Prémio Fundação Ilídio Pinho "Ciência na Escola" 2003 2004 Química



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Prémio Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola”

2003 – 2004 Química



Projecto “A água que bebemos”
Como a qualidade da água é um tema importante e actual, nem sempre merecendo a atenção devida das populações e consumidores, professores de Física e Química e alunos dos 8º anos e 11º A (alunos de TLQ II), desenvolveram uma série de actividades relacionadas com o tema “Água”, inseridas no Prémio Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola”, destacando-se:

  • Recolha de informação junto da comunidade local Câmara Municipal e Juntas de Freguesia, sobre as fontes existentes nas várias freguesias do Concelho da Póvoa de Varzim.

  • Consulta da Legislação em vigor sobre o tratamento de águas de abastecimento (Decreto-Lei nº 243/2001 de 5 de Setembro).

  • Tratamento de informação sobre alguns dos parâmetros de qualidade da água bem como dos seus processos de recolha.

  • Recolha e tratamento de informação sobre os processos de tratamento de uma água para uso doméstico.

  • Elaboração de um inquérito a 54 familiares de alunos do 8º ano e tratamento de dados sobre dependência desta população da água de fontes (trabalho dos alunos do 8º ano).

Da amostragem deste inquérito fizeram parte: 51,0% da freguesia de Póvoa de Varzim, 16,7% da freguesia de Laúndos, 11,1% da freguesia de Vila do Conde, 5,5% das freguesias de Rates e Terroso, 3,7% da freguesia de Balazar e 2,8% das freguesias de Aguçadoura e Beiriz. Da análise conclui-se que:

    • 79,6% desta população utiliza água da rede pública mas só 2,8% dela utiliza esta água para beber.

    • 20,4% dos inquiridos utiliza, um modo geral, a água de poços ou fontes.

    • A população inquirida que utiliza a água de poços ou fontes utiliza-a para:

      • 15,0% Higiene pessoal

      • 23,0% Cozinhar

      • 35,0% Beber

      • 17,0% Regas

    • Os motivos para a utilização da água de poços ou fontanários são:

      • 31,5% Factores económicos

      • 44,3% Melhor qualidade

      • 7,40% Outros

      • 16,7% Não respondeu.

    • Confrontada sobre o conhecimento do controlo de qualidade da água, a população respondeu:

      • água da rede pública:

        • 61,1% Sim

        • 37,0% Não

        • 1,9% Não respondeu

      • água de poços ou fontes:

        • 48,2% Sim

        • 51,8% Não

  • Visita de estudo à Estação de Tratamento de Águas “Águas do Cávado” em Areias de Vilar.

  • Construção de uma maquete de simulação de uma Estação de Tratamento de Águas (trabalho dos alunos do 8º ano).

  • Palestra subordinada ao tema “Água”, pela Eng. Maria do Céu Silva - Lipor.

  • Visita de estudo aos Departamentos de Química e Higiene e Sanidade da Universidade de Trás–os–Montes e Alto Douro onde foi explicado e demonstrado todo o processo de análise de parâmetros físicos, químicos e bacteriológicos de uma amostra de água.

  • Recolha de amostras de água de fontes existentes nas freguesias da Póvoa de Varzim. Fizeram-se amostragens nos meses de Fevereiro e Abril.

  • Análise de parâmetros físicos e químicos nas amostras de água recolhidas.

  • Visita de estudo ao Laboratório de Análises e Controlo de Qualidade “Projectágua” onde os alunos assistiram “in loco” a processos analíticos de controlo da qualidade de uma água. Fizeram-se análises comprovativas dos resultados por nós obtidos com os obtidos neste Laboratório, aos parâmetros “nitratos” e “nitritos” de várias amostras de água. Concluímos que os valores encontrados eram muito aproximados.

Resultados obtidos a partir das análises efectuadas a amostras de água colhidas em 07/04/2004:



Freguesia de Amorim:

    • “Lavadouro da Torrinha” ( Rua da Torrinha, junto à E.N. 205) – A amostra de água analisada é imprópria para consumo sob o ponto de vista químico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados. Apresenta excesso de nitratos. Este valor foi confirmado pelo Laboratório “Projectágua”.

Freguesia de Balasar:

    • “Fonte das Pêgas” (Caminho Largo) – A amostra de água analisada é própria para consumo sob o ponto de vista químico e bacteriológico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados.

    • “Fonte Vale da Areia” (Outeiro) - A amostra de água analisada é própria para consumo sob o ponto de vista químico e bacteriológico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados.

    • “Fonte da Fontela” (Lugar da Fontela) - A amostra de água analisada é imprópria para consumo sob o ponto de vista bacteriológico.

Freguesia de Laúndos


    • “Fonte de Rapejães” (Lugar de Rapejães) - A amostra de água analisada é própria para consumo sob o ponto de vista químico e bacteriológico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados.

Freguesia de S. Pedro de Rates

    • “Fonte S. Pedro de Rates” (Rua Direita) - A amostra de água analisada é imprópria para consumo sob o ponto de vista químico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados. Apresenta excesso de nitratos. Este valor foi confirmado pelo Laboratório “Projectágua”.

