Programa de intercambio brasil-angola



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PROGRAMA DE INTERCAMBIO BRASIL-ANGOLA



www.brasilangola.org.br

Informativo nº3/2007

EDITORIAL :

Estabelecer um intercâmbio entre dois países com história culturas diferentes não é algo fácil, apesar da língua que nos une, estamos a cada dia, a cada etapa do Programa PIBA nos conhecendo, culturas, histórias e subjetividades. Nesse número do Informativo um pouco disso.



DESCANSO E CONVIVÊNCIA PESSOAL


No final de semana, escolhemos para descansar onde Alexandre mora, em um sítio, na área rural do Rio de Janeiro.
Nossa idéia era mostrar aos angolanos como vivemos, onde moramos, o que comemos, entre outras coisas. Como também entrosar mais os representantes da rede Rio, entendendo que a história individual de cada um, vai fazendo nosso fazer profissional e que é importante o respeito ao outro, para maior implicação no Programa. Estiveram presentes Francinete, Vladimir e Alexandre da Roda Viva, Adailton do INDEC, Raika e Ana Beatriz do Projeto Legal e Tânia Jandira, consultora do PIBA pelo Brasil e Noêmia da Creche Santa Edwiges, comunidade da Candelária – Mangueira.
O final de semana proporcionou descanso, lazer, mas também um maior conhecimento entre as culturas brasileiras e angolanas, em relação à estrutura familiar angolana, com seus agregados, o lugar das mulheres na família, as relações estabelecidas para o casamento. Também, como estávamos em área rural, pudemos discutir e ver criação de animais e o uso de ervas medicinal para a saúde.



Casamento em Angola

Apesar de em Angola existir o casamento civil e o religioso, o mais importante ato, que institucionaliza a união do casal é uma cerimônia entre as famílias dos noivos.

Inicialmente o homem vai à casa da mulher, que já pode estar namorando ou não, acompanhado de seu tio para pedir a moça em namoro. Nessa ocasião, necessita levar alguns presentes (cerveja, refrigerantes, cigarros, entre outros), se faz o pedido formal. Sendo aceito pela mulher, seu pai permite o casamento e dá uma lista de presentes para o noivo providenciar (roupas, tecidos, comida, cerveja, refrigerantes, cigarro, entre outros). No dia do casamento, se estende um tecido onde o noivo deposita os presentes. As famílias do noivo e da noiva estarão presentes e após um farto banquete, o casamento é institucionalizado.

Os noivos podem casar no religioso ou civil, ou não.

Também é permitido que alguns homens, mesmo casados possam ter outra mulher oficialmente, e aí é o mesmo processo, para cada casamento.

(Relatos que colhemos dos angolanos.)




Manifestações de Afeto


COMUNIDADE URBANA NO RJ E O TRABALHO SOCIAL
Dia 02 de abril visitamos duas comunidades onde a Roda Viva desenvolve suas atividades.

Inicialmente fomos à comunidade do Borel - localizado na grande Tijuca, no Grupo de apoio escolar, onde as crianças curiosas queriam conhecer sobre Angola e sua história.

Nessa ocasião, Filho da delegação angolana ressaltou que nossas crianças sabem pouco de nossa história.

Andando depois pela comunidade, os angolanos puderam perceber a violência e a realidade do poder do tráfico nos morros cariocas.
Ao final, fomos à comunidade da Chácara do Céu, onde a Roda Viva tem um Centro Cultural.

Nessa ocasião, a delegação angolana esteve com o grupo de mulheres que queriam conhecer mais Angola e sua realidade.

Esta é uma estratégia da Roda Viva, com um curso de cabeleireiro, onde se tem como estratégia resgatar a auto-estima, através da estética, além de ser uma capacitação para o mercado de trabalho.

Também fomos à área de arte e educação / capoeira, onde se pode ver qual o trabalho realizado e pode-se ter a produção de um “berimbau” – instrumento musical utilizado na capoeira.

Finalizou-se a visita na padaria comunitária que produz 1.000 pães dias, onde se pode debater todo o processo de produção e onde Filho e Gouveia, puderam participar do final desse processo com os enfeites com creme.

Uma evidência nessa visita foi como a Roda Viva, pode executar seu trabalho, estabelece parcerias, para cessão de espaço com Templos Religiosos de várias religiões: Batista, entre outras.


