Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Faculdade de Psicologia



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Através de Gonçalvez e Borba (apud Campos, 1995, p.15-19) podemos ver como se deu o início e a trajetória da instituição de saúde nomeada hospital. O significado dessa expressão surge do latim “hospes”, significando hóspede e, originando hospitalis. Na antigüidade, os hospitalis eram utilizados para abrigarem doentes e viajantes.

Na Antiga Grécia, Egito e Índia os futuros médicos estudavam próximo aos templos, atendendo os enfermos em suas casas. Na Grécia, existem construções semelhantes aos hospitais dedicadas a Esculápio. Frente à estátua de Esculápio eram colocados os doentes que eram medicados pelos sacerdotes, à espera da cura. Já na Índia, construções semelhantes aos hospitais ficavam junto às estradas, onde passavam os exércitos e, portanto, onde os soldados descansavam e tratavam, quando havia necessidade. Com o tempo, surgem lugares assim, também para civis, onde, além de também descansarem e tratarem de suas enfermidades, pessoas com doenças contagiosas eram afastadas da sociedade e mantidas reclusas, muitas vezes até sua morte, uma vez que os medicamentos não tinham muita eficácia.


A finalidade desses “hospitais” , como se pode perceber, era de isolar pessoas fisicamente doentes, com problemas mentais, com anomalias e, de forma geral todas as que eram mal vistas pela sociedade, escondendo-as e deixando-as a sua própria sorte.

Essa visão de afastar o que incomoda, somente começa a modificar-se perante a influência da religião cristã. Nessa época o homem passa a relacionar-se com o próximo de forma mais fraterna, preocupando-se não unicamente consigo, mas com o outro também. Assim, em meados do século 360 d.C. surge em Roma, uma instituição que se aproxima do entendimento que temos de um hospital atualmente, prestando assistência e cuidando da saúde de acordo com as limitações da época.

A partir disso, foram-se criando mais hospitais em diferentes localidade, onde idosos, doentes crônicos e, pessoas desprovidas de saúde e recursos econômicos eram cuidados por religiosos, exercendo a caridade e o amor ao próximo. A máxima era “Amai ao próximo como a ti mesmo”. O cuidar do próximo era feito, portanto, como um ato de doação de si mesmo e sob preceitos religiosos. Os doentes com poder aquisitivo pagavam aos “médicos” para tratá-los em suas residências.

Como visto, os médicos-cuidadores, até esse momento eram padres e monges que pouco conheciam sobre as doenças e, suas interferências eram basicamente paliativas e de acolhimento das necessidades. Usavam os medicamentos de forma empírica nos doentes, não tinham preocupação com a higiene, pois não conheciam as causas das infecções enfim, era tudo feito de forma muito experimental e sem preocupação real com o doente; pois “doar-se” era uma forma de buscar a salvação pessoal.

Com o passar dos anos, os profissionais foram aprofundando seus conhecimentos sobre a fisiopatia e etiopatia das diversas afecções, podendo, então, destinar atendimentos compatíveis com cada patologia e com o seu grau específico de evolução. A partir destas novas informações, surgiu a medicina preventiva.

Atualmente, a função hospitalar abrange desde mecanismos de promoção da saúde preventiva até os cuidados de reabilitação e a possibilidade de propiciar um final de vida com qualidade, e uma morte digna. Porém, entre estes extremos, o hospital também possui como funções efetuar diagnósticos, permitir a cura, orientar a comunidade sobre os cuidados com a doença, assistir aos familiares dos doentes e, também, executar pesquisas no campo da saúde, possibilitando o aperfeiçoamento profissional.

É essencial lembrar que aquele a quem denominamos doente é também uma pessoa com uma história de vida, familiares, amigos, deveres e direitos, portanto, com um contexto vivencial. A partir do momento em que o tratamento desta pessoa implica cirurgia e/ou internação, há um rompimento no seu contexto vivencial, no seu cotidiano. O hospital, por ser percebido como um local destinado à doença e aos doentes, remete o paciente à concepção de dor, sofrimento e, finalmente, morte, pois o paciente (especialmente o homem ocidental), ao saber que será internado numa instituição hospitalar, percebe-se na eminência da morte, aflorando, assim, sentimentos de angústia, negação, culpa, regressão, revolta, solidão, perdas, entre outros.

11-O psicólogo no hospital

O profissional de psicologia sempre foi muito conhecido por seu trabalho na clínica psicológica, no entanto, como apontado abaixo, desde a regulamentação desta profissão, já foi estabelecido a sua atuação em outros contextos além do já citado.

