Princípios Bíblicos Acerca da Adoração Agradável a Deus Arival Dias Casimiro



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Princípios Bíblicos Acerca da Adoração Agradável a Deus



Arival Dias Casimiro

http://www.musicaeadoracao.com.br/artigos/adoracao/adoracao_biblica.htm

Prefácio:

O pesquisador adventista sobre Música na Igreja, Levi de Paula Tavares vive em São Paulo, SP, e membro da Associação Paulista Sul. Por ocasião do I Fórum do Ministério de Música da União Este Brasileira, ocorrido de 30 de junho a 2 de julho, ele participou das 16 oficinas e seminários do evento.


O presente artigo, entre outros, serviram de base para os seminários e pautou a agenda da Comissão de Música. Para o Concílio do Ministério Jovem da Divisão Sul-Americana editamos os principais capítulos. Todavia, o texto integral está no link acima e a ordem dos capítulos citados logo abaixo.
Resumo:

É difícil resumir este material. Trata-se de uma extensa e profunda pesquisa sobre o assunto, na forma de uma apostila de seis Capítulos, mais as partes de Introdução, Conclusões e Bibliografia. A abordagem dos capítulos é a seguinte:

 

Capítulo Primeiro - O Que Significa Adorar?



Capítulo Segundo - A Adoração no Antigo Testamento.

Capítulo Terceiro - A Adoração na Nova Aliança.

Capítulo Quatro - Os Elementos do Culto Cristão.

Capítulo Cinco - A Música no Culto.

Capítulo Seis - Dança no Culto.

 

Destaques:

"Por definição, a Igreja é uma comunidade de adoradores. Ela existe para adorar. Ela é uma casa espiritual, um sacerdócio santo e real. João afirma: "Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!" (Apocalipse 1:5-6).
"Adoração não é uma opção, é uma obrigação; não é luxo, é uma necessidade. Adorar a Deus e glorificá-lo é a única coisa que a igreja pode fazer e que nenhuma outra assembléia pode fazer. Não estou certo de que estejamos fazendo isto" diz Warren W. Wiersbe."

 

"Creio que precisamos definir critérios bíblicos que ajudarão a selecionar a música a ser utilizada no culto. Sugiro os seguintes critérios:



  • Quanto ao objetivo principal da música deve ser agradar a Deus. Cantemos ao Senhor. Há também os objetivos secundários: instruir, edificar, consolar, proclamar, aconselhar e promover a unidade da igreja.

  • Quanto à origem deve ser do coração e da mente regenerada pelo Espírito Santo. Cantemos com a mente e com o espírito.

  • Quanto ao estilo musical deve ser variado. Os extremos de só cantar hino ou só entoar cânticos espirituais servem apenas para referendar estilos de cultos (tradicional ou contemporâneo) e divisões na igreja (velhos e jovens).

  • Quanto ao conteúdo da música deve ser bíblico ou de acordo com a sã doutrina. A poesia musical deve refletir aquilo que ensina a Palavra de Deus.

  • Quanto a sua execução deve ser com excelência. Deus merece o melhor e exige o melhor. Excelência significa o "melhor que for possível". Excelência é a união da simplicidade com a profundidade, ou da humildade com a competência.

  • Quanto aos resultados, a música deve promover: uma visão elevada de Deus, a edificação espiritual e a santidade pessoal dos que cantam."

 Introdução:

O conflito entre culto tradicional e culto contemporâneo, nos Estados Unidos, tem sido chamado de “guerra da adoração” (worship wars). Paul Basden expõe uma síntese deste conflito em seu livro “Adoração ou Show?” críticas e defesas de seis estilos de culto (2006): adoração litúrgica formal, adoração tradicional com hinos, adoração contemporânea, adoração carismática, adoração combinada e adoração emergente.

No Brasil, a situação não é muito diferente, principalmente nas igrejas históricas. A secularização da Igreja, o mercado da música gospel, a pressão dos modelos neo-pentecostais e a implantação de novos modelos eclesiológicos de cultuar.

Creio que mudanças são sempre bem-vindas, principalmente se elas estão baseadas na Bíblia e nos aproximam mais de Deus. Precisamos, entretanto, de muito discernimento espiritual. Paulo nos ordena: julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal. (I Tessalonicenses 5:21-22). O eixo do conflito é teológico e não apenas musical ou de estilo litúrgico.

Antes de começar este estudo sobre o culto, preciso estabelecer alguns parâmetros que o nortearão.

