Professores primários como intelectuais da cidade: um estudo sobre produçÃo escrita e sociabilidade intelectual



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Revista de Educação Pública. Universidade Federal do Mato Grosso, n. 17, 2008.
PROFESSORES PRIMÁRIOS COMO INTELECTUAIS DA CIDADE: UM ESTUDO SOBRE PRODUÇÃO ESCRITA E SOCIABILIDADE INTELECTUAL (CORTE IMPERIAL, 1860-1889)

Alessandra Frota M. de Schueler1


RESUMO
Inserido no campo da História da Educação, o presente ensaio apresenta resultados parciais de um estudo que investiga as experiências profissionais e a produção escrita de um grupo de professores(as) do ensino primário na Corte Imperial. Apresentam-se aqui dados relativos à formação, ao ingresso e à trajetória desses profissionais no magistério, bem como a participação deles nos grupos de sociabilidade intelectual. As fontes selecionadas para análise foram dicionários biobibliográficos, imprensa pedagógica, relatórios oficiais, cartas, requerimentos, entre outros documentos pertencentes aos acervos públicos. Sustenta-se a hipótese de que esses(as) educadores(as) se destacaram por sua atuação como intelectuais da cidade, participando ativamente dos debates educacionais.
Palavras-chave: História da profissão docente. Sociabilidades intelectuais. Produção escrita. Obras didáticas. Corte Imperial.

Primary teachers as city intellectuals: a study about the written production and intellectual sociability (Corte Imperial, 1860-1889)


ABSTRACT
In the History of Education field, this essay, located, has as an objective to analyze the professional and experiences of primary teachers in Corte Imperial. This research, in progess, intends to investigate the formation, access and the trajectory in the public teaching carrer as well their participation in intellectual sociability groups and their written production. In addition to these works, other modalities of writing are analyzed such as memories, official reports about schools, letters, mail, responses to government petitions, etc. This study supports the hypothesis that these teachers had a highlight position because of their actions as urbans intellectuals who reflected about educational questions.
Key words: History of the Teaching career – intellectuals’ sociabilities – written production – didactic books – Imperial Court

Inserido no campo da História da Educação, o presente estudo, que se encontra em andamento, tem como objetivo analisar as experiências profissionais, coletivas e individuais de professores do ensino público primário na Corte Imperial. Também, busca contemplar as possíveis origens socioculturais desses educadores, assim como os espaços de participação política e as possibilidades de diálogo com as autoridades administrativas competentes acerca das questões educacionais que circulavam nos Oitocentos.

Os professores abrangidos na investigação são: Adelina Amália Lopes Vieira, Antonio Estevão da Costa e Cunha, Antonio José Marques, Armando de Araújo Cintra Vidal, Augusto Candido Xavier Cony, Francisco Alves da Silva Castilho, Guilhermina de Azambuja Neves, Gustavo José Alberto, Luiz Augusto dos Reis, Luiza Emília da Silva, João da Matta Araújo, José Roberto Moreira, Januário dos Santos Sabino (pai e filho), João Rodrigues da Fonseca Jordão, Joaquim José de Carvalho, José João de Pavoas Pinheiro, Manoel José Pereira Frazão, Maria Guilhermina Loureiro Andrade, Rosalina Pereira Frazão e Thomázia de Siqueira Queiroz e Vasconcellos. A seleção desse grupo de mestres justifica-se pela posição de destaque que alcançaram nos quadros da instrução pública em razão de sua expressiva atuação como docentes e intelectuais, que ainda nos rendeu significativa produção escrita sobre as questões educacionais relativas à cidade do Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX .

A pesquisa visa investigar a formação, o ingresso e a trajetória desses professores no magistério público, bem como suas contribuições na construção da cultura escolar, sua participação nos grupos de sociabilidade intelectual e sua produção escrita no campo dos saberes e das práticas pedagógicas.

O estudo dos grupos e dos lugares de sociabilidade intelectual privilegia as condições sociais em que as obras são produzidas, reconhecendo a autonomia relativa desse campo, sem esquecer que ele possui vinculações mais amplas. Investigar as sociabilidades significa seguir as trajetórias de indivíduos e grupos, buscando mapear suas idéias, tradições, comportamentos e formas de organização, de modo que seja possível caracterizar e compreender seus esforços de reunião e de afirmação de identidades em determinados momentos históricos (GOMES, 1996).

