Processo n.º 76/1100-10. 5 Parecer n.º 110/2010 cec/rs o projeto “1º Festival de Bonecos de Santa Maria” é recomendado para a Avaliação Coletiva



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Processo n.º 76/1100-10.5

Parecer n.º 110/2010 CEC/RS
O Projeto “1º Festival de Bonecos de Santa Maria” é recomendado

para a Avaliação Coletiva.

1. O Projeto 1º Festival de Bonecos de Santa Maria deu entrada neste Conselho em 23 de abril último. Tem como proponente e produtora a Chili Produções Culturais Ltda., que tem registro junto à SEDAC sob o nº 3583. A responsável pela empresa é Rose Carneiro, e conta ainda com a participação de Rinaldo Righi na qualidade de contador.

Este projeto compreende uma série de 47 espetáculos a serem apresentados na cidade de Santa Maria durante o período de 31 de agosto a 5 de setembro de 2010. As apresentações acontecerão no Theatro Treze de Maio e Praça Saldanha Marinho, bem como nas praças públicas dos bairros Camobi, Campestre, Rincão do Soturno, Tancredo Neves, Maringá, Vila Jardim e Santa Marta. Esses espetáculos serão todos abertos ao público.

O projeto pretende aproximar o teatro da população santamariense, uma vez que esta cidade tem tradição na formação de artistas e desenvolve habitualmente uma intensa programação cultural. Santa Maria possui curso superior de Artes Cênicas e tem um importante e reconhecido grupo de teatro de bonecos que é o Pregando Peça.

Os objetivos e as metas estão perfeitamente estabelecidos e o público estimado para este Festival é de 100 mil pessoas.

A contrapartida oferecida prevê 10% dos convites de cada apresentação realizada no Theatro Treze de Maio – 13 sessões e total de 450 – para a Secretaria de Estado da Cultura. Uma oficina, O teatro de bonecos na sala de aula, para educadores da rede pública, organizados e selecionados pela 8ª Coordenadoria Estadual de Educação, a ser ministrada por Mário de Ballenti, conhecido e conceituado profissional de teatro de bonecos, com carga horária de 8h/aula, com 20 vagas.

Estão previstas mais duas oficinas dirigidas a professores e alunos, sendo que a oficina O boneco como expressão teatral é dirigida a alunos de uma escola pública, ministrada por Paulo Balardim, mestre em Artes Cênicas e licenciado em Letras, com respeitável currículo em teatro de bonecos. Essa oficina terá carga horária de 6h/aula, com 20 vagas. E uma outra oficina, ministrada pela arte-educadora Carolina Garcia, com o tema O ator e o objeto, dirigida a estudantes e profissionais de teatro ou outras artes. Essa oficina terá carga horária de 6h/aula, e contará com 20 vagas. O currículo da ministrante comprova experiência e habilitação para tanto, tendo recebido o prêmio Tibicuera de melhor produção em 2008. Como atriz recebeu o prêmio Tibicuera em 1999. Todas as oficinas oferecerão certificados aos participantes.

O custo total do projeto é de R$ 238.952,00 (duzentos e trinta e oito mil novecentos e cinqüenta e dois reais), e a solicitação ao sistema LIC é de R$ 191.042,00 (cento e noventa e um mil e quarenta e dois reais).

O projeto prevê espetáculos dos seguintes grupos: Grupo Pregando Peça, de Santa Maria; Grupo de Teatro De Pernas pro Ar, de Canoas; Grupo Odelê, de São Paulo; Grupo Pandorga da Lua e Pregando Peça, de Santa Maria; Caixa do Elefante, de Porto Alegre; Grupo Sobrevento, de São Paulo; Grupo Entre Linhas, de Novo Hamburgo e Grupo Fantomania, de São Leopoldo.


É o relatório.
2. O teatro de bonecos é uma manifestação teatral tão ou mais antiga que o teatro convencional. Há registro de sua presença entre os povos primitivos que, deslumbrados com suas silhuetas nas paredes das cavernas, elaboraram o teatro de sombra, talvez com a intenção mística/mítica ou de entretenimento para as suas crianças.

Desde então, o homem não deixou de exercer a sua criatividade para expressar seus sentimentos, medos, euforia ou indagações. Surgem então os bonecos moldados com barro, sem junções, até chegar aos exemplares com a união da cabeça e dos membros.

Segundo estudiosos, o teatro de bonecos nasceu no Oriente, principalmente na China, Índia, Java e na Indonésia. Os orientais consideravam os bonecos como deuses, dotados de recursos mediúnicos e fantásticos. Eram de tal perfeição que se tornavam idênticos aos seres vivos, inspirados em personagens reais.

