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mente facilitada com a utilização de tipologias organizacionais, assunto em que os estru-

turalistas são mestres: Etzioni, Blau e Scott sugerem tipologias simples e unidimensionais.

5. Para melhor avaliar a realização das organizações, os objetivos organizacionais represen-

tam as intenções das organiza ões e o seu alcance mostra até que ponto as organizaçòes

são eficazes .

6. A Teoria Estruturalista inaugura os estudos acerca dos ambientes dentro do conceito de

que as organiza ões são sistemas abertos em constante interação com seu meio ambiente.

Até então, a teoria administrativa havia se confinado aos estudos dos aspectos internos

da organização dentro de uma concepção de sistema fechado. Os diversos estratos do

ambiente sào traçados; o ambiente geral e o ambiente operacional, constituídos das partes

relevantes do ambiente geral, são devidamente definidos.

7. Todavia, as organiza ões não funcionam dentro de um mar de rosas. Existem conflitos e

dilemas organizacionais que provocam tensões e antagonismos envolvendo aspectos posi-

tivos e negativos, mas cuja resolução conduz a organiza ão à inovação e à mudança.

8. A Teoria Estruturalista é eminentemente crítica, e algumas sátiras à organização como as

de Parkinson, Peter, Thompson e Jay são citadas e comentadas.

9. Numa apreciação critica do estruturalismo dentro da Administraçào, com seus aspectos

positivos e suas profundas restrições e limitações, conclui-se que esta é uma teoria de tran-

sição para a Teoria de Sistemas.

PERGUNTAS PARA REVISÃO E DISCUSSÃO
1. Comente as origens da Teoria

Estruturalista.

2. Defina o conceito de estrutura. t

3. O que sé entende por sociedade de organizações?

4. Defina organização, organização formal e organização complexa

5. O que significa homem organizacional?

6. Como a Teoria Estruturalista concebe a análise das organizações?

7. Explique os três níveis das organizações.

8. Explique a tipologia de Etzioni.

9. Explique a tipologia de Blau e Scott.

" 10. Comente os objetivos organizacionais.
TCORIA LSTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO

11. Defina conflitos e dilemas nas organizaçòes.

12. Defina a Lei de Parkinson.

13. O que são as sátiras à organização?

14. Defina o Princípio de Peter.

15. Defina a dramaturgia administrativa de Thompson.

16. Quais os mecanismos de defesa da hierarquia segundo Thompson e quais são as deficiên-

cias da hierarquia?

17. Explique o maquiavelismo nas organizações.

18 . Quais são as práticas religiosas e formas de obediência religiosa dentro das organizações

segundo Jay?

19. Existem duas grandes tendências teóricas dentro do estruturalismo: a integrativa e a de

conflito. Explique-as.

20. Por que a Teoria Estruturalista é chamada "teoria de crise"?

21. Por que a Teoria Estruturalista é uma teoria de transição e de mudança?

CASO INDÚSTRIA DE CALÇADOS NEW YORK LTDA.


A Indústria de Calçados New York Ltda., conhecida firma no ramo de calçados, conta com

700 funcionários, distribuídos pelos vários departamentos da empresa.

A Diretoria da New York é composta de:
Diretor-Presidente: Antonio de Almeida Capolina

Vice-Presidente: Augusto dos Santos

Diretor Industrial: João Lima

Diretor Financeiro: José Carlos Bosco


O Diretor-Presidente, advogado de 50 anos de idade, reuniu-se com o Diretor Vice-

Presidente ob etivando traçar planos para a implantação de um sistema atualizado de produ-

ção que pudesse fazer frente ao desenvolvimento tecnológico, já que o sistema de produção

atual tornara-se bastante obsoleto.

