Processo seletivo 2006



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PROCESSO SELETIVO 2006

O texto a seguir é referência para as questões 01 a 04.


No Limite
Em princípio, o telespectador típico, quando liga o aparelho de TV, está em busca de recreação, uma esfera tradicionalmente mais afeita ao domínio da ficção do que do real. Nem poderia ser de outra forma. A realidade é, no mais das vezes, aborrecida, sem ritmo ou então desmedidamente cruel, arrasadora. Não há romance possível na queda de um avião que não deixe sobreviventes.

No geral, a novela é infinitamente mais interessante que o mundo real, não importando muito aqui o significado de “real”. É verdade que a arte imita a vida, mas o faz melhorando-a, tornando-a mais romanesca, mais humana.

Vale lembrar que “recreação” vem do verbo latino “recreo”, que significa “criar de novo”, “renovar”. Quando em referência ao corpo ou à mente, “recreo” tem o sentido de “recobrar-se”, “convalescer”, “estimular” e, daí, “divertir-se”. Assim, a diversão, que tem poderes curativos, é essencialmente algo recriado, algo aperfeiçoado pelo engenho humano.

O paradoxo dos “reality shows”, contudo, não está num suposto desvio das funções recreativas da TV. Na verdade, chamar qualquer coisa exibida na TV de “reality show” é uma impostura, uma tremenda de uma mentira.

Não estou afirmando que até o noticiário televisivo seja necessariamente falso, embora, num sentido mais amplo, essa interpretação seja cabível, e não só para a TV. Quero dizer que o que é chamado de realidade em “No Limite” ou qualquer outro programa do gênero tem muito pouco de realidade. Os personagens se dirigem à câmera de um modo sem paralelo no mundo real. A câmera se torna personagem, um interlocutor que não existe de verdade. Os protagonistas fazem diante das lentes coisas que não fariam em circunstâncias normais. Cria-se uma situação em que é impossível “observar” sem, ao fazê-lo, alterar o observado.

Nem mesmo para o telespectador o “reality show” guarda realismo. Para começar, as imagens são todas devidamente editadas. E é exclusivamente nessa edição que a história é contada. Não existe uma narrativa natural, um ponto de vista absoluto. A temporalidade da ação também é totalmente alterada. É fácil imaginar o quão maçante seria um “No Limite” em tempo real, em que cada segundo transcorrido na chapada fosse levado sem edição à casa do telespectador. As várias câmeras necessárias para contar integralmente as histórias de todos os personagens exigiriam um tempo de transmissão equivalente às 24 horas do dia multiplicadas pelo total de dias e pelo número de participantes. Seria uma programação que irritaria até faquires pacifistas em coma profundo.

Realidade na TV é uma impossibilidade teórica. Mesmo eventos sobre os quais a câmera em princípio não atua, como uma partida de futebol, têm sua narrativa definida pelas câmeras e pelo editor, de modo não-natural. [...]

Num certo sentido, quando um “reality show” se proclama “real”, está tentando dizer que é uma ficção de outra ordem, uma representação que permanece representação, mas que tem a pretensão de ser uma ficção menos fictícia do que, digamos, a novela.

Parece haver aí uma tentativa de aproximar o mundo da TV do telespectador. A ação que de fato transcorre num “No Limite” é pífia. Em termos objetivos, os eventos não passam de uma gincana de adolescentes – e adolescentes particularmente imbecilizados, acrescente-se. O que seduz no programa não é, portanto, seu conteúdo propriamente dito, mas o fato de ser protagonizado por gente “de verdade” e não artistas. É notável que os participantes, ao serem escolhidos, já se tornam astros, esvaziando um pouco a proposta de levar gente normal à tela. O programa passa a operar como loteria. Pessoas comuns obtêm a chance de se tornar astros. Há o prêmio em dinheiro, a fama rápida, a possibilidade de posar para revistas masculinas, femininas ou gays – mais dinheiro.