1. Cremos que a Bíblia estabelece a maneira como Deus quer ser cultuado. A Bíblia regulamenta o culto, na sua forma e no seu conteúdo. Qualquer culto elaborado por conta própria e que não esteja de acordo com as normas de Deus é falso e inaceitável a Deus. (Êxodo 20:1-6; Deuteronômio 6:13-15). Quando Israel resolveu por conta própria cultuar a Deus, o profeta Jeremias protesta: “Edificaram os altos de Tofete, que está no vale do filho de Hinom, para queimarem a seus filhos e a suas filhas; o que nunca ordenei, nem me passou pela mente.” (Jeremias 7:31). Deus rejeita a Israel, pois a sua adoração nunca foi ordenada por Deus ou jamais passou pela mente do Senhor.

2. Cremos que o culto a Deus é uma antítese da vida e do culto pagão. Deus recomenda a Israel: “Quando o SENHOR, teu Deus, eliminar de diante de ti as nações, para as quais vais para possuí-las, e as desapossares e habitares na sua terra, guarda-te, não te enlaces com imitá-las, após terem sido destruídas diante de ti; e que não indagues acerca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviram estas nações aos seus deuses, do mesmo modo também farei eu. Não farás assim ao SENHOR, teu Deus, porque tudo o que é abominável ao SENHOR e que ele odeia fizeram eles a seus deuses, pois até seus filhos e suas filhas queimaram aos seus deuses. Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás.” (Deuteronômio 12:29-32). O culto a Deus é único, inédito, inigualável e exclusivo. Ele não é uma imitação do culto pagão.

3. Entendemos que o conceito de adoração na Bíblia envolve a vida do adorador e não apenas o momento do culto. A vida é o culto e o culto é a vida. Deus diz ao seu povo: “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do SENHOR e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Deuteronômio 10:12-13).

4. Cremos que o ensino do culto na Bíblia revela uma simultaneidade com a revelação progressiva de Deus, culminando com Jesus Cristo.Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:23-24). Logo, ao estudarmos acerca do culto, precisamos considerar as diferenças entre o culto no Antigo Testamento e no Novo Testamento, isto é, o culto antes de Cristo e depois de Cristo.

5. A nossa motivação para este estudo não é a defesa de um estilo de culto: “culto tradicional” ou “culto contemporâneo”, mas a exposição do ensino bíblico acerca dos princípios do culto a Deus. Entendemos que a Bíblia não apresenta estilos de cultos e também não estabelece nenhuma liturgia fixa para o culto cristão. Esta é a posição da fé reformada e da Igreja Presbiteriana do Brasil, que normatiza o culto por intermédio dos “Princípios de Liturgia”. (1)



6. Entendo que o crescimento espiritual da igreja e a sua influência espiritual fundamenta-se na sua prática de adoração. Antes de pensarmos em fazer qualquer coisa na igreja, precisamos restaurar o altar da adoração em nossas vidas pessoais, no nosso lar e na nossa igreja. Warren W. Wiersbe diz: “Adoração não é uma opção, é uma obrigação; não é luxo, é uma necessidade. Adorar a Deus e glorificá-lo é a única coisa que a igreja pode fazer e que nenhuma outra assembléia pode fazer. Não estou certo de que estejamos fazendo isto. William Temple disse: ‘A única coisa que pode salvar este mundo do caos político e do colapso é a adoração. A única esperança do mundo é a igreja e a única esperança da igreja é o retorno à adoração’. Deus precisa transformar o Seu povo e a Sua Igreja antes que Ele possa operar por meio de nós a fim de saciar as necessidades cruciais de um mundo perdido no pecado. Cada ministério da igreja deveria ser um subproduto da adoração. Ministério divorciado de adoração não tem raízes, portanto não pode produzir frutos que permaneçam.”

Finalmente, este trabalho tem dois objetivos: primeiro, motivar a reflexão sobre os princípios bíblicos da adoração, principalmente por parte dos presbíteros [pastores] da igreja e das pessoas envolvidas no ministério da música. Também, a incentivar a todos que persigamos a verdadeira adoração. O meu desejo é que a igreja e cada um dos seus membros desenvolvam uma fome e uma sede por Deus e pela Sua presença. “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Salmos 42:1-2).




Capítulo Primeiro

O Que Significa Adorar?

