Programa de pós-graduação em sociologia – ppgs/uff disciplina: Sociedade e Meio Ambiente



Baixar 38.5 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho38.5 Kb.

universidade federal fluminense


DEPARTAMENTE DE SOCIOLOGIA E METODOLOGIA EM CIÊNCIAS SOCIAIS

Programa de pós-graduação em sociologia – PPGS/UFF

DISCIPLINA: Sociedade e Meio Ambiente

Prof.: Valter Lúcio de Oliveira



1° semestre letivo de 2013

Quinta-feira, 13h00 – 16h00
Ementa

Relações entre ambiente e sociedade no mundo contemporâneo. Críticas ecológicas à lógica consumista e de maximização produtiva das sociedades modernas. Ética e desenvolvimento sustentável.


Apresentação

A questão ambiental ganhou grande amplitude nas últimas décadas e deixou de ser associada exclusivamente ao campo de estudo das ciências naturais. Na medida em que tal questão passou a mobilizar um conjunto diverso de atores sociais as ciências sociais se viram interpeladas a se posicionarem a respeito. Nesse sentido, ao menos desde a década de 1970 a sociologia, como um dos ramos das ciências sociais, vem desenvolvendo, de forma sistemática, recursos teóricos e metodológicos objetivando compreender as transformações sociais relacionadas à problemática ambiental que as sociedades têm experimentado. A sociologia ambiental emerge, portanto, tomado parte nesse debate (amplo e multidisciplinar) recorrendo ao arcabouço teórico acumulado pela “disciplina mãe” e, ao mesmo tempo, propondo inovações conceituais na forma de analisar as relações sociais subjacentes a esta realidade emergente. Se as ciências sociais, em sua origem e consolidação, buscaram marcar um distanciamento prudente em relação às ciências naturais, o movimento atual acena no sentido do estabelecimento do diálogo e da interpenetração mútua. Isto é notável particularmente no que se refere à relação entre sociologia e ecologia.


Objetivo e desenvolvimento

O objetivo dessa disciplina é oferecer as bases teóricas a partir das quais seja possível pensar a “problemática ambiental” e a relação sociedade e ambiente valendo-se dos avanços obtidos pela sociologia ambiental. Para atingir tal objetivo, a disciplina foi dividida em três partes. Na primeira parte será trabalhada a relação sociedade e natureza desde uma perspectiva histórica visando, assim, recuperar um percurso no qual esta relação esteve referida a outros conceitos e baseada em outras características empíricas. Nessa primeira parte também será trabalhado as questões teóricas que estiveram na origem da sociologia ambiental. Na segunda parte será colocada maior ênfase nos debates teóricos acerca de temas contemporâneos. Na terceira parte a disciplina se concentrará na discussão de algumas temáticas empíricas e na análise de pesquisas desenvolvidas no âmbito da sociologia ambiental.

A cada aula um conjunto de leituras fundamentais será recomendado e, conforme o interesse da turma e pertinência identificada pelo professor, poderá sofrer alterações antes do início do período letivo e ao longo do seu desenvolvimento. O mesmo é válido para as temáticas sugeridas.

Procedimentos didáticos

A disciplina será desenvolvida com base na indicação de leituras, aulas expositivo-dialogadas, apresentação e discussão de textos pelos discentes.


Avaliação

Ao final da disciplina o discente deverá apresentar um artigo discutindo um tema de livre escolha que aborde o conteúdo ministrado ao longo da disciplina e, preferencialmente, esteja relacionado ao tema de pesquisa com o qual está trabalhando.



Primeira parte: percurso sócio-histórico da relação sociedade e ambiente e a emergência da sociologia ambiental
[1ª Aula] Apresentação da disciplina e do programa que lhe servirá de guia ao longo do semestre, apresentação da turma e identificação das expectativas com possíveis reformulações no programa sugerido.
[2ª Aula] A sensibilidade ecológica e a consolidação do ambientalismo


  • ALPHANDÉRY, P. et al. O equívoco ecológico: riscos políticos. São Paulo, Brasiliense, 1992. p. 7-50

  • CARVALHO, I. C. M. A invenção ecológica: narrativas e trajetórias da educação ambiental no Brasil. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. pp.35-67.

  • McCORMICK J. Rumo ao Paraíso: A historia dos movimentos ambientalistas. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1992. pp.15-42.