Todo o processo lembra um pouco o poeminha “Do Rigor na Ciência”, de Jorge Luis Borges, em que o escritor argentino conta a história do Império que levou a arte da cartografia à perfeição. O mapa de uma Província era tão detalhado que tinha o tamanho de uma cidade. O mapa do Império ocupava uma Província. O Colégio de Cartógrafos, contudo, achou que era pouco. Fizeram um mapa do Império que tinha o tamanho do Império e coincidia com ele ponto a ponto. As gerações seguintes, menos viciadas no estudo da cartografia, entenderam que um mapa assim era inútil. Deixaram-no ser destruído pelas inclemências do sol e dos invernos.

“No Limite, 1, 2 ou 3” é um programa meio chatinho, mas um excelente problema filosófico.
(Adaptado de: SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de S.Paulo, 18 fev. 2001.)
01 - Considere os seguintes trechos selecionados do texto:
I. Os personagens se dirigem à câmera de um modo sem paralelo no mundo real. A câmera se torna personagem, um interlocutor que não existe de verdade. Os protagonistas fazem diante das lentes coisas que não fariam em circunstâncias normais.

II. Para começar, as imagens são todas devidamente editadas. E é exclusivamente nessa edição que a história é contada.

III. Não há romance possível na queda de um avião que não deixe sobreviventes.

IV. A ação que de fato transcorre num ‘No Limite’ é pífia. Em termos objetivos, os eventos não passam de uma gincana de adolescentes – e adolescentes particularmente imbecilizados, acrescente-se.


Os trechos que poderiam ser usados para justificar a afirmação do autor de que “realidade na TV é uma impossibilidade teórica”, no sentido sugerido no texto, são:
*) I e II somente.

-) I e III somente.

-) II e IV somente.

-) II e III somente.

-) III e IV somente.
02 - Segundo o texto, é correto afirmar:
*) Fazer algo para recrear implica recriar a realidade, e a TV é um bom exemplo disso.

-) Os noticiários são os únicos programas em que não há interferência ou recriação, pois refletem a realidade tal e qual.

-) Os “reality shows” diferem dos demais programas televisivos porque conseguem fazer da realidade algo atraente.

-) Os adolescentes são mais afeitos a programas imbecis – por isso o sucesso dos “reality shows”.

-) Os “reality shows” fariam mais sucesso se fossem protagonizados por artistas verdadeiros.
03 - Que alternativa resume o paradoxo dos “reality shows” a que o autor se refere?
*) Criados para mostrar a realidade ao vivo, os “reality shows” são um exemplo indubitável de ficção.

-) Como todo programa televisivo, os “reality shows” são feitos tendo em vista o objetivo da recreação.

-) Os “reality shows” perdem em interesse para as novelas, porque, ao fugir da realidade, elas são menos aborrecidas.

-) É um programa criado para ser protagonizado por pessoas comuns, que não sabem se apresentar diante das câmeras.

-) Não há conteúdo propriamente dito no programa, mas eventos que não passam de gincana de adolescentes.
04 - Acerca da comparação que Schwartsman estabeleceu entre o poema de Borges e os “reality shows”, considere as seguintes afirmativas:
I. Ao mapa do poema de Borges resta a impossibilidade de representação do real.

II. Aos “reality shows” resta a impossibilidade de representação do real.

III. Ao mapa do poema de Borges resta a impossibilidade de apresentação fiel do real.

IV. Aos “reality shows” resta a impossibilidade de apresentação fiel do real.


Assinale a alternativa correta.
*) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.

-) Somente a afirmativa I é verdadeira.

-) Somente a afirmativa II é verdadeira.

-) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.

-) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.


Q

UESTÃO DISCURSIVA

Escreva no mínimo 8 (oito) e no máximo 12 (doze) linhas dando continuidade ao trecho abaixo, de maneira que a continuação e a conclusão propostas por você formem, com a introdução, um todo coerente.