A profissão de psicólogo foi sancionada em 27 de agosto de 1962, sendo estabelecidos e regulamentadas suas atribuições:
“O psicólogo clínico exerce suas funções em clínicas psicológicas, pertencentes a uma organização, algumas vezes universitárias, onde se configura o caso das clínicas – escola, ou constituindo-se em consultório particular. Trabalha também em organizações médicas e hospitalares, quer hospitais comuns, clínicas de repouso, enfermarias psiquiátricas ou comunidades terapêuticas e institutos de reabilitação, integrando equipe com assistentes sociais, fisioterapeutas, fonaudiólogos, terapeutas ocupacionais e médicos em várias especialidades, visando um atendimento completo do paciente e sua recuperação”. (Van Kolck apud BelKiss, 1987, p. 25)
O psicólogo dentro do hospital é algo recente. Este profissional vem integrar a equipe do hospital, juntamente com outros profissionais, pela necessidade de tornar esse ambiente mais humanizado. Começa-se a perceber o paciente não somente como um corpo doente e sim a vê-lo de forma mais global. “Segundo Balint (apud Campos, 1995, p. 57) há necessidade de uma avaliação clínica do conjunto, em que as angústias, a depressão, as preocupações, as relações do paciente com o ambiente familiar e social são integradas ao exame geral”. Cria-se uma equipe multidisciplinar, na qual além de médicos, enfermeiros e assistentes de enfermagem, são integrados o psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional entre outros.

Esse período de mudança teve inicio em torno de 1980 com os trabalhos da pioneira em psicologia hospitalar Mathilde Neder. Existem ainda hospitais que não possuem uma equipe com diversos profissionais. Isso pode ocorrer por problemas financeiros da instituição de saúde ou ainda pela desvalorização e/ou não compreensão do papel de alguns profissionais, que não médicos e, de seu auxílio para com o doente.

Com a campanha de humanização nos hospitais iniciam-se algumas mudanças significativas, ou seja, procedimentos são revistos. Há permissão para que algumas crianças doentes possam internar-se com um acompanhante que, diferentemente de antes, fica no hospital junto a elas. Essa medida faz com que se sintam mais seguras, pois elas não criam fantasias de abandono e não se sentem sozinhas. Os pacientes são chamados pelo nome e não, pelo número do leito ou pela doença. Isso torna o ambiente menos opressor e menos desconhecido ao paciente, há também espaço para que pergunte sobre a sua doença, tirando dúvidas, ansiedades e fantasias existentes que podem até atrapalhar ou danificar o tratamento.
“Em estados de estresse ou de pressão, o organismo perde a capacidade de reconhecer e anular células malignas mutantes que passam a ser reproduzir livremente. Esse é um motivo pelos quais (...) quando o sentimento de culpa é muito intenso, (...) é necessário ajuda psicológica para evitar que o estado emocional impeça de responder positivamente ao tratamento”. (Freitas apud Campos, 1995, p.45).
É importante lembrar que corpo e mente estão em simbiose, influenciando-se mutuamente; ou seja não é possível querer separá-los ou fazer uma distinção entre ambos. Groddeck (apud D’Epinay apud Maciel, 2002, p.77) nunca estabeleceu diferença entre doença física e psíquica; para ele “toda doença física é igualmente psíquica e toda doença psíquica é igualmente física”.Sendo este o princípio da psicossomática.

Assim, um olhar holístico começa a ser lançado sobre o paciente e tenta-se, através da equipe multidisciplinar, relacionar-se com ele como um ser humano inteiro, e não como um quebra cabeça de várias partes. Os profissionais conversam entre si, trocando informações valiosas sobre o paciente, o que os auxiliam nas suas áreas específicas de atuação. Cada profissional contribui com diferentes informações para uma visão mais completa do doente, evitando contrariedades no tratamento e outros problemas que possam surgir pela falta de comunicação. O prontuário do paciente, muitas vezes é o local onde isso pode ocorrer pois, muitas vezes não é possível haver reuniões freqüentes no hospital, em função da rotina carregada dos profissionais da saúde.

O psicólogo participa dessa rede, auxiliando o paciente, de diversas formas. Quando a pessoa chega ao hospital e é internada ela pode receber essa notícia de várias maneiras: pode estar ciente do ocorrido e ter vindo preparada, pode estar ciente, mas temerosa com a internação ou pode não estar preparada e nem saber da internação por não ter sido avisado pelos familiares ou receber a notícia na hora, em função do resultado de exames que fez.

O diagnóstico de uma doença e/ou a necessidade da pessoa ficar internada podem ocasionar uma situação de crise na vida desta e de seus familiares, onde as alterações físicas, os períodos de certezas e dúvidas, de estabilidade e crise, incertezas quanto ao futuro, frustrações, adiamento de sonhos e projetos, sentir-se vulnerável, sem o controle da vida, pode acontecer de forma inesperada. Os pacientes bem como aos seus familiares, não estando assim preparados para enfrentar tal situação.

Em geral o diagnóstico de uma doença e a necessidade de internação requer o enfrentamento do paciente e seus familiares, onde ambos terão que aprender a lidar com o ambiente hospitalar, com o diagnóstico, com condutas terapêuticas, com a dor, com a incapacitação e outros sintomas, além de estabelecer e manter relacionamentos com a equipe de saúde.

