Profa. Dra. Arilda Ines Miranda Ribeiro



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TEXTOS REFERENTES À FORMAÇÃO EDUCACIONAL BRASILEIRA e DIDÁTICA: PUBLICADOS EM REVISTAS, APRESENTADOS EM CONGRESSOS CIENTÍFICOS, de autoria de Arilda Inês Miranda Ribeiro.
Email: arildaribeiro@terra.com.br
Obs: Respeite o direito autoral. Ao referir-se a algum dos textos ou bibliografias

mencionadas nos mesmos, mencione a referência bibliográfica. 2007


1º. Texto) Sobre a Didática em Sala de aula:

Publicado em Junho de 2005 pela Editora Arte & Ciência São Paulo

No livro organizado por Arilda Inês Miranda Ribeiro e Ana Maria da Costa Santos

Menin. Formação do Gestor Educacional: necessidades de uma ação



democrática.
METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR: A FACE OCULTA DA SALA DE AULA.

Profa.Dra.Arilda Ines Miranda Ribeiro


Livre-Docente do Depto de Educação da FCT-UNESP

I-INTRODUÇÃO, II MESTRE, PROFESSOR E EDUCADOR, III-DISCIPULOS,

ALUNOS, EDUCANDOS, III-FASES EDUCATIVAS E DIFERENTES DENOMINAÇÕES

UTILIZADAS PELOS ALUNOS PARA SEUS PROFESSORES IV-ESPAÇO

IDEOLÓGICO EMOCIONAL DA SALA DE AULA, V-ÉTICA PROFISSIONAL

DOCENTE.

I INTRODUÇÃO.

É muito comum, na nossa época contemporânea, termos a figura do professor em sala de aula. Ele ministra muitas vezes, várias disciplinas e para um número considerável de educandos. No entanto, esse profissional não se dá conta dos diversos aspectos teóricos, físicos, emocionais que o cercam em seu ato educativo.

Um problema que se assevera de imediato é que existem dois tipos de professores: aqueles, que, tendo tido preparação pedagógica, não puderam valer-se dela para a solução dos problemas com que se defrontam em suas relações com os alunos e, por isso, voltaram-se as costas às teorias dos livros de pedagogia. O outro é aquele dos docentes que, tendo ingressado no ministério de aulas sem formação 3 especializada, tem caminhado pelo bom senso , pela imitação de seus antigos professores, por tentativas e erros, adquirindo uma didática puramente empírica, daquela denominada dá para o gasto . (Grisi, 1956, p.10) Basicamente esse último, ao estudar no ensino superior, não cursou as licenciaturas. Sendo bacharel em determinada profissão, iniciou sua carreira como professor como complemento de sua atividade específica.

No que tange aos pressupostos teóricos e a conceituação, é mister que esses profissionais, responsáveis pela transmissão e construção do conhecimento, tenham

acesso a trajetória da construção do conhecimento humano. É importante que conheçam a antiguidade clássica, desde os pré-socráticos até os pensadores de nossa época.

Para ser um bom professor, é importante levantar alguns questionamentos dessa atividade: o que fundamenta a ação docente? Como situar-se como professor em sala

de aula? Quem foram os primeiros professores? Como se dá a relação professor-aluno em sala de aula? Quais os objetivos a serem alcançados? É sobre essas questões, de ordem teórica e prática que teceremos algumas reflexões.

II MESTRE, PROFESSOR E EDUCADOR.

Os chineses podem ser considerados os primeiros pensadores, dentro da Filosofia Oriental, que cultivaram os caminhos em busca da sabedoria humana.

Chamados de Mestres observavam e refletiam sobre a origem do homem, dos seus sentimentos, de suas subjetividades, bem como do nascimento do espaço e da natureza física (o cosmos).

Normalmente abstinham-se de riquezas materiais e envolviam-se na meditação das razões da ação humana, dos legados de seus antepassados e procuravam incutir nas pessoas que se aproximavam deles, o exercício da paciência, do silêncio, da perseverança, para o bom desempenho da convivência humana. Os que se identificavam com suas filosofias foram denominados de discípulos e tinham como 4 objetivo divulgar as idéias do mestre. Confúcio pode ser considerado um dos primeiros mestres orientais (Luzuriaga, 1969).

