Processo seletivo 2005



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PROCESSO SELETIVO 2005


Compreensão e produção de textos

As questões 01 a 03 referem-se ao texto a seguir.

Estigma

Os gregos, que tinham bastante conhecimento de recursos visuais, criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os apresentava. Os sinais eram feitos com cortes ou fogo no corpo e avisavam que o portador era um escravo, um criminoso ou traidor – uma pessoa marcada, ritualmente poluída, que devia ser evitada, especialmente em lugares públicos. Mais tarde, na Era Cristã, dois níveis de metáfora foram acrescentados ao termo: o primeiro deles referia-se a sinais corporais de graça divina que tomavam a forma de flores em erupção sobre a pele; o segundo, uma alusão médica a essa alusão religiosa, referia-se a sinais corporais de distúrbio físico. Atualmente, o termo é amplamente usado de maneira um tanto semelhante ao sentido literal original, porém é mais aplicado à própria desgraça do que à sua evidência corporal. Além disso, houve alterações nos tipos de desgraças que causam preocupação. (...)



Podem-se mencionar três tipos de estigma nitidamente diferentes. Em primeiro lugar, há as abominações do corpo – as várias deformidades físicas. Em segundo, as culpas de caráter individual, percebidas como vontade fraca, paixões tirânicas ou não naturais, crenças falsas e rígidas, desonestidade, sendo essas inferidas a partir de relatos conhecidos de, por exemplo, distúrbio mental, prisão, vício, alcoolismo, homossexualismo, desemprego, tentativas de suicídio e comportamento político radical. Finalmente, há os estigmas tribais de raça, nação e religião, que podem ser transmitidos através de linhagem e contaminar por igual todos os membros de uma família. Em todos esses exemplos de estigma, entretanto, inclusive aqueles que os gregos tinham em mente, encontram-se as mesmas características sociológicas: um indivíduo que poderia ter sido facilmente recebido na relação social quotidiana possui um traço que pode-se impor à atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a possibilidade de atenção para outros atributos seus. Ele possui um estigma, uma característica diferente da que havíamos previsto. Nós e os que não se afastam negativamente das expectativas particulares em questão serão por mim chamados de normais.

As atitudes que nós, normais, temos com uma pessoa com um estigma, e os atos que empreendemos em relação a ela são bem conhecidos na medida em que são as respostas que a ação social benevolente tenta suavizar e melhorar. Por definição, é claro, acreditamos que alguém com um estigma não seja completamente humano. Com base nisso, fazemos vários tipos de discriminações, através das quais, efetivamente, e muitas vezes sem pensar, reduzimos suas chances de vida.


(GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: LTC, 1988. p. 11-15.)

01 - Segundo o texto, é correto afirmar:


*) Embora diferentes, os três tipos de estigma levam à rejeição do indivíduo pelo grupo social.

-) Os estigmas físicos e os ligados à personalidade atingem todos os membros de uma família.

-) As pessoas “normais” devem evitar a convivência com as estigmatizadas, para evitar a contaminação.

-) Os portadores de características estigmatizantes não têm qualidades que possibilitem sua integração social.

-) As três formas de estigma são transmitidas hereditariamente de uma geração a outra.

02 - Entre os diversos conceitos de “estigma” apresentados no texto, assinale a alternativa que sintetiza o uso mais amplo que o termo adquiriu na atualidade.


*) Características pessoais usadas socialmente como critérios para a discriminação de alguns indivíduos.

-) Marcas corporais ocasionadas intencionalmente para indicar características morais do portador.

-) Sinais produzidos no corpo das pessoas para restringir sua circulação em espaços públicos.

-) Marcas observadas na pele de alguns indivíduos, atribuídas ao dom divino.

-) Indícios físicos que levam ao julgamento de que certos indivíduos seriam seres imperfeitos.

03 - A partir do texto, é INCORRETO afirmar:


*) Características inerentes ao indivíduo dão origem a estigmas diversos e facilitam a aceitação dele pelos demais.