Os programas do tipo “reality shows” parecem ter vindo para ficar, pois a cada ano surgem novas versões que continuam atingindo picos de audiência, como as várias edições do Big Brother Brasil. O ingresso do indivíduo comum e de sua realidade banal no domínio da mídia de massa tem sido alvo de diferentes posicionamentos sobre o fenômeno que se tornou conhecido como espetacularização da vida cotidiana.

Esses programas provocam reações bastante antagônicas nos telespectadores. De um lado, ________________________


Limite mínimo

O texto a seguir é referência para as questões 05 a 07.


Eugenia
A eugenia surgiu sob o impacto da publicação, em 1859, de um livro que mudaria para sempre o pensamento ocidental: A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Darwin mostrou que as espécies não são imutáveis, mas evoluem gradualmente a partir de um antepassado comum à medida que os indivíduos mais aptos vivem mais e deixam mais descendentes. Pela primeira vez, o destino do mundo estava nas mãos da natureza, e não nas de Deus.

Darwin restringiu sua teoria ao mundo natural, mas outros pensadores a adaptaram – de um jeito meio torto – às sociedades humanas. O mais destacado entre eles foi o matemático inglês Francis Galton, primo de Darwin. Em 1865, ele postulou que a hereditariedade transmitia características mentais – o que faz sentido. Mas algumas idéias de Galton eram bem mais esquisitas. Por exemplo, ele dizia que, se os membros das melhores famílias se casassem com parceiros escolhidos, poderiam gerar uma raça de homens mais capazes. A partir das palavras gregas para “bem” e “nascer”, Galton criou o termo “eugenia” para batizar essa nova teoria.

Galton se inspirou nas obras então recém-descobertas de Gregor Mendel, um monge checo morto 12 anos antes que passaria à história como fundador da genética. Ao cruzar pés de ervilhas, Mendel havia identificado características que governavam a reprodução, chamando-as de dominantes e recessivas. Quando ervilhas de casca enrugada cruzam com as de casca lisa, o descendente tende a ter casca enrugada, pois esse gene é dominante.

Os eugenistas viram na genética o argumento para justificar seu racismo. Eles interpretaram as experiências de Mendel assim: casca enrugada é uma degeneração (hoje sabe-se que estavam errados – tratava-se apenas de uma variação genética, algo ótimo para a sobrevivência). Misturar genes bons com “degenerados”, para eles, estragaria a linhagem. Para evitar isso, só mantendo a raça “pura” – e aí eles não estavam mais falando de ervilhas. O eugenista Madison Grant, do Museu Americano de História Natural, advertia em 1916: “O cruzamento entre um branco e um índio faz um índio, entre um branco e um negro faz um negro, entre um branco e um hindu faz um hindu, entre qualquer raça européia e um judeu faz um judeu”.

As idéias eugenistas fizeram sucesso entre as elites intelectuais de boa parte do Ocidente, inclusive as brasileiras. Mas houve um país em que elas se desenvolveram primeiro, e não foi a Alemanha: foram os EUA. Não tardou até que os eugenistas de lá começassem a querer transformar suas teorias em políticas públicas. “Em suas mentes, as futuras gerações dos geneticamente incapazes deveriam ser eliminadas”, diz o jornalista americano Edwin Black, autor de A Guerra contra os Fracos. A miscigenação deveria ser proibida.

(Adaptado da revista Superinteressante, jul. 2005.)


05 - Segundo o texto, é correto afirmar:
*) Tanto a teoria de Darwin como as experiências genéticas de Mendel são impróprias para subsidiar aqueles que buscaram na ciência o respaldo para a discriminação de grupos humanos.

-) A eugenia foi uma reação à obra de Darwin A Origem das Espécies: enquanto esta defende o cruzamento de raças, a eugenia se opõe a essa prática.

-) Madison Grant consolidou a teoria de Mendel ao comprovar que há espécies dominantes.

