Prof. Marília de campos ferreira



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UNIBAN- UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO

LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA

GINÁSTICA GERAL E OLÍMPICA


PROF. MARÍLIA DE CAMPOS FERREIRA


HISTÓRICO DA GINÁSTICA: A história da Ginástica confunde-se com a história do homem. No homem pré-histórico a atividade física tinha papel relevante para sua sobrevivência, expressa principalmente na necessidade vital de atacar e defender-se. O exercício físico de caráter utilitário e sistematizado de forma rudimentar era transmitido através das gerações e fazia parte dos jogos, rituais e festividades. Na Antigüidade clássica ocidental (Grécia e Roma), principalmente no Oriente, os exercícios físicos aparecem nas várias formas de luta, na natação, no remo, no hipismo, na arte de atirar com o arco, como exercícios utilitários, nos jogos, nos rituais religiosos e na preparação guerreira de maneira geral. Na Grécia nasceu o ideal da beleza humana, o qual pode ser observado nas obras de arte espalhadas pelos museus em todo o mundo, onde a prática do exercício físico era altamente valorizada como educação corporal em Atenas e como preparação para a guerra em Esparta. O fato de ser a Grécia o berço dos Jogos Olímpicos, disputados 293 vezes durante quase 12 séculos (776 a. C-393 d. C), demonstra a importância da atividade física nesta época.

Em Roma antiga, o exercício físico tinha como objetivo principal a preparação militar e num segundo plano a prática de atividades desportivas como as corridas de carros e os combates de gladiadores que estavam sempre ligados às questões bélicas. Recordações das magníficas instalações esportivas desta época como as termas, o circo, o estádio, ainda hoje impressionam quem os visita pela magnitude de suas proporções.

Na Idade Média (séc V ao XV) os exercícios físicos foram a base da preparação militar dos soldados, que durante os séculos XI, XII e XIII lutaram nas Cruzadas empreendidas pela igreja. Entre os nobres eram valorizadas a esgrima e a equitação como requisitos para a participação nas Justas e Torneios, jogos que tinham como objetivo “enobrecer o homem e fazê-lo forte e apto”(Ramos, 1982). Há ainda registros de outras atividades praticadas neste período como o manejo do arco e flecha, a luta, a escalada, a marcha, a corrida, esgrima, o salto, a caça e a pesca e jogos simples e de pelota, um tipo de futebol.

O exercício físico na Idade Moderna, considerada simbolicamente a partir de 1453. A história da Ginástica confunde-se com a história do homem. A Ginástica entendida por Ramos (1982: 15) como a prática do exercício físico “vem da Pré-história, afirma-se na Antigüidade, estaciona na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e sistematiza-se nos primórdios da Idade Contemporânea”. No homem pré-histórico a atividade física tinha papel relevante para sua sobrevivência, expressa principalmente na necessidade vital de atacar e defender-se. O exercício físico de caráter utilitário e sistematizado de forma rudimentar era transmitido através das gerações e fazia parte dos jogos, rituais e festividades.

Na idade Contemporânea (inicio da segunda metade do século XVIII), segundo Langlade e Langlade (1970), até 1800 as formas comuns de exercício físico eram os jogos populares, as danças folclóricas e regionais e o atletismo. Para estes autores, a origem da atual Ginástica data do início do século XIX, quando surgiram quatro grandes escolas: A Escola Inglesa, a Escola Alemã, a Escola Sueca e a Escola Francesa, sendo a primeira mais relacionada aos jogos, atividades atléticas e ao esporte. As demais escolas foram as responsáveis pelo surgimento dos principais métodos ginásticos, que por sua vez determinaram a partir de 1900 o início dos três grandes movimentos ginásticos na Europa. São eles: o Movimento do Oeste na França, o Movimento do Centro na Alemanha, Áustria e Suíça e o Movimento do Norte englobando os países da Escandinávia. Estes movimentos vão até 1939 quando foi realizada a primeira Lingiada em Estocolmo, um festival internacional de Ginástica em comemoração ao centenário de morte de Per Henrik Ling, o maior nome da Ginástica Sueca, dando início ao período que se estende até os dias de hoje, denominado “Influências recíprocas e universalização dos conceitos ginásticos”, segundo Langlade e Langlade (1970).