-) O conceito de estigma e o conceito de “pessoas normais” são construídos por oposição um ao outro.

-) Políticas de ação afirmativa buscam aumentar a integração social de pessoas a que se atribuem diversos tipos de estigma.

-) Um único estigma basta para obscurecer as qualidades de um indivíduo.

-) Obras sociais de atendimento a grupos estigmatizados não eliminam o estigma, mas procuram reduzir seus efeitos.

As questões 04 e 05 referem-se ao texto a seguir.


Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, foi um dos maiores jogadores de futebol que o Brasil já teve, sendo comparado a Pelé. Neste trecho de entrevista, concedida em 1993, Tostão relembra momentos importantes de sua vida como jogador.
Entrevistador: Você foi o jogador de fato mais comparado ao Pelé. Eu queria saber qual o peso dessa comparação, já que o Pelé é... uma barbaridade. E como é jogar com ele? Você sentiu isso como algo diferente?
Tostão: Sem nenhuma falsa modéstia, eu nunca me aproximei do Pelé. Ele foi um jogador realmente à parte, muito acima de todos os outros jogadores de todas as épocas. O Pelé tinha tudo, todas as qualidades. Eu tinha grandes qualidades, mas algumas dificuldades. O Pelé não: cabeceava muito bem, tinha velocidade, driblava, era um jogador muito inteligente dentro do campo. Apesar de ter sido uma pessoa pobre, ele tinha um físico exemplar de atleta. E eu era um jogador que não tinha grande velocidade. Eu tinha um arranque muito bom, mas quando a bola ia a uma distância em que eu precisava de uma velocidade maior, eu não tinha. Cabeceava mal, saltava pouco. Eu não tinha a condição física do Pelé, não era um atleta. Lembro até hoje que um grande jornalista falou que não sabia como eu jogava, porque eu não tinha nada de jogador de futebol, tinha perna curta, não era alto. Não tinha características de um grande jogador. Mas eu tinha grandes qualidades, principalmente a de jogar vendo o jogo. No segundo em que a bola chegava em mim, eu já sabia o que fazer, tinha uma visão de jogo muito grande.
04 - Não tinha características de um grande jogador. Mas eu tinha grandes qualidades, principalmente a de jogar vendo o jogo. No segundo em que a bola chegava em mim, eu já sabia o que fazer, tinha uma visão de jogo muito grande.”
Qual é a alternativa que reescreve o trecho destacado do texto, mantendo-lhe o significado?
*) O fato de eu ter uma visão de jogo muito grande, de já saber o que fazer quando a bola chegava em mim, é um exemplo das minhas grandes qualidades, embora não tivesse características de um grande jogador.

-) Apesar de não ter grandes qualidades, eu tinha características de um grande jogador. Quando a bola chegava em mim, por exemplo, eu rapidamente já sabia o que fazer, pois tinha uma visão de jogo muito grande.

-) A rapidez com que eu resolvia as jogadas com uma visão muito grande de jogo não foi suficiente para fazer de mim um grande jogador, pois as minhas qualidades não eram muitas.

-) Sem ser um grande jogador nem ter grandes qualidades, ainda assim eu tinha visão de jogo, pois sabia rapidamente o que fazer quando a bola chegava em mim.

-) Esperava a bola chegar em mim, para depois pensar e armar uma visão de jogo. Essa característica comprova que eu era um grande jogador, mas com qualidades específicas dentro de campo.
05 - No texto, a frase:
*) “Não era um atleta” significa que Tostão valorizava muito as características físicas para definir um esportista.

-) “Ele foi um jogador realmente à parte” significa que Pelé evitava a companhia dos outros atletas, por se sentir acima deles.

-) “Eu nunca me aproximei do Pelé” significa que Tostão não tinha relações de amizade com Pelé.

-) “Um grande jornalista falou que não sabia como eu jogava” significa que o estilo de Tostão era pouco divulgado pela imprensa.

-) “Mas eu tinha grandes qualidades” significa que Tostão possuía uma qualidade que faltava a Pelé: visão de jogo.