Cabe ao psicólogo hospitalar ouvi-lo e tentar acalmá-lo, oferecendo condições para a expressão de possíveis dúvidas, fantasias, temores e falsos conceitos em relação à doença e ao tratamento; conversando sobre eles, auxiliando na compreensão dos aspectos emocionais, na adaptação do paciente às condições de hospitalização, dando suporte e apoio, respeitando os momentos vivenciados pela pessoa doente, pelos familiares e pela equipe envolvida no processo.


“O psicólogo tem por função entender e compreender o que está envolvido na queixa, no sintoma e na patologia, para ter uma visão ampla do que está se passando com o paciente, para que possa auxiliá-lo no enfrentamento desse difícil processo, bem como dar à família e equipe de saúde subsídios para uma compreensão melhor do momentum de vida da pessoa enferma”. (Angerami-Camon, 2001, p. 174).
Além disso, sendo este um momento de impasse e, muitas vezes gerador de crises, pode levar o doente a questionar-se, como demonstra Campos “muitas pessoas, através de seu adoecer e de sua internação, têm a oportunidade de reflexão sobre seu modo de vida, suas necessidades, suas vontades, suas características”. (Campos, 1995, p. 49), assim, “como um profissional da saúde, o psicólogo poderia facilitar ao paciente a identificação e o reconhecimento do que está acontecendo com ele, ou seja, aclarando o que existe, o que está vivendo e o significado para ele”. (Campos, 1995, p. 90). “É necessário que o profissional da saúde crie condições, para que o paciente consiga refletir sobre o significado do adoecer”.(Campos, 1995, p. 60).

Cabe ao psicólogo hospitalar observar, ouvir, procurar compreender as palavras e o silêncio do paciente, uma vez que “o paciente em seu diálogo, transmite mensagens que ultrapassam as informações relativas ao mau funcionamento de seu corpo” (Campos, 1995, p. 57). Deve fazer uma análise, buscando uma visão ampla do que está acontecendo com ele, bem como somar esforços junto com a equipe de saúde, no sentido de promover o bem-estar e a melhora da saúde psicológica do paciente e seus familiares, procurando conscientizar e auxiliar a aceitação do diagnóstico e das medidas terapêuticas mais adequadas, com o intuito de torná-los membros ativos no tratamento, visando contribuir para a adaptação e retorno do paciente à rotina de vida mais próxima que possuía antes do processo de doença.

Como já foi dito, é função do psicólogo hospitalar promover a humanização do atendimento aos pacientes, melhorando sua qualidade de vida e de seus familiares, minimizando o sofrimento frente à situação de doença, hospitalização e óbito.

Esse profissional deve também procurar conscientizar e auxiliar o paciente e seus familiares frente ao momento vivido. Avaliar o grau de comprometimento emocional do paciente, causado pelo processo de doença, tratamento e internação, propiciando continuidade no desenvolvimento das capacidades e funções não prejudicadas pela doença. Lancetti:


“(...) aponta que o psicólogo, além de diagnosticar e classificar, tem de entender, compreender o que está envolvido na queixa e no sintoma, na patologia(...). (...) precisa ter sensibilidade para diferenciar o paciente apático-deprimido do ‘bonzinho’ que ‘não dá trabalho’ (...).”(Lancetti apud Campos, 1995, p. 67).
O psicólogo hospitalar deve, portanto favorecer a expressão de sentimentos e emoções sobre o recebimento do diagnóstico de uma doença crônica, sobre manutenção do tratamento, trabalhando a relação emocional do paciente com a doença e necessidade de restrições (isto é, os aspectos inerentes da doença como limitação de atividades, perda de liberdade, perda de autonomia, etc), buscando enxergar as reações do paciente frente a novo momento de vida.

É necessário que o paciente compreenda é um agente modificador de sua própria existência, cabendo a ele lutar por seus direitos também no âmbito hospitalar, e isso inclui conhecer a doença na sua totalidade, participar da escolha de tratamentos e também reivindicar o direito de ser tratado com respeito e dignidade.

Pode também ser pedido ao psicólogo que faça uma avaliação psicológica do doente, quando os outros profissionais acharem necessário. Pode este se utilizar então de testes ou do exame psíquico, podendo detectar alguma alteração psicológica no paciente. Durante a internação esse profissional deve estar disposto a ouvir o doente, acolhe-lo frente seus temores, proporcionar momentos de reflexão frente a este momento pelo qual o paciente está passando, enfim mostrar ao doente que ele tem um espaço e alguém para ouvi-lo e estar junto a ele.

Apesar de todo o trabalho já desenvolvido e de cursos adequados, alguns profissionais podem ainda utilizar-se de seus conhecimentos clínicos, adaptando-os ao ambiente hospitalar. É necessário fazer-se algumas ressalvas. O setting psicoterapêutico em um hospital difere muito do da clínica. Assim é impossível querer prender-se rigidamente aos padrões clínicos.


