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ORIGENS DA TEORIA DE SISTEMAS


A Teoria Geral de Sistemas (T. G. S.) surgiu com os trabalhos do biólogo alemão Ludwig von

Bertalanffy, publicados entre l9gfl a 1968'.

L. von Bertalanffy, "The Theory of Open Systems in Physics and Biology", Science, cit., vol. III, pp. 23 a

29, I950; "General Systems Theory: A New Approach to Unity of Science", in Human Biology, dez. I95 I ; "Geni-

ral Systems Theory" , in Yearbook ofthe Societyjor General System Research,1956; Cenera! Systems Theorv, Neu

York, George Brasilier,1968.


TEORIA DE SISTEMAS 513
A ZG.S. não busca solucionar problemas ou tentar soluções práticas; mas sim produ-

zir teorias e formulações conceituais que possam criar condições de aplicações na realidade

empírica. Os pressupostos básicos da Teoria Geral dos Sistemas são:

a) "Existe uma nítida tendência para a integraçâo nas várias ciências naturais e sociais.

b) Essa integração parece orientar-se rumo a uma teoria dos sistemas.

c) Essa teoria dos sistemas pode ser uma maneira mais abrangente de estudar os campos nào-físicos do

conhecimento científico, especialmente as ciências sociais.

d) Essa teoria dos sistemas, ao desenvolver princípios unificadores que atravessam verticalmente os univer-

sos particulares das diversas ciências envolvidas, aproxima-nos do objetivo da unidade da ciência.

e) Isto pode nos levar a uma integração muito necessária na educação científica".


A Teoria Geral dos Sistemas afirma que as propriedades dos sistemas não podem ser

descritas significativamente em termos de seus elementos separados. A compreensão dos

sistemas somente ocorre quando estuda os sistemas globalmente, envolvendo todas as inter-

dependências dos seus subsistemas.

A T.G.S. fundamenta-se em três premissas básicas2, a saber:
a) Os sistemos existem dentro de sistemas. As moléculas existem dentro de células, as células dentro de teci-

dos, os tecidos dentro dos brgàos, os órgàos dentro dos organismos, os organismos dentro de colônias, as

colônias dentro de culturas nutrientes, as culturas dentro de conjuntos maiores de culturas, e assim por

diante.


b) Os sistemas sdo abertos. É uma decorrência da premissa anterior. Cada sistema que se examine, exceto o

menor ou o maior, recebe e descarrega algo aos outros sistemas, geralmente aqueles que Ihe sào contí-

guos. Os sistemas abertos são caracterizados por um processo de intercâmbio infinito com seu ambiente,

que são os outros sistemas. Quando o intercâmbio cessa, o sistema se desintegra, isto é, perde suas fontes

de energia.

c) Asjunções de um sistema dependem de sua estrutura. Para os sistemas biolbgicos e mecânicos esta afir-

maçâo é intuitiva. Os tecidos musculares, por exemplo, se contraem porque sâo constituídos de uma

estrutura celular que permite contraç8es.


Não é propriamente a T.G.S., mas as características e parâmetros que ela estabelece

para todos os sistemas, a nossa área de interesse. Doravante, pois, ao invés de falarmos em

Z G. S. , falaremos da Teoria de Sistemas.

O 'conceito de sistema passou a dominar as ciências e, principalmente, a Administra-

ção. Se se fala em Astronomia, pensa-se em sistema solar; se o assunto é Fisiologia, pensa-se

no sistema nervoso, no sistema circulatório, no sistema digestivo. A Sociologia fala em siste-

ma social, a Economia em sistemas monetários, a Física em sistemas atQmicos e assim por . ;

diante. A aóordagem sistêmica hoje, em Administração, é tão comum què às vezes nem nos `

ocorre que estamos a utilizá-la a todo momento.
A empresa se apresenta como uma estrutura autônoma com capacidade de se reproduzir e pode ser focali-

zada através de uma teoria de sistemas capaz de propiciar uma visualização de um sistema de sistemas de

tomadas de decisees, tanto do ponto de vista individual como coletivo, ou seja, da organizaçâo como um

conjunto. A abordagem sistêmica tem por objetivo representar, de forma compreensiva e objetiva, o meio

em que tem lugar a tomada de decis8es, uma vez que a tarefa de decisão seria muito mais fácil se se contasse

com uma descriçâo concret e objetiva do sistema dentro do qual ela deve ser tomada.

