Prefeitura municipal de ipatinga



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PREFEITURA MUNICIPAL DE IPATINGA

ESTADO DE MINAS GERAIS


SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO/SEÇÃO DE ENSINO FORMAL Centro de Formação Pedagógica - CENFOP




LENDAS E HISTÓRIAS DOS POVOS INDÍGENAS
ÍNDIOS BORORÓ
O ÍNDIO QUE VIROU PAPAGAIO
Dizem os bororós que um indiozinho muito desobediente, um dia, fez tanta estripulia que acabou virando papagaio. Foi esta a desobediência que o fez virar papagaio-falador. O indiozinho, muito guloso, não tinha paciência para esperar nada. Sua mãe trouxe da floresta algumas mangabas. Colocou-as para assar no moquém (vara que fincam sobre a fogueira).

O borozinho não resistiu e começou a tirar as mangabas quentes, que comia sem mastigar. Imediatamente, começou a gritar.


__Crac... crac... crac...


De tanto gulodice, sapecou a garganta, vomitando tudo.


No mesmo instante, o guloso foi-se transformando: cresceram asas em suas costas e seu corpo cobriu-se de penas. Virou o papagaio que hoje fala tanto.


__Crac... crac... crac...



O ÍNDIO QUE VIROU PORCO ESPINHO




Num período de seca e pouco peixe, os índios saíam todos os dias para pescar, mas voltavam de mãos vazias.


As mulheres riam e debochavam de seus maridos. Um dia, elas propuseram aos maridos o seguinte: ao invés de eles irem pescar, por que não deixavam irem as mulheres? Os índios concordaram e elas foram. No final do dia, voltaram com o cesto cheio de peixes. Os índios ficaram envergonhados.


À noite, quando se reuniram no centro da aldeia, os homens chegaram à conclusão de que havia um truque na pescaria das mulheres.


__Por que tanta fartura de peixe para elas e para nós nada?


No dia seguinte, ficaram vigiando as mulheres. Quando elas saíram para a pesca, os índios mandaram uma pomba juriti segui-las. A juriti, voando de galho em galho, acompanhou-as. Chegaram elas à beira do rio e cantavam chamando as lontras:


__Queremos peixe... queremos peixe... tragam bastante peixe e em troca lhes daremos um beijo. A juriti, fofoqueira como ela só, voou... voou... até chegar à aldeia. Estava cansada, mas louca para revelar o que tinha visto. Então chamou os índios:


__Fill!... fill!... fill!... eu vi as índias chamarem as lontras! A juriti contou tudo o que se passou na beirado rio. Então os índios, no dia seguinte, prepararam uma armadilha. Untaram as varas com visgo e partiram bem cedinho.


Chegando à beira do rio, agiram da mesma forma que suas esposas. Quando as lontras apareceram, foram fisgadas e estranguladas pelos índios.

Passados alguns dias, as índias foram pescar e encontraram as lontras esquartejadas na beira do rio. Elas ficaram revoltadas e voltaram para a aldeia, onde prepararam uma bebida de pequi, sem tirar os espinhos, oferecendo a bebida aos seus maridos. Eles beberam tudo e os espinhos fincaram em suas gargantas, causando-lhes dor e muitos gemidos.


__Humm... humm... humm...


Então todos os índios se transformaram em porcos-espinhos e estão soltos pelas florestas até hoje. 


A PEDRA E A TAQUARA

Um bororo assistiu a uma discussão entre a pedra e a taquara. Eles queriam chegar a uma conclusão: quem parecia mais com a vida do homem.

Dizia a pedra:


_Eu morro, mas renasço imediatamente ou deixo família.

Retrucou a pedra:

__Não adoeço; o vento, o sol e a chuva não me causam transtornos. A morte não é problema para mim. E você...

__Bom! Minha morte pode causar vários benefícios. Quando me cortam, utilizam-me para alguma coisa. Minha raiz germina outro corpo, formando nova família. Daí por diante, as família vão germinando... germinando...


A pedra, quietinha, ficou no seu lugar. Perdeu a voz.


