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membro de duas organizações, concomitantemente: o sistema A e o sistema B.

As organizações têmfronteiras que as diferenciam dos ambientes. As Jronteiras variam

quanto ao grau de permeabilidade. As Jronteiras sâo linhas de demarcação que podem deixar

passar maior ou menor intercâmbio com o ambiente. As transações entre organização e

ambiente são geralmente feitas por elementos situados nasfronteiras organizacionais, isto é,

Sistema A ___ __

x x x x x x x x I x \ x x x x x x x

! x x x x x x x x I x x x x ;x x x I x

i , ,


1

x x x x x x , x x x x x x x x I x x

x x x x x x x x I x x x x ` x x x x

x x x x x x x x I x x x x x ! x x x

x x x x x x x I x x x x x I x x x x

x x x x x x x x x x x x I x x x x

Sistema B .

xlxtxlx x xlxlxlx x x xlx x x x

x x x x x x I x I x x x x x x x x x

ICUSTRAÇÃO DE SUPERPOSIÇÃO DE FRONTEIRAS

Fonte: J. Eugene Haas e Thomas E. Drabek, Complex Organizations: A Sociological Perspective, New York,

The Macmillan Company, 1973. p. 17.


TEORIA DE SISTEMAS

na periferia da organização. A permeabilidade das fronteiras defmirá o grau de abertura do

sistema em relaçâo ao ambiente:

Para Perrow, as organizaçdes são "entida es estáveis, duradouras, com limites bem

precisos e características bem marcadas que as distinguem de tudo o mais ao redor. As orga-

nizações têm um local, um endereço, enfim, e os indivíduos são parte delas. Trabalham lá

durante certo tempo, diariamente, e depois voltam para casa. A organização existe nos fins

de semana e durante as férias, mesmo quando não está presente a força de trabalho. Enfim,

ela parece estar separada de tudo o mais, no mundo"z'. Porém, continua Perrow, as organi-

zaÇdes são uma casa aberta: "os que por ela transitam têm consigo sinais muito fortes do

mundo de fora; é comò se trouxessem os pés cheios de lama da rua, ao entrarem em casa.

Além disso, as janelas e portas estão sempre abertas, porque a organiz_ação industrializa a

matéria,prima, que entra por uma porta, é trabalhada, e sai pela outra. Este processo exige

ainda outras portas e janelas para entrada de maquinário, `know-how' etc."2s.

6. Morfogênese
O sistema organizacional, diferentemente dos sistemas mecânicos e mesmo dos sistemas

biológicos, tem a capacidade de modificar a si próprio de maneiras estruturais básicas: é a

propriedade morfogênica das organizações, considerada por Buckley29 como a principal

característica identificadora das organizações. Uma máquina não pode mudar suas engrena-

gens e um animal nâo pode criar uma cabeça a mais. Porém, a organização pode modificar

sua constituição e estrutura por um processo cibernético, através do qual os seus membros

comparam os resultados desejados com os resultados obtidos e passam a detectar os erros

que devem ser corrigidos, para modificar a situação.


MODELOS DE ORGANIZAÇÕES


Ao analisar alguns dos vários modelos de organização que veremos neste capítulo, Schein'o

propõe uma relação de aspectos que uma teoria de si temas deveria considerar na definiç o

de organiza ão, a saber:
1. A organização deve ser considerada um sútema aberto, em constante interaC o com o meio, recebendo

matéria-prima, pessoas, energia e informaçees e transformando-as ou convertendo-as em produtos c r -

viços que são exportados para o meio ambiente.

2. A organização deve ser concebida como um sistema com objetivos ou junções múltiplas, que envolvem

interaç8es múltiplas com o meio amóiente.

3. A organização deve ser visualizada como consistindo em muitos subsistemas que estào em interaçâo dinâ-

z Charles Perrow, Análise Organizacional: Um Enjoque Sociolbgico, cit., pp. 79 e 80.

zs Chárles Perrow, Análise Organizacional: Um Enjoque Sociológico, c!t., p. 80.

29 Walter Buckley, A Sociologia e a Moderno Teoria dos Sistemas, São Paulo, Ed. Cultrix,1974, pQ. 92 a

102.


3o Edgar H. Schein, Organizational Psyèhology, cit., p: 95.
5 28 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
mica uns com os outros. Deve-se analisar o comportamento de tais subsistemas ao iovés de se artalisarem

simplesmente os fenômenos organizacionais em funC o de comportamentbs individuais.

4. Uma vez que os subslstemas sào mutuamente dependentes, as mudanCas ocorridas em um deles provavel-

ménte afetarão o comportamento de outro ou dos outros.