Nada é mais importante do que a adoração. Lutero disse: "Ter um Deus é adorar a Deus". Adorar a Deus é atribuir-lhe o valor de que é digno, conforme a palavra inglesa "worship" = "valor reconhecido". Frederick W. Robertsosn afirma: "Repito, o homem não tem opção para ser ou não ser um adorador. Um adorador ele não pode deixar de ser - a única questão é decidir o que ele vai adorar. Todo homem adora - pois é um adorador nato". Adorar a Deus. Esta é a nossa razão de ser como cristão e igreja. Pedro declara: "Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo." (I Pedro 2:5).

Por definição, a Igreja é uma comunidade de adoradores. Ela existe para adorar. Ela é uma casa espiritual, um sacerdócio santo e real. João afirma: "Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!" (Apocalipse 1:5-6). "Adoração não é uma opção, é uma obrigação; não é luxo, é uma necessidade. Adorar a Deus e glorificá-lo é a única coisa que a igreja pode fazer e que nenhuma outra assembléia pode fazer. Não estou certo de que estejamos fazendo isto" diz Warren W. Wiersbe.

Quando adoramos ou cultuamos prestamos um serviço espiritual a Deus. Adorar é servir e trabalhar para Deus, em reconhecimento por tudo que Ele é e faz por nós. Adorar é obedecer a "convocação santa" de Deus.

Vejamos o vocabulário bíblico:

O vocabulário bíblico

Para alcançarmos uma visão correta sobre o culto a Deus precisamos examinar alguns termos usados pelos escritores bíblicos:



1 - "Latreia" - seu significado principal é "serviço" ou "culto". Denota o serviço prestado a Deus, pelo povo inteiro e pelo indivíduo, tanto externamente no ritual, como internamente no coração. Em outras palavras; é o serviço que se oferece à divindade através do Culto formal, ritualístico e por meio do oferecimento integral da vida (Êxodo 3:12; 10:3 e 7-8; Deuteronômio 6:13; Mateus 4:10; Lucas 1:74; 2:37; Romanos 12:1).

2 - "Leitourgia" - composto de duas palavras gregas, "povo" (laos) e "trabalho" (ergon), significa "serviço do povo’. No Antigo Testamento, aplicava-se ao serviço oferecido a Deus pelo Sacerdote, quando apresentava o holocausto sobre o altar de sacrifícios (Êxodo 36:1; Josué 22:27; I Crônicas 23:24,28). No Novo Testamento, aplica-se essencialmente ao serviço que Cristo oferece a Deus, pois ele é o nosso "Liturgos" (Hebreus 8:2,6): Em suma, "Liturgia" é o serviço que o pastor e toda a Igreja oferecem a Deus à semelhança do serviço realizado por Jesus (Romanos 15:16; Filipenses 2:17; Atos 13:2).

3 - "Proskunein’’ - originalmente, significava beijar’. No Antigo Testamento significa ‘curvar se", tanto para homenagear homens importantes e autoridades (Gênesis 27:29; I Samuel 25:23), como para "adorar" a Deus (Gênesis 24:52; II Crônicas 7:3; II Crônicas 29:29; Salmos 95:6). No Novo Testamento, denota exclusivamente a adoração que se dirige a Deus (Atos 10:25-26; Apocalipse 19:10; 22:8-9). Em seu emprego absoluto, significa "participar do Culto Público", "fazer orações", "entoar hinos" (João 12:20; Atos 8:27; 24:11; Apocalipse 4:8-11; 5:8-10; 19:1-7). Esta adoração compreende o ato externo e a atitude interna correspondente.

4 - Outros termos - os vocábulos ‘Eusebia"(piedade) e "Threskeia" (religião), aparecem no Novo Testamento para expressar a conduta do adorador (II Timóteo 3:12; Atos 26:5; Tiago 1:26): Quem adora mostra a sua devoção por meio de uma vida piedosa.

O elemento essencial da adoração

Concordamos plenamente com o Dr. Russel Shedd que aponta o amor como a essência da adoração. Quem ama adora o que ama. Onde estiver o seu tesouro ai estará o seu amor. A essência da adoração é o amor. É totalmente impossível adorar a Deus sem amá-lo. E Deus nunca se satisfez com menos que "tudo". Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. (Deuteronômio 6:5; Mateus 22:37). "Sem o incentivo do amor por Deus, o culto não passa de palha, pura casca, isento de qualquer valor. Pode até se tornar em culto a satanás" (R. Shedd). Afirmamos, entretanto, que o culto verdadeiro requer amor de todo o coração, amor integral da mente e todo o nosso esforço.