A taquara, balançando suas folhas verdes, respirando a brisa da manhã, disse:
__Minha vida é uma cópia da vida humana, onde cada um nasce, cresce, reproduz e depois morre, deixando aos filhos a responsabilidade de continuarem a obra de renovadora da vida.
ÍNDIOS XAVANTE
O ÍNDIO E A ESTRELA


Os xavantes acreditam que as estrelas são olhos de pessoas que nos contemplam todas as noites.
Um índio xavante, certa noite, admirando o céu, que estava muito estrelado, viu, de repente, uma estrela diferente das outras: brilhava mais, piscava muito e parecia inquieta. O índio se enamorou da sua beleza. Cansado de olhar para o alto, adormeceu. A estrela notou que o seu admirador havia adormecido. Resolveu descer até a Terra e transformou-se numa linda moça.

Quando o índio acordou e viu aquela lindeza diante dele, exclamou espantado:


__OHH!!!...

Então, surgiu um grande romance entre eles. Mas o tempo da moça era pouco aqui na Terra. Entristecida, ela despediu-se do índio para voltar ao céu. Ele não resistiu e demonstrou grande tristeza em perdê-la.


Ela logo perguntou:
_Quer ir comigo?

Ele respondeu logo:


__Sim... sim... índio quer ir. Mas como?


Ela disse:


__Venha. Suba até o alto desta palmeira. Ela crescerá e levará você até o céu.


E tudo aconteceu num piscar de olhos.
Os dois permaneceram no céu por algum tempo. Porém, como o índio era muito obediente, sentiu-se na obrigação de avisar seus pais aqui na Terra.
Desceu e comunicou a todos da aldeia o desejo de permanecer no céu. Em seguida, retornou para viver ao lado de sua estrela amada. Por isso é que, de vez em quando, uma estrela pisca. É o namoro da estrela com o índio.
A LENDA DA BATATA DOCE

O urubu não é tão carniceiro assim como achamos. Conta a lenda xavante que um urubu, passeando pela floresta, no Mato Grosso, viu um caçador estrebuchando no chão. Ele tinha sido abandonado pelos seus companheiros, porque estava com o corpo coberto de furúnculos. Os urubus pousaram ao seu redor e viram a dor que aquele homem estava sentindo. Levaram o homem até o céu e lá o curaram. Retornando à terra, os urubus pousaram o caçador numa roça dos xavantes, deixando-o lá. Os índios espiaram e correram para ver o que estava acontecendo. O caçador, feliz, doou aos xavantes uma muda de batata-doce que trouxera do céu. Os índios plantaram a batata que é, hoje, fonte de alimento deles e do homem branco.
POVOS CARAJÁ
COMO SURGIU O ÍNDIO CARAJÁ
Segundo a lenda, os Carajás habitavam um túnel subterrâneo. Um dos carajás sentiu-se mal e saiu do túnel para vomitar. Após ter melhorado, andou por perto da boca de sua moradia. Achou favo de mel, provou, gostou e levou um pouco para seus companheiros. Todos se deliciaram com o mel. No outro dia, o carajá voltou,arrancou mais mel e provou da mangaba. Entusiasmado, levou tudo para o túnel. Todos comeram e gostaram. Aí, todos queriam vir para fora do túnel, provar as delícias que o mundo oferecia. É assim que a lenda carajá conta o surgimento da sua tribo:

__Foi por causa de um índio que queria vomitar e por causa do sabor do mel que estamos aqui.


Isso me contou um índio adolescente da tribo Carajá, na aldeia de Santa Isabel, na Ilha do Bananal.


A ESTRELA TAINAN- RACÃ

Os índios carajás, ao se ausentarem de sua aldeia para as costumeiras caçadas, recomendavam às esposas que não saíssem da aldeia. No início, a ordem era cumprida. Mas, depois de algum tempo, as esposas desobedeceram os índios. Esperavam que eles saíssem e partiam em direção ao Rio Araguaia para apanharem ovos de tracajá (espécie de tartaruga pequena).
Um belo dia, o filho do cacique, muito curioso, seguiu os passos de sua mãe. E a viu conversando com um desconhecido. Intrigado, ele pensou: quem será? Logo descobriu que era o Cananxiué, o famoso deus dos carajás. Passado algum tempo, sua mãe apareceu grávida. E deu à luz a uma linda menina, a mais bela já nascida na aldeia. O marido, intrigado com aquela situação, passou a maltratar a esposa.

Enquanto isso, a indiazinha crescia lindamente, chamando a atenção de todos da aldeia.


