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INFLUÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA



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INFLUÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA

Através dos séculos, as normas administrativas e princípios de organização pública foram se transferindo das instituições dos Estados (como era o caso de Atenas, Roma etc.) para as instituições da nascente Igreja Católica e para as organizações militares. Essa transferência se fez de modo lento, mas efetivo, talvez porque a unidade de propósitos e de objetivos - princípios fundamentais na organização eclesiástica e na organização militar - nem sempre é encontrada na açâo política que se desenvolvia nos Estados, geralmente movida por objetivos contraditórios de cada partido, dirigente ou classe social.

James D. Mooney' fez uma interessante pesquisa sobre a estruturação da Igreja Católica, mostrando a sua organização no tempo, sua hierarquia de autoridade, seu estado-maior(assessoria) e sua coordenação funcional. A Igreja tem uma organização hierárquica tão simples e eficiente que a sua enorme organização mundial pode operar satisfatoriamente sob o comando de uma só cabeça executiva: o Papa, cuja autoridade coordenadora lhe foi delegada de forma mediata por uma autoridade divina superior.

De qualquer forma, a estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para muitas organizações que, ávidas de experiências bem sucedidas, passaram a incorporar uma infinidade de princípios e normas administrativas utilizadas na Igreja Católica.




INFLUÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO MILITAR

A organização militar tem influenciado enormemente o desenvolvimento das teorias da Administração ao longo do tempo. A organizaÇão linear, por exemplo, tem suas origens na organização militar dos exércitos da Antigüidade e da época medieval. O principio da unidade de comando (pelo qual cada subordinado só pode ter um superior) – fundamental para a função de direção - é o núcleo central de todas as organizações militares daquelas épocas. A escala hierárquica, ou seja, a escala de níveis de comando de acordo com o grau de autoridade e responsabilidade correspondente é tipicamente um aspecto da organização militar utilizado em outras organizações. Com o passar dos tempos, a gradativa ampliação da escala de comando trouxe também uma correspondente ampliação da graduação da autoridade delegada: à medida que o volume e operações militares aumentava, crescia também a necessidade de delegar autoridade para níveis mais baixos dentro da organização militar.

Ainda na época de Napoleão (1769-1821), o general, ao chefiar o seu exército, tinha a responsabilidade de vigiar a totalidade do campo de batalha. Porém, com as batalhas de maior alcance, inclusive de âmbito continental, o comando das operações de guerra exigiu, não novos princípios de organização, mas a extensão dos princípios então utilizados, conduzindo assim a um planejamento e controle centralizados em paralelo a o relações descentralizadas ou seja, passou-se à centralização do comando e à descentralização da execução.


ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA ADMINISTRAÇÃO

O conceito d hierarquia dentro da organização militar é provavelmente tão antigo quanto a própria guerra, pois a necessidade de um estado-maior sempre existiu para um exército. Todavia, o estado-maior formal como um quartel-general somente apareceu em 1665 com a Marca de Brandenburgo, precursor do exército prussiano. A evolução do princípio de assessoria e a formação de um estado-maior geral teve sua origem no século XVIII na Prússia, com o Imperador Frederico II, o Grande (I712-178b), que, desejoso de aumentar a eficiência do seu exército, fez algumas inovações na estrutura da organização militar. Com a ajuda do General Scharnhorst foi criado um estado-maior para assessorar o comando (linha) militar. Os oficiais de linha e de assessoria trabalhavam independentemente, numa nítida separação entre o planejamento e a execução das operações de guerra. Os oficiais formados no estado-maior eram transferidos posteriormente para posições de comando (linha) e novamente para o estado-maior, o que assegurava uma intensa experiência e vivência nas funções de gabinete, de campo e novamente de gabinete'.

Uma outra contribuição da organização militar é o princípio de direção, através do qual todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e aquilo que ele deve fazer.

Salienta Mooney que mesmo Napoleão, o general mais autocrata da história militar, nunca deu uma ordem sem explicar o seu objetivo e certificar-se de que a haviam compreendido corretamente, pois estava convencido de que a obediência cega jamais leva a uma execução inteligente de qualquer coisa.

No início do século XIX, Carl von Clausewitz (1780-1831), general prussiano, escreveu um Tratado sobre a Guerra e os Princípios de Guerras, sugerindo como administrar os exércitos em períodos de guerra. Foi o grande inspirador de muitos teóricos da Administração que posteriormente se basearam na organização e estratégia militares para adaptá-las à organização e estratégia industriais.