Amor de Todo Coração

Para o Hebreu, o "Coração" é considerado a sede da mente e da vontade bem como das emoções. O termo "Alma" refere-se à fonte da vida e vitalidade (Gênesis 2:7,19), ou mesmo o próprio "ser". Estes dois termos indicam que o homem deve amar e adorar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. É no coração humano que Deus se revela (Atos 16:14; II Coríntios 4:4,6), portanto é com o coração que devemos expressar nosso amor por Ele.



Amor Integral da Mente

A adoração envolve também o exercício da mente. "Dianóia" em grego significa a capacidade de pensar e refletir religiosamente (I João 5:20; Efésios 4:18; Mateus 24:15). Este entendimento é dádiva divina (Lucas 24:25; Efésios 1:17-18). Portanto, a adoração deve ocupar a mente, de maneira a envolver a meditação e consciência do homem. Em Romanos 12:2, Paulo estabelece que o culto cristão deve ser racional ("logiken latreia"). Amar a Deus com entendimento é um desafio para o crente (Marcos 12:30).



Amor que exige todo nosso esforço

Na adoração cristã, Deus exige ser amado com toda a força do adorador (Marcos 12:30; Lucas 10:27 e Deuteronômio 6:5). O termo "Força"(Ischuos) se refere à força e poder de criaturas vivas (Hebreus 11:34); exige-se que o cristão gaste todas as suas energias físicas em atos de amor por Deus (Romanos 12:1; II Coríntios 2:15-16). O amor a Deus expressa-se no serviço prestado por meio do coração (I Coríntios 13:3). Portanto, amar a Deus com "Toda a força" representa gastar a vida e energia unicamente com expressões de lealdade e afeição a Deus.



A necessidade de adorar

Deus não necessita da nossa adoração. Ele é auto-existente e auto-suficiente. Quando O louvamos, não acrescentamos nada a Sua pessoa, porque grande é o Senhor. Jamais poderemos impressioná-Lo com pompa, pois "glória e majestade estão diante dEle, força e formosura, no seu santuário" (Salmos 96:6).

Nós é que precisamos adorar a Deus. A adoração é necessária pelas seguintes razões:

1 – Na adoração, o homem acha a razão da sua existência. Ele foi criado para a adoração. "O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre" (Catecismo Maior da IPB). Fora da posição de adorador de Deus, o homem não encontra o sentido para vida (leia I Coríntios 10:31; Romanos 11:36).

2 – A adoração foi instituída e ordenada por Jesus Cristo. Como diz Karl Barth: "Na adoração, não somos chamados a expressar nossas necessidades ou possibilidades, mas sim a obedecer". Quando a Igreja se reúne para louvar, orar, pregar a palavra e celebrar os sacramentos, ela simplesmente obedece (Marcos 16:15-16; Atos 1:8; I Coríntios 11:24-25; Atos 20:7).

3 – A adoração é suscitada e expressa pelo Espírito Santo. A salvação provoca adoração (Atos 10:46). O perdão restaura a capacidade de adorar, anteriormente perdida por causa do pecado. Veja alguns exemplos: Lucas 5:25; 13:13; 17:15; 18:43; I Coríntios 12:3 e II Coríntios 1:22.

4 – A adoração é útil. Ela tem utilidade didática, sociológica e psicológica. No ato do culto aprendemos a ser cristãos. Ele é a escola por excelência do cristão. No culto há também coesão, integração e comunhão pessoal (I Coríntios 10:17; Atos 2:42-47). Por fim, o culto traz paz, descanso e cura para a alma dos fiéis.

A amplitude da adoração

A adoração segundo a Bíblia é ampla ou integral. Ela abrange não somente o momento do culto, mas envolve toda a vida do adorador. John Frame resume: "De certa forma, podemos dizer que toda a vida é culto. Isso não nega a importância e até mesmo a necessidade de comparecermos às reuniões da igreja (Hebreus 10:25). Mas o Senhor deseja que vivamos de tal maneira que todos os nossos atos rendam louvores a Deus".