Numa bela noite, enluarada e de muitas estrelas, a carajazinha resolveu contemplar o céu na praia do Rio Araguaia. Chegando lá, olhou para o alto e ficou enamorada de uma estrela. Parecia que ela piscava para a indiazinha. Era a maior e mais linda das estrelas.. Era a Estrela D'alva que na língua carajá chama-se Tainan-Racã.

Sentada na esteira, a carajazinha imaginou possuir aquela estrela. E o seu protetor Cananxiué, sabendo do desejo da menina, logo tratou de providenciar a realização do desejo dela. Mas o sonho não foi o que ela esperava. A estrela desceu até à praia, transformando-se num Matucari, que em carajá significa um velhinho. Mesmo assim, eles se casaram. Todos os dias, o velhinho acordava cedo, pegava seu cesto e ia à roça plantar e colher. Mas, antes de partir, ele falava para sua esposa:


__Não saia de casa antes que eu chegue.

Com o passar dos dias, ela não suportou a curiosidade e seguiu seu marido. Chegando à roça, teve a maior surpresa. Seu marido se transformara num jovem carajá, bonito e forte.


Espantada, logo gritou...


__Ih! Ih! Ih! Por que você não é assim o tempo todo?


Aborrecido com a desobediência da esposa, o marido imediatamente transformou-se na estrela que era antes e voltou para o céu. Deste dia em diante, a índia ficou sozinha, triste, não comia nem dormia. Ficava só deitada na rede.


O Cananxiué, presenciando a solidão da índia, transformou-a numa pequena estrela e disse:


__Vá para o lado de seu esposo, lá no céu, e terás o nome de Tainazinha.


AS MULHERES QUE VIRARAM BOTO
Com a baixa das águas do Rio Araguaia, as mulheres carajás descobriram uma linda lagoa. Moravam lá muitos jacarés, mansinhos e tristonhos. Numa manhã bem ensolarada, as mulheres, escondidas de seus maridos, saíram em direção ao lago. Os maridos não gostavam de ver as esposas passeando sozinhas, temendo que elas fossem raptadas pelos toris, que significa homem branco.
Chegando à lagoa, as mulheres viram os jacarés “quentando” sol. Com a chegada das mulheres, os jacarés caíram n'água. Então, as índias sentaram na beira da lagoa, com os pés dentro d'água e cantaram:
__Ih!... rôrôrô jacaré, por que você é tão triste?

__Ah!... rêrêrê... jacaré, não fique triste.


__Oh!... rôrôrô... queremos ser amigas.

De repente, muitas borbulhas se formaram à flor d'água. Eram os jacarés que chegavam de mansinho. As índias, enfeitadas de penas coloridas, corpo pintado de urucu e jenipapo, cheirando a óleo de pequi, agradaram os jacarés, fazendo cafuné neles. Enquanto eram acariciados, as índias faziam seus pedidos:

__Jacarezinhos, gostamos de peixe. Tragam peixe para nós... Os jacarés deram um suspiro e mergulharam nas águas clarinhas, em direção ao canal que liga o lago ao rio. Assim as índias faziam sempre.


Os maridos descobriram e ficaram enciumados. Eles prepararam uma surpresa. Esconderam-se no mato e seguiram suas esposas. Chegando à lagoa, viram a cena. Ficaram furiosos. E mais raivosos ainda ficaram, quando as mulheres recebiam os peixes. Elas cozinhavam e comiam tudo. Não levavam nada para suas casas.

No dia seguinte, os índios proibiram as mulheres de saírem da aldeia. E o cacique, acompanhado de outros índios, foram até a lagoa. Chegando lá, repetiram a cena, igualzinho as mulheres faziam. Quando os jacarés colocaram a cabeça foram d'água, os índios: zaz!!! acertaram a cabeça de cada um com a borduna (espécie de porrete usado pelos índios). Dizem que a paulada foi tão forte que os jacarés engoliram a língua e até hoje não falam mais.


