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PREFACIO A 3á EDI AO
Dizer que estamos em uma época de mudança e de instabilidade parece até redundância ou afirmação prosaica. Contudo, o que importa é que à medida que o ambiente se torna mais instável e turbulento - como é o que está acontecendo no mundo de hoje -, maior a necessidade de opções diferentes para a solução dos problemas e situações que se alternam e se difecenciam de maneira crescentemente diversa. À medida que o profissional que se dedica à Administração cresce e se desloca dos trabalhos meramente operacionais e orientados para o campo da ação e da operação - onde geralmente utiliza suas habilidades práticas e concretas de como fazer e executar cectas coisas de maneira correta e eficiente -, para atividades administrativas e orientadas para o campo do diagnóstico e da decisão - onde geralmente utiÌiza suas habilidades conceituais de sentir e de definir situações e equacionac estratégias de ação adequadas e eficazes para aquelas situações -, maior a necessidade de se fundamentar em conceitos, idéias, teorias e valores que lhe permitam a orientação e o balizamento do seu comportamento, o qual obviamente influenciará poderosamente o comportamento de todos aqueles que trabalham sob sua direção e orientação.

Neste sentido, a Teoria Geral da Administra ão é uma disciplina eminentemente orientadora do comportamento do profissional de Administração. Ao invés de se preocupar em ensinar a executar ou fazer certas eoisas - o como -, ela busca ensinar quais as coisas que devem ser feitas em determinadas circunstâncias ou ambientes - o porquê. A TGA não visa formar o profissional prático que sai da escola pronto e acabado para executar algumas coisas e tarefas, quaisquer que sejam as situações ou circunstâncias que o envolvam. Pelo contrário, a TGA procura ensinar o futuro profissional a pensar e, sobretudo, a raciocinar a partir de uma bagagem de conceitos e idéias que traz como ferramentas de trabalho. Aliás, o que diferencia o administrador de um simples executor de tarefas é exatamente o fato de que enquanto o segundò sabejazer e executar certas coisas que aprendeu mecanicamente (como desenhar organogramas e tluxogramas, compor orçamentos, opecar lançamentos e registros, montar previsões de vendas etc.), de maneira prática, concreta e imediatista, o primeiro sabe analisar e resolver situa ões problemáticas variadas e complexas, pois apcendeu a pensar,

X INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

Este livro, quase um manual introdutório, quase uma antologia pela sua própria natureza, é destinado tanto aos estudantes de Administraçâo, como àqueles que necessitam de uma base conceptual e teórica indispensável à prática administrativa.

Desejo externar meus sinceros agradecimentos às editoras Atlas, Livraria Pioneira Editora, Edgard Bliicher, Zahar Editores, Serviço de Publicações da Fundação Getúlio Vargas, Vozes, Livraria Freitas Bastos, Editora Pedagógica e Universitária, Livros Técnicos e Científicos, Artenova, e às editoras estrangeiras, pela permissão de fazer referências a textos e gráficos de autores e obras referidos neste trabalho.
Idalberto Chiavenato
SUMARIO
Parte 1:

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO


Capftulo l. A Administração e suas Perspectivas . 5

Conteúdo e objeto de estudo da Administração 6

O Estado Atual da Teoria Geral da Administração 9

A Administração na sociedade moderna 10

Perspectivas futuras da Administração 12

Sumário 14

Perguntas para revisão e discussão 14

Caso: Método do caso . . 14

Parte 2 :

OS PRIMÓRDIOS DA AD1\ YISTRAÇÃO


Capftulo 2. Antecedentes Históricos da Adnúnistração . . 21

Influência dos filósofos . 22

Influência da organização da Igreja Católica . . . . 24 .

Influência da organização militar . 24 '

Influência da Revolução Industrial . . . 25

Influência dos economistas liberais . . . 29

Sumário . 31

Perguntas para revisão e discussão . . . . 32

Parte 3 :

ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO


Origens da abordagem clássica 34
Capftulo 3. Ad istraçãoCientffica . 37

A obra de Taylor . . .

Administraçâo como ciência . . . 40

Organização racional do trabalho. . . . . . 41

Princípios da Administração Científ ica . 51

Apreciação crítica da Administração Científica . 55

Sumário . . . 62

Perguntas para revisão e discussão . . . . 63

Caso: Indústria Sâo Pedro, Autopeças S.A. . . . 68

Caso: Alfa S. A. . . . 68


Capftulo 4. Teoria Clásaica da Adntinistração . . . . . 70

A obra de Fayol . . . . . 71

Teoria da Organização

Elementos da Administração . . 80

Princípios de Adnúnistração . . 83

Apreciação crítica da Teoria Clássica . 84

Sumário

Perguntas para revisâo e discussão . .



Caso: Fundição Rio Negro . . . 90

Parte 4 :

Capftulo 5. Teoria das Relações Humanas . 96

Origens da Teoria das Relações Humanas . . . 97

A Experiência de Hawthorne

A civilização industrializada e o homem . . . . 106

Funções básicas da organizaçâo industrial . . . 108

Sumário . 110

Perguntas para revisão e discussão . . . 111

Caso: Helny S.A., Ind. e Com. de Embalagens Especiais . . . . 111

Caso : Construtora Imóbilis S A

. I 13
Capftulo 6. Decorrências da Teoria das Relações Humanas . . . . 116

Influência da motivaçâo humana . . . . I 17

I derança . . . . 124

Comunicações . 133

Organização informal . 136

Din mica de grupo . . 139

Apreciação crítica da Teoria das Relações Humanas . 144

Sumário . 154

Perguntas para revisão e discussão . . . 155

Caso: Produtos Alimentícios Ce este . 156
1 SUMARIO WII
Caso: Loja Independéncia . . 159

Caso: Cia. Regéncia de Roupas . . 161

P rte 5 :

ABORDAGEM NEOCLdSSICA DA ADMINISTRAÇA


Capítulo 7. Teoria Neo ica da Ad istração . . 166

Características principais da Teoria Neoclássica . . . 166

Àdministração como técnica social . 170

Centralização X descentralização . . . I 3

Funções do administrador . .

