Programa: 1ª parte: linguagem cinematográfica/ História do cinema



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Argumento

1ª Aula – 2009 Mar 02


Prof. Leandro Ferreira

E-mail: leeferreira@gmail.com


Aulas das 15h às 19h.
Programa:

1ª parte: linguagem cinematográfica/ História do cinema

2ª parte: Argumento/ como se constroem as histórias

3ª parte: Trabalho – escrever uma história (individual ou grupos até 3, máximo 4).


Plano: Unidade mínima

Cena: Conjunto de planos/ unidade de espaço, tempo e acção

Fotograma: Unidade mínima física

Sequência: continuidade da acção

Sinopse:

Argumento:

Rodagem: Filme

Elipse: quando há descontinuidade de tempo


- Em cinema as projecções são a 24 imagens por segundo.
- No argumento escreve-se o que se vê e o que se diz.
- O realizador é o autor do filme.

2ª Aula – 2009 Mar 09


- O argumento é um escrito que vai dar origem ao filme. É diferente de um texto literário.
- um argumento demora cerca de 6 meses a escrever.
- Uma página escrita corresponde mais ou menos a 1 minuto de filme.
- O argumento tem:

- a identificação da cena

- Descrição da acção

- Discrição das personagens

- Diálogo

- Descrição da acção

- Discrição das personagens

- Diálogo

- etc..

- (indicações de comportamento)


- A primeira fase da produção de cinema é a escrita.
Escrita -> Pré-produção -> Produção -> Pós-produção
Final Draft – programa para escrever argumentos (é usada o tipo de letra Courier New.
“Um argumento não se escreve, reescreve-se”
1º - Identificação do espaço da cena

2º - Identificação se é dia ou noite

3º - Descrição da acção

- o nome dos personagens aparece sempre em MAIÚSCULAS

- o argumento escreve-se sempre no presente

- tem de ser uma linguagem visual

- as cenas são numeradas, na versão final

- quando se muda de descrição ou personagem faz-se parágrafo

- podem haver descrições junto dos diálogos
- O argumento é um rabalho de equipa.
1º - Ideia

2º - Sinopse – desenvolvimento da ideia e resumo de toda a história (já existem personagens/ acção/ conclusão) tem 3 ou 4 páginas.

3º - Tratamento – já aparece a divisão em cenas, mas ainda não tem diálogo.

4º - Argumento.


Escrita -> Pré-produção -> Produção -> Pós-produção
Escrita – argumentistas
Pré-produção – Realizador, 1º assistente de realização, 2º ass. De realização, anotador.
ProduçãoFilmagens, produtor

Pré-produção:

Produtor – o dono do filme, é quem paga o filme
1º assistente de realização – é quem dirige o plateau (o espaço das filmagens), faz o plano de trabalho.
Anotador – anota tudo o que se passa na acção, ou os elementos do cenário. (por ex: se o personagem deixou algo no lado esquerdo da mesa, para numa próxima cena, continuar no lado esquerdo e não noutro sítio qualquer.)
Produção:

Realização: Realizador, 1º Ass. De Realização, 2º ass. de realização, anotador, ass. de plateau, aderecista de plateau.
Produção: Produtor, Produtor executivo, director de produção, chefe de produção, assistente de produção, secretário de produção.
Iluminação: Director de fotografia, Operador de câmara, 1º ass de câmara, 2º ass de câmara, chefe electricista, electricistas, chefe maquinista, assist de maquinista.
Outros: Director de som, assistente de som. Decoração. Construção. Caracterização. Guarda-roupa.
Pós-produção

Montagem/ edição do filme


Montador, director de som, música, misturador de som.

Suspense é diferente de Surpresa
Suspense é quando o espectador sabe mais do que a personagem

3ª Aula – 2009 Mar 23


Filmes significativos da história do cinema:
Auguste Lumière

Louis Lumière
“Sortie …” (1895) – “Saída dos trabalhadores da fábrica”

“Dar de comer a um bebé”

“Derrube de um muro” – puseram o filme a andar para trás.

“Regar o jardim” – 1º filme encenado.

“Chegada do comboio”

“Partida de cartas”

“Partida do Comboio” – a câmara estava no comboio – 1º movimento de câmara
28 de Dezembro de 1895 – 1ª projecção de Cinema.
“The Great train robbery” (1903), Edwin S. Porter1º filme que conta uma história. Feito nos estúdios de Edison. Uso da montagem para dar seguimento à acção.
Porter, é quem 1º percebe que o cinema dá para contar histórias.
O filme tinha uma péssima iluminação e não dava para identificar muito bem as personagens.
David Wark Griffith,

percebe que é necessário os espectadores identificarem as personagens.

