Procurando você a scandalous Marriage



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PROCURANDO VOCÊ

A Scandalous Marriage

Miranda Lee



— Não —, ele gemeu, enquanto a carregava para fora da cozinha, indo para o quarto. — Não é isto que quero. Eu só quero você, Natalie.

Natalie não disse uma palavra, enquanto ele a levava para o quarto. Estava ocupada demais lutando com esperanças fúteis que as palavras apaixonadas dele a fizeram ter.

Porque, realmente, ele não a queria, queria? Não para sempre.

Mas, por enquanto era excitante, pensou, enquanto ele a colocava na cama.

Aproveite, Natalie.

Quem sabe o que poderia acontecer no futuro?


Digitalização : Ana Cris

Revisão: Crysty

Cara leitora.

Natalie e Mike nunca imaginariam que uma "brincadeira" pu­desse virar amor.

Ao visitar uma agência de casamentos em busca de uma espo­sa, Mike acaba propondo a Natalie, dona da agência, que se case com ele, apenas para que consiga fechar um acordo comercial de bilhões.

Aquilo que começou sem nenhuma pretensão acabou tomando proporções nunca antes sonhada, pelos dois!


CAPÍTULO UM

Mike permaneceu sombrio no trajeto do táxi de Mascot para o seu apartamento, em Glebe, insatisfeito com o resultado de sua via­gem de negócios aos Estados Unidos e com sua decisão impul­siva.

Mas era tarde demais para mudar de idéia. Estava preso. Em casa, tirou o terno italiano, comprado especialmente para a reunião com Helsinger, e foi para o banheiro. Depois de tomar ba­nho e fazer a barba, vestiu jeans e uma camiseta, indo preparar um café da manhã decente. O do avião não o apetecera.

Mike comeu ovos com bacon na varanda coberta de sol e com uma linda vista do porto da cidade.

A varanda fora um dos motivos para Mike comprar o aparta­mento. A água o relaxava, descobriu. Gostava de sentar lá à noite, depois de um longo dia de trabalho no computador, bebericando uísque, enquanto a água distraía e acalmava sua mente. No entanto, agora nada o acalmava.

Comeu depressa, antes de ir para a cidade encontrar seu melhor amigo — e banqueiro. Pensou em qual seria a reação de Richard. Mike suspeitava que ele apoiaria a sua decisão pouco conven­cional. Richard podia parecer conservador, mas no fundo não era. Não se pode ser CEO (Chief Executive Offícer — Presidente em exercício) de um banco internacional antes dos 40 anos sendo hu­milde e dócil. Richard tinha o seu lado implacável, especialmente para fazer dinheiro. E, louco como o esquema de Mike podia pa­recer, se desse certo, tornaria ambos homens muito ricos.

Cinco minutos depois, Mike vestiu sua jaqueta preferida, de couro preto, e saiu. Após meia hora, estava sentado no escritório de Richard.

— Como "não viu Helsinger"? — O tom de Richard era con­fuso. — Pensei que tinha marcado a reunião antes de partir de

Sydney.

— Infelizmente, Chuck teve que sair da cidade no dia em que cheguei a Los Angeles. Deixou desculpas. Uma emergência fami­liar.



— Inferno, Mike. Foi má sorte.

— Com certeza. Encontrei o diretor-gerente dele. Ele me ga­rantiu que a Comproware está muito interessada em meu novo programa de antivírus e anti-spyware.

— Com certeza estão. — falou Richard secamente. — É bri­lhante.

Mike concordava com Richard. Era brilhante, especialmente por poder rastrear a origem do vírus — ou espião — e contra-ata­car sozinho. Desde que começara a trabalhar na montagem do pro­grama, Mike soubera que a sua modesta e relativamente pequena empresa de software, na Austrália, não tinha força suficiente para fazer justiça ao produto. Precisava de uma empresa internacional, com política de marketing capaz de lançá-lo mundialmente.

