Por que e como formar professores/as em história e cultura afro-brasileira e africana



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POR QUE E COMO FORMAR PROFESSORES/AS EM HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA
Maria Nazaré Mota de Lima1
“Até hoje eu nunca consegui criar cabelo, porque eu soltei meu cabelo um dia na escola e a minha pró disse que meu cabelo não podia ficar solto, porque era ruim. Então, eu nunca mais na vida criei cabelo. Cheguei em casa e pedi a alguém para alisar o meu cabelo, alisei a ferro, e nunca mais criei cabelo” (Depoimento de uma professora, durante a formação).
Este texto se constitui na análise de uma experiência desenvolvida a partir do ano 2000, de formação de professores/as da rede pública de ensino de Salvador, visando, inicialmente, à implementação do Tema Transversal Pluralidade Cultural e, posteriormente, à inclusão da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo do ensino fundamental das escolas municipais desta cidade no estado da Bahia.
A experiência foi proposta e executada pelo CEAFRO, um programa de educação e profissonalização para a igualdade racial e de gênero do CEAO/UFBA – Centro de Estudos Afro-Orientais/Universidade Federal da Bahia, órgão de extensão universitária, com mais de 40 anos de existência.
Sobretudo nos últimos anos, o CEAO vem se destacando junto ao meio universitário e à sociedade, por implementar ações que além de aproximar a sociedade civil do meio acadêmico, fomentam debates sobre temas que envolvem a história e a cultura afro-brasileira, em suas mais variadas manifestações.
Essa aliança com a democratização do saber e a sociedade civil fez com que o órgão desenvolvesse ações institucionais para minimizar as desigualdades sociais e raciais e, também, para possibilitar o acesso dos negros baianos ao ensino superior e ao mercado de trabalho.
O CEAFRO iniciou suas atividades em 1995, a partir de reflexões acerca das diversas iniciativas de educação e profissionalização direcionadas aos afro-brasileiros, visando envolver adolescentes e jovens negros/as numa experiência de curso que os/as habilitasse a exercer uma profissão no âmbito de sua atuação nos blocos afro de Salvador.
O objetivo inicial do CEAFRO consistiu em desenvolver cursos de capacitação profissional considerando a questão racial como relevante, constitutiva e central na proposta, com foco no resgate da identidade racial e da auto-estima como elementos estruturantes da cidadania do povo negro.
Quando o CEAFRO foi criado, já havia uma pauta construída pelos movimentos negros, no sentido de desconstruir a visão eurocêntrica da cultura educacional brasileira. As reflexões na década 80/90 destacam a necessidade de reforçar a identidade negra a partir da recuperação de raízes histórico-culturais e da eliminação das imagens negativas do negro nos materiais didáticos, na relação professor-aluno, aluno-aluno, deste com funcionários, etc.
Pinto (1993) catalogou as reivindicações daquela época, que sinalizam para a introdução de disciplinas acerca da história e cultura do negro no currículo, instituição de grupos de estudo específicos sobre o alunado negro e incorporação dos materiais produzidos pelo movimento negro como recursos didáticos.
Com apoio de várias instituições, como Fundação Ford, FAT/MTb, UNICEF, CESE, o CEAFRO decide tomar a si uma parte do que estava por ser feito em termos de educação voltada para os anseios da comunidade negra de Salvador, passando a promover a reconstrução da identidade do/a jovem negro/a, a partir de uma proposta de profissionalização, com os seguintes objetivos (In LIMA et alli, 2000):


  • Desenvolver um projeto de ensino profissionalizante visando ao domínio das técnicas e tecnologias disponíveis, assim como de conteúdos que contribuam para a construção de uma visão crítica sobre as relações raciais e sociais na Bahia

  • Fornecer uma qualificação profissional consonante com as transformações que vêm ocorrendo na sociedade, resultan­tes do processo de globalização e da reestruturação dos sistemas produtivos, que levem à ruptura com o modelo vigente de inserção dos negros no mercado de trabalho

  • Apoiar-se em uma proposta pedagógica cujo principal suporte teórico refere-se ao reforço da identidade negra, baseada numa concepção de cidadania que incorpora uma identidade positiva da negritude

  • Contribuir para a permanência do jovem no ensino regular e para a conclusão da sua escolarização, assegurando condições para tal, de acordo com o seu potencial e aspiração

  • Assegurar, a médio prazo, condições para que a experiência advinda deste Proje­to venha a se constituir em atividade regular do ensino técnico na Bahia e seja incorporada à rede pública municipal de ensino.