QUESTÃO DISCURSIVA

Leia a continuação da entrevista com Tostão, em que ele comenta sua participação na Copa de 1970.



Entrevistador: A Copa de 70 foi usada de um jeito meio sombrio: uma felicidade nacional imensa numa época muito dura do país, que marcou talvez o pior momento do regime militar. E a Copa foi, digamos, a estampa desse governo Médici. Como isso soava entre vocês, havia conversas sobre isso? Você teve algum tipo de vergonha pessoal pela forma com que a vitória foi utilizada?

Tostão: Não houve conversa. Principalmente depois do Saldanha* sair, porque o Saldanha gostava muito de conversar sobre essas coisas. É aquilo que eu falei. Acho que houve algum problema político também com ele. Agora, na verdade, a maioria absoluta dos jogadores era alheia à situação política do país.


Entrevistador: Pelé também?
Tostão: A princípio, sim. Quer dizer, eu nunca vi uma posição dele assim mais pública, não é? Com raras exceções, a maior parte estava preocupada com o problema do futebol, em ganhar o jogo com a sua profissão – problemas políticos à parte. Confesso que isso me incomodava demais. Eu tinha na época ideais políticos. Não participava porque, por várias vezes, era difícil participar. Mas na intimidade, com meus amigos, minha família, era extremamente contra o regime que tinha no país. Agora ali, durante a Copa, os preparativos, minha atenção era toda no futebol. Eu achava que isso não podia atrapalhar minha atividade, a minha profissão. Eram duas coisas separadas. A minha intenção ali era fazer o melhor. Depois que passou, que eu vi que aquilo foi o que estava sendo, é então que a gente percebe que aquilo teve um valor político grande. Isso me deixou muito incomodado. Por exemplo, eu me arrependi muito quando nós voltamos do México e fomos recebidos pelo Médici em Brasília, aquele negócio todo. Eu me critiquei muito por ter ido lá. Naquela época, aquilo era o de menos. O que contava era a festa, aquele oba-oba, toda a alegria de ter ganho a Copa. Mas...
(Novos Estudos CEBRAP, n. 37, p. 103-112, nov. 1993.)
*João Saldanha era o treinador da seleção brasileira de futebol nas eliminatórias para a Copa de 70. Depois de o time ser classificado, foi substituído por Zagalo. Não ficou bem esclarecido, na época, o motivo dessa substituição. Alguns atribuíram essa decisão ao General Médici, então presidente da República.
Esse trecho da entrevista faz o registro do relato dos acontecimentos feito oralmente por Tostão. Sintetize as informações contidas nas perguntas e respostas desse trecho, organize-as e apresente-as em um texto de, no máximo, 10 linhas, redigido em terceira pessoa e em linguagem adequada às normas do português escrito. NÃO atribua título ao texto.
Valor da questão: 7 pontos. Os critérios de correção serão divulgados oportunamente.

06 - Uma das polêmicas políticas deste ano foi a proposta do governo de criar o Conselho Nacional de Jornalismo, que teria por função “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão de jornalista. A reação de parte da imprensa foi apontar que o papel do Conselho seria justamente o da censura. A revista Veja (18 ago. 2004) apresentou matéria sobre o tema, na qual constavam opiniões de diversas personalidades a respeito do assunto. Dentre elas, podemos encontrar as seguintes:

I. “O conselho me parece uma estupidez. Eu defendo o princípio da Primeira Emenda americana: a imprensa é livre e ponto. Essa idéia de que tudo deve ser regulamentado é facista.” (Renato Mezan, psicanalista)

II. “Sou de uma geração muito marcada pela questão da liberdade. Creio que uma opinião pública bem formada, aliada a meios judiciais pertinentes, ainda é o melhor antídoto para qualquer excesso da mídia.” (Moacyr Scliar, escritor)



III. “Jornalismo é exercício de informação, mas também de opinião. E opinião não se tutela.” (Paulo Skaf, empresário)

IV. “Aquilo que é preciso de verdade, desesperadamente, é cuidar da educação da população para que ela tenha discernimento para separar a informação ruim daquela que realmente interessa.” (Zélia Duncan, cantora)

V. “Se alguém se sente incomodado com aquilo que a imprensa disse dele pode recorrer à Justiça. E é assim que deve ser. Nenhum conselho tem o direito de julgar e controlar o que se diz, se escreve ou se pensa.” (Miguel Falabella, ator e dramaturgo)
Com relação aos depoimentos acima, é correto afirmar:
*) Os depoimentos em II, IV e V apresentam formas alternativas para controlar os excessos da mídia e com isso se distanciam da proposta do governo.