CONSTRUÇÃO DE IGUALDADE RACIAL – AÇÕES AFIRMATIVAS NO BRASIL


No dia 03 de abril, foi decidido a delegação conhecer as atividades do CEAP.

Inicialmente foi passado em filme produzido pela organização “História da Resistência Negra no Brasil” que provocou debates sobre as diferenças étnicas o negro no Brasil, tolerância religiosa,




Entendemos como ações afirmativas as dinâmicas, práticas, meios e instrumentos que têm como meta o reconhecimento sócio-cultural, a promoção da igualdade (de oportunidades, de tratamento e de condições objetivas de participação na sociedade) e, portanto, a universalização concreta de direitos civis, políticos e sociais de uma dada sociedade. Uma de suas características é que são políticas focalizadas em grupos sociais discriminados, proporcionando a estes o acesso aos direitos que as barreiras sociais e raciais existentes na sociedade dificultam.

Como exemplo da ação afirmativa, podemos citar as cotas para negros e carentes nas universidades públicas. Em 2006, 19 Universidades Federais possuíam programas de ações afirmativas.




respeito à diversidade, ações afirmativas, educação na perspectiva de inclusão das populações marginalizadas, protagonismo e empoderamento da juventude vulnerabilizada socialmente.

Depois em visita a sede da organização, foram informados sobre os diversos programas desenvolvidos e debate sobre a relação político comercial Brasil- Angola, ressaltando a necessidade de rever as posições brasileiras político- econômicas com Angola, vendo que a relação do estado brasileiro com Angola está longe de ser uma relação de cooperação, porque o Brasil prioritariamente atua de maneira comercialista e exploratória.


Na noite visitou-se o pré-vestibular comunitário, um dos programas do CEAP – “uma inclusão e diversidade realizada em parceria com o MEC, na comunidade da Mangueira.

Houve um debate sobre educação no Brasil e Angola e as dificuldades do ensino público.

Os jovens brasileiros abordaram seu modo de viver, a violência, a gravidez precoce, movimento funk, samba.
Ações Afirmativas

Depois, visitou-se a UERJ, com 14 mil estudantes e a noite terminou com uma conversa informal sobre a vivência deles com a guerra civil, as dificuldades e injustiças vividas, as implicações em relação


Guerra civil em Angola
A Guerra civil em Angola trouxe inúmeros problemas para seu povo. Alguns desses á temos conhecimento, outros vamos conhecendo a partir de nossa relação, cada vez mais estreita com os parceiros angolanos. Alguns dos representantes do PIBA participaram ativamente dela e não é sem dor e lágrimas que eles nos relatam… corpos mutilados, ser obrigado a guerrear com a população civil, ter de considerar parentes e amigos inimigos. Opções difíceis que a conversa no CEAP foram motivo de recordações penosas. Participar ou não da Guerra, de que lado? Sair do país, como opção para não matar “irmãos angolanos” foram duras experiências que não são relembradas sem dor.

Uma diferença entre brasileiros e angolanos aqui ficou evidente, brasileiros tiveram um período negro com a Ditadura militar existente em nosso país, pessoas sumidas, torturadas e mortas, uma Guerra civil bem menor que a de Angola, mas também uma experiência muito dura.

Nossa diferença é que falamos até hoje nisso para que a dor mesmo grande passe se constantemente sobre esse assunto e já se vão quase 40 anos.
as famílias.






Colaboraram nesta edição:

Alexandre de Salles

Carlos Eduardo Campos

Francinete da Silveira Louro

Tânia Jandira Ferreira



Lei 10.639

Lei que foi conquistada pelo Movimento Negro brasileiro, que torna obrigatória a inclusão do ensino da história da África e das culturas afro-brasileiras no currículo escolar do ensino fundamental e médio.



No Brasil, com raras exceções, não se estuda história da África. A população, majoritariamente descendente de africanos, é incapaz de reconhecer uma de suas matrizes formadoras a não ser através de estereótipos, o que cria dificuldades para a construção da identidade nacional do povo brasileiro.






Rede Brasil Associação Projeto Roda Viva, Associação Mãe da Vida, Associação dos Curumins, CEAP, Centro de Cultura Luis Freire, Centro Nordestino de medicina popular, CEDECA Ceara, CIMI Recife, Comunicação e Cultura, ENCINE, IBC, INDEC, MST Pernambuco, Projeto Legal, Pastoral do Menor Ceara, Povo Xucuru, Quilombo Conceição das Criolas, Sociedade da Redenção.





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