A denominação Ginástica, inicialmente utilizada como referência à todo tipo de atividade física sistematizada, cujos conteúdos variavam desde as atividades necessárias à sobrevivência, aos jogos, ao atletismo, às lutas, à preparação de soldados, adquiriu a partir de 1800 com o surgimento das escolas e movimentos ginásticos acima descritos, uma conotação mais ligada à prática do exercício físico. De acordo com Soares (1994: 64), a partir desta época, a Ginástica passou a desempenhar importantes funções na sociedade industrial, “apresentando-se como capaz de corrigir vícios posturais oriundos das atitudes adotadas no trabalho, demonstrando assim, as suas vinculações com a medicina e, desse modo, conquistando status”. Inúmeros métodos ginásticos foram sendo desenvolvidos principalmente nos países europeus, os quais influenciaram e até os dias de hoje influenciam, a Ginástica mundial e em particular a brasileira. Dentre aqueles que tiveram maior penetração no Brasil destacam-se as escolas alemã, sueca, inglesa, dinamarquesa e francesa. Essas questões são amplamente analisadas por autores como Ramos (1982), Marinho [19--], Langlade e Langlade (1970), Castellani Filho (1988), Soares (1994) entre outros, os quais têm estudado os aspectos históricos relacionados à Educação Física e à Ginástica e contribuído de forma significativa para a compreensão de sua evolução em nível nacional e internacional.



MÉTODOS GINÁSTICOS EUROPEUS-

ESCOLA INGLESA: O esporte moderno nasce na Inglaterra (sécXIX). Foi institucionalizado com regras precisas e formas definidas. A ginástica era pouco difundida, o esporte foi considerado o grande meio para promover a educação, através de jogos esportivos: organização, regras, técnicas e padrões de conduta. Os ingleses integraram técnicas antigas do esporte oferecendo ao mundo vários esportes como: atletismo, futebol, rúgbi, tênis, boxe, natação, patinagem desportiva. Thomas Arnold criou o esporte propriamente dito e o introduziu nas escolas. Estabelece regras e formas precisas de organização para as associações desportivas, os clubes universitários, e confia a sua organização aos alunos. O esporte tinha características educacionais e socializantes como à cooperação, a perseverança, a tomada de iniciativa, o respeito às regras e ao adversário.

ESCOLA ALEMÃ: Movimento ginástico alemão iniciou nas instituições escolares em 1800-1900, com influência de Jacques Rousseau que acreditava no homem como ser universal. As atividades eram: jogos sociais (peteca), bola, pelota, pinos, corrida, saltos, arremessos, luta, natação, arco e flecha, ginástica natural, movimentos rítmicos, marcha e caminhada, excursão no campo, transportes de sacos de areia e suspensão em escadas. Os principais representantes foram: Guts Muths (1759-1839) admirador do método natural. Ludwing Jahn (1778-1852) que em 1805, introduz a ginástica militar com sentido patriótico ( exercícios militares com fins pedagógicos integrados ao currículo escolar). Foi o inventor de aparelhos como a barra fixa, barras paralelas e o cavalo, sendo um dos precursores da ginástica olímpica com aparelhos e Adolf Spiess (1810-1858) que implantou a Educação Física nas Escolas Alemãs. Aparelhos no ginásio ao ar livre.

ESCOLA DINAMARQUESA:- Suas principais características são os exercícios militares: a Dinamarca foi o primeiro país a considerar a Educação Física como matéria escolar. Seu principal fundador foi Franz Nachtegall (1777-1847).

ESCOLA SUÉCA: Henrick Ling ( 1776-1839) dividiu sua ginástica em 4 partes: Ginástica Pedagógica ou Educativa, Militar, Médica e Ortopédica e Estética. O objetivo da ginástica era a harmonia corporal e espiritual, o gesto não era um ato, mas sim a expressão dos sentimentos, a libertação da alma oprimida no corpo, que por essa forma se libertaria e encontraria a verdadeira felicidade. Manter, e se possível melhorar: a eficiência funcional dos órgãos internos( sistema circulatório e respiratório) e a mobilidade articular e a capacidade funcional dos músculos. Criar gosto pela atividade física e estética. Economizar esforço, realizando movimento com exercícios adequados. Desenvolvimento individual e formação de caráter, prazer de viver, alegria no trabalho através de exercícios estimulantes(utilizava o banco sueco e o espaldar). Ser acessível a todos e contribuir para um desenvolvimento harmônico e natural do corpo humano por meio de exercícios racionais.

A aula era dividida em 4 partes:



1-Exercícios preparatórios ( 03 minutos):

Exercícios de formação e saudação, três ou quatro exercícios preparatórios para iniciar a aula



2-Exercícios Fundamentais “A”(15 minutos de duração):

Exercícios formais, livres, saltitamentos, jogos para as crianças



3 - Exercícios Fundamentais “B”( 25 minutos):

Exercícios formais de aplicação, suspensão, equilíbrio, testes de flexibilidade, destreza (cordas, barras, etc..),

-Exercícios formais de desenvolvimento (abdominais, dorsais, laterais, corrida com e sem obstáculos, etc.),

-Jogos (eventualmente),

-Saltos( cavalo, plinto, etc.).