“No hospital, ao contrário do paciente que procura pela psicoterapia após romper eventuais barreiras emocionais, a pessoa hospitalizada será abordada pelo psicólogo em seu próprio leito. E, em muito casos, com esse paciente sequer tendo claro qual o papel do psicólogo naquele momento de sua hospitalização e até mesmo da vida”. (Angerami-Camon, 1994, p. 25).
Deve assim haver um esclarecimento mínimo ao paciente sobre o papel desempenhado pelo psicólogo hospitalar, assim como todo o delineamento deste; sendo, portanto, importante que esse profissional saiba colocar-se dentro da instituição em que trabalha.

Primeiramente o psicólogo hospitalar deve manter uma postura flexível frente as adversidades que surgirão tal como refere-se Mello Filho “que este reconheça o fato de que seu trabalho sofrerá interrupções, adiantamentos e cancelamentos fora de sua esfera de controle e que independam da vontade do paciente.” (Mello Filho apud Maciel, 2002, p.66). Assim, ele deve saber adaptar-se aos horários do hospital e as urgências dos exames que o paciente deve fazer.

No entanto, Mello Filho (Mello Filho apud Maciel, 2002, p.66) aponta para o conhecimento das hierarquias, ou seja, saber o que é prioridade a cada momento, quando deve ou não interromper um atendimento dependendo da intervenção que será feita.

Outro mecanismo diferente do que usado em consultório, é a periodicidade e a duração do atendimento psicológico no hospital. Os responsáveis por esses fatores são o hospital e o paciente, uma vez que existem horários pré-estabelecidos pela instituição de saúde, como refeições, exames e outros e, a disponibilidade psíquica e física do paciente no dia e horário em que o psicólogo vai atendê-lo. Ele pode não estar sentindo-se bem, com tontura, dores, dentre outros e, cabe ao profissional respeitar esses limites. Além disso, pode-se atender a um paciente e não mais tornar a vê-lo, por isso, cada atendimento deve ser feito como se fosse único, não esperando uma continuidade, mas cumprindo com todos os combinados que se faça com o doente. Um exemplo é dizer-lhe que virá em um determinado dia e horário e não o fazer.

Outro aspecto do setting hospitalar é a falta de um espaço reservado para que haja o atendimento. Usualmente este é feito no leito, com outros pacientes em volta. Mesmo em um ambiente que dificulte a privacidade, é possível que o paciente se expresse e possa trabalhar questões que o incomodam. Cabe ao terapeuta procurar disposições no ambiente que auxiliem o paciente a sentir-se mais seguro para falar, além de criar uma relação de confiança.

Quando o profissional de saúde registra no prontuário do paciente sua evolução, deve-se explicar a ele o que está fazendo e até informá-lo do conteúdo; isso fortalece o vínculo entre ambos, pois o doente crê no sigilo da conversa.


“O psicólogo hospitalar procurará nesse sentido investigar a vivência do doente, identificando o que se passa na consciência deste a partir do momento em que vivência uma doença, através de uma relação envolvente, empática e flexível, visando um encontro real e se afastando a questão impessoal que permeia o atendimento clínico tradicional”. (Angerami-Camon, 2001, p. 173).
O trabalho do psicólogo hospitalar deve ser focal, sem expectativa de continuidade, pois muitas vezes só alguns poucos atendimentos serão possíveis, antes que o paciente tenha alta. Além disso, para Campos “Às vezes, o paciente necessita de uma atitude mais diretiva, funcionando como um auxílio moral, um apoio, ou de troca de idéias, levando a um alívio imediato com efeito catártico, ou clarificando conflitos”. (Campos, 1995, p.60) Assim, entra-se no campo da terapia breve, a qual apresenta peculiaridades:
“Psicoterapia dinâmica breve não é meramente uma terapia mais curta, é uma forma específica de psicoterapia. O que melhor a caracteriza não é o fato de ser curta, mas que seus limites e objetivos são bem definidos. (...) Suporte, ab-reação, direcionamento e reeducação estão presentes, como em todo procedimento terapêutico, mas o foco do tratamento reside no desenvolvimento do auto conhecimento”. (Lester apud Trinca, 2002, p. 21).
Busca-se, portanto, em um curto espaço de tempo (o tempo de internação) que o paciente entre em contato com os seus conflitos e possa trabalhá-los, de forma que posteriormente estes não venham a atrapalhar o decorrer de sua vida. Isso fica evidente pela fala de Angerami-Camon:
“O processo de hospitalização deve ser entendido não apenas como um mero processo de institucionalização hospitalar, e principalmente, como um conjunto de fatos que decorrem desse processo e suas implicações na vida do paciente”. (Angerami-Camon, 1994, p. 24).
O problema não se inicia e acaba dentro do hospital, é preciso pensá-lo a longo prazo. Assim, deve-se trabalhar nesse curto espaço de tempo de forma organizada, sensível e guiando-se pela “pistas” que o paciente lhe fornece.
“Em 1952, Arthur (...) descreveu o papel ativo e a inventividade do terapeuta bem como a importância das hipóteses para guiar as intervenções, na ausência de dados que somente uma análise prolongada poderia fornecer”. (Arthur apud Proskauer, 1969 apud Trinca, 2002, p.20).
Sendo o contato do psicólogo hospitalar com seu paciente, normalmente muito curto o processo de conhecimento de seu paciente deve ser rápido. Segundo Neder (1995) o terapeuta deve atuar valorizando nele seus aspectos positivos desenvolvendo e suas capacidades de construção, de auto avaliação e mobilização para mudança. É preciso aproveitar oportunidade, talvez única, do paciente de ter sua experiência emocional corretiva, em função de sua auto valorização, auto descoberta, mobilizando forças nesse contexto terapêutico, interrelacional e participativo e positivamente valorativo. Através desse processo de aceitação vivenciada, o paciente fortifica-se e procede com mais segurança ao enfrentamento da situação problemática, antes intolerável e/ou assustadora.