[3ª Aula] A emergência da sociologia ambiental e alguns desdobramentos


  • CATTON Jr., W.; DUNLUP, R. Environmental sociology: a new paradigm. The American Sociologist. Vol. 13, fev. 1978.

  • BUTTEL, F. Sociologia e meio ambiente: um caminho tortuoso rumo a ecologia humana. Perspectivas, n.15, São Paulo, 1992. pp.69-94.

  • HANNIGAN, John A. Sociologia Ambiental. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2009. pp. 15-33.


SEGUNDA PARTE: diferentes perspectivas analíticas e posicionamentos políticos
[4ª Aula] Perspectivas teóricas na construção da problemática ambiental 1


  • HANNIGAN, John A. Sociologia Ambiental. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2009. pp. 35-60, 99-120.

  • WOODGANTE, G. ; REDCLIFT, M. De una sociología de la naturaleza a una sociología ambiental. Más allá de la construcción social. Revista Internacional de Sociología, vol.3:19/20, jan./ago., 1998. pp.15-40.

[5ª Aula] Perspectivas teóricas na construção da problemática ambiental 2


  • LEFF, E. Sustentabilidad y racionalidad ambiental: hacia "otro" programa de sociología ambiental. Revista Mexicana de Sociología, v. 73, n. 1 (jan-mar, 2011), pp. 5-46.

  • MOL, A. P.; SPAARGAREN, G. - Para uma sociologia dos fluxos ambientais: Uma nova agenda para a Sociologia Ambiental do século XXI. Política e Sociedade, n.07, out. 2005.

[6ª Aula] Ecologia Política


  • Lipietz, A. A Ecologia Política, solução para a crise da instância política?. In Alimonda, H. Ecología Política. Naturaleza, sociedad y utopía. CLACSO. 2002.

  • STENGERS, I. La proposition cosmopolitique. In : LOLIVE, J.; SOUBEYRAN, O. L´émergence des cosmopolitiques. Paris : Éditions La Découverte, 2007.

  • ZHOURI, Andréa. O ativismo transnacional pela Amazônia: entre a ecologia política e o ambientalismo de resultados. Horizontes Antropológicos,  Porto Alegre,  v. 12,  n. 25, June  2006 . 


[7ª Aula] Ciência, técnica e sociedade


  • BENAKOUCHE, T. Tecnologia é Sociedade: contra a noção de impacto tecnológico. In: DIAS, L; C. e SILVEIRA, R. L. L. (orgs.). Redes, sociedades e territórios. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2007 (2ª. ed.), p. 79-106.

  • CALLON, M. Les science et ses réseaux : genèse et circulation des faits scientifiques. Paris : Editions la Découverte, 1989. pp.07-33

  • JARVIE, I.; AGASSI, J. Por uma sociologia crítica da ciência. Sociologias, Porto Alegre, n. 26, jan./abr. 2011, p. 44-83.


[8ª Aula] A modernidade e a sociedade de risco


  • Beck, U. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. São Paulo: Ed 34, 2010, pp. 23-60.

  • BRUSEKE, F. Risco social, risco ambiental, risco individual. Paper do NAEA n.64, AGOSTO 1996.

  • GIDDENS, A. As Conseqüências da Modernidade. São Paulo: Unesp, 1991, pp. 11-65.


[9ª Aula] Sociologia dos Ecologistas


  • OLIVEIRA, W. J. F. Gênese e redefinições do militantismo ambientalista no Brasil. DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Vol. 51, n.3, 2008, pp. 751 a 777.

  • OLLITRAULT, S. Militer pour le planète : sociologie des ecologistes. Rennes : Presses Universitaires de Rennes, 2008. pp.23-60.

  • SAINTENY, G. Logiques d’Engagement et Logiques de Rétribution au Sein de l’Écologisme Français. Cahiers Internationaux de Sociologie, Vol CVI, 1999, pp. 175-200.

[10ª Aula] Sociologia da biodiversidade


  • Micoud, A. Comment en sociologie tenter de rendre comppte de l'émergence de la biodiversité. In Marty et al. Les biodiversités: objets, théories et pratiques. Paris : CNRS, 2005.