Clausewitz considerava a disciplina como um requisito básico para uma boa organização. Para ele toda organização requer um cuidadoso planejamento, no qual as decisões devem ser científicas e não simplesmente intuitivas. As decisões devem e basear na probabilidade e não apenas na necessidade lógica. O administrador deve aceitar a incerteza e planejar de maneira a poder minimizar essa incerteza.




INFLUÊNCIA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A partir de l776, com a invenção da máquina a vapor por James Watt ( 736-1819) e a sua posterior aplicação à produção, uma nova concepção de trabalho veio modificar completamente a estrutura social e comercial da época, provocando profundas e rápidas mudanças de ordem econômica, política e social que, num lapso de aproximadamente um século, foram maiores do que as mudanças havidas no milênio anterior. É o período chamado de Revolução Industrial, que se iniciou na Inglaterra e rapidamente se alastrou por todo o mundo civilizado.

A Revolução Industrial pode ser dividida em duas épocas bem distintas:

1780 a 1860:1ªRevolução Industrial ou revolução do carvão e do ferro.

1860 a 1914: 2ª Revolução Industrial ou revolução do aço e da eletricidade.

Embora tenha se iniciado a partir de 1780, a Revolução Industrial não adquiriu todo o seu ímpeto antes do século XIX. Ela surgiu como uma bola de neve em acelera ão crescente.

A 1ª Revolução Industrial pode ser dividida em 4 fases :

1ª fase: a mecanização do indústria e da agricultura nos fins do século XVIII com o aparecimento da máquina de jour (inventada pelo inglês Hargreaves em 1767), do tedor de al lodeo (por Whi poy A k 92 t m

1769), do tear mecânice (por Cartwright em 1785), do descaroça vieram substituir o trabalho do homem e a força motriz muscular do homem do animal ou ainda da roda dá qual. Eram máquinas grandes e pesadas más com incrivel superioridade sobre os processos manuais de produção da época. O descaroçador de algodão tinha capacidade para trabalhar mil libras de algodão enquanto, no mesmo tempo, um escravo conseguia trabalhar cinco.

2ª fase: a aplicação da força motriz da indústria. A força elástica do vapor descoberta por Ilénis Papin no século XVII ficou sem aplicação até 1776 quando Watt inventou a máquina a vapor. Com a aplicação do vapor às máquinas, iniciam-se as grandes transformações nas oficinas, que se converteram em fábricas, nos transportes, nas comunicações e na agricultura.

3ª fase: o desenvolvimento do sistema fabril. O artesão e a sua pequena oficina patronal desapareceram ara dar lugar ao operário e às fábricas e às usinas, baseadas na divisão do trabalho. Surgem novas indústrias em detrimento da atividade rural. A migração de massas humanas das áreas agrícolas para as proximidades das fábricas provoca o crescimento das populações urbanas.

4ª fase: um espetacular aceleramento dos transportes e das comunicações. A navegação a vapor surgiu com Robert Fulton (1807) nos Estados Unidos e logo depois as rodas propulsoras foram substituídas por hélices. A locomotiva a vapor foi aperfeiçoada por Stephenson, surgindo a primeira estrada de ferro na Inglaterra (1825) e logo depois nos Estados Unidos (1829). Esse novo meio de transporte propagou-se vertiginosamente. Outros meios de comunicações foram aparecendo com uma rapidez surpreendente: Morse inventa o telégrafo elétrico (1835), surge o selo postal na Inglaterra (1840), Graham Bell inventa o telefone (1876). Já se esboçam os primeiros sintomas do enorme desenvolvimento econômico, social, tecnológico e industrial e as profundas transformações e mudanças que ocorreriam com uma velocidade gradativamente maior.

Com todos esses aspectos define-se cada vez mais um considerável controle capitalista sobre quase todos os ramos da atividade econômica.