Depois de fazer uma busca atenta, encontrara a Comproware, uma empresa de software americana, relativamente nova, com um ótimo apelo no mercado e também a reputação de oferecer gene­rosos contratos a criadores de novos programas e jogos, pagando royalties ao invés de uma quantia fixa.

Após algumas negociações não muito bem-sucedidas pela In­ternet e por telefone, Mike voara para o escritório central da Com­proware na América, para conhecer pessoalmente o dono. Duran­te os dois dias de estada, esperava conseguir de Helsinger um con­trato. Certamente, não contava com o que tinha acontecido.

— Não consegui um contrato — admitiu. — No entanto, o que obtive foi a oferta de uma possível sociedade.

— Sociedade! — exclamou Richard, excitado. — Com Chuck Helsinger? Você deve estar brincando. Aquele homem é uma lenda no varejo. Tudo o que toca, vira ouro. Uma sociedade com ele vale milhões.

— Na verdade, Rich, bilhões. Se eu puder fechar esse acordo, os seus 15 por cento da minha pequena empresa tornarão você ain­da mais rico do que já é. Reece também vai gostar muito dos 15 por cento dele.

E os meus setenta por cento significam que poderei fazer tudo o que sempre quis, Mike pensou, não pela primeira vez. Um clube de meninos em cada cidade, pequena ou grande, na Austrália. Muitos acampamentos de verão. E bolsas de estudo.

As possibilidades eram ilimitadas!

Se ele conseguisse a sociedade.

Satisfeito, Richard balançou a cabeça.

— Não posso acreditar. É incrível.

— Há um pequeno problema, mas posso dar um jeito. Imediatamente, Richard pareceu preocupado.

— Que problema?

— Chuck Helsinger tem uma regra rígida a respeito dos ho­mens com quem faz sociedade.

— Que regra?

— Eles precisam ser casados. Homens acomodados, com sóli­dos valores familiares.

— Está brincando.

— Não.


Richard gemeu. Depois, encostou na cadeira, as sobrancelhas escuras erguidas.

— E agora, como vai se arrumar?

— Já comecei. Imediatamente enviei um e-mail a Chuck, di­zendo que recentemente fiquei noivo de uma garota maravilhosa e que nos casaremos antes do Natal.

As sobrancelhas de Richard formaram um arco.

— Foi muito criativo, Mike, mas não acho que funcionará. Um homem como Chuck Helsinger, certamente investiga cuidadosa­mente qualquer sócio em perspectiva e logo descobrirá a mentira.

— Pensei nisso. Mas não será mentira por muito tempo.

— Significa que vai mesmo casar!

Mike entendeu o assombro do amigo. Afinal, ele era um conhe­cido solteirão. Muitas vezes, dissera a Richard que casamento nunca estaria em seus planos.

Mesmo assim, jamais previra um acordo com tal exigência. Às vezes, um homem precisa fazer o que tem de ser feito.

Em seus próprios termos, claro.

— Se eu quiser essa sociedade, terei que casar. Logo. Helsinger estará em Sydney no dia quatro de dezembro, para buscar um lu­xuoso iate construído aqui. É um presente de Natal para a família dele. Ele e a esposa querem que eu e minha nova esposa participe­mos de um cruzeiro de dois dias, nas águas de Sydney, para nos conhecer. Imagino que se eu passar a idéia de um feliz homem ca­sado, com sólidos valores familiares, a sociedade será minha.

— Bom Deus! — exclamou Richard.

— Veja, não pretendo ficar casado. Será apenas um acordo co­mercial, até que a sociedade seja sacramentada.

— Isso é um pouco de sangue-frio, não é, Mike? Mesmo para você.

Mike deu de ombros.

— Os fins justificam os meios. Afinal, que direito tem aquele velho hipócrita de insistir numa coisa tão ridícula? Ser casado nada tem a ver com um bom empresário. Sou a prova disso.

— Talvez, mas isso não o torna hipócrita.

— Eu mesmo fiz algumas investigações antes de escolher a Comproware, para conhecer os antecedentes profissionais e pes­soais do dono. Sabia que Chuck está na terceira esposa, uma mu­lher que tem uns 25 anos menos do que os setenta dele? Certo, eles estão casados há 16 anos e têm dois filhos. Mas isso o torna um homem decente, com valores familiares sólidos?