Para Rosenthal e Levine (apud Trinca, 2002), é importante que no atendimento breve de crianças, o terapeuta seja diretivo, incluindo em suas intervenções as observações, as reflexões, as interpretações, os reasseguramentos, os aconselhamentos e os direcionamentos.

Racusin (apud Trinca, 2002) também cita alguns pontos que dão suporte à técnica de psicologia breve com crianças: primeiramente é essencial estabelecer uma relação empática com a criança conseguindo criar uma aliança com ela para o tratamento. Deve-se utilizar materiais que a envolvam no trabalho, por exemplo: bonecas, animais, brinquedos através dos quais ela possa exemplificar os seus conflitos, brinquedos que representem os conteúdos relativos ao hospital (luvas, seringas, mala de médico, etc.), além de papel, lápis, giz de cera, tinta e outros recursos artísticos.

As intervenções podem ser tanto verbais quanto não verbais, as quais o autor divide em quatro categorias: classificação/reflexão do afeto, classificação/reflexão dos conteúdos mentais pré-conscientes ou incoscientes, conexão dos sentimentos/desejos com a formação do sintoma e planejamento de estratégias alternativas adaptadas a criança.

Deve-se entender classificação/reflexão, como a nomeação dos conteúdos que aparecem. E por último, fazer uso da transferência e da experiência emocional corretiva, privilegiando a aceitação da criança pelo terapeuta e a atitude positiva deste como elementos importantes para a superação dos problemas.

No atendimento hospitalar, como já foi citado, muitas vezes o psicólogo atenderá algumas poucas vezes o paciente e nunca mais o verá. Tourinho mostra como mesmo essa breve intervenção faz diferença ao paciente:


“Quer dizer, há uma análise iniciada em que num curto espaço de tempo é interrompida, o que não deixa de ter efeito analítico no paciente, no sentido do que Lacan chamou de retificação subjetiva, feita nas entrevistas preliminares à entrada em análise, e que significa o processo em que se promove a modificação da relação do sujeito com o Real, a implicação dele nas desordens das quais se queixa”. (Tourinho, 1994, p. 82).
Fica assim expresso o valor da intervenção do psicólogo junto ao paciente, mesmo esta sendo breve.


12-O Hospital do Rim e Hipertensão

Fundado em 1998, depois de anos de projetos liderados pelos professores Oswaldo Ramos e Horácio Ajzen, o Hospital do Rim e Hipertensão dedica-se principalmente aos cuidados de doenças renais, hipertensão, diabetes e suas conseqüências no sistema cardiocirculatório. Sua concepção é fundamentada na assistência à saúde, ensino de graduação, pós-graduação e pesquisa clínica.

Dirigida pela Fundação Oswaldo Ramos, a instituição é um órgão suplementar da Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM) e conta com uma equipe de profissionais formada, principalmente, por professores, médicos e enfermeiros graduados na própria UNIFESP.

90% do atendimento do Hospital do Rim e Hipertensão é dirigido a pacientes do Sistema Público de Saúde (SUS); e pacientes de diferentes níveis sociais têm acesso ao mesmo padrão de tratamento.

Em apenas seis anos, o Hospital já é referência internacional nas áreas de pesquisa clínica, assistência nefrológica, urológica e cardiovascular. Ao todo conta com 650 funcionários, incluindo as equipes médicas e profissionais, entre professores, auxiliares de ensino, pesquisadores, pós-graduandos, estagiários, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e técnicos.

O Hospital realiza cerca de 500 transplantes renais por ano. Para tanto, conta com um sistema efetivo de captação de órgãos, disponibilidade permanente de centro cirúrgico, terapia intensiva e corpo técnico especializado. Médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e farmacêuticos atendem diariamente entre 150 e 200 pacientes ambulatoriais pós-transplante.

A eficiência destes setores conferiu ao Hospital a liderança mundial em transplantes pelo sexto ano consecutivo.