A partir de 1860, a Revolução Industrial entrou em uma nova fase profundamente diferente da 1ª Revolução Industrial. É a chamada 2ª Revolução Industrial, provocada por três acontecimentos importantes:

- desenvolvimento de novo processo de fabricação de aço (1856);

- aperfeiçoamento do dínamo (1873);

- invenção do motor de combustão interna (1873) por Daimler.
As principais características da 2ª Revolução Industrial são as seguintes:

1. A substituição do ferro pelo aço como material industrial básico.

2. A substituição do vapor pela eletricidade e pelos derivados de petróleo como principais fontes de energia.

3. O desenvolvimento da maQuinaria automática e um alto grau de especialização do trabalho.

4. O crescente domínio da indústria pela ciência.

5. Transformações radicais nos transportes e nas comunicações. As vias férreas são melhoradas e ampliadas.

A partir de 1880, Daimler e Benz constroem automóveis na Alemanha, Dunlop aperfeiçoa o pneumático em 1888 e Henry Ford inicia a produção do seu modelo "T" em 1908, nos Estados Unidos. Em 1906, Santos Dumont faz a primeira experiência com o avião.

6. O desenvolvimento de novas formas de organização capitalista. As firmas de sócios solidários, formas típicas de organização comercial, cujo capital provinha dos lucros auferidos (capitalismo industrial , e que tomavam parte ativa na direção dos negócios, deram lugar ao chamado capitalismo financeiro. O capitalismo f:nanceiro tem quatro caracterfsticas principais):

a) a dominação da indústria pelas inversões bancárias e instituições financeiras e de crédito, como foi o caso da formação da United States Steel Corporation, em 1901; pela J. P. Morgan 8t Co.;

b) a formação de imensas acumulações de capital, provenientes de trustes e fusões de empresas;

c) a separação entre a propriedade particular e a direção das empresas;

d) o desenvolvimento das holding companies.

7. A expansão da industrialização até a Europa Central e Oriental, e até o Extremo Oriente.

Em 1871, a Inglaterra era a maior potência econômica mundial . Em 1865 , John D. Rockefeller (1839-1937) funda a Standard Oil. Ao redor de 1889 o capital da General Electric e da Westinghouse Electric já ultrapassava 40 milhões de dólares em cada uma dessas empresas. Em 1890, Carnegie forma o truste do aço, ultrapassando a produção de toda a Inglaterra, Swift e Armour formam o truste das conservas, Guggenheim forma o truste do cobre e Mello o truste do alumínio.

Da calma produção do artesanato, em que os operários eram organizados em corporações de ofício regidas por estatutos, onde todos se conheciam, em que o aprendiz, para passar a artesão ou a mestre, tinha de produzir uma obra perfeita perante os jurados e os síndicos, que eram as autoridades da corporação, passou o homem rapidamente para o regime da produção feita através de máquinas, dentro de grandes fábricas. Não houve uma gradativa adaptação entre as duas situações sociais. Houve, isto sim, uma súbita modificação de situação, provocada por dois aspectos, a saber:

1. A transferência da habilidade do artesão para a máquina, que passou a produzir com maior rapidez, maior quantidade e melhor qualidade, possibilitando uma redução no custo da produção.

2. A substituiçdo da força do animal ou do músculo humano pela maior potência da máquina a vapor (e posteriormente pelo motor), que permitia maior produção e maior economia.

Os proprietários de oficinas, que não estavam em condições financeiras de adquirir máquinas e maquinizar a sua produção, foram obrigados, por força da concorrência, a trabalhar para outros proprietários de oficinas que possuíam a maquinaria necessária. Esse fenômeno da maquinização das oficinas - rápido e intenso - provocou uma série de fusões de pequenas oficinas que passaram a integrar outras maiores que, aos poucos, foram crescendo e se transformando em fábricas. Esse crescimento foi acelerado graças ao abaixamento dos custos de produção que propiciou preços competitivos e um alargamento do mercado consumidor da época. Isso aumentou a demanda de produção e, ao contrário do que se previa na ocasião, as máquinas não substituíram totalmente o homem, mas deram-lhe melhores condições de produção. O homem foi substituído pela máquina naquelas tarefas em que se podia automatizar e acelerar pela repetição. Com o aumento dos mercados, decorrente da popularização dos preços, ás fábricas passaram a exigir grandes contingentes humanos.