— Entendo o que diz — murmurou Richard.

— A esposa dele não deve ser muito melhor. Acredita que ela casou pelo charme dele? Lógico que não. Ficou gravitando em volta dele, como muitas mulheres com homens ricos. Você sabe como é, Rich. O dinheiro incentiva muito quando se trata de al­guns membros do sexo frágil. Como eu ficarei milionário, nunca sentirei falta de companhia feminina, nem terei problemas para encontrar uma esposa temporária. Precisarei apenas esfregar a quantia certa no narizinho da garota mercenária certa.

— Parece que pensou em alguém. Uma de suas ex-namoradas?

— Não. Nenhuma servirá. A última coisa que quero é complica­ção, ou conseqüências. Preciso de uma esposa que saiba exatamente o que quero, desde o início. Só aparência. Será um casamento ape­nas no nome, discretamente desfeito depois. Essa união não será consumada, tenha certeza! — Mike terminou, enfaticamente.

Ele estava cansado e enjoado de mulheres querendo envolvi­mento emocional, apesar dos avisos antecipados dele. No início, pareciam aceitar a regra de "apenas companhia e sexo", mas mu­davam depois que ele as levava algumas vezes para a cama. Mike não agüentava quando uma mulher começava a dizer que o ama­va. Primeiro, por não acreditar. As mulheres usavam aquelas três palavrinhas o tempo todo, para manipular homens. E tentar agar­rá-los.

Mal sabiam que dizer a Mike que o amavam significava o fim.

Por isso tinha tantas ex-namoradas. A última fora uma advoga­da, que pensara ser diferente. Mas não... logo ficara possessiva como todas as outras.

Por um tempo, Mike parará de ter encontros, simplesmente por não agüentar cenas. Ultimamente, passava seu tempo livre em tra­balhos de caridade. E fazendo mais ginástica.

— E onde você vai encontrar essa criatura super mercenária, Mike? Garotas não andam por aí com letreiros dizendo que se ca­sarão por dinheiro.

— Que memória curta você tem, Rich. Eu a encontrarei numa agência de encontros pela Internet. Você mesmo não experimen­tou Wives Wanted (Procura-se esposas) antes de conhecer Holly? E não confessou, sobre uma garrafa de uísque, que aquele serviço especial de encontros tinha montanhas de lindas garotas atrás de dinheiro?

Richard franziu o rosto.

— Certo, eu falei. Mas talvez eu as tenha julgado mal. Estava numa fase ruim quando conheci aquelas mulheres. Provavelmen­te, não eram tão más assim. Quero dizer, Reece encontrou Alanna usando aquela agência. Ninguém a chamaria de caça-dotes.

— Há sempre uma exceção à regra — falou Mike, lembrando da adorável e amorosa esposa de Reece. — Alanna é aquela exce­ção. Você ainda tem o telefone da Wives Wanted! Se não tiver, pedirei ao Reece.

— Eu o tenho em algum lugar.

Ele abriu uma gaveta, procurando numa pilha dê cartões. Mike estava decidido e quem poderia culpá-lo? Uma sociedade com Chuck Helsinger era uma oportunidade única na vida.

Mesmo assim...

Holly não acreditaria, quando ele contasse, à noite. Mike era o sujeito mais avesso ao casamento que eles conheciam. Contra o amor e contra mulheres.

Aquilo estava indo longe demais. Ele não era contra mulheres. Sempre tivera as mais belas ao seu lado. As mulheres pairavam em volta de Mike como abelhas no mel. Richard não sabia o mo­tivo, pois Mike não era exatamente belo. Holly dizia que era por­que ele era alto, escuro, de aparência perigosa.

Richard concordava que o aspecto másculo de Mike podia ser um fator favorável para o seu magnetismo.

Raramente usava temos, preferindo jeans e jaquetas de couro.

Pretas, como a de hoje.