z F. K. Berrien, General and Social Systems, New Brunswick, N. J., Rutgers University Press,1968.
514 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
De um ponto de vista histórico, verifica-se que3:
a) A Teorio da Administraçdo Cientlfica utilizou o conceito de sislemo homem-máquina, mas limitou-se ao

nível do trabalho fabril. Preocupou-se com a produtividade e com os procedimentos de trabalho que

beneficiassem os operários, os chefes e os empresários.

b) A Teoria das Relações Humanas ampliou o enfoque da u idade homem-máquina estendendo-o às rela-

ções entre as pessoas dentro da organizaC o. A compreensâo do efeito das relaç8es sociais entre pessoas,

da conduta social do indivíduo e a dos pequenos grupos provocou uma profunda revisão dos critérios e

técnicas gerenciais.

c) A Teoria Estruturalista concebe a empresa como um sistema social, reconhecendo a existência tanto de

uma organizaçdo formal. como de uma organizaçdo informal dentro de um sislema tota/ integrado. A

organização ou a empresa é sujeita a pressâo externa por parte do meio ambiente, isto é, a empresa é con-

siderada como parte integrante de um sistema social mais amplo.

d) A Teoria Comporlamental, entre outras coisas, trouxe a Teoria das DecisBes, mostrando que a organiza-

ção pode ser concebida como um complexo sistema de decisões: todos os participantes das organizaç8es

são tomadores de decis8es dentro de um emaranhado de relações de intercâmbios que caracterizam o

comportamento organizacional.

e) Após a tl Guerra Mundial intensificou-se através da Teoria Matemática a aplicaCâo da pesquisa operacio-

na/ à resolução de problemas grandes e complexos, com grande número de variáveis, principalmente na

programação da produCâo, operaç8es de carga e descarga, tráfego etc:


A Teoria das Filas foi aprofundada e formularam-se modelos capazes de representar uma grande

variedade de situaç8es típieas de prestação de serviços em que é necessário programar a quantidade ótima

de servidores para uma esperada afluência de clientes. Porém, se essas técnicas científicas propiciaram a

solução de muitos problemas complexos e com elevado número de variáveis, elas não bastam para anali-

sar a organização empresarial. Pela sua natureza, tais técnicas devem estruturar os sistemas, quantifi-

cando apenas os elementos que os comp8em.


Verifica-se que "as teorias tradicionais da organização têm propendido a ver a organi-

zação humana como um sistemafechado. Essa tendência nos tem levado a desconsiderar os

diferentes ambientes organizacionais e a natureza da dependência organizacional quanto ao

ambiente. Ela também nos levou a uma superconcentração nos princípios de funcionamento

organizacional interno, com a conseqiiente falha em desenvolver e compreender os processos

de retroaçâo (feedback) que são essenciais à sobrevivência"'.

Por outro lado, "o ponto fraco da microabordagem no passado foi duplo:
a) lidou com pouquíssimas das variáveis significantes da situação total e

b) muitas vezes ela tem se agarrado a variáveis impróprias"5.


A Teoria de Sistemas penetrou rapidamente na teoria administrativa por duas razões

, básicas:


a) por um lado, em face da necessidade de uma slntese e uma integraçao maior das teorias que a precederam,

esforço tentado com considerável sucesso pela aplicação das ciências do comportamento ao estudo da

organização desenvolvido pelos behavioristas;

3 Richard A. Johnson, Fremont E. Kast e James E. Rosenzweig, The Theory and Management of Systems,

New York, McGraw-Hill Book Co.,1%7, pp. 44-70.

