Primeira Parte- a ruptura Textos complementares



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BOURDIEU, Pierre; CHAMBOREDON, Jean-Claude; PASSERON, Jean-Claude. Ofício de Sociólogo. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1999.

Apontamentos feitos por Darlane Andrade



Primeira Parte- A ruptura

Textos complementares

- Prenoções e técnicas de ruptura

Texto 4 – As prenoções como obstáculo epistemológico

“A contestação das ‘verdades’ do censo comum tornou-se um lugar-comum do discurso metodológico que corre o risco de perder, por esse motivo, toda a sua força crítica. Bachelard e Durkheim mostram que a contestação, ponto por ponto, dos preconceitos do senso comum não pode substituir o questionamento radical dos princípios em que este se apóia: ‘Diante do real, aquilo que cremos saber com clareza ofusca o que deveríamos saber. Quando o espírito se apresenta à cultura científica, nunca é jovem”.(p.117)

4.é. Durkheim

“No momento em que uma nova ordem de fenômenos se torna objeto de ciência, estes já se encontram representados no espírito” por imagens e conceitos formados de forma grosseira. (p.118)

“o homem não pode viver entre as coisas sem formular idéias a respeito delas e acaba regulando sua conduta de acordo com as mesmas” (p.118) Com efeito, tais noções ou conceitos não são os substitutos legítimos para as coisas.

Prenoções são consideradas como a base de todas as ciências nas quais tomam o lugar dos fatos.

Construção das ciências sociais – as coisas sociais se realizam através dos homens, no entanto, parece que “são apenas as realizações de idéias, inatas ou não, que trazemos em nós e sua aplicação às diversas circunstâncias que acompanham as relações dos homens entre si” (p.119)

As noções mais gerais da vida coletivas, as representações esquemáticas e sumárias que constituem as prenoções de que servimos para o uso corrente da vida.

Necessidade de construir ciência pelo método indutivo e para isso houve necessidade de duvidar das idéias (prenoções) – Adoção da dúvida de Descartes.

Texto 5 – A definição provisória como instrumento de ruptura

“A exigência durkheimiana da definição prévia (...) tem por função primeira afastar as prenoções, isto é, as pré-construções da sociologia espontânea, ao construir o sistema de relações que define o fato científico”.(p.121)

5. M. Mauss

- Determinar o método que convém ao tema, explicar os procedimentos de definição, observação e análise que serão aplicados no decorrer do trabalho (p.121)

- Exemplo da Oração

Definição do objeto – transformar a noção de oração em uma noção distinta (objeto da definição). Definir o objeto provisoriamente, sem antecipar os resultados. (p.122) Limitar o campo de observação.

“Não devemos confiar em nossas impressões ou em nossas prenoções, nem nas impressões e prenoções dos meios observados” (p.123) No caso da oração, “não diremos que um ato religioso é uma oração porque o sentimos como tal, nem porque os fiéis desta ou daquela religião o nomeiam dessa forma”. (p.123)

“O único meio de escapar de distinções, tão arbitrárias quanto certas confusões, é afastar, de uma vez para sempre, todas essas prenoções subjetivas para alcançar a própria instituição. com essa condição, a definição inicial será um primeiro passo na pesquisa” (p. 124)



Texto 6 – A análise lógica como auxiliar da vigilância epistemológica

“A clarificação dos conceitos e a formulação das proposições e hipóteses sob uma forma tal que elas sejam suscetíveis de verificação experimental é uma das condições fundamentais do rigor e um dos instrumentos mais eficazes da vigilância epistemológica.” (p.124-125). Exemplo: conceitos do censo comum - “conformismo” e “aburguesamento”.

6. J.H. Goldthorpe e D. Lockwood

Discute o enriquecimento da classe operária britânica e afirmações referentes a esse processo, mostrando as transformações passadas por esta sociedade.