Sumário . . . 180

Perguntas para revisão e discussão . . 180

Caso: Textim S.A., Produtos Téxteis 18l

Caso: Detex . . I83
' Capítulo 8. Decorrén s da Abordagem Neocl ica; Tipos de 'zação . 185

Características básicas da organização formal 186

Organização linear . . . 192

Organização funcional 195

Organização linha-"staff" . . .

Comissões . . . . 199

Sumário . 207

211


Perguntas para revisão e discussão . . . 211

Caso: Cia. "Açotec" - Ind. e Com. de Aço . 212

Caso: Cia. Manufatureira K . 213

Caso: Cia. Montebelo . 215

Capítulo 9. Decorréncies da Abordagem Neoclássica: Departament o 2I7

Conceito de departamentalização . . .

217

Tipos de depactamentalização : 220



Departamentalização por funções . . 221 `

Departamentalização por produtos ou serviços 224

Departamentalização geográfica 228

Departamentalização por clientela . . . 230

Departamentalização por processo . . 231

Departamentalização por projetos . . . 232

Departamentalização por outros critérios . . . 235

Escolhas de alternativas de departamentalização . . . 235

Apreciação crítica da departamentalização . . 237

Sumário 238

Perguntas para revisão e discussão . . .

Caso: Empresa loly Móveis S.A 239


Capftulo 10. Administração por Objetivos (APO) . . 241

Origens da Administração por Objetivos . . . . 242

Características da APO . . 242

Fixação de objetivos . . . 246

Planejamento estratégico e planejamento tático . . . . . 250

Ciclo da APO . . 255

Desenvolvimento de executivos . . . . . . 259

Apreciação crítica da APO . . . 262

Sumário . . . . . . 265

Perguntas para revisão e discussão . . . . 267

Caso: Ferramentas Franco S.A . . 267

Parte 6 :

ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO
Capftulo 11. Modelo Buroaático de Organização . . . 275

Origens da Teoria da Burocracia . . . . . 276

Origens da Burocracia . . 277

Características da burocracia segundo Weber . . 282

Disfunções da burocracia . . . . 291

Interação da burocraeia com o ambiente . . . . 297

Graus de burocratização nas organizações . . . 300

Apreciação crítica da Teoria da Burocracia . . 305

Sumário . . . . . 313

Perguntas para revisão e discussão . . . 314

Caso: Ind. Mobilenha S.A. . . : 315

Caso: O Supervisor Henricão . . 316


Capítulo 12. Teoria Estruturalista da Administração . . . . . 319

Origens da Teoria Estruturalista . . . . 320

A sociedade de organizações . . 322

Análise das organizações . t . . 327

Tipologias das organizações . . 333

Objetivos organizacionais . . . . 337

Ambiente organizacional . . . . . 340

Con itos organizacionais . . . . . 340

Sátiras à organização . . . 346

Apreciação crítica do estruturalismo . . . 354

Sumário . . . . . . 357

Perguntas para revisão e discussão .. . . . . 358

Caso: Ind. de Calçados New York Ltda. . . . . 359
SUMARIO XV
Parte 7 :

ABORDAGEM COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO


Capítulo 13. Teoria Comportamental da Administração 364

Origens da Teoria Comportamental 365

Novas proposições sobre a motivação humana . . 366

Estilos de administração . 373

Sistemas de administração 377

Organização como um sistema social cooperativo 384

Processo decisorial 386

Homem administrativo. . . 391

Comportamento organizacional . . 392

Con lito entre os objetivos organizacionais e os objetivos individuais . 395

Apreciação crítica da Teoria Comportamental . . 397

Sumário . 402

Perguntas para revisão e discussão 403

Caso: Eletro Bimba S.A. . 404

Caso: Grupo XYZ 405

Caso : Euterpe Lt da 406


CapftWo 14. Teoria do Desenvolvimento Organizacional (D.O.) . . . . 408

Origens do D.O. 408

As mudanças e a organização . . . 414

O que é desenvolvimento organizacional . 422

O processo de D.O 427

Modelos de D.O. 428

Apreciação crítica do D.O 460

Sumário . 463

Perguntas para revisão e discussão 464

Caso: Engeconsult

465

Parte 8 :



ABORDAGEM SISTEMICA DA ADMINISTRAÇÃO
CapftWo 15. Cibernética e Administração . . . . 470

Origens da Cibernética . . 471

Principais conceitos da Cibernética . . . . 472

Conceito de entrada (input) . . . 478

Conceito de saída (output) . . . .

Conceito de caixa-negra (black box) . . . 479

Conceito de retroação (feedback) 480

Conceito de homeostasia 482

Conceito de informação . 483

Principais conseq éncias da Cibernética na Administração . . . . 488


Sumário . . . . . 489

Perguntas para revisão e discussão . . . . 490

Caso: Ind. Farmacêutica Remédio S.A. . . . . . 490


Capítulo l6. Teoria Matemática da Administração . . 493

Origens da Teoria Matemática na Administração . . . . 494

Processo decisorial . . . 494

Necessidade de modelos matemáticos em Administração . . . . 497

Pesquisa operacional . . . 498

Apreciação crítica da Teoria Matemática . . . . 505

Sumário . . . . . . 507

Perguntas para revisão e discussão . . . . 507

Caso: Cia. de Navegação do Rio São Francisco . . . . . 508
Capftulo 17. Teoria de Sistemas . . . . 512

Origens da Teoria de Sistemas . . 5 I 2

Conceito de sistemas . . 515

Parámetros dos sistemas . . . . . 518

O sistema aberto. . . . . 520

A organização como um sistema aberto . . . . 523

Modelos de organizações . . . . 527

Apreciação crítica da Teoria de Sistemas . . . 537

Sumário . 541

Perguntas para revisão e discussão . . . 542

Caso: INPEL - Ind. Nacional de Papéis S.A. . . 543

Parte 9 :

ABORDAGEM CONTINGENCIAL DA ADMINISTRAÇÃO
Capftulo l8. Teoria da Contingéncia . 551

Origens da Teoria da Contingência. .

. 552

Ambiente . . . . . . 557



Tecnologia . . . . 563

As organizaçdes e seus níveis . 573

Conclusdes . .

Apreciação crítica da Teoria da Contingência , 577

Sumário . 5 79

Perguntas para revisão e discussão . . . . 580

Caso: Cia. de Perfuradeiras Carneiro S.A. . . . . 580

Bibliograf'ia . .

Ìndioe Onomástico . .