Aumentou a necessidade de volume e de qualidade dos recursos humanos. A mecanização do trabalho levou à divisão do trabalho e à simplificação das operações, fazendo com que os ofícios tradicionais fossem substituídos por tarefas semi-automatizadas e repetitivas, que pessoas sem nenhuma qualificação e com enorme podiam ser executadas com facilidade o tipo de produção, ou seja simplicidade de controle. A unidade dom, a oficina, o artesanato em família, desapareceu com a súbita e violenta competição, surgindo daí uma pluralidade de operários e de máquinas nas fábricas. Com a concentração de indústrias e fusão das pequenas oficinas alimentadas pelo fenômeno da competição, grandes contingentes de operários assaram a trabalhar untos, durante as jornadas diárias de trabalho, que se estendiam por 12 ou 13 horas de labor, dentro de condições ambientais perigosas e insalubres, provocando acidentes e doenças em larga escala. O crescimento industrial era improvisado e totalmente baseado no em ritmo, uma vez que a situação era totalmente nova e desconhecida. Ao mesmo tempo em que intensa migração de mão-de-obra se desenvolvia dos campos agrícolas para os industriais, surge um surto acelerado de urbanização, também sem nenhum pane amento ou orientação. Ao mesmo tempo em que o capitalismo se solidifica, cresce o p lume de uma nova classe social: o proletariado. As transações se multiplicaram e a demanda de mão-de-obra nas minas, nas usinas siderúrgicas e nas fábricas aumentou substancialmente. Os proprietários passaram a enfrentar os novos problemas de gerência, improvisando suas decisões e sofrendo os erros de administração ou de uma nascente tecnologia.

Obviamente esses erros, em muitos casos, eram cobertos pela mínima paga aos trabalhadores, cujos salários eram,baixíssimos. A par do baixo padrão de vida, da promiscuidade nas fábricas e os tremendos riscos de graves acidentes, o longo período de trabalho em conjunto permitia uma interação mais estreita entre os trabalhadores e uma crescente conscientização da precariedade de suas condições de vida e de trabalho e da intensa exploração por uma classe social economicamente melhor favorecida. As primeiras tensões entre as classes operária e os proprietários de indústrias não tardaram a aparecer. Os próprios Estados passaram a intervirem alguns aspectos das relações entre operários e fábricas, baixando algumas leis trabalhistas. Em 1802, o governo inglês sanciona uma lei protegendo a saúde dos trabalhadores nas indústrias têxteis. A fiscalização do cumprimento dessa lei era feita voluntariamente pelos pastores protestantes e juízes locais. Outras leis esparsas são aos poucos impostas, na medida em que os problemas vão se agravando.

Com a nova tecnologia dos processos de produção e da construção e funcionamento das máquinas com a crescente legislação que procura defender e proteger a saúde e a integridade física do trabalhador e, conseqüentemente, da coletividade, a administração e a gerência das empresas industriais passaram ser a preocupação permanente dos seus proprietários. A prática foi lentamente ajudando a selecionar idéias e métodos empíricos. Ao invés de pequenos grupos de aprendizes e artesãos dirigidos por mestres habilitados, o problema agora era o de dirigir batalhões de operários da nova classe proletária que se criou. Ao invés de instrumentos rudimentares de trabalho manual, o problema era o de operar máquinas, cuja complexidade aumentava. Os produtos passaram a ser elaborados em operações parciais que se sucediam, cada uma delas entregue a um grupo de operários especializados em tarefas específicas, estranhos quase sempre às demais outras operações, ignorando até a finalidade da peça ou da tarefa que estavam executando. Essa nova situação contribuiu para a a ar da mente do operário o veículo social mais intenso, ou seja, o sentimento de estar produzindo e contribuindo para o bem da sociedade. O capitalista passou a distanciar-se dos seus operários e a considerá-los uma enorme massa anônima, ao mesmo tempo em que os esperavam problemas sociais e reivindicavam agrupamentos sociais, mais condensados nas empresas

vos; ao lado de outros problemas de rendimento do trabalho e do áluipamento que

itavam de uma rápida e adequada solução. A principal preocu dos empresários

e fveava logicamente na melhoria dos aspectos mecánicos e tecnolbgicos da produção, com

o objetivo de produzir quantidades maiores de produtos melhores e de menor custo. A ges-

tão do pessoal e a coordenação do esforço produtivo eram aspectos de pouca ou nenhuma

i tportáncia. Assim, a Revoluç8o Industrial, embora tenha provocado uma profunda modi-

o na estrutura empresarial e econ8mica da época, não chegou a influenciar diretamente

os princfpios de administraç o das empresas ent. o utilizados. Os dirigentes de empresas

simplesmente trataram de cuidar como podiam ou como sabiam das demandas de uma eco-

nomia em rápida expansão e carente de especialização. Alguns empresários baseavam as suas

decis&s tendo por modelos as organizações militares ou eclesiásticas bem sucedidas nos

sbculos anteriores. '2

Tragtenberg saGenta que "a utilização capitalista das máquinas no sistema fabril inten-

sifca o caráter social do trabalho. Por sua vez, implica:

a) ritmos rigidos;

b) normas de comport >< to estrits;

c) maior interdepend2ncia mútua.


A máquina impõe como absolutamente necessário o caráter cooperativo do trabalho, a

necessidade de uma regulação social. Porém, o uso capitalista das máquinas leva a uma dire-

ção autoritária, à regulamentação administrativa sobre o operário, tendo em vista a extorsão

da mais=valia pelos membros do quadro administrativo, executivos, diretores, supervisores,

capatazes. Os patrões conseguem fazer passar por simples regulamentação social o que na

realidade é o seu código autoritário. Direção autoritária é objetivo capitalista que, pela cha-

mada `racionalizaçdo do trabalho' e controle do comportamento do operário, define as

garantias da cooperação""

Para obter cooperaç o na indústria, as funções diretivas transformam-se de normas de

controle em normas de repressão.

Para a TGA, a principal conseqflência disto tudo é que a organização e a empresa

modernas nasceram com a Revolução Industrial, graças a uma multidão de fatores, dentre

os quais podemos destacar principalmente:

a) a ruptura das estruturas corporativas da ldade MEdia;

b) o avenço tecnológico, graças s ap ç dos progressos cientffcos à produção, eom a descoberta de

novas formas de energia a possibilidade de uma enorme ampliação de mercados

c) a substituição do tipo artesanal por um tipo industrial de produção.

INFLUÊNCIA DOS ECONOMISTAS LIBERAIS


A partir do século XVII desenvolveu-se principalmente na Europa, e paralelamente às diver-

sas correntes fllosóficas, uma grande quantidade de teorias econ8micas concentradas na

ex licaçâo dos fenômenos empresariais (microeconômicos) e baseadas inicialmente em dados

empíricos, ou seja, na simples experiência corrente e nas tradições do comércio da épo a. Ao

término do século XVIII, os economistas clássicos liberais conseguem grande aceita ão de

suas teorias. Essa reação para o liberalismo culmina com a ocorrência da Revolução France-

sa. As idéias liberais decorrem do direito natural: a ordem natural é a ordem mais perfeita.

Os bens naturais, sociais e econômicos são os bens que possuem caráter eterno. Os direitos

econômicos humanos são inalienáveis e existe uma harmonia preestabelecida em toda a cole-

tividade de indivíduos. Segundo o liberalismo a vida econômica deve afastar-se da influência

estatal, uma vez que o trabalho segue os princípios econômicos e a mão-de-obra está sujeita

às mesmas leis da economia que regem o mercado de matérias-primas ou o comércio interna-

cional. Os operários, contudo, estão à mercê dos patrôes, porque estes são os donos dos

meios de produção. A livre concorrência é o postulado principal do liberalismo econômico.

Para muitos autores", as idéias básicas dos economistas clássicos liberais constituem os

ermes iniciais do pensamento administrativo de nossos dias. O próprio criador da Escola

Clássica da Economia, Adam Smith (1723-1790), já visualizava o principio da especializaÇão

dos o erários em uma manufatura de agulhas e já enfatizava a necessidade de se racionalizar

p ç P p

a rodução . O princfpio da es ecializa ão e o rinef io da divisão do trabalho a arecem em



referências interessantes em seu livro Da Riqueza das Nações publicado em 1776. Para

Adam Smith a origem da riqueza das naçôes reside na divisão do trabalho e na especialização

das tarefas, preconizando o estudo de tempos e movimentos que, mais tarde, Taylor e Gil-

breth iriam desenvolver como a base fundamental da Administração Científica nos Estados

Unidos. Adam Smith reforçou bastante a importância do planejamento e da organização

dentro das funções da Administração. O bom administrador, segundo ele, deve preservar a

ordem, a economia e a atenção, não devendo se descuidar dos aspectos do controlP e da

remuneração dos trabalhadores.