-) Segundo Black, as primeiras propostas eugenistas norte-americanas partiram de um trabalho educacional que procurava eliminar das mentes das pessoas as lembranças das gerações dos geneticamente incapazes.

-) Alguns pensadores perceberam que os resultados das experiências de Mendel estavam errados quanto aos genes dominantes e criaram a teoria eugenista para corrigir as distorções constatadas.

06 - A respeito da afirmação de Madison Grant citada no texto, assinale a alternativa correta.


*) O índio, o negro, o hindu e o judeu, para Grant, são equivalentes à ervilha de casca enrugada.

-) As combinações ideais para se obter a raça pura são o cruzamento do branco com índio, do branco com negro, do branco com hindu e das raças européias com judeu.

-) Grant defende a eugenia com base no pressuposto de que o índio, o negro, o hindu e o judeu são raças imutáveis.

-) Grant faz uma advertência aos seus contemporâneos, pois teme a adesão em massa às propostas eugenistas.

-) Com a sua afirmação, Grant mostra como aproveitar as experiências de Mendel para se obter uma boa linhagem entre os seres humanos.

07 - Ao definir eugenia e situar historicamente o surgimento desse conceito, o autor do texto publicado na revista Superinteressante também avalia as afirmações dos eugenistas. Assinale a alternativa que NÃO comporta uma avaliação das idéias eugenistas.


*) A partir das palavras gregas para “bem” e “nascer”, Galton criou o termo “eugenia” para batizar essa nova teoria.

-) Os eugenistas viram na genética o argumento para justificar seu racismo.

-) Darwin restringiu sua teoria ao mundo natural, mas outros pensadores a adaptaram – de um jeito meio torto – às sociedades humanas.

-) Em 1865, ele postulou que a hereditariedade transmitia características mentais – o que faz sentido.

-) Algumas idéias de Galton eram bem mais esquisitas.


Q

UESTÃO DISCURSIVA

“As idéias eugenistas fizeram sucesso entre as elites intelectuais de boa parte do Ocidente, inclusive as brasileiras. Mas houve um país em que elas se desenvolveram primeiro, e não foi a Alemanha: foram os EUA.”


Ao dizer “e não foi a Alemanha”, o autor do texto se antecipa a uma possível conclusão do leitor. Utilizando de 4 (quatro) a 5 (cinco) linhas, apresente o fato que levaria o leitor a pensar assim e explique a relação desse fato com o tema exposto no texto Eugenia.

Limite mínimo







QUESTÃO DISCURSIVA



Observe a relação entre os dados e a conclusão no quadro abaixo.






Diminui um pouco o abismo entre negros e brancos
















A diferença entre a renda da população branca e a da negra caiu, no geral, 4% dos anos 90 para cá. A constatação é do economista Maurício Cortez Reis, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou a evolução dos dados populacionais desse período.
















Em 1990, a renda dos brancos com idade entre 24 e 26 anos era 62% maior do que a dos negros. Hoje, a diferença é de 55%.

Em 1990, a renda dos brancos com idade entre 36 e 38 anos era 81% maior do que a dos negros. Hoje, a diferença é de 68%.

Em 1990, a renda dos brancos com idade entre 48 e 50 anos era 130% maior do que a dos negros. Hoje, essa diferença é de 90%.

Embora ainda seja brutal, a diferença de renda entre brancos e negros é menor entre os jovens. É sinal de que os negros estão chegando ao mercado de trabalho mais bem preparados e ocupando melhores postos.



(Veja, 21 set. 2005.)
A conclusão da revista Veja é apenas uma das possibilidades de análise dos dados sobre a relação entre a renda de brancos e negros em 1990 e 2005. Elabore uma conclusão compatível com os dados e diferente da formulada pela revista. Apresente-a em um texto de 4 (quatro) a 5 (cinco) linhas.

