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1. Entrada ou insumo ou impulso ("input"J é a força de arranque ou de partida do

sistema, no dizer de Optner, que fornece o material ou energia para a operação do -

sistema.

2. Safda ou produto ou resultado ("output") é a lnalidade para a qual se reuniram

elementos e relações do sistema. Os resultados de um processo são as saídas. Estas

devem ser congruentes (coerentes) com o objetivo do sistema. Os resultados dos sis- i

temas são finais (eonclusivos), enquanto os resultados dos subsistemas são interme-

diários. a, formador `throu h ut" t é o fenômeno

3. Processamento ou processador ou tr ( e P J

que produz mudanças, é o mecanismo de conversão das entradas em saídas ou resul-

tados. O processador caracteriza a ação dos sistemas e define-se pela totalidade dos

elementos (tanto elementos como relações) empenhados na

produção de um resulta-

do. O processador é geralmente representado pela caixa negra: nela entram os insu-

mos e dela saem coisas diferentes, que são os produtos. Quando temos poucas infor-

mações sobre o processador, podemos fazer certas inferências a pàrtir de observa-

ções controladas: controlamos determinados insumos e observamos os resultados

decorrentes até obtermos um número suficiente de possibilidades e de combinações

que nos permitam concluir sobre o que é e o que faz. Geralmente quando estudamos

sistemas em atividade, os detalhes sobre o mecanismo processador poueo interes-

sam, a não ser quando tragam informações que os esclareçam. A exploração deta-
520 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRA ÃO
lhada da caixa negra é feita através de informações e definiçdes comportamentais e

operacionais. Quando temos diagramas de séries de caixas negras, podemos indicar

relações de causa-e-efeito, para melhor análise dos detalhes. Podemos também sin-

tetizar essas séries de processnmento relacionadas entre si, reduzindo-as a uma ou

poucas caixas negras.

4. Retroação ou retroalimentação ou retroinformação (`jeedback") ou alimentação

de retorno é a função de sistema que visa comparar a saída com um critério ou

padrão previamente estabelecido. A retroação tem por objetivo o controle, ou seja,

o estado de um sistema sujeito a um monitor (monitorial). Monitor é um termo que

compreende uma função de guia e de direção.

Assim, a retroação é um subsistema planejado para "sentir" a saídá (registrando

sua intensidade ou qualidade) e, conseqiientemente, compará-la com um padrão ou

critério preestabelecido, mantendo-a controlada dentro daquele padrão ou critério.

Os desvios da saída em relação ao planejado, projetado ou esperado devem ser

medidos através de meios previamente programados. A retroação visa manter ou

aperfeiçoar o desempenho do processo fazendo com que seu resultado esteja sempre

adequado ao padrão ou critério escolhido. Diz-se que há um estado de controle

quando as operações dos subsistemas são mantidas mediante a correção das dife-

renças entre a saída (resultados, produtos) e os critérios (especificações prévias,

limites de segurança, tolerância).

5. Ambiente: é o meio que envolve externamente o sistema. O sistema aberto recebe

entradas (inputs) do ambiente, processa-as e efetua saidas (outputs) novamente ao

ambiente, de tal forma que existe entre ambos - sistema e ambiente - uma cons-

tante interação. O sistema e o ambiente encontram-se pois inter-relacionados e

interdependentes . O sistema recebe influências do ambiente através da entrada e efe-

tua influências sobre o ambiente através da safda. Todavia, à medida que ocorrem

estas influências, a prbpria influência do sistema sobre o ambiente retorna ao siste-

ma através da retroação (feedback). Para que o sistema seja viável e sobreviva, ele

deve adaptar-se ao ambiente através de uma constante interação. Assim, a viabilida-

de ou sobrevivência de um sistema depende de sua capacidade de adaptar-se, mudar

e responder às exigências e demandas do ambiente externo. O ambiente serve como

uma fonte de energia, materiais e informações ao sistema. Como o ambiente está

continuamente mudando, o processo de adaptação do sistema é um processo dinâ-

mico e sensitivo. Esta abordagem "ecológica" é importante para a compreensão do

funcionamento do sistema aberto Se bem que o ambiente pQssa ser um recurso para

o sistema, ele também pode ser uma ameaça à sua sobrevivência.

O SISTEMA ABERTO
O sistema aberto mantém um intercâmbio de transações com o ambiente.