O recorte temporal contemplado corresponde à segunda metade do século XIX, um período de transformações políticas, econômicas, sociais e culturais no qual tanto o Estado quanto as instituições escolares estavam se constituindo, juntamente com novas representações sobre a nação e a educação brasileiras (GONDRA, 2004). Nessa época, os professores primários e secundários passaram a elaborar livros didáticos, tornando-se assim autores de obras destinadas ao ensino nas escolas primárias e secundárias (GASPARELLO; VILLELA, 2006; TEIXEIRA, 2004). Juntamente com a análise dessas produções, são examinadas neste ensaio outras modalidades de escrita impressa ou manuscrita, como revistas pedagógicas, memórias, relatórios oficiais sobre as escolas, cartas, correspondências, petições, abaixo-assinados, repostas a petições do governo, entre outras encontradas no acervo do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro e no Arquivo Nacional2.

Para o trabalho com a vasta documentação escrita dos professores e das professoras, seguindo as pistas metodológicas de Viñao (2004), nosso olhar se volta tanto para os chamados documentos auto-referenciais ou pessoais, como o gênero literário (considerado nas suas materialidades e formas, nas suas relações com os suportes), quanto para os textos não pessoais, os chamados institucionais, tais como, as memórias sobre as escolas, os escritos para uso pedagógico, os relatos de experiências de ensino (os fazeres), as referências à realidade escolar vivida, incluindo aqueles textos em que os professores querem dar a conhecer tanto a realidade material, pessoal, profissional, as suas condições de trabalho, quanto os materiais produzidos para viabilizá-lo (métodos, livros, mobiliário). Esses textos podem ter sido publicados em forma de livro, folheto, mas podem aparecer também como artigos de jornais e revistas pedagógicas, obras coletivas ou de iniciativa própria, respostas a concursos ou petições, constituindo em muitos casos manuscritos, nos quais é possível observar os sujeitos e suas práticas. Os limites entre a natureza desses textos não são rígidos, na medida em que pode haver registros de cunho pessoal nos de ordem institucional e vice-versa3.

O levantamento e a análise dessa documentação permitem-nos reconstruir aspectos dos processos de escolarização, da constituição da cultura escolar e dos saberes, possibilitando, ainda, a reconstrução das experiências individuais e coletivas dos professores no contexto das práticas e experiências cotidianas de ensino. A metodologia utilizada procura situar historicamente as produções escritas desses professores/autores, integrando suas trajetórias pessoais e profissionais com seus contextos sociais e institucionais4.

Nessa perspectiva, partilhamos da hipótese de Carlota Boto (2003), que, ao investigar a constituição do ofício do professor primário português, no decorrer do século XIX, produziu um alargamento do conceito de intelectual, considerando esse profissional como integrante de um grupo específico de intelectuais, cujo processo de formação constava da própria constituição da cultura escolar e abarcava não apenas os saberes e as práticas de ensino, mas, sobretudo, os gestos e as feições, as formas de agir e de se comportar no cotidiano da educação escolar. Assim, compreendendo o intelectual como aquele que, sozinho ou coletivamente, se ergue diante de sua sociedade como portador de determinados valores, Boto verificou no discurso do professor primário português, por meio da análise de vasta produção escrita, o reconhecimento do seu lugar como guardião de valores, para além dos saberes específicos irradiados pelo processo de escolarização, que ultrapassava o repertório dos saberes intelectuais, envolvendo a educação dos valores, a formação de virtudes, da moral, do civismo e da civilidade. Esses educadores, ao produzirem obras, livros, compêndios, artigos para revistas especializadas ou trabalhos para as Conferências Pedagógicas e ao participarem de atividades políticas e funções públicas, contribuíam para a conformação de uma ideologia da nação, enfatizando o ser português e a construção da nacionalidade por meio da escola, dos saberes e dos compêndios e, é claro, de sua própria responsabilidade intelectual como educadores5.

