no corpo. Quando os rins falham e não cumprem com estas funções vitais, a pressão sangüínea pode elevar-se e pode ocasionar inchaço (edema). Os rins também secretam uma substância chamada renina. A renina estimula a produção de um hormônio que eleva a pressão sangüínea. Quando os rins não funcionam bem se produz renina em excesso e isto pode resultam em hipertensão. A hipertensão prolongada danifica os vasos sangüíneos, causando assim falha renal;


(4) Controle do balanço químico e de líquido do corpo: quando os rins não funcionam apropriadamente, as toxinas se acumulam no sangue. Isto resulta em uma condição muito séria conhecida como uremia. Os sintomas da uremia incluem: náuseas, debilidade, fadiga, desorientação, dispnéia e edema nos braços e pernas.

Há toxinas que se acumulam no sangue e que podem ser usadas para avaliar a gravidade do problema. As principais substâncias utilizadas mais comumente para este propósito se chamam uréia e creatinina. A enfermidade dos rins se associa freqüentemente com níveis elevados de uréia e de creatinina.


8.2-Insuficiência renal

A Insuficiência renal ocorre quando há a perda das funções dos rins, podendo esta ser aguda ou crônica.


8.2.1-Insuficiência Renal Aguda (IRA)
Em alguns pacientes com doenças graves, os rins podem parar de funcionar de maneira rápida, porém temporária. Rápida porque a função renal é perdida em algumas horas e temporária porque os rins podem voltar a funcionar após algumas semanas. À esta situação os médicos chamam de insuficiência renal aguda. Em muitas ocasiões o paciente necessita ser mantido com tratamento por diálise até que os rins voltem a funcionar.

8.2.2-Insuficiência Renal Crônica (IRC)

“Crônica, de acordo com Aurélio, vem do grego “cronikós” e do latim “chroinicer”: relativo a tempo. Que dura há muito. Persistente, entrenhado. Doença crônica diz-se das doenças de longa duração, oposição às de manifestação aguda”. (Freitas, 1996, p. 16)


Insuficiência renal crônica é a perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais. A IRC é o resultado das lesões renais provocadas por doenças que tornam o rim incapaz de realizar as funções para as quais é exigido. Geralmente, quando surge uma doença renal, ela ocorre nos dois rins, raramente atingindo um só.

O ritmo de progressão depende da doença original e de causas agravantes. Muitas vezes a destruição renal progride pelo desconhecimento e descuido dos portadores das doenças renais, pois, por muitas vezes ser lenta e progressiva, esta perda resulta em processos adaptativos que, até um certo ponto, mantêm o paciente sem sintomas da doença. Isso é reforçado pela fala do Doutor João Egidio Romão Junior, professor livre-docente de Nefrologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo:

“O número de pessoas que sofrem de doenças renais é muito grande. Algumas sofrem de doenças que não são graves. Outras apresentam doenças como a diabetes e pressão alta que, se não tratadas de maneira correta, podem levar à falência total do funcionamento renal. E, finalmente, existem pessoas que quando sentem alguma coisa, já têm os rins totalmente paralisados”.

Logo, descobrir a IRC e o acompanhamento médico adequado às doenças renais é importante para prolongar o bom funcionamento do rim por maior tempo possível, mesmo com certos graus de insuficiência.

Em cada 5.000 pessoas uma adoece dos rins devido à tipos de doenças, sendo as três mais comuns a hipertensão arterial, a diabetes e a glomerulonefrite.

A hipertensão arterial (pressão alta) é uma importante causa de insuficiência renal. Como os rins são os responsáveis no organismo pelo controle da pressão, quando eles não funcionam adequadamente e, há subida na pressão arterial que, por sua vez, piora a função renal, fecha-se assim um ciclo de agressão aos rins. O controle correto da pressão arterial é um dos pontos principais na prevenção da insuficiência renal e da necessidade de se fazer diálise.

O diabetes é um grande causador da falência dos rins, com um número crescente de casos. Alguns pacientes, após cerca de 15 anos, começam a ter problemas renais. As primeiras manifestações são a perda de proteínas na urina (proteinúria), o aparecimento de pressão arterial alta e, mais tarde, o aumento da uréia e da creatinina no sangue.

Outra causa muito freqüente de insuficiência renal é a glomerulonefrite (“nefrite crônica”). Ela resulta de uma inflamação crônica dos rins. Depois de algum tempo, se a inflamação não for curada ou controlada, pode haver perda total das funções dos rins.