Limite mínimo







QUESTÃO DISCURSIVA



Faça um resumo do texto abaixo, com 12 (doze) linhas, no máximo.
Definindo teoria
A palavra "teoria" vem aparecendo bastante na mídia, em parte devido ao debate entre criacionismo e ciência. Existem usos diferentes do termo, que acabam criando confusão. No seu uso popular, o termo descreve um corpo de idéias ainda incerto, baseado em especulações não demonstradas. Teoria, para muitos, significa um corpo de hipóteses esperando ainda por confirmação. Às vezes, o uso popular do termo distancia-se ainda mais do científico, significando idéias que são meio absurdas, fora da realidade: "Ah, esse cara sempre foi um inventor de teorias, não sabe do que está falando", ou "isso aí não passa de uma teoria, provavelmente é besteira".

Teoria em ciência significa algo completamente diferente. O termo mais apropriado para uma idéia de caráter especulativo é hipótese, e não teoria. Uma hipótese é justamente uma suposição ainda não provada, aceita provisoriamente como base para investigações futuras. Por exemplo, a panspermia é uma hipótese que sugere que a vida na Terra veio de outras partes do cosmo. Não sabemos se está certa ou errada, mas podemos tentar comprová-la ou refutá-la. Já uma teoria consiste na formulação de relações ou princípios descrevendo fenômenos observados que já foi verificada, ao menos em parte. Ou seja, uma teoria não é mais uma mera hipótese, tendo já passado por testes que confirmam suas premissas.

Quando cientistas falam de uma teoria, falam de um corpo de idéias aceitas pela comunidade científica como descrições adequadas para fenômenos observados. A confirmação é por meio de observações e experimentos, o que cientistas chamam de método de validação empírica. Quanto mais sucesso tem uma teoria, maior o número de fenômenos que pode descrever. Quanto mais elegante, mais simples é.

Uma teoria de enorme sucesso em física é a teoria da gravitação universal de Newton. Ao propor que objetos com massa exercem uma força de atração mútua cuja intensidade cai com o inverso do quadrado da distância entre as massas, Newton e seus sucessores foram capazes de explicar as órbitas planetárias em torno do Sol, o fenômeno das marés, a forma oblata da Terra (achatada nos pólos), o movimento de projéteis na Terra e no espaço etc. Quando a Nasa lança um foguete da Terra ou o faz colidir com um cometa, a teoria usada no planejamento das missões é a de Newton. Testes em laboratórios e observações astronômicas mostram que a teoria funciona extremamente bem em distâncias que variam de décimos de milímetros até milhões de trilhões de quilômetros, a escala em que galáxias formam aglomerados atraídas por sua gravidade mútua.

Isso não significa que a teoria (ou qualquer outra) seja perfeita. Sabemos que ela deixa de ser válida quando objetos estão muito próximos de estrelas como o Sol. Correções são necessárias, no caso fornecidas pela teoria da relatividade geral de Einstein, que, em 1916, generalizou a teoria de Newton. O fato de teorias não serem perfeitas é fundamental para o progresso da ciência. Caso contrário, não nos restaria nada a fazer. E é justamente aqui o lugar da hipótese em ciência, tentando, através de idéias ainda não demonstradas, alavancar o conhecimento, desenvolver ainda mais nossas teorias. Para construir a teoria da relatividade, Einstein supôs que a velocidade da luz é sempre constante e que a matéria curva o espaço. Quando isso foi confirmado, a formulação ganhou o título de teoria. A pesquisa agora gira em torno dos limites dessa teoria e de como pode ser melhorada.

(GLEISER, Marcelo. Folha de S. Paulo, Mais!, 02 out. 2005.)

