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em minas de carvão inglesas e em empresas têxteis indianas.

A organização é concebida como um sistema sociotécnico. Além de ser considerada

como um sistema aberto em interação constante com seu ambiente, a organização também é

abordada como um sistema sociotécnico estruturado sobre dois subsistemas:


1. o subsistema técnivo: que compreende as tarefas a serem desempenhadas, as instalações tisicas, o equipa-

mento e instrumentos utilizados, as exig2ncias da tarefa, as utilidades e técnicas operacionais, o ambiente

físico e a maneira como está disposto, bem como a duração da operação das tarefas. Em resumo, o subsis-

tema técnico envolve a tecnologia, o territbrio e o tempo6z. O subsistema técnico é o responsável pela

efici2ncia potencial da organização;

2. o subsrstema social. que compreende os indivfduos, suas caracterfsticas ffsicas e psicológicas, as relaç8es

sociais entre os indivfduos encarregados de execução da tarefa, bem como as exig2ncias de sua organiza-

ção tanto formal como informal, na situação de trabalho. O subsistemu social transforma a efici2ncia

potencial em efici2ncia real.
Os subsistemas tecnológico e social apresentam um íntimo

inter-relaciónamento, são

interdependentes e cada um influencia o outro.

A abordagem sociotécnica concebé a organização como unìa Fombinação de tecnologia

(exigências da tarefa, ambiente físiço, equipamento disponível) e ao mesmo tempo um sub-

sistema social (um sistema de relações entre aqueles que realizam a tarefa). O subsistema

tecnológico e o social se acham em uma interação mútua e recíproca e cada um determina o

outro, até certo ponto. A natureza da tarefa influencia (e não determina) a natureza da orga-

4 É o cham Qo Modelo de Tavistock. Dentre eles: A. K. Rice, The Enterprrse and Its Environment, Tavis-

tock Publications, London,1%3. F. E. Emery e E. L. Trist, "Sociotechnical Systems", in Management Sciences:

Models and Techniques, C. West Churchman e Michel Verhulst (eds.), Pergamon Press, New York,1960.

4z Eric J. Miller, "Technology, Territory and Time: The lnternal Differentiation of Complex Production

Systems", in Organization Structuring, H. Eric Frank (ed.), London, McGraw-Hill Book Co.,1971, pp. 81 a 115.
INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
Produto
Subsistema social
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Subsistema

técnico

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O MODELO SOCIOTÉCNICO DE TAVISTOCK

nização das pessoas, bem como as earacterísticas psicossociais das pessoas influenciam (e

não determinam) a forma em que determinado posto de trabalho será executado.

O modelo de sistema aberto proposto pela abordagem sociotécnica43 parte do pressu-

posto de que toda organização "importa" várias coisas a partir do meio ambiente e utiliza

esta importações em certos tipos de processos de "conversão", p ara então "exportar" pro-

dutos, serviços etc. que resultam do processo de conversão. As importações são constituídas

de informações sobre o meio ambiente, maté ias-primas, dinheiro, equipamento e pessoas

implicadas na conversão em algo que deve ser exportado e que cumpre certas exigências do

meio ambiente. A tarefa primária da organização é algo que lhe pèrmite sobreviver dentro

desse processó de:

1. importáÇão a aquisição de matérias-primas;

2. conversão a transformação das importações em exportações;

3. exportação: a colocação dos resultados da importação e da conversão
43 A. K. Rice, Productivity and Social Organization: The Ahmedaóad Experiment. London, Tavistock

Publicatons,1958.


TEORIA DE SISTEMAS 535
A organização eficiente é aquela que considera tanto as importaçdes que o subsistema térnic,o faz do ambiente

- matérias-primas, máquinas e equipameutos - como também as importaçBes que o subsrstema social

faz do ambiente - valores e mspiraç8es. Assim, há múltiplos canais de interaçgo entre o meio ambiente e a

organização. A organização não somente deve tratar das exigências e das restriç8es impostas pelo meio

ambiente sobre as matérias-primas, o dinheiro e as preferências do coosumidor, como também deve tratar

com as expectativas, os valores e as normas das pessoas que devem operar dentro da organizaç8o. As capaci-

dades, prefer8ncias e expectativas do empregado são, deste ponto de vista, não somente algo que deve levar

co sigo, como também algo que é influenciado pela rlatureza da tarefa e pela estrutura da organizaçgo qué

atua através da trajetória da tarefa. O problema envolve a consideração da natureza da tarefa (subsistema

técnico) como da natureza das pessoas (subsistema social).