5. A orgonizaçòo existe em um ambrente dlnâmico que compreende outros slstemas. O funcionamento de

determinada organização não pode ser compreendido sem consideração explícita das demandas e limita-

çôes impostas pelo meio amblente.

6. Os múltiplos elos entre a organização e o seu meio ambiente tornam difícil a clara explicação das frontei-

ras de qualquer organizaçào.
Deter-nos-emos, a seguir, na análise e discussão de dois modelos de organização, a

saber :
- Modelo de Katz e Kahn.

- Modelo Sociotécnico de Tavistock.

Modelo de Katz e Kahn


Katz e Kahn desenvolveram um modelo de organização mais amplo e complexo3' através da

aplicação da Teoria dos Sistemas à teoria das organizações. Após compararem as possibili-

dades de aplicação das principais correntes sociológicas e psicológicas na análise organiza-

cional, propõem aqueles autores que a teoria das organizações se liberte das restrições e limi-

taçdes das abordagens anteriores e utilize a Teoria Gera! dos Sistemas.

Segundo o modelo proposto por ambos, a organiza ão apresenta as seguintes caracte-

rísticas típicas de um sistema aberto:

a) A Organiza ão como um Sistema Aberto


Para Katz e Kahn, a organização como um sistema aberto apresenta as seguintes caracterís-

ticas:
I . Importação /entradas : A organizaçào recebe insumos do ambiente e necessita de suprimentos renovados

de energia de outras instituiçdes, ou de pessoas, ou do meio ambiente material. Nenhuma estrutura social

é auto-suficiente ou autocontida. !

2. Transjormação (processamento ' Os sistemas aGertos transformam a enérgia disponível. A organização

processa e transforma seus insumos em produtos acabados, mào-de-obra treinadá, serviços etc. Essas

atividades acarretam alguma reorganização das entradas.

3. Exportação (saidas)' Os sistemas abertos exportam certos produtos para o meio ambiente.

4. Os sistemas como c!clos de eventos que se repetem "O funcionamento de qualquer sistema aberto con-

siste em ciclos recorrentes de importaçào-transformaçào-exportaçào. Destes três processos sistêmicos

básicos, a importaçào e a exportaçào sào transaçdes que envolvem o sistema e certos setores de seu

ambiente imediato; a transformação (processamento) é um processo contido dentro do próprio sis-

tema"32.
3 Daniel Katz e Robert L. Kahn, Pslcologia Soclal das Organizaçòes, cit., 1972, pp. 34-45

3z Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Social das Orgonlzaç8es, clt., p. 508.


TEORIA DE SISTEMAS
Eventos

Tempo
O SISTEMA COMO CICLOS DE EVENTOS

5 . Entropia negativa: A entropia é um processo pelo qual todas as formas organizadas tendem à exaustão, à

desorganização, à desintegração e, no fim, à morte. Pará sobreviver, os sistemas abertos precisam

mover-se para deterem o processo entrópico e se reabastecerem de energia mantendo indefinidamente a

sua estrutura organizacional. A esse processo reativo de obtenção de reservas de energia dá-se o nome de

entropia negativa ou negentropia.

6. lnformaçilo como insumo, retroação negativa e processo de cod(jicaçdo: Os sistemas vivos recebem,

como insumos, materiais contendo energia, que são transformados ou alterados pelo trabalho feito.

Porém, recebem também entradas de caráter informativo, que proporcionam sinais à estrutura sobre o

ambiente e sobre seu próprio funcionamento em relação a ele.

O tipo mais simples de entrada de informação é a retroaçdo negativa (negativefeedback , que permite ao

sistema corrigir seus desvios da linha certa. As partes do sistema enviam de volta informaç o sobre os

efeitos de sua operação a algum mecanismo central ou subsistema, o qual atua sobre tal informação e

mantém o sistema na direção correta. Quando a retroação negativa é interrompida, o esladofirme do sis-

tema desaparece, enquanto sua fronteira se desvanece, pois tal dispositivo permite que o sistema se man-

tenha no curso certo sem absorver excesso de energia ou gastá-la em demasia. Por outro lado, o processo

de codificaçdo permite ao sistema reagir seletivamente apenas em relação aos sinais de informação para

os quais esteja sintonizado. A codij caçilo é um sistema de seleção de entradas através do qual os mate-

riais são rejeitados ou aceitos e traduzidos para a estrutura. A confusão do ambiente é simplificada em

álgumas categorias significativas e simplificadas para o sistema.