-) O depoimento em III apóia a iniciativa do governo, pois entende que só se obtém opinião qualificada mediante o exercício seletivo da informação que chega ao público.

-) A opinião em II defende a medida do governo como um meio judicial pertinente para que alguém possa se precaver contra a notícia difamatória.

-) A opinião em I mostra que o objetivo do governo com a criação do Conselho já está contemplado na Constituição. É só fazer valer.

-) Os depoimentos em III e IV querem dizer que informação é tudo e que o governo precisa garantir que ela seja boa.





QUESTÃO DISCURSIVA



Da mesma reportagem da revista Veja (18 ago. 2004) foram retiradas as duas citações abaixo e um trecho do Editorial. Confira.

“Por que deveríamos aceitar a liberdade de expressão e de imprensa? Por que deveria um governo, que está fazendo o que acredita estar certo, permitir que o critiquem? Ele não aceitaria a oposição de armas letais. Mas idéias são muito mais fatais que armas.”


Vladimir Lênin (1870-1924, líder da Revolução Russa)


________________________________________________________________________________________

“Uma vez que a base de nosso governo é a opinião do povo, nosso primeiro objetivo deveria ser mantê-la intacta. E, se coubesse a mim decidir se precisamos de um governo sem imprensa ou de uma imprensa sem governo, eu não hesitaria em escolher a segunda situação.”



Thomas Jefferson (1743-1826, presidente norte-americano)

“Em sua Ética a Nicômaco, o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) produziu a definição clássica do papel da imprensa. ‘Alguns poucos cidadãos adquirem o poder de fazer políticas públicas. Todos, porém, têm o direito de criticá-las’, escreveu o famoso discípulo de Platão. A sabedoria de Aristóteles está principalmente em ter estabelecido que os governos e seus críticos, embora façam parte da mesma sociedade, ocupam nela esferas inteiramente diferentes. Os primeiros têm o poder. Os segundos, o direito. Por essa razão, a qualidade da imprensa deve ser sempre medida por seu grau de independência nas relações com os governos. Estes são tanto melhores quanto mais preservam a liberdade de seus críticos.”



Editorial




Em um texto de no mínimo 10 e no máximo 15 linhas, confronte as declarações acima, explicitando de que forma elas se opõem à liberdade de imprensa ou a apóiam. NÃO atribua título ao texto.

Valor da questão: 10 pontos. Os critérios de correção serão divulgados oportunamente.


Limite mínimo


As questões 07 e 08 e a questão discursiva C referem-se ao texto a seguir.



Os tempos são outros

Dentre as muitas coisas intrigantes deste mundo, poucas há tão misteriosas quanto o tempo. A ironia é que mal nos damos conta disso. Estando desde o nascimento submetidos a uma mesma noção de tempo, aceita por todos à nossa volta em termos sempre idênticos e inquestionáveis, tendemos a achar que ela é a única possível e corresponde à própria realidade. Causa um grande choque saber que outras culturas têm formas diferentes de perceber e compreender o tempo e também de representar o curso da história. E ainda assim a nossa defesa automática é acreditar que elas estão erradas e nós certos. Ledo engano.