Na Antiguidade Clássica Grega, temos como exemplo de mestres e discípulos, Sócrates, Platão e Aristóteles. Sendo Platão discípulo de Sócrates e Aristóteles discípulo de Platão. Sócrates não cobrava quando utilizava-se do seu método de interrogação, a maiêutica. Seu objetivo era que os homens pudessem aprender o significado suas virtudes para viverm bem em sociedade. (Durant, 2000)

No mesmo período de Sócrates, temos a figura do professor, o sofista. Os sofistas cobravam pelos seus ensinamentos aos jovens atenienses, o ato da eloqüência, da persuasão. Ferramentas indispensáveis no Curso de Direito dos nossos dias.

A denominação Mestre perpassa a Civilização Grega, Romana e a Idade Média. Jesus Cristo é um grande exemplo de mestre, que junto com seus discípulos, divulgou a máxima do Cristianismo: Amai ao próximo como a ti mesmo, e assim como Sócrates, nada escreveu e pouco pediu de seus discípulos.

A partir da primeira fase da Modernidade, começamos a vislumbrar a possibilidade do povo ter acesso à educação e conseqüentemente, a partir de Comenius, a escolarização sob a responsabilidade do Estado (Cambi, 1996). Com o surgimento das escolas públicas, surge o professor, que tem como objetivo a transmissão dos conhecimentos clássicos e universais. Com ele, temos a presença do aluno.

Esses dois seres terão a sua convivência estreitada a partir de meados do século XIX, e indissociáveis no século XX. Atualmente preferimos a denominação de Educadores e Educandos, visto que a Educação contempla tanto a assimilação dos conhecimentos enciclopedistas, tanto quanto a humanização ética. Ser formador e informador. Ter a formação e a informação são objetivos básicos do educando do século XXI, e nesse sentido adquirir a cidadania necessária a boa convivência em sociedade.

III-FASES EDUCATIVAS E AS DIFERENTES DENOMINAÇÕES QUE OS ALUNOS

UTILIZAM PARA SEUS PROFESSORES.

Na nossa contemporaneidade convivemos, na escola, com diversas fases educativas e em cada uma delas, sob o nosso ponto de vista, existe um perfil de professor e de aluno.

No período do Ensino Infantil, que perpassa o início da vida da criança dos 0 aos 6 anos, o professor tem um papel fundamental, em que quase substitui os pais em suas vidas. Quando entram na escola, sofrem uma separação dolorosa dos familiares. Órfãos dos pais, denominam seus professores de tios porque são os parentes mais próximos de sua intimidade, de sua afetividade.

É uma fase interessante, onde o ser humano é muito autêntico. Nesse período, formação de sua identidade, o professor é muito importante. A criança pede para ser avaliada pelo professor, quando mostra seus rabiscos e procura a sua apreciação. Ë também nesse período que ela traz à tona seus sentimentos mais profundos de amor ou de ódio. Inocentemente, afirmam com muita veemência que sentem saudades da sua professora, que são admiradores. Demonstram afeto através de bilhetes apaixonados, sofrem quando chegam as férias e ficam sem as tias . Essa paixão, essa relação de carinho perdura durante a primeira fase do Ensino Fundamental (dos 07 aos 10 anos).

Infelizmente, a criança encerra sua convivência feliz com seus professores das séries iniciais quando entra na 5a.série do Ensino Fundamental. Nesse período, o aluno sofre novamente outra separação. Agora, não mais dos pais, mas dos tios . É que na 5a.série aumenta o número de professores, o número de disciplinas a serem estudadas, o rigorismo e a exigência da família e dos professores para com as suas obrigações escolares. O aluno agora não pode mais enfeitar seus cadernos, pintar, desenhar, cantar, etc. Fica proibido de chamar seus professores de tio . Agora são pessoas estranhas à sua vida que vão ficar com eles durante muitos anos. Tornam-se

assim estranhos, denominados por Seu fulano de tal ou a Dona de Matemática.

Ficaram órfãos dos tios.