Aumento do nível de vida e modo de vida – transformações econômicas implica “determinadas transformações que afetam os valores, as atitudes e as aspirações, os modelos de conduta e a estrutura das relações que formam o tecido da vida social” (p.125)

Explicações para o “emburguesamento” da classe operária: Mudanças observadas na clientela dos partidos políticos com o enfraquecimento do eleitorado trabalhista; transformações econômicas e sociais subjacentes que não só são irreversíveis, mas ainda não atingiram seu termo (p.126)

(critérios que definem classe média no texto: profissão, origem familiar, remuneração, modo de consumo e psicologia da classe média)

Implicações da tese segundo a qual a fração melhor aquinhoada dos trabalhadores braçais de um país é absorvida pela classe média: (p.127)



  1. esses trabalhadores e suas famílias consigam um nível de vida em termos de remuneração e bens materiais que os coloque em um plano de igualdade com a camada inferior da classe média;

  2. que esses trabalhadores consigam novas perspectiva sociais e normas de condutas que sejam característicos da classe média (aspecto normativo da classe)

  3. que dois de A e B acima, esses trabalhadores sejam tratados em pé de igualdade em todas as relações sociais (aspecto relacional da classe)

- “aburguesamento” da classe operária implica um processo complexo de transformação.

- apresenta quadro do processo de transição de classe na pág. 128. Este quadro permite formalizar de forma relativamente sistemática a tese do aburguesamento e encarar sua verificação experimental. (p. 129)

- Comentário sobre a tese do aburguesamento prossupoe que a “nova” classe operária avança em direção de uma classe média imutável e homogênea, o que parece uma idéia insustentável. Importante que a pesquisa futura busque estudar as relações entre a classe operária e grupos de classe média especificamente definidos pela pequena distancia que separa os operários. (p.129). Ex: tendemos a pensar tendências individualista nos empregados subalternos; passagem do pólo coletivista para o polo individualista.

TESE DA CONVERGÊNCIA: Hipótese da “nova classe média” e “nova” classe operária e não a absorção de uma pela outra: 1) não está confirmado que as atitudes e o comportamento da “nova” classe operária estejam associados a uma aspiração para um estatuto de classe média; 2) nenhum exemplo mostrou de forma convincente como tais aspirações poderiam surgir das relações sociais nas quais estão envolvidos os operários em questão; 3) existem fatos como o vigor do sindicalismo operário, que não é facil incluir no quadro da concepção do aburquesamento. Mas a adoção da convergência, ela não é afetada em nada pela manifesta falta de interesse dos operários em fazerem parte da classe média. (ver final p. 130 – se quisermos...)

Discute convergências – termos que designam as classes

- distinção do operário que “aspira uma promoção social” e o operário “desvinculado do seu meio”

-diferenças nas convergências: “ o novo individualismo dos grupos da classe operária tomará, sobretudo, a forma de um desejo de avanço economico do núcleo familiar, enquanto o individualismo atenuado dos grupos de classe média distinguir-se-á do procedente por uma sensibilidade maior aos estatutos sociais dos grupos aos quais estão ligados ou desligados” (p.133)

1.2. A ilusão da transparência e o princípio da não consciência”

Texto 7: A filosofia artificialista como fundamento da ilusão da reflexividade

“ A ilusão da transparência procede da idéia que, para explicar e compreender as instituições, bastaria reapreender as intenções de que elas são o produto” (p. 135)

sociologia espontânea

7. É Durkheim

Fala sobre educação ideal.

“Os sistemas educativos nada têm de real em si mesmos”. Estes sistemas são “ instituições que, assim como a própria estrutura da sociedade, não podem ser modificados à vontade”.(p.136), no entanto isto parece ser simples sistema de conceitos, apenas uma construção lógica.

Cada sociedade possui um sistema educacional imposta aos indivíduos. (p.136)

O que vai ser ensinado foi construído social e historicamente.



