Primeira Tradição



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Encontro04.08.2016
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OS PRINCÍPIOS ACIMA DAS PERSONALIDADES
Todo membro de A.A. deve conformar-se com os princípios da recuperação, porque sua vida depende da obediência a princípios espirituais. Esta afirmativa contida na Primeira Tradição, define a vital importância da submissão aos princípios, de todo aquele que busca a recuperação em Alcoólicos Anônimos. Mas para que esse objetivo seja atingido, não basta que ele seja almejado. A maioria dos indivíduos não consegue se recuperar se não houver um grupo. As Tradições são uma extensa lista de sacrifícios aos quais precisamos nos submeter para que nossa Irmandade possa continuar cumprindo o seu único e primordial propósito. Para que seja possível a recuperação pessoal é necessário que haja o grupo. É preciso que o grupo viva para que possamos sobreviver. Neste momento é necessário calar o clamor dos desejos e ambições pessoais. Insistentemente as Tradições nos falam da importância da sobrevivência de A.A., para nós a quem foi dada a graça de nos recuperarmos e para aqueles que ainda estão por vir. A cada dia precisamos lembrarmo-nos de que somos apenas a gota d’água que forma o oceano, o grão de areia que forma a praia, a pequenina estrela que forma o firmamento, ou seja, somos apenas a pequena parte de um grande todo. Aprendemos que nenhum sacrifício de caráter pessoal é demasiado grande em face da preservação de Alcoólicos Anônimos. Esta tradição deixa bem claro que precisamos sempre privilegiar o bem estar comum, definindo o princípio de que o interesse coletivo deve sempre estar acima dos interesses individuais.
A Segunda Tradição nos mostra o caminho da verdadeira liderança, preconizando a negação da autoridade absoluta. Ao depositar na consciência coletiva a autoridade suprema para presidir o nosso propósito comum, mostra aos nossos líderes a necessidade de serem servidores de confiança, tirando-lhes explicitamente qualquer poder de mando ou governo. Ao dar-lhes essa condição de “apenas servidores de confiança” estabelece esta Tradição o princípio da confiança mútua: por isso, “confiamos em Deus, confiamos em A.A. e confiamos uns nos outros”. A esse princípio precisamos submetermo-nos todos, companheiros, servidores, organismos, grupos e a própria consciência coletiva, para que a verdadeira liderança possa ser exercida. Diz em nossa literatura que os nossos líderes não dirigem por mandato, lideram pelo exemplo, ou seja, dizemos a eles “atuem por nós, mas não mandem em nós”. Enquanto servidores precisamos lembrar sempre de colocar o princípio da confiança recíproca, acima dos interesses pessoais de mando e poder.
Nos primórdios de A.A., ingressar em nossa Irmandade era privilégio de que poucos dispunham, grandes eram os nossos medos, o próprio anonimato como expresso no prefácio da 1ª edição do Livro Alcoólicos Anônimos foi fruto também da nossa preocupação com as complicações que um grande número de recém-chegados pusessem trazer e principalmente com a sua quebra. Esse medo foi finalmente superado quando a Terceira Tradição estabeleceu que “Para ser membro de A.A. o único requisito é o desejo de parar de beber”. Estava estabelecido o princípio de que todo alcoólico tem o direito de receber a mensagem de recuperação, independentemente de quem seja ou de quais sejam os seus outros males. Todo membro de A.A. precisa colocar o direito do alcoólico em se recuperar, acima de qualquer interesse pessoal seu, na permanência ou não de alguém em nossa Irmandade.
Todo grupo de A.A. deve ser uma entidade individual, uma unidade autônoma, rigorosamente dependente de sua própria consciência para orientar sua ação. Isto garante aos grupos a liberdade de buscar a melhor forma de transmitir a sua mensagem, ou seja, a mensagem de Alcoólicos Anônimos. A Quarta Tradição colocou apenas dois avisos de tempestade, não ferir Alcoólicos Anônimos como um todo, nem filiar-se a qualquer outra coisa ou pessoa. Esse princípio da autonomia quase absoluta dada aos grupos de A.A. precisa ser colocado a serviço da recuperação individual. Por isso, afirma esta Tradição: o grupo, assim como o indivíduo, tem eventualmente de submeter-se a quaisquer princípios provados que assegurem a sobrevivência. Então, mesmo enquanto grupo, devemos colocar estes princípios acima dos nossos interesses pessoais.
A advertência de que: “... melhor fazer uma coisa extremamente bem, do que fazer mal muitas coisas”, mais do que um aviso, é um princípio que precisa ser cumprido com perseverança, porque a vida da nossa Irmandade depende dele. A Quinta Tradição sintetiza a razão de ser de Alcoólicos Anônimos ao definir o objetivo único de nossa Irmandade: transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Manter A.A. fiel à finalidade para a qual foi concebido, é um compromisso de todo membro. Individualmente precisamos renunciar às nossas ambições interiores, sem dar importância a sacrifícios pessoais, para que a mensagem continue sendo transmitida aos alcoólicos, como um dia também nos foi trazida. Mais uma vez, nos cabe, colocar este princípio do objetivo maior de A.A., acima de qualquer interesse individual por mais meritório que nos pareça.
A Sexta Tradição coloca A.A. em uma situação toda especial ao definir o não endosso, a não afiliação, como princípio básico de autonomia plena de nossa Irmandade. Evidentemente que, para que isso acontecesse, tivemos que abstermo-nos de auferir vantagens pessoais em nome de A.A. Em nossos primeiros anos de existência diversas foram as tentativas de membros no sentido de ligar Alcoólicos Anônimos aos mais variados projetos. As empresas viam em A.A. uma instituição séria e seus membros como pessoas que poderiam facilmente convencer seus clientes nos diversos ramos de atividades ligadas ao alcoolismo de uma forma ou de outra. Por tentativa e erro adquirimos uma vasta experiência nesse e em outros aspectos de nossa existência como Irmandade. Assim, aprendemos que deveríamos manter uma linha de total independência em relação a outras instituições, projetos, movimentos afins ou alheios. Chegamos então ao entendimento de que teríamos sempre que colocar tais princípios acima do interesse pessoal tão comum a nós alcoólicos da busca de dinheiro, propriedade e prestígio.
O movimento de A.A. começou e permaneceu falido, enquanto seus componentes individualmente prosperavam. Na Sétima Tradição está descrita a história de alguém que em determinada situação, durante o dia deu uma generosa esmola a um membro recaído e à noite negou-se a ser generoso com o seu grupo. Diz o antigo membro: “Dei-me conta de que minha doação de cinco dólares a um recaído não passara de um recurso para satisfazer ao meu ego, ruim para ele, ruim para mim, também”. Há em A.A. um lugar onde a espiritualidade e o dinheiro podem se misturar ─ a sacola. Fatos ocorridos em nossos primórdios, demonstraram que só conseguiríamos manter Alcoólicos Anônimos isentos de influencias externas se nos mantivéssemos por nossos próprios recursos. Estabeleceu-se assim, definitivamente, o princípio da pobreza coletiva na tradição de A.A. A Garantia Dois do Conceito Doze define como podemos sobreviver desta forma, ao estabelecer que precisamos apenas de suficientes fundos para as operações, mais uma ampla reserva prudente. Por isto, a cada dia quando contribuímos anônima e voluntariamente na sacola, estamos nos comprometendo em um verdadeiro sacrifício de dar um pouco do nosso dinheiro para Alcoólicos Anônimos. Assim, colocamos o princípio da auto-suficiência acima da nossa tão propalada avareza pós-alcoólica.
Para que um dos pilares de Alcoólicos Anônimos mantenha-se de pé, necessário faz-se que a mensagem continue sendo transmitida de coração para coração. Jamais poderemos profissionalizar o Décimo Segundo Passo. Precisamos transmitir a mensagem a outro alcoólico, senão ele e nós mesmos poderemos vir a perecer.
A Oitava Tradição estabelece o não-profissionalismo na transmissão da mensagem, essa é a norma de procedimento básica. A contratação de funcionários especializados para os nossos escritórios é uma exceção a esse preceito, permitindo tornar possível o trabalho do Décimo Segundo Passo pelos membros de A.A. Então, para que este princípio possa ser cumprido, precisamos sacrificar um pouco do nosso tempo de descanso e lazer em prol deste serviço, assim, colocando a necessidade da transmissão direta da mensagem − um alcoólico falando com outro alcoólico, acima dos nossos, ainda que sadios, interesses pessoais pela comodidade e bem-estar pessoal.
A execução eficiente dos nossos serviços, depende de servidores com boa vontade e habilidade necessárias para desempenhá-los, porém, nenhum membro de A.A. pode ser obrigado por quem quer que seja a executar tarefas em quaisquer grupo ou organismo. Não temos autoridade com poder para impor a disciplina. Nenhum membro pode ser nem mesmo afastado ou mantido fora da Irmandade. Nem mesmo o trabalho do Décimo Segundo Passo pode ser exigido de um membro. Mas esse trabalho sempre é executado em Alcoólicos Anônimos. Por que pessoas desobrigadas dedicam-se com afinco a transmitir a mensagem, mesmo sabendo que se não o fizerem, não haverá autoridade humana que as possa punir? A Nona Tradição nos dá a resposta: “A menos que cada um dos membros de A.A. siga na medida das suas possibilidades os nossos Doze Passos indicados para a recuperação, ele estará quase que inapelavelmente assinando a sua própria sentença de morte. Sua embriaguez e desintegração não são penalidades impostas por pessoas com autoridade: resultam da sua desobediência pessoal aos princípios espirituais.” O princípio de servir, desinteressadamente, sem nada querer em troca, alimentado pelo princípio do amor em ação − Serviço − precisa ser também colocado acima dos interesses individuais ou coletivos que rondam as demais sociedades: grande riqueza, prestígio e poder.
No Quinto Passo encontramos a seguinte afirmação: “todos os Doze Passos caminham no sentido contrário aos desejos naturais, todos desinflam o ego.”. É humana e natural a tendência que temos de sempre querer impor nossas opiniões pessoais ou coletivas a outras pessoas ou segmentos. Em A.A. como coletividade, precisamos renunciar a esse desejo, não entramos em polêmicas públicas porque se o fizesse sucumbiríamos.
A Décima Tradição estabelece o princípio da não intervenção em questões alheias à Irmandade. Como seres humanos temos também aqui nossos momentos de instabilidade emocional e por vezes chegamos a nos altercar. No começo quando ainda tateávamos em busca do melhor caminho muitas vezes pessoas explodiam por causa de um orçamento de vinte e cinco dólares, para despesas de correio; insatisfeitos por não conseguirem a direção de um grupo, metade dos seus membros corriam a formar um novo grupo mais ao seu feitio; veteranos, às vezes, transformados em fariseus, já tiveram seus momentos de mau humor. Amargas injúrias já foram feitas às pessoas cujas motivações deram margens a dúvidas. Apesar disso saímos fortalecidos desses embates e aprendemos com os nossos erros, chamamos a isso das dores do crescimento, e fazem parte de um aprendizado da difícil arte de viver e conviver juntos. Para que A.A. fique a salvo de contendas externas, aqui também precisamos sempre colocar o princípio da não-intervenção em questões alheias à Irmandade, acima dos nossos egoísticos interesses.
Muitos de nós chegamos a Alcoólicos Anônimos encaminhados por médicos, religiosos, empregadores, familiares e outras pessoas que foram informadas pela divulgação ostensiva de nossa Irmandade. Essas pessoas acreditaram em A.A., tomaram conhecimento dos resultados por nós obtidos na prática do Programa de Recuperação, muitos se tornaram nossos amigos e por isso nos encaminhavam alcoólicos que queriam se recuperar. Esse fato deu-nos a responsabilidade de desenvolver a melhor política possível de relações públicas em prol de Alcoólicos Anônimos, sabedores que permanecer expostos à curiosidade pública, seria arriscado em nosso caso. Entretanto, ávidos por se promoverem, muitos de nossos antigos se atiraram às mais extravagantes formas de divulgação de A.A., notadamente na imprensa que começava a demonstrar boa vontade conosco. Foi preciso então que definíssemos os limites de nossa atuação em busca de divulgação e informação sobre nossa Irmandade.
A Décima Primeira Tradição encontrou o ponto de equilíbrio ao estabelecer a recusa da promoção pessoal nos meios de divulgação. A melhor política de relações públicas era aquela que preservava o anonimato dos membros no contato com os meios de informação nos seus mais diversos ramos. Mais do que a negação da autopromoção, esta tradição é um lembrete permanente e prático de que a ambição pessoal não tem lugar em Alcoólicos Anônimos. Ao colocar em prática a verdadeira humildade no momento de divulgar A.A., cada membro impõe a si próprio a responsabilidade de colocar o princípio da atração em vez da promoção acima de qualquer desejo de se autopromover.
Finalmente, fiquemos com o texto da Décima Segunda Tradição ,O anonimato é o alicerce espiritual de nossas tradições, lembrando-nos sempre de colocar os princípios acima das personalidades”. Ao estabelecer o princípio do anonimato pessoal este enunciado sintetiza o profundo conteúdo espiritual de nossas tradições. Afirma, em seu bojo esta Tradição que a essência espiritual do anonimato é o sacrifício. Porque as Doze Tradições reiteradamente nos pedem que esqueçamos os nossos anseios pessoais em favor do bem comum, compreendemos que o espírito do sacrifício − simbolizado pelo anonimato −é o fundamento de todas elas. É a comprovada disposição de A.A. no sentido de fazer tais sacrifícios que dá às pessoas uma grande confiança em nosso futuro. Já no final dos seus dias Dr. Bob soube que seus amigos de Akron queriam erguer um monumento ou mausoléu em sua homenagem e de sua esposa, Anne, algo digno de um fundador. O Dr. Bob recusou agradecendo. Comentando o fato com Bill W. pouco tempo depois, ele sorrindo disse: “Pelo amor de Deus, Bill, que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas”. Na lápide do Dr.. Bob e Anne não consta sequer uma palavra respeito de Alcoólicos Anônimos. Narra Bill W. “Isso me deixou tão contente que até chorei. Será que esse casal maravilhoso não levou longe demais o anonimato pessoal, quando recusou tão firmemente a usar as palavras ‘Alcoólicos Anônimos’, mesmo sobre sua lápide? Creio que não, acho que esse comovedor exemplo final de modéstia provará ser de maior valor para A.A., do que qualquer promoção pública ou qualquer mausoléu grandioso. Não precisamos ir a Akron, Ohio, para ver o memorial do Dr. Bob. O verdadeiro monumento do Dr. Bob é visível através do alcance e da amplitude de A.A. Vejamos novamente sua verdadeira inscrição... apenas uma palavra, aquela que foi escrita por nós, os A.As. Essa palavra é sacrifício”.

OBRAS CONSULTADAS:
A Tradição de A.A. como se desenvolveu − por Bill W.

Alcoólicos Anônimos atinge a maioridade

Os Doze Conceitos para Serviço Mundial

Os Doze Passos e as Doze Tradições





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