James Mill (1773-1836), outro economista liberal, sugeria em seu livro Ele nentos de

Economia Polftica, publicado em 1826'6, uma série de medidas relacionadas com os estudos

de tempos e movimentos como meio de se obter incremento da

produção nas indústrias da

_ época . ( ) , ,

Em 1817, David Ricardo 1772-1823 e, em 1820, Thomas Robert Malthus

(1766-1834), publicam respectivamente os seus Princfpios de Economia Politica. Em 1835,

Samuel P. Newman, outro economista clássico, em seu livro Elementos de Economia Poli-

tica, escrevia que o administrador deve ser uma combinação de inúmeras qualidades rara-

mente encontradas em um ó indivídulo, a saber:


- capacidade de previsões e cálculos, pára que seus planos sejam bem fundados;

- perseverança e constância de propósitos ao executar seus planos;

- discri ào e decisào de caráter para poder superintender e dirigir os esforços dos outros;

- conh imento, tanto do estado do mundo em geral. como dos detalhes de empregos e empreendimento,

particulares, para poder conduzir alguns ramos da produçào.
Newman assinala que as funções da Administração consistem em:
- planejamento;

- arranjo;

- condução dos diferentes processos de produção.
John Stuart Mill (1806-1873), filósofo utilitarista, filho de James Mill, publicou tam-

bém um livro, Princlpios de Economia Polftica's onde propõe um conceito de controle extre-

mamente voltado para o problema de como evitar furtos nas empresas.

O liberalismo econômico corresponde ao período de máximo desenvolvimento da eco=

nomia capitalista, a qual, baseada no individualismo e no jogo das leis econômicas naturais,

pregava a livre concorrência. A livre concorrência, por seu turno, criou áreas de conflitos

sociais intensos. A acumulação crescente de capitais gerou profundos desequilíbrios pela

dificuldade de assegurar imobilizações com renda compatível para o bom funcionamento do

sistema. A partir da segunda metade do século XIX, o liúeralismo econômico começou a

perder sua enorme influência, enfraquecendo à medida que o capitalismo se agigantou com o

despontar dos Du Pont, Rockefeller, Morgan, Krupp etc. O novo capitalismo se inicia com a

produção em larga escala a artir das grandes concentrações de n aquinaria e de mão-de-

obra, criando situações extremamente problemáticas de organização de trabalho, de ambien-

te, de concorrência econômica, de padrão de vida etc.

O socialismo e o sindicalismo passam a ser os agentes essenciais da nova civilização,

obrigando o capitalismo do início do século XX a enveredar pelo caminho do máximo aper-

feiçoamento possível de todos os fatores de produção envolvidos e a sua adequada remune-

raçâo. Assim, quanto maior a pressão exercida pelas exigências proletárias, menos graves se

tornam as injustiças e mais acelerado e intenso o processo de desenvolvimento da tecnologia.

Dentro dessa nova situação, surgem os primeiros esforços realizados nas empresas

capitalistas para a implantação de métodos e processos de racionalização do trabalho, cujo

estudo metbdico e exposição teórica coincidiram com o início deste século.


SUMÁRIO
1: Sempre existiu no decorrer da história da humanidade alguma forma rudimentar de admi-

nistrar as organizações, desde as mais simples até as mais complexas.

2. O desenvolvimento das idéias e teorias acerca da Administração foi extremamente lento

até o século XIX, acelerando-se incrivelmente a partir do início do século atual.

3. A influência dos filósofos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, nas tarefas de Adminis-

tração na antig idade é remarcável. Com o surgimento da Filosofia Moderna, destacam-

se Bacon e Descartes.

4. A organização eclesiástica da Igreja Católica influenciou de certa maneira o pensamento

administrativo, conforme a pesquisa de Mooney.

5. Igualmente, a organização militar trouxe grande influência para a Administração, contri-

buindo com alguns princípios que a Teoria Clássica iria mais adiante assimilar e incor-

porar .

6. A Revolução Industrial veio produzir o contexto industrial, tecnológico, social, político e



econômico de situações, problemas e variáveis, a partir do qual teria início a Teoria Clás-

sica da Administraç8o.

7. Também os economistas liberais (como James Mill, David Ricardo, John Stuart Mill e

outros) deram algum suporte para o aparecimento de alguns princlpios de Administração

que teriam enorme aceitação posteriormente.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E DISCUSSÃO


I. Qual a contribuição dos antigos filósofos gregos, como Sócrates, Platão e Aristóteles

para a Administração?

2. Qual a contribuiçâo de René Descartes para a Administração?

3. Qual a influência da Organização Eclesiástica da Igreja Católica na Administração?

4. Qual a influência da organização militar?

5 . Em que aSpectos a Revolução Industrial provocou o ambiente propício para o surgimento

da moderna Administração?