Na nossa própria cultura o tempo foi percebido de formas diferentes. Os gregos antigos tinham uma noção cíclica do tempo. Ele se iniciava com as prodigiosas eras de ouro e dos deuses, declinava depois para as eras de bronze e de ferro, dos heróis, chegando à crise final com a fraqueza e penúria da era dos homens, após a qual o ciclo reiniciava. Para os romanos, o tempo se enfraquecia na medida em que se afastava do mais sagrado dos eventos, a fundação de Roma. Na Idade Média prevalecia o tempo recursivo, pelo qual os cristãos acreditavam percorrer uma via penitencial, desde a expulsão do Jardim do Éden até a salvação e o retorno ao Paraíso.

Foi só com a consolidação do capitalismo, a partir do Renascimento, que passou a prevalecer uma noção de tempo quantitativo, dividido em unidades idênticas e vazias de qualquer conteúdo mítico, cujo símbolo máximo foi o relógio mecânico, com seu incansável tique-taque. Essa foi também a época em que a ciência e a técnica se tornaram preponderantes. Nesse contexto, o maior dos cientistas modernos, sir Isaac Newton formalizou o conceito do tempo como sendo absoluto. "O tempo matemático, verdadeiro e absoluto flui homogeneamente, sem nenhuma relação com qualquer coisa externa". Como pertencemos a esse tempo moderno, é ele que aprendemos em casa, na escola e nos relógios ao redor. E achamos, como Newton, que ele é o único verdadeiro!

Mas o mundo moderno foi se complicando e esse conceito fixo e fechado se tornou cada vez menos satisfatório. Assim, já no início do século XX, o filósofo Henry Bergson mudava de novo o conceito declarando: "Ou o tempo é uma invenção ou ele é nada." O amplo conhecimento de outras culturas e as grandes transformações científicas e técnicas do Ocidente forçaram a admitir que cada povo cria as noções de tempo e história que correspondam às suas formas de vida, suas necessidades e expectativas.

O que é claro no caso da cultura moderna é que nossa percepção do tempo ficou coligada ao desenvolvimento tecnológico. Assim, das pás dos moinhos de vento ao velame das caravelas, às máquinas a vapor, às ferrovias, aos veículos automotores, aos transatlânticos, aviões, telégrafos, cinema, rádio e tevê, sentimos um efeito de aceleração permanente. Foi o que Machado de Assis previu profeticamente ao dizer que, "após a Guerra do Paraguai, os relógios passaram a andar mais depressa". O último e mais dramático episódio nesta saga da aceleração foi assinalado pela revolução da microeletrônica a partir dos anos 70. Num repente fomos invadidos por inúmeros prodígios técnicos: fax, bips, PCs, celulares, TVs a cabo, modems, e-mail...

Tudo parece convergir para tornar as comunicações mais rápidas, o trabalho mais produtivo e a vida mais fácil. Mas, por outro lado, nossa privacidade é mais rápida e facilmente invadida, os espaços públicos se encheram de gente falando sozinha e quem trabalha não só pode ser solicitado a todo e qualquer momento como deve estar sempre disponível.
(SEVCENKO, Nicolau. ISTOÉ, Edição especial: Vida digital, 1999.)
07 - Segundo o texto, é correto afirmar:
*) Dois fatores são fundamentais na determinação da percepção atual do tempo: transporte e comunicação.

-) A concepção satisfatória de tempo no século XX é determinada pela tecnologia e independe das formas de vida, necessidades e expectativas de cada povo.

-) A declaração do filósofo Bergson ratifica a concepção de tempo absoluto de Newton.

-) Os ciclos de tempo previstos pelos gregos na Antigüidade completaram-se antes do surgimento da visão de tempo autônomo.

-) O tempo, no século XX, deixou de interferir na vida dos povos a partir da constatação de Bergson de que o tempo é nada.

08 - Para o autor, o conceito mais adequado de tempo é o que o caracteriza como:


*) vinculado a cada cultura.

-) mítico, ligado a valores religiosos.

-) autônomo e quantitativo.

-) cíclico, marcado por reinícios periódicos.

-) recursivo, marcado pelo retorno ao ponto de origem.






QUESTÃO DISCURSIVA

No texto, o autor cita Machado de Assis: “após a Guerra do Paraguai, os relógios passaram a andar mais depressa”. Em um texto de até 5 linhas, SEM título, explicite a concepção de tempo que está implícita na frase do escritor.