Oe AnâlftiCO



PARTE l

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇAO

O mundo de hoje é uma sociedade composta de organizações. Todas as atividades voltadas para a produção de bens (produtos) ou para a prestaçâo de serviços (atividades especializadas) são planejadas, coordenadas, dirigidas e controladas dentro de organizações. Todas as organizaç s sgo constituídas de pessoas e de recursos não-humanos (como recursos físicos e materiais, recursos financeiros, reGursos tecnológicos, recursos mercadológicos etc.). A vida das pessoas depende das organizáções e estas dependem do trabalho daquelas. As pessoas nascem, crescem, aprendem, vivem, trabalham, se divertem, são tratadas e morrem dentro de organizações. As organizações sáo extremamente heterogêneas e diversificadas, de tamanhos diferentes, de características diferentes, de estruturas diferentes, de objetivos diferentes. Existem organizações lucrativas (chamadas empresas) e organizações não-lucrativas (como o Exército, a Igreja, os serviços públicos de natureza gratuita, as entidades filantrópicas etc.). A Teoria das Organizaçees (TO) é o campo do conhecimento humano que se ocupa do estudo das organizações em geral. Pelo seu tamanho e pela compiexidade de suas operações, as organizações guando ating m um certo porte precisam ser adr inistradas e a sua Qdministruçdo requer todo um aparato de pessoas estratificadas em diversos níveis hierárquicos que se ocupam de incumbências diferentes. A administração nada mais é do que a conduçÃo racional das atividades de uma organização, seja ela lucrativa ou não-lucrativa. A Administração trata do planejamento, da organização (estruturação), da direção e do controle de todas as atividades diferenciadas pela divisão de trabalho que ocorrem dentro de uma organização. Assim, a Administração é algo imprescindível para a existência, sobrevivência e sucesso das organizações. Sem a Administraçdo, as organizações jamais teriam condiçdes de existir e de crescer. A Teoria Geral da Administrução (TGA) é o campo do conhecimento humano que se ocupa do estudo da Administração em geral, não se preocupando onde ela seja aplicada, se nas organizaç es lucrativas (empresas) ou nas organizaçÕes não-lucrativas. A TGA trata do estudo da Administração das organizações.


INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
A Administração revela-se nos dias de hoje como uma das áreas do Conhecimento humano mais impregnadas de complexidades e de desafios. O profissional que utiliza a Administração como meio de vida, pode trabalhar nos mais variados níveis de uma organização: desde o nível hierárquico de supervisão elementar até o nível de dirigente máximo da organização. Pode trabalhar nas diversas especializações da Administração: seja a Administração da Produção (dos bens ou dos serviços prestados pela organização), ou a Administração Financeira, ou a Administração de Recursos Humanos, ou a Administração Mercadológica, ou ainda a Administração Geral. Em cada nível e em cada especialização da Administração, as situações são altamente diversificadas. Por outro lado, as organizações são também extremamente diversificadas e diferenciadas. Não há duas organizações iguais, assim como não existem duas pessoas idênticas. Cada organização tem os seus objetivos, o seu ramo de atividade, os seus dirigentes e o seu pessoal, os seus problemas internos e externos, o seu mercado, a sua situação financeira, a sua tecnologia, os seus recursos básicos, a sua ideologia e política de negócios etc.

Em ceda organização, poRTanto, o administrador soluciona problemas, dimensiona recursos, planeja sua aplicação, desenvolve estratégias, efetua diagnósticos de situaçoes etc., exclusivos daquela organização. Um administrador bem sucedido em uma organização pode não sE-lo em outra. Toda Vez que uma organização pretende admitir um executivo em seus quadros administrativos, os candidatos são submetidos a uma infinidade de testes e de entrevistas que procuram investigar em profundidade os seus conhecimentos, as suas características de personalidade, o seu passado profissional, a sua formação escolar, os seus antecedentes morais, o sEu sucEsso ou fracasso em detErminadas atividades E outras coisas mais. talvez até a sua situação conjugAl ou sua estabilidadE emocional. Isto porquE o executivo dificilmente pode ser transferido de uma organização pAra outra sEm que algum problema de adaptação deixe de ocorrer. Mesmo que o executivo tenha profundos conhEcimentos de Administração e apresente um invEjável currIculo profissional, ele não é julgado pElo que sabE a respEito das funçõEs quE exercE Em sua especialidade, mas simples maneira com que execute o seu trAbALho E os rEsultAdos quE consEguE obtEr dos recursos disponíveis. Levitt , professor de Administração de Harvard BusinEss School, chEga e rEfutar a existência do "administrAdor Em prOFIssionAl", porquE, enquanto um advogAdo ou um médico são considErAdos profISsionais porque passaram num teste de conhecimEntos acErcA dE suas profIssões, o mEsmo não acontEce com o administrador, cujo conhecimento é apenas um dos múltiplos aspectos nA avaliação dE sua capAcitação profissional. Ele não é apenas Analisado Pelas organizaçÕEs, por sEus conhEcimentos tEcnológicos de Administração, mas, principalmente, por seu modo de agir, suas atitudes, personAlidade e filosofia de trabalho. Segundo Levitt, a finalidade é verificar se essAs quAlidadEs sE coNdIGam com os novos padrões, com a situação da empresa e o pEssoal que vai trabalhar com ELE, pois não ExistE uma única maneira cErta de um Administrador agir ou se conduzir. O que Existe são maneiras corretas de executar determinadas tarefas em certas empresas, em condições específicas, por dirigentes de temperamentos diversos e modos de agir próprios. Aliás, Levitt lembre a lei de indeterminação de Heisenberg, pela qual o processo de se observar um fenômeno altera esse fenômeno. Se na Física a observação dos átomos equivale a alterar a posição e VelOCidade destes, na administração de uma organização simplesmente a presença de um profissional cm uma determinada função afeta e modifica essa função, independentemente do que seja realizado. A presença de outro profissional produziria outra alteração. Além do mais, se a modificação ocorre, a maneira de agir deve ser e acaba sendo diferentes.