O teatro de bonecos chegou ao ocidente através dos mercadores que traziam as novidades do Oriente. Os gregos usavam essa arte como ferramenta para ironizar o cristianismo. Os romanos, por sua vez, contribuíram para seu aprimoramento e disseminação.

Na era medieval o teatro de bonecos foi alvo da intolerância religiosa, e depois foi utilizado como meio de evangelização. Ele era exibido normalmente durante as feiras-livres nos burgos.

Foi nessa qualidade que o teatro de bonecos chegou na América, no século XVI, com as grandes descobertas, e aportou no Brasil como instrumento de doutrinação religiosa. A consolidação se deu mais expressivamente no Nordeste, principalmente em Pernambuco, sendo batizado na Paraíba como Babau. Segundo especialistas é através dessa arte que os artistas podem transmitir ao público sua mensagem impregnada de temáticas sociais.

Segundo estudiosos “a primeira notícia que se tem a respeito do Teatro de Bonecos no Brasil refere-se a mais ou menos 200 anos após o Descobrimento”.

No século XIX, imigrantes germânicos também trouxeram o seu teatro de títeres, o Kaspelstheater, que ainda hoje existe no Rio Grande do Sul, e é considerado uma das manifestações mais interessantes entre os fenômenos de aculturação no folclore gaúcho, onde se identificam e confluem tradições germânicas e lusas em território brasileiro.

As apresentações mais antigas de teatro de marionetes, no Brasil, foram mencionadas no Rio de Janeiro, no século XVIII, por Luiz Edmundo, no livro "O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis”.

“A graça do boneco está em sua associação de movimento e sonoridade, o que encanta e seduz o público infantil. O Teatro de Bonecos está sempre intimamente ligado ao entorno histórico, cultural, social, político, econômico, religioso e educativo”.

No mundo, em cada recanto, por conta da diversidade cultural os bonecos recebem nomes diferentes. Na Itália, encontra-se o Maceus, depois substituído pelo Polichinelo; na Turquia, o Karagoz; na Grécia, as Atalanas; na Alemanha, o Kasper; na Rússia, o Petruska; em Java, o Wayang; na Espanha, o Cristovam; na Inglaterra, o Punch; na França, o Guingnol; nos Estados Unidos, os Muppets; na Índia, o Vidouchaka; no Japão, o Bunraku; e no Brasil, o Mamulengo, que tem essa denominação numa corruptela de “mão molenga”, que é a mais importante habilidade que deve possuir um “bonequeiro”.

Nas diversas regiões brasileiras, esse teatro de fantoches teve e tem várias denominações: Briguela ou João Minhoca, em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro; Mané Gostoso, na Bahia; Mamulengo, em Pernambuco; e João Redondo, no Rio Grande do Norte e Paraíba.

“No teatro de bonecos, este toma vida própria através das mãos do manipulador, conta a história e transforma a vida numa magia que muitas vezes nos faz sair da realidade pelo seu grande poder de sugestão. Toda a sua expressão se concentra no movimento”.

Segundo o site do Teatro Guaíra de Curitiba, no Paraná “o boneco, ser inanimado por princípio, no palco toma outras dimensões: voa, contrariando as leis da física, assume as posturas mais extravagantes, mas não perde o caráter de familiaridade. Isto é, nos identificamos com eles.

A arte possui valores que a transcendem, atinge o universal eliminando barreiras de tempo e lugar. Assim, o Teatro de Bonecos oferece mil possibilidades a quem o descobre.

Nas mãos de um educador hábil, o boneco é um instrumento de grande valor. Nem sempre a palavra é mais importante: os gestos e trejeitos do boneco transmitem informações ao espectador que o leva a interpretação e identificação imediata da mensagem. Sua eficácia é muito importante tanto para crianças, como para os adultos”.

O projeto 1º Festival de Bonecos de Santa Maria parte de uma ação cultural extremamente importante e conseqüente. Foi feliz a idéia de realizar na cidade, que é considerada o coração do Rio Grande do Sul, este festival. No Estado temos uma tradição muito grande na arte teatral de manipulação com a realização, na cidade de Canela, do Festival Internacional de Bonecos, que este ano fará o seu 22º aniversário. Ação cultural vitoriosa, com importante enraizamento na população local, que no evento funciona não apenas como espectadora, mas também como realizadora. As escolas daquela cidade trabalham permanentemente com teatro de bonecos, montando espetáculos e confeccionando seus personagens. Não é por outro motivo que a cidade de Canela é conhecida como a cidade dos bonecos. É comovente assistir aos espetáculos locais, onde os alunos das escolas dos diversos bairros da cidade interpretam, através dos bonecos, textos da melhor qualidade, servindo isso para despertar entre os jovens o apreço pela arte de atuar. Bons exemplos são para serem seguidos, e é por isso que saudamos esta intenção da cidade de Santa Maria.