4- Exercícios Finais (02 minutos):

-Exercícios finais de descontração (calmantes),

-Jogo recreativo para as crianças,

-Exercícios formação e saudação.

Era uma ginástica em forma de jogos, a aulas poderia também ser historiada para as crianças. Os exercícios eram: andar no ritmo marcado, deslocamentos para frente, dois passos une e salta com e sem braços, exercícios estáticos com marcação e afastamento lateral, flexão lateral do tronco e a frente com afundo ( frente e lado).

ESCOLA FRANCESA: Seu fundador foi Dom Francisco Amoros, militar espanhol (1770-1848) em 1816, deportado para a França pelo exército da Napoleão na invasão espanhola. Considerado o “pai da ginástica francesa”, precursor na utilização de aros, escada de cordas, trapézio e a máquina para testar a força. O principal objetivo era proporcionar o condicionamento físico, o aprimoramento do caráter que seria para defender a pátria. A ginástica científica influenciou na escola francesa, pois sua ginástica se voltou para a saúde. Amoros colocou em seu método áreas médicas como a fisiologia, fornecendo dados para a mecânica do movimento. Tornou obrigatória a Ginástica no currículo escolar, com a finalidade de melhorar a condição moral e física do povo. Assim os militares foram os 1º professores de ginástica nas escolas francesas.

A Ginástica Natural surgiu na França e Áustria entre 1919-1931, se baseava nos exercícios naturais entre eles: natação, marcha, corrida, saltos, quadrupedismo, equilibrismo, trepar, levantar, lançar, defender, atividades de utilidade como o hipismo e o ciclismo e as de cunho recreativo como os jogos, as danças, os esportes e outros. O Método Natural foi desenvolvido, pois eram uma reação a esteriotipação da ginástica com suas formas geométricas, os exercícios de ordem, os exercícios militares nas escolas, a ênfase médica da ginástica e a ginástica de aparelhos serem exclusivamente competitiva.

Amoros dividiu a ginástica em 4 partes, são elas:

-Ginástica civil e industrial,

-Ginástica militar (exército e marinha),

-Ginástica médica,

-Ginástica cênica ou funambulesca.

A CALISTENIA: Nasce em 1829. Era um método de ginástica que proporcionava atividade à todas as regiões musculares com o objetivo de adquirir força e beleza. Surgiu na Europa na França, Alemanha e Suécia evidenciando o nome do suíço Phoktioin Henrich Clias.

A Calistenia se dividia em duas ordens:

-Higiênica -saúde e postura corporal correta.

-Educativa –visava um maior controle neuro-muscular e melhor eficiência mecânica.

O Dr Dio Lewis (1850) na ACM-USA, enaltece os objetivos pedagógicos na ginástica calistênica com prazer e socialização, inclui a presença masculina onde desenvolvia o ritmo (utilizava o tambor para marcar o ritmo) e a elegância para ambos os sexos, enfatiza a saúde.

A Calistenia se dividia em exercícios calistênicos, acompanhados com música, em 8 grupos:



  • Exercícios para os braços e pernas.

  • Exercícios para a região postero-superior do tronco (parte superior da espádua).

  • Exercícios para a região postero-inferior do tronco (parte inferior da espádua).

  • Exercícios para a região lateral do tronco.

  • Exercícios para desenvolver o equilíbrio.

  • Exercícios abdominais.

  • Exercícios gerais de ombros e espáduas e de ombros. Saltos e corridas.

GINÁSTICA

Conceito de Ginástica: Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, a palavra Ginástica vem do grego Gymnastiké e significa ;

“Arte ou ato de exercitar o corpo para fortificá-lo e dar-lhe agilidade”.

“O conjunto de exercícios corporais sistematizados, para este fim, realizados no solo ou com auxílio de aparelhos e aplicados com objetivos educativos, competitivos, terapêuticos, etc.”.

Na Encyclopedia Britannica, a Ginástica é definida com: “Uma forma ou modalidade de educação física, isto é, uma maneira de formar fisicamente o corpo humano, sendo as restantes, além dela, os jogos e os desportos”.

“A definição científica diz-nos que a ginástica é a exercitação metódica dos órgãos no seu conjunto (relacionada ao movimento e à atitude), por intermédio de exercícios corporais, de forma precisamente determinada e ordenada sistematicamente, de modo a solicitar não só todas as partes do corpo, como as grandes funções orgânicas vitais e sistemas anatômicos, nomeadamente: o respiratório, o cardiocirculatório, o de nutrição (assimilação e desassimilação), o nervoso, os órgãos de secreção interna.”

A GINÁSTICA NA ESCOLA HOJE

A ginástica está presente em todas as manifestações da Cultura Corporal do Movimento. Os alunos andam, dançam, lançam, saltam, arremessam etc..