6. Qual a influência dos economistas liberais?


PARTE 3
ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇAO
No despontar do século XX, dois engenheiros desenvolveram os primeiros trabalhos pionei-

ros a respeito da Administração. Um era americano, Frederick Winslow Taylor, e veio a

desenvolver a chamada Escola da Administraçdo Cientlfca, preocupada em aumentar a efi-

ciência da indústria através, inicialmente, da racionalização do trabalho do operário. O

outro era europeu, Henri Fayol, e veio a desenvolver a chamada Teoria Clássicu, preocupa-

da em aumentar a eficiência da empresa através da sua organização e da aplicação de princí-

pios gerais da Administração em bases científicas. Muito embora ambos não tenham se

comunicado entre si e tenham partido de pontos de vista diferentes e mesmo opostos, o certo

é que as suas idéias constituem as bases da chamada A bordagem Clássica ou Tradicional da

Adminrstração, cujos postulados dominaram aproximadamente as quatro primeiras décadas

deste século no panorama administrativo das organizações.

Assim, de um modo geral, a Abordagem Clássica da Administração pode ser desdo-

brada em duas orientações bastante diferentes e, até certo ponto, opostas entre si, mas que se

cómplementam com relativa coerência:


De um lado a Escolo da AdminrstraçDo Clentlf ca, desenvolvida nos Estados Unidos, a partir dos traba-

Ihos de Taylor. Essa escola era formada principalmente por engenheiros, como Frederick Winslow Taylor

(185&1915), Henry Lawrence Gantt (1861-1919), Frank Bunker GilbretM (1868-19 4), Harrington Emer-

son (1853-193I) e outros. Henry Ford (1863-1947) costuma ser incluldo entre eles, pela aplicação de seus

princfpios nos seus negócios.

A preocupação básica era aumentar a produtividade da empresa atravts do aumento de efici8ncia no nfvel

operacional, isto E, no nivel dos operários. Daf a 2nfase na análise e na divisão do trabalho do operário,

uma vez que as tarefas do cargo e o ocupante constituem

a unidade fundamental da organização. Neste

sentido, a abordagem dá Admlnútraçdo Cientljrca E uma abordagem de baixo para cima (do operário

para o supervisor e gerente) e das partes (operários e seus cargos) para o todo (organização empresarial).

Predominava a atenção para o mótodo de trabalho, para os movimentos nccessários à execuç o de uma

tarefa, para o t mpo-padrio determinado para sua exccução: esse cuidado analftico e detáhista permitia a

especialização do operário e o reagrupamcnto de movimentos, operaçbes, tarefas, cargos etc., que constituem a chamada "Organizaçiio Racional do Trobalho" (ORT). Foi, acima de tudo, uma corrente de

idéias desenvolvida por engenheiros, que procuravam elaborar uma verdadeira engenharia industrial

dentro de uma concepção eminentemente pragmática. A ênfase nas tarefas é a principal característica da

Administração Científica.

2. De outro lado, a corrente dos Anatomistas e Fisiologistas da organização, desenvolvida na França, com

os trabalhos pioneiros de Fayol. Essa escola era formada principalmente por executivos de empresas da

época. Dentre eles: Henri Fayol (1841-1925), James D. Mooney, Lyndall F. Urwick (n. 1891), Luther ;

Gulick e outros. A esta corrente chamaremos Teoria Clássica. A preocupação básica era aumentar á efi-

ciência da empresa através da forma e disposição dos órgãos componentes da organização (departámen-

tos) e das suas inter-relaçees estruturais. Daí a ênfase na anatomia (estrutura) e na fisiologia (funciona-

mento) da organização. Neste sentido, a abordagem da Corrente Anatômica e Fisiologista é uma abor-

dagem inversa à da Administraçdo Cientifica: de cima para baixo (da direção para a execução) e do todo

(organização) para as suas partes componentes (departamentos) . Predominava a atenção para a estrutura

organizacional, com os elementos da Administrac o, com os princípios gerais da Administraçào, com a

departamentalização. Esse cuidado com a síntese e com a vi ão global permitia a melhor maneira de

subdividir a empresa sob a centralizaç o de um chefe principal . Foi uma corrente eminentemente teórica

e "administrativamente orientada"3. A ênfase na estrutura é a sua principal característica.

Administração Taylor fase nas

científica tarefas

Abordagem

dássica da

administração

Teoria Fayol fase na

dássica estrutura




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