Os grupos sugeridos nos projetos são conhecidos e com trajetória muito representativa. O Grupo Pregando Peça, de Santa Maria, traz os espetáculos Macaco Simão, A Banda do Serafim e o Príncipe e o Dragão. São peças de repertório, amplamente conhecidas e que foram apresentadas em diversos eventos culturais de teatro de bonecos pelo Brasil. Lembremos que este grupo tem mais de vinte e cinco anos de estrada.

O Jornal Zero Hora assim se manifestou quando o grupo de bonecos completou 25 anos em novembro passado: “os espetáculos de grupo (...) contam histórias criadas a partir do universo literário (...) quando começou, em 1984, o grupo ainda não trabalhava com bonecos. Foi só em 1992 que surgiu a idéia. No ano seguinte, foi criado o primeiro espetáculo com fantoches: O Macaco Simão”.

O Grupo de Teatro de Pernas pro Ar é de Canoas, e está completando este ano 20 de trabalho com bonecos. As peças que se apresentarão são também de repertório, e incluem a Banda Circense e Se eu fosse um Pássaro. Sobre este grupo, o jornal Zero Hora assim se manifesta: “Luciano Wieser sempre quis misturar teatro com música, bonecos com palhaços, máquinas com atores. Não é de se estranhar, portanto, que o grupo que ele fundou em Canoas, há 20 anos, se chame De pernas pro Ar. - No nosso primeiro espetáculo, diz Wieser, Se eu fosse um Pássaro (1990), trabalhamos com bonecos, mas também com os corpos dos manipuladores”.

O Grupo Odelê, de São Paulo, da cidade de Campinas, traz o espetáculo Uma Noite em Claro. Este grupo, criado em 2008 por Rafael Curci, Darko Magalhães e Simone Aranha, trabalha com duas linguagens teatrais claras: teatro de animação e teatro de ator. Eles trabalham com experimentações em diversas disciplinas artísticas, como histórias em quadrinhos, teatro de objetos, criação de textos, adaptação de obras clássicas etc. O espetáculo escolhido esteve em Salvador no início deste ano, com sucesso, na 2ª Edição do Festival Nacional de Teatro da Bahia, e conta a história de Morpheu, um homem que chega em casa, cansado do trabalho, e tenta dormir, mas diversas situações inesperadas perturbarão o seu sono constantemente. É um espetáculo de teatro de bonecos inspirado no gênero desenho animado, e tem como referência os desenhos norte-americanos das décadas de 30 a 50.

O Grupo Pandorga da Lua e Pregando Peça traz o espetáculo que leva o mesmo nome, Pandorga da Lua, que é um projeto educativo de temática gaúcha. As poesias do escritor Jaime Vaz Brasil foram musicadas por Ricardo Veríssimo Freire em ritmos regionais. É a tradição e a cultura gaúcha para as crianças, despertando a consciência e valorização de nossas raízes. Este espetáculo alia o musical com os bonecos de animação do grupo santamariense Pregando Peça.

É, assim, um espetáculo lúdico, brincalhão e genuinamente gaúcho. Além do que, traz músicos tocando ao vivo para as crianças.

O grupo Caixa do Elefante, fundado em Porto Alegre em 1991, é um consagrado grupo de bonecos com atuação importante no cenário nacional. Este grupo já esteve em apresentações pela Europa, América do Norte e América do Sul, tendo o reconhecimento de crítica e das platéias onde tem se apresentado. As histórias da companhia mesclam textos populares com poesia e comicidade, num rigor técnico que envolve a construção de manipulação de bonecos. O seu fundador é Mário de Ballenti, premiado e estudioso da arte dos bonecos, tendo um currículo expressivo em cursos da área no exterior. Ele será um dos ministrantes das oficinas previstas neste projeto. Fazem parte deste grupo Carolina Garcia e Paulo Balardim, que também ministrarão oficinas.

Os espetáculos do Caixa do Elefante são: Histórias da Carrocinha e Encantadores de Histórias. O primeiro já foi apresentado com sucesso na Itália, França, Espanha e Canadá. O espetáculo Encantadores de Histórias trata de montagem dos mais belos contos de Hans Christian Andersen, renomado escritor dinamarquês, autor de conhecidas histórias infantis.

O Grupo Sobrevento reúne profissionais do teatro paulista. Criado em 1986, mantém um repertório de espetáculos. Com atuação marcante, este grupo tem se apresentado pelo mundo todo e sua qualidade dispensa qualquer adjetivação. Com larga premiação pelo Brasil afora, tem sido chamado para apresentar espetáculos ou mesmo para oferecer cursos de formação de profissionais da área. Esteve recentemente no Irã, México e Espanha. É reconhecido como um dos maiores especialistas em teatro de animação no Brasil.