Debatido o problema concluíram que era necessário o levantamento de vários rèlató-

rios do De artamento de Produção. Esses relatórios foram solicitados ao Gerente Industrial,

Sr. Améri Guimarães, engenheiro mecânico de 48 anos de idade, que se comprometeu a

executá-los rontamente. Como o Sr. Américo tinha inúmeros outros encargos dentro da

organização precisou relegar tais relatórios a segundo plano, não obstante o pedido de

urgência feito pela Diretoria.

Percebendo que não era atendida em suas solicitações, visto ue o Sr. Américo não

fornecia os relatórios a resentando desculpas fortuitas, a Diretoria decidiu nomear o Sr.

Roberto de Freitas recém-formado em Administração, com 30 anos de idade, para a função

de Coordenador, com autonomia total para coligir e obter todos os dados suficientes, tendo,


360 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
inclusive, livre acesso ao Departamento de Produção. Percebendo que fora colocado à mar-

gem, Américo ficou revoltado com a empresa passando a dificultar o trabalho de Roberto no

desempenho de suas funções, isto é, elaborar o relatbrio de normas e diretrizes exigido pela

l7iretoria.

Decorrido algum tempo, Roberto percebeu que Américo, mercê de seu bom relaciona-

mento com seus funcionários e da dedicação que estes lhe devotavam, influenciara-os, inci-

tando-os a dificultar ao máximo o seu trabalho. Assim sendo, os funcionários forneciam

informações incorretas, para que, na incerteza do seu relatório, surgissem algumas dúvidas

por parte da Diretoria em relação aos dados apresentados, visto que existia certo desencon-

tro de dados e informações. Américo esperava que a Diretoria, ao analisar o relatório, perce-

besse os dados incorretos que este continha e voltasse atrás dando um voto de confiança a

ele, que já havia dado 13 anos de dedicação e bons serviços à empresa. Possivelmente a Dire-

toria o incumbiria de fazer um levantamento em toda a indústria, a fim de apurar as irregula-

ridades existentes.

Dado o seu profundo conhecimento administrativo, Roberto percebeu a trama em que

estava envolvido e apresentou o problema à Diretoria para que esta tomasse as necessárias

medidas cabíveis.
PARTE 7

ABORDAGEM

COMPORTAMENTAL DA
ADMINISTRA AO

A partir dos trabalhos de dinâmica de grupo desenvolvidos por Kurt Lewin, ainda na sua

fase de impulsionador da Teoria das Rela ões Humanas, com a divulgação do livro de

Chester Barnard' e, posteriormente, dos estudos de George Homans sobre sociologia

funcional de grupoz , culminando com a publicação do livro de Herbert Simon3 sobre o com-

portamento administrativo, uma nova configuração passa a dominar a teoria administrativa.

As raízes profundas dessa nova abordagem podem ser localizadas muito mais adiante,

eomo veremos a seguir. Todavia, é a partir da década de 50 que se desenvolve inicialmente

nos Estados Unidos uma nova concepção de Administração trazendo novos conceitos,

novas variáveis e, sobretudo, uma nova visão da teoria administrativa baseada no compor-

tamento humano nas organizações.

A abordagem comportamental marca a mais forte ênfase das ciências do comporta-

mento na teoria administrativa e a busca de soluções democráticas e flexíveis para os proble-

mas organizacionais. Enquanto o estruturalismo foi profundamente influenciado pela

sociologia - e mais especificamente pela sociologia organizacional -, a abordagem com-

portamental originou-se das ciências comportamentais - e, mais especif camente, da psico-

logia organizacional.

As ciências comportamentais têm brindado a teoria administrativa com uma multipli-

cidade de conclusões acerca da natureza e características do homem, a saber:

1. O homem é um animal social dotado de necessidades. Dentre essas necessidades sobressaem as necessr

dades gregárias, isto é, o homem tende a desenvolver relacionamentos cooperativos e interdependentes

que o levam a viver em grupos ou em organizaç8es sociais.


Chester I. Barnard, The Functions ojthe Executive, Cambridge, Mass., Harvard UniveFsity Press,1938

z George Homans, The Human Group, New York, Harcourt, Brace & Co. 1950.

