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CAPÍTULO 2


ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA ADMINISTRAÇÃO


Objetivos deste capítulo
Mostrar a histórica e incipiente preocupação com a Administração durante a Antigüidade até o século passado.

Alinhar a influência dos filósofos, da organização eclesiástica, da organização militar e dos economistas liberais no pensamento administrativo e nas formas de organização e Administração existentes no passado.

Mostrar a influência da Revolução Industrial e como ela preparou o terreno onde vicejariam as primeiras tentativas de se construir uma Ciência da Administração.
Em toda a sua longa história até o início do século XX, a Administração se desenvolveu com uma lentidão impressionante. Somente a partir deste século passou por fases de desenvolvimento de notável pujança e inovação. Enquanto nos dias de hoje a sociedade da maioria dos países desenvolvidos é uma sociedade pluralista de organizações, onde a maior parte das obrigações sociais (como a produção, a prestação de um serviço especializado de educação ou de atendimento hospitalar, a garantia da defesa nacional ou a preservação do meio ambiente) é confiada a organizações (como indústrias, universidades e escolas, hospitais, exército, organizações de serviços públicos) que são administradas por grupos diretivos próprios para poderem se tornar mais eficazes, no final do século passado a sociedade era completamente diferente. Há 80 anos atrás, as organizações eram poucas e pequenas: predominavam ás pequenas oficinas, os artesãos independentes, as pequenas escolas, os profissionais autônomos (como os médicos, os advogados que trabãlhavam por conta própria), o lavrador, o armazém da esquina etc. Apesar de sempre ter existido o trabalho na história da humanidade, a história das organizações e da sua administração é um capítulo que teve o seu início há muito pouco tempo.
INFLUÊNCIA DOS FILÓSOFOS
A Administração recebeu enorme influência da Filosofia, desde os tempos da Antigüidade.

Haimann', bem como Koontz e O'Donnellz se referem ao filósofo grego Sócrates 470 a.C. que em sua discussão com Nicomaquides, expõe o seu ponto de vista sobre a separa Administração como uma habilidade pessoal

2 - 399 a.C, da do conhecimento técnico e da experiência:

"Sobre qualquer coisa que um homem possa presidir, ele será, se souber do que precisa e se for capaz de provê-lo, um bom presidente, quer tenha a direção de um coro, uma família, uma cidade por um exército.

Não é também uma tarefa unir os maus e honrar os bons? Portanto, Nicomaquides, n o desrezeis homens

hábeis em administrar seu haveres; pois os afazeres privados diferem dos públicos somente em magnitude; em outros as ectos s o similares; mas o que mais se deve observar é que nenhum deles pode ser gerido sem homens, nem os afazeres privados são geridos por uma espécie de homem e os públicos por outra: pois aqueles que conduzem os negócios públicos não utilizam homens de natureza diferente daqueles empregados pelos que gerem negócio privados; e os que sabem empregá-los conduzem tanto os negócios públicos quanto privados, judiciosamente, enquanto que aqueles que n ó sabem, errarão na administração de ambos"

3 - Platão (429 a.C. - 347 a.C.), filósofo grego, discípulo de Sócrates, preocupou-se pro fundamente com os problemas políticos e sociais inerentes ao desenvolvimento social e cultural do povo grego. Em sua obra, A República, expõe o seu ponto de vista sobre a formação democrática de governo e de administração dos negócios público de Platão, do qual Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), outro filósofo grego, bastante divergiu, deu enorme impulso à Filosofia, principalmente à Cosmologia à Nosologia, à Metafisica, às Ciências Naturais, abrindo as perspectivas estuda o ser humano na sua época. Foi o criador da Lógica. No seu livro Política, do Estado e distingue três formas de Administração pública, a saber:

1. Monarquia ou governo de um só (que pode redundar em tirania).

2. Aristocracia ou governo de uma elite (que pode descambar em oligarquia).

3. Democracia ou governo do povo (que pode degenerar em anarquia).

Durante os séculos que vão da Antigüidade até o início da Idade Moderna, a Filosofia voltou-se para uma variedade de preocupações que nada tinham a ver com problemas administrativos.