Assim, a conclusão óbvia é a de que Administração não é coisa mecânica que dependa de certos hábitos físicos que devem ser superados ou corrigidos a fim de se obter o comportamento correto. Pode-se ensinar o que um administrador deve fazer, mas isto não o capacitará efetivamente a fazê-lo em todas as organizações. O sucesso de um administrador na vida profissional não está inteiramente correlacionado com aquilo que lhe foi ensinado, com o seu brilhantismo acadêmico ou com o seu interesse pessoal em praticar o que lhe foi ensinado nas escolas. Esses aspectos são importantes, porém estão condicionados a características de personalidade ao modo pessoal de agir de cada um. O conhecimento tecnológico da Administração é importantíssimo, básico e indispensável, mas depende sobretudo da personalidade e do modo de agir do administrador.

Há pelo menos três tipos de habilidades necessárias para que o administrador possa executar eficazmente o processo administrativo: a habilidade técnica; a humana e a conceitual':

Habilidade técnica: consiste em utilizar conhecimentos, métodos, técnicas e equipamentos necessários para a realização de suas tarefas especificas, através de sua instrução, experiência e educação.

Habilidade humana: consiste na capacidade e discernimento para trabalhar com pessoas, compreender suas atitudes e motivaç8es e aplicar uma liderança eficaz.

Habilidade conceitual: consiste na habilidade para compreender as complexidades da organização global e o ajustamento do comportamento da pessoa dentro da organização. Esta habilidade permite que a pessoa se comporte de acordo com os objetivos da organização total e não apenas de acordo com os objetivos e as necessidades de seu grupo imediato.

A adequada combinação dessas habilidades varia à medida que um indivíduo sobe na escala hierárquica, de posições de supervisão a posições de alta direção'.


Níveis

administrativos Habilidades necessárias


Alta

direção


Administração

de nível


intermediário

Administração

de nível

de supervisão

HABILIDADES ADMINISTRATIVAS NECESSÁRIAS EM VARIOS

NíVEIS DA ORGANIZAÇÃO COMERCIAL OU INDUSTRIAL

INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
À medida que se sobe dos níveis inferiores a níveis mais elevados da organização, diminui a necessidade de habilidades técnicas, enquanto aumenta a necessidade de habilidade conceitual. Nos níveis inferiores, os supervisores precisam de considerável habilidade técnica para poder instruir e formar técnicos e demais subordinados. Nos níveis mais altos, os executivos não precisam conhecer em detalhes as tarefas específicas executadas no nível operacional. Embora varie a proporção das habilidades técnicas e conceituais necessárias aos diferentes níveis da organização, o denominador comum aparentemente crucial em todos os níveis é a habilidade conceitual.

A TGA se propõe a desenvolver a habilidade conceitual, embora não deixe totalmente de lado as habilidades humanas e técnicas. Em outros termos, se propõe a desenvolver a capacidade de pensar, de definir situações organizacionais (ou empresariais) complexas, de diagnosticar e de propor soluções. As aplicações práticas da TGA serão desenvolvidas através das diferentes disciplinas especializadas da Administração.



CAPÍTULÒ 1




A ADMINISTRAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS

Objetivos deste Capitulo

Definir o que é Administração e o que é TGA.

Mostrar a importância da Administração nos dias atuais e como ela se tornou uma atividade imprescindível na condução da moderna sociedade.

Explorar o conteúdo e objeto do estudo da Administração.

Projetar as perspectivas futuras da Administração e a crescente complexidade do seu papel na sociedade moderna.


Numa época de complexidades, mudanças e incertezas como a que atravessamos hoje, a Administração tornou-se uma das mais importantes áreas de atividade humana. Vivemos em uma civilização onde o esforço cooperativo do homem é a base fundamental da sociedade. A tarefa básica da Administração é a de fazer as coisas através das pessoas. Seja nas indústrias, no comércio, nas organizações de serviços públicos, nos hospitais, nas universidades, nas instituições militares ou em qualquer outra forma de empreendimento humano, a eficácia com que as pessoas trabalham em conjunto para conseguir objetivos comuns depende principalmente da capacidade daqueles que exercem função administrativa. O avanço tecnológico e o desenvolvimento do conhecimento humano, por si apenas, não produzem efeitos se a qualidade da administração efetuada sobre os grupos organizados de pessoas não permitir uma aplicação efetiva desses recursos humanos. A Administração, com suas novas concepções, como veremos adiante, está sendo considerada uma das principais chaves para a solução dos mais graves problemas que afligem atualmente o mundo moderno.

Peter Drucker , autor nitidamente neoclássico, afirma que não existem países desenvolvidos e países subdesenvolvidos, mas sim países que sabem administrar a tecnologia existente e seus recursos disponíveis e potenciais e países que ainda não o sabem. Em outros termos existem é países administrados e países subadministrados.

O trabalho do administrador em uma organização qualquer, seja ele um supervisor de primeira linha ou o dirigente mínimo da organização, E essencialmente o mesmo. Não há, neste sentido, uma distinção básica entre diretores, gerentes, chefes ou supervisores, como administradores. Qualquer que seja a posição ou o nível que ocupe o administrador, quando tem responsabilidade pela cooperação dos subordinados, só pode alcançar resultados através da efetiva cooperação dos subordinados. Essa tarefa envolve a aplicação de princípios bem diferentes daqueles aplicados pelo técnico de contabilidade, pelo economista, pelo vendedor ou pelo engenheiro, no exercício de suas ocupações. Embora a tarefa que cabe ao administrador possa variar infinitamente, embora um dirigente máximo de uma organização possa ter uma área de autoridade muito mais ampla e elevada do que aquela que tem o supervisor de nível mais baixo, o fato permanece, isto é, todos os que obtém resultados através do desempenho dos subordinados subscrevem basicamente as mesmas funções como administrador.

A tarefa de administrar se aplica a qualquer tipo ou tamanho de organização, seja ela uma grande indústria, uma cadeia de supermercados, uma escola, um clube, um hospital ou uma empresa de consultoria.

Toda organização, seja ela industrial ou prestadora de qualquer tipo de serviço, precisa ser administrada adequadamente para alcançar os seus objetivos com a maior eficiência e economia de ação e de recursos. Devido às suas limitações físicas, biológicas e psíquicas, o homem tem necessidade de cooperar com outros homens para, em conjunto alcançar objetivos. Quer sejam esses objetivos industriais, comerciais, militares, religiosos caritativos, educacionais; a coordenação do esforço humano torna-se um problema essencialmente administrativo. Onde quer que a cooperação de indivíduos no sentido de alcançar um ou mais objetivos comuns se torne organizada e formal, o componente essencial e fundamental dessas associações E a Administração a função de se conseguir fazer as coisas através das pessoas, com os melhores resultados.