Se os alunos pudessem escolher ficar na 5a.série ou voltar para a 4a. certamente uma boa parte retornaria à 4a. série primária, onde havia mais afetividade em suas vidas. No entanto o sistema não permite e muito menos contorna esse problema. Conseqüência disso são as evasões e repetências nessa série, denominadas de Fracasso Escolar , objeto de muitas dissertações e teses acadêmicas. Como estão órfãos dos tios, e os pais lhes cobram posições mais maduras, seus pares prediletos agora são os amigos. Copiam os gostos, os vestuários, o comportamento dos amigos. Assumem papel preponderante na vida dessas crianças pré-adolescentes.

Também é nesse período, da 5a. série e que se estende até a 8a.série, que a criança se transforma no Adolescente. Diríamos que é o período crucial para a convivência entre professores e alunos. Há uma clara ausência de sintonia entre eles.

O professor cobra conhecimento, o aluno cobra compreensão, respostas às suas perguntas mais íntimas da sua convivência com a sociedade, com o mundo. Ele está confuso e em processo de mudanças de todo o tipo. Biologicamente o corpo muda. Sua voz engrossa, criam-se espinhas no rosto, pelos pelo corpo. As meninas menstruam, os rapazes tem os pênis aumentado, etc. Também é nessa época que os sentimentos de amor sexual e afetivo, de amizade acentuam-se. Aumenta também o desejo de consumo, dos bens materiais, do exibicionismo entre os grupos, entre os gêneros.

Não é fácil ser professor desses alunos, se o profissional da educação não entender o perfil dos mesmos. Tornam-se indivíduos contestadores, irreverentes, inquietos. Adoram ser desafiados, buscam a liderança. É o período onde os alunos mais evadem da escola, onde há mais índice de violência, de consumo de drogas, de meninas grávidas, de consumo de álcool, etc.

No Ensino Médio, os alunos já estão mais calmos. Já possuem romances mais fixos, mais freqüentes. O corpo já transformou-se e eles já se acostumaram com as novas regras escolares: muitos professores e conteúdos diversificados. Conseguem, as vezes, até brincar, quando denominam o professor de Prof ou de Sor . Surge nessa época uma outra preocupação: o vestibular. É o primeiro momento da vida do jovem em que ele vai ser avaliado. A sociedade, a comunidade, a família cobram sua opção por uma profissão. O aluno sofre com o medo do fracasso, com o medo do desconhecido. Nesse momento ele também percebe que ficará órfão dos amigos.

Também eles farão o vestibular e partirão, muitas vezes, para lugares distantes. Outros irão interromper a escola e partirão para o mercado de trabalho. Ele vai ficar só. Sem os pais, sem os tios , sem os amigos e ele próprio, muitas vezes, partirá. Nesse momento, os alunos se aproximam de alguns professores, solicitando ajuda para obterem êxito nesse exame. Principalmente para os professores de redação e disciplinas mais complexas.

Os poucos que entram no Ensino Superior, deparam-se com uma situação mais confortável. Usufruem, na Graduação, de uma liberdade que não possuíam nos níveis educacionais anteriores. Podem sair da sala de aula ou da escola quando quiserem. O controle da freqüência está contido nas cadernetas dos professores. Não

há mais rigidez dos inspetores de alunos trancando os portões da escola. Alguns alunos já são casados, são trabalhadores. O tratamento com os professores é mais calmo. A preocupação é com a aquisição e domínio dos saberes e a obtenção do diploma. O próprio aluno se cobra e chama o professor pelo nome. Retorna lentamente o interesse pelo professor, pelo conhecimento. Mas está preocupado, nesse momento, mais com a profissão a ser conquistada, do que com o aprofundamento do estudo. Finalmente, na Pós-Graduação, o educando retoma os mesmos valores de sua fase inicial escolar. Interessa-se pelas disciplinas, que voluntariamente escolheu para estudar e se aperfeiçoar. Demonstra explicitamente admiração pelos professores.

Mostra seus projetos de pesquisa, pede para ser avaliado em seus escritos, em seus trabalhos. Tece elogios ao saber e agradece, nas monografias, dissertações e teses, o benefício que obteve de seus professores.