É com Francis Bacon (1561-1626) filósofo e estadista inglês, considerado o fundador da Lógica Moderna baseada no método experimental e indutivo, que vamos encontrar alguma preocupação prática de se arar experimentalmente o que é essencial do que é acidental ou acessório Baeon antecipou ao princípio conhecido em Administração como "principio da prevalência do principal sobre o acessório".

Realmente, o maior expoente da época foi René Descartes 1596-1650), um filósofo matemático e físico francês considerado o fundador da Filosofia Moderna. As famosas coordenadas cartesianas foram criadas por Descartes e foi muito valioso o impulso que deu à Matemática e à Geometria da época. Na Filosofia, celebrizou-se pelo livro O Discurso do Método, onde descreve os principais preceitos do seu método filosófico, hoje denominado “método cartesiano" cujos princípios são:

1. Princípio da Dúvida Sistemática ou da Evidência que Consiste em não aceitar como verdadeira coisa alguma, enquanto não se souber com evidência - ou seja, clara e distintamente - aquilo que é realmente verdadeiro: Com esta dúvida sistemática evita-se a prevenção e a preúpitaç o, aceitando-se apenas como certo àquilo que seja evidentemente certo.

2. Principio da Análise da Decomposição; que Consiste em dividir e decompor cada dificuldade ou problema em tantas partes quantas sejam possível e necessário à sua melhor adequação e solução, e resolvê-las cada uma separadamente.

3. Principio da Síntese ou da Composição que Consiste em conduzir ordenadamente os nossos pensamentos e o nosso raciocínio, começando pelos objetivos e assuntos mais fáceis e simples de se conhecer, para caminharmos gradualmente aos mais difíceis.

4. Principio da Enumeração ou da Verificação que Consiste em fazer, em tudo, recontagens, verificações e revisões tão gerais que se fique seguro de nada haver omitido ou deixado de lado.

Thomas Hobbes (1588-1679) desenvolveu uma teoria da origem contratualista do Estado, segundo a qual o homem primitivo, vivendo em estado selvagem, passou lentamente à vida social, através de um pacto entre todos. Todavia, "o homem é lobo do próprio homem", ou seja, o homem primitivo era um ser anti-social por definição, vivendo em guerra permanente com o próximo. O Estado viria a ser; portanto, a inevitável resultante da questão, impondo a ordem e organizando a vida social, qual um Levita. Este, ao crescer, apresenta as dimensões de um dinossauro, ameaçando a liberdade de todos.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) desenvolveu a teoria do Contrato Social: o Estado sárge de um acordo de vontades. Rousseau imagina uma convivência individualista, vivendo os homens cordial e pacificamente, sem atritos com seus semelhantes. Porém, se o homem é por natureza bom e afável, a vida em sociedade o deturpa.

Karl Marx ( 1818-1883) e seu parceiro Friedrich Engels ( 1820-1895) propõem uma teoria da origem econômica do Estado. O surgimento do poder político e do Estado nada mais é do que o fruto da dominação econômica do homem pelo homem.

O Estado vem a ser uma ordem coativa imposta por uma classe social exploradora. No Manifesto Comunista, eles afirmam que a história da humanidade sempre foi a história da luta de classes. Homens livres. e escravos, patrícios e plebeus, nobres e servos, mestres e artesãos, numa palavra, exploradores e explorados, sempre mantiveram uma luta, às vezes oculta, às vezes patente.

Marx afirma que todos os fenômenos históricos são o produto das relações econômicas entre os homens. O marxismo foi a primeira ideologia a afirmar o estudo das leis objetivas do desenvolvimento econômico da sociedade, em oposição aos ideais metafísicos.

Como veremos mais adiante, vários princípios da moderna Administração, como os da divisão do trabalho, da ordem, do controle etc., estão basicamente contidos nos princípios cartesianos.

Com o surgimento da Filosofia Moderna, deixa a Administração de receber contribuições e influências, uma vez que o campo de estudo filosófico se afasta enormemente dos problemas organizacionais.






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