Somente a partir do momento em que as organizaç8rs alcançaram um certo tamanho e complexidade E que a sua administração começou a apresentar dificuldades e desafios atE então intransponíveis para os seus dirigentes. Foi nesse momento que surgiu uma crescente necessidade de uma Teoria da Administração que permitisse oferecer aos dirigentes das organizaç8es os modelos e as estratégias adequadas para a solução dos seus problemas empresariais.



CONTEÚDO E OBJETO DE ESTUDO DA ADMINISTRAÇÃO

A palavra administração vem do latim ad (direção para, tendência para) e minister (subordinação ou obediência), e significa aquele que realiza uma função abaixo do comando de outrem, isto é, aquele que presta um serviço a outro. No entanto, a palavra administração sofreu uma radical transformação no seu significado original. A tarefa atual da Administração é a de interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional através do planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os niveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos da maneira mais adequada à situação.

O significado e o conteúdo da Administração sofreram uma formidável ampliação e aprofundamento através das diferentes teorias que abordaremos neste livro. O próprio conteúdo do estudo da Administração varia enormemente de acordo com a teoria ou escola considerada. Normalmente, cada autor ou estudioso da Administração tende a abordar as variáveis e assuntos típicos da orientação teórica de sua escola ou teoria. Aliás, uma das razões que nos levou a escrever este livro foi exatamente a necessidade de abordarmos as principais Teorias da Administração, os seus respectivos assuntos e conteúdo. Com isto, pretendemos apresentar, n o especificamente a abordagem e conteúdo de uma única corrente com o agravante de desconhecermos as demais, mas uma visão ampla, simplificada, comparativa e, sobretudo, crítica de cada teoria da Administração.

A Teoria Geral da Administração começou com o que chamaremos de "ênfase nas tarefas" (atividades executadas pelos operários em uma fábrica), com a Administração Científica de Taylor. A seguir, a reocupação básica passou para a "ênfase na estrutura" com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria Estruturalista da Administração. A reação humanística surgiu com a "ênfase nas pessoas", através da Teoria.das Relações Humanas, mais tarde desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do desenvolvimento Organizacional. A "ênfase no ambiente" surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da Contingência. Esta, posteriormente, desenvolveu a "ênfase na tecnologia". Cada uma dessas cinco variáveis - tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia - provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA.

Cada teoria administrativa procurou privilegiar ou enfatizar uma dessas cinco variáveis, omitindo ou relegando a um plano secundário todas as demais.

A ADMINISTRAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS




O ESTADO ATUAL DA TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO

Com as rápidas pinceladas a respeito dos gradativos passos da TGA, procuramos demonstrar o efeito cumulativo e gradativamente abrangente das diversas teóricas com suas diferentes contribuições e diferentes enfoques. Todas as teorias administrativas apresentadas são válidas, embora cada qual valorize apenas uma ou algumas das cinco variáveis básicas. Na realidade, cada teoria administrativa surgiu como uma resposta aos problemas empresariais mais relevantes de sua época. E, neste aspecto, todas elas foram bem sucedidas ao apresentarem soluções específicas para tais problemas. De certo modo, todas as teorias administrativas são aplicáveis às situações de hoje. E o administrador precisa conhecê-las bem para ter à sua disposição um naipe de alternativas interessantes para cada situação. A moderna indústria automobilística utiliza em suas linhas de montagens os mesmos princípios da Administração Científica, em sua estrutura organizacional os mesmos princípios da Teoria Clássica e Neoclássica. A sua organização empresarial como um todo pode ser explicada pela Teoria da Burocracia. Seus supervisores são pregados segundo a abordagem da Teoria das Relações Humanas, enquanto os gerentes se preocupam com a Teoria do Comportamento Organizacional, e os dirigentes da área de recursos humanos, com a Teoria do desenvolvimento Organizacional. As relações desse tipo de empresa com a sua comunidade são consideradas sob o prisma da Teoria Estruturalista e Neo-esiruturalistu e da Teoria da Contingência. Sua inter-face com a tecnologia é explicada pela Teoria da Contingência. O estado atual da TGA é bastante complexo: ela permite uma variedade enorme de abordagens a respeito de seu objeto de estudo e engloba um enorme leque de variáveis que devem ser levadas em consideração.

Hoje em dia, a TGA estuda a Administração das expressas e demais tipos de organização do ponto de vista da interação e interdependência entre as cinco variáveis principais, cada qual objeto específico de estudo por parte de uma ou mais correntes da teoria administrativa. As cinco variáveis básicas: tarefa, estrutura, tecnologia e ambiente constituem os principais componentes no estudo da Administração das empresas. O comportamento desses componentes é sistêmico e complexo: cada qual influencia e é influenciado pelos outros componentes. Modificações em um provocam modificações em maior ou menor grau nos demais. O comportamento do conjunto desses componentes é diferente da soma dos comportamentos de cada componente considerado isoladamente.

Na realidade, a adequação entre essas cinco variáveis constitui o principal desafio da administração. Ao nível de uma subunidade especializada (p. ex., um departamento, uma divisão, uma seção), algumas dessas variáveis podem assumir papel preponderante.

Devido à crescente importância da Administração e devido aos novos e complexos desafios com que ela se defronta, os autores e pesquisadores têm se concentrado em algumas partes ou em algumas variáveis isoladas do enorme contexto de variáveis que intervêm - cada qual com sua natureza, seu impacto, sua duração, sua importância etc: - na estrutura e no comportamento das organizações que dificultam enormemente sua visão global: À medida que a Administração se defronta com novos desafios e novas situações que se desenvolvem com o decorrer do tempo, as doutrinas e teorias administrativas precisam adaptar suas abordagens ou modificá-las completamente para continuarem úteis e aplicáveis. Isto explica, em parte, os gradativos passos da TGA no decorrer deste século. O resultado disso tudo é a gradativa abrangência e complexidade que acabamos de discuti-los.