  • CUNHA, M. C. Populações tradicionais e a Convenção da Diversidade Biológica. Estudos Avançados,  São Paulo,  v. 13,  n. 36, Aug.  1999 

  • Foyer, J. Diversité naturelle et culturelle face aux défis des biotechnologies : enjeux et controverses au Mexique. Tese de doutorado de sociologia. Institut des Hautes Études de l’Amérique Latine – Paris 3 Sorbonne Nouvelle, 2008. pp.239-324.

TERCEIRA PARTE: pesquisas empíricas, questões metodológicas e temas contemporâneos
[11ª Aula] Conflitos ambientais e ambientalização dos conflitos sociais


  • Alonso, A.; Costa, V. Por uma Sociologia dos conflitos ambientais no Brasil. In: Alimonda, H. Ecología Política. Naturaleza, sociedad y utopía. CLACSO. 2002.

  • LOPES, J. S. L. Sobre processos de "ambientalização" dos conflitos e sobre dilemas da participação. Horizontes Antropológicos,  Porto Alegre,  v. 12,  n. 25, June  2006 

  • FERREIRA, L.C. Dimensões humanas da biodiversidade: Mudanças sociais e conflitos em torno de área protegidas no vale do Ribeira, SP. In: Ambiente e Sociedade. VII (1): 47-66, 2004.


[12ª Aula] Justiça ambiental e a questão do desenvolvimento (sustentável)


  • ACSELRAD, H.; MELLO, C. C.; BEZERRA, G. N. O que é Justiça Ambiental? Rio de Janeiro: Gramond, 2009

  • REDCLIFT, M. Pós-sustentabilidade e os novos discursos de sustentabilidade. Raízes, Campina Grande, vol. 21, n. 1, jan./jun., 2002.

  • RIST, G. La cultura y el capital social: cómplices o víctimas del desarrollo? In: KLIKSBERG, B.; TOMASSINI, L. (comp.) Capital social y cultura: claves estratégicas para el desarrollo. Buenos Aires: BID, Fundación Felipe Herrera, Universidad de Maryland, Fundo de Cultura Económica, 2000. p.129-150.


[13ª Aula] Os efeitos dos grandes projetos públicos e privados


  • SIGAUD, L. Efeitos sociais de grandes projetos hidrelétricos: as barragens de Sobradinho e Machadinho. In ROSA, L. P. et. al. Impactos de grandes projetos hidrelétricos e nucleares. Rio: Marco Zero, 1988.

  • Brons, D. Empreendimentos e empreendedores: formas de gestão, classificações e conflitos a partir do licenciamento ambiental, Brasil, século XXI . Rio de Janeiro: Museu Nacional, Tese de Doutorado. Curso de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2010.


[14ª Aula] Governar o vivente: poder, mercado e meio ambiente


  • LASCOUMES, P. L’Éco-pouvoir: environnements et politiques. Paris: La Découverte, 1994. (Introdução)

  • SILVEIRA, C.; ALMEIDA, J. Biossegurança e democracia: entre um espaço dialógico e novos fundamentalismos, Revista Sociedade e Estado, vol. 20, n. 1, 2005. p. 73-102

  • BENTHIEN, P. F. Transgenia e Nanotecnologia: Uma reflexão acerca da relação entre modernidade, novas tecnologias e informação. Revista Theomai, Buenos Aires, n.18, jun/dez, 2008.


[15ª Aula] Apresentação sucinta e discussão dos trabalhos finais, avaliação e encerramento da disciplina
Outras referências bibliográficas
Acselrad, H.; Mello, C. Conflito social e risco ambiental: o caso de um vazamento de óleo na Baía de Guanabara. In: Alimonda, H. Ecología Política. Naturaleza, sociedad y utopía. CLACSO. 2002.

Alimonda, H. Ecología Política. Naturaleza, sociedad y utopía. CLACSO. 2002.

ALONSO, A.; COSTA, V. “Ciências Sociais e Meio Ambiente no Brasil: um Balanço Bibliográfico”. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, São Paulo, v. 53, p. 35-78, 2002.



Bourguet, M. ; Bonneuil, C.  De l’inventaire du globe à la mise en valeur du monde. Revue Française d’histoire de l’outre-mer, 86, 1999.

BUTTEL, F. H. Sociologie et environnement: la lente maturation de l’écologie humaine. Revue international des sciences sociales, n.º 109, 1986.