Os gregos utilizaram-se de todas essas habilidades como forma de educação. Os métodos ginásticos sistematizam tais conhecimentos e estes se tornam elementos de controle social. E hoje, como tratar essas habilidades na escola, de que maneira transformar as informações que o aluno já tem em conhecimento?

E perguntamos para os professores:



ESPORTE NA ESCOLA, MAS SÓ ISSO PROFESSOR? (Rangel, Betti,1995).

A ginástica, como a entende hoje, pouco espaço tem no ambiente escolar brasileiro, o esporte é o conteúdo mais desenvolvido e praticado.

Abaixo a Ginástica em: Ginástica Competitiva e Ginástica Escolar.

1-GINÁSTICA COMPETITIVA:


    1. Seletiva-para os mais aptos e habilidosos.

    2. Competitiva.

    3. Seqüência de movimentos obrigatórios.

    4. Espaço específico para a realização dos movimentos.

    5. Movimentos e aparelhos específicos (masculino e feminino) com objetivos específicos.

    6. Resultado com performance máxima.

O órgão máximo a nível mundial é a FIG (Federação Internacional de Ginástica), sendo que a nível nacional a CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) que esta filiada aos seguintes relacionados abaixo:

  1. COB- Comitê Olímpico Brasileiro.

  2. UPAG- União Pan-americana de Ginástica.

  3. CSG- Confederação Sul-americana de Ginástica

MODALIDADES COMPETITIVAS E SEU PRINCIPAL EVENTO

Ginástica Artística Feminina – Olimpíada

Ginástica Artística Masculina- Olimpíada

Ginástica Rítmica – Olimpíada

Ginástica de Trampolim – Olimpíada

Ginástica Aeróbica Esportiva – Mundial

Ginástica Acrobática- Mundial

2- GINÁSTICA ESCOLAR:

Não seletiva, permite a co-participação de todos.

Participativa.

Criação e elaboração de movimentos e seqüências não oficiais e permite a exploração da criatividade.

Livre utilização dos espaços alternativos: pátios, gramados, quadras e salas de aula.

Movimentos e espaços livres tanto para o masculino como para o feminino e com objetivos em comum. Utilização de aparelhos alternativos ( balangandã- substituindo a fita).

Resultado com performance possível. Processo de aquisição de novos movimentos e conhecimentos. Permite a transformação e recriação.

MODALIDADE NÃO COMPETITIVA E SEU PRINCIPAL EVENTO

A Ginástica Geral (GG) culmina em âmbito internacional com o seu evento oficial para a modalidade a Gymnaestrada Mundial que ocorre de quatro em quatro anos.

CAMPOS DIVERSIFICADOS DE ATUAÇÃO DA GINÁSTICA: No decorrer dos tempos tem sido direcionada para objetivos diversificados, ampliando cada vez mais as possibilidades de sua utilização, portanto, a fim de facilitar o seu entendimento, são apresentados a seguir 5 grandes grupos que englobam os seus principais campos de atuação.

Os Campos de Atuação da Ginástica são:

1. Ginásticas de Condicionamento Físico ou de Academia: englobam todas as modalidades que tem por objetivo a aquisição ou a manutenção da condição física do indivíduo normal e/ou do atleta.

2. Ginásticas de Competição: reúnem todas as modalidades competitivas (exemplos: artística/olímpica, de trampolim acrobático, acrobática, rítmica, tumbling, mini-trampolim).

3. Ginásticas Fisioterápicas ou terapêuticas: responsáveis pela utilização do exercício físico na prevenção ou tratamento de doenças congênitas ou adquiridas (exemplo: asmáticos, cardíacos).

4. Ginásticas de Conscientização Corporal: reúnem as Novas propostas de abordagem do corpo, também conhecidas por Técnicas alternativas ou Ginásticas Suaves (Souza, 1992), e que foram introduzidas no Brasil a partir da década de 70, tendo como pioneira a Anti-Ginástica. A grande maioria destes trabalhos teve origem na busca da solução de problemas físicos e posturais ( exemplos: RPG, bioenergética, antiginástica, etc..)

5. Ginásticas de Demonstração: é representante deste grupo a Ginástica Geral, cuja principal característica é a não-competitividade, tendo como função principal a interação social isto é, a formação integral do indivíduo nos seus aspectos: motor, cognitivo, afetivo e social.

6- Ginástica Laboral: Praticada no ambiente de trabalho, em um curto espaço de tempo ( 10 a 15 minutos), com a intenção profilática de doenças como a LER (lesão do esforço repetitivo).