O leitor notará que para a Teoria Clássica - em seu pioneirismo na história da Administração - o conteúdo do estudo da Administração eram os métodos e processo de trabalho de cada operário, inicialmente. Em algumas décadas esse conteúdo foi gradativamente se elevando em nível e em amplitude organizacional até chegar, com a Teoria da Contingência, àquilo que está mais fora do que dentro da organização: o seu contexto ambiental. A teoria administrativa vem se expandindo e se ampliando rapidamente, levando o estudante de Administração a uma dificuldade enorme de se familiarizar, mesmo que superficialmente, com alguma amostra representativa da literatura existente sobre Administração.

O objeto de estudo da Administração sempre foi a ação organizacional inicialmente entendida como um conjunto de cargos e tarefas, mais além como um conjunto de órgãos e funções, desdobrando-se posteriormente em uma complexa gama de variáveis até chegar à concepção de sistema. As mais recentes teorias administrativas têm por objeto o estudo da organização como um sistema composto d e subsistemas que interagem entre si e com o ambiente externo. Obviamente, o objeto de estudo da Administração sofreu uma ampliação enorme ao mesmo tempo em que se apresentou com uma quantidade enorme de variáveis importantes para a sua compreensão.

A ADMINISTRAÇÃO NA SOCIEDADÉ MODERNA

Muito embora a Administração seja uma disciplina relativamente nova, o seu desenvolvimento foi muito rápido. A própria história do pensamento administrativo proporciona uma perspectiva das contribuições e dos problemas e situações com que se defrontou no correr destas últimas sete décadas no mundo industrial.


A ADMINISTRAÇÃO E SUAS PERSPECTIVAS
A Administração é um fenômeno universal no mundo moderno. Cada organização e cada empresa requer a tomada de decisões, a coordenação de múltiplas atividades, a condução de pessoas, a avaliação do desempenho dirigido a objetivos previamente determinados, a obtenção e alocação de diferentes recursos etc. Numerosas atividades administrativas desempenhadas por diversos administradores, voltadas para tipos específicos de áreas e de problemas, precisam ser realizadas em cada organização ou empresa. O profissional pode ser um engenheiro, um economista, um contabilista, um médico etc. e precisa conhecer profundamente a sua especialidade. Mas, no momento em que é promovido em sua empresa a supervisor, chefe, gerente ou diretor, exatamente a partir desse momento, ele deve ser administrador. Precisa então dedicar-se a uma série de responsabilidades que lhe exigirão conhecimentos e posturas completamente novos e diferentes que a sua especialidade não lhe ensinou em momento algum. Daí o caráter eminentemente universal da Administração: cada empresa, necessita não de um administrador apenas, mas de uma equipe de administradores em vários níveis e nas suas várias áreas e funções para levarem adiante as diversas especialidades dentro de um conjunto integrado e harmonioso de esforços em direção aos objetivos da empresa. É isto o que leva muitos profissionais de nível superior a retornarem mais tarde aos bancos universitários para cursarem Administração: quando são promovidos do nível operacional onde, executam suas especialidades para o nível intermediário, eles deixam de ser engenheiros, economistas, contabilistas, médicos etc. para se tornarem administradores. Como o administrador não é executor, mas o responsável pelo trabalho dos outros, ele não pode se dar ao luxo de errar ou de arriscar apelando para estratagemas de ensaio-e-erro, já que isto implicaria conduzir seus subordinados pelo eaminho menos indicado. O administrador é um profissional cuja formação é extremamente ampla e variada: precisa conhecer disciplina heterogêneas (como Matemática, Direito, Psicologia, Sociologia, Estatística etc.); precisa lidar com pessoas (que executam tarefas ou que planejam, organizam, controlam; assessoram, pesquisam etc.) que lhe estão subordinadas ou que estão no mesmo nível ou acima dele; ele precisa estar atento aos eventos passados e presentes, bem como às previsões futuras, pois o seu horizonte deve ser mais amplo, já que ele é o responsável pela direção de outras pessoas que, seguem as suas ordens e orientação; precisa lidar com eventos internos (localizados dentro da empresa) e externos (localizados no ambiente de tarefa e no ambiente geral que envolve externamente a empresa); precisa ver mais longe que os outros pois deve estar ligado aos objetivos que a empresa pretende alcançar através da atividade conjunta de todos. Não que o administrador seja um herói que pretendamos consagrar, mas é ele um agente de mudança e de transformação das empresas, levando-as a novos rumos, novos processos, novos objetivos, novas estratégias, novas tecnologias; é ele um agente educador no sentido de que, os sua direção e orientação, modifica comportamentos e atitudes das pessoas; é ele um agente cultural na medida em que, com o seu estilo de Administração, modifica á cultura organizacional existente nas empresas. Mais do que isso, o administrador deixa marcas profundas na vida das pessoas, à medida que lida com elas e com seus destinos dentro das empresas e à medida que sua atuação na empresa influi no comportamento dos consumidores, fornecedores, concorrentes e demais organizações humanas.

A Administração tornou-se tão importante quanto o próprio trabalho a ser executado, conforme este se foi especializando e a escala de operações crescendo assustadoramente. A Administração não é um fim em si mesma, mas um meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da melhor forma possível, com o menor custo e com a maior eficiência e eficácia.

Estes conceitos serão discutidos mais adiante.

PERSPECTIVAS FUTURAS DA ADMINISTRAÇÃO

Recentemente, Warren G. Bennis' fez uma previsão de que nos próximos 25 a 50 anos o mundo verá o fim da forma organizacional de hoje (a organização burocrática) e o surgimento de novos sistemas mais adequados às demandas da pós-industrialização. Essa previsão se baseia no princípio evolucionário de que cada idade desenvolve uma forma organizacional apropriada às suas características. Bennis salienta que as fraquezas da organização burocrática serão exatamente os germes dos futuros sistemas organizacionais.

Bennis reféresse:

1. Às mudanças rápidas e inesperadas, principalmente no campo do conhecimento e da explosão populacional, impondo novas e crescentes necessidades a que as atuais organizaç8es não têm condições de atender.

2. Ao crescimento em tamanho das organizaç8es, que se tornam complexas e internacionais.

3. Às atividades de hoje, que exigem pessoas de competências diversas e altamente especializadas, envolvendo problemas de coordenação e, principalmente, de acompanhamento das rápidas mudanças.