Este projeto de profissionalização se mantém até hoje, incorporando jovens não só de blocos afro, mas também de grupos de jovens, de mulheres, de Terreiros de Candomblé, de Associações de Capoeira, Associações de bairro, Sindicato dos Domésticos e outros que concentrem população jovem negra na cidade.


Desde 2000, na perspectiva de ampliar seu raio de ação, o CEAFRO resolve investir na formação de professores da escola pública, posto que a quase totalidade do seu público estuda na rede pública, cujo professorado, de modo geral, não se dá conta de sua condição racial, sua auto-estima é fragilizada e a sua formação em magistério não prepara para trabalhar com desafios colocados pela presença dos jovens negros e negras na sala de aula.
A partir da constatação do perfil racial de professoras e alunos/as da Rede Municipal de Ensino em Salvador, o CEAO/CEAFRO, através da UFBA, assinou um Convênio com a Secretaria Municipal de Educação – SMEC para realizar a formação dos/as educadores/as da rede para implementação do Tema Transversal Pluralidade Cultural dos PCN nas escolas, considerando a sua experiência de 6 anos, à época, com a execução de sua proposta pedagógica, referenciada em valores civilizatórios africanos, conforme autores como Castro (1998), Silva (1996), Luz (1997). Uma proposta que visa à formação para cidadania de jovens negros/as, discutindo com esses/as temáticas como preconceito, racismo, discriminação, etnocentrismo, desigualdades raciais, realidade social do negro, história e cultura do negro brasileiro, temas ainda ausentes dos currículos das escolas públicas.
A formação dos/as professores/as, também baseada na Proposta Pedagógica do CEAFRO, visa instrumentalizar as educadoras para a inclusão da história e cultura afro-brasileira e africana no currículo e começa por trabalhar a pessoa do professor: suas concepções sobre raça e gênero, conhecimentos prévios acerca do continente africano, representações sobre temas tabus como racismo e sexismo, seus preconceitos, a discriminação em sua vida e na sociedade em geral, suas histórias e vivências pessoais com estes temas, a história e cultura africana, assim como as formas como essas questões são tratadas na escola, focando as possibilidades de sua articulação às áreas do conhecimento trabalhadas no ensino fundamental.
Compreendendo Formação Básica, Formação em Serviço e Acompanhamento em Sala de Aula, a formação totaliza 200 horas, já tendo sido realizada em 7 escolas municipais, todas localizadas em bairros periféricos da cidade, envolvendo professores do I e II Ciclo do Ensino Fundamental, diretores de Unidade Escolar, Coordenadores Pedagógicos, Pessoal de Apoio Administrativo e representantes das Coordenadorias Regionais de Educação - CRE. No ano de 2003, a formação se deu na sede do CEAFRO, envolvendo educadores/as de diversas escolas municipais que tinham disponibilidade no horário noturno.
Para formar formadores/as em quantidade e qualidade exigidas pela proposta, o CEAO/CEAFRO mantém, ainda, um Curso de Especialização em Desigualdades Raciais e Educação, em nível de pós-graduação, pelo Programa de Mestrado e Doutorado em História, e produziu um KIT de material didático, contendo CD, fita de vídeo, transparências, imagens e textos sobre educação do negro, currículo e diversidade cultural.
O curso, que objetiva formar formadores/as, proporciona um aprofundamento nas temáticas da formação, de modo que não só a cidade, mas o estado da Bahia passa a dispor de profissionais qualificados para discutir e encaminhar questões de diversas naturezas, cujo ponto em comum situa-se na relação racismo, desigualdades raciais e educação, transcendendo uma abordagem teórica ou prática e articulando essas dimensões ao fazer pedagógico protagonizado por educadores/as no cotidiano da escola.
Quanto ao KIT de material didático, decorre de uma necessidade natural: dar concretude e materialidade às aprendizagens realizadas pelos/as educadores/as no dia-a-dia da formação.
A PROPOSTA DE FORMAÇÃO
A formação de professores/as se dá no interior do Projeto ESCOLA PLURAL: A DIVERSIDADE ESTÁ NA SALA, e seu propósito é instrumentalizar os/as educadores/as da rede municipal de ensino, atuantes junto ao primeiro e segundo ciclo do ensino fundamental, para o desenvolvimento de uma prática pedagógica que contemple a diversidade cultural presente em nossa sociedade.
A instrumentalização se inicia provocando as professoras para que redefinam suas concepções acerca dos temas racismo, preconceito, ideologia, cultura, gênero, estereótipos e outros, numa perspectiva de repensar o currículo e recolocá-los a partir da aceitação da identidade e diversidade enquanto aspectos definidores das decisões requeridas por sua prática pedagógica.
Para adentrar em temas complexos como os que esta Formação implica, começa-se por trabalhar a identidade da professora, fazendo-a se dar conta de como este aspecto é importante e como este vem sendo tratado na sua vida pessoal e profissional. De fato, suas histórias como mulheres e mulheres negras acabam por determinar certas trajetórias que passam por uma profissão como o magistério que, historicamente no Brasil, tem se configurado de forma desqualificada, desmerecida e pouco reconhecida em seus méritos.
Com essas convicções, foi pensada uma formação que não se esgotasse nas discussões de sala de aula ou na aquisição de conhecimentos, deixando de considerar a profissão de magistério e as identidades das professoras em formação. Pelo contrário, questões relativas à subjetividade das professoras participantes são sempre consideradas, trabalhadas e relacionadas aos temas discutidos, de modo que percebam sua importância e reconheçam o quanto é prejudicial a forma como a escola tradicionalmente lida com esse aspecto, desencorajando-as a reproduzir metodologias “assépticas” com seus alunos. O trabalho implica, portanto, que se vejam criticamente como professoras, instigadas a refazerem sua prática de forma a incorporar a identidade racial, de gênero, a procedência, jeito de ser, etc dos/as alunos/as enquanto elementos importantes para conseguir sua vinculação ao conhecimento formal oferecido pela escola.
Outro ponto importante da formação proposta é não deixar exclusivamente com o/a professor/a a responsabilidade de processar e introduzir as informações recebidas durante a formação no seu trabalho cotidiano com os/as alunos/as. Por isso, a formação do CEAFRO inclui Formação Básica, Formação em Serviço e Acompanhamento em Sala de Aula, conforme descrito adiante.
A Formação Básica é realizada através de oficinas e vivências onde, ao tempo em que se diagnosticam as dificuldades apresentadas pelos/as educadores/as, discutem-se formas de intervenção, tendo sempre como ponto de partida as suas experiências individuais e coletivas, e as de seus/suas educandos/as, nos diversos espaços de construção do saber: a escola, o bairro, a família, demais grupos sociais. Esta é uma etapa importante, na medida em que gera reflexões, questionamentos e inquietações que demonstram um grande movimento de autoformação; como diz uma das professoras: “só agora me dei conta que tenho sido este tempo todo o que condeno”. É também na formação básica que se dá a fundamentação teórica a respeito das temáticas elencadas na programação a seguir.