No Antigo Testamento há várias exortações de Deus condenando o culto formal que não era acompanhado de uma vida integra, com a prática da justiça e o exercício da misericórdia. Vejamos alguns exemplos:

"Ouvi a palavra do SENHOR, vós, príncipes de Sodoma; prestai ouvidos à lei do nosso Deus, vós, povo de Gomorra. De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas." (Isaías 1:10-17)

O profeta Isaías sempre condenou o culto hipócrita: Isaías 29:13-16; 58:1-14. O ato restrito da adoração no templo deveria ser um reflexo ou a continuidade de uma vida santa e ética. Este assunto é tema em Malaquias 1 e 2, Oséias 2 e Amós 5. O profeta Miquéias resume bem: "Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus." (Miquéias 6:6-8).

No Novo Testamento o culto ganha uma dimensão ampla. Tudo que um cristão faz é culto. Ele não pode sair da presença de Deus, pois ele é santuário do Espírito Santo. Paulo declara: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo." (I Coríntios 6:19-20). Num sentido amplo, tudo que o cristão faz é culto (Romanos 12:1-2; Hebreus 13:15-16; Tiago 1:26-27). Paulo ensinando acerca da liberdade cristã diz: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus." (I Coríntios 10:31).

Jesus recomenda-nos: "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta." (Mateus 5:23-24).



Os resultados da adoração

O objetivo da adoração é agradar a Deus. Quando o adoramos da maneira que Ele manda, somos também beneficiados espiritualmente. Muitas vezes vamos à igreja, participamos de um culto, e saímos como se nada tivesse acontecido. Mas será que a culpa está em Deus, ou no dirigente do culto ou em mim? Esta é uma pergunta que gera muitas discussões.

O certo e seguro, é que se o culto for agradável a Deus, Deus torna-se agradável ao adorador: "Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração" (Salmos 37:4). Olhando para os exemplos de culto na Bíblia, podemos relacionar alguns resultados da adoração verdadeira:

1 – Cresce o nosso conhecimento e a nossa admiração por Deus (I Reis 8:23; Salmos 27:4; Lucas 5:9; 8:25; Apocalipse 1:9-20).

2 – Percebemos e sentimos a presença real de Deus em nosso meio e na nossa vida (Êxodo 40:34-38; II Crônicas 7:1-3).

3 – Tomamos consciência da nossa pecaminosidade e da nossa dependência da graça divina (Isaías 6:1-5; Lucas 18:9-14).

4 – Somos instruídos e orientados por Deus, por meio da Palavra (Neemias 8:1-12; II Reis 23:1-3).

5 – Recebemos salvação e libertação (II Crônicas 20:18-30; Mateus 15:21-28; Atos 12:1-11).

6 – Somos motivados à santificação e a consagração (Gênesis 28:18-22; Atos 13:1-3).

7 – Sentimos a necessidade de testemunhar e falar de Jesus (Atos 4:23-31).



Conclusão do capítulo

Concluímos este capítulo aprendendo cinco importantes lições:



1. Adorar é servir e não ser servido;

2. Adorar é um ato de amor que envolve a vida inteira do adorador;

3. Adorar é uma atitude interna que se expressa numa conduta externa.

4. Deus não precisa de adoração, mas nós precisamos adorá-Lo.

5. O principal resultado da adoração é a satisfação em agradar a Deus e fazer a Sua vontade.

Capítulo Segundo



A Adoração no Antigo Testamento

Os cultos oferecidos pelos crentes no Antigo Testamento podem ser classificados em:


individual, familiar e congregacional ou coletivo.

Até a saída do Egito e a constituição da nação de Israel, predominou o culto individual, marcado por encontro ou revelações especiais de Deus a uma pessoa, culminando com a edificação de pequenos altares (Gênesis 8:20; 12:7-8; 13:18; 26:25; 28:18-22; 33:20; 35:7,14-15; Êxodo 3:2-5). Não era uma adoração formal ou ritualística. A adoração era espontânea, resultado de uma manifestação divina. O encontro de Deus com o adorador era, na sua maioria, por iniciativa de Deus e marcado por muita reverência e temor.

John Frame declara: "Esses encontros foram muito diferentes uns dos outros, mas há semelhanças importantes entre eles. Deus apresentava-se em sua majestade como Senhor. O adorador era tomado por um temor reverente. O controle, a autoridade e a presença do Senhor impunham-se com absoluta evidência. Sua força e o seu poder eram esmagadores; falava uma palavra de autoridade e revelava-se na presença do adorador. Este não permanecia o mesmo. Saía da experiência com uma nova missão: servir a Deus com renovada dedicação".

Até chegarmos ao Monte Sinai, examinaremos duas passagens bíblicas. Nelas encontraremos princípios permanentes sobre cultuar a Deus.



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