Do mesmo modo, podemos considerar os professores primários brasileiros como integrantes de um grupo específico de intelectuais, em que pesem a diversidade de suas trajetórias pessoais e profissionais e de suas experiências de vida (THOMPSON, 1981). Concordamos com a hipótese de Le Goff (2003) segundo a qual os intelectuais urbanos devem ser referidos no plural, devido à diversidade dos sujeitos pertencentes aos grupos de letrados desde o renascimento das cidades no Ocidente medieval europeu. Esses ilustrados encontravam-se na base do campo intelectual, integrando o conjunto daqueles profissionais especializados das artes liberais e mecânicas, que manejavam a escrita e a leitura como condição para o exercício de seus ofícios e profissões (homens da Igreja, advogados, médicos, mestres, professores primários, notários, escribas e algumas categorias de artesãos qualificados)6.

Schueler, no período da elaboração de sua dissertação de mestrado e tese de doutorado, em 1997 e 2002, respectivamente, observou que os professores primários da Corte, cidade-capital do Império brasileiro, participavam ativamente nos debates educacionais desde o início da década de 1870. Preocupados com o próprio estatuto profissional, com as condições materiais do ensino público e os graves problemas do seu tempo – como, por exemplo, a disciplina, a elevação intelectual dos alunos das escolas públicas e a formação do cidadão –, os professores reuniam-se em agremiações, fundando jornais e revistas pedagógicas, através dos quais defendiam a educação e a instrução populares e opinavam sobre os caminhos e os destinos da nação.

Por meio da imprensa e da participação nos trabalhos das Conferências Pedagógicas e, ainda, da elaboração de livros e compêndios didáticos, os mestres não apenas contribuíam para os debates sobre a educação imperial, mas, principalmente, disputavam entre si idéias, opiniões e propostas políticas para a sua sociedade. Eles discutiam o que consideravam os principais problemas enfrentados à sua época, como, por exemplo, a emancipação dos escravos, as repercussões sociais da liberdade e a reformulação da cidadania (SCHUELER, 2002). Apresentavam concepções diversas em relação ao seu próprio papel social, às funções do Estado na promoção da instrução pública e aos significados da educação formal por intermédio das instituições de ensino7. Atuaram como intelectuais urbanos, como intelectuais do ensino, envolvidos com as questões da instrução primária, do ofício docente e da cidade.

No campo aberto pela chamada História Intelectual, situada no cruzamento das Histórias Política, Social e Cultural, os intelectuais são definidos como produtores de bens simbólicos, mediadores culturais e atores do político, relativamente engajados na vida da cidade e/ou nos locais de produção e divulgação de conhecimento e promoção de debates (GONTIJO, 2005). Os grupos de sociabilidade derivam das experiências sociais vividas por esses indivíduos em locais específicos, lugares de sociabilidade, através do tempo (GOMES, 1996). Por isso, neste trabalho, o uso do termo intelectual, como propuseram Le Goff (2003) e Boto (2003), permite-nos caracterizar o grupo de professores primários da cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista o deslocamento do eixo da observação do historiador das instituições (as escolas) para a experiência dos sujeitos, os homens e as mulheres que atuaram na constituição do ofício docente nessa localidade.

A recuperação das vivências pessoais e profissionais desses jovens (a maioria ingressava no magistério como professores adjuntos, aos doze anos de idade), homens e mulheres, das suas origens sociais e das relações que construíram entre si e com os demais agentes envolvidos nos processos de ensino constitui nosso objetivo maior. Resgatar as ações desses indivíduos na sociedade em que viviam, atentando para as suas possibilidades como sujeitos da sua própria história, pode trazer uma contribuição fundamental para a história da educação. Como argumentou Vinão (2004), os estudos atuais nessa área têm atentado para a história do currículo, não o prescrito, mas o vivido, à história da realidade e das práticas escolares, do cotidiano e das culturas escolares, das reformas educativas em sua aplicação prática e da profissão e prática docente8.