    • “Bica da Serra” (Lugar da Bica da Serra) - A amostra de água analisada é imprópria para consumo sob o ponto de vista bacteriológico.


Freguesia de Terroso

    • “Fonte do Paranho” (Lugar do Paranho) - A amostra de água analisada é própria para consumo sob o ponto de vista químico e bacteriológico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados.

    • “Fonte do Parque Desportivo” ( junto ao campo de futebol) - A amostra de água analisada é própria para consumo sob o ponto de vista químico e bacteriológico, de acordo com os parâmetros analisados e os métodos utilizados.

As análises bacteriológicas foram realizadas no Departamento de Higiene e Sanidade – Microbiologia Alimentar - da Universidade de Trás–os–Montes e Alto Douro, em Vila Real. As análises aos parâmetros físicos e químicos foram realizadas na Escola Secundária de Rocha Peixoto, pelos alunos do 11ºA envolvidos no Projecto. Queremos com isto salientar que as análises não foram realizadas em laboratórios creditados, como prevê a Legislação em vigor.


Pensamos que a qualidade da água das fontes irá piorar nos meses mais secos e alertamos a população consumidora para o facto de não existir nenhum controlo de qualidade oficial a este tipo de águas. Relativamente à qualidade da água para consumo humano, a Legislação actual, Decreto – Lei nº 243/2001 de 5 de Setembro - Artigo 4º “Isenções” refere “A autoridade competente pode determinar a isenção da aplicação das normas constantes no seguinte diploma, nas seguintes situações: ...1-b) Tratando-se de água destinada ao consumo humano proveniente de fontes individuais que sirvam menos de 50 pessoas ou que sejam objecto de consumos inferiores a 10 m3/dia, em média, ...” (10m3 = 10000 L).

Se a população consumidora de água de fontes pretender continuar a utilizá-la para consumo então terá de se unir e tomar três medidas de muita importância:

1ª Campanhas de divulgação e sensibilização, junto dos agricultores da região de forma a evitarem o uso excessivo de adubos e pesticidas e terem precaução com a sua utilização.

2ª Não desviarem cursos de água em benefício próprio.

3ª Contabilizarem o número de utilizadores de cada fonte assim como a média diária consumida de forma a poderem pedir nas respectivas Juntas de Freguesia e Câmara Municipal o controle da água das fontes como prevê a Legislação em vigor.
Podemos afirmar, com base no trabalho que desenvolvemos e pela análise dos Boletins Analíticos fornecidos pela Câmara Municipal ás análises efectuadas à água da rede pública, que esta pode ser considerada de “boa qualidade”, mesmo para beber.
O encerramento do Projecto “A água que bebemos” foi feito no dia 21 de Maio pelas 18,45 h no auditório da Escola Secundária de Rocha Peixoto e teve como principal objectivo dar a conhecer o trabalho de investigação realizado pelos alunos no âmbito do Prémio Fundação Ilídio Pinho “Ciência na Escola”. Estiveram presentes alunos, pais e familiares dos alunos envolvidos no Projecto, alguns professores desta Escola e o Sr. Vereador do Ambiente como representante da Câmara Municipal. Embora tivessem sidos convidados os Srs. Presidentes das Juntas de Freguesia de Amorim, Balazar, Laúndos, S. Pedro de Rates e Terroso, Dra. Delegada de Saúde da Póvoa de Varzim e Presidente da Associação de Pais da Escola Secundária de Rocha Peixoto, estes não compareceram pelo que lamentamos já que este Projecto não diz apenas respeito à comunidade educativa mas sim a toda a população da Póvoa de Varzim.

Agradecemos à Câmara Municipal, Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro e em especial ao seu assistente Eng. António Pirra que também cooperou neste Projecto, Laboratório de Análises de Água “Projectágua” e a todos os pais e familiares dos alunos pela disponibilidade prestada e pelo incentivo dado para o trabalho que desenvolvemos.

Embora este Projecto tenha um encerramento previsto a 31 de Maio para a Fundação Ilídio Pinho, para nós ainda está não está completo na medida em que gostaríamos de continuar com recolha de amostras e verificar a evolução de cada parâmetro ao longo do ano. Estamos também curiosos por podermos comparar os resultados por nós obtidos com os mandados realizar, pelas autoridades competentes a laboratórios creditados, e saber se a população consumidora se une num único propósito “A água limpa e acessível é um bem único. Neste novo século, ainda não existe uma tecnologia capaz de fabricar água. Não pode ser substituída nem reproduzida, a água deve ser valorizada e salvaguardada. Os povos do planeta devem melhorar a sua capacidade de gerir este recurso. Isto pode ser conseguido desenvolvendo e promovendo uma cultura de conservação e uma “Revolução Azul”.”

(Excerto da mensagem proferida pelo secretário Geral da ONU, a propósito do Dia Mundial da Água, em 2002).


A Coordenadora do Projecto


Conceição Pinheiro

(Prof. C. Físico–Químicas)
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