“A girl and her trust” (), Griffith

- Griffith criou pela 1ª vez o suspense. Usando a montagem, e dando a entender que se passam várias coisas ao mesmo tempo – acções paralelas.


- É quem sistematiza a linguagem cinematográfica.
- Filma pela 1ª vez a cara das personagens, de forma a se poder identificar as personagens. (que mais tarde levará ao Star-System).
Frank Woods,

É o argumentista de “o nascimento de uma nação” (3h09m)


Inovações de Griffith:

1 – Continuidade espacial.

2 – Corte do plano antes de o actor sair do campo.

3 – Espaço-Off.

4 – Elipses especiais e temporais em simultâneo

5 – Grande plano com função dramática.

6 – Star-system.

7 – Direitos de autor.

8 – Narrativa cinematográfica inspirada na literatura.

5 Realizadores fundamentais na história do cinema:

1 – David W. Griffith

2 – Sergei Eisenstein (O Couraçado Potenkine)

3 – Orson Welles (Citizen Kane)

4 – Rossellini

5 – Jean-Luc Godard



Cinema Russo:
Lev Kulechov – formou a 1ª escola de cinema. Percebe que a montagem é importante.
Efeito Kulechov – o plano que vem a seguir é que é importante
O que interessa são as personagens e não tanto o actor.
Dziga Vertov

4ª Aula – 2009 Mar 30


Modelo Narrativo:

- Clássico

- Mítico

- Moderno

- Pós-clássico ou Pós-moderno
- Modelo narrativo clássico:

Syd Field, Robert Mckee, La jos Egri, Lew Hunter. Estudaram o modelo clássico e teorizaram sobre ele. Lew Hunter faz a síntese do que os outros teorizaram e simplifica.

Livro “screenwritting 434” de Lew Hunter.
- Modelo narratico Mítico:

Joseph campbel, analisou sobretudo na literature. Cristopher Vogler.

Se o modelo clássico é uma linha recta (----), o modelo mítico é um círculo (O), dá a volta e volta ao mesmo.
“À bout de Soufle” (“O acossado”) – 1º filme
- Modelo narrativo moderno
- Modelo narrativo pós-moderno:

Quentin Tarantino é um exemplo.

Não há uma linearidade narrativa
Aristóteles (séc. IV a.C.) verifica que as histórias devem ter um princípio meio e fim.

O Modelo clássico:
1º acto 2º acto 3º acto
|-------------------|--------------------’--------------------|-------------------|

0 +/-30 min +/-90min 120min

O Modelo clássico divide-se em 3 actos:
1º Acto (0 – +/-30min):
É quando se dá a exposição, onde se mostra o protagonista – a personagem principal – Faz com que criemos uma certa empatia com o protagonista, ainda que ele seja mau. É também no primeiro acto que ficamos a saber o Tema do filme.

O primeiro acto termina quando se dá o primeiro Plot-point (ponto de intriga).


Plot-point, é uma reviravolta na história que faz com que a história dê uma reviravolta e siga outro rumo.
2º Acto (+/-30min – +/-90min):
No 2º acto surge o Antagonista. O protagonista tem um objectivo para atingir, o antagonista vai fazer tudo para que ele não consiga atingir os seus objectivos. A meio do 2º acto dá-se o Mid-point.
Mid-point - +/- a meio do 2º acto (a meio do filme), novo ponto que agarra novamente o espectador à história.
Dá-se o 2º Plot-point, que dá novamente outro rumo à história.
O 2º acto dura entre 50 a 60 minutos.
3º Acto (+/-90min – +/-120min):

É o acto da Resolução.

O 2º Plot-point, encaminha o protagonista para a fim da história. No sentido de atingir o seu objectivo. Uns momentos antes do fim da história dá-se o clímax.

Aristóteles percebeu que nas histórias havia a causalidade e a consequência.


Causa -> Consequência -> Causa -> Consequência -> Causa -> etc.
Paradigma Narrativo Clássico –
Ganchos – Algo que acontece em várias cenas ao longo do filme, de forma a “agarrar” o espectador (pequenos plot-points, mas são diferentes. Não são mesmo plot-points, pois no plot-point há uma reviravolta). Não é tão importante como os plot-points.

