Pontos relevantes na melhora da gestão em saúde gilson Carvalho



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Encontro01.08.2016
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Gilson Carvalho – Médico Pediatra e de Saúde Pública


PONTOS RELEVANTES NA MELHORA DA GESTÃO EM SAÚDE
Gilson Carvalho
Continuo repetindo, já há mais de duas décadas, quanto sofremos com problemas de “indigestão” nos serviços de saúde. Públicos e privados.

Mais uma vez repito aqui, suscintamente, algumas áreas onde deveríamos ter investido há 20 anos atrás!! E... continuar investindo por mais, pelo menos, 20 anos.

Os problemas são enormes mas só os venceremos se começarmos. O primeiro passo, dizem entendidos, precisa ser dado para sairmos da inércia do “não tem jeito”!!!

A falta de dinheiro para a saúde pública é crônica. Mais irritante diante do cinismo dos governantes federais (maior obrigação de financiar a saúde, pois os únicos que arrecadam para isto) que, governo, pós governo, independente de partidos e alianças têm a mesma postura de achar que financiam muito bem a saúde e nada podem mais fazer. Usam até o argumento de que se colocarem mais dinheiro para a saúde desequilibrará as demais áreas de governo, máxime a social. São capazes de dizer falácias, fruto da desinformação, como a dita recentemente por Ministro para justificar o gasto com a Copa: Educação e Saúde triplicaram recursos nos últimos anos!!! Deslavada inverdade tanto em números absolutos quanto relativos deflacionados e per capita.

Faço um raciocínio simplório que nós da saúde temos que aprender a imitar o assalariado de salario mínimo que, além de lutar por melhor salario, tem que, inexoravelmente, colocar suas despesas dentro de seu salário. Temos coisas a fazer ao lado da luta por mais recursos. Jamais adotando o argumento de que não precisamos de mais dinheiro, mas apenas de melhora na gestão. Precisamos dos dois: mais dinheiro e melhor gestão.
PLANEJAMENTO
Na saúde, historicamente, planejamos pela demanda. A demanda nos move no dia a dia. Nos pressiona no hoje, no amanhã e em todos os dias do ano. Os planejamentos da saúde acabam sendo uma ficção ou um exercício cansativo e mais irritante que trabalhoso. Pior, quando queremos ter a participação da comunidade nos embaraçamos pois, não sabemos o que transmitir a ela numa segunda, terceira e demais vezes sem solução e com quase nada de nosso planejamento executado. Não conseguimos fazê-la planejar juntos e, o pior, animá-la a fazer controle do executado. Acaba sendo algo que não diz respeito a ela. O atendimento pode aumentar e melhorar mas isto não consegue ser visível e sensivelmente bom para eles. Infelizmente, o mais palpável, são os investimentos como o de construir uma unidade de saúde. Mas nem isto pode ser usufruído como feito. As construções se arrastam no planejamento, na decisão de fazer, na captação de recursos, na liberação de recursos, no processo licitatório, nos prazos de construção geralmente atrasados e depois no sufoco para equipar e, pior ainda, para alocar servidores. E, não são poucos os serviços construídos que não tem recursos de custeio para funcionar. Depois deste balde de água fria, o que nos resta a fazer? Temos que simplificar nosso planejamento respondendo de forma direta às três perguntas chaves de qualquer planejamento: onde queremos chegar, onde estamos e como vamos de uma posição a outra. Dá para responder isto de maneira concreta, com indicadores viáveis e capazes de medir resultados? Temos que ser mais simples ao planejar para ver se conseguimos concretamente, atingir, objetivos e metas, inteligíveis para os próprios gestores, para os trabalhadores de saúde e principalmente para a sociedade.
PADRONIZAÇÃO

Temos que investir recursos técnicos para coordenar uma blitz para trabalhar com normas e rotinas. Devemos começar com a descrição do processo de trabalho de cada um dos trabalhadores de saúde. Nada temos em geral a não ser a tradição oral que leva a perda de memória e grande de tempo no aprendizado em serviço daquilo que o dispensaria. Além de todos os furos da falta de diagnóstico de problemas e perda de tempos chave para solucioná-los. Pouco ou quase nada na saúde parte de descrição de processo de trabalho. Outra questão é ter protocolos de condutas e rotinas pré-estabelecidas. Não estáticas, mas mutáveis com advento de novos conhecimentos, práticas e demandas a partir da realidade do território. Isto vale desde os cuidados de higienização de todos os ambientes de uma unidade de saúde, até os procedimentos técnicos de maior complexidade.