O fundamento dessa abordagem é de que qualquer sistema de produção requer tanto uma organizaçdo tecno-

lógica (equipamentos e arranjos de processos) como uma organizat'do de trabalho (envolvendo aqueles que

desempenham as tarefas necessárias). As demandas tecnológicas condicionam e limitam a espécie de organi-

zação de trabalho possível, porém a or anização de trabalho apresenta propriedades sociais e psicológicas

próprias mas independentes da tecnologia.

As organizaçdes são visualizadas "em termos do trabalho desempenhado na base de um material a ser alte-

rado, mais do que focalizadas sobre a interaç3o dos membros organizacionais ou a função para a socie-

dade" . As organizações são definidas "como sistemas que utilizam energia (proporcionada por esquemas

humanos e não-humanos) em um esforço padronizado, dirigido para alterar a condiçgo dos materiais básicos

de uma maneira predeterminada"45. A tecnologia é definida como "as ações que um indivíduo desemperlha

sobre um objeto, com ou sem a ajuda de ferramentas ou esquemas mecânicos, no sentido de fazer qualquer

mudança no objeto. O objeto ou "matéria-prima" pode ser um ser huma o ou, de outro modo, um símbolo

ou um objefo inanimado" . A partir dessas definições focais, a hipótese que emerge é a de que a tecnologio

determina a estrutura organizacional.


Assim, as organizaçôes têm dupla função: técnica (relacionada com a coordenação do

trabalho e identificação da autoridade) e social (referente aos meios de relacionar as pessoas

umas com as outras, de modo a fazê-las trabalharem juntas). O subsistema técnico é deter-

minado pelos requisitos típicos das tarefas que são executadas pela organização. Variam

muito de uma organização para outra: o subsistema técnico de

uma refinaria de petróleo é

completamente diferente daquele utilizado para a fabricação de automóveis, ou para um

hospital, universidade etc. O subsistema técnico é moldado pela especialização dos conheci-

mentos e das habilidades exigidas, pelos tipos de máquinas, equipamentos e matérias-primas

utilizados e pelo arranjo físico das instalações. Quase sempre, é a tecnologia quem determina

o tipo de entrada humana necessário à organização: cientistas e engenheiros para a avançada

tecnologia computacional ou empregados braçais para a execução das construções civis.

Também é a tecnologia o fator principal na determinação da estrutura organizacional e das

relações entre o serviços. Todavia, o subsistema técnico não pode ser visualizado isolada-

mente, pois ele é o responsável pela eficiênciá potencial da organização. AUém do subsistema

técnico, toda organização possui em seu interior um subsistema social: ambos não podem ser

encarados isoladamente, mas no contexto da organização total. Qualquer alteração em um

provocará repercussões no outro.


As empresas desenvolvem muitas tarefas com caráter simultâneo. As empresas industriais e comerciais

adquirem matérias-primas, fabricam e distribuem produtos, proporcionam emprego, preocupam-se com


Charles Perrow, "A Framework for the Comparative Analysis of Organizations", American Sociological

Review, vol. 32, n" 2, p. 194, abr.1967.

45 Charles Perrow, "A Framework...", American Socio/ogical Review. cit., p. 195.

Charles Perrow, "A Framework...", American Socio/ogical Review, cit., p.195.


536 INTRODUÇÃO A TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
seus empregados, desenvolvem trabalhos de pesquisa e de desenvolvimento, registros contábeis, obtêm bene-

cios e pagam impostos e dividendos. O número e a distribuição das tanefas variam enormemente conforme

a empresa, porEm, a cada todo ou parte empresarial, em um dado momento, conesponde uma tarefaprim&-

rin a qual a empresa deve levar a cabo para sobreviver. A tarefaprim&ria da direç o é a de dirigir adequada-

mente as relaç8es existentes entre uma empresa e o seu ambiente de forma que permita um desenvolvimento

ótimo da tarefa. Para uma empresa, o ambrente se compee de circunstâncias polfticas, sociais e econ8micas.

A organizoção E um meio para se alcançar um fim, e este fim é o desenvolvimento da tarefoprim&ria da em-

presa.
O modelo básico adotado pela abordagem sociotécnica é o modélo de importação-con-

versão-exportação derivado da teoria de sistema aberto : a organizaçdo de qualquer empresa

ou parte dela pode ajustar-se perfeitamente a este modelo, pois ela realiza muitas importa-

ões e muitas exportações de materiais, pessoal, dinheiro, produtos. O processo importação-

conversão-exportaçâo dominante é aquele através do qual a tarefa primária da empresa é

levada a cabo. Partindo de diferentes suposições a respeito do ambiente e as relações cam-

biantes entre ele e a empresa, pode-se desenvolver modelos baseados nas difererltes relações


