Presença Protestante na Sociedade



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Encontro20.07.2016
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Presença Protestante na Sociedade

Senhor (a) Presidente (a)

Senhoras Deputadas e Deputados,

Senhoras e Senhores,

Nesse dia 31 de outubro celebramos mais um aniversário da Reforma Protestante. É necessário um breve resgate histórico desse importante acontecimento. Martinho Luthero, ficou conhecido como o pai da Reforma; nascido na Saxônia, filho de empreiteiro de minas possuía certa estabilidade econômica. Influenciado pelo pai ingressou na Universidade, para estudar direito. Em 1505, após quase morrer em uma violenta tempestade, ingressou na ordem dos Monges Agostinianos, cumprindo promessa feita a Santa Ana.

Depois de retornar de uma visita à Roma, Luthero ficou indignado com as inúmeras práticas que entravam na igreja cristã. Profundo estudioso da Bíblia Sagrada, não podia compactuar com vários erros e abusos da Igreja, entre os quais, a venda das Indulgências, ou seja, perdão de pecados. Defendeu que Cristo, com sua morte e ressurreição, não só pagou a culpa de nossos pecados, mas nos oferece o perdão gratuitamente pela fé.

Luthero afixou na porta da Catedral de Witttenberg, onde eram costumeiramente colocados assuntos para discussão, a lista das 95 teses que contestavam, à luz das Escrituras Sagradas, práticas da igreja .O texto foi escrito em latim, pois destinava-se aos teólogos. Nessa época já existia uma imprensa organizada e jornalistas competentes, com isso as teses foram traduzidas em outras línguas espalhando-se por toda Europa.

Levantando-se contra séculos de tradição e sustentando sua posição nas Escrituras, o monge agostiniano recusava-se a voltar atrás em suas posições. Tudo isso desencadeou na excomunhão de Lutero da Igreja no ano de 1520 . Com uma interpretação muito pessoal, Luthero defendeu que o homem, apenas pelas suas obras, é incapaz de se santificar e que é pelo ato de crer, ou seja pela Fé, que se chega à santificação. Só a Fé torna o homem justo, não sendo as boas obras suficientes para apagar os pecados e garantir a salvação.


Seja na esfera da religião e da vida secular, por seus efeitos sobre a política e a vida econômica, ou por sua contribuição na educação, na filosofia, na poesia e na arte, percebemos que a Reforma significou uma ruptura radical com a ordem de coisas ligada à civilização medieval e ao catolicismo e lançou as sementes donde iriam brotar as mais altas criações de nossos tempos.


Os reformadores ficaram conhecidos como “protestantes”. Suas bases de fé eram: Sola Scriptura, Sola gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria, Solo Crhristi ( Somente as Escrituras, Somente a Graça, Somente a Fé, Só a Deus daí Gloria, Cristo Somente).

Espalhando-se pela Europa, a Reforma chegou à Escócia com John Knox e em Genebra John Calvino consolidando-se no ano de 1541.Surge do Calvinismo, um modelo de homem religioso e trabalhador. O Calvinismo espalhou-se por diversas regiões da Europa, na França foram denominados de Huguenotes, chegando até a Holanda e Inglaterra. O Rei da Inglaterra, Henrique VIII, devido a uma série de fatores políticos e econômicos também rompe com a Igreja Católica e fundando uma Igreja nacional ficando conhecida como Igreja Anglicana.

Destacamos que a Reforma Protestante significa para nós cristãos o marco de um novo momento, de uma ruptura; seja nas relações religiosas, econômicas, institucionais ou sociais. É na Reforma também que encontramos as origens do pensamento moderno científico e filosófico, o protestantismo define o fim da Idade Média e o inicio do mundo moderno.

Apesar da diversidade das forças revolucionárias do século XVI, a Reforma teve grandes e consistentes resultados na Europa ocidental. Em geral, o poder e a riqueza perdidos pela nobreza feudal e pela hierarquia da Igreja Católica Romana foram transferidos para os novos grupos sociais em ascensão e para a coroa. Várias regiões da Europa conseguiram a sua independência política, religiosa e cultural. Mesmo em países como a França e na região da atual Bélgica, onde o Catolicismo Romano prevaleceu, um novo nacionalismo foi desenvolvido na cultura e na política

Sr. presidente, senhoras e senhores deputados, a Reforma conquistou o Brasil em meados do ano de 1500, com a vinda de imigrantes europeus. Eram momentos de dissensões entre reformadores e católicos, o Brasil e a América do Norte surgiram como refúgio a todos os reformadores em fuga do Velho Mundo. Franceses, holandeses, ingleses e tantos outros estabeleceram sua raízes em solo brasileiro.

Herdeiros da Reforma, nós evangélicos congregamos em várias denominações: históricas, pentecostais ou neopentecostais. Os evangélicos já conquistaram todos os estados brasileiros com seus templos e atualmente representam 15% da população brasileira. A participação protestante no Brasil, ou melhor denominada na atualidade como, evangélicos, além da história religiosa possui um importante papel social, econômico, político e ético.

É parte da nossa fé cristã participar da luta em defesa dos marginalizados, das mulheres, dos negros, crianças, os sem-terras, os sem- esperança...

O ensinamento claro da Sagrada Escritura, o constrangimento do Espírito Santo, o clamor dos oprimidos nos apela, e impele-nos a empreender a busca da justiça pelo caminho da paz.

E finalmente Sr. Presidente é necessário reconhecer o importante papel desenvolvido na sociedade pelo segmento evangélico.

Nosso compromisso como representante do povo e a minha determinação cristã remete-nos a defesa da vida, não existe bem maior do que o direito à vida, em todos os níveis de bem estar: habitação, saúde, educação, emprego e alimentação.



Que a herança libertária de reforma protestante possa se fazer presente na sociedade brasileira renovando nossas disposições na defesa do direito à vida plena. Obrigado.

Deputado GILMAR MACHADO (PT/MG)





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