Trabalho para entregar a 20 de Abril:

Comentar a seguinte frase de Robert McKee:


“Modelo Clássico é o de uma história construída em torno de um protagonista activo, que luta contra forças antagónicas, sobretudo exteriores, para realizar o seu objectivo, ao longo de um tempo contínuo, no quadro de uma realidade ficcional consistente e causalmente articulada, até um final fechado de absoluta e irreversível mudança.”

Diferenças entre o modelo clássico e o modelo moderno:
Clássico / Moderno
Causalidade / Coincidência

Final Fechado / final aberto

Tempo linear / tempo não linear (com rupturas)

Conflito exterior / conflito interior

Realidade consistente / realidade inconsistente

Protagonista activo / protagonista passivo

Construção lógica /


Pensar em histórias:
Ideia: Lembrada, memória, imaginada, observada, escutada, lida, experiência vivida, investigada, histórica, contada, personagem, etc.
Story line: Resumo da história.
Sinopse:

- 1, 2, ou 3 folhas no máximo.

- é escrita sempre no presente.

- Escrita com uma linguagem visual muito pouco adjectivada que traduza acções.

- Contém o protagonista, o antagonista. Há um princípio, meio e fim.
Foreshadowing – elemento narrativo que aparece, sem grande justificação, mas que mais tarde se revela importante.
Pay-off – quando o Foreshadowing se revela importante no desenvolvimento da história.

2º Trabalho:

Escrever a sinopse de uma longa-metragem. Descrever as personagens. Escrever uma parte do diálogo da história.

6ª Aula – 2009 Abr 20
Premissa Narrativa: Situa o filme social e politicamente.
Premissa Dramática:
Estrutura de Espelho: As cenas reflectem-se noutras cenas. As acções que acontece, devem reflectir-se noutras cenas. Se houver uma cena que não tem ligação com outra, “não está lá a fazer nada” (e deve ser cortada).
Construção em Rede: Há uma intriga principal e as outras intrigas são secundárias, ramificações.
Elipses: Coisas que acontecem, mas que não se vêem. (ex: mudança do dia/ espaço / etc.)
Incidente Incitante (sinónimo de Plot-point): é um elemento dramático que desequilibra o seguimento da história e faz com que a história avance noutra direcção.
O incidente incitante pode ou não coincidir com o plot-point. (?)

7ª Aula – 2009 Abr 27


Frequência: 18 de Maio

Apresentação dos trabalhos: 1 e 8 de Junho



Personagens:
- É sempre uma entidade imaginária ainda que seja baseada numa história real. Tem características identificáveis e miméticas (imitação dos comportamentos, etc).
- O personagem do cinema moderno não tem de agradar ao espectador, mas sim representar as ideias do autor.

Categoria das Personagens:

- InternaCarácter: aquilo que não se sabe da personagem (desde que ela nasceu, até quando ele aparece na história)


- Externa (quando a personagem aparece) – Revelação da Personagem – Motivação e Objectivo. [é consequência do carácter do personagem e reflecte-se através das suas acções e diálogos]
O Carácter de uma personagem caracteriza-se em 3 dimensões:
- física / psicológica / sociológica
- Física: nome, sexo, idade, aspecto físico, aparência, peso, altura, defeitos físicos do personagem, linha genealógica.
- Psicológica: Padrões morais, ambições, se tem frustrações ou não, ou se se sente realizado, segredos, vícios, temperamento, se é tímido, introvertido, extrovertido, se tem algum talento especial, se é emotivo, se é vítima ou , a sua sexualidade.
- Sociológica: sítio onde vive, onde nasce, classe social, estado civil, vida familiar, profissão, trabalho e seu rendimento, em que ano nasce ou vive, habilitações académicas, raça, religião, nacionalidade, lugar na comunidade, opções políticas.
(alguns dados são aproximados)

- Acção


- Diálogo: ajuda a caracterizar as personagens. Revelar o meio social dos personagens. Dá informações sobre a própria história e faz avançar a intriga. Explicitar os conflitos. Sugerir o subtexto.
Conflito:

- Quando há dois pontos de vista diferentes.


- é o miolo da história.
Conflito:

- Externo

- Interno: Interpessoal ou Íntimo

Conflito Externo

Coisas que se opõem ao avanço da personagem em atingir o seu objectivo.