Para Viñao, a retomada dos sujeitos nos estudos sobre a história da educação e a história cultural parte de alguns pressupostos téoricos, tais como: a perspectiva de que a realidade é construída a partir de múltiplas referências e diferentes dimensões, recorrendo-se, nos processos de investigação, ao “olho móvel”, ou seja, à consideração de que uma realidade, observada por diferentes sujeitos, ou a partir de diferentes posições, nunca será a mesma o que, portanto, faz surgir a necessidade de se analisar a realidade a partir dos diferentes lugares subjetivos, nos quais cada sujeito revela histórias diferentes, silêncios, ocultamentos; o recurso a metodologias como aquelas utilizadas, por exemplo, pela micro-história, com redução da escala de observação e intensiva análise do material documental, permitindo captar aspectos não visíveis, como as contradições, os interstícios, as fissuras pelas quais os seres humanos operam no seio de sistemas prescritivos e normativos; a perspectiva do gênero, ou seja, as diferenças culturais existentes nas representações sobre e nas práticas de homens e mulheres em determinado contexto histórico.

Tais considerações teóricas, desde a década de 1960, já eram realizadas por historiadores comprometidos com a revalorização do sujeito na história versus o imobilismo imposto pelas perspectivas do estruturalismo à la Althusser, que então alcançava enorme prestígio entre as Ciências Humanas e Sociais. Argumentando que os instrumentos teóricos do marxismo não deveriam ser utilizados como “camisas de força”, Thompson (1981) defendeu ser necessário recuperar o uso de um “termo ausente” nas análises supostamente marxistas, a experiência, através do qual a estrutura pode então ser encarada como um processo, e o sujeito, reinserido na história, dentro do seu campo de possibilidades sociais e culturais. Isso porque, segundo ele, a experiência humana é, em última instância, gerada na vida material e é, de fato, estruturada em termos de classe – pressuposto caro ao marxismo. Porém, ainda que o “ser social” determine a “consciência social” – e, nesse sentido, a estrutura domine a experiência –, a sua influência é pequena, pois as maneiras pelas quais os homens e as mulheres manipulam a sua própria experiência desafiam qualquer previsão e fogem às estreitas definições de determinação9.

Para o autor britânico, o conceito de experiência é muito útil na medida em que permite estabelecer um ponto de junção e de flexão com a noção de cultura, ambos tão rejeitados pelos estruturalistas10. A experiência não é expressa apenas em termos da posição de um indivíduo em relação ao modo de produção, sendo também revelada nos sentimentos e na cultura, nas normas sociais, nas obrigações familiares, nas reciprocidades e nos valores morais. Partindo desse fato, é possível entender como toda a luta entre as classes existentes em uma sociedade é também uma luta acerca de valores culturais. Desse modo, Thompson demonstrou como os homens e as mulheres retornam como sujeitos dentro do termo experiência, não como indivíduos livres, mas como pessoas que experimentam as situações e as relações produtivas determinadas como necessidades e constrangimentos, os interesses como antagonismos, e, em seguida, tratam-na em sua consciência e sua cultura das mais complexas maneiras, agindo sobre determinada situação nem sempre através das estruturas de classe11.

Neste trabalho, a dimensão privilegiada é constituída pelas experiências dos grupos socioprofissionais dos professores como intelectuais e autores, na perspectiva de que a profissão resulta, sobretudo, de uma construção social e da representação deles no mundo social (GASPARELLO; VILLELA, 2003)12.


Professores primários: formação, ingresso e produção escrita


A pesquisa, em fase inicial, deteve-se em um corpus documental composto por obras de referência, como os dicionários biobibliográficos, que apresentam informações sobre os professores primários da cidade, sobretudo aqueles que ganharam maior visibilidade social ao produzirem e publicarem obras didáticas e não didáticas e/ou ao participaram de atividades sociais e políticas, como a imprensa, as Conferências Pedagógicas etc. Os dados biográficos, levantados nesta primeira etapa de estudo, permitem-nos elaborar a respeito desses educadores selecionados diferentes quadros de análise, tais como: dados gerais (formação, carreira docente); produção escrita e atividades (tipo de produção, produção de livros didáticos); outras atividades, atuação em instituições ou sociedades científicas, acadêmicas, literárias ou culturais.