7. Estado firme e homeostase dinâmica: O sistema aberto procura manter uma certa constância no inter-

câmbio de energia importada e exportada do amóiente, assegurando o seu caráter organizacional e evi-

tando o processo entrópico. Assim, os sistemas abertos se caracterizam por um estadoj rme: existe um

influxo contínuo de energia do ambiente exterior e uma exportaçào contínua dos produtos do sistema,

porém o quociente de intercâmbios de energia e as relaç8es entre as partes continuam os mesmos. O esta-

dofirme é observado claramente no processo homeostktico que regula a temperatura do corpo: as condi-

çdes externas de temperatura e umidade podem variar, mas a temperatura do corpo permanece a mesma.

Porém, apesar de que a tendência mais simples do estadoj rme seja a homeostase, o seu princípio básico

é a preservação do caráter do sistema: o equillório quase-estacionário proposto por Lewin. Segundo este

conceito, os sistemas reagem à mudança ou antecipam-na por intermédio do cresciment0 que assimila as

novas entradas de energia na natureza de suas estruturas. Os altos e baixos desse ajustamento contfnuo

nem sempre trazem o sistema de volta ao seu nfvel primitivo. Assim, os sistemas vivos apresentam um

crescimento ou xpansão no qual maximizam seu caráter básico, importando mais energia do que a

necessária para a sua salda a fim de garantirem a sua sobrevivência e obterem alguma margem de segu-

rança além do nível imediato de existência.

8. Diferenciaçito: A organizaçdo, como todo sistema aberto, tende à diferenciaçdo, isto é, à multiplicação e

à elaboração de funç8es, o que 1Me traz também multiplicação de papéis e diferenciaçgo interna. Os

padrbes difusos e globais são substitufdos por funç8es mais especializadas, hierarquizadas e altamente

diferenciadas. A diferenciaçdo é uma tendência para a elaboração de estrutura.

9. Eqriijnalidade Os sistemas abertos são caracterizados pelo princlpio de eqii inalidade: um sistema

pode alcançar, por uma variedade de caminhos, o mesmo estado final, partindo de diferentes condiç8es

iniciais. À medida que os sistemas abertos desenvolvem mecanismos regulatórios (homeostase) para

regularem suas operações, a quantidade de eqilijrnalidade pode ser reduzida. Porém, a eqiiijrnalidade


530 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
permanece: existe mais de um modo de o sistema produzir um determinado resultado ou seja, existe

mais de um método para a consecução de um objetivo. O estado estável do sistema pode ser atingido a

partir de condiç8es iniciais diferentes e através de meios diferentes.

,10. Limites oufronteiras: Sendo um sistema aberto, a organização apresenta limites ou fronteiras, isto é,

barreiras entre o sistema e o ambiente. Os limites ou fronteiras definem a esfera de ação do sistema, bem

como o seu grau de abertura (receptividade de insumos) em relação ao ambiente.

b) As Organiza ões como Classe de Sistemas Sociais
As organizações constituem uma classe de sistemas sociais, os quais, por sua vez, constituem

uma classe de sistemas abertos.

Como classes especiais de sistemas abertos as organizações têm propriedades que lhes

são peculiares, mas compartilham de outras propriedades em comum com todos os sistemas

abertos, como a entropia negativa, retroin Jormação, homeostase, diferenciação e eqiiifinali-

dade. Os sistemas abertos não se acham em repouso, mas tendem à elaboração e à diferen-

cia ão, tanto devido à dinâmica de subsistemas como pela relação entre crescimento e sobre-

vivência.

Todos os sistemas sociais, inclusive as organizações, consistem em atividades padroni-

zadas de uma quantidade de indivíduos. Essas atividades padronizadas são complementares

ou interdependentes em relação a alguma saida ou resultado comum. Elas são repetidas,

relativamente duradouras e ligadas em espaço e tempo. A estabilidade ou recorrência de ati-

vidades existe em relação à entrada de energia no sistema, em relaçâo à transformação de

energias dentro do sistema e em relação ao produto resultante ou saida de energia. Manter

esta atividade padronizada requer renovaçãio contínua do influxo de energia, o que, nos sis-

temas sociais, é garantido pelo retorno de energia do produto ou resultado. O sistema aberto

não se esgota porque pode importar energia do mundo que o rodeia: por isso, a operação da

entropia é contrariada pela importa ão de energia e o sistema vivo se caracteriza mais pela

entropia negativa do que positiva. É o que os autores chamam de negentropia.

c) Caracteristicas de Primeira Ordem

Para Katz e Kahn, as características das organizaçdes como sistemas sociais são as seguintes33:
Os sistemas sociais, ao contrário das demais estruturas básicas, não têm llmitação de amplitude. As orga-

nizaçees sociais estào vinculadas a um mundo concreto de seres humanos, de recursos materiais, de fábri-

cas e de outros artefatos, porém esses elementos não se encontram em qualquer interação natural entre si.