A tarefa administrativa nas próximas décadas será incerta e desafiadora, pois deverá ser atingida por um sem-número de variáveis e de mudanças e transformações carregadas de ambigüidades e de incertezas. O administrador se defrontará com problemas multifacetados e cada vez mais diferentes e mais complexos do que os anteriores, e sua atenção será disputada por eventos e por grupos situados dentro e fora da empresa que lhe proporcionarão informações contraditórias que complicarão o seu diagnóstico perceptivo e a sua visão dos problemas a resolver ou das situações a enfrentar: são as exigências da sociedade, dos clientes, dos fornecedores, das agências regulamentadoras, são os desafios dos concorrentes, as expectativas da alta administração, dos subordinados, dos acionistas etc. Porém, todas essas exigências, desafios e expectativas sofrem profundas mudanças que ultrapassam a capacidade que o administrador tem para poder acompanhá-las de perto e compreendê-las adequadamente. Essas mudanças tendem aumentar, em face da inclusão de outras novas variáveis, à medida que o processo se desenvolve criando uma turbulência que perturba e complica a tarefa administrativa de planejar, organizar, dirigir e controlar uma empresa eficiente e eficaz. Basil e Cook se referem à necessidade de funções administrativas voláteis e transitórias para que o administrador possa enfrentar essa turbulência: enquanto todos os indivíduos rotinizam grande parte de seu comportamento para simplificar o processo da vida diária, existem numerosas mudanças no meio ambiente que ficam completamente fora dos limites normais do comportamento condicionado. E o futuro parece complicar essa realidade. Inúmeros fatores causarão profundos impactos sobre as empresas.

Nas próximas décadas, os principais desafios para a Administração serão os seguintes:

1. Crescimento dos organizações as organizações bem sucedidas tendem ao crescimento e à ampliação de suas atividades, seja no crescimento em termos de tamanho e de recursos, seja na expansão de seus mercados, seja no volume de suas operações. O crescimento é uma decorrência inevitável do êxito organizacional.

À medida que uma organização cresce, ocorre uma conseqüente subdivisão intern (divisão do trabalho) e especialização dos órgãos e das pessoas e, em decorrência, uma maior necessidade de coordenação e integração das partes envolvidas para garantir a eficiência e eficácia. Como. o mundo externo é caracterizado por mudanças rápidas e inesperadas, a organização do futuro deverá ter uma estrutura e comportamento capazes de mudanças rápidas e freqüentes para acompanhar com sucesso as mudanças do mundo. Nestas circunstâncias, os administradores "generalistas" e dotados de habilidades genéricas e variadas terão perspectivas mais promissoras do que os administradores "especialistas" e concentrados em poucas habilidades gerenciais.

2. Conforme diriam alguns: à medida que aumentam os mercados e os negócios, crescem também os riscos na atividade organizacional e, principalmente, na atividade empresarial. O produto ou serviço que demonstre ser superior ou melhor será o mais procurado. O desenvolvimento de tal produto ou serviço exigirá maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento, aperfeiçoamento das tecnologias, dissolução de velhos e criação de novos departamentos e diversos, busca incessante de novos mercados e a necessidade de lutar contra outras organizações, concorrendo com elas para sobreviver e crescer.

3. Sofisticação da tecnologia: com o progresso das comunicações, do computador e do transporte a jato, as organizações e empresas estão internacionalizando suas operações e atividades. A tecnologia proporcionará uma eficiência maior, uma precisão maior e a liberação da atividade humana para tarefas mais complicadas e que exijam planejamento e criatividade.

A tecnologia introduzirá novos processos e novos instrumentos que causarão impactos sobre a estrutura e comportamento das organizações.

4. Taxas elevadas de inflação: os custos de energia, de matérias-primas, de mão-de-obra, do dinheiro estão se elevando continuamente. A inflação exigirá, cada vez mais, maior eficiência da administração das organizações e empresas, para que estas possam obter melhores resultados com os recursos disponíveis e programas de redução de custos operacionais. A inflação imporá fatalmente novas pressões e ameaças sobre as organizações lucrativas: estas deverão lutar pelo lucro e pela sobrevivência através da procura de maior produtividade.

5. Internacionalização dos negócios' o esforço de exportação, a criação de novas subsidiárias, para deitar raízes em outros territórios estrangeiros, é um fenômeno recente ocorrido após as duas guerras mundiais e que influenciará as organizações do futuro e a sua administração.

6. Visibilidade maior das organizações: enquanto crescem, as organizações tornam-se mais competitivas, mais sofisticadas tecnologicamente, internacionalizam-se mais e, com isto, aumentam sua influência ambiental. Em outros termos, gradativamente as organizações chamam mais a atenção do ambiente e do público e passam a ser mais visíveis e percebidas pela opinião pública. A visibilidade da organização - a sua capacidade de chamar a atenção dos outros - pode ocorrer de maneira positiva (imagem positiva dá organização perante o público) ou de maneira negativa (imagem negativa). Ik qualquer forma, a organização jamais será ignorada pelos outros: consumidores, fornecedores, imprensa, sindicatos, governo etc.

E isto influenciará o seu comportamento.
Todos esses desafios trarão obrigatoriamente uma conseqüência para a administração das organizações e empresas: a administração da incerteza. As mudanças rápidas e bruscas, o crescimento organizacional, a concorrência das demais organizações e empresas, o desenvolvimento tecnológico, os fenômenos econômicos da inflação, a internacionalização das atividades, a visibilidade e interferência da opinião pública farão com que as organizações do futuro (e desta década de 80) passem a lidar, não mais com a previsibilidade, continuidade e estabilidade, mas com a imprevisibilidade, descontinuidade e instabilidade em todos os setores de atividade. Novas formas e modelos de organização serão necessários, e uma nova mentalidade dos administradores, imprescindível.
INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
SUMÁRIO
1. A Administração constitui uma importante atividade em uma sociedade pluralista que se baseia no esforço cooperativo do homem através das organizações.

2. A tarefa básica da Administração é fazer as coisas através das pessoas, com os melhores resultados. Em qualquer tipo de organização humana, busca-se o alcance de determinados objetivos com eficiência e eficácia. A Administração dirige o esforço dos grupos organizados.