4 Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psico/ogia Social das Organizaçdes, cit., 1972, p. 45.

5 Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Socia! das Organizações, cit., p. 25.
TEORIA DE SISTEMAS 51 S
b) por outro lado, a Matemática, a Cibernética, de um modo geral, e a tecnoiogia da injormaçõo, de um

modo especial, vieram trazer imensas possibilidades de desenvolvimento e operacionalização das idéias

que convergiam para uma teoria de sistemas aplicada à Administraçdo.
O onceito de sistemas não é uma tecnologia em si, mas é resultante dela, permitindo

uma vi ão compreensiva, abrangente e 'gestáltica" de um conjunto de coisas complexas,

dando-lhe configuração totaló.
A análise sistêmica das organizaç8es vivas permite revelar o "geral no particular", podendo mostrar as

propriedades gerais das espécies que são capazes de se adaptar e sobreviver em seu ambiente típico. Neste

sentido, as propriedades ` gestáiticas" das organizaç8es vivas não são reveladas pelos demais métodos ordi-

nários de análise científica. Os sistemas vivos, sejam indivíduos ou organizaç8es, são analisados como "siste-

mas abertos", mantendo um contínuo intercâmbio de matéria/energia/informação com o ambiente. A

Teoria de Srstemas permite reconceituar os fen8menos dentro de uma abordagem global, permitindo a inter-

relação e integração de assuntos que são, na maioria das vezes, de natureza completamente diferentes .

CONCEITO DE SISTEMAS


A palavra `sistema" tem muitas conotações: "um conjunto de elementos interdependentes e

interagentes; um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado e cujo

resultado (output) é maior do que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem

independentemente. O ser humano, por exemplo, é um sistema que consiste em um número

de órgãos e membros, e somente quando estes funcionam de modo coordenado o homem é

eficaz. Similarmente, pode-se pensar que a organização é um sistema que consiste em um

número de partes interagentes. Por exemplo, uma firma manufatureira tem uma seção devo-

tada à pcodução, outra devotada às vendas, uma terceira devotada às finanças e várias outras.

Nenhuma delas é mais do que as outras, em si. Mas quando a firma tem todas essas seções, e

quando elas são adequadamente coordenadas, pode-se esperar que elas funcionem eficaz-

mente e façam lucro' 's. O conceito de sistemas foi abordado no capítulo dedicado à Ciberné-

tica.


l. Características dos Sistemas
Sistema é "um todo organizado ou complexo; um conjunto ou combinaçãd de coisás ou

partes, formando um todo complexo ou unitário"9. Um sistema é um conjunto de objetos '

6 A "Gestai!" é uma corrente da Psicologia, cuja tese principal é a de que "o todo é mais do que a soma das

partes". O todo n o deve ser comparado som agregaç8es aditivas. Não se trata de somar as partes. O todo pode ser

tanto um objeto concretatnente organízado como pode ser uma organizaG o. Aagyal (Foundationsjor a Science of

Personaiily, Harvard Udiversity Press, I9 4I) prop8e que a palavrá todo seja utilizada para designar um objeto con- ;

cretame te orga izado, enquanto a palavta organização seja chamada sistema.

F. E. Emery, Systems Thinking. Middleséx, England, Penguin Books, I972, p. 8. "

K Pradip N. Khandwalla, The 0esign oj Organizarion, cit., p. 224.

y Richard A. Johnson, Fremont E. Kast e James E. Rosenzweig, "Designing Management Systems", in

Management Systems, Peter P. Schoderbeck, New York, John Wiley & Sons, Inc.,1%8, p. I 13.
SI6 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
unidos por alguma forma de interação ou interdependência. Qualquer conjunto de partes

unidas entre si pode ser considerado um sistema, desde que as relações entre as partes e o

comportamento do todo seja o foco de atenção. Um conjunto de partículas que se atraem

mutuamente (como o sistema solar), ou um grupo de pessoas em uma organização, uma rede

industrial, um circuito elétrico, um computador ou um ser vivo podem ser visualizados como

sistemas.