Os resultados da análise desses dados podem indicar até que ponto tais professores, por serem autores de publicações de livros didáticos, artigos em periódicos, crítica literária, romances, poesias e outras foram aos poucos formando um grupo específico de sociabilidade intelectual, que se dedicava ao ensino primário da Corte Imperial na segunda metade do século XIX13.

Com base em uma primeira aproximação com as fontes pesquisadas, podemos observar que, via de regra, os professores escolhidos para o estudo eram majoritariamente nascidos no Rio de Janeiro (Augusto Candido Xavier Cony, Francisco Alves da Silva Castilho, Guilhermina Azambuja Neves, Luiz Augusto dos reis, José João de Povoas Pinheiro, Manoel José Pereira Frazão), havendo alguns naturais da Bahia (Antonio Estevão Costa e Cunha, Gustavo José Alberto, João da Matta Araújo), uma professora natural de Minas Gerais (Guilhermina Loureiro de Andrade) e dois gaúchos (Januário dos Santos Sabino, pai e filho). Em relação a eles, ainda não localizamos indícios que nos permitam inferir as possíveis origens étnicas ou referências relativas à condição de cor, com exceção do professor Gustavo José Alberto, irmão de Philippe José Alberto, professor da Escola Normal de Niterói, ambos identificados como negros, naturais da Bahia14.

No que concerne às origens sociais vale notar que alguns deles eram filhos de pessoas socialmente respeitadas, entre militares e bacharéis – como no caso de Augusto Candido Xavier Cony, nascido em 1842, filho do Primeiro Tenente Diogo José Cony (natural de Lisboa) e de Dona Firmina Fernanda da Conceição Cony (natural do Rio de Janeiro), e de Januário dos Santos Sabino, filho do bacharel Ludgero dos Santos Sabino e sobrinho do clínico Dr. Januário dos Santos Sabino. Para outros professores, encontramos apenas os dados de naturalidade, não tendo sido possível mapear a filiação ou as origens sociais e étnicas familiares, como foram os casos de João da Mata Araújo, Guilhermina Azambuja Neves e Thomázia Siqueira de Vasconcellos.

No tocante à formação e ao ingresso no ofício, a grande maioria dos educadores escolhidos experimentou o sistema de formação pela prática, no interior das escolas primárias, tendo servido como adjuntos das escolas públicas entre os anos de 1860 e 1870 (SCHUELER, 2002). Encaixavam-se, nesse perfil: Antonio Estevão da Costa e Cunha, Antonio José Marques, Armando de Araújo Cintra Vidal, Augusto Candido Xavier Cony, Francisco Alves da Silva Castilho, Luiz Augusto dos Reis, Januário dos Santos Sabino (pai), Januário dos Santos Sabino (filho), João Rodrigues da Fonseca Jordão e João José de Povoas Pinheiro. Apenas um deles havia passado pela Escola Normal, Gustavo José Alberto, na Bahia, e três procederam à continuidade dos estudos, adquirindo formação acadêmica superior, a saber, Antonio Estevam da Costa e Cunha, formado em Farmácia; Manoel José Pereira Frazão, formado em Matemáticas e Ciências Naturais pela Academia Militar; e Joaquim José de Carvalho, doutor em Medicina.

A atuação em escolas e colégios particulares, como professores, diretores e/ou proprietários, também não apareceu como fato incomum nas trajetórias analisadas. Assim, dez professores exerceram o magistério particular: Augusto Candido Xavier Cony, Francisco Alves da Silva Castilho, Guilhermina de Azambuja Neves, Gustavo José Alberto, Luiz Augusto dos Reis, João Rodrigues da Fonseca Jordão, Manoel José Pereira Frazão, Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, Rosalina Pereira Frazão e Thomázia de Siqueira Barros e Vasconcellos. Dentre esses, alguns desempenharam a função de diretores e proprietários de escolas, como João Rodrigues da Fonseca Jordão, casado com a professora pública e particular Angélica de Athayde Jordão, proprietários de escolas na Lagoa e em Botafogo; Guilhermina de Azambuja Neves, proprietária do Colégio Azambuja Neves, no Engenho Velho; Joaquim José de Carvalho, proprietário do Colégio Amorim Carvalho; Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, proprietária de colégio de meninas no centro da cidade e no Catete15; Rosalina Pereira Frazão, casada com o professor Manoel José Pereira Frazão, proprietária de escola de meninas na Lagoa; e Thomázia de Siqueira Vasconcellos, casada com o professor Philippe de Barros e Vasconcellos, proprietária de escola primária de meninas na freguesia de Santa Rita. São notáveis os casamentos endogâmicos e a existência de famílias que se reproduziam no ofício, atuando nas escolas públicas e/ou nas particulares da cidade (SCHUELER, 2002).

Outro dado relevante foi o o envolvimento e a atuação expressiva desse grupo de professores em diversas outras atividades, para além da atuação docente nas escolas públicas primárias em que se destacaram, por exemplo: José João de Povoas Pinheiro, fundador e sócio do Grêmio dos Professores Públicos da Corte; Luiz Augusto dos Reis, secretário da Comissão Executiva Permanente do Professorado, redator-chefe do periódico O Ensino Primário (1884), poeta e jornalista; Francisco Alves da Silva Castilho, delegado da Instrução Pública de Campo Grande, autor de cartilhas e livros didáticos, além de colaborador em revistas pedagógicas publicadas na cidade; Januário dos Santos Sabino, pai, presidente do Conselho Diretor do Clube de Professores Primários da capital; Manoel José Pereira Frazão, redator das folhas A Verdadeira Instrução Pública (1872-1873) e a Escola (1877-1878), autor de obras didáticas, manifestos e artigos para a imprensa e membro do Conselho da Instrução Pública da Corte; Antonio Estevão da Costa e Cunha, farmacêutico, professor primário e secundário, autor de obras didáticas, colaborador na revista Instrução Pública (1872-1874); Augusto Candido Xavier Cony, professor público e diretor de escola particular, colaborador na revista supracitada; José Joaquim de Amorim Carvalho, médico legista, atuante na Província do Paraná, em Buenos Aires e no Exército imperial, proprietário de escola particular na Freguesia da Glória; além dos vários autores de livros e obras didáticas para uso nas escolas primárias, poesias, contos, crônicas e artigos para a imprensa pedagógica ou jornalística.

Diante desses aspectos inicialmente mapeados, podemos observar como esses indivíduos, que pertenciam a um grupo de intelectuais da segunda metade do século XIX, mantiveram uma participação ativa no cenário educacional da época, atuando também como autores de livros e de materiais didáticos e participando de diversas modalidades de produção escrita, como memórias, relatórios sobre escolas e práticas, cartas, correspondências, petições, crônicas, textos em prosa e em versos, entre outras. Esse fato revelava nitidamente como esses profissionais manejavam variadas práticas e partilhavam dos códigos da cultura letrada.

O quadro de professores selecionados nos remete a um perfil de pessoas ativas e participantes no contexto em que estavam inseridas. Afinal, por meio da imprensa e das Conferências Pedagógicas, não somente contribuíam para o debate sobre a educação imperial, mas também, e principalmente, disputavam entre si idéias, opiniões e propostas políticas para a sociedade (BORGES; TEIXEIRA, 2004). De acordo com Trebitsh (apud GONTIJO, 2005, p. 61), tais aspectos são fundamentais para nortear os estudos sobre as sociabilidades entre intelectuais: a relação com o político, a definição de valores próprios e o papel das representações. Assim, inexiste meio intelectual sem a existência de um espaço de debates, ou seja, de lugares de sociabilidades, que são condição para a elaboração intelectual.

Um bom exemplo da intervenção política em prol dos interesses da categoria foram os professores Manoel Frazão e Luiz Augusto dos Reis. O primeiro, autor de Cartas do Professor da Roça (1863) e signatário do Manifesto dos Professores Públicos (1871), pertenceu ao Conselho de Instrução Pública, de onde saiu para ir à Europa estudar a organização do ensino público, já em tempos de República (SCHUELER, 2005)16. A produção escrita de materiais e livros para uso das escolas primárias também esteve presente entre as funções assumidas por esse professor. Ainda em 1863, apresentou ao Conselho de Instrução Pública as Postilas de Artimética. Anos depois, publicou as Postillas de grammatica portugueza e Noções de geographia do Brasil para uso da mocidade brasileira, todos aprovados para uso das escolas primárias.