3 Herbert A. Simon, Adminúlrative Behavior, New York, The Macmillan Co.,1945.
362 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
2. O homem E um animal dotado de um sistema psiquico, isto é, o homem tem capacidade de organizar suas

perccpç8es em um todo intcgrado. Esse sistcma psfquico permitc uma organização perceptiva e cognitiva

comum a todo homem.

3. O homem tem capacidade de orticular linguagem com racioclnio abstrato, em outros termos, o homem

tem capacidade de comunicação.

4. O homem E um animal dotado de aptidão para aprender, isto é, de mudar seu componàmento e atitudcs

em direção a padr8es mais clevados e efcazes.

5. O comportamento humano E orientado para objetivos. Esses objetivos são muito complexos e mutáveis.

Dai a importância de se compreender os objetivos humanos básicos na sociedade a fim de se compreender

daramente o componamento do homem.

6. O homem se caracteriza por um padrão dual de componámento: tanto pode coopcrar como pode compe-

tir com os outros. Coopera quando os seus objetivos individuais somente podem ser alcançados através do

esforço comum coletivo. Compete quando seus objetivos são disputados e pretendidos por outros. O

con0ito torna-se pane virtual de todos os aspcctos da vida humana.


É com a abordagem comportamental que a preocupação com a estrutura se desloca

para a preocupação com os processos e com a dinâmica organizacionais, isto é, com o

comportamento organizacional. Aqui áinda predomina a ênfase nas pessoas, inaugurada

com a Teoria das Relações Humanas.


CRONOLOGIA DOS PRINCIPAIS EVENTOS DA TEORIA BEHAVIORISTA
Ano Autones Livros
I910 - l. B. Watson Psychologyl m rhe Standpoint of the Behaviorist

I925 - J. B. Watson Behaviorrsm

I432 - E. C. Tolman Purposive Behavior in Animols and Men

l937 - G. W. Allport Personality: A Psychologica! Interpretation

1938 - Chester Barnard The Functions oI the Executive

I945 - Herbert A. Simon Administrative Behavior

1950 - H. A. Simon, D. W. Smithsburg &

V. A. Thompson Public Administration

- E. W. Bakke Bonds of Organization

1954 - Abraham H. Maslow Motivation and Personalitv

l956 - Herbert A. Simon Modéls of Man

1957 - Chris Argyris Personality and Organization

1958 - J. G. March & H. A. Simon Organizations

- H. J. Leavitt Managerial Psychology

I959 - F. Herzberg, F. Mausner & B. Snyderman The Motivation to Work

- Mason Haire Organization Theory

1960 - Douglas M. McGregor The tluman Side of Enterprise

- Chris Argyris Understanding Organizational Behavior Í

- G. Strauss & L. R. Sayle The Human Problems of Management

- Herbert A. Simon The New Science of Management Decision I

1%1 - Rensis Likert New Patterns of Management

- D. C. McClelland The Achieving Society

- R. Tannenbaum, I. R. Weschler &

F. Massarik Leadership and Organization

1%2 - Chris Argyris Interpersona! Competence and Organizationa!

Effectiveness

- H. J. Leavitt Unhuman Organizations (HBR)

- R. T. Golembiewski Behavior and Organization

- G. B. Strother Social

Science Approaches to Business Behavior

- Abraham Maslow Toward a Psychology of Being

I%3 - R. M. Cyert & J. G. March A Behaviora! Theory ofthe Firm

- Saul Gellerman Motivation and Productivity

1964 - Chris Argyris Integrating the Individual and the Organization

- A. Zaleznik & D. Moment The 0ynamics of Interpersona! Behavior

- W. W. Cooper, H. l. Leavitt & !