Valor da questão: 4 pontos. Os critérios de correção serão divulgados oportunamente.

A questão 09 e as questões discursivas D e E referem-se ao texto a seguir.
Brasília
Brasília foi construída com base num minucioso planejamento urbano. Apesar disso, o Distrito Federal, onde está a capital brasileira, sofre um crescimento desordenado da área urbana, que inclui não apenas a cidade propriamente dita, mas também seu entorno.

Apesar de planejados, Brasília e Distrito Federal apresentam-se como um quadro-resumo da realidade de países em desenvolvimento. O inchaço da mancha urbana é uma dessas características marcantes. O plano de instalação da capital previa uma população de 500 mil habitantes no ano 2000, mas esse número já superou os dois milhões, criando sérios problemas urbanos.

A periferização é um desses problemas. Diariamente chega ao Distrito Federal um grande contingente de população buscando benefícios da política de assentamentos oficial, o que levou ao aparecimento de diversas cidades nos últimos anos. Essas novas cidades seriam um indicativo da tentativa de erradicação de invasões existentes no Distrito Federal, mas acabaram gerando favelização do território.

Como efeitos imediatos dessa política, aparecem a pobreza e a violência urbanas centralizadas nas “vilas miséria”. Mas essa situação não é sentida tão intensamente em Brasília quanto em outros centros urbanos, em razão da estratégia de afastamento dos bolsões de miséria em relação às áreas centrais, como o Plano Piloto, onde vive a população de média e alta rendas. Os pobres estão confinados a zonas periféricas. De qualquer maneira, o aumento da favelização já afeta a população residente nos espaços centrais. Como se não bastasse, o inchaço da malha urbana do Distrito Federal já tem previsão de acomodar em 2015, segundo fontes do BID, uma população acima de 6,6 milhões. É importante salientar que a relação entre migrantes e brasilienses natos no crescimento populacional é da ordem de 60% para 40%, respectivamente.

(Adaptado de: Scientific American Brasil, jan. 2003, p. 55-56.)
09 - Com base no texto, é correto afirmar:
*) Periferização foi a estratégia adotada pelo governo do Distrito Federal para administrar o inchaço da mancha urbana.

-) Com a periferização, o governo de Brasília está conseguindo evitar que a favelização atinja a população de regiões centrais, como o Plano Piloto.

-) O inchaço da malha urbana é resultado da política de favelização adotada pelo governo do Distrito Federal.

-) O governo do Distrito Federal já tem a solução para acomodar, em 2015, uma população acima de 6,6 milhões de habitantes.

-) A favelização dos espaços centrais levou os pobres ao confinamento nas zonas periféricas.
As questões discursivas D e E referem-se ao texto a seguir.
Londres
Londres já tinha meio milhão de habitantes em 1660, numa época em que a segunda maior cidade, Bristol, contava cerca de 30.000. De 1700 a 1820, a população chegou a 1.250.000. A centralização do poder político, a substituição do feudalismo por uma aristocracia rural e, em seguida, por uma burguesia rural, com todos os efeitos subseqüentes sobre a modernização da terra, o desenvolvimento extraordinário de um comércio mercantil: esses processos notáveis haviam ganhado um irresistível impulso no decorrer do tempo – uma concentração e uma demanda que alimentavam a si próprias. A cidade do século XIX, na Grã-Bretanha como em outros lugares, seria uma criação do capitalismo industrial. Em cada etapa, ela ia absorvendo áreas cada vez maiores do resto do país: os negociantes de gado trazendo animais do País de Gales ou da Escócia para abastecer a cidade de carne; grupos de moças vindas do norte de Gales para colher morangos; e – mais importante ainda do que essas viagens organizadas, ainda que extraordinárias – milhares em busca de trabalho ou de um esconderijo; gente que fugia de uma crise ou de uma vida rigorosa igualmente intolerável.
(WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade: na história e na literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 205.)