CALLON, M., LASCOUMES, P. e BARTHE, Y. Agir dans un monde incertain. Essai sur la démocratie technique. Paris: Seuil, 2001.

Carvalho, i. m.; Steil, c. a sacralização da natureza e a “naturalização” do sagrado: aportes teóricos para a compreensão dos entrecruzamentos entre saúde, ecologia e espiritualidade. Ambiente & Sociedade. Campinas-SP, Vol. 11, n. 02, jul-dez/2008, pp. 289-305.

CHATEAURAYNAUD, Francis ; TORNY, Didier. Les Sombres Précurseurs: Une sociologie pragmatique de l'alerte et du risque. Paris, Éditions de l'EHESS, 1999.

DEAN, W. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

DIEGUES, A.C.S. O mito moderno da natureza intocada: populações tradicionais em Unidades de Conservação. São Paulo: Editora Hucitec, 1996.

ELLUL, J. Le Système technique, Paris : Calmann-Lévy, 1977.

FEENBERG, A. O que é filosofia da tecnologia? Conferência pronunciada para estudantes universitários de Komaba, Japão, 2003. Ver: http://www.ige.unicamp.br/site/aulas/132/Feenberg_Filosofia_da_Tecnologia.pdf.

FERRY, L. A nova ordem ecológica: a árvore, o animal e o homem. São Paulo: Ensaio, 1994.

GERHARDT, C. H.; ALMEIDA, J. A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental: uma análise crítica a partir de diferentes leituras sobre os problemas ambientais. Revista Ambiente & Sociedade, vol. 8, n.2, 2005.

GIDDENS, A.; BECK, U.; LASH, S. Modernização reflexiva. política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo, Ed. Unesp, 1997.

GOLDBLATT, D. Teoria social e ambiente. Lisboa, Ed. Piaget, 1998.

GONÇALVES, C. W. P. Os (des)caminhos do meio ambiente. São Paulo: ed. Contexto, 1989. pp.23-103

GRINEVALD, J. La thèse de Lynn White, Jr. (1966) sur les racines historiques, culturelles et religieuses de la crise écologique de la civilization industrielle moderne. In : BOURG, D. ; ROCH, P. Crise écologique, crise des valeurs ? Genebra : Editions Labor et Fides, 2010, pp. 39-67.

GUATTARI, F. As três ecologias. Campinas, Papirus Editora, 1990.

GUIVANT, J. A Trajetória das Análises de Risco: da periferia ao centro da teoria social. BIB, Revista de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n. 46, 2º semestre de 1998, p.3-38.

LARRÈRE, C. e LARRÈRE, R. Do bom uso da natureza. Lisboa, Inst. Piaget, 1997. Cap. 2.

LATOUR, B. Jamais fomos modernos. Rio de Janeiro, Editora 34, 1994

LENZI, C. L. Sociologia Ambiental: risco e sustentabilidade na modernidade. Bauru-SP: 2006 pp. 19-88.

LIMA, G.; PORTILHO, F. Sociologia Ambiental: formação, dilemas e perspectivas. In: Revista Teoria & Sociedade, dos Departamentos de Ciência Política e de Sociologia e Antropologia da UFMG. Belo Horizonte, n.7, junho/2001, pp.241-276.

OLIVEIRA, V. L. A construção do sujeito ecologista e os processos de mediação e resistência. In: COWAN ROS, C.; NUSSBAUMER, B. Mediadores sociales en la producción de prácticas y sentidos de la política pública. Buenos Aires: Ediciones Ciccus, 2011, pp. 69-108.

Schmidt, L. Sociologia do ambiente: genealogia de uma dupla emergência. Análise Social, Lisboa, nº 150, 175-210, 1999.

THOMAS, K. O Homem e o Mundo Natural. São Paulo, Companhia das Letras, 1988.



Vaillancourt, J. G. Religion, écologie et environnement. Larouche, J. M. ; Ménard, G. L’étude de la religion au Québec. Bilan et prospective. Québec : Les Presses de l’Université Laval, 2001, pp. 439-504.

VIVEIROS DE CASTRO, E. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2002.



White Jr., L. “The Historical Roots of Our Ecologic Crisis.” Science 155: 3767, Mar., 1967, 1203–1207

WILLIAMS, R. O campo e a cidade — na história e na literatura. São Paulo, Companhia das Letras, [1973] 1990.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal