Princípio do amor e formação do lar Universo: o lar originado da interseção de tempo e espaço



Baixar 14.72 Kb.
Encontro08.08.2016
Tamanho14.72 Kb.
Princípio do amor e formação do lar

Universo: o lar originado da interseção de tempo e espaço

Denominamos o Universo de “Seicho-No-Ie”. Por que assim o denominamos? Porque o Universo se forma pela união do amor com a sabedoria. Sei (vida, nascimento) simboliza o amor – o agente que cria, sustém e vivifica. Representamo-lo com uma linha vertical. A Vida descende de Deus e a Ele retorna. Portanto, pode ser vista como uma relação de verticalidade, que concebemos como continuidade do tempo. A sabedoria é uma energia que desmembra a Vida divina, vinda do Alto, em infinitas individualidades, e as dispõe ordenadamente no espaço. A esta expansão da Vida no espaço damos a denominação cho (pronuncia-se tyô = longo), que representamos com uma linha horizontal. Eis porque chamamos o Universo de Ie (lar), resultante da confluência de Sei e cho (Seicho-No-Ie). O lar de cada um de nós segue também este mesmo princípio de formação do Universo. Portanto, ele só se completa quando há amor e sabedoria. O amor envolve e acalenta. Entretanto, por mais que haja amor, o lar não pode ter vida se não houver também manifestação da sabedoria. Somente com a ação conjunta de amor e sabedoria, tudo é vivificado de modo pleno e satisfatório.



O amor é a ação de reunificar o que foi dividido.

A ação do amor é contrária à da sabedoria, que subdivide a unidade, dispondo-a em partes individuais. Sua função consiste em promover a reunificação do que originariamente é uma coisa só. Assim, promove a reconscientização da unidade. A consciência de que, apesar de estarmos aparentemente separados, somos, na verdade, um só ser é o amor.

Em sua obra O Banquete, Platão escreve que o homem era um ser andrógino dotado de quatro membros superiores e quatro inferiores. Porém, Deus o subdividiu em dois. Uma das metades deu origem ao homem, a outra formou a mulher. Como originariamente são um só ser, o homem e a mulher atraem-se mutuamente e desejam unir-se para voltarem a ser um só corpo. Esse é o Eros, segundo Platão.

Do mesmo modo, homem e mulher são originariamente um ser, criado por Deus. Quando esse ser único se subdivide em masculino e feminino, surge, em ambas as partes, o impulso de se unir com a outra metade, para retornarem à forma original de único ser. Assim, nasce certa sensação de que algo está fluindo: esta sensação constitui o amor.

Se não houvesse a separação masculino-feminino e todo ser humano fosse andrógino, ou se todos fossem exatamente iguais, como a homogeneidade de um purê de batatas, não surgiria nenhum movimento criativo. Porém, já que o homem e a mulher são as duas metades em que se dividiu a vida única, eles são iguais e ao mesmo tampo diferentes. E quando eles sentem o impulso de se unirem novamente e de se tornarem iguais, originam-se a energia, o amor, o movimento, que por sua vez criam variados fenômenos culturais. É como os pólos positivo e negativo da eletricidade que, ao se unirem novamente, manifestam-se como força motriz, calor, luz, dando origem a complexas instalações culturais.

Por sermos um, originariamente, e por todos estarem separados de nós como objetos a serem vistos surge a ação de amar e a de conhecer. Precisamos conhecer esta Verdade para trilharmos corretamente a estrada da vida. A ideia de que somos seres separados uns dos outros, que nos induz a crer que o egoísmo é um bom meio de vida, é a ilusão oriunda do nosso apego à aparências.

Somos indivíduo e o todo; somos separados e unos; somos diferentes e iguais; iguais e diferentes. Assim é a estruturação fundamental da criação do Universo.

A demonstração do amor no lar

O amor familiar também segue o mesmo princípio. A conscientização de que os membros da família, aparentemente independentes, pertencem na verdade a uma mesma Vida, e são todos originalmente um, faz com que sintamos reciprocamente o amor familiar. Há diversas modalidades de amor familiar: amor conjugal, amor filial, amor fraternal etc. Falando primeiramente no amor conjugal, dois indivíduos que inicialmente viviam separados fisicamente passam a sentir a unidade originária, transcendendo as individualidades físicas, ele como expressão do homem eterno e ela como da mulher eterna. Assim como no início da criação do Universo a Vida de um único Deus se desmembrou e Izanagi e Izanami, o casal sente que um indivíduo criado por Deus se dividiu e se manifestou separadamente em forma de homem e mulher. Originalmente são um só corpo, que se dividiu em duas metades e formam juntos um todo. Por isso, quando os cônjuges considerarem reciprocamente que o outro é seu verdadeiro Eu, que inexiste o eu individual, e assim se doarem mutuamente, se manifestará a perfeita personalidade do ser eterno, a verdadeira harmonia.

Não devem ter relacionamento sexual com o intuito de obter satisfação própria, mas pensado que é um ato de doação, algo que se faz para dar alegria ao outro. Se utilizarem o outro para obter satisfação própria, não estarão realizando um ato conjugal, mas um ato sexual como profissionais do sexo. Quando se anula e se doa totalmente ao outro, a própria pessoa se sente vivificada. Isso porque o eu e o outro são um só corpo.

Esta Verdade não se restringe à vida sexual de um casal, mas abrange todas a s questões da vida. Quando um cônjuge decide doar-se totalmente ao outro, abandonando verdadeiramente o seu ego, e agir desse modo, o outro também corresponderá do mesmo modo. Como o casal forma um só corpo, os cônjuges jamais fazem exigências absurdas. Se uma das partes anular o ego e pensar “apesar de sermos dois seres distintos, somos um, jamais o outro dirá coisas absurdas”, procurando apenas dar alegria a ele, exatamente de acordo com esse pensamento, o outro também se manifestará do mesmo modo. Se, por exemplo, a mulher desejar um vestido novo, mesmo que não peça ao marido, ele sentirá vontade de “comprar-lhe um vestido”, porque o pensamento da mulher será também o do marido, se ela estiver totalmente integrada na Vida dele, vivendo de modo verdadeiramente abnegado.

Onde tudo é realizado com sentimento natural e desinteresseiro, manifesta-se o paraíso. O fato de o Sol estar brilhando é gratificante. O pai simplesmente ama o filho sem esperar retribuição; a mãe simplesmente ama o filho, incondicionalmente; o marido ama a esposa, sem nada pedir a ela; a esposa ama o marido, sem nada exigir em troca; o filho apenas ama os pais, desinteressadamente. E isso é naturalmente gratificante. Não se presta ajuda aos demais nem se ama alguém com o intuito de receber retribuição, mas porque isso já é naturalmente uma alegria. Os pais amam os filhos, o marido ama a esposa e a esposa ama o marido, simplesmente porque se sentem felizes, e esse é o amor que nos extasia. Para que em nosso lar reine a alegria absolutamente natural não devemos amar com apego. Se suscitarmos sentimento que espera retribuição, por mínimo que seja, já deixará de ser um amor desinteresseiro, o paraíso desaparecerá, e o outro deixará de nos amar verdadeiramente. Sempre retorna a nós aquilo que partiu de nós.

O Sol apenas ilumina. O pássaro apenas chilreia. A nuvem apenas passa. O lírio-do-vale apenas floresce, quer seja ou não apreciado pelas pessoas. Assim Deus criou o Universo. Ao criarmos o nosso lar, também devemos apenas amar, pura e desinteresseiramente, e teremos um lar paradisíaco.



(Livro: Namoro, casamento e maternidade – cap. 4)


Dica aos Casais: Caro leitor (a), se em algum momento você se sentir distante do seu cônjuge, manifeste o amor (dê um abraço, mostre um sorriso, ofereça um copo de água), pois o ato de amar aproxima o casal, “promove a reconscientização da unidade”.

Como uma dica do Departamento de Casais: Este mês inclua em suas orações a oração para um matrimônio feliz que se encontra na Sutra Sagrada a Verdade em Orações vol.: 1 pag. 35.


Dica para os coordenadores. Na reunião, promova uma atividade para que o casal possa elaborar um planejamento familiar, estabelecendo prioridades, prazo e modo de execução. Assim, o casal poderá, por exemplo, programar uma viagem, a compra de um bem, a realização de um curso ou a participação em um Seminário de Treinamento Espiritual, etc. O pensar e o agir em conjunto intensifica a sensação de unidade dos cônjuges.

Dica aos Orientadores: No livro Lições para o cotidiano, de autoria do Mestre Masaharu Taniguchi, capítulo 1, consta um relato de um professor que consegue restabelecer a harmonia no seu relacionamento quando assume a responsabilidade pela situação e desperta para a consciência de unidade dos cônjuges.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal