Professor autoridade ou Professor autoritário? Mucke,Deise



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Professor autoridade ou Professor autoritário?

Mucke,Deise



deisemck@onda.com.br

Kulik R.M. Karla



Karla.kulik@gmail.com

RESUMO


O presente artigo tem o principal objetivo apresentar uma reflexão sobre as metodologias aplicadas no ambiente escolar, demonstrando os conceitos e a importância da construção dos princípios da convivência dentro de uma sala de aula, considerando a ética e a alteridade dos alunos em prol de um sucesso na aprendizagem e na interação entre os mesmos.

Palavra - chave: Educação, metodologia, relação aluno-professor.

INTRODUÇÃO.

A escola tem como estrutura um corpo de princípios e valores dados pelo sistema educacional por meio de leis, decretos e papéis formalmente estabelecidos, outro corpo de valores de princípios e valores construídos e reelaborados no seu interior, pelos participantes do processo educacional.

Educar é uma tarefa que exige comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade e deve ser executada por toda a equipe pedagógica.

A educação está em constante transformação e os principais questionamentos são como e qual a melhor maneira de fazer os estudantes se interessarem pelas disciplinas, bem como a importância de um melhor relacionamento entre os mesmos.

Atualmente, existem duas linhas de atuação na educação; uma metodologia fechada, sem discussão, impositiva e autoritária, com uma metodologia aberta, com discussões e o professor visto como autoridade.

Assim, este artigo pretende demonstrar a importância do professor em construir os princípios de convivência dentro da sala de aula considerando a ética e a alteridade dos alunos em prol de um sucesso na aprendizagem e na interação entre os mesmos.

A Moralidade

Piaget (1994, p.23), afirma que “as regras morais que a criança aprende a respeitar, são transmitidas pela maioria dos adultos, isso significa que a elas já chegam elaboradas, porém não na medida de suas necessidades e interesses, mas de uma única vez através da sucessão ininterruptas das gerações adultas anteriores”. Na visão de Piaget a moralidade não é um valor intrínseco ao ser humano.

Desde muito pequena a criança já é submetida a regras e costumes na convivência familiar, e é neste momento em que a criança inicia seu processo de aprendizagem, descobre que existem regras a cumprir. As regras sociais que a criança defronta-se não é de interesse pessoal e nem de suas necessidades.

Entretanto acredita-se que a moral é passível de serem conquistadas pela educação, que jogos coletivos, apoiados em regras, são suas ferramentas essenciais.




A MORAL HETERÔNOMA

MORAL AUTÔNOMA A

 

1. É imposta a partir do exterior como um sistema de regras obrigatórias. Tem caráter coercitivo e é a fonte do dever.

2. Baseia-se no princípio de autoridade, no respeito unilateral e nas relações de pressão.

3. Encontra-se, de fato, na maioria das relações e entre o adulto e a criança.

4. Sua prática é defeituosa por ser exterior ao indivíduo que a deforma egocentricamente.

5. A responsabilidade é julgada em função das conseqüências materiais de uma ação: realismo moral.

6. A noção de justiça se baseia primeiro na obediência à autoridade e no ato de evitar o castigo. E as proibições devem ser necessárias, dolorosas e arbitrariamente castigadas. A função do castigo é a expiação. Por fim, a justiça começa a basear-se na igualdade. Deixa de ser retributiva e se faz distributiva, passando por uma fase de mero estrito igualitarismo.


 

1. Surge do próprio indivíduo como um conjunto de princípios de justiça. Tem caráter espontâneo e é a fonte do bem.

2. Baseia-se no princípio da igualdade, no respeito mútuo e nas relações de cooperação.

3. Não é estática e fixa, mas uma forma de equilíbrio limite nas relações sociais.

4. Sua prática é correta por ser o resultado de uma decisão livre e racional.

5. A responsabilidade é julgada em função de intenção.

6. A noção de justiça supera a fase do estrito igualitarismo para basear-se na equidade. O princípio de justiça autônoma é a forma superior de equilíbrio das relações sociais. Baseia-se na reciprocidade. Os castigos se convertem, assim em algo motivado, não necessário e recíproco.

Piaget(1994)

A Autoridade

Autoridade pode ser definida segundo Ferreira (2001:236) como “1. Direito ou poder de se fazer obedecer, de dar ordens, de tomar decisões, de agir; etc... 5. Poder atribuído a alguém; domínio. 6. Influência, prestígio, crédito”.

Esta pode estar diretamente ligada à noção de regras e não ser compreendida como uma forma natural de ação, como algo que é maior, que governa nossas atitudes e que nos obriga a tomar determinadas decisões mesmo contra a nossa vontade.

Dentro deste contexto observa-se que no ambiente escolar cada integrante do processo reage de uma maneira e adota um padrão de comportamento diferente, porem respeitando as normas pré-determinadas e aquele que não se adapta acaba por trazer conflito no ambiente escolar.