Conceito de Ginástica: Todo movimento ginástico, assim como os movimentos característicos dos esportes, evoluíram dos movimentos naturais do ser humano, ou habilidades específicas do ser humano. Segundo Pérez Gallardo (1993), “São aquelas que se caracterizam por estarem presentes em todos os seres humanos, independentes de seu lugar geográfico e nível sócio-cultural e que servem de base para aquisição de habilidades culturalmente determinadas...". Estes movimentos naturais ou habilidades específicas do ser humano, quando analisados e transformados, visando o aprimoramento Do desempenho do movimento, entendida aqui de acordo com vários objetivos como: economia de energia, melhoria do resultado, prevenção de lesões, beleza do movimento entre outros, passam a ser considerados como movimentos construídos (exercícios) ou habilidades culturalmente determinadas. Por exemplo, um movimento próprio do homem como o saltar, foi sendo estudado, transformado e aperfeiçoado através dos tempos, para alcançar os objetivos de cada um dos esportes onde ele aparece: salto em altura, em distância e triplo no atletismo, cortada e bloqueio no voleibol, salto sobre o cavalo na Ginástica Artística, salto “jeté” na Ginástica Rítmica Desportiva entre outros. Uma das principais características da Ginástica é a possibilidade de utilização de uma enorme variedade de aparelhos, entre eles os de grande porte como o trampolim acrobático, a trave de equilíbrio, as rodas ginásticas, as barras paralelas; os aparelhos de sobrecarga como os halteres, as bicicletas ergométricas, os aparelhos de musculação; aparelhos portáteis como a corda, a bola, as maças, até os aparelhos adaptados ou alternativos provenientes da natureza ou da fabricação humana.

A ESTRUTURA DA GINÁSTICA NO MUNDO: Para a melhor compreensão do universo da Ginástica e sua evolução, faz-se necessário, analisar sua estrutura organizacional em nível mundial. A Federação Internacional de Ginástica (FIG) é a organização mais antiga e com maior abrangência internacional na área da Ginástica. Está subordinada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), sendo responsável pelas modalidades gímnicas que são competidas nos Jogos Olímpicos. É, portanto a Federação com maior poder e influência na Ginástica mundial.

A FIG é um órgão que tem como objetivo orientar, regulamentar, controlar, difundir e promover eventos na área da Ginástica. Tem sua origem nas Federações Européias de Ginástica (Fédérations Européennes de Gymnastique-FEG), estabelecidas em 23 de Julho de 1881 em Bruxelas-Bélgica, com a participação da França, Bélgica e Holanda. Apesar de reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional desde 1896, aFEG só participou como federação oficial de Ginástica Artística nos Jogos Olímpicos de Londres em 1908. Em 7 de Abril de 1921 a FEG incluiu em seu quadro outros países, resultando na fundação da Federação Internacional de Ginástica - FIG com a participação de 16 federações (países) membros. Atualmente tem sua sede em Moutier, na Suíça, e possui 121 países filiados. Cada uma destas Federações nacionais representa o órgão máximo da Ginástica em seu país, tendo em nível nacional os mesmos objetivos da FIG. Ainda relacionadas a FIG estão as Federações que controlam a Ginástica no âmbito continental, entre elas a União Asiática de Ginástica fundada em 1964, a União Pan-americana de Ginástica fundada em 1967, a União Européia de Ginástica fundada em 1982, e a União Africana de Ginástica fundada em 1990. (FIG 1991: 158).

A FIG atualmente é composta de 5 comitês sendo 4 relativos às modalidades competitivas (Ginástica Artística Masculina, Ginástica Artística Feminina, Ginástica Rítmica Desportiva e Ginástica Aeróbica) e um relativo a Ginástica Geral que tem caráter demonstrativo.

Segundo o “Gymnaestrada Guide - X World Gymnaestrada Berlim 1995”, em 1994 a Ginástica Aeróbica foi admitida pela FIG como modalidade e organizado seu primeiro campeonato. No Congresso da FIG realizado em Atlanta em 1996, foi decidida a inclusão definitiva da Ginástica Aeróbica em seu programa competitivo, porém, o estatuto e toda regulamentação para a sua incorporação, estão sendo preparados para serem apresentados no Congresso da FIG de 1998.

A intenção da FIG de incorporar outras modalidades gímnicas, pode ser claramente observada nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, na realização de sua Festa de Gala (FIG Gala), após o término de todas as competições na área da Ginástica, onde os melhores ginastas de Ginástica Artística, Rítmica, Aeróbica, Acrobática, e de Trampolim ( engloba: Trampolim Acrobático e Tumbling fizeram uma belíssima apresentação sem caráter competitivo.

A convivência de modalidades competitivas e demonstrativas numa mesma federação, é uma característica da FIG reafirmada nas palavras de Yuri Titov, presidente desta instituição de 1976 a 1996, no documento de propaganda da Ginástica Geral (FIG): “Nós somos a primeira federação internacional que se dedica tanto ao esporte competitivo como ao esporte recreativo... “ Este é um aspecto interessante que destaca a FIG das demais federações desportivas, vindo ao encontro de sua natureza e objetivos diferenciados, os quais se harmonizam perfeitamente com o espírito e tradições desta entidade.