Além destas três, existem outras causas de insuficiência renal sendo estas: rins policíticos (grandes e numerosos cistos crescem nos rins, destruindo-os), a pielonefrite (infecções urinárias repetidas devido à presença de alterações no trato urinário, pedras nos rins (cálculos renais), obstruções, etc.) e doenças congênitas (“de nascença”). Quando o rim adoece, ele não consegue realizar as tarefas para as quais foi programado, tornando-se insuficiente ou inútil.

O rim pode perder 25%, 50% e até 75% das suas capacidades funcionais, sem causar maiores danos ao paciente. Até que tenha perdido cerca de 50% ou mais de sua função renal, os pacientes permanecem quase que sem sintomas. A partir daí podem aparecer sintomas e sinais os quais podem ser ignorados pelo paciente, se estes não o incomodarem muito. São estes: anemia leve (palidez anormal), fraqueza e desânimo constante, pressão sangüínea elevada, edema (inchaço) ao redor dos olhos e pés, mudança nos hábitos de urinar (levantar diversas vezes à noite para urinar), alteração da cor da urina (urina muito clara, sangue na urina, etc.), urina com espuma, dor ou ardor quando estiver urinando, dor lombar, náuseas e vômitos freqüentes pela manhã. Com os rins funcionando somente com 10-12% da sua capacidade normal, é possível tratar os pacientes com medicamentos e dieta. Quando a função renal se reduz abaixo destes valores, começam a surgir problemas de saúde devido às alterações funcionais graves e progressivas; os exames laboratoriais tornam-se muito alterados e, se faz necessário o uso de outros métodos de tratamento da insuficiência renal: diálise ou transplante renal. Segundo o Doutor João Egidio Romão Junior, “na maioria das vezes o tratamento dialítico deve ser feito para o resto da vida, se não houver possibilidade de ser submetido a um transplante renal”.


8.3-O tratamento dialítico

A diálise pode ser de dois tipos: peritonial e extracorpórea. No primeiro, o paciente pode realizá-lo em sua própria residência, tendo que executá-lo em torno de três vezes ao dia, com duração de uma hora cada. Consiste na eliminação de substâncias tóxicas ao organismo por uma troca entre o sangue e uma solução dialisadora, através de uma membrana semipermeável. Para que a equipe médica permita esse procedimento é necessário levar em conta muitas variáveis, tais como: higiene do paciente, local onde reside, aderência ao tratamento, possibilidades físicas e mentais. Apesar de este tipo de diálise ser menos desgastante que o próximo descrito, ele também é bastante incômodo ao doente renal, pois ele tem que retornar à casa várias vezes ao dia, para sua realização.
Já a hemodiálise extracorpórea, é realizada três vezes por semana por quatro horas cada sessão. Nesta, o paciente precisa ir ao local de tratamento, onde fica “ligado” a máquina de hemodiálise, vendo o seu sangue sair por tubos de dentro de seu corpo até a máquina e depois retornar. O sangue é retirado de uma artéria e é purificado através de um dialisador, o qual fica imerso em uma solução de concentração eletrolítica semelhante ao plasma. Para tanto é necessário uma bomba. Os pacientes que se utilizam desse tipo de diálise devem se submeter a uma cirurgia, para colocação de um aderivação, que é um catéter preso ao corpo, ou para a fístula, que consiste na junção entre a artéria radial e a veia cefálica, para que sejam mais facilmente pulsionadas. É bastante comum a ocorrência de problemas durante a hemodíalise, tais como: o paciente sentir-se mal, a agulha soltar-se do local onde está fixada, o líquido filtrador estar contaminado, fazendo com que a máquina solte um alerta para chamar um enfermeiro, tornando assim, este lugar um gerador de estresse e cansaço físico. Além disso, segundo Freitas a própria cronicidade da doença já e fonte de estresse pois: “pela ameaça de morte, pela necessidade de controle médico sistemático, modificam-se rotinas e natureza de trabalho, lazer e convívio familiar”. (Freitas, 1996, p.16).


9-Aspectos psicológicos do paciente renal
Como já foi demonstrado, o paciente renal durante o período de tratamento dialítico, é submetido a diversas modificações em sua vida. O paciente ao descobrir que tem algum problema renal passa por um processo de aceitação da doença e também de seu tratamento. Todas as alterações feitas visam o seu bem estar e o prolongamento de sua vida, no entanto, elas acarretam inúmeras limitações e mudanças tais como: dietas alimentares restritas em água, sal, alimentos gordurosos entre outros, rotina diferente em decorrência do tratamento e da doença, não podendo muitas vezes trabalhar, nem estudar, limitações físicas (cansaço), alterações corporais (fístulas), impedimento da realização de algumas tarefas, seu desempenho sexual se modifica, assim como seu corpo, além do constante contato com a morte, através da máquina de hemodiálise, a qual deve se submeter algumas vezes por semana. Esta ao mesmo tempo que “dá a vida” pode tirá-la a qualquer momento.

