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Identidades e conflitos na região asiática
Luís Leitão Tomé*
Janus 2004

A Ásia representa um conjunto demográfico e económico sem equivalência: ela estende-se do Paquistão ao Estreito de Bering, das novas nações da Ásia central aos micro-Estados do Pacífico Sul. Metade da população mundial vive na Ásia, que se vem confrontando com os problemas inerentes à sobrepopulação; mas as políticas que visam baixar as taxas de natalidade, conjugadas com o prolongamento da esperança de vida conduzem, a ritmos invulgares, ao envelhecimento das populações.


É na Ásia que encontramos os ritmos de crescimento económico mais elevados: mais de 8% ao ano na China a partir de 1978, enquanto outros países asiáticos (Japão, Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul, Malásia, Tailândia e Indonésia) registaram, desde 1960, um crescimento representando quase o triplo, em média, do dos países desenvolvidos ocidentais. Se é verdade que subsistem importantes bolsas de pobreza, as economias menos desenvolvidas entraram já em fase de descolagem, como demonstra o exemplo da Índia. Com um vastíssimo leque de recursos e potencialidades, a Ásia-Pacífico pode bem vir a ser o novo centro de gravidade do poder mundial.
A emergência da Ásia-Pacífico como região na política internacional é um fenómeno moderno. Mas o geoestrategista alemão Haushofer falava já em 1924 do advento da Era do Pacífico, a seguir à do Atlântico e do Mediterrâneo senil, e da diminuta Europa. Hoje, muitos analistas não hesitam em considerar o século XXI como o "século asiático" ou o "século do Pacífico". São naturalmente influenciados pelo surto de progresso económico e científico-tecnológico verificado nos últimos anos na Ásia-Pacífico, bem como pelo pretenso "espírito de Bacia" (do Pacífico) e pela abertura de vastos mercados, nomeadamente do gigante chinês.
A verdade é que não existe uma identidade regional asiática — o que aproxima os Estados são muito mais considerações geopolíticas e geoeconómicas do que um sentido natural de comunidade ou de homogeneidade. Heranças culturais e coloniais diversas, rivalidades e desconfianças históricas, a convivência de sistemas políticos distintos, bem como a presença de todas as grandes religiões mundiais, não favorecem um "espírito asiático". Por exemplo, a característica essencial da prática religiosa na Ásia é a sobreposição de crenças diferentes nos mesmos indivíduos, resultado de estratos sucessivos de influências religiosas, do Budismo hindu nas suas diferentes acepções às escolas sucessivas do Confucionismo, ao Islão e ao Cristianismo mais recentes.
Poderemos então identificar uma Ásia continental, camponesa e marcada pela tradição burocrática do confucionismo de Estado (China, Coreia do Norte, Vietname, Birmânia); face a ela, uma Ásia marítima, fundada sobre a economia capitalista e num conceito de Estado de segurança nacional, e colocada sob protecção americana (da Coreia do Sul à Ásia do Sudeste, passando pelo Japão e por Taiwan). Enfim, uma Ásia indo-muçulmana, centrada na Índia e no Paquistão na Ásia do Sul (Bangladesh, Sri Lanka, Nepal, Butão, Maldivas), e que influenciou igualmente a Ásia do Sudeste: o hinduísmo ou a penetração do Islão foram sensíveis na Malásia, na Indonésia, no Brunei e nas Filipinas. Na Ásia e no Pacífico não existe um elemento comum e identificativo. Por isso, uma subdivisão regional só pode reger-se por critérios geográficos: Ásia do Nordeste, Ásia do Sudeste, Pacífico Sul e Ásia do Sul. As divisões e a extraordinária heterogeneidade são, contudo, atenuadas pela vivacidade do desenvolvimento económico. A Ásia Oriental, sobretudo, parece empenhada em se afirmar como um bloco face à União Europeia e à América do Norte.
O interesse e o empenhamento dos americanos no reforço e na institucionalização dos laços transpacíficos através da APEC, bem como as cedências dos europeus nas discussões com os asiáticos nas cimeiras da ASEM, confirmam o novo lugar que a Ásia-Pacífico ocupa entre os grandes blocos regionais do planeta. A criação de uma autêntica comunidade asiática é muito complexa, mas é frequente o apelo aos "valores asiáticos" para fazer face às concepções euro-americanas de direitos humanos e de democracia.