De qualquer forma, Mike nunca ficava sem companhia femini­na. Felizmente, Holly não gostava do tipo, preferindo o seu estilo mais conservador, arrumado. Graças a Deus.

— Aqui está—entregou o cartão a Mike. — A mulher que cuida do negócio chama-se Natalie Fairlane. O nome e o telefone estão no verso. Ela o chamará para uma entrevista antes de combi­ná-lo com alguém. Nunca aceita um cliente pela Internet. Sugiro que não conte, de cara, o seu programa. A Srta. Fairlane leva mui­to a sério seu serviço de encontros. Outro pequeno aviso. As mu­lheres do banco de dados da Wives Wanted que eu conheci são to­das deslumbrantes. Pode ser interessante se você não escolher uma que seja linda demais. Caso contrário, ficará difícil para um homem como você manter suas mãos afastadas.

— O que quer dizer com um homem como eu?

— Você gosta de sexo, Mike. Não finja. Teve mais namoradas nos poucos anos em que o conheço do que as oscilações na bolsa. Creio que é esperto em não consumar esse casamento. Mas, será capaz de resistir à tentação? A verdade é que, durante o tempo em que estiver... "casado", você e sua nova esposa ficarão algum tempo juntos. Para começar, terão que compartilhar uma cabine no iate de Helsinger. Se ela for bonita demais, será difícil manter as mãos longe da mercadoria.

— Você me subestima, Rich. Posso bancar o celibatário, sem problema. — Há algumas semanas fazia isso. — Pelo dinheiro em jogo, poderia me transformar num monge, para sempre.

Richard não pareceu muito convencido.

— Se você diz. Não se esqueça do que eu disse sobre Natalie Fairlane. Cuidado com o que diz a ela.

— Acho que você é um pouco ingênuo quanto à dona da Wives Wanted. A Srta. Fairlane está no negócio de casamentos por di­nheiro, exatamente como 99 por cento de suas clientes femininas. Acene a quantia certa para ela e a velhota me arrumará a garota certa antes de você falar qualquer coisa.

Um sorriso vago passou pelos lábios de Richard enquanto olha­va Mike partir. Ele adoraria ser uma mosca quando seu amigo co­nhecesse a incrível Srta. Fairlane.

Mike podia estar certo sobre ela ser tão mercenária. Não a co­nhecia o bastante para julgar. Mas velhota não era.

CAPÍTULO DOIS

— Mãe, é terrível — disse Natalie. — Como você e o papai dei­xaram chegar a tal ponto?

Natalie já sabia a resposta. Seu pai sempre fora atraído pelos esquemas de fique-rico-rapidamente. Não era um jogador, nem gastava dinheiro em cassinos ou corridas de cavalo, mas era facil­mente convencido pelo tipo de investimento ou negócio que pare­cia bom demais para ser real. Geralmente não era.

Enquanto crescia, Natalie não percebera como ele era mau nego­ciante. Nunca lhe faltara nada. Como filha única, fora muito mima­da.

Só quando adulta, percebeu que seus pais viviam basicamente de crédito.

Por muito tempo, ela ajudara sua mãe no orçamento da casa — deslizando para as mãos dela cem dólares ou mais, sempre que se encontravam. Mas agora, parecia que as coisas tinham chegado ao limite. Seu pai não podia continuar nessa última aventura — uma franquia de cortador de gramas na qual ele pusera dinheiro em­prestado, de sua já afundada hipoteca, e que exigia um homem forte e jovem para tocar.

Seu pai era razoavelmente forte, aos 57 anos. No mês passado, caíra, quebrando o tornozelo. Lógico que não tinha qualquer seguro. Qual empresa de seguros o aceitaria?

O banco ameaçava retomar a casa se não pagassem a hipoteca, atrasada há meses. Natalie podia fazer os pagamentos por uns dois meses, só que havia muitos milhares de dólares atrasados.

Significando que, logo, eles não teriam dinheiro ou qualquer lugar para morar.

Natalie tremia ao pensamento deles morando com ela. Aos 34 anos, fazia tempo que gostava de viver sozinha.