Realmente, é difícil dizer onde começa e onde ter-mina determinado sistema. Os limites

(fronteiras) entre o sistema e o seu ambierlte admitem certa arbitrariedade. O próprio uni-

verso parece estar formado de múltiplos sistemas que se interpenetram. lÉ possível passar de

um sistema para outro que o abrange, como também passar para uma versão menor e nele

contida.

Da definição de Bertalanffy'o, segundo a qual o sistema é um conjunto de unidades

reciprocamente relacionadas, decorrem dois conceitos: o de propósito (ou objetivo) e o de

globalismo (ou totalidade). Esses dois conceitos retratam duas características básicas em um

sistema. As demais caracteristicas dadas a seguir são derivadas desses dois conceitos.
a) Propósito ou objetivo: todo sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. As unidades ou elementos

(ou objetos), bem como os relacionamentos, definem um arranjo que visa sempre a um objetivo a alcançar.

b) Globalismo ou totolidade: todo sistemo tem uma natureza orgânica, pela qual uma ação que produza

mudança em uma das unidades do sistema, com muita probabilidade deverá produzir mudanças em todas

as outras unidades deste. Em outros termos, qualquer estimulaC o em qualquer unidade do sistema

afetará todas as demais unidades, devido ao relacionamento existente entre elas. O efeito total dessas mu-

danças ou alteraç8es se apresentará como um ajustamento de todo o sistema. O sistema sempre reagirá

globalmente a qualquer estímulo produzido em qualquer parte ou unidade. Há uma relaçâo de causa-e-

efeito entre as diferentes partes do sistema. Assim, o sistema sofre mudanças e o ajustamento sistemático

é contínuo. Das mudanças e dos ajustamentos contínuos do sistema decorrem dois fen8menos: o da

entropia e o da homeostasia.

c) Ènlropia' é a tendência que os sistemas têm para o desgaste, para a desintegração, para o afrouxamento

dos padrees e para um aumento da aleatoriedade. À medida que a entropia aumenta, os sistemas se

decomp8em em estados mais simples. A segunda lei da

termodinâmica explica que a entropia nos sistemas

aumenta com o correr do tempo, como já vimos no capítulo sobre Cibernética.

À medida que aumenta a informuçdo, diminui a entropia, pois a informação é a base da configuração e

da ordem. Se, por falta de comunicação ou por ignorância, os padrees de autoridade, as funçees, a hie-

rarquia etc, de uma organizaçãoformal passam a ser gradativamente abandonados, a entropia aumenta e

a organizaçâo vai se reduzindo a formas gradativamente mais simples e rudimentares de indivíduos e de

grupós. Daí o conceito de negentropia, ou seja, a in Jormuçdo como meio ou instrumento de ordenaçâo do

sistema ".

d) Homeostasia: é o equilíbrio dinâmico en re as partes do sistema. Os s stemas têm uma tendência a se

adaptarem a fim de alcançarem um equilí rio interno em face das mudanças externas do meio ambiente.


A definição de um sistema depende do interesse da pessoa que pretenda analisá-lo.

Uma organização, por exemplo, poderá ser entendida como um sistema ou subsistema ou

ainda supersistema dependendo da análise que se queira fazer: que o sistema tenha um grau

dé autonomia maior do que o subsistema e menor do que o supersistema. É, portanto, uma

questão de abordagem. Assim, um departamento pode ser Yisualizado como um sistema,

composto de vários subsistemas (seções ou setores) e integrado em um supersistema (a em-

o Ludwig von Bertalanffy, Teoria Geral dos Sistemas, cit.