IV-ESPAÇO IDEOLÓGICO E EMOCIONAL DA SALA DE AULA

A sala de aula é um espaço que comporta dois persongens: o professor e os alunos. Nesse local se estabelecem relações afetivas, emocionais, racionais, entre outras. Vivenciamos esse espaço durante a maior parte da nossa vida, como alunos e alguns, como professores, e no entanto pouco descrevemos ou refletimos sobre seu valor simbólico. (Marchand, 1956, p.29)

Originariamente a sala de aula, tal qual a conhecemos, provém da Academia de Platão, onde o mestre fazia interlocução com os seus vários discípulos. (Durant, 2000)

Daquela época até os nossos dias, muito pouco mudou nessa relação e interlocução.

Geometricamente a sala de aula é de tamanho retangular ou quadrado. O professor fica centralmente na frente, seguido de filas de alunos, até o final da sala.

Existem vários tipos de professores: os que falam alto, os que quase que sussurram, os que olham para a janela ou o teto, quando expõem suas idéias, os que ficam com as mãos nos bolsos, os que ficam parados no mesmo lugar, os que andam rapidamente, transformando a sala de aula em um cooper . Existem os professores que centram o olhar em um único aluno, que senta e raras vezes levanta e anda pela sala, enfim, há inúmeros tipos e que são danosos para o processo de ensino-aprendizagem. Nesse encontro, seres vivos, seres humanos, confinados dentro dos limites da classe, se defrontam, se comunicam, se influenciam mutuamente. (Abreu & Masetto, 1989, p.113).

O professor, por estar em lugar de destaque, deve ter o cuidado para não chamar muita atenção sobre si. É importante observar seu vestuário. Não deve ser exuberante, luxuoso ou ostentativo. É de bom senso que utilize uma roupagem discreta, condizente com o papel que desempenha de catalizador de atenções.

Quanto aos alunos e sua disposição na sala, é bastante conhecida a formação de suas fileiras. Inicialmente temos a primeira fila, denominada pelos outros alunos de C.D.F. (desnecessário a tradução, visto que é conhecida pela maioria). Também chamada de Trem Bala , porque são sempre os primeiros a terminar a tarefa. São os alunos que os professores, de certa forma, mais apreciam. São sempre corajosos, tidos com inteligentes, estão sempre com a matéria em dia, e o mais importante: são solidários com os professores. Atendem os seus pedidos ao menor sinal. São vistos, pelo restante da classe, como os puxa-sacos , aduladores do professor.

Se há a primeira fila, existe a última. Essa é muito conhecida dos professores, que não gostam muito dos alunos que a freqüentam. É denominada de Fundão, cozinha e se existe a denominação Trem Bala para os da frente, para o fundão seu apelido é Maria Fumaça já que os alunos demoram muito mais para acabar os trabalhos solicitados em sala. É importante salientar que o fundo da sala é mais descontraído, mais distante geográfica e ideologicamente do professor. Se fizermos uma reflexão sobre os apelidos, vamos perceber que a cozinha é o lugar mais agradável da casa. Onde são deixados os formalismos da sala, e entre a degustação de alimentos, se entabula conversas mais informais.

Mas, quem senta-se no Fundão, na Cozinha da Sala de Aula? Os professores não percebem, mas muitas vezes encontramos alunos nesse local, que foram colocados lá, pelos próprios docentes. Por exemplo, quando surge na sala um aluno de alta estatura, é muito comum o professor solicitar que ele sente lá atrás, para não atrapalhar a visão dos menores. Com o passar do tempo e de séries, esse aluno nem vacila mais. Chega no primeiro dia de aula e já vai para o fundo, evitando o pedido conhecido. Outro tipo de aluno que senta no fundo, é o medroso. É o educando que tem receio da matéria ou ausência de identificação com o professor por motivos diversos. Se esconde, para manter-se em sala de aula.