Além daquilo, tinha o seu negócio em sua própria casa, de dois quartos e com varanda, usando um deles como escritório e a sala de estar do térreo como área de recepção e entrevistas. As coisas ficariam muito difíceis com mais dois adultos no lugar. Pobres.

— Não se preocupe, querida — falou sua mãe — vou conseguir um trabalho.

Natalie revirou os olhos. Sua mãe, como seu pai, era uma so­nhadora. Não tivera um emprego normal por mais de vinte anos, ocupada cuidando de seu tolo marido, com todos os seus esque­mas malucos. Além disso, era mais velha que seu pai.

Ninguém daria emprego a uma mulher de 59 anos, sem qualifi­cações.

— Não seja ridícula, mãe — falou Natalie, mais rispidamente do que pretendia. — Não é tão fácil conseguir trabalho em sua idade.

— Farei faxina. Seu pai imprimiu alguns anúncios naquele ve­lho computador e impressora que você deu a ele e eu os coloquei em cada caixa de correio da vizinhança.

Natalie queria chorar. Não era certo sua mãe virar faxineira na idade dela.

—Mãe, eu poderia conseguir uma segunda hipoteca nesta casa. O valor aumentou um pouco, desde que a comprei.

— Você não fará isso — disse a mãe, firmemente. — Ficare­mos bem. Não quero que se preocupe.

O som da campainha trouxe Natalie de volta.

— Mãe, posso ligar mais tarde? Tenho um cliente na porta. — O seu primeiro, em 15 dias. Os negócios na Wives Wanted tinham caído um pouco no último mês. Também não tinha quaisquer no­vas clientes. Talvez fosse hora de fazer outra série de anúncios em revistas. Poucos negócios sobreviviam apenas do boca a boca.

— Vai, querida. Ligue mais tarde.

— Ligarei, prometo. Natalie desligou rapidamente, abotoando o paletó do conjunto, enquanto levantava e ia para a porta.

Um rápido olhar no espelho do corredor, enquanto passava, ga­rantiu que parecia profissional. Seus espessos cabelos avermelha­dos estavam presos atrás, num coque francês. A maquiagem era mínima e suas jóias discretas. Apenas um estreito relógio e sim­ples brincos de argolas, ambos de ouro.

Só quando segurou a maçaneta, Natalie pensou como seria o Sr. Mike Stone.

Fora recomendado por Richard Crawford, um banqueiro que ti­nha sido cliente da Wives Wanted no início do ano. Mas suspeitava que o Sr. Stone não estava no negócio de banco. Pelo telefone não parecia um executivo. Parecia menos educado do que Richard Crawford e esperava que não fosse menos rico. A maioria de seus clientes era de homens bem situados, profissionais.

Mas, se o Sr. Mike Stone pagasse algumas centenas de dólares, ela procuraria uma esposa para ele, mesmo que fosse motorista de caminhão.

Bem, seria melhor se ele fosse um motorista de caminhão rico. Suas garotas não procuravam maridos da classe trabalhadora.

Abriu a porta, arregalando os olhos ao ver o homem à sua porta.

Nunca, durante os três anos em que dirigia a Wives Wanted, ti­vera um cliente assim.

Mike Stone parecia um soldado.

Não um soldado normal, Natalie pensou, enquanto seu olhar passava, do corpo impressionante ao rosto duro, olhos escuros e cabelos bem aparados.

Não possuía uma beleza clássica. Suas feições eram simétricas, o nariz, claramente fora quebrado um dia e sua boca parecia cruel.

No conjunto, Natalie o achou extremamente atraente.

Contendo um suspiro, assegurou-se de não demonstrar interesse.

Pelo que lembrava, sempre se sentira atraída por homens as­sim. Pouco convencionais, que pareciam perigosos, que a intriga­vam e excitavam.

Dez anos atrás, ficaria completamente apaixonada por este su­jeito.

— Srta. Fairlane? — Ele perguntou, a voz rude, grave, combi­nando com sua aparência.