Luiz Augusto dos Reis, que também foi nomeado pelo governo republicano para visitar as instituições educacionais européias (1890), colaborou como jornalista para a publicação de artigos críticos ao ensino imperial, em inúmeros periódicos e revistas, como O Lorense e o Echo Municipal de São Paulo, O Estandarte, A Revista do Brasil e O Ensino Primário.

A presença das mulheres nos grupos de sociabilidade intelectual do período, como professoras e praticantes da escrita, também não era irrelevante, ainda que mais tímida em relação à masculina. No grupo selecionado para a pesquisa, é significativa a participação de algumas professoras primárias, como autoras de livros didáticos, artigos e outras obras, destacando-se, entre elas, Guilhermina de Azambuja Neves e Maria Guilhermina Loureiro de Andrade.

Guilhermina de Azambuja Neves, natural do Rio de Janeiro, foi diretora do Colégio particular Azambuja Neves e professora da escola pública de meninas da Candelária. Dedicou-se ao magistério, defendendo a introdução de novas metodologias de ensino intuitivo nas escolas primárias, tendo publicado alguns de seus textos na década de 1880, entre os quais: Methodo brazileiro para o ensino da escripta: collecção de cadernos, contendo regras e exercícios, Methodo intuitivo para ensinar a contar, contendo modelos, tabellas, taboadas, regras, explicações, exercícios e problemas sobre as quatros operações e Entretenimento sobre os deveres de civilidade, collecionados para uso da puerícia brazileira de ambos os sexos.

Outra professora que se destacou no campo educacional nesse período foi Maria Guilhermina Loureiro de Andrade. De acordo com a historiadora Carla Chamon (2006), ela nasceu em 1839, em Ouro Preto, Minas Gerais. Era branca, solteira, sem filhos, sem grandes recursos financeiros. Foi professora, tradutora e escritora. Em 1864, então com 25 anos de idade, abriu um colégio para a educação de meninas, na vila de Vassouras. Em 1869, fundou o Colégio Andrade na cidade do Rio de Janeiro, estabelecimento que ela dirigiu até 1905, auxiliada por suas irmãs e com algumas pequenas interrupções.

A atuação profissional de Maria Guilhermina não se resumiu ao Colégio Andrade e à capital do Império. Em 1883, viajou para os Estados Unidos, onde permaneceu até 1887 estudando os métodos froebelianos na Academia Kraus Boelte, em Nova York. A partir dessa viagem, ganhou visibilidade nacional e reconhecimento no meio educacional. Ao retornar do exterior, abriu um jardim da infância, o Kindergarten Modelo, e foi convidada a participar de importantes reformas de instrução, como as ocorridas em São Paulo (1890) e em Minas Gerais (1906). Na capital mineira, atuou como diretora de um grupo escolar entre 1907 e 1913, cargo no qual se aposentou em 1918. A sua produção escrita foi significativa. Maria Guilhermina escreveu um livro sobre a história do Brasil e outro sobre o jardim de infância, bem como livros de leitura para o ensino primário. Além disso, traduziu algumas obras pedagógicas de autores norte-americanos.

No grupo de professores que selecionamos é significativa a participação de algumas professoras primárias como autoras de livros didáticos, de artigos, de Conferências Pedagógicas e outras obras, destacando-se Adelina Lopes Vieira, irmã de Julia Lopes, Guilhermina de Azambuja Neves, Luiza Emilia da Silva, Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, Rozalina Frazão e Thomázia Siqueira de Vasconcellos. Assim, para a compreensão da atuação feminina no magistério oitocentista são relevantes as pesquisas sobre a história dos processos de profissionalização e feminização docente, as quais, conforme argumentou Viñao (2004, p. 352), têm conduzido às histórias de vida dos alunos e professores, aos escritos autobiográficos, aos diários, aos relatos de vida, aos escritos docentes produzidos por demandas diversas e específicas das práticas escolares, às “escrituras marginais, efêmeras, ordinárias ou pessoais, assim como pelos processos de recepção e apropriação dos textos escritos, ou seja, pela escritura e a leitura como práticas sociais e culturais efetuadas por quem escreve e lê” (p. 231)