Bertalanffy interessou-se principalmente pelos sistemas de circuito aberto, no caso o

organismo vivo, que se mantêm constantemente no mesmo estado (auto-regulação), apesar

da matéria e energia que o integram se renovarem constantemente (equilfbrio dinâmico ou


TEORIA DE SISTEMAS

homeostase). O organismo humano, por exemplo, não pode ser considerado uma mera

meração de elementos separados, mas um sistema definido que possui integridade e organi-

zação. Assim, o sistema aberto, como o organismo, é influenciado pelo meio ambiente e

influi sobre ele, alcançando um estado de equilfbrio dinâmico nesse meio. O modelo de siste-

ma aberto é sempre um complexo de elementos em interação e em intercâmbio contínuo com

o ambiente. Dentro desse novo posicionamento, a abordagem sistêmica teve profundas reper-

cussões na teoria administrativa.

A categoria mais importante dos sistemas abertos são os sistemas vivos. Muitos autores

fazem analo ias entre a empresa e os or anismos vivos, salientando que a empresa cresce em '

tamanho pe acréscimò de partes ela g ere coisas e as processa em produtos ou serviços.

, 8


Nesse processo há uma entrada e uma safda e um processo intermediário necessário vida. A

em resa reage ao seu ambiente (ajustando-se e adaptando-se a ele para sobreviver e muda i

seus mercados, produtos, técnicas estrutura. Pode até reproduzir-se em empresas subsi-

diárias.


Existem diferenças fundamentais entre os sistemas abertos (como os sistemas biológi-

cos e sociais, a saber a célula, a planta o homem, a organização, a sociedade), e os sistemas

t mostato) : !

fechados (como os sistemas físicos, a saber, as máquinas, o relbgio, o er 6


1. "o sistema aberto está em constante interaçâo dual com o ambiente. Dual no sentido de que o influencia e

é por ele influenciado; atua, pois, a um tempo, como variável independente e como variável dependente

do ambiente. O sistemafechado nâo interage com o ambiente;

2. o sistemo aberto tem capacidade de crescimento, mudança, adaptação ao ambiente e até auto-reprodu âo

naturalmente, sob certas condiçees ambientais. O sistemafechadõ nâo tem essa capacidade. Portanto, o

estado atual e final ou futuro do sistema aberto nâo é, necessária nem rigidamente, condicionado por seu

estado original ou inicial. Isso porque o sistema aberto tem reversibilidade. Per contra, o estado atual e

futuro ou final do sistemajechado será sempre o seu estado original ou inicial;

3. é contingência do sistema aberto competir com outros sistemas, o que não ocorre com o sistemafechado".
8 p p ,

Tal como os or anismos vivòs, as empresas têm seis fun ões rimárias ou rinci ais

que mantêm estreita relação entre si, mas que podem ser estudadas individualmente, a saber :
a) IngestDo: As em resas fazem ou compram materiais para processá-los de alguma maneira. As empresas

ad uirem dinhe o, máquinas e pessoas do ambiente no sentido de assistirem outras funções, exata-

m q te como os organismos vivos (animais e plantas) ingerem alimentos, água e ar para suprirem outras

funções e manterem sua fonte de energia.

b) Processamento: No animal a comida éinBerida e processada pelo organismo e transfocmada em energia e

em=suprimento das células orgânicas. Na empresa, a produção é equivalente a esse ciclo animal. Os mate-

riais são processados (com rejeição de refugos), havendo certa relaçâo entre as entrada e aídas no qual o

excesso é o equivalente à energia necessária à sobrevivência da empresa. A venda é o está io final do pro-

cessamento.

c) Reação ao ambiente: O animal reage a mudanças ambientais e, para sobreviver, deve adaptar-se à mudan-

ça ajustando-se, ou deve fugir, ou entào deve atacar. Essas ceaç8es podem variar de acordo com as situa-

çees especí6cas. Também a empresa reage ao seu ambiente, mudando seus materiais, consumidores, em-

pregados e recursos financeiros. As alteraCBes podem se efetuar no produto, no processo ou na estrutura.

6 Kleber T. Nascimento, "A Revoluçâo Conceptual da Administraçâo: Implicações para a Formulação dos

Papéis e FunçBes Essenciais de um Executivo", Revista'de Administroçdó Pública, vol. 6, n" 2, p. 33, abr./jun.

1972.


T. T. Paterson, Manágement Theory, London, Business Publications. Ltda.,1%9.
522 INTRODUÇAO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
d) Suprimento das partes: As várias partes do organismo vivo podem ser supridas com materiais, exata-

mente como o sistema sangflfneo abastece de alimento as partes do corpo humano. Os participantes da

empresa são supridos, não só do significado de suas funç8es, mas também são supridos de dados de com-

pras, produção, vendas ou contabilidade, e são recompensados principalmente sob a forma de salários e

de benefícios. O dinheiro é muitas vezes considerado o sangue da empresa.

e) Regeneraçdo das partes: As partes do organismo vivo perdem sua eficiência, adoecem ou morrem, por

uma série de causas, e devem sec regeneradas ou recolocadas no sentido de sobreviverem no conjunto. Os

membros da empresa tambtm podem adoecer, podem se aposentar ou se desligar da firma ou entgo

morrer. As máquinas podem se tornar obsoletas. Ambos, homens e máquinas, devem ser mantidos ou

cecolocados - daí as funçees de pessoal e de manutenção.

f) Organizaçdo: A organização das cinco funçtks descritas é uma função que requer um srstema de comuni-

caçdes para o controle e tomada de decisões. É o caso de animais que exigem cuidados na adaptação. A

organização necessita de um sistema nervoso central, pois as várias funç8es de produção, compras,

comercialização, recompensas e manutenção dévem ser coordenadas. Isto é obtido pela administração e

envolve problemas de controle, tomádas de decisão, planejamento e, às vezes, de reprodução, no sentido

de adaptá-la ao ambiente. Num ambiente de constantes mudanças, a previsáo, o planejamento, a pes-

quisa e desenvolvimento são aspectos necessários para a administração assegurar o ajustamento.

Sistemas Vivos (organismos Sistemas Organizados (orgonizaç8es


Nascem, herdam seus traços estruturais. São organizados, adquirem sua estrutura em

estágios.

Morrem, seu tempo de vida é limitado. Podem ser reorganizados, teoricamente têm uma

vida ilimitada, podem ser ressurgidas.

Têm um ciclo de vida predeterminado. N o têm ciclo de vida definido.
ão concretos - o sistema pode ser descrito em São abstratos - o sistema pode ser descrito em

termos físicos e qufmicos. termos psicológicos e sociológicos.

! São completos - parasitismo e simbiose são excep- S o incompletos - dependem de cooperaçào com

cionais. outras organizaç8es - suas partes componentes

são sempre intercambiáveis e geralmente distri-

buíveis.


Doença é definida como um distúrbio no processo Problema é definido como um desvio nas normas

vital. sociais.

SUMÁRIO DAS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE SISTEMAS VIVOS E ORGANIZADOS
Fonte: Eric Rhénman, Organization Theoryjor Lon-Range Ptanning, London, John Wiley & Sons Ltd., 1973,

p. 12.

A descrição de sislema aberto é exatamente aplicável a uma organização empresarial.

Uma empresa é um sistema criado pelo hómém e mantém uma dinâmica iriteração com o seu

meio ambiente, sejam os clientes, os fornecedores, os concorrentes, as entidades sindicais, os

órgãos governameritais e muitos outros agentes externos. Influi sobre o meio ambiente e

recebe influências dele. Além disso, é um sistema integrado por diversas partes relacionadas

entre si, que trabalham em harmonia umas com as outras, com a finalidade de alcançar úma

série= de objetivos, tanto da organização como de seus participantes.

' Em suma, o sistema aberto "pode ser compreendido como um conjunto de partes em

constante interação (o que ressalta a característica de interdependência das partes) consti-
TEORIA DE SISTEMAS

tuindo um todo sinérgico (o todo é maior do que a soma das partes), orientado para dete ni-

nados propósitos (com um comportamento teleológico, orientado, portanto, para fins) e em

permanente relação de interdependência com o ambiente externo (essa interdependência há I

de ser entendida como a dupla capacidade de influenciar o meio externo e ser por ele influen- i

ciado)"'s.


A ORGANIZAÇÃO OMO UM SISTEMA ABERTO


A idéia de se tratar a orgarrização como um sistema aberto não é nova. Herbert Spencer já

afirmava na virada deste século:


"Um organismo social assemelha-se a um organismo individual nos seguintes traços essenciais:

- no crescimento;

- no fato de se tornar mais complexo à medida que cresce;

- no fato de que, tornando-se mais complexo, suas partes exigem uma crescente interdependência;

- porque sua vida tem imensa extensào comparada com a vida de suas unidades componentes... "

- porque em ambos os casos há crescente integração acompanhada por crescente heterogeneidade


Segundo terminologia da Teoria Estruturalista, Taylor, Fayol e Weber utilizaram o

modelo racional, isto é, abordaram as organizações dentro de uma perspectiva de sistema

fechado. Os sistemas são fechados quando eles são isolados das influências das variáveis

externas e quando são determinfsticos ao invés de probabilisticos. Um sistema deterministico

é aquele em que uma mudança específica em uma de suas variáveis produzirá um resultado

particular com certeza. Assim, o sistema requer que todas as variáveis sejam conhecidas e

controláveis (ou previsíveis). Visualizando-se as organizações desta maneira, pode-se argu-

mentar - como fazia Fayol - que a eficácia organizacional sempre prevalecerá se as variá-

veis organizacionais forem controladas dentro de certos limites conhecidos, isto é, se a admi-

nistração seguir um conjunto de regras que são determinadas para manter relações desejadas

entre as várias partes da organização.