— Sim — respondeu ela, insatisfeita por como seu coração ba­tia. E como ele a olhava de cima a baixo, a expressão surpresa. O que Richard Crawford dissera dela?

— Mike Stone — ele estendeu a mão.

Ela hesitou, antes de dar a mão, se enrijecendo para não reagir ao seu toque.

Mas, quando os grandes dedos masculinos se fecharam firme­mente na sua mão, muito menor e mais suave, sentiu um tremor de química sexual correndo pelos seus braços.

Felizmente, o seu casaco tinha mangas compridas, em preven­ção a algo assim.

— Prazer em conhecê-lo, Sr. Stone. — Por dentro, pensou que, se tivesse conhecido Mike Stone em outro lugar, teria se afastado, ou corrido. Porém, neste momento, podia ser um cliente pagante. E, hoje, ela precisava desesperadamente de dinheiro.

— Chame-me de Mike.

— Mike. Bem, entre, Mike. — Deixou-o passar por ela no cor­redor. — A primeira sala, à esquerda. Entre e encontrará um lugar para sentar.

Natalie se espremeu contra a parede, enquanto ele passava por ela, sem querer qualquer contato físico. Ela ainda o olhou por trás, antes de se recompor e fechar a porta, seguindo-o.

Ele sentou no meio do sofá, as longas pernas esticadas, encos­tado, olhando em volta.

Natalie sabia que era uma sala estranhamente mobiliada, cheia de peças que não combinavam, mas que ela gostava. Havia três grandes poltronas estampadas e um longo sofá, de sedutor veludo marrom, estendido sob a janela da frente, onde seu cliente estava à vontade.

Na parede oposta, havia um sistema de home theatre, pelo qual ela ainda estava pagando. A parede à direita consistia de uma es­tante embutida, até o teto, diante da qual ela sentara, numa escri­vaninha antiga de mogno, com o laptop de um lado e um abajur verde, de estilo antigo, do outro. O chão era encerado, coberto por um tapete redondo, que oferecia calor e um toque oriental.

Não havia mesinha de centro, apenas mesas laterais de todos os tipos e tamanhos, enfeitadas com objetos vindos de mercados de pulga e vendas de garagem. Dois abajures de pé iluminavam o sofá, oferecendo iluminação sutil à noite, quando ela assistia TV. Certa vez, uma amiga comentara que a decoração de sua sala parecia com ela. Difícil de decifrar.

_ Você é muito pontual — falou ela bruscamente, olhando o relógio Eram exatamente cinco horas, conforme o combinado.

— Sou sempre pontual quando não estou trabalhando. Natalie parou.

— Lamento, mas não aceito clientes desempregados.

Novamente ele olhou-a de cima a baixo, desta vez, com a ex­pressão ilegível.

— Eu não disse que era desempregado. Disse que, no momen­to, não estava trabalhando. Sou autônomo. Tenho a minha empre­sa de software de computador.

Ela não podia ficar mais surpresa. Ele não parecia um homem que passava a maior parte do tempo diante de um computador. Era musculoso e bronzeado demais.

Como Brandon.

Ficou irritada, por fazê-la lembrar de Brandon.

— Entendo. Desculpe — acrescentou ela, virando-se para o laptop. Demorou para ajustar a página onde preencheria os dados pes­soais dele, sem olhá-lo até estar pronta.

— Então, o que acontece quando você está trabalhando? — Perguntou, finalmente.

— Às vezes, eu nem apareço. Encantador.

Homens daquele tipo pareciam todos iguais.

Brandon nunca chegava na hora. Na verdade, tinha muitos mo­tivos para chegar tarde aos encontros deles. Ou por não aparecer.

O seu trabalho como agente antiterrorismo era um. Além de es­posa e dois filhos, que ela nem sabia que ele tinha, pensou, amarga.

Imaginou qual seria a desculpa de Mike Stone.

— Parece que você é viciado em trabalho.

— Não é a primeira vez que me dizem isto — ele mexeu os ombros.

A cada segundo, Natalie gostava menos dele.