Considerando nossa hipótese inicial de trabalho17, podemos sustentar que os professores analisados neste estudo pertenciam a um grupo de intelectuais da época, tal como ocorria também com os professores secundários do Colégio Pedro II e da Escola Normal da Província do Rio de Janeiro (GASPARELLO; VILLELA, 2006). Eles se destacaram tanto pela produção escrita (obras didáticas, poesias, poemas, livros, artigos para a imprensa, memórias etc.) quanto pela participação intensa nos grupos de sociabilidade intelectual e política da cidade, tais como os Clubes Literários e as Associações e Sociedades Culturais, Científicas, Filantrópicas e Assistenciais.
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1Professora Adjunta da Faculdade de Educação e do Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE/UERJ).

2Pesquisa sobre os professores secundários e sua produção intelectual está sendo desenvolvida pelas professoras Heloísa Villela e Arlete Gasparello, na UFF. Ver: GASPARELLO; VILLELA, 2003.

3 VINÃO, 2004, p. 341.

4Para a realização deste trabalho foram feitas consultas ao dicionário de Sacramento Blake, fontes manuscritas e impressas de autoria dos professores selecionados, localizadas na série Instrução Pública do Arquivo Geral do Rio de Janeiro, além dos seguintes periódicos que se encontram no setor de obras raras da Biblioteca Nacional: A Instrução Pública (1872-1875, 1887-1888), Escola – Revista Brasileira de Educação e Ensino (1877-1888) e o Ensino Primário. Revista Mensal consagrada aos interesses do ensino e redigida por professores primários (1884-1885).

5 BOTO, 2003, p. 130. Sobre a produção escrita de professores portugueses nas revistas pedagógicas, consultar também a pesquisa de Gouvêa (2006).

6 LE GOFF, 2003.

7Os diálogos do magistério primário com o governo imperial dinamizaram-se em 1871, quando uma comissão de mestres redigiu um Manifesto, destinado ao Ministro do Império e ao Imperador Pedro II, protestando, entre outras coisas, contra os baixos salários e o desprestígio da carreira. Cf. INSTRUÇÃO PÚBLICA. Manifesto dos professores públicos primários do Município da Corte. Rio de Janeiro: Typographia de Villeneuve, 1871.

8 VIÑAO, 2004, p. 333-335.

9THOMPSON, 1981.

10 Ibid., p. 194.

11Em artigo recente, Luciano Mendes Faria Filho (2005, p. 239-25) analisa as contribuições teóricas de Edward Thompson para a pesquisa em história da educação.

12Sobre os processos de profissionalização docente, consultar Nóvoa (1981) e Catani (2000). Uma discussão sobre funcionarização e proletarização do trabalho docente no Brasil está presente em Sá (2000).

13 Sobre esta metodologia de trabalho com as fontes, ver o estudo de GASPARELLO; VILLELA (2003), especificamente para o caso dos professores/autores de escolas secundárias entre 1860-1930.

14Informação sobre Philippe José Alberto conferida com a pesquisadora Heloísa Villela, que vem estudando os professores/autores secundários e sua produção de obras pedagógicas na Escola Normal da Província do Rio de Janeiro.

15A trajetória da professora Maria Guilhermina de Andrade foi recentemente investigada pela historiadora Carla Chamon, em tese de doutoramento (2006).

16Sobre a participação política dos professores e o movimento associativo da categoria, ver, por exemplo: Manifesto dos Professores da Instrução Pública Primária de 1871, analisado por Lemos (2006), e, ainda, Schueler (2002, 2005).

17 O projeto de pesquisa em andamento junto ao Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (UERJ) intitula-se Professores primários como intelectuais na Corte imperial: experiências profissionais, produção escrita e grupos de sociabilidades (1860-1889).





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