Características das Organizações como Sistemas Abertqs

As organizações possuem todas as características dos sistemas abertos, já anteriormente

definidas em parte. Antes de introduzirmos o leitor em modelos mais sofisticados de orga-

nizações, torna-se premente alinhar algumas características básicas das organizações. As

demais serão discutidas ao longo da apresentação dos modelos, ainda neste capítulo.

s Kleber T. Nascimento, "A Revolução Conceptual...", Revista de Administraçdo Pública. cit.. p. 34.

9 Herbert Spencer; Autobiography, New York,1904, vol. II, p. 56.


524 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
I. Comportamento Probabilistico e Não-Deterministico das Organizações
As organiza ões, como todos os sislemas sociais, são sistemas abertos, afetados por mudan-

ças, em seus ambientes, denominadas variáveis externas. O ambiente é potencialmente sem

fronteiras e inclui variáveis desconhecidas e incontroladas. Por outro lado, as conseq0ências

dos sfstemas sociais são probabilisticas e não-determinfsticas. O comportamento humano

nunc é totalménte previsível. As pessoas são complexas, respondendo a muitas variáveis,

que não são totalmente compreensíveis, incluindo aquelas que pertencem ao autocontrole.

Por estas razões, a Administração não pode esperar que consumidores, fornecedores, agên-

; cias reguladoras e outros tenham um comportamento previsível2o.

2. As Organiza ões como Partes de uma Sociedade Maior

e Constituidas de Partes Menores


As organiza ões são vistas como sistemas dentro de sistemas. Os sistemas são "complexos de

elementos colocados em interação"z'. A focalização é estabelecida mais sobre as relações

entre os elementos interagentes. Essa interação entre os elementos produz um todo que não

pode ser compreendido pela simples investigação das várias partes tomadas isoladamente.

Talcott Parsons preocupa-se constantemente com a visão global, com a integração.

Nesse sentido, é considerado um precursor da teoria dos sistemas. Salienta que "aquilo que

do ponto de vista da organização é sua meta específica, constitui, do ponto de vista do siste-

ma maior, do qual representa parte diferençada ou mesmo um subsistema, uma função espe-

cializada ou diferenciada. Esta relação constitui o vínculo básico entre uma organização e o

sistema maior de que é parte e proporciona uma base para a classificação dos tipos de orga-

nização ' ' 2z .

Parsons adota como ponto de partida o tratamento da organização como um sistema

social, dentro da seguinte abordagem23:
1. a organizaG o deve ser abordada como um sistema caracterizado por todas as propriedades essenciais a

qualquer sistema social;

2. a organizaC o deve ser abordada como

um subsistema funcionalmente diferenciado de um sistema social

maior. Os outros subsistemas de um sistema maior compqrào a situação ou ambiente em que opera a

organiza C o;

3. a organizaçào deve ser analisada como um t po especiál de sistema social, Qrganizado em torno da prima-

zia de interesses pela consecuc o de determinado tipo de meta sistêmica. Algyns de seus aspectos especiais

serào originados da primazia de metas em geral enquanto outros aspectos serão originados da primazia de

determinado tipo de meta;

4. as características da organizaC o devem ser definidas pela espécie de situação em que precisa operar, e que

consistirá nas relaCBes que prevalecem entre ela e os outros subsistemas especializados. componentes do

z George F. Wieland e Robert A. Ullrich, Organizations, Behavior, Design and Change, Homewood, II1.,

Richard D. Irwin, Inc., 1976, p. 7.

2 Ludwig von Bertalanffy, Ceneral System Theory, cit., p. 33.

zz Talcott Parsons, Suggestions Jor a Sociologicol Approach ofthe Theory o J Organiza ions, Chicago, Aldi-

ne Publish,., 1%9, p. 45.

z3 Talcott Parsons, Suggestions Jor u Sociological Approuch ofthe Theory of Organizalions, cil., pp. 45 e 46.