INFORMATIZAÇÃO
Discurso monocórdico que em décadas não anda. Parece bicho-papão a assombrar a área de saúde. Com o progresso da TI (Tecnologia da Informação) continuamos na pré-história. Não conseguimos fazer a revolução da informação na área da saúde. O pouco que, em alguns lugares, aplicamos, acaba sendo mais burocrático do que o sistema manual. Falo da informação rotineira em todos os setores da administração: finanças, materiais, força de trabalho, produção de serviços, pesquisa de dados epidemiológicos e outros. Esbarramos em dois obstáculos quase inamovíveis: equipamentos/rede inadequados e limitação das informações sob forma ou conteúdo. Os que informam têm sérias limitações. De um lado por não estarem preparados e por outro por oferecerem resistência a qualquer inovação e aparente aumento de trabalho.
INVESTIMENTO EM GENTE
Historicamente temos investido pouco na força de trabalho da saúde. Com tantas inovações de conhecimento e de processo, não temos dado prioridade a esta área. Os profissionais devem se sentir seguros para executar suas tarefas. Descobrir as várias formas de trabalhar com educação permanentemente e não apenas episodial. Educação em e para a saúde tem que fazer parte do suporte de sempre aos trabalhadores de saúde. Sair da mesmice de pensar que o dinheiro gasto com a educação permanente poderia ser melhor gasto com assistência direta. Se melhorarmos a segurança e atuação técnica dos profissionais estaremos também contribuindo na qualidade da atenção à saúde. Os salários e as condições de trabalho são indispensáveis, mas o apoio técnico e humano aos trabalhadores de saúde são imprescindíveis. Educar profissionais e usuários para o uso racional de recursos. Profissionalização dos gestores. Desenvolvimento de habilidades necessárias ao exercício profissional. Humanização da atenção visando a promoção da felicidade na saúde.
GESTÃO FINANCEIRA
Aqui um dos grandes embaraços. A falta de dinheiro é evidente e facilmente comprovável. Mas, isto não dispensa seu uso correto e sua gestão melhor ainda. Não temos sido exemplares nesta tarefa. Todos os mecanismos gerenciais com informações precisas e adequadas à gestão financeira deixam a desejar, são complexos e ineficientes. Não conseguimos ainda, nem ter um sistema de controle que seja inteligível por grande parte dos gestores, dos técnicos e, o mais grave, da população. É uma zona em que transitam só iniciados que parecem se fechar em sua sabedoria não abrindo formas nem informações para os não iniciados.
GESTÃO PARTICIPATIVA
Investir na participação de todos os envolvidos na saúde. Gestores e equipe técnica. Trabalhadores de saúde. Prestadores de serviços de saúde. Cidadãos usuários dos serviços de saúde. Temos ido mal nesta tarefa. Não colocamos ao alcance das pessoas os planos de saúde, os relatórios de gestão. Como querer que os conselhos de saúde sejam melhores e mais efetivos? Existe aí uma mão dupla. Do lado dos gestores: colocar ao alcance de entendimento os instrumentos de gestão (plano, relatório, indicadores etc). Ser transparente em todas as ações e no uso do dinheiro do coletivo. Do lado dos demais componentes do conselho o entendimento destes instrumentos. A participação ativa em sua elaboração e análise. Estabelecer dinâmica cronometrada para o desenvolvimento de qualquer reunião, discutidas democraticamente e depois cumpridas autoritariamente até novas deliberações democráticas segundo regras pré-estabelecidas. Quanto menos se é transparente mais margem a suposições por vezes fundadas e outras infundadas.

O sistema de financiamento por incentivos e em caixinhas programáticas, sempre necessitando de complementação comprometem os recursos municipais. Limitam a capacidade do município em propor iniciativas com a participação da comunidade no determinar necessidades e demandas por ela apontada. Consequentemente, limita a participação na formulação das políticas públicas no âmbito do município. Isto induz a uma participação que se restringe a fiscalizar os recursos enviados pelos outros entes e não de construção participativa dos planos e programações a partir dos territórios que compõem o município. É um grande desafio trazer as pessoas a participarem do processo diante de tantos e tão sérios limitantes.









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