Assim, segundo Almeida:


“Todas as alterações vivenciadas o levam a experenciar inúmeras perdas. Suas atividades cotidianas (escolares, sociais, profissionais, domésticas...) são alteradas e/ou interrompidas. Há perda da independência e da liberdade em função do tratamento dialítico”. (Almeida, 1994, p.3)
Isso fica expresso em uma fala de um paciente do Hospital do rim e Hipertensão “todas as coisas ruins aconteceram ao mesmo tempo em minha vida: perdi os meus rins, minha namorada me largou, tive que parar de estudar e de trabalhar por causa da hemodiálise”.(sic).

A partir disso, segundo o mesmo autor, “diante das alterações tão significativas, ao paciente é colocada a tarefa de elaborar lutos. Luto pelo corpo que já não é mais o mesmo, pela autonomia que até então dispunha”. (Almeida, 1994, p.4). A partir desse quadro, o paciente renal crônico, precisa acostumar-se com essa sua nova vida e suas limitações. É um processo que cada um enfrenta de diferentes maneiras. Alguns demonstram insegurança e dúvida frente ao tratamento, enquanto outros têm vontade de desistir após algum tempo.

O paciente passa assim a esperar o transplante e a idealizá-lo como a única saída para essa vida cheia de privações e sofrimentos. Surgem diversas fantasias a respeito. O paciente sonha em retornar à sua vida anterior ao problema renal, podendo retomar tudo o que ficou para trás.

No entanto, ao mesmo tempo que o novo rim torna-se um objeto psíquico carregado de bons conteúdos, ele também desperta o medo da rejeição após o transplante. Torna-se, portanto um objeto carregado de conflitos e tendências ambivalentes, oferecendo a cura, por um lado por outro há a negação de todos os possíveis problemas cirúrgicos e clínicos que podem ocorrer neste procedimento.

Segundo Patah “podemos observar (...) que a idéia do transplante implica numa apropriação de um novo objeto. Paradoxalmente há um objeto que embora reparador e revitalizante, resulta da morte de outra pessoa” (Patah, 1991, p.39) pois, o rim a ser transplantado pode ser doado por uma pessoa viva ou vir de um paciente com morte cerebral (encefálica), sendo este assim, um momento de grande angústia e estresse, pois o paciente depara-se frente a frente com a morte (a do cadáver, doador e, a possibilidade de sua própria morte).

O paciente pós-transplantado adquire um vigor e sente-se eufórico. Isto ocorre, segundo Blay (1980) (Almeida, 1994, p.5), graças a essas fantasias de morte que afloram diante de uma cirurgia e quando o paciente retorna desta, sente-se “voltando a vida”.

“Entretanto, logo o paciente irá confrontar-se com a realidade. Ao vivenciar as situações rotineiras que envolvem sua internação pós-transplante e as primeiras intercorrências, sentir-se-á ameaçado e passará a temer a perda desse “objeto bom” parcialmente introjetado. Assim, o paciente iniciará o longo processo de adaptação a essa nova situação, não de ‘cura’ e renascimento, mas de início de uma nova etapa da vida.

A idealização em torno do transplante começa a dar lugar a uma percepção mais realista deste procedimento”. (Almeida, 1994, p.5). A partir disso, nota-se como é importante um trabalho com o paciente em todos os momentos da doença; tanto no momento crônico, de descoberta da insuficiência renal e adaptação ao tratamento, quanto no período pré-transplante, para amenizar os conflitos e proporcionar uma maior adaptação ao novo órgão, até o estágio pós-transplante, no qual o paciente precisa entender e compreender esse novo momento de sua vida e se adequar a ele.


“Sabe-se, por toda literatura a respeito, o quanto é trabalhoso o processo de incorporação psicológica de um órgão estranho ao organismo. Esta posse psicológica do novo órgão é um fenômeno muito singular que pode suscitar especiais conflitos. Dependendo desta capacidade de internalização e do grau de conflito e angústia sobre a aquisição, esta integração psíquica do órgão pode não ocorrer. Alguns autores mencionam que o transplante pode, inclusive, ser um foco de degeneração das defesas psicológicas do paciente”. (Patah, 1991, p.39).

10- A instituição hospitalar

“O hospital serve para tratar as pessoas que não podem se tratar em casa”. (Campos, 1995, p.22).



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