PROGRAMAÇÃO DA FORMAÇÃO BÁSICA




TEMÁTICA

SUBTEMAS

C/H

Apresentação da Proposta às professoras





4h

Identidade

Modelo de escola; Estereótipos, preconceitos

4h

Gênero, Sexualidade e Prática Pedagógica

Construção do Eu; Eu Professora Negra-Mulheres Negras; Corpo; Papéis Sociais de homens e mulheres; Sexualização da imagem das Mulheres Negras

8h

Criança Negra, Realidade Social e Auto-estima

Resistência Negra (Religiosa, Cultural, Mov. Contemporâneos; Educadoras Negras e Indígenas, Mov. de Mulheres Negras)

12h

África, Diáspora Africana e Escola no Brasil

Desconstrução de estereótipos e preconceitos sobre África; Diversidade cultural africana; Contribuição civilizatória dos africanos

12h

Planejamento, Interdisciplinaridade, História e Cultura Afro-brasileira e Africana

Currículo: ConConcepção de planejamento utilizada pelas escolas e ampliação, inclusão de elementos da História e Cultura Afro-brasileira e Africana

12h

História e Cultura Afro-brasileira e Africana nas séries iniciais

O que é conhecer; Como trabalhar história e cultura afro-brasileira e africana nas áreas de conhecimento; Interdisciplinaridade

12h

Avaliação e Encerramento




6h

TOTAL




70h

Como já foi dito, os temas são trabalhados por meio de oficinas. Apesar de seguir um programa anteriormente definido, é bastante flexível, para atender às necessidades do grupo, de modo que outros temas são incluídos e/ou revisitados.