M. W. Shelley II New Perspectives in Organization Research

1965 - l. G. March Handbook of Organizations

- P. R. Lawrence & J. A. Seiler Organizational Behavior ond Administration

- J. W. Gardner sellRenewal

I967 - Douglas M. McGregor The Professiona! Manager

- W. G. Scott Organization Theory - A Behavioral Analysisfor

Management

- F. E. Fiedller A Theory ofLeadership E Jfeftiveness

- Rensis Likert The Humon Organization: Its Monagement and

Value


- Herbert G. Hicks & C. Ray Gullett The Management of Orgonizations

I968 - A. G. Athos & R. E. Coffey Behavior in Organization.s: A Multidimensionol

View

- G. H. Litwin & R. A. Stringer Motivation and Organizationa! Climate



I970 - J. D. Thompson & D. R. Van Houten The Behoviora! Sciences: An Interpretation

- J. P. Campbell, M. D. Dunnette, Manageria! Behavior, Per Jormance and

E. E. Lawler & K. E. Weick Effectiveness

- F. G. Goble The Third Force: The Psvchology ol Abraham

Maslo w

1975 - L. W. Porter, E. E. Lawler & Behavior in OrganiZations



J. R. Hackman
CAPÍTULO 13

TEORIA COMPORTAMENTAL

DA ADMINISTRAÇAO

Objeti os Deste Capítulo


Caracterizar uma das mais democráticas teorias administrativas e sua fundamenta-

ção sobre a natureza humana e a realização humana acima de tudo.

Definir os estilos de Administração, os sistemas administrativos e suas características.

Caracterizar as organizações como sistemas sociais cooperativos e como sistemas de

decisões .

Definir o comportamento organizacional e as relações entre participantes e organi-

zações, seus conflitos e suas interações.

Estabelecer um balanço crítico da contribuição behaviorista à Administração.


A Teoria Comportamental (ou Teoria Behaviorista) da Administração veio significar uma

nova direção e um novo enfoque dentro da teoria administrativa: a abordagem das ciências

do comportamento (behavioral sciences approach), o abandono das posições normativas e

prescritivas das teorias anteriores (Teo ia Clássica, Teoria das Relações Humanas e Teoria

da Burocracia) e a adoção de posições explicativas e descritivas: A ênfase permanece nas

pessoas.

A Teoria Behaviorista da Administração não deve ser confundida com a Escola Beha-

viorista que se desenvolveu na Psicologia a partir dos trabalhos de Watson'. Ambas se

fundamentam no comportamento humano. Porém, o béhaviorismo que Watson fundou

trouxe à Psicologia uma metodologia objetiva e científica baseada na comprovação experi-

mental, em oposição ao subjetivismo da época, mas centrando-se no indivíduo2, estudando o


John B. Watson, Psychologyjrom the Standpoint oja Behavioris!, Filadelfia, J. B. Lipincott & Co.,1919

John B. Watson, Behaviorism, New York, People's lnstitute Publish Co., 1924.

z Robert S. Woodworth, Contemporary Schools ofPsychology. London, Methuen & Co.,1956, p. 7I.
TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇ O

seu comportamento (aprendizagem, estímulo e reações de respostas, hábitos etc :)

forma concreta e manifesta no laboratório e não através de conceitos subjetivos e t

(como sensação, percepção, emoção, atenção etc.). A psicologia individua! fluiu posterior-

mente para um estágio mais avançado, voltado para o comportamento dos grupos humanos

com a Teoria das Relações Humanas e os trabalhos de Kurt Lewin: a chamada psicologia

socia/. Esta evoluiu para a psicologia organizacional que trata mais do comportamento orga-

nizacional, no sentido amplo da palavra, do que do comportamento humano propriamente

dito ou do comportamento de pequenos grupos sociais, muito embora estes não tenham sido

deixados de lado. É exatamente a psicologia organizaciona! a maior influenciadora desta

teoria administrativa eminentemente democrática e humanística.