O “Glossário” abaixo e o texto “A polêmica na sala de aula” são referência para as questões 08 a 10.
Glossário
Darwinismo – é o conjunto de teorias sobre a origem e a evolução dos seres vivos sintetizadas na década de 1940 e que derivaram dos trabalhos dos britânicos Alfred Russel Wallace e Charles Darwin, em especial do livro “A origem das espécies”, publicado por Darwin em 1859. Seus principais pontos são a idéia da seleção natural, ou seja, a produção aleatória de variabilidade genética numa população aliada à sobrevivência diferencial de certos indivíduos portadores de variações (mutações) favoráveis; o gradualismo na maior parte dessas mudanças; e a idéia de que todos os organismos da Terra descendem de um ancestral comum.
Criacionismo – movimento que defende que a narrativa da criação do livro bíblico do Gênese reflete exatamente os eventos que levaram ao surgimento da Terra e do Universo. Rejeita a escala de tempo cosmológica e geológica, argumentando que o Deus bíblico criou o cosmo em poucos dias e que a Terra não tem mais que poucos milhares de anos de idade. Explica as extinções pelo dilúvio da Bíblia.
Design inteligente – afirma ser uma corrente científica, que não segue determinação religiosa. Argumenta que grande parte das estruturas biológicas são complexas demais para terem surgido de acordo com o modelo darwinista de acúmulo gradual de modificações aleatórias. Ao criticar o que considera “buracos” na teoria evolutiva, como o súbito aparecimento de formas de vida espantosamente variadas no Período Cambriano, vê a necessidade de um “designer”, um projetista inteligente. Esse ser não é identificado pela corrente.

(Folha de S. Paulo, 30 jan. 2005.)


A polêmica na sala de aula
No dia primeiro de agosto deste ano, o presidente americano George W. Bush anunciou no Texas que todas as escolas públicas do país deveriam ensinar a teoria do Design Inteligente (DI) nas aulas de ciências, paralelamente ao evolucionismo de Darwin, apresentado ao mundo em 1859, na obra “A Origem das Espécies”. Sem revelar suas crenças sobre as origens da vida, mas assumidamente cristão, Bush acrescentou que todos devem ser expostos a diferentes idéias, mas acabou atiçando a fogueira sobre a inclusão do criacionismo no currículo escolar americano. Sabe-se que conservadores cristãos representam grande parte dos eleitores de Bush e que eles têm forçado cada vez mais o ensino do Design Inteligente nas salas de aula do país.

Uma das razões deste interesse é pelo fato de a nova teoria deixar em aberto a questão de quem seria a entidade superior que criou todas as espécies da Terra – para os defensores enraizados nas escolas americanas, tal entidade seria, implicitamente, o Deus cristão. O problema, dizem os críticos, é que o foco na sala de aula pode passar das ciências para a religião.

Quem sustenta essa idéia tem encontrado resistência de cientistas, para quem o DI não passa de uma forma de colocar religião no caminho da ciência. “Não sei qual a razão pela qual o presidente Bush está endossando esta idéia”, diz Casey Luskin, co-presidente da Idea, uma organização de San Diego, na Califórnia, que estimula clubes de estudos de ciências nas escolas e universidades. “Defendemos o DI como ciência e não como ponto de vista religioso. Este é um assunto que deve ser debatido e explorado por cientistas, e não por conselhos escolares”, continua. Luskin acrescenta que o DI não deve ser um assunto obrigatório nas escolas, contudo diz que não vê problema algum em professores abordarem a questão. “A única coisa que não queríamos era que esta fosse uma discussão política. Nossos críticos estão nos confundindo com defensores religiosos, mas somos cientistas”, lamenta.

Ainda assim, algumas escolas já adotaram a matéria em seus currículos. O pontapé inicial foi dado em outubro de 2004 pelo conselho do distrito escolar de Dover, na Pensilvânia. [...] No site de uma escola desse distrito lê-se que “as crianças terão conhecimento sobre as falhas e os problemas da teoria de Darwin e de outras teorias evolucionistas, incluindo, não de forma exclusiva, o Design Inteligente. A teoria de Darwin continua no papel, ainda está em teste enquanto novas evidências são descobertas. Uma teoria não é um fato”. Além disso, um livro intitulado “De Pandas e Pessoas” está disponível aos alunos, para que possam se familiarizar com o DI. Segundo a instituição de ensino, a intenção é que haja discussão sobre a origem da vida entre estudantes e seus familiares.