A Formação em Serviço ocorre após ou no mesmo período da formação básica e consiste na participação das formadoras no AC – Atividade Complementar, horário semanal de 2 horas, em que as educadoras da escola se reúnem para avaliar as ações em curso e planejar as atividades pedagógicas futuras: aulas, festas, reuniões, encontros, eventos, etc. O objetivo da formação em serviço é dar suporte metodológico para os/as professores/as introduzirem a História e Cultura Afro-brasileira e Africana no projeto pedagógico da escola e no seu planejamento, articulando a temática às áreas do conhecimento. Trata-se, ainda, de avaliar como está se desenvolvendo o trabalho em sala de aula e replanejar as atividades em função das avaliações feitas.
Nesta fase, a prioridade são as demandas do grupo, suas dúvidas, necessidades, inseguranças para desenvolver o trabalho de inclusão da temática de acordo com o que foi discutido na Formação Básica. Para isto, alguns aspectos da Formação Básica precisam ser retomados, no sentido de tirar dúvidas, explicitar pontos pouco trabalhados, articulando-se aspectos teóricos da formação ao fazer pedagógico junto aos/às alunos/as.
Durante o Acompanhamento em Sala de Aula, o principal aspecto a ser observado é como as professoras articulam os conteúdos propostos na formação básica às diversas áreas do conhecimento e em que medida a história e a cultura afro-brasileira e africana estão sendo contempladas no planejamento global da escola e nas diversas ações propostas.
As formadoras do CEAFRO, portanto, entram na sala de aula, observam como as ações planejadas estão sendo desenvolvidas, como os/as alunos/as reagem, enfim, o que precisa ser enfatizado, reorientado, modificado, intensificado. Nos horários de AC, as questões voltam a ser discutidas, avaliadas, havendo o replanejamento e retomada na sala, nas aulas, em eventos da escola ou em projetos de estudo, fundamentando-se todas as discussões, de modo que as três etapas de formação se interpenetram.
Concluída a carga horária prevista, a ida das formadoras à escola vai se tornando menos freqüente, porém mantém-se o que denominamos de Acompanhamento Indireto, constituído dessas visitas e participação nos AC, nas aulas, em eventos, reuniões bimensais na sede do CEAFRO, com representantes da Coordenação Pedagógica e das professoras, distribuição de novos materiais para subsidiar a continuidade do trabalho, cursos, palestras, etc.
As professoras em formação revelam em suas falas quão significativo é este processo vivenciado, pois reconhecem que a sua formação acadêmica não lhes proporcionou um conhecimento sobre as características culturais de seus alunos e alunas, da comunidade em que vivem, muito menos conhecimentos sobre si próprias, ao passo que a dimensão da identidade e da diversidade interfere o tempo todo nas relações pedagógicas que acontecem no espaço escolar.
DEPOIMENTOS DAS PROFESSORAS DURANTE O PROCESSO DE FORMAÇÃO
Nós professoras não somos preparadas para lidar com estas diferenças, até porque concordamos com este padrão imposto, fazemos parte dele, não conseguimos ainda pensar um modelo de sociedade diferente, apesar de concordarmos que este modelo não serve.”
Aqui, sobretudo na Bahia, reina a hipocrisia! A mídia tenta fantasiar um paraíso racial”. “Acho que existe um faz de conta que valoriza a raça que construiu o Brasil (os negros), porque na hora da verdade o negro e sua cultura sempre são discriminados”.
É uma relação (relação entre negros e brancos) conflituosa, visto que o preconceito existe camuflado. Ë uma relação, também, muito frágil, levando em consideração que, em conseqüência das questões culturais, o negro baiano e brasileiro, em sua maioria, ainda não se deu conta da sua força e competência”.
O país - os brancos - esconde-se em uma política de democratização racial mascarando e massacrando os negros e índios. O país abre-se ao que vem de fora e menospreza sua população não branca, ou se branca, pobre”.
A relação entre negros e brancos, índios e não índios é desigual, preconceituosa, tendo em vista a questão cultural que só destaca a cultura branca e desvaloriza as culturas negra e indígena”.
Óbvio que esta relação (entre negros, brancos e índios) tem influência direta no processo educacional. Como desmistificar preconceitos nas relações com os alunos faz parte deste contexto desde a mídia – quando exerce influência maior que a escola - até nas relações familiares e da comunidade, pois reforçam a impregnação do preconceito”.