Sistemas de Sistemas de Sistentas de

Matórias-primas importação conversão exportação Ca

Produtos


qutmioos Compra e Fabricação de Mercadização de Armazenistas

Vasilhames errr namento r dicamantos rnedicamentos

Produtos Fabricação de Venda de

qulmicos Compra e odutos quimicos produtos químico Usuários

Vasilhames err' namsnto de elta qualidade de alta qualidade i dustriais

Fabriceção e Clientes internos

Areia etc. Compras venda de frascos

e eventualmente

de vidro externos

Ferro e Fabricação e Vsndas e Clientes internos

rrtaquinaria r^Pres instaláção de entrega ds . e externos

rrtaquinaria maquinaria

Matsriais de Equipamentos Clientes internos

oonstrução Compras dB ojetos e externos


OS PROCESSOS DE IMPORTAÇiÃO-CONVERSÃO-EXPORTAÇÃO IENTRADA-PROCESSAMENTO-SAiDAI


Fonte: A. K. Rice, Reorganización de Empresas - Un Modo Sistemático de Organización de la 0irección,

Barcelona, Editorial Hispano Europea, 1968. p. 152.


T£ORIA DE SISTEMAS 537
importação-canversão-exportaç'ão e compará-los, tanto entre si como com a organizaçâo

existente4'.


APR CIAÇÃO CRÍTICA DA TEORIA DE SISTEMAS


De todas as teorias apresentadas até agora, a Teoria de Sistemas é a menos criticada, talvez

pelo fato salientado por Mottas de que ainda não houve tempo para sua análise mais apro-

fundada, uma vez que as obras mais importantes dessa teoria são muito recentes, e também

pelo fato de que a perspectiva sistêmica parece concordar com a preocupação estrutural-

funcionalista típica das ciências sociais dos países capitalistas de hoje. Motta aponta ainda o

fato de que a teoria de sistemas evitou tratar dos temas negligenciados pela teoria behaviorrsta

e estruturalista, procurando apenas desenvolver algumas de suas idéias através de um méto-

do. Com isto, os autores da Teoria de Sistemas puseram-se a salvo de críticas dos estrutura-

listas e behavioristas.

Todavia, uma apreciação crítica da Teoria de Sistemas nos conduz obrigatoriamente

aos seguintes aspectos:

Confronto entre Teorias de Sistema Aberto e de Sistema Fechado


O conceito de sistemas tem suas origens em várias disciplinas científicas, como a Biologia e

Sociologia. Estas têm um denominador comum: o chamado sistema aberto, que descreve as

ações e interações dentro de um ambiente. Assim, em Biologia o desenvolvimento do corpo

se inicia com a fertilização de uma célula operada pela ação e interação com seu meio

ambiente.

A descrição de sistema aberto é perfeitamente aplicável a uma organização empresa-

rial. Uma empresa é um sistema criado pelo homem e mantém uma dinâmica interação com

o se meio ambiente (caracterizado pelos clientes, fornecedores, concorrentes, entidades

sindicais, órgãos governamentais e muitos outros agenles externos). Influi sobre o meio e

dele recebe influências. Além disso, é um sistema por diversas partes inter-relacionadas, que

trabalham em harmonia umas com as outras, com a finalidade de alcatlçar uma série de

objetivos, tanto da organização como de seus participantes.

Em suma, o sistema aberto "pode ser compreendido como um conjunto de partes em

constante interação (o que ressalta a característica da interdependência das partes), consti-

tuindo um todo sinérgico (o todo é maior que a soma das suas partes), orientado para deter-

minados propósitos (com um comportamento teleológico orientado portanto para fins) e em

permanente relação de interdependência com o ambiente e?c:erno (essa interdependência há

4 E. L. Trist e K. W. Bamforth. "Some Social and Psychological Consequences of the Lonwall Method of

Coal-Getting", Human Relations, vol. 4, pp. 3 a 38, 1951.

48 pernando C. Prestes Motta. Teoria Ceral da Administraçdo - Uma lntroduçõn, cit., p. 78.


538 INTRODUÇÃO A TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
de ser entendida como a dupla capacidade de influenciar o meio externo e ser por ele influen-

ciado)' "9 .