— Por isso é que não teve muita sorte de encontrar uma esposa até agora?

— Não. Eu poderia ter casado com muitas mulheres.

— Mesmo? — acrescentou Natalie incrivelmente arrogante à lista de defeitos dele.

Encontrar uma esposa para Mike Stone seria difícil, apesar de seu físico extremamente másculo. Suas garotas queriam maridos amistosos, não egoístas. A maioria delas vinha de relacionamen­tos infelizes, com homens difíceis e egoístas e, ao chegar até ela, geralmente sabiam exatamente o que queriam e ela não pretendia oferecer menos.

Suspeitava que nenhuma delas gostaria de Mike Stone.

Mas, não era problema seu se nenhuma de suas garotas quises­se casar com ele. Cobrava quinhentos dólares adiantados de seus clientes homens, quer eles encontrassem ou não uma esposa na Wives Wanted.

Pelo seu dinheiro, o Sr. Stone seria combinado e apresentado a cinco mulheres atraentes e inteligentes que se ajustassem aos cri­térios dele, e vice-versa. Depois daquilo, era problema dele.

No entanto, num encontro ele teria que mostrar um pouco mais de charme, se quisesse uma esposa. Ser sexy não era o bastante para garotas maltratadas, duplamente tímidas. Mesmo assim, não era problema dela. — Visto que tem uma empresa de software de computador, Mike, tem familiaridade com o tipo de programa que uso para com­binar meus clientes. Na verdade, é bem básico. O meu, no entanto, tem uma verificação de segurança, que garante que meus clientes são exatamente o quem dizem ser. Imagino que não faça objeção?

— Não.


— Bom. Vamos começar. O seu nome completo.

— Mike Stone.

— Não, seu nome completo, da certidão de nascimento, cartei­ra de motorista.

— Mike Stone.

— Não Michael?

— Apenas Mike.

— Ótimo. O seu endereço e telefone, por favor? Celular também. Ela digitou, pensando que o endereço do apartamento dele em

Glebe podia ser bom ou ruim. Glebe se tornara um subúrbio da moda nos últimos tempos. A sua proximidade com a Universidade de Sydney o valorizava. Mas, algumas partes ainda eram um pou­co deprimentes.

— Seu endereço de trabalho?

— Eu trabalho em casa.

Ooh. Definitivamente, más notícias. Certo, havia alguns peque­nos negócios bem-sucedidos, não muitos.

— Idade.


— Trinta e quatro.

Ela ergueu as sobrancelhas. Parecia mais velho. Havia muita experiência de vida naqueles olhos.

— Farei 35 no dia 15 de dezembro — acrescentou ele.

— Então, é Sagitário.

— Não acredito nessas coisas.

— Mesmo? — Ela devia saber. Brandon comentara algo pare­cido quando ela dissera que os astros mostravam os dois sendo boa combinação. Ela era de Virgem, que não combinava com Es­corpião.

Porém, Natalie esperara que ele não percebesse quando ela dis­sera que Escorpião era o signo de segredos sombrios.

— Estado civil?

— O quê?

— Você já foi casado?

— Não.

— Muitos de meus clientes já foram.



— Não eu, meu bem.

Natalie se endireitou, olhando-o duramente.

— Meu nome é Natalie — disse, em voz cortante. — Não meu bem.

Por um instante, os olhos pretos dele brilharam, como se ela o divertisse.

— Foi um erro, me desculpe.

Era fácil ver que ele não lamentava. Mas, pelo menos, ela dei­xara claro o seu ponto. Não suportava homens que a chamavam de nomes como meu bem e docinho. Achava desrespeitoso.

— Bem, nada apareceu dizendo que você não é quem disse ser — falou ela, depois de alguns segundos de espera. Nem havia avi­so dele ter sido preso ou condenado. — Agora, a sua descrição fí­sica. Posso ver que seus cabelos são castanho-escuros e curtos e seus olhos pretos.

— São castanho-escuros, não pretos. Parecem pretos por serem fundos.

Fundos e incrivelmente atraentes.