Finalmente, no fundo encontra-se também um tipo de aluno que os professores geralmente não gostam, tem pouco contato, matem uma certa distância. Esse alunos que sentam na última fila, são muito parecidos com os alunos da primeira. Possuem grandes qualificativos: são corajosos, inteligentes, estão para o que der e vier! A diferença é que eles não são solidários aos professores!! Ao contrário, disputam a liderança, palmo a palmo com o educador. Na primeira oportunidade de ausência do professor, eles tomam o controle da classe. São muitas vezes, carismáticos, divertidos, criativos. Os demais alunos da sala gostam da sua atuação desafiadora. Outros, são ostensivos, violentos, rebeldes. Não são muitos, mas vivem no imaginário do professor, que as vezes, esquecendo do restante da sala, se preocupam, intensivamente, em medir o grau de autoridade com esses alunos. Por diversas razões, eles agem na direção contrária ao objetivo do professor. São os chamados alunos-problemas. A atuação e o êxito de suas potencialidades vai depender do modo de agir do líder, que no caso, deve ser o professor.

A relação entre ambos devia ser de parceria. No entanto, a percepção de que o relacionamento em sala de aula é a reprodução, guardadas as devidas proporções, das relações complexas e ambíguas que existem na sociedade contemporânea, em muitos casos se agravam, e um dos dois atores é penalizado. Ou o aluno ou o professor. Falta a compreensão mais aprofundada do desenvolvimento do aluno-problema, na realidade da sociedade... estes e outros fatores semelhantes contribuem para que o próprio papel e, conseqüentemente, a ação do professor em sala de aula se tornem cada vez mais complexos e ambíguos (Abreu&Masetto, 1989, p.115).

Mas, além da primeira e da problemática última fila, existem os alunos que ficam no meião . São os intermediários. Alunos completamente desconhecidos dos professores! Alunos que tiram entre cinco e sete. Às vezes um três, raramente um nove. Alunos medianos, que não fazem trabalhos excepcionais, nem fracos. Filhos de

classe média, possuem uma religião, uma família com pequenos problemas, enfim, são aqueles chamados de MAIORIA! É exatamente esse contingente de alunos que deve ser considerado pelos professores. São os que no futuro, atuarão na sociedade como farmacêuticos, padeiros, verdureiros, mecânicos, comerciantes, bancários, etc.

Não são alunos rebeldes, nem dóceis. Atendem tanto os reclamos do professor, como a brincadeira dos alunos do fundão. Vão de acordo com a tendência de liderança.

Nesse sentido, o professor deveria estar mais atento as suas reivindicações, olhar com mais acuidade suas potencialidades, e descobrir que nem toda à classe é rebelde, é problemática. A maioria não é! Cuidar não só da maioria, mas de todos, indistintamente, sem exclusão. (Gentili, 1995)

A preocupação central do professor é com a aprendizagem de todos os alunos, indistintamente e não com o ensino (do professor). Que todos, da primeira, do meio e

da ultima fila tenham o mesmo tratamento dos professores. Cabe ao professor dar as

diretrizes do relacionamento de sala de aula.

É necessário a construção de um conhecimento, em sala de aula, que perpasse a afetividade, e basicamente, a formação do conceito de Cidadania plena. Nesse sentido o professor é um facilitador da aprendizagem: Quando um facilitador cria, mesmo em grau modesto, um clima de sala de aula, caracterizado por tudo que pode empreender de autenticidade, apreço e empatia; quando confia na tendência construtora do indivíduo e do grupo; descobre, então, que inaugurou uma revolução educacional (Rogers apud Abreu & Masetto, 1989, p.117).

Nesse sentido, a aprendizagem se transforma em vida. O ato de aprender e aprender consiste, portanto, num esforço de clareza e este é feito em proveito do aluno, mas quando levado a bom termo, o próprio docente aproveita.

V A ÉTICA PROFISSIONAL

Toda ação humana é pautada por valores e princípios que motivam, orientam pou tolhem a conduta do homem, em benefício do individuo ou da sociedade. Em todo e qualquer agrupamento de indivíduos, desde a mais antiga civilização, reconhece-se um código de conduta, direcionado para objetivos pragmáticos e utilitários. A ética, entendida como o estudo das finalidades últimas, ideais, dirige a conduta humana para o máximo de harmonia, universalidade e excelência, como o convívio fraterno e solidário em sociedade. (MEC/ INEP, 2002)

Infelizmente, nos dias de hoje, se existe uma categoria profissional que eticamente tem deixado a desejar, na sua atuação pública, é a dos professores. É muito comum encontrarmos no meio professoral, professores criticando colegas de profissão, em relação à sua atuação em sala de aula, no seu domínio de habilidades e competências, no planejamento de suas aulas. Não é raro que colegas da mesma instituição invadam a intimidade dos colegas professores, denegrindo sua imagem no que toca à sua crença, à sua opção sexual, à sua raça, mesmo que isso vá contra os princípios democráticos da Constituição Brasileira em vigência.