A presença da Ginástica Geral como um comitê específico dentro da estrutura da FIG a partir de 1984, vem demonstrar a importância deste fenômeno de massa que envolve um incontável número de praticantes em todo o mundo, ultrapassando em larga escala o total de atletas das modalidades competitivas dirigidas pela mesma federação.

Com relação aos Jogos Olímpicos a Ginástica é oficialmente representada nas modalidades Ginástica Artística Masculina desde 1908 em Londres, a Ginástica Artística Feminina desde 1928 em Amsterdã e a GRD desde 1984 em Los Angeles. Sem caráter competitivo, a Ginástica Geral tem sempre abrilhantado as Cerimônias de Abertura dos Jogos, caracterizando-se como um dos pontos altos destes eventos, onde a criatividade, a plasticidade, a expressão corporal se fazem presentes na participação sincronizada de um grande número de ginastas.



GINÁSTICA GERAL

DEFINIÇÃO : “ É uma modalidade bastante abrangente que, fundamentada nas atividades ginásticas, valendo-se de vários tipos de manifestações, tais como danças expressões folclóricas e jogos, expressos através de atividades livres e criativas, objetiva promover o lazer saudável, proporcionando bem estar físico, psíquico e social aos praticantes, favorecendo a performance coletiva, respeitando as individualidades, em busca da auto-superação pessoal, sem qualquer tipo de limitação para a sua prática, seja quanto às possibilidades se execução, sexo ou idade, ou ainda quanto à utilização de elementos materiais, musicais e coreográficos, havendo a preocupação de apresentar neste contexto, aspectos da cultura nacional, sempre sem fins competitivos.”

A Ginástica Geral desenvolver a saúde, a condição física e a integração social; contribui para o bem-estar físico e psíquico, sendo um fator cultural e social. É uma modalidade da ginástica que não é competitiva. Devido à sua grande abrangência da Ginástica, o estabelecimento de um conceito único para ela, restringiria a compreensão deste imenso universo que a caracteriza como um dos conteúdos da Educação Física valendo-se das várias propostas de Ginástica (Artística, Rítmica, Aeróbica, Trampolim, Acrobática, dentre outras).



Entre as variadas possibilidades de manifestações corporais, podem estar os diversos tipos de danças e expressões folclóricas, apresentados através de coreografias musicadas em grupos, com propostas livres e criativas, sempre fundamentadas nos elementos gímnicos.

Oportunizando a expressão dos aspectos multiculturais de quem as desenvolve e, principalmente, sem qualquer tipo de limitação para a sua prática, seja quanto às possibilidades de execução, sexo ou idade.

Segundo a Federação Internacional de Ginástica- FIG, a Ginástica Geral (GG) culmina em âmbito internacional com o seu evento oficial para a modalidade a Gymnaestrada Mundial que ocorre de quatro em quatro anos. Este é um mega-evento realizado a cada quatro anos, sem a perspectiva de competição, atualmente com cerca de 25 mil participantes d e todo o mundo. Na Gymnaestrada acontecem, além das demonstrações regulares, um grande fórum de instrutores, demonstrações educativas e uma feira de equipamentos e materiais esportivos. Além disso, a GG constitui a base histórica e cultural de todas as atividades da FIG, a qual propõe, em seu programa de desenvolvimento, que esta modalidade seja a base de todas as atividades físicas como também do chamado “Esporte para Todos” (no Brasil denominado por vezes “esporte participação”, “esporte não formal” ou “esporte de inclusão”). Em resumo, a GG para a FIG nasceu de uma concepção “sociocultural, livre de motivos especulativos e/ou econômicos”, reunindo, afinal, 30 milhões de praticantes no plano internacional. Enquanto tal a GG, da forma promovida pela FIG, é “altamente reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional – COI devido aos seus objetivos humanísticos e educacionais”. Em outras palavras, a Gymnaestrada é um Festival de Ginástica em que qualquer praticante atua ativamente. Esta expressão aponta, igualmente, para o objetivo de tal festival, uma vez que “Gymna” significa ginástica e “Strada”, caminho.

Em 1500, no Brasil, pode-se afirmar que aconteceu a primeira apresentação de ginástica quando da descoberta das novas terras, pois conforme relatado na carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, D. Manuel, um dos tripulantes da frota de Pedro Álvares Cabral realizou exercícios acrobáticos e danças junto com os índios.