O sistema social é independente de qualquer parte física determinada, podendo alijá-la ou substituí-la.

O sistema socia! é a estruturaçào de eventos ou acontecimentos e não a estruturação de partes físicas.

Enquanto os sistemas físicos ou biológicos têm estruturas anatômicas que podem ser identificadas (como

os automóveis ou organismos), mesmo que não estejam em funcionamento, os sistemas sociais não podem

ser representados através de modelos físicos. Há uma enorme diferença entre a estrutura socialmente

planejada do sistema social e a estrutura físiéa da máquina ou do organismo humano e do sistema f"isico

ou biológico.


Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Social das Organizaçbes, cit., pp. 46 a 89


2. Os sistenras sociais necessitam de entradas de produç0o E donw utcrKl -,

importaç8es de energia que sustentam o sistema; as entradQs dcpr Jlb

processadas para proporcionarem um resultado produtivo. Déntre as cntrads dt

vaç8es que atraem as pessoas para sistemas sociais e as mantêm funcionando dent o delçs.

3. Os sistemas sociais têm sua naturezaplanejada, isto é, são sistemas essencialmente inventádos, e to pe o

homem e imperfeitos. Os sistemas sociais firmam-se em atitudes, percepç8es, crenças, motivaçòes, hábi-

tos e expectativas dos seres humanos. Apesar do giro (rotação) do pessoal, apresentam constância nos '

padr8es de relaçees.

4. Os sistemas sociais apresentam maior variabilidade que os sistemas biolbgicos. Assim, os sistemas sotiais

precisam utilizar forças de controle para reduzir a variabilidade e instabilidade das açees humanas, situan-

do-as em padr8es uniformes e dignos de confiança por parte do sistema social.

5. As funções, normas e valores como os principais componentes do sistema social: "Asfunções descrev m

formas específicas de comportamento associado a determinadas tarefas. Originalmente, as funç8es se

desenvolvem a partir dos requisitos da tarefa". Dentro da organização, "constituem formas padroniza-

das de comportamento, requeridas de todas as pessoas que desempenham uma parte em dada relação fun-

cional, sem que se considerem os desejos pessoais ou obrigaç8es interpessoais, que são irrelevantes a tal

relação"34.

"As normas são expectativas gerais com caráter de exigência, atingindo a todos os incumbidos de desem-

penho de funçào, em um sistema ou subsistema."3s

" Valores são as justificaç8es e aspiraç8es ideológicas mais generalizadas." Dessa maneira, os comporta-

mentos de função dos membros, as normas que prescrevem e sancionam esses comportamentos e os valo-

res em que as normas se acham implantadas constituem as bases sociopsicológicas dos sistemas sociais,

fornecendo as bases para a sua integração.

6. As organizaç8es sociais representam o desenvolvimento mais daro de um padrão de funç8es interligadas

que delineiam formas de atividades prescritas ou padronizadas. Constituem um sistemaformalizodo de

funções, onde "as regras que definem o comportamento independente esperado dos incumbidos de posi-

ç8es no sistema são explicitamente formuladas; e para a imposição das regras existem as sanç8es"36.

7. O conceito de inclusão parcial: a organização utiliza apenas os conhecimentos e habilidades das pessoas

que lhe são importantes. Os demais aspectos das pessoas são simplesmente ignorados. Assim, a organiza-

çào nem requer, nem solicita a pessoa inteira. As pessoas pertencem a muitas organizaç8es e um único

ambiente organizacional é capaz de obter o pleno empenho das suas personalidades. As pessoas se induem

apenas parcialmente nas organizaç8es.

8. A organização em relação ao seu meio ambiente: o funcionamento organizacional deve ser estudado em

relação às transaç8es contínuas com o meio ambiente que a envolve. Essa relação envolve os conceitos de

sistemas, subsistemas e supersistemas: "os sistemas sociais, como sistemas abertos, dependem de outros

sislemas sociais; sua caracterização como subsistemas, sistemas ou supersistemas é relativa a seu grau de

autonomia na execuçHo de suas funç8es e aos interessés particulares do investigador. Do ponto de vista da

sociedade, a organização é um subsistema de um ou mais sistemas maiores e sua vincùlação ou integraçào

com eles afeta seu modo de operação e seu nível de atividade"3 .

d) Cultura e Clima Organizacionais


Lembram os autores que "toda organização cria sua própria cultura ou clima, com seus

próprios tabus, costumes e usos. O clima ou cultura do sistema reflete tanto as normas e

valores do sistemaformal como sua reinterpretação no sistema informal; bem como reflete

as porfias internas e externas dos tipos de pessoas que a organização atrai, de seus processos


34 Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Social das Organizações, cit., pp. 53 e 54.