O prédio do Hospital do Rim e Hipertensão tem onze andares. Nos pisos inferiores estão localizadas as garagens e o Ambulatório. No primeiro andar é a Recepção e Informações, no segundo o Laboratório, a Farmácia e o Centro Diagnóstico Cardiovascular (CDC). No terceiro encontra-se o Centro de Diagnóstico por Imagem e a Urologia. O quarto andar é destinado à Hemodiálise e no quinto há o Centro Cirúrgico e a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

O sexto e o sétimo andares estão reservados para os leitos (que atendem os pacientes do SUS), e no oitavo e nono andar estão localizados os apartamentos (que atendem os pacientes de convênios). É no sétimo andar que se localiza também a Oficina de Arteterapia. No décimo andar encontra-se a Administração e o Anfiteatro, e o décimo primeiro andar é reservado para os Transplantes Renais.

Movimento de 2003:


- 4.511 internações

- 4.701 cirurgias

- 71.000 consultas

- 36.000 sessões diálises/ano

- 533.000 exames laboratoriais

- 31.000 exames radiológicos



13-A oficina do Hospital
A oficina de arte do Hospital do Rim surgiu como uma iniciativa da atual psicóloga dessa instituição, Cristiane Mohallem. Ao finalizar seu estágio curricular nesta entidade sugeriu, com projeto de intervenção, a criação de um espaço onde os paciente pudessem praticar alguma atividade que os distraísse e os fizesse esquecer um pouco da doença.

Inicialmente a oficina oferecia como recurso artístico os palitos de sorvete, com os quais os pacientes montavam diversos objetos, dentre eles: casas, caixas, enfeites, dentre outros. Hoje são oferecidos na oficina jogos, brinquedos, fantasiais, tintas, lápis de cor, giz de cera, argila, bijuteria, papel crepon e palitos para a facção de flores, lã para fazer crochê e tricô além dos recursos utilizados criativamente para outros fins. Há também trabalhos de imaginação ativa, relaxamento e massagem, os quais são oferecidos aos pacientes que não podem deixar leitos.

Além do Hospital do Rim e Hipertensão, outras instituições de saúde também oferecem esta possibilidade, sendo algumas: HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp, Hospital Celso Pierro (PUC), Centro Boldrini, Centro Corsini, Instituto da Criança do HC-SP (Hospital das Clínicas), HC (Hospital das Clínicas) de Porto Alegre. O trabalho com arte, nesses ambientes, visa ser, além de uma distração para o doente, que por vezes pode passar muito tempo internado, um momento no qual ele possa exprimir e trabalhar suas angústias e conflitos.

14-Atendimento psicológico ao paciente renal utilizando recursos artísticos
Paciente: T. Data da internação: 30/08/04

Idade: 11 anos Causa da internação: complicações pós-transplante

Residente em Santos Tempo de tratamento dialítico: 2 anos
A paciente perdeu o rim transplantado (doado por cadáver) após 10 dias da operação e foi submetida a uma cirurgia para sua retirada. Teve algumas intercorrências, com infecção e febre e por isso foi internada.
1.º atendimento da paciente
Convidei a paciente para jogar dominó juntamente com mais dois pacientes adultos. Havia decidido que gostaria de estar com ela, pois, ela se mostrava muito infeliz e desmotivada. Jogamos algumas partidas e em meio a uma delas uma das estagiárias de psicologia me perguntou sobre onde estavam os brinquedos. Respondi a ela, aproveitando para ressaltar que havia alguns para brincar de médico. A paciente me perguntou se poderia brincar com eles e eu respondi afirmativamente.

Logo que terminou o jogo de dominó, nós fomos pegar os brinquedos. Estendi um tecido no chão para que pudéssemos sentar e colocar os brinquedos sobre ele. Ela pegou uma boneca e disse que ela teria que fazer um transplante de rim. Perguntei o porquê e ela me disse que ela estava com insuficiência renal. Arrumamos então o local onde ela faria a operação e providenciamos um rim que ela modelou em massa de modelar marron e vermelha. Decidiu que eu seria a médica e ela a anestesista. Deitamos a boneca, que se chamou “Beatriz”, a paciente mediu sua pressão que estava 10/8, dizendo que estava normal e lhe deu uma injeção de anestesia. Colocamos um soro ligado ao seu pescoço e T. fez uma incisão na “Beatriz” para que pudesse colocar o rim. Demos os “pontos no rim”, amarrando-o com um barbante em volta do corpo da boneca. Em seguida ela tirou-o de lá dizendo que ele já estava dentro da boneca e por isso não dava para vê-lo.

Levamos a boneca para a UTI, para que aguardasse sua estabilização. T. pediu-me que medisse novamente a pressão de “Beatriz” e que checasse o seu nível de anemia. Disse que a pressão estava 12/8 e que a taxa de anemia era 10. T. me disse então que ela não estava com anemia, pois só era considerado anemia níveis abaixo de 5. Em seguida, uma outra paciente que estava acompanhando a operação, disse que era a mãe de “Beatriz” e que queria visitá-la levando-lhe comida. T. disse que ela não poderia visitá-la já, pois ela estava sob efeito da anestesia e, portanto sonolenta.