A partir de 1824, a imigração alemã para o Brasil trouxe consigo o Turnen (Ginástica Alemã). Esta prática teve manifestações em todos os Estados do sul do país, estendendo-se também ao RJ e ao ES. Em especial, no Rio de Janeiro, então capital do país, o Turnen era uma das formas de exibição existentes no Cassino Fluminense, o mais famoso lugar de diversão da cidade em meados do século XIX. Ao eclodir a Segunda Guerra Mundial e com a conseqüente nacionalização das instituições e atividades culturais de origem alemã, a tradição do Turnen dissolveu-se no Brasil, mas permanecendo sua influência nos primórdios da educação nacional.

Em 1838 Introdução da Ginástica no “Ginásio Nacional” (hoje Colégio Pedro II), no Rio de Janeiro – RJ, instituição criada para se tornar modelo educacional para todo o Brasil.

-1851- A Lei nº 630 inclui, pela primeira vez, nos currículos das escolas primárias do Rio de Janeiro, a Ginástica dentro das propostas e mudanças das bases para a reforma do ensino primário e secundário, no então denominado Município da Corte.

-1870 - o Governo Imperial promove a impressão e manda distribuir pelas escolas o “Novo Guia para o Ensino da Ginástica nas Escolas Públicas da Prússia”.

-1882- Ruy Barbosa, em seu Parecer sobre a “Reforma do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares da Instrução Pública”, sugere a inclusão da Ginástica nos cursos normais e nas escolas primárias do Brasil. A partir deste estágio, a Ginástica, sob diversas formas, mas Ginástica Geral (GG) ). Predominantemente a de origem alemã, prevaleceu na Educação Física escolar até os anos de 1930, quando foi oficializado o Método Francês no sistema escolar brasileiro.

-1893 - Outra vertente de prática de Ginástica foi introduzida no país pelo surgimento da Associação Cristã de Moços – ACM, que implantou atividades desportivas no Brasil como o voleibol, o basquetebol, além da ginástica calistênica.

Década de 1930 - Oswaldo Diniz Magalhães, professor de Educação Física formado pela ACM de SP, cria metodologia própria e mantém, por mais de 40 anos, o programa de rádio “A Hora da Ginástica” com impacto nacional na popularização das atividades gímnicas.

Em resumo, a década de 1930 marcou a confluência das tendências da ginástica de origem alemã, da ginástica calistênica e do Método Francês, este último introduzido no país para atender ao treinamento das Forças Armadas. O Método francês passou a ser adotado pelo ensino público, prevalecendo até a década de 1950 como fundamento do programa escolar.

-1953 - A chegada da professora Ilona Peuker ao Brasil, mais precisamentena cidade do Rio de Janeiro, foi o marco mais importante para a compreensão da GG como modalidade. Ilona trazia consigo a experiência adquirida na Ginástica européia, tendo se formado na Hungria e dirigido a União Austríaca de Ginástica e Esportes, inclusive com participação na I Gymnaestrada.

-1956 -Ilona Peuker fundou o Grupo Unido de Ginastas-GUG, no RJ, no qual aplicou os seus conceitos, adaptando-os à realidade local, sendo este trabalho o parâmetro para o desenvolvimento

futuro da GG no Brasil.

-1957 - Neste ano ocorreu a primeira participação do Brasil numa Gymnaestrada (2ª), em Zagreb (IUG), representado pelo GUG, então composto por 13 ginastas.

-1960 - Aconteceu a primeira edição do Festival Nacional de Ginástica, evento que foi realizado pela Federação Paulista de Ginástica-FPG até o ano de 1966, com a participação dos principais grupos do país.

-1975 - Na quarta participação brasileira numa Gymnaestrada (6ª), em Berlim (ALE), pela primeira vez o país foi representado por quatro grupos diferentes (03/RJ e 01/PB), totalizando 65 ginastas.

Os trabalhos apresentados foram muito apreciados, levando a seleção do GUG para participar da “Matinê dos Destaques”.

-1980 -A partir da chegada da professora Ilona Peuker, um novo enfoque da Ginástica se apresentou no país, particularmente com a implantação da GG, numa perspectiva original de interpretação desta atividade, com as características da nossa cultura, somados à expressividade e à alegria do nosso povo. A criação de grupos, a participação internacional e o reconhecimento dos trabalhos realizados criaram referenciais para o desenvolvimento da GG no país.

-1981 - A realização do 1o FEGIN, Festival Nacional de Ginástica, em Ouro Preto-MG, organizado por Carlos Rezende (MG), professor de Educação Física, teve um grande significado para a GG do Brasil. Durante as suas sete edições este festival foi o evento que centralizou o desenvolvimento da GG, tornando-se referencial para os futuros festivais da modalidade no país.

-1986 - Durante a gestão de Fernando Brochado (SP), professor e ex-ginasta, na presidência da Confederação Brasileira de Ginástica- CBG foi criada a Comissão Técnica de GG, fato que concretizou o processo de difusão nacional da modalidade.