3s Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Social das Organizações, cit., p. 54.

36 Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Social das Orgonizaç8es, cit., p. 67.

' Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicologia Socia/ das Organizaçdes, cit., p. 68.


532 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇAO
de trabalho e distribuição física, das modalidades de comunicação e do exercício da autori-

dade dentro do sistema. Assim como a sociedade tem uma herança cultural, as organizações

sociais possuem padrões distintivos de sentimentos e crenças coletivos, que sâo transmitidos

aos novos membros do grupo"'s.

e) Dinâmica de Sistema
As organizações sociais, para se manterem, recorrem à multiplicação de mecanismos, uma

vez que lhes faltam as estabilidades intrínsecas dos sistemas biológicos. Assim, as organiza-

ções sociais criam estruturas de recompensas, a fim de vincularem seus membros ao sistema,

estabelecem normas e valores para justificarem e estimulatem as atividades requeridas e dis-

positivos de autoridade para controlarem e dirigirem o comportamento organizacional.

Enquanto em teoria de sistema se fala em homeostasia dinâmica (ou manutenção de

equilíbrio por ajustamento constante e antecipação), usa-se o termo dinâmica de sistema em

organizações sociais: o sistema principal e os subsistemas que o compõe são caracterizados

por sua própria dinámica ou complexo de forças motivadoras, que impelem uma determi-

nada estrutura para que ela se torne cada vez mais aquilo que basicamente é. Para sobreviver

(e evitar a entropia), a organização social deve assegurar-se de um suprimento contínuo de

materiais e homens (entropia negativa).

f) Conceito de Eficácia Organizacional39
"Como sistemas abertos, as organizações sobrevivem somente enquanto forem capazes de

manter negentropia, isto é, importação sob todas as formas de quantidades maiores de ener-

gia do que elas devolvem ao ambiente, como produto. A razão é óbvia. A entrada de energia

em uma organização em parte é investida diretamente e objetivada como safda organizacio-

nal. Porém, uma parte da entrada absorvida é consumida pela organização. Para poder

fazer o trabalho de transformaçâo, a própria organização precisa ser criada, receber energia

a ser mantida, e tais requisitos estão refletidos na inevitável perda de energia entre a entrada

e a safda. ' '

A efrciêncla, para Katz e Kahn, se refere a quanto de entrada de uma organização surge

como produto e quanto é absorvido pelo sistema. A ef:ciência se relaciona com a necessidade

de sobrevivência da organiza ão. A efcl Cia organizacional se refaciona com a extensão em

que todas asformas de rendimento para a organização s o maxirriizadas, o que é determi-

nado por uma combinação da eficiência da organização como um sistema e seu êxito em

obter condições vantajosas ou entradas de que necessita. A efciência busca incrementos

através de soluções técnicas e econ8micas, enquanto a eficácia procura a maximização do

rendimento para a organização, por meios técnicos e econ8micos (efciência) e por meios

políticos (não-econ8micos) .

3s Daniel Katz e Rbbert L. Kabn, Psicologio Socia! das Organizaç8es, cit., p. 85.

39 Daniel Katz e Robert L. Kahn, Psicoiogia Socio! das Organizoç8es, cit., pp.175 a 198.

' Daniel Katz e R obert L. Kahn, Psicologio Sociai dos Organixor8 s, cit., pp.176 e 177.


TEORIA DE SISTEmAS 533
g Organiza ão como um Sistema de Papéis
Pap l é o conjunto de atividades solicitadas de um individuo que ocupa uma determinada

posiç o em uma organizaç o. Os requisitos podem ser bbvios ao indivlduo, em face do seu

conhecimento do processo técnico e da tarefa da organização ou sùborganização, ou Ihe

podem ser comunicados pelos outros mem ros da organização que solicitam ou dependem

de seu comportamento em papel para que possam atender às expectativas de seus prbprios

cargos. A organiza do, assim, pode ser considerada como consistindo em papérs ou aglome-

radós de atividades esperadas dos individuos e de conjuntos de papéis ou de grupos que se

superpõem, cada qual formado de pessoas que têm tais expectativas quanto a um determi-

nado individuo. A organização é uma estrutura de pap is.

Modelo Sociotécnico de Ta istock


O modelo sociotécnico de Tavistock foi proposto por sociblogos e psicólogos do Instituto de

Relações Humanas de Tavistock", com base em resultados de pesquisas por eles efetuadas



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