A Teoria Comportamenta! da Administração tem o seu maior expoente em Herbert

Alexander Simon, curiosamente detentor do Prêmio Nobel de Economia de 1978. Chester

Barnard, Douglas McGregor, Rensis Likert, Chris Argyris são autores importantíssimos

desta teoria. Estritamente dentro do campo da motivação humana salientam-se Abraham

Maslow, Frederick Herzberg e David MeClelland.

ORIGENS DA TEORIA COMPORTAMENTAL
As origens da Teoria Comportamental da Administração são as seguintes:

1. A oposição ferrenha e definitiva da Teoria das Relações Humonas (com sua profunda ênluse nas pessoas)

em relaC o à Teoria Clássica (com sua profunda ênfase nas larefas e na estrutura organizaciona!) cami-

nhou lentamente para um segundo estágio: a Teoria Comportamenta!. Esta passou a representar uma

nova tentativa de síntese da teoria da organização formal com o enfoque das relaçòes humanas.

2. A Teoria Comportamenta! é, no fundo, ùm desdobramento da Teoria das Relaçdes Humanas, com a qual

se mostra eminentemente crítica e severa. Se bem que compartilha com alguns dos seus conceitos funda-

mentais, utilizando-os apenas como pontos de partida ou pontos de referência e reformulando-os profun-

damente, a Teoria Comportamento! rejeita as concepções ingênuas e românticas da Teorio das Relações

Humanos.


3. A Teoria Comportamenta! critica severamente a Teoria Clássica, havendo autores que vêem no behavio-

rismo uma verdadeira antítese à teoria da organização formal, aos princípios gerais de AdministraC o, ao

conceito de autoridade formal e à posição rígida e mecanística dos autores clássicos. .

4. Com a Teoria Comportamenta! deu-se a incorporaç o da Sociologia da Burocracia, ampliando o campo

da teoria administrativa3. Também com relação à Teoria du Burocrocio, a Teoria Compórtamenta!

mostra-se muito crítica, principalmente no que se refere ao "modelo de máquina" que aquela adota como

representativo da organiza C o .

5. Em 1947 sur e nos Estados Unidos um livro que marca o início da Teoria Compqrtomenta! na administra-

ão: O Comportamento Administralivo de Herbert A. SimonS. Este livro, que alcanCou grande reper-

cussão, constitui um ataque indiscriminado aos princípios da Teória Clássica e,a aceitação - com os

devidos reparos e correCaes - das principais idéias da Teoria das Rélaçdes Humanas. O livro constitui

também o início da chamada Teoria das DecisBes.


Assim, a Teoria Comportamental surge no final da década de 40 com uma redefinição

total de conceitos administrativos: ao criticar as teorias anteriores, o behaviorismo na

3 Fernando C. Prestes Motta, ? eorio Gera! du Administroçdo - Uma Introduçõo, cit., p. 29.

4 James G. March e Herbert A. Simon, Teoria das Organizações, eit., cap. 3.

5 Herbert A. Simon, O Comportamento Administrativo, cit.
366 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
Administração não somente reescalona as abordagens, mas principalmente amplia o seu

conteúdo e diversifica a sua natureza.


NOVAS PROPOSIÇÓES SOBRE A

MOTIVAÇÃO HUMANA
Para éxplicar o comportamènto organizacional, a Teoria Comportamenta! se fundamenta

no comportamento individual das pessoas. Para poder explicar como as pessoas se compor-

tam, torna-se necessário o estudo da motivação humana. Assim, um dos temas fundamen-

tais da Teoria Comportamental da Administração é a motivação humana, campo no qual a

teoria administrativa recebeu volumosa contribuição.

No decorrer da Teoria das Relações Humanas, verificamos que o homem é considerado

um animal complexo dotado de necessidades complexas e diferenciadas. Essas necessidades

orientam e dinamizam o comportamento humano em direção a certos objetivos pessoais.