-1988 - Aconteceu o primeiro Curso Internacional de GG no Brasil, evento promovido pela FIG, na Unesp, em Rio Claro-SP, ministrado por instrutores indicados pela FIG. A criação de um comitê exclusivo para orientar a GG na CBG, a realização regular de festivais e cursos de atualização, certamente são os aspectos que motivaram a difusão da modalidade no país, notadamente nos estados do Sul/Sudeste.

-1991- Com a eleição de Vicélia Florenzano (PR) para a presidência da CBG e com a indicação de José Carlos Eustáquio dos Santos (RJ), professor de Educação Física, para presidir o Comitê Técnico de GG (CTGG-CBG), um novo enfoque se apresentou, com uma proposta de trabalhar objetivando uma maior participação, na perspectiva de motivar e envolver as entidades ligadas à Ginástica, principalmente na realização de eventos. Ainda neste ano aconteceu a participação brasileira na 9ª Gymnaestrada Mundial, em Amsterdã (Holanda), com a delegação brasileira sendo composta por 114 ginastas, sendo o Brasil convidado para participar da “Noite de Gala da FIG”, honra concedida a poucos países.

-1992- O CTGG-CBG propôs a criação da Gymnaestrada Brasileira, fato que se concretizou com a realização da primeira edição deste evento em Nova Friburgo-RJ, com a denominação Gymbrasil.

-1995- As propostas desenvolvidas nos últimos anos resultou na significativa participação do Brasil na 10ª Gymnaestrada Mundial- Berlim - Alemanha. O país foi representado por 23 grupos, com 662 ginastas (10/SP, 04/RJ, 04/SE, 03/MG, 01/PE e 01/MS). Até a presente data, esta é a maior delegação brasileira de uma mesma modalidade, representante do país num evento internacional oficial.

Nesta mesma Gymnaestrada, pela primeira vez foi realizada uma Noite Brasileira, onde os grupos brasileiros apresentaram um festival próprio para o mundo da Ginástica, sendo este um dos mais concorridos eventos daquela Gymnaestrada.

-1999 - Simultaneamente à nona participação do Brasil numa Gymnaestrada Mundial (11ª), em Gotemburgo (Suécia), onde o país esteve representado por 18 grupos, com 382 integrantes, também aconteceu a publicação da obra História da Ginástica Geral no Brasil, de autoria de José Carlos Eustáquio dos Santos e Nadja Glória Marques dos Santos, ambos então professores universitário no Rio de Janeiro. Neste ano ainda foi realizado o Fórum Brasileiro de GG, promovido pela CBG e organizado pela Universidade de Campinas-Unicamp, em Campinas-SP.

-2001- Realização do Fórum Internacional de GG, em Campinas-SP, organizado pela Unicamp, sob a direção de Elizabeth P. Machado, professora daquela universidade.

-2003 -Realização do Fórum Internacional de GG, em Curitiba-PR, organizado pela CBG, com a orientação da FIG. Ainda neste ano, aconteceu a participação na 12ª Gymnaestrada Mundial, em Lisboa (Portugal). Como resultado do empenho coletivo no desenvolvimento da GG neste período, muitos fatos dignos de nota ocorreram, destacando-se a publicação de livros específicos sobre a modalidade, a realização de fóruns e festivais nacionais e internacionais, num total aproximado de 40 eventos oficiais e um número expressivo de festivais regionais.

-2007- Gymnaestrada Mundial em Viena (Áustria) –

- 2011- Europa.

PRINCIPAIS OBJETIVOS DA GINÁSTICA GERAL:

-Oportunizar a participação do maior número de pessoas em atividades físicas de lazer fundamentadas nas atividades gímnicas;

-Integrar várias possibilidades de manifestações corporais às atividades gímnicas;

-Oportunizar a auto-superação individual e coletiva, sem parâmetros comparativos com outros;

-Manter e desenvolver o bem estar físico e psíquico pessoal;

-Promover uma melhor compreensão entre os indivíduos e os povos em geral;

-Oportunizar a valorização do trabalho coletivo, sem deixar de valorizar a individualidade neste contexto;

-Mostrar nos eventos as tendências da ginástica;

-Realizar eventos que proporcionem experiências de beleza estética a partir dos movimentos apresentados, tanto aos participantes ativos quanto aos espectadores.

BIBIOGRAFIA:

Darido, S.C.- Rangel, I.C. - Educação Física na Escola.Rio de Janeiro, 2005.

Ayub, E. - Ginástica Geral e Educação Física Escolar. Campinas: Unicamp, 2004.

Bregolato, Roseli- Cultura Corporal da Ginástica. Ícone, 2002.



Eustáquio dos Santos, José Carlos- Ginástica Geral-

www.cbginastica.com www.ginaticas.com


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