Entre "as implicações críticas da distinção entre sistema aberto e fechado para a

moderna concepção de Administração, destacam-se as seguintes5o;


a) a natureza essencialmente dinâmica do ambiente conflita com a tendência essencialmente estática da orgo- '

nizaçdo. Esta é, em geral, co,nstitufda para autoperpetuar-se ou, na pior hipbtese, para autoperpetuar sua

estrutura, critérios, métodos e metas, ao invés de para mudar esses elementos de acordo com as transfor-

mações do ambiente;

b) um sistema organizacional rígido não poderá sobreviver na medida em que não conseguir responder

eficazmente às mudanças contfnuas e rápidas do ambiente;

c) um srstema uberto, como um clube, um hospital ou um governo precisa garantir a absorção dos seus

produtos pelo ambiente. Mais do que isso (especialmente no caso de sistemas educacionais), o sistema

precisa, às vezes, `anestesiar' certas necessidades `inadequadas' do ambiente, e `educá-lo', criando nele

necessidades `adequadas', isto é, de produtos que o sistema `crê' sejam `melhores' para o ambiente.

Assim, para garantir sua viabilidade, a organização deve oferecer ao ambiente produtos por ele necessita-

dos ou, se for o caso, criar nele a necessidade de tais produtos, pois só assim garantirá a continuidade da

provisão de insumos e da absorção dos produtos;

d) o sistema precisa, portanto, de constante e apurada informação do ambiente, não sb quanto à natureza

desse meio, como também à qualidade e quantidade dos insumos disponíveis e, principalmente, quanto à

eficácia ou adequação dos produtos ou respostas da organização ao ambiente. Numa palavra, ao sistema

é indispensável constante, apurada e rápida retrooçdo. Isso porque a continuidade da oferta de produtos

indesejáveis ou desnecessários resultará, a prazo médio, na redução dos insumos, ou seja, dos recursos,

reduzindo portanto a capacidade da organização para auto-sustentar-se e alcançar seus propbsitos".
Contrariando essa abordagem de sistema aberto, a perspectiva de sistemafechado tem

levado a Teoria Geral da Administração às seguintes distorçóes5' :


a) conduz "o estudo e a prática da Administração a uma concentração em regras de funcionamento interno,

à apologia da ej ciência como critério primário da viabilidade organizaeional e, conseq0entemente, à

ênfase em procedimentos e não em programas;

b) a perspectiva de organizaçdo como sistemo fechado é responsável pela insensibilidade da administruçdo

trodicional às diferenças entre ambientes organizacionais e pela desatenção à dependência entre a organi-

zaçdo e o seu ambiente. É isso que explica a transferibilidade inadequada, a importação acrftica de certas

soluções e técnicas que, embora eficazes em outros ambientes, ngo funcionaram no nosso. A premissa,

aparentemente lógica, de perspectiva da organizaçdo como sútemafechodo, é que soluções, instrumentos

e técnicas são intertransferfveis, já que o ambiente não faz dlferença;

c) a perspectiva du organização como sistema fechado resulta na insensibilidade para a necessidade de

mudanças e adaptação contínua e urgente das respostas da organizaçúo áo ambiente. Quanto a isso, é

considerável, no Brasil, o número de organi açees que vivem `sacando sobre ó passado'. Porque alcança-

ram realizações de vulto, porque ofereceram respostas importantes para o ambiente num determinado

momento de sua história, acomodaram-se e passaram a viver `banking on the past', ou seja, sacando

sobre louros de 15 ou 20 anos atrás, sem se renovarem. Num ambiente em que a velocidade da mudança

não seja tão grande, essas organizaçdes ainda podem sobreviver por algum tempo; na medida em que o

ritmo de mudança for muito grande, porém, elas tenderão a desaparecer, por tornarem-se desnecessárias

ao ambiente: os seus produtos não mais atendem às necessidades, anseios e solicitaçees do contexto".


49 Kleber T. Nascimento, "A Revolução Conceptual...", Revista de Administração Pública, vol. 6, n" 2,

pp. 5 a 52, abr./jun. 1972.

so Kleber T. Nascimento, "A Revolução Conceptual...", Revistu de Administraçdo PúblicQ, cit., p. 36.

Kleber T. Nascimento, "A Revolução Conceptual...", Revista de Administraçdo Pública, cit., p. 37.
TEORIA DE SISTEMAS 539
Características Básicas da Análise Sistêmica
As principais característieas da moderna teoria da Administração baseada na análise sistêmica

são as seguintes5z


1. Ponto de vista sistêmico: A moderna teoria visualiza a orgonizaCeo como um sistema constitufdo de cinco

partes básicas: entmda, processo, salda, retroaçdo e ombiente. A T.G.S. inclui todos os tipos de sistemas

- biolbgicos, fisicos e comportamentais. Idéias de controle, estrutura, propósito e processos operacionais

de sistemas, provindos da T.G.S., Cibernética e demais áreas relacionadas são importantes na moderna

teoria adminisfrativa.