Necessitamos de bons exemplos e de uma política que valorize a todos, sem discriminação. Um povo que sofreu tanto nas mãos do branco, merece uma reparação da humanidade”.


CONCLUINDO...
Esta experiência de formação de professores para inclusão da História e Cultura Afro-brasileira e Africana na rede pública de Salvador está sendo desenvolvida com grande aceitação nas escolas já atendidas.
Um dos primeiros desafios que enfrentamos para concretizar esta proposta foi, justamente, a forma como iríamos abordar o fato de que a discriminação, o preconceito e o racismo são naturalizados no espaço escolar e a professora às vezes ignora, geralmente convive, até reproduz e protagoniza situações onde o ser negro ou negra é motivo de zombaria, inferiorização, desumanização, desqualificação de toda ordem. Além disso, os conhecimentos veiculados nas salas de aula relacionam-se quase sempre a valores civilizatórios eurocêntricos, e não há referência aos modos de produção de conhecimento africanos ou indígenas.
O investimento que se impôs, portanto, concentrou-se nas metodologias de formação, as quais constituem o diferencial em relação àquelas formas mais convencionais praticadas em nosso país: a professora “recebe” o Curso e volta para o cotidiano escolar meio sem saber como transformar as informações recebidas em conhecimentos a serem trabalhados com seus alunos e alunas. Outro diferencial refere-se à relação da formadora com as professoras em formação, pois denuncia-se o caráter racista da escola, mas de um jeito que não as culpabiliza por isto. As formas de trabalhar essas questões – induzindo cada uma a falar, se abrir, se descobrir... - faz com que elas próprias passem a reconhecer que têm sido racistas, sim. As formadoras, enquanto educadoras que também são, questionam, mas acolhem as colegas, buscando uma relação horizontal com as formandas, de modo a, paulatinamente, descortinar essas relações e construir outras, ética e racialmente mais aceitáveis.
Trata-se, enfim, de dar voz à professora para dizer do racismo nela, contra ela, testemunhado por ela. Isto sem culpa, mas com consciência e desejo de fazer diferente e influenciar para que “a sua volta às coisas se dêem de um jeito também diferente, com mais respeito, mais tolerância, mais produtividade, mais ideologia”...
REFERÊNCIAS

Castro, Mary Garcia e Abramovay, Miriam. “Cultura, identidade e cidadania: experiência com adolescente em situação de risco”. Jovens Acontecendo na Trilha das Políticas Públicas. Brasília: CNPD, 1998. (II): 571-644.


Lima, Maria Nazaré Mota de, Barreto, Vanda Sá e Pedreira, Valdecir Nascimento. A identidade racial na formação do jovem negro. In Educação, racismo e anti-racismo. Santos, Jocélio Teles (Org).

Luz, Narcimária Correa do Patrocínio. “Pawódá: dinâmica e expressão do conceito de educação pluricultural”. Pluralidade cultural e educação. Luz, Narcimária Correa do Patrocínio (Org), Salvador, SECNEB e SEC/CES, 1996, pp 74-105.


Pinto, Regina P. “Multiculturalidade e educação de negros”. Cadernos CEDES,1993 (32): 25-48.
Silva, Paula C. “Educação pluricultural e anti-racista em Salvador – algumas experiências nos anos 80 e 90”. Educação e os afrobrasileiros: trajetórias, identidades e alternativas. A Cor da Bahia. Série Novos Toques, 1997, pp133-152.


1 Coordenadora Pedagógica do CEAFRO e Professora da Universidade do Estado da Bahia – UNEB.


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