Q

UESTÃO DISCURSIVA

Tomando como base os dois textos acima, compare os motivos da expansão populacional de Londres no século XIX e de Brasília. Seu texto deve ter no máximo 10 linhas. NÃO lhe atribua título.


Valor da questão: 7 pontos. Os critérios de correção serão divulgados oportunamente.
A questão 10 e a questão discursiva E referem-se ao texto a seguir.
O campo e a cidade
“Campo” e “cidade” são palavras muito poderosas, e isso não é de se estranhar, se aquilatarmos o quanto elas representam na vivência das comunidades humanas. O termo inglês country pode significar tanto “país” quanto “campo”; the country pode ser toda a sociedade ou só sua parte rural. Na longa história das comunidades humanas, sempre esteve bem evidente esta ligação entre a terra da qual todos nós, direta ou indiretamente, extraímos nossa subsistência, e as realizações da sociedade humana. E uma dessas realizações é a cidade: a capital, a cidade grande, uma forma distinta de civilização.

Em torno das comunidades existentes, historicamente bastante variadas, cristalizaram-se e generalizaram-se atitudes emocionais poderosas. O campo passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e virtudes simples. À cidade associou-se a idéia de centro de realizações – de saber, comunicações, luz. Também constelaram-se poderosas associações negativas: a cidade como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de atraso, ignorância e limitação. O contraste entre campo e cidade, enquanto formas de vida fundamentais, remonta à Antigüidade clássica.

A realidade histórica, porém, é surpreendentemente variada. A “forma de vida campestre” engloba as mais diversas práticas – de caçadores, pastores, fazendeiros e empresários agroindustriais –, e sua organização varia da tribo ao feudo, do camponês e pequeno arrendatário à comuna rural, dos latifúndios e plantations às grandes empresas agroindustriais capitalistas e fazendas estatais. Também a cidade aparece sob numerosas formas: capital do Estado, centro administrativo, centro religioso, centro comercial, porto e armazém, base militar, pólo industrial. O que há em comum entre as cidades antigas e medievais e as metrópoles e conurbações modernas é o nome e, em parte, a função – mas não há em absoluto uma relação de identidade. Além disso, em nosso próprio mundo, entre os tradicionais extremos de campo e cidade existe uma ampla gama de concentrações humanas: subúrbio, cidade dormitório, favela, complexo industrial. (...)
(WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade: na história e na literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 11-12.)
10 - Segundo o texto, é correto afirmar:
*) Práticas historicamente constituídas em torno do campo e da cidade contrapõem-se a avaliações cristalizadas, de origem emocional, que se associam a esses espaços.

-) Subúrbios e favelas comprovam que o limite entre cidade e campo é bem definido.

-) As mais diferentes comunidades campestres constituídas no decorrer da história reafirmam a visão do campo como lugar de atraso e ignorância.

-) Na Antigüidade Clássica ainda não havia uma diferenciação entre vida urbana e vida rural.

-) Latifúndios, empresas agroindustriais capitalistas e fazendas estatais evidenciam as avaliações do senso comum em relação ao campo.
As charges a seguir referem-se à questão discursiva E.






2

1



Q

UESTÃO DISCURSIVA

Considere os subsídios apresentados nas charges de Millôr e nos textos “Brasília”, “Londres” e “O campo e a cidade”.


Escreva um texto em prosa, de 17 a 20 linhas, que aborde a organização da vida urbana. Você pode tomar a sua cidade como referência. Seu texto deverá contemplar pelo menos um dos seguintes tópicos:


  • Ocupação do espaço urbano.

  • Infra-estrutura para a população na cidade.

  • Qualidade de vida.

  • Acesso a bens culturais.

  • Verticalização da arquitetura urbana.


Você deverá observar as seguintes orientações:


  • Fazer uso de informações ou posicionamentos fornecidos nos textos e charges de referência (à sua escolha).

  • Manifestar de forma clara seu posicionamento pessoal diante do assunto.

  • Dar um título ao seu texto.

Título

Valor da questão: 12 pontos. Os critérios de correção serão divulgados oportunamente.

Limite mínimo






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