2. Abordagem dinâmica: A ênfase da teoria moderna é sobre o dinâmico processo de interaçgo que ocorre

dentro da estrutura de uma organizoçdo. Esta abordagem contrasta com a visão clkssica que enfatizava

quase que somente a estrutura estktica. A moderna teoria não desloca a ênfase na estrutura, mas simples-

mente adiciona a ênfase sobre o processo de interação entre as partes que ocorre dentro da estrutura.

3. Multidimensionol e multinivelada: A moderna teoria considera uma organizaç8o do ponto de vista

micro e macroscópico. A organização é micro quando considerada dentro do seu ambiente (ao nível da

sociedade, da comunidade ou do pafs); é macro quando se analisam as suas unidades internas. A teoria

srst mica considera todos os níveis e reconhece a importáncia das partes, bem como a "Gestalt" ou totali-

dade e portanto a interação existente entre as partes em todos os níveis. Daf o efeito slnerglstico que

ocorre dentro das organizoções.

4. Multimotivacional: A Teoria de Sistemas reconhece que um ato pode ser motivado por muitos desejos ou

motivos. As organizações existem porque seus participantes esperam satisfazer a certos objetivos através

delas. Esses objetivos não podem ser reduzidos a um objetivo único, como o lucro.

5. Probabillstica: A teoria moderna tende a ser probabilfstica. Suas frases estão saturadas de expressões

como "em geral", "pode ser" etc.,, demonstrando que muitas variáveis podem ser explicadas em termos

preditivos é ngo com certeza.

6. Multidisciplinar: A Teoria de Sistemas é uma teoria multidrsciplinar, buscando conceitos e técnicas de

muitos campos de estudo, como a Sociologia, Psicologia, teoria administrativa Economia Ecologia,

pesquisa operacional etc. A teoria moderna representa uma síntese integrativa de partes relevantes de

todos os campos no desenvolvimento de uma teorio geral das organizações e da Administração.

7. l?escritlva: A teoria moderna é descritiva. Ela procura descrever as características das organizações e da

Administraçgo. Enquanto as teorias mais antigas eram normativas e prescritivas, preocupadas em sugerir

o que fazer e como fazer, a teoria moderna contenta-se em procurar compreender os fendmenos organiza-

cionais e deixar a escolha de objetivos e métodos ao indivfduo.

8. Multivarlkvel: A teoria moderna tende a assumir que um evento pode ser causado por numerosos fatores

que sgo inter-relacionados e interdependentes. Esta abordagem contrasta com as teorias antigas que pres-

supõem causaçgo simples e de fator único. A teoria moderna reconhece a possibilidade de que fatores

causais sejám afetados por coisas que eles próprios causaram através da retroaçdo.

9. Adaptativa' Um dos pontos de vista mais importantes da moderna teoria administrativa é sua visão de que

a orgonizaçlto é um srstema odaptotivo. Se uma organizaçgo pretende permanefer viável (continuar a

existir) em seu ombienle, ela deve continuamente adaptar-se aos requisitos cambiantes do ambiente.

Assim, a organizaçõo e seu ambiente sáo vistos como interdependentes e em um contínuo equilfbrio dinâ-

mico, rearranjando suas partes quando necessário em face da mudança. A moderna teoria visualiza uma

organizaçgo em um sentido ecológico, como um srstema aberto que se adapta através de um processo de

retroaçdo negativa para permanecer viável. Esta abordagem adaptativa, ecolbgica, das organizações traz

como conseqtiência uma focalização nos resultados (output da organização ao invés da 8nfase sobre o

processo ou as atividades da organização, como o faziam as antigas teorias.

52 Herbert G. Hicks e C. Ray Gullett, Orgonizations: Theory and Behavior Tokyo, McGraw-Hill Koga-

kusha, Ltd., I975, p. 213 a 219.


540 INTRODUÇÃO A TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO
Caráter Integrati o e Abstrato da Teoria de Sistemas
Muitos autores consideram a Teoria de Sistemas demasiado abstrata e concepttlal e, portanto,

de difícil aplicação a situações gerenciais práticas53. Muito embora venha predominando

fortemente na teoria administrativa, e tendo "uma aplicabilidade geral ao comportamento

de diferentes tipos de organizações e indivíduos em diferentes meios culturais"54, a aborda-

gem sistêmica é basicamente uma teoria geral compreensiva, cobrindo amplamente todos os

fen8menos organizacionais. Ela é uma teoria geral das organiza ões e da administração55,

uma síntese integrativa dos conceitos clássicos, neoclássicos, estruturalistas, neoestrutura-

listas e behavioristas. Obviamente, algumas variáveis novas passaram a ser estudadas nesse



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