Prazer X realidade: uma teoria freudiana



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PRAZER X REALIDADE: UMA TEORIA FREUDIANA

Vamos fazer uma descrição resumida de um dos princípios básicos da teoria de Freud, o fundador da psicanálise. Você verá que para esse grande pensador do séc. XX “a civilização começa com a repressão”, já que somos regidos inconscientemente pelo princípio do prazer, que é limitado pelo princípio da realidade. E a realidade está no social, na vida dos indivíduos em grupos com suas normas e sansões.

Freud descreve como se desenvolve o eu em um ser humano. O recém nascido é incapaz de distinguir o seu eu do mundo externo, que ele percebe apenas como fonte de sensações que fluem constantemente. Em geral, a primeira percepção do mundo externo ocorre com a descoberta de que uma fonte vital e de prazer pode ser subtraída, reaparecendo com choro e grito. Essa fonte vital e de prazer é o seio da mãe, o primeiro objeto que concretiza a existência de algo externo ao indivíduo.

Outra função importante que forja o eu, levando-o a separar se da "massa geral de sensações", é o confronto entre o princípio do prazer - regido por conteúdos inconscientes - e o princípio da realidade - uma das forças motrizes de todo o desenvolvimento humano, com suas inevitáveis sensações de desprazer Pode-se resumir que o que limita o princípio do prazer é o princípio de realidade, com todas as suas normas sociais.

É pelo confronto entre esses dois princípios que começa a se diferenciar no indivíduo o eu, interior, do mundo externo. A introjeção do princípio da realidade irá estruturar todo o seu desenvolvimento posterior. O princípio de realidade, no seu confronto com o principio do prazer, irá capacitar o ser humano a construir , defesas que o protejam dos desprazeres de que o mundo externo o ameaça.

Freud identifica na relação do eu com os objetos existentes no mundo externo - principalmente com as sensações que estes objetos causam no mundo interno do indivíduo - um importante ponto de partida de distúrbios patológicos.

Freud considera que a liberdade do indivíduo não é um resultado da civilização. Ao contrário, a civilização está fundada exatamente na capacidade de, com seus mecanismos reguladores, restringir a liberdade individual. O homem se constitui, assim, como ser social, aprisionado a um dilema que parece insolúvel: enquanto no seu estado original de natureza o ser humano era totalmente livre de regras e padrões, essa liberdade tinha pouco valor, uma vez que todos os indivíduos ficavam vulneráveis e à mercê de seus semelhantes, sem as normas sociais reguladoras do comportamento.

Portanto, é a civilização que mantém a ordem social, mesmo ao elevado custo de restringir as liberdades individuais, muitas regidas pelo principio do prazer Freud identifica que, por conta da liberdade perdida, o ser humano estará permanentemente em conflito com a civilização, reconhecendo que cada revolução, cada impacto que a humanidade experimenta é uma tentativa de externalizar e superar esse conflito, essa inquietação. E é assim que a civilização evolui. Segundo Freud "o impulso de liberdade é dirigido contra formas e exigências especificas da civilização ou contra a civilização em geral. Não parece que qualquer influência possa induzir o homem a transformar sua natureza na de uma térmita. Indubitavelmente, ele sempre defenderá sua reivindicação à liberdade individual contra a vontade do grupo".



Com o seu agudo espírito investigativo, Freud desmistifica o papel do progresso científico e tecnológico como um fator imediato na construção da felicidade humana, segundo ele, principal propósito da vida. E identifica na civilização e na cultura, pelas regras e limitações que estas impõem aos homens, um impedimento à conquista da felicidade.

Quanto às relações sociais - classificadas por ele como um dos aspectos característicos da civilização - Freud define o primeiro momento da civilização como aquele em que se iniciou a regulação dos relacionamentos sociais. É esse:m momento da passagem do estado de natureza para o estado de sociedade. O elemento de civilização entra em cena com as primeiras tentativas dos indivíduos de regular seus relacionamentos sociais e, sem essa tentativa, os relacionamentos ficariam sujeitos à vontade arbitrária de cada indivíduo, ao princípio do prazer O homem fisicamente mais forte decidiria sempre no sentido de seus próprios interesses e impulsos instintivos, até encontrar outro mais forte que ele. (Fonte: FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Traduzido para o inglês por Joan Riviere, Londres, Hogarth, 1955.)


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