No outro dia, as mulheres fugiram novamente para a lagoa. Fizeram como de costume. Os jacarés não apareceram. Repetiram o canto, várias vezes, e nada. Elas ficaram tristes. O filho do cacique apareceu e contou o que os índios haviam feito com os jacarés. Elas, revoltadas, caíram na lagoa e viraram Boto, um peixe que salva a vida dos que caem no rio e não sabem nadar.
INÃNI: O FEITICEIRO MALDOSO
Arutâna, o grande caçador da aldeia carajá, gostava de caçar sempre à noite. Numa noite, sentado no cupim esperando ouvir o ruído dos animais, adormeceu e sonhou. Sonhou que tinha feito uma grande caçada. De repente, acordou com um clarão e viu um vulto. Era o filho do feiticeiro da floresta. Logo, ele perguntou ao índio:
__Quem é você?

__Sou o filho de Cananxiué, famoso deus bom dos carajás.


O índio perguntou.
__E você, como se chama?

__Inãninho.


__Mim!!!... Babixê! Então você é o bicho da floresta? Minha mãe falava muito das suas arruaças, amedrontando as crianças.


__Não... não... Não sou eu quem fazia mal às criancinhas. É meu padrasto, o feiticeiro maldoso.


Depois de conversarem bastante, os dois chegaram à conclusão de que poderiam ser amigos. Arutâna contou como ele tinha medo de Inãni, o bicho da floresta. __Minha mãe me banhava no rio, colocava-me na rede e cantava: Fique quietinho e dorme, se não o bicho da floresta vem te buscar. Inãninho ficou triste ao saber que os mais velhos é que faziam esta fantasia medrosa para as crianças.
O bicho da floresta ficou conhecido na aldeia, quando uma turminha de indiozinhos fazia muita bagunça com uma canoa no Rio Araguaia. Inãni, o bicho da floresta, irritado porque os meninos espantaram os peixes, fez um feitiço, afogando todos.

Inãninho, muito triste com essa situação, pediu a Arutâna que o levasse até a aldeia. Chegando lá, Inãninho explicou tudo e contou que Inãni, o seu padrasto feiticeiro havia morrido. Eles ficaram amigos. Daí por diante, as crianças não mais tiveram medo do bicho da floresta.


REFERÊNCIAS:

1. "A Verdade sobre os Índios Brasileiros", Rio de Janeiro, Guavira Editores, 1981.


2. "A Arte Indígena Brasileira", 28 de abril a 31 de maio de 1983 - Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes, 1983 - Catálogo de exposição.
3. COSTA, Maria Heloísa Fénelon - A arte e o artista na Sociedade Karajá. Brasília, Funai, 1978.
4. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1979.
5. RIBEIRO, Darcy. "Os Índios e a Civilização". Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1970.
6. DIÉGUES JR. Manuel. "Etnias e Culturas no Brasil", Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1977.
7. FELÍCITAS. "Danças do Brasil", Rio de Janeiro, Ed. Tupy, 1958.
8. GREGÓRIO, José Irmão. "Contribuição Indígena ao Brasil". Belo Horizonte, União Brasileira de Educação e Ensino, 1980.
9. Iny Tyyriti, Iny Tykyriti. Cartilha Carajá, Summer Institute of Linguistics, Brasília, 1981.
10. "Legislação Indígena Jurisprudência". Brasília, Ministério do Interior, Funai, 1983.
12. MAIOR, A. Souto. "História do Brasil", São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1970.
13. MARTINS, Edilson. Nossos Índios Nossos Mortos, Rio de Janeiro, Ed. Codecri, 1982.
14. PARAÍSO, Maria Hilda Baqueiro. "Relatório Hãhãhãi", Porto Seguro, 1976.
15. QUEIROZ, J. F. Xavante: Como Manter o Orgulho de Ser Índio na Tribo do Trator? Interior, 7 (35): nov./dez. 1980.
16. PATAXÓ arco e lanças de pilha, também. Interior, 7 (35): nov./dez.
17. Revistas de Atualidades Indígenas, Brasília, Funai, 1970, Vol. I e II.
18. TUDO - dicionário enciclopédico ilustrado. São Paulo, Abril Cultural, 1979.
19. VARANGNAC, André. O homem antes da escrita. Rio de Janeiro, Ed. Cosmos, 1963.
BOSCH - Gimpera. A América: paleol[itico e mesolítico. In: O homem antes da escrita. Rio de Janeiro, Ed. Cosmos, 1963.
20. Índios no Brasil e Presença Missionária. (Brasília) Cime, 1982. Mapa.


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