James G. Miller, "Living Systems: Basic Concepts", Behavioral Science, 10 jul.1965, p.196.


TEORIA DE SISTEMAS

presa), çomo também pode ser visualizado como um subsistema composto por outros subsis- I

temas (seções ou setores), pertencendo a um sistema (a empresa) que está integrado em um

supersiJtema (o mercado ou a comunidade). Tudo depende da forma da abòrdagem. ì Í

O sistema total é aquele representado por todos os componentes e relações necessários

à realização de um objetivo, dado um certo número de restrições. O objetivo do sistema total i

define a finalidaçie para a qual foram ordenados todos òs componentes e relações do siste-

ma, enquanto as restrições do sistema são as limitações introduzidas em sua operação, que

definem os limites (fronteiras) do sistema e possibilitam explicitar as condições sob as quais

ele deve operar'z.

O termo ststema é geralmente empregado no sentido de sistema total. Os componentes

necessários à óperação de um sistema total são chamados subsistemas que, por sua vez, são

formados pela reunião de novos subsistemas, mais detalhados. Assim, tanto a hierarquia dos

sistemas como o número dos subsistemas dependem da complexidade intrínseca do sistema

totul. Os sistemas podem operar simultaneamente, em série ou em paralelo. Não há sistemas

fora de um meio específico (ambiente) : os sistemas existem em um meio e são por ele condi-

cionados. Meio (ambiente) é o conjunto de todos os objetos que, dentro de um limite especí-

fico, possam ter alguma influência sobre a operação do sistema. Os limites (fronteiras) são a

condição ambiental dentro da qual o sistema deve operar.

2. Tipos de Sistemas


Há uma grande variedade de sistemas e uma ampla gama de tipologias para classificá-los, de

acordo com certas características básicas.


a) Quanto à sua constituição, os sistemas podem ser fi sicós ou abstratos:
a) sistemas ,jfsicos ou concretos, quando compostos de equipamentos de maquinaria e de objetos e coisas

reais. Em suma, quando compostos de "hardware"i3. Podem ser descritos em termos quantitativos de

desémpe ho;

b) sistem.%abstratos, quando compostos de conceitos, planos, hipóteses e idéias. Aqui, os símbolos repre-

sentam atributos e objetos, que muitas vezes sb existem no pensamento das pessoas. Em suma, quando

compostos de ` softwure" `.


Na reafidade, em certos casos, o sistemaffsico (hardware) opera em conionâncla com o

sistema abstrato (soflware). É o exemplo de uma escola com suas salas de aulás, carteiras,

lousas, iluminação etc. (sistemaffsico) para desenvolver um programa de educação (sistema

abstrato); ou um centro de processamentó de dados, onde o equipamento e ciccuitos proces-

sam programas de instruções ao computador.
Stanford L. Optner, A Análrse de Sistemas Empresariais, Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico,1971.

3 "Hardware"' termo da linguagem dos computadores e da literatura cientifica. Não é traduzível. Significa !

a totalidade dos componentes flsicos de um sistema. Pode ser utilizado mais restritivamente para significar o equi- '

pamento, em oposição a ` só, twáre".

` "Softwore": termo também não traduzível, significa um conjunto de programas e instruCBes. Pode ser

utilizado mais restritivamente para significar manejo.


518 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
b) Quanto à sua natureza, os sistemas podem ser fechados ou abertos
a) Sistemasfechodos: sâo os sistemas que não apresentam intercâmbio com o meio ambiente que os circun-

da, pois são herméticos a qáalquer influência ambiental. Sendo assim, os sistertiasjechados não recebem

nenhuma intluência do amóiente e, por outro lado, também não influenciam o ambienle. Não recebem

nenhum recurso externo e nada produzem que seja enviado para fora. A rigor, náo existem sistemas

fechados, na acepção exata do termo. Os autores têm dado o nome de sistemasjechados àqueles sistemas

cujo comportamento é totalmente determinfstico e programado e que operam com muito pequeno inter-

câmbio de matéria e energia com o meio ambiente. Também o termo é utilizado para os srstemas comple-

tamente estruturados, onde os elementos e relaç8es combinam-se de uma maneira peculiar e rígida produ-

zindo uma saída invariável. Sâo os chamados sistemas mecânicos, como as máquinas.