3. O conteúdo da Administração varia conforme a teoria considerada: para a Administração Científica eram os métodos e processos de trabalho de cada operário; para a Teoria Clássica da Administração, a Administração envolve previsão, organização, direção, coordenação e controle do trabalho realizado em toda a organização; para a Teoria das Relações Humanas, a Administração deve buscar os melhores resultados através de condições que permitam a integração das pessoas nos grupos sociais e a satisfação das necessidades individuais.

4. O objeto da Administração é a própria atividade organizacional. Inicialmente, o objeto da Administração era simplesmente a atividade fabril; depois estendeu-se às empresas industriais e, mais adiante, a todo tipo de organização humana, passando gradativamente a envolver também o intercâmbio entre as organizações e seus ambientes.

5. A Administra ão na sociedade moderna tornou-se vital e indispensável. Em uma sociedade de organizações, onde a complexidade e a interdependência das organizações são o aspecto crucial, a Administração avulta como o fator-chave tanto para a melhoria da qualidade de vida como para a solução dos problemas mais complexos que afligem a humanidade de hoje.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E DISCUSSÃO

l. Quais as habilidades necessárias ao administrador, tendo em vista a variedade de situações com que se defronta?

2. Qual o objeto de estudo da Administração?

3. Comente o estado atual da TGA.

4. O que diz sobre a Administração na sociedade moderna?

5. Quais os principais desafios para a Administração na década de 80?


CASO

Método do Caso


O método do caso é uma técnica de simulação. Como o aluno não pode manipular experimentalmente uma empresa - da mesma forma como um estudante de Medicina aprende fazer cirurgia em cadáveres, ou o estudante de Engenharia aprende a fazer reações químicas ou físicas no laboratório -, o método do caso procura simular uma realidade fictícia, na qual o aluno pode aplicar seus conhecimentos "na prática". Como o administrador nunca trabalha sozinho, mas em contato com outros administradores encarregados de outras áreas ou tarefas da empresa, o método do caso é uma técnica que tanto pode ser aplicada individualmente ou em grupos de alunos. Quando aplicada individualmente, é uma técnica de resolução de problemas e de tomada de decisão pessoal. Mas, quando aplicada em grupos, torna-se uma técnica eminentemente social e que requer de cada aluno a exata compreensão do problema e, mais do que isso, o conhecimento necessário e a argumentação suficiente para convencer seus colegas de grupo de que seus pontos de vista devem ser aceitos. Além do mais, o método do caso impõe a cada aluno tanto a habilidade de argumentar, como a capacidade de aceitar idéias melhores de seus colegas. É um aprendizado que lhe será útil na vida profissional, pois desenvolverá suas habilidades sociais que lhe permitirão uma proveitosa bagagem para conviver com os problemas e com os colegas de sua empresa no futuro.

O método do caso se baseia no processo decisória. Parte do princípio de que existe sempre mais de uma solução adequada para qualquer problema em Administração de empresas. A solução que um administrador propõe poderá ser diferente da de outro. Igualmente, o mesmo administrador poderá propor diferentes soluções para o mesmo problema, tendo em vista determinados objetivos e à medida que mudam os recursos disponíveis, a situação ambiental ou os aspectos envolvidos. Dificilmente haverá um completo acordo entre administradores em relação a determinadas soluções, já que cada um pode perceber diferentes configurações no problema, partir de diferentes valores e objetivos, privilegiar determinados aspectos envolvidos no problema, visualizar diferentes conseqüências futuras de suas decisões, e assim por diante.

O método do caso, quando aplicado em grupos, requer que cada grupo escolha um coordenador que deverá ser o elemento capaz de fazer o grupo trabalhar em conjunto. O coordenador deve equilibrar a contribuição dos membros do seu grupo, de modo que todos possam contribuir igualmente com suas idéias e pontos de vista e impedir que um ou outro membro tenha exclusividade ou predomine sobre os demais; deverá escolher um secretário ou secretária para fazer todas as anotações principais a respeito das conclusões do grupo.

Terminado o trabalho, o coordenador deverá escolher um membro do grupo para apresentar à classe ou aos outros grupos as conclusões do seu grupo. O apresentador poderá ser um ou mais membros, e a utilização de recursos audiovisuais (lousa, painéis, quadros etc.) é recomendável para auxiliar na apresentação.

O método do caso segue as seguintes etapas:
1. Leia o caso cuidadosamente. O caso relatado é geralmente colhido da vida real. Pode incluir fatos e opiniões disparatadas que podem esconder ou camuflar fatos que realmente ocorreram.

2. Reúna os fatos. É conveniente coletar os principais fatos por escrito, para não confiar exclusivamente na memória. Se parecer conveniente considerar também as opiniões, rumores ou sentimentos, disponha-os juntamente com os fatos objetivos, mas reconheça-os como elementos subjetivos. No final, verifique se todos os fatos principais do caso estão reunidos.

3. Avalie os fatos. determine a importância relativa dos fatos reunidos e abandone os que não têm relevância para o caso. É conveniente indicar quais os fatos mais importantes e os de menor importância, através de um sistema de sinais ou indicadores.

4. 0ej na o problema. Esta costuma ser à parte mais difícil do caso. Assegure-se de que compreendeu o qual e de que conseguiu equacionar o problema e quais as conseqüências que dele poderia resultar. Tome cuidado, pois uma definição errada do problema poderá conduzi-lo a caminhos muito diferentes.

5 , Estabeleça alternativas de soluções para o problema. Não busque uma solução rápida, mas diversas soluções diferentes fundamentadas em atos. É conveniente escrever todas as alternativas de soluções e suas possíveis conseqüências no presente e no futuro da empresa.

6. Escolha a alternativa de solução mais adequada. Em outros termos, tome um decisão que ha a alternativa melhor ou mais adequada, levando em conta a situaçãào envolvida.

A - Se sabe por que escolheu esta solução. Verifique se sua decisão se apóia em seus próprios preconceitos, sentimentos ou experiência ou se baseia exclusivamente nos fatos apresentados no caso.

Prepare um plano de ação. À luz dos fatos, prepare um plano para executar a solução escolhida. Considere á empresa como uma totalidade e o envolvimento de outros departamentos, se o caso abranger. Procure ser didático na exposição aos demais colegas da classe.

Todas estas etapas deverão ser cumpridas em conjunto, sede que for trabalhado em equipe não haja perda de grupos. O coordenador deverá conduzir os debates no sentido tempo ou discussões inúteis.no seu grupo.



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