Além da Pensilvânia, tentativas de incluir a visão bíblica nas aulas de ciências têm começado a pipocar em outros estados. Em Grantsburg, Wisconsin, o currículo de ciências passou a acomodar vários modelos e teorias de evolução. Em Cobb, uma cidadezinha da Georgia, uma escola passou a obrigar livros de ciência a serem distribuídos com um adesivo na capa dizendo que os conceitos formulados por Darwin não passam de uma “teoria”. Esta idéia é contestada por Charles Haynes, diretor de educação do First Amendment [...]. “Para muitos, a palavra teoria pode não soar como séria ou com alguma substância. Mas ela é muito usada no mundo das ciências”, diz ele. “A discussão que envolve o DI, na verdade, gira em torno de uma questão político-religiosa em todas as comunidades envolvidas”, analisa. Ele afirma que, no fundo, as pessoas não fazem idéia das diferenças entre ciência e educação científica.
(Adaptado de Galileu, out. 2005)
08 - O “Glossário” publicado pela Folha de S. Paulo apresenta três conceitos fundamentais para a compreensão do texto “A polêmica na sala de aula”: darwinismo, criacionismo e design inteligente. Ao expor esses conceitos, o jornalista:
*) Indica que, entre as teorias apresentadas, só o darwinismo tem fundamentação teórica.

-) Assume uma postura de neutralidade para não influenciar no posicionamento dos leitores.

-) Enfatiza a cientificidade e o poder explicativo do design inteligente.

-) Questiona as explicações darwinistas para a origem e evolução dos seres vivos.

-) Apresenta o design inteligente como uma versão moderna do criacionismo.
09 - Segundo o texto, é correto afirmar:
*) Para cientistas que se opõem à proposta de Bush, o design inteligente é uma nova versão do criacionismo, e sua inclusão nos currículos poderia transformar as aulas de ciências em discussões religiosas.

-) As lideranças religiosas se opõem ao ensino do design inteligente, por sua incompatibilidade com os pressupostos do criacionismo.

-) A declaração de George W. Bush provocou uma reação dos conservadores cristãos, que defendem a exclusão da teoria de Darwin dos currículos escolares.

-) Os defensores do evolucionismo de Darwin têm receio do confronto com o design inteligente, que poderia resultar na exposição das falhas e redução do poder explicativo daquela teoria.

-) O fato de a teoria do design inteligente deixar em aberto a questão de quem seria o ser superior responsável pela criação geraria controvérsias entre os representantes de diferentes linhas religiosas.

10 - Segundo o texto A polêmica na sala de aula, a referida polêmica resulta de uma intromissão:


*) dos educadores na esfera da ciência.

-) dos cientistas na esfera da religião.

-) dos educadores na esfera da política.

-) dos cientistas na esfera do ensino.

-) dos políticos na esfera da ciência.





QUESTÃO DISCURSIVA



A charge acima foi publicada no jornal Folha de S. Paulo no dia 26/11/2005. Faça uma interpretação dessa charge em um texto de 15 (quinze) a 20 (vinte) linhas. Seu texto deve contemplar, não necessariamente nesta ordem:


 uma apresentação do contexto político-social em que a charge foi divulgada;

 a identificação das pessoas ou grupos que poderiam ser os autores das mensagens veiculadas pelo outdoor (“Mais de 3 milhões de empregos”) e pelo cartaz (“Você está demitido”);

 a identificação dos destinatários de cada uma dessas mensagens;

 comentário sobre as estratégias textuais do autor da charge para cumprir suas intenções.


Limite mínimo




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