Conflito Interno Interpessoal:

De ordem familiar, conjugal, no trabalho do dia-a-dia. Não são do campo da consciência da personagem.


Conflito Interno Íntimo:

Da consciência das personagens.


Tipologia dos Conflito:

- Satisfatório: se o espectador fica satisfeito ou não

- Resolvido: se o conflito do filme dica resolvido ou não
Satisfatório e Resolvido

Satisfatório e Não Resolvido

Não Satisfatório, mas Resolvido

Furo: Falhas do filme. Algo no filme que não é explicado.

8ª Aula – 2009 Mai 04


Personagens:
Protagonista/ Secundários: Maiores e Menores/ Silhuetas/ Figurante especial/ Figurante.
- Protagonista (personagem principal):

É o que aparece mais tempo no filme. É quem toma as decisões (ex: vou investigar, vou analisar, etc.). A sua vida transforma-se e faz com que a vida das outras personagens também seja afectada. Tem a história principal (plot).


- Secundários Maiores:

Têm uma história própria, que é afectada pela história principal. (Sub-plot).
- Secundários Menores:

Aparecem no filme, mas não têm histórias próprias.


- Silhuetas:

Personagens que não fazem parte da história, só estão lá. (ex: empregado de um bar, motorista de um autocarro. E que diz «bom dia», «boa tarde», ou algo do género.)


- Figurante Especial:

Personagens que lá estão, mas têm uma habilidade especial. (ex: num casino o que sabe dar as cartas, lançar os dados, jogador de futebol, etc).


- Figurantes:

Funções das Personagens - Actantes
- Sujeito (protagonista)

Tem um objectivo. Busca um objecto.


- Antagonista (Oponente)

O que dificulta o sujeito a atingir o seu objectivo.


- Adjuvante

É o que ajuda o protagonista.


- Destinador

Quem, de alguma forma, dá as ferramentas ao sujeito para que ele atinja o seu objectivo.


- Destinatário

Por vezes o destinatário é o sujeito.


Por vezes é possível as personagens terem mais do que uma função.

Interacção entre as diferentes funções:


Adjuvante -> Sujeito <-> Antagonista
Focalização Narrativa:
Interna / Zero / Externa
- Focalização Interna (olhar singular):

Quando o espectador tem o mesmo conhecimento do que se está a passar, do que o protagonista. Seguimos a história do ponto de vista do personagem. Faz com que se crie uma empatia com o protagonista, ainda que ele seja mau.



Provoca um efeito de Surpresa]
- Focalização Zero (olhar de deus):

Quando o espectador sabe mais do que o protagonista.

[Provoca o Suspense]
- Focalização Externa (Olhar de ninguém):

Quando o protagonista sabe mais do que o espectador.

[Provoca um efeito de Mistério]

BackStory – é o que os personagens viveram antes de a história começar, e que se depreende que aconteceu quando começa o filme. Não é o passado dos personagens.
Voz-off: Quando não se está a ver o personagem que se está a ouvir, mas ele está na cena.
Voz-over: voz de um narrador, ou o pensamento de um personagem.

Na frequência vai sair a pergunta:

Quem é o destinador no «Chinatwon»?

Qual é o mid-point em Chinatown?

A frequência é de consulta!

9ª Aula – 2009 Mai 11



Nouvell Vague – surgiu nos anos 50
- Os filmes do pós-guerra eram muito nacionalistas e a Nouvell Vague surgiu como oposição aquele cinema padronizado que se estava a fazer em França naquela altura.
- Queriam fazer filmes virados para a realidade, com baixos custos, filmados mesmo nas ruas, e sem grande produções.
- Apareceram câmaras leves e portáteis que ajudam a filmar nas ruas, filmar com a máquina na mão.
- Surge também uma nova película da Kodak, mais sensível que permitia filmar com luz natural. Surgem também gravadores de som portáteis.
3 Conceitos: Opacidade / Meta ficção /
Opacidade:

Meta Ficção: Os filmes são uma reflexão sobre como os próprios filmes são construídos.
Exemplo de um filme da Nouvell Vague

Filme de Jean-Luc Godard:

“A Bout de Soufle” (“Breathless”, “O Acossado”)

Filmes para o exame:

Chinatown e Os Condenados de Shawshank

Os Condenados de Shawshank:


1947 - Andy Dufresne

1949 – Pediu o poster a Red



1965 – Quando aparece o Tommy

1966 – Andy foge


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