A autoridade é exercida de duas formas: pelo domínio ou pelo poder institucionalizado, como ocorre na instituição escolar, ou pelo prestígio daquele que demonstra possuir competência em determinado assunto (professor-autoridade). Por tal atitude, é que parte uma admiração nutrida pelos seus subordinados a partir do prestigio e da capacidade (ARAUJO, 1999;41).

A autoridade autoritária se baseia no respeito unilateral, onde aquele que respeita não se vê obrigado a também respeitar o outro (ARAUJO, 1999:34). Esta é compreendida por Piaget (1994) como um instrumento de submissão a regras pré-estabelecidas cuja origem permanece no exterior do sujeito. Desta forma, o professor cobra respeito de seus alunos, mas em muitos momentos não age da mesma forma com eles, pautando sua relação na obediência e no medo, formando indivíduos submetidos à opressão das tradições e das gerações anteriores, isto é, a moral da obediência cega. Com esta atitude o professor está reforçando uma moral na qual as regras são externas ao aluno e na visão do mesmo são imutáveis e inquestionáveis. Desta forma, a autoridade do educador, as lições de moral, o sistema de encorajamento (prêmios) e sanções punitivas (castigos) que são freqüentemente pelos educadores acabam por formar pessoas obedientes e passivas, que pautarão suas futuras relações, seja dentro ou fora da escola, no respeito unilateral.

Ao pautar a relação professor-aluno no medo da punição, o primeiro pode levar seus aprendizes a três tipos de reações (Kamii, 2000:107). A primeira é o calculo de riscos, onde a criança punida repete o mesmo ato, mas tentando evitar ser descoberta. A segunda reação por parte da criança é uma conformidade cega, pois esta lhe gera segurança e respeitabilidade. Ao agir de modo conformista, a criança deixa de tomar decisões, e passa a obedecer cegamente às ordens impostas por seu mestre. A terceira possibilidade é a revolta, comum em alguns de nossos adolescentes, que se envolvem em comportamentos que vão desde a indisciplina até a delinqüência. Portanto, quando o professor baseia a interação na sala de aula na ameaça de punição, toda a afetividade que pode se estabelecer na interação na sala de aula e que gera o respeito mútuo dá lugar ao medo, que se mantém enquanto aquele que detém o poder utiliza seus instrumentos de coação, de cobrança, de ameaça. Esta falta de afetividade, somada à obrigação de obediência pode aumentar a indisciplina na sala de aula, pois se os alunos não respeitam o professor.


Como contraponto à autoridade autoritária, a autoridade liberal é o produto da relação professor-aluno (DAVIS e LUNA, 1991; GUZZONI, 1995). De acordo com Piaget (1994), a autoridade do professor não deve ser questionada, tampouco abandonada, visto que é legítima e indispensável na relação pedagógica. Isto ocorre porque o professor possui um saber, um conhecimento de como auxiliar os alunos a aprender, sendo ele o responsável pela educação de seus alunos e pela construção de um ambiente propício à aprendizagem, o que lhe confere um certo poder. Essa responsabilidade, por si só, já confere ao educador uma autoridade (VINHA, 2000).

Porém, não é a presença da autoridade que está errada, mas sim seu abuso, o exagero, a autoridade desmedida, o autoritarismo, o fato de ela repousar sobre a utilização contínua de sanções (VINHA, 2000). Essa deve ser utilizada dentro dos limites da democracia, pois é importante que aquele que detém a autoridade saiba que seu fundamento está na liberdade dos outros, e que se a primeira nega a segunda e corta a relação que a embasa, deixa de existir, passando a se tornar autoritarismo (FREIRE e SHOR, 2000). Assim, a autoridade do docente deve fornecer ao educando “todo o apoio e amparo para que esse se torne um adulto, capaz de se colocar objetivos, levantar alternativas de ação, selecionando a mais eficiente do ponto de vista social e pessoal e, deliberadamente, refrear todo e qualquer impulso que impeça ou protele a execução da opção escolhida” (DAVIS e LUNA, 1991)

Considerações Finais

O principal ponto observado em todos os artigos revisados é o comprometimento pessoal na metodologia adotada pelo professor como uma forma de ser visto, respeitado como uma autoridade em sala de aula, mas sem imposições e regras fechadas, ressaltando assim, um convívio inter relacional saudável em sala de aula.

Referencias:

PAGET, J. O juízo moral na criança. Tradução Elzon L. 2. Ed. São Paulo:Summus,1994

FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

ARAÚJO, U. F. Respeito e autoridade na escola. In: AQUINO, J.G. (org.). Autoridade e autonomia na escola: alternativas teóricas práticas. 7ª ed. São Paulo: Summus Editorial, 1999. p. 31-48

DAVIS, C.; LUNA, S. A questão da autoridade na educa-ção. In: Caderno de Pesquisa n. 76. São Paulo: Fundação Carlos Chagas, fev. 1991.

GUZZONI, M. A. A autoridade na relação educativa. São Paulo: Annablumme, 1995.



VINHA, T. P. O educador e a moralidade infantil: uma visão construtivista. Campinas: Mercado das Letras, 2000.

FREIRE, P., SHOR, I. Medo e ousadia: cotidiano do pro-fessor.8a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.


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