b) Sistemas abertos: são os sistemas que apresentam relaçees de intercâmbio com o ambiente, através de

entradas e de saídas. Os sistemas abertos trocam matéria e energia regularmente com o meio ambiente.

São eminentemente adaptativos, isto é, para sobreviverem devem reajustar-se constantemente às condi-

ç8es do meio. Mantêm um jogo recíproco com as forças do ambiente e a qualidade de sua estrutura é

otimizada quando o conjunto de elementos do sistema se organiza, aproximando-se de uma operaçâo

adaptativa. A adaptabilidade é um contínuo processo de aprendizagem e de auto-organizaçâo.

Os sistemas abertos nâo podem viver em isolamento. Os sistemasfechados - isto é, os sistemas que estão

isolados de seu meio ambiente - cumprem o segundo princípio da termodinâmica que diz que "uma

certa quantidade, chamada entropio, tende a aumentar a um máximo"i5.

A condusâo é que existe uma "tendência geral dos eventos na natureza fisica em direç o a um estado de

máxima desordem". Porém, um sistema aberto "mantém a si próprio, em um contínuo fluxo de entrada

e saída, uma manutenção e sustentação dos componentes, nunca estando ao longo de sua vida em um

estado de equilibrio químieo e termodinâmico, obtido através de um estadofirme, chamado homeosta-

sia". Os sistemas abertos, portanto, "evitam o aumento da entropia e podem desenvotver-se em diceção a

um estado de crescente ordem e organizaçâo" (entropia negativa . Através da interaçâo ambiental, os sis-

temas abertos "restauram sua própria energia e reparam perdas em sua própria organizaçâo".
O conceito de sistema aberto pode sec aplicado a diversos

níveis de abordagem: ao nível

do individuo, ao nível do grupo, ao nível da organização e ao nível da sociedade, indo desde

um microssistema até um supra-sistema. Em termos mais amplos, vai da célula ao universo.

Ambiente I Y """' " '" y ou I ll """' "'" "" I ) Ambiente

MODELO GENÉRICO DE SISTEMA ABERTO


PARÂMETROS DOS SISTEMAS


O sistema é um processo em marcha. Para Optner, qualquer coisa que esteja em movimento

ou que mude de estado, em um processo, pode ser considerado um sistema. Essa definição é


5 Stanford L. Optner, A Anklise de Sistemas Empresariais, cit
TEORIA DE SISTEMAS
carretà, mas incompleta, porquanto existem sistemas (como o telefônico, de radiocomunica-

ção etc.) que carecem de movimento no sentido convencional. Assim, Optner salienta que

uma definição mais gerál consideraria o sistema como um cnnjunto de elementos que possui

uma série de relações com seus atributos.

Além dos elementos (ou partes ou objetos), o sistema se caracteriza pelas relações entre

eles. As relações são os laços que ligam os elementos (ou objetos) entre si.

O sistema se caracteriza por determinados parâmetros. Parâmetros são constantes

arbitrárias que caracterizam, por suas propriedades, o valor e a descrição dimensional de um ?

sistema específico ou de Vm componente do sistema.

Os parâmetros os srstemas são:


- entrada ou insumo ("input"J;

- processamento oU transformador ("throughput"J;

- safda ou resultado ou produto ("output"J;

- retroação ou retroalimentaçâo ou retroinformação (`jeedback"J;

- ambiente ("environment"J.

Entrada Saída

Ambiente Procassamanto Ambiente

I I
Retroação



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