As organizações multilaterais não constam da prática corrente dos Estados asiáticos. Mas o boom económico e o desanuviar dos constrangimentos próprios do anterior sistema bipolar, levaram ao aumento substancial das trocas comerciais entre os países da região, com o consequente aumento da vontade em institucionalizar novos mecanismos de contactos multilaterais. O único reagrupamento constituído da área, a ASEAN, não tem a consistência dos modelos europeu ou americano, mas já prevê a instituição de uma zona de comércio livre — o ASEAN Free Trade Área (AFTA) — a partir de 2003, e abriu um diálogo sobre as questões de segurança no quadro do ARF (ASEAN Regional Fórum). Por seu lado, a Malásia propôs um reagrupamento limitado à Ásia Oriental, sem os "países Brancos" do Pacífico ou da América do Norte, e igualmente sem a Ásia do Sul, que viria a resultar no EAEC, mas no seio da APEC.
A multiplicidade de tensões e de conflitos potenciais, e a ausência de uma arquitectura de segurança ou de cooperação política, trazem à colacção a questão da liderança da Ásia. Por ora, é uma potência externa, os EUA, que consolida a estabilidade regional; mas a justificação da sua contribuição para a segurança da Ásia reside cada vez mais nas vantagens comerciais que daí retiram, e a sua presença está cada vez mais dependente das contribuições do Japão e da Coreia do Sul, entre outros Estados. O Japão e outros detentores asiáticos de capitais excedentários como Taiwan ou os chineses do ultramar, não possuem meios para traduzir em termos políticos a sua superioridade em termos financeiros. A emergência da China, e amanhã da Índia, fragmenta ainda mais o equilíbrio, e a liderança da Ásia permanece partilhada e susceptível de ser contestada.
Informação Complementar
A diáspora chinesa
No início da nossa era, as populações chinesas desciam rumo ao Sul pelas costas da península indochinesa. Mais tarde, iniciado este milénio, os mercadores chineses começaram a implantar-se numerosamente nas costas dos mares meridionais. As grandes expedições de Zheng He (de 1405 a 1433) contribuem para reforçar a pre­sença chinesa, nomeadamente na periferia do Mar da China do Sul. Desde meados do século XIX, após as guerras do ópio e a abertura forçada de portos chineses, até à II Guerra Mundial, as fomes, a insegurança, a instabilidade política e a sobrepopulação, levaram cerca de 15 milhões de migrantes a deixarem a China e a implantarem-se na Ásia do Sudeste, que conhecia um período de crescimento económico, sob domínio europeu. Numerosas comunidades chinesas também se deslocaram, no início dos anos 30, para Estados e territórios que necessitavam de mão-de-obra (Brasil, EUA, Canadá, Austrália). Os países próximos da China, como Hong Kong e Taiwan, bem como os EUA, o Canadá, Austrália e Grã-Bretanha receberam ainda milhões de chineses que fugiam da sua pátria após a vitória comunista em 1949.
Com a "política de porta aberta" da China, desde finais dos anos 70, as partidas da China continental foram sempre numerosas e sob formas diversas: grupos familiares, estudantes, migrações clandestinas, de preferência, mais uma vez, para os EUA, o Canadá e a Europa.
Hoje, à diáspora chinesa e ao grande número de comunidades chinesas espalhadas pelo mundo, nomeadamente na Ásia do Sudeste, na América do Norte e na Europa, são atribuídos papéis fundamentais em duas questões relevantes, actualmente: por um lado, a diáspora chinesa é frequentemente referida como uma das responsáveis pelo actual crescimento das economias asiáticas orientais, nomeadamente da China; por outro lado, as comunidades chinesas do ultramar são acusadas de favorecerem a cada vez maior influência das tríades (organizações criminosas chinesas) nos circuitos inter­nacionais.

* Luís Leitão Tomé

Licenciado em Relações Internacionais pela UAL. Docente na UAL.








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