Assim que uma necessidade é satisfeita, logo surge outra em seu lugar, dentro de um pro-

cesso contínuo, que não tem fim, desde o nascimento até a morte das pessoas. Os autores

behavioristas verificaram que o administrador precisa conhecer as necessidades humanas

para melhor compreender o comportamento humano e utilizar a motivação humana como

poderoso meio para melhorar a qualidade de vida dentro das organizações.

Hierarquia das Necessidades de Maslow


Maslowb, um psicólogo e consultor americano, apresentou uma teoria da motivação',

segundo a qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa

hierarquia de importância e de influenciação. Essa hierarquia deAnecessidades pode ser visua-

lizada como uma pirâmide. Na base da pirâmide estão as necessidades mais baixas (necessi-

dades fisiológicas) e no topo as necessidades mais elevadas (as necessidades de auto-reali-

zação)e .

1. Necessidadesjisiológicas: constituem o nível mais baixo de todas as necessidades humanas, mas de vital

importância. Neste nível estào as nece sidades de alimentaçào (fome e sede), de sono e repouso (cansaço),

de abrigo (frio ou calor), o desejo sexual etc. As

necessidadesjisiológiras estào relacionadas com a sobre-

vivência do indivíduo e com a preservaçào da espécie. Sào necessidades instintivas e que já nascem com o

indivíduo. Sào as mais prementes de todas as necessidadés humanas: quando alguma dessas necessidades

nào está satisfeita, ela domina a direçâo do comportamento. O homem com o estômago vazio nâo tem

outra preocupaçâo maior do que se alimentar. Porém, quando come regularmente e de maneira adequada,

a fome deixa de ser uma motivaçào importante. Quando todas as necessidades humanas estâo insatis-

b Abraham H. Maslow (1908-1970), um dos maiores especialistas em motivaçào humana.

Abraham H. Maslow, Motivation and Personality, New York, Harper & Row, Publishers, 1954.

e Abraham H. Maslow; "Uma Teoria da Motivaçàn Humana", in O Comportamento Humano na Empresa

- Uma Anlologia, Yolanda Ferreira Balcâo e Laerte Leite Cordeiro, Rio de Janeiro, Fundaçào Getúlio Vargas,

lnstituto de Documentaçào,1971, pp. 340-355.


TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO

-:& 5
NECESSI DADES

SECUNDARIAS
NECESSIDADES

PRIMÁRIAS

A HIERARQUIA DAS NECESSIDADES, SEGUNDO MASLOW

feitas, a maior motivação será a das necessidades fisiológicus e o comportamento do indivíduo terá a

finalidade de encontrar alívio na press o que essas necessidades produzem sobre o organismo.

2. Necessidades de segurança: constituem o segundo nível das necessidades humanas. São as necessidades de

segurança ou de estabilidade, a busca de proteção contra a ameaCa ou privação, a fuga ao perigo. Surgem

no comportamento quando as neeessidodesjrsiológicas estão relativamente satisfeitas. Quando o indivi-

duo é dominado por necessidades de segurança, o seu organismo no todo age como um mecanismo de

procura de segurança e as necessidades de segurança funcionam como elementos organizadores quase

exclusivos do comportamento. As necessidades de segurançu têm grande importância no comportamento

humano, uma vez que todo empregado está sempre em relaC o de dependência à empresa, onde aç8es

administrativas arbitrárias ou decis8es incoerentes podem provocar incerteza ou insegurança no empre-

gado quanto à sua permanência no emprego. Se essas aç8es ou decis8es refletem discriminação ou favori-

tismo ou alguma política administrativa imprevisível, podem se tornar poderosos ativadores de insegu-

rança em todos os níveis hierárquicos da empresa.

3. Necessidades sociais surgem no comportamento, yuando as necessidades mais baixas (jisiológicas e de

segurança) se encontram relativamente satisfeitas. Dentre as necessidades sociais estào a necessidade de

associaçào, de participação, de aceitação por parte dos

companheiros de troca de amizade, de afeto e

amor. Quando as necessidudes sociais nâo estão suficientemente satisfeitas, o indivíduo se torna resis-



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