Os espetáculos que serão apresentados são: Mozart Moments e O Anjo e a Princesa. No primeiro os atores contracenam com os bonecos em trajes de época e realizam um momento mágico e poético; vale a pena assistir a tal espetáculo. O segundo, também com forma de apresentação inusitada, alia a poética do texto e um visual inspirado em Juan Miró, com suas cores e formas, com os bonecos manipulados pela sua apresentadora.

O Grupo Entre Linhas, de Novo Hamburgo, tem a sua trajetória calcada em temas ligados às questões ambientais e de conservação da natureza. Eles trabalham com diferentes técnicas de animação, como teatro de varas, teatro de luvas, bonecos de mesa e teatro de sombra. O espetáculo escolhido para o festival que acontecerá em Santa Maria será O Cisne. Baseado na história do Patinho Feio, é todo montado sob forma de teatro de sombra, e tem a duração de dois minutos. Cada espectador assiste individualmente. É um espetáculo diminuto, mas que provoca grande impacto em quem o assiste.

O último grupo indicado no projeto é o Grupo Fantomania, de São Leopoldo, que atua desde 1989. O espetáculo destacado é O Consertador de Brinquedos, cuja temática refere-se à preocupação com a reciclagem e ao mesmo tempo mostra que, com garra e perseverança, se vence qualquer obstáculo. São vários bonecos em cena e os personagens incluem tipos conhecidos das crianças e dos adultos.

Os espetáculos com bonecos têm em média a duração de uma hora. Esse tempo tem se revelado apropriado para este tipo de espetáculo e de público (tanto infantil, quanto adulto). Lembremos o desgaste que sofrem os atores que, além da voz e movimentos, precisam utilizar seu corpo acompanhado de objetos e/ou bonecos.

O projeto que analisamos está muito bem definido e teve felizes escolhas, tantos dos espetáculos, como também das oficinas programadas. Louvável a participação das escolas e dos professores no projeto, o que parece demonstrar intenção de resultados junto à comunidade. Destacamos, ainda, a preocupação em levar às populações menos assistidas os espetáculos. Isso é inclusão social e cultural.

O Setor de Análise Técnica da SEDAC não apontou quaisquer irregularidades no projeto. De nossa parte, consideramos alguns itens com valores acima da média praticada para atividades semelhantes, razão pela qual estamos glosando os itens seguintes:



  • 2.22 – assessoria de produção estabelecendo um valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao invés dos R$ 8.500,00 (oito mil e quinhentos reais) previstos;

  • 4.1 – coordenação executiva do projeto de R$ 26.000,00 (vinte e seis mil reais) para R$ 18.000,00 (dezoito mil reais), num equivalente a 10% do projeto;

  • 4.2 – assessoria contábil de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), valor médio constante em projetos assemelhados.



3. Em conclusão, o projeto 1º Festival de Bonecos de Santa Maria é recomendado para a Avaliação Coletiva, podendo vir a receber os benefícios do sistema LIC em valores de até R$ 178.542,00 (cento e setenta e oito mil quinhentos e quarenta e dois reais).
Porto Alegre, 12 de maio de 2010.

Nicéa Irigaray Brasil

Conselheira Relatora



Informe:
O prazo para recurso somente começará a fluir após a publicação no Diário Oficial.

O Presidente, nos termos do Regimento Interno, optou por: votar (X), não votar () ou desempatar ( ).


Sessão das 15 horas do dia 12 de maio de 2010.

Presentes: 21 Conselheiros.

Acompanharam o Relator os Conselheiros: André Venzon, Alcy Cheuiche, Isaac Newton Castiel Menda, Adriano José Eli, Ivo Ilário Czamanski, Gilberto Herschdorfer, Almeri Espíndola de Souza, Maria Cardoso Faistauer, Luiz Carlos Sadowski da Silva, Graziela de Castro Saraiva, Therezinha Petry Cardona, José Mariano Bersch, Nilza Cristina Taborda de Jesus Colombo, Marta Barros Biavaschi, Berenice Fuhro Souto e Gisele Pereira Meyer.

Não acompanharam o Relator: Antônio Carlos Côrtes.

Abstiveram-se de votar: Alexandra Kloeeckner Eckert Nunes e Maturino Salvador Santos da Luz (não formaram convicção).
Adendo ao Parecer após a Avaliação Coletiva realizada no dia 27/05/2010.
O Conselho Estadual de Cultura do RS comunica que:
Após análise, este projeto foi considerado prioritário, para captar recursos do Sistema Estadual de Incentivos às Atividades Culturais de acordo com a Lei 10.846, de 19 de agosto de 1996.
Porto Alegre, 27 de maio de 2010.

Antônio Carlos Côrtes

Cons. Presidente CEC/RS




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