Pegamos alguns brinquedos em forma de diferentes alimentos e começamos a separar o que ela poderia e não poderia comer. Fizemos dois grupos: os de derivados do leite, como bolachas, achocolatado e leite, que ela não poderia consumir e outro grupo de frutas, como maçã e banana, além de pepino, ovo e suco de uva que ela poderia ingerir. T. explicou-me que os alimentos do primeiro grupo não deveriam ser consumidos pois, aumentariam a taxa de fósforo no sangue, no entanto isso eram recomendações para o paciente antes do transplante. Como “Beatriz” já fora transplantada poderia ingerir todos os alimentos, mas com alguma moderação.

Levamos a boneca para o quarto de T. para que ela pudesse continuar os cuidados com “Beatriz, pois o horário da oficina havia se encerrado. Chegando ao quarto, T. teve uma discussão com sua mãe sobre onde deixar a boneca, pois ela precisava repousar e, na mesinha, onde ela pensava em deixá-la havia objetos de sua mãe. Após decidirmos que deixaríamos “Beatriz” aos pés da cama, T. disse que não queria comer, pois haviam lhe trazido carne novamente. A mãe lhe disse que ela precisava comer e a paciente então gritou com ela, respondendo-lhe que não comeria nada. Perguntei-lhe se ela já havia dito à nutricionista que não gostava de bife e ela me disse que não. Avisei-lhe que falaria eu mesma com a nutricionista, pedindo que não lhe dessem mais bifes de carne, mas que ela se esforçasse em comer. Em seguida, disse-lhe que enquanto ela almoçava, eu daria uma sopa de ervilha para “Beatriz”, e que ela havia me dito que não gostava muito de ervilhas, mas como sabia que precisava se alimentar, estava tomando-a. A paciente me disse que também tentaria comer e começou a dar garfadas na comida e leva-la à boca. Despedi-me dela então, dizendo para que ela tomasse conta de “Beatriz”.
Entre o primeiro e o terceiro atendimento ocorreram alguns fatos importantes:

A paciente fez seu aniversário de 12 anos, internada no hospital e, teve sua menarca na mesma ocasião. Foi submetida a uma outra cirurgia para retirada de (hematoma) na qual houve uma intercorrência. A paciente vomitou logo que lhe deram a anestesia e aspirou um pouco de líquido.

A mãe quando soube disso entrou em desespero e eu a atendi. Ela me contou que o anestesista havia lhe dito que ela havia vomitado e aspirado muito líquido, questionando se a paciente não havia tomado água escondido. A mãe sentiu-se assim questionada quanto ao seu papel de cuidadora, além de sentir que duvidavam da lealdade e do auto cuidado de sua filha. Ela então me disse que a única maneira de T. ter ingerido líquidos seria através do enfermeiro que havia vindo pela manhã lhe dar os medicamentos, e que este poderia ter lhe dado mais água do que o permitido.

Tentei mostrar-lhe o quanto era mais importante importar-se com o futuro de sua filha do que encontrar culpados. A médica responsável pelo caso chegou neste momento e me auxiliou a acalmá-la repassando junto com ela algumas vezes tudo o que havia ocorrido e procurando desmistificar as fantasias. A mãe então se acalmou, mas me disse que temia ver a filha entubada. Conversamos mais um pouco sobre esse medo e, de repente, ela se levantou e disse que iria almoçar porque precisaria estar pronta para quando a filha chegasse na UTI, para que pudesse vê-la. Despedi-me dela.

Na sessão seguinte, T. mostrou-se muito desanimada e apática, mas apesar da dificuldade em motivá-la para alguma atividade, ela após algum tempo de conversa desenhou alguns prédios e uma quadra de futebol, sobre a qual colamos bonequinhos de papel (ficando estes em segunda dimensão), os quais ela levou para o quarto para terminar.
3º atendimento da paciente
Aproximo-me da paciente e ela está pintando de azul uma caixinha que foi construída com palitos de sorvete por sua mãe. Percebo que ela já está um pouco mais animada e motivada do que da última vez que a havia visto, mas, mesmo assim, ainda apresenta traços de desânimo.

Chego próxima a ela e ajudo a pintar a caixa, segurando-a para que não encoste as partes úmidas na mesa. Logo que ela acaba de pintá-la, pergunto se vai enfeitá-la e ela diz que sim, mas não sabe como. Pego purpurina e lantejoulas de diversas cores e levo para ela. Ela diz que quer fazer florzinhas com as lantejoulas na tampa da caixa e pergunta a minha opinião. Digo que aprecio a idéia. Ela começa a colar as lantejoulas, mas logo desiste dizendo que está feio. Pergunta então o que ela pode fazer. Penso e lhe dou várias idéias, mas todas são negadas com uma torcida de nariz ou um certo desânimo ao ouvir a idéia. Ela então se irrita dizendo que não sabe o que fazer. Após esgotarem-se as minhas idéias fico quieta, assim como ela, observando a caixa azul.