Também é muito comum que, alguns professores e gestores da área educacional não só permitam que profissionais de outras áreas do conhecimento, leigos na história do desenvolvimento da Educação teçam comentários jocosos contra o ensino atual. O pior é que muitas vezes, esses mesmos professores acatam críticas desconstrutivas, vazias de argumentação e propriedade, reforçam inverdades fundamentados na filosofia do achismo casuístico.

A postura do professor deveria estar pautada na legislação em vigor. A consideração pelos colegas de profissão, pelo respeito aos seus superiores hierárquicos na escola, aos seus alunos, aos funcionários, implica em respeitar a identidade institucional. O professor, principalmente das escolas públicas, deve ter em mente que é um profissional como qualquer outro, no desempenho de suas funções.

Deveria cumprir seus deveres, assim com muitas vezes reivindica seus direitos. É seu dever zelar pela aprendizagem dos alunos de menor rendimento escolar, elaborar e cumprir a proposta pedagógica de sua escola, ser um professor efetivo, evitando faltas em demasia, etc (Artigo 13 LDBEN 9394/96).

Concluindo essas questões reflexivas, que estão normalmente ocultas no cotidiano da escola, dentro das várias reflexões que podemos tercer em Metodologia do Ensino, poderíamos lembrar que o professor é uma figura pública. Ele é um exemplo seguido e moldado pelo aluno na sala de aula. Suas atitudes internas e externas à classe são geralmente acompanhadas pela comunidade, pelos alunos, pelos egressos, pais, sociedade em geral. Nesse sentido, é de bom tom que lembremos que suas ações públicas são observadas, e que podem, de certa forma, comprometer à sua credibilidade, quando o mesmo se envolve em discussões, confrontos, bebedeiras, atividades duvidosas, etc. A preocupação em manter uma certa discrição, garantindo os direitos à sua individualidade, contribuem para a manutenção de condutor de potenciais humanos.

O aluno deseja um professor que o ajude a melhorar sua vida e o objetivo da escola, desde os tempos mais remotos, é tornar os indivíduos mais felizes. Como afirma Snyders A maior alegria cultural é sentir-se participante de auto-progresso, do progresso da sua comunidade, do progresso do mundo (Snyders, 1996, p.2000) Cabe

ao professor esse grande papel de construtor de progressos e alegrias.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

ABREU, Maria Célia & Masetto. O professor universitário em aula. São Paulo:, MG,

1989.

DURANT, Will. A História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 2000.



ÉTICA. Adauto Novais (Org) São Paulo, Cia das Letras, 2000.

GRISI, Raphael. Didática Mínima. São Paulo: Do Brasil, 1956.

GENTILI, Pablo. Pedagogia da Exclusão: Crítica ao Neoliberalismo em Educação.

Petrópolis: Vozes, 1995.

LUZURIAGA, A. História da Pedagogia. Barcelona, s.e.e., 1989.

MARCHAND, Max. A afetividade do educador. São Paulo: Summus, 1985.

MEC/INEP. Princípios éticos e orientações de conduta. Diretoria de Estatísticas e

Avaliação da Educação Superior. Brasília: MEC, 2002.

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL 9394/96.

RIBEIRO, Arilda Ines Miranda & MENIN, Ana Maria da Costa Santos. Formação do



Professor: Contribuições e reflexões dos docentes e discentes dos cursos de pósgraduação

Lato Sensu em Gestão Educacional e O Ensino do Texto: teoria e prática

em sala de aula (1999-2000). São Paulo: Arte & Ciência/Villipress, 2001.

SNYDERS, Georges. Alunos Felizes: reflexão sobre a alegria na escola a partir de



textos literários. São Paulo: Paz e Terra, 1996.


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