"Por que o livro "Da Guerra" de Clausewitz é considerado uma obra de referência para o estudo da guerra?"



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Encontro20.07.2016
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Tema 02
“Por que o livro “Da Guerra” de Clausewitz é considerado uma obra de referência para o estudo da guerra?”

Contribuição Garcia/Ribeiro


Clausewitz, em sua obra clássica “Da Guerra”, sistematizou o conjunto de suas reflexões sobre guerra e as enquadrou num arcabouço teórico de grande envergadura. Seu livro tem um valor inegável; talvez o único verdadeiramente grande livro sobre o tema.

Ao reunir em si mesmo a experiência direta da guerra e uma forte tradição intelectual, construiu uma sólida teoria.

Ansiava por respostas, tais como: o que era a teoria de guerra? O que ela podia ensinar? Na busca dessas respostas, se revela rigoroso, cuidadoso, e aberto. Assim, fez o primeiro diagnóstico sistemático do mundo bélico moderno e identificou os pilares do bélico sobre os quais nos apoiamos.

Sua obra não pode ser lida e aplicada como um manual: coloca em pauta relacionamentos e fundamentos, não definições de termos ou regras de imediata aplicação. Além disso, na elaboração de sua teoria exigia rigor de sua construção, emancipando-se de tudo que fosse circunstancial ( detalhes, armamentos, estruturas hierárquicas ); buscando relações e vínculos permanentes. Portanto, Clausewitz procura dar a sua obra um caráter universal, explicando os fenômenos bélicos de forma consistente e coerente.

Clausewitz foi um teórico de guerra e seu livro se insere na grande tradição das obras fundadoras de campos inteiros do conhecimento científico moderno, tanto no que se refere ao rigor quanto em profundidade.


De modo geral, podemos distinguir os seguintes aspectos da sua obra:
1º Aspecto: Metodologia Científica (Métodos Procedimentos e Abordagem) para a elaboração de teoria da guerra
Seu trabalho possui força teórica face ter sido produzido por meio de uma metodologia científica. Seus métodos científicos consistem em:


  1. Método de Procedimento

“Define um conceito, extrai suas conseqüências lógicas. Verifica se essas conseqüências lógicas estão respaldadas pela realidade e, finalmente, incorpora as diferenças com a realidade à formação lógica.”

Aqui está o ponto fundamental de sua obra: incorpora as diferenças da realidade à teoria.

Assim, idealizou a guerra absoluta (modelo). Ao estudá-la, verificou que não chegava ao extremo da violência. Esta era limitada ou ilimitada. Dessa forma, incorporou as diferenças a sua teoria.




  1. Método de Abordagem (Método da Dialética)

Clausewitz também utilizou o modelo dialético entre pólos opostos. A interpretação dialética leva a uma contínua interação entre pólos opostos. Exemplos:



  • Utiliza a dialética entre ataque e defesa para chegar às pausas da guerra. Dos meios e fins para chegar aos conceitos de tática e estratégica;e



  • Relacionamento dialético dos fatores constituintes da trindade parodoxal (governo, forças armadas e povo).

Seria, portanto, a busca da determinação da verdade através do jogo de opostos.


2º Aspecto: Descrição Teórico-Formal
Ao discutir os aspectos da guerra, apresenta, pela primeira vez, um esquema ordenado de como as ações acontecem no campo de batalha. Embora não desejasse estabelecer doutrinas, sua descrição teórico-formal permitiu o desenvolvimento de várias doutrinas, mormente para o campo de batalha.
3º Aspecto: Caráter Multidisciplinar
Embora não esteja diretamente relacionado coma guerra, exerce também uma influência como referência para o seu estudo. As questões elucidadas ou métodos conduzidos preliminarmente por meio do estudo da guerra acabam migrando para outras áreas da arte e da ciência, que, enriquecendo-as, desenvolvem-nas ao estudo da guerra por meio de outros aspectos anteriormente não visualizados.
Principais ensinamentos da obra de Clausewitz:


  1. Sob o enfoque político, a grande contribuição da teoria foi a subordinação da guerra à política. A guerra deixa de ser um fim em si mesma, passando a ser um meio de se atingir objetivos mais amplos, relacionados aos anseios da comunidade. Assim, a guerra é um instrumento da política e não tem sentido fora do mundo político;




  1. A guerra é um instrumento racional da Política Nacional:

Instrumento: porque visa atingir um objetivo(que não é a própria guerra);

Racional: porque é baseada em custos e lucros;

Nacional: porque o objetivo deve ser a satisfação dos interesses do Estado.


  1. O desdobramento lógico do conceito de guerra ( ‘um ato de força destinado a dobrar o inimigo à nossa vontade ) não admitia qualquer moderação, e levava a um extremo de violência (guerra absoluta).

Entretanto, na prática, as guerras eram limitadas ou ilimitadas, jamais absolutas, devido:



  • Por ser continuação da política por outros meios a torna um fenômeno racional;

  • A guerra é a província da incerteza e do acaso, pois nem tudo pode ser previsto;

  • É determinada por fatores morais, tais como: entusiasmo, medo, coragem, angústia, confiança, timidez e audácia, que refreiam ou impulsionam a violência, fazendo com que nem sempre o mais forte vença;

  • A guerra é constituída pela trindade paradoxal: povo, governo e forças armadas

  • Assimetria entre ataque e defesa (defesa é a forma mais forte);

  • O fenômeno da fricção de qualquer ação: “Tudo é simples, mas na guerra mesmo a coisa mais simples é difícil”;

  • O Ponto Culminante do Ataque, a partir do qual o seu prosseguimento torna-se temerário;

  • A essencialidade do combate (como atividade)

4- Nenhuma guerra existe sem a participação da trindade paradoxal: povo, governo e forças armadas.


5- A atividade essencial de guerra é o combate, mesmo que seja virtual (dissuasão é combate mental).
6- Centro de Gravidade: é o ponto do inimigo sobre o qual as nossas energias devem ser dirigidas para obter a vitória.
Conclusão

O livro “Da Guerra” de Clausewitz é a obra de referência para o estudo da guerra porque explica os fenômenos bélicos de forma consistente e coerente. A teoria da guerra apresentada tem caráter universal, emancipando-se de aspectos circunstanciais.



Finalmente, ao elaborar sua teoria utilizando uma metodologia científica, passa a adquirir credibilidade como teoria científica moderna.
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