Ela então me pergunta o que eu acho de ela fazer "ondinhas" com purpurina. Digo que acho uma boa idéia e pergunto-lhe de que cor quer fazê-las. Ela escolhe uma cor alaranjada. Começa assim a passar cola na tampa. Colocamos uma folha embaixo desta para que possamos aproveitar o restante da purpurina que não se fixasse. Faz então muitas ondinhas na tampa e quando termina diz que vai mostrá-la à sua mãe que estava próxima, fazendo bijuterias.

Quando ela volta, ela me pergunta o que mais pode fazer e eu digo que podemos enfeitar também a caixa. Pergunto o que está caixa vai conter e ela me diz que serão jóias. Digo então que podemos fazer algo que demonstre que essa é uma caixa de jóias. Ela gosta da idéia e escolhe a purpurina rosa. Diz que fará um colar e eu lhe pergunto como. Ela então pensa e diz que não será uma boa idéia. Sugiro que façamos uma jóia de purpurina com lantejoulas em volta. Ela fica quieta. Pergunto se ela não gostou da idéia e ela após algum silêncio diz que preferiria fazer ondinhas também na caixa. Sorrio e digo-lhe que ficará bonito.

Recomeçamos então o processo de passar cola e jogar purpurina em cima. Enquanto ela jogava purpurina sobre a cola, algumas vezes quase não caia nada e outras vezes ela jogava quase todo o conteúdo do pote. Mostrei-lhe um jeito de inclinar o pote e ir dando tapinhas com o dedo indicador. Ela aceitou a sugestão sorrindo. Em seguida, quando ela praticava a "nova técnica de jogar purpurina" ela mostrou alguma ansiedade dizendo "vai logo", "depressa" e eu perguntei porque ela estava com pressa. Ela me disse que às vezes não caia quase nada de purpurina e ela queria que caísse logo. Perguntei em que outras situações ela tinha pressa e ela me respondeu que tinha pressa de ir embora para casa. Mostrei a ela que algumas vezes quando ela estava com pressa e jogava a purpurina muito rápido caia quase tudo e "dava errado", portanto, nem sempre quando se tinha pressa o resultado era bom. Apontei que isso valia também para sua internação. Que apesar de ela querer ir embora logo, seria melhor para ela que esperasse que o seu quadro clínico se estabilizasse, para aí então ir embora realmente boa, voltando apenas para o transplante. Ela respondeu acertivamente com a cabeça e depois me disse que isso era verdade.

Continuamos com a colagem da purpurina e em um determinado momento ela me disse que ficava com medo da purpurina cair toda do potinho. Eu disse para ela que ela não precisava temer, pois tínhamos colocado justamente uma folha embaixo para reaproveitarmos a purpurina que caia. Perguntei se ela tinha medo de mais alguma coisa e ela me respondeu que tinha medo de quando a machucavam. Disse-me que estava fazendo hemodiálise pelo catéter que estava no seu pescoço, mas que logo faria uma fístula e que tinha muito medo de que ela doesse. Nesse momento uma enfermeira solicitou a presença da mãe da paciente. A paciente perguntou se ela poderia ir junto e, a enfermeira disse que não precisaria, pois era algum recado que os médicos iam dar à sua mãe. A paciente então, começou a chorar e ficou muito nervosa. Perguntei o porquê de estar assim e ela me disse que estava com medo do que poderia ser. Tentei investigar qual a fantasia que ela estava tendo perguntando do que ela estava com medo e ela me disse que tinha medo de ser algo ruim. Tentei mostrar que não havia nada de ruim que pudesse ocorrer, que todas as coisas ruins já haviam passado e perguntei porque pelo contrário, não poderia ser uma boa notícia e ela me disse que tinha medo de que não fosse.

Já havia acabado o horário da oficina e a paciente continuava querendo decorar a caixa, como ela tremia um pouco pediu para que eu colasse os adornos que ela estava colando e que ela passaria a cola. Deixei que terminássemos a caixa para depois descermos, mas antes disso perguntei se ela gostaria que eu fosse com ela até o seu quarto para esperar sua mãe com a notícia e ela prontamente disse que sim. Nesse instante a mãe dela chegou e perguntou porque ela estava com “essa cara” (sic) e ela disse que estava com medo, pois não sabia porque a haviam chamado. A mãe então disse que os médicos queriam avisar que haviam liberado uma vaga na “casinha” (local onde ela poderia fazer a hemodíalise fora do hospital). Seu rosto então se modificou: ela ficou mais calma e abriu um sorriso. Reforcei o quanto a notícia era boa e que não precisava temer as novidades.

Fomos caminhando juntas para o seu quarto e chegando lá ela falou novamente sobre o seu medo de fazer a fístula. Tinha medo da dor que poderia sentir. Tentei explicar o procedimento dizendo que ela não sentiria dor devido à anestesia local, mas como ela não se mostrou convencida, disse-lhe que na próxima vez que eu viesse, poderíamos conversar com um médico para que ela tirasse todas as suas dúvidas e temores. Apontei que ela deveria sempre perguntar tudo o que quisesse aos médicos e enfermeiros não deixando questões sem respostas para que estas não dessem vazão às fantasias. Terminei assim esse atendimento.




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