Texto 8: A ignorância metódica

“Para lutar metodicamente contra a ilusão de um saber imediato que se apóia na familiaridade com o mundo social, o sociólogo deve levar em consideração que esse mundo é para ele tão desconhecido quanto o mundo biológico o era para o biólogo antes de ter sido constituída a biologia”. (p. 137)

“É necessário considerar o estranhamento do universo social” (p. 138)

8. É Durkheim

“Com efeito, não afirmamos que os fatos sociais sejam coisas materiais, e sim que são coisas como as materiais, embora de maneira diferente” (p. 138)

Discute o que é uma coisa: “ a coisa opõe-se a idéia como o que se conhece a partir do exterior se opõe ao que se conhece a partir do interior. É coisa todo objeto e conhecimento que a inteligência não chega a penetrar de forma natural” (p.138)

“todo objeto da ciência é uma coisa (...) e é construído por nós mesmos, basta olhar para dentro de nós e analisar interiormente o processo mental de que resultam para sabermos o que são (p. 138)

coisa observada a partir do exterior (psicologia) (p.139)

Participando da construção da coisa,ainda assim não conhecemos muito bem o que nos guia (Ver p. 139)

“ O que exige do sociólogo é que este se coloque em um estado de espírito semelhante ao dos físicos, químicos, fisiologistas quando se aventuram em uma região, ainda inexplorada, de sua área científica. (...) ao penetrar no mundo social, ter consciência de que penetra no desconhecido, que sinta a presença dos fatos, seja preparado para fazer descobertas que hão de surpreende-lo e desconcertá-lo (p. 140)



Texto 9: O inconsciente: do substantivo à substância

Inconsciente como uma palavra que implica a polissemia de uma palavra utilizada em outra tradição e com outro sentido para os psicanalistas e ligada à ilusão que resulta da tendência a inferir a substancia a partir do substantivo (ver p. 140-141)

9. L. Wittgenstein

Exemplo do uso da expressão “uma dor inconsciente de tendes” no sentido de “sentir uma dor de dente sem o saber”, mas que não é dito desta forma. A palavra “saber” é utilizada de forma habitual.

Quando se diz “sinto inconscientemente uma dor de dentes”, esta expressão permite estabelecer a distinção entre um dente cariado doloroso e um dente cariado indolor, o que contudo, arrasta representações e analogias que fazem com que seja difícil limitar estritamente ao termos da convenção. é necessário o espírito vigilante para afastar as imagens desse gênero, particularmente no pensamento filosófico pelo qual fazemos um esforço para contemplar o que é dito a propósito das coisas.

Discute que é impossível uma “dor inconsciente de dentes” mas o cientista pode dizer que a coisa existe e há provas disso. - O problema das explicações científicas e filosóficas.



Texto 10: O princípio do determinismo como negação da ilusão da transparência

“Para que pudesse existir uma verdadeira ciência dos fatos sociais seria necessário que considerássemos as sociedades como realidades comparáveis às que constituem os outros reinos; que chegássemos a compreender que elas tem uma natureza que não podemos modificar arbitrariamente e determinadas leis que derivam necessariamente dessa natureza” (p. 142-143)

O surgimento da sociologia se daria se a idéia determinista estabelecida nas ciências físicas fosse estendida à ordem social .

10. É. Durkheim

Discute os princípios e surgimento da sociologia como ciência, partindo do princípio que as sociedades estão submetidas a leis que derivam necessariamente de sua natureza e que a exprimem. Mostra como esta concepção foi se formando ao longo da história:

- Ilusão de que as coisas na natureza eram regidas por leis e que poderiam se transformar;

- no século XVIII começa-se a vislumbrar que o reino social tem suas próprias leis como os da natureza “as leis são as relações necessárias que derivam da natureza das coisas” (p. 143);

- Noção ainda ambígua das leis da vida social e que os fatos sociais não estavam ligados segundo a relação causa e efeito

-Século XIX – princípios deterministas

- Comte observada que de todos os fenômenos naturais , os fenômenos sociais são os mais maleáveis, mais acessíveis a mudanças porque são os mais complexos.



Texto 11 : O código e o documento

Objeto – a instituição

11. F. Simiand

O documento é necessário para constituição da ciência.

O documento como intermédio do espírito que estuda e o fato estudado é diferente de uma observação científica: é feito sem método definido e com objetivos diferentes do objeto científico, tem caráter subjetivo. (p.147).

chegar de forma direta ao caráter do estudo



Um código não é um documento no sentido da história, mas com constatação de fato direta e imediata.

Os fenômenos sociais podem ser apreendidos por via da observação feita pelo autor da pesquisa (p. 147),mas não por via indireta, pelo autor do documento.


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