TEORIA DE SISTEMAS 525
sistema maior do qual é parte. Este último poderá ser considerado - para determinados fins - como !

sendo uma sociedade.


A organização é um sistema social com partes independentes e inter-relacionadas.

Como um sistema, ela está continuamente submetida a uma mudança dinâmica, requerendo

um balanço. Cada organização é imbuída dos valores dominantes do seu ambiente. Mas, ao

mesmo tempo, os membros ultrapassam ativamente seus ambientes externos e podem afetar

apreciavelmente a estrutura social e cultural. Os membros de uma organização de trabalho

sâo simultaneamente membros de muitos outros grupos, competid res ent e si ou mantendo

lealdade complementar. Sua posição de poder dentro das organizações depende muito de

suas relações com tais gruposz'.

3. Interdependência das Partes
"O sistema organizacional compartilha com os sistemas biológicos a propriedade de uma

intensa interdependência de suas partes, de modo que uma mudança em uma das partes pro-

voca um impacto sobre as outras."z5 Uma organização nâo é um sistema mecânico, no qual

unia das partes pode ser mudada sem um efeito concomitante sobre as outras partes. Em

face da diferencia ão das partes provocada pela divisão do trabalho, as partes precisam ser

coordenadas através de meios de integração e de controle.

As interações internas e externas do sistema refletem diferentes escalões de controle e

de autonomia. Uma variedade de subsistemas deve cumprir a função do sistema e as suas

atividades devem ser coordenadas. Essa coordenação se assemelha com "as hierarquias nos

sistemas vivos, cada nível tem ùma certa autonomia e até um certo grau ele é controlado por

níveis que estâo acima e abaixo dele' ' .

4. Homeostase ou ` `Estado Firme ' '


A organizaçâo pode alcançar um "estadofirme" somente quando ocorrerem dois requisitos

a unidirecionalidade e o progressozb.


a) Unidirecionalidade oú constância de direção: isto é, apesar das mudanças do ambiente ou da empresa, os

mesmos resultados ou condições focais são atingidos. Através de outros meios, o srsremalcontinua orien-

tado para o mesmo fim.

b) Progresso com respeito ao fim, isto E, o sistema mantém, em relação ao fim desejado um grau dé pro-

gresso que está dentro dos limites definidos como toleráveis: O grau de progresso pode ser melhorado

quando a empresa alcança a condição focal com menor esforço, com maior precisão para um esforço

relativamente não maior e sob condições de grande variabilidade.

z4 gertram M. Gross, As Empresas e suo Administração. Um Enfoque Sislêmico, Petrbpolis, Ed. Vozes,

1973, p. 135.

zs paul R. Lawrence e Jay W. Lorsch, Desenvolvimento Orgonizacional: Diagnóstico e Açdo, cil., pp. 9 e 10.

zs ames G. Miller, "Living Systems: Basic Concepts", Behuviorol Science, vol.10, pp.193 a 237 e 229, jul.

1%5. F. E. Emery, Systems Thinking, cil., p. 9.


526 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
Dados estes dois requisitos - unidireciona(idade e progresso -, a tarefa da Adminis-

tração é governada pela necessidade de corrIbinar corstantemente as capacidades atuais e

potenciais da empresa com os requisitos atuais e potenciais dó ambiente. Só dessa maneira

pode e habilitar a empresa a alcançar um "estadofirme".


Um "esladof rme" de um sistema nào pode ser alcancado apenas por alguma combinação finita de disposi-

tivos regulatórios ou mecanismos que são acionados para alcançar um estado firme para algum aspecto par-

cial do problema (como grau de insumo/resultado, mudança organizacional interna ou contato ambiental).

Na organização humana, os dois requisitos para um estado firme - a unidirecionalldade e o progresso -

podem ser alcançados apenas por liderança e comprometimento. Em segundo lugar, os membros de uma

organizaçào devem estar comprometidos com o estado final que eles devem alcançar mesmo sobrevindo

emergência ou exigências de maiores esforços. A regulaC o básica de um sistema aberto é a auto-regulaçào -

regulação intrínseca que emerge da própria natureza das partes que constituem o sistema.


5. Fronteiras ou Limites


É a linha que serve para demarcar o que está dentro e o que está fora do sistema. Nem sempre

a fronteira de um sistema existe fisicamente. Uma definição operacional de fronteira, por

exemplo, consiste em uma linha fechada ao redor de variáveis selecionadas entre aquelas

que tenham maior intercâmbìo (de energia, informaçâo etc.) com o sistema. Os sistemas

sociais, por exemp)o, podem terfronteiras que se superpõem. É o caso de um indivíduo X ser



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