— Certo. Altura?

— Um metro e setenta e oito, um e oitenta, talvez.

— Colocarei 1,80m. Tenho 1,70m e você é bem mais alto que eu.

Em tipo de corpo, ela digitou "musculoso e bem torneado".

Não era a única mulher no mundo que gostava de homens de boa compleição.

— Fuma?

— Não.


— Bebe? Ele riu.

— Patos nadam?

— Quanto você bebe?

— Depende.

— Do quê?

— Se estou trabalhando ou não. Não bebo quando estou traba­lhando.

Natalie suspirou.

— E quando não está? Ele deu de ombros.

— Gosto de uísque. Mas gosto de um bom tinto no jantar e cer­veja gelada num dia quente.

— Você se classificaria como tendo problemas de álcool?

— Certamente não.

— Passatempos?

— Passatempos ? — repetiu ele.

— O que gosta de fazer em suas horas de descanso? Por um momento, seus olhos se encontraram, antes dele abai­xar o olhar para onde o casaco dela estava esticado sobre os seios.

— Além disso — retorquiu ela.

Os olhos dele se apertaram nela, que imaginou se ele sabia que a afetava tanto.

— Gosto de trabalhar e de sair.

— Ir aonde?

— Clubes, bares. Onde possa beber com meus amigos e encon­trar mulheres.

Ele não devia ter problema de pegar mulheres, Natalie pensou.

— É um bom amante?

Não era uma de suas perguntas normais, mas por sorte, ele não sabia.

— Nunca tive reclamações.

Ela quase perguntou quanto sexo ele iria querer de sua esposa, mas se controlou em tempo.

— Religião?

— Não.


— Ateu?

— Não.


— Então, o quê?

— O Senhor e eu não nos comunicamos muito até agora, mas, quem sabe o que o futuro trará?

— Ótimo. Colocarei mentalidade aberta. Educação?

— Não muita.

— Pode ser mais específico?

— Freqüentei a escola até os 17 anos, mas não obtive meu di­ploma ou certificado de colegial. Não fui à faculdade ou universi­dade. Sou um gênio autodidata em computadores.

Gênio! Oh, como é modesto.

— Não sou modesto. Estou dizendo o que é.

— Ótimo. Colocarei especialista. Você não quer espantar uma esposa em potencial parecendo um pouco... digamos... arrogante?

— Não sou arrogante, sou honesto. Ponha o que quiser. Deus, que homem irritante.

— Qual é o nome de sua empresa de software?

— Stoneware.

— Stoneware?

— O nome me divertiu — ele sorriu. Não exatamente um sor­riso, apenas moveu os lábios.

— Você tem senso de humor, não?

— Não é uma das minhas melhores qualidades.

— Percebi isso. Agora, Mike, entenderei se não quiser me dar uma quantia exata, mas aproximadamente, quanto é a sua renda anual?

— Posso dizer. No ano passado, a Stoneware teve um lucro de seis milhões e quatrocentos mil dólares. Eu tenho setenta por cen­to da empresa, então, minha parte foi de quatro milhões e oitocentos mil dólares. Espero que este ano seja muito melhor.

Natalie engoliu, de surpresa.

— Quanto melhor?

Muito melhor — respondeu ele, secamente. — Lançamos dois novos jogos, que foram todos vendidos.

— Sei.


— Imagino que isso melhore minhas chances de encontrar uma esposa?

A pergunta e o tom dele, decididamente, tinham um toque cíni­co, que alertou Natalie.

— Apenas dinheiro não garante uma esposa entre as minhas garotas — respondeu, rispidamente.

— Você tem certeza?

— Tenho.

— Pena.


— O que significa isso? Ele olhou-a fixamente, fazendo-a se mexer na cadeira.

— Sabe, você não é bem como eu esperava — foi o comentário seguinte dele — mas posso ver que é uma excelente mulher de ne­gócios. Como eu disse, sou um homem sincero, não gosto de en­ganar as pessoas. Srta. Fairlane, preciso de uma esposa antes da primeira semana de dezembro.


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