Projeto de Restauração de Pinturas do Acervo do Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas Objetivos



Baixar 11.98 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho11.98 Kb.
Projeto de Restauração de Pinturas do Acervo do Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas
Objetivos (Gerais e Específicos):
Geral: O Presente projeto visa realizar a conservação e restauração de 118 pinturas pertencentes ao acervo do Salão Nobre da Santa Casa de Pelotas a fim de recuperar e preservar este patrimônio histórico e artístico. Específicos: 1- Realização e organização do registro e documentação textual e visual das peças. 2- Realização de diagnóstico do estado de conservação das obras, para desenvolvimento de uma metodologia de intervenção adequada para cada objeto. 3- Realização da higienização e desinfestação das obras; 4- Prática de restauração das obras danificadas por fatores físicos, químicos e biológicos; 5- Desenvolvimento do estudo do valor cultural do conjunto. 6- Sistematização de práticas de conservação preventiva para a manutenção do acervo no futuro.
Justificativa:
As 118 que se encontram no Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas constituem testemunho histórico e material de âmbitos que circunscrevem a história da cidade, da região, e em alguns aspectos, inscrevem-se na história do país. O objeto desse trabalho é um conjunto de pinturas, fotopinturas e fotografias em formatos que variam em torno de 100 x200, com molduras originais e realizadas por pintores e fotógrafos da região, na época em que assinaram os quadros, já reconhecidos pelo continuado trabalho artístico. Por outro lado o Salão Nobre, ou Salão de Honra da Santa Casa abrigou, durante muito tempo, uma das formas de vantagem material que poderia justificar, junto com outras, (Tomaschewisky, 2007) a motivação para o trabalho dos irmãos e dirigentes na instituição. A inauguração do retrato nesse local era uma das honrarias que a casa concedia aos benfeitores. Talvez a que mais tenha durado com o mesmo sentido que tinha no momento em que foi gerada. Primeiramente o benemérito recebia um título (irmão grande benfeitor) e depois seu retrato era inaugurado. E acontecia tanto da solenidade ser em vida como após a morte do retratado. A data das primeiras inaugurações é de 1849 e as últimas ocorrem na década de 1960. O retrato no Salão de Honra, portanto, inicialmente assegurava a posição social distinta do benfeitor, seu poder e conferia permanência a sua memória, e assim foi e permaneceu do Segundo Império, quando a Misericórdia de Pelotas foi fundada até ao longo do Séc. XX, atravessando mudanças sociais profundas e determinantes. Em certa medida, esse local de afirmação de poder e memória, reflete a própria história da instituição. A Santa Casa exerceu inúmeras ações de assistência além do hospital e cemitério: recebimento de crianças abandonadas, assistência aos enfermos pobres, enterros e transporte para o Cemitério, assistência religiosa nas suas duas capelas, dentre outras. A inauguração do retrato no Salão de Honra era nos oitocentos uma ação interna à irmandade, mas no Séc. XX tornou-se uma solenidade pública (Tomaschewiski, 2007), inserida no contexto da espetacularização do sole, para a qual inclusive a imprensa era chamada. A publicidade do local foi determinada em 1902, quando a provedoria decidiu por manter o Salão de Honra aberto ao público. Não diferente de outras instituições de assistência, ao longo dos anos o Salão de Honra cumpria a missão de lembrar aos pelotenses a importância da Santa Casa para a cidade de Pelotas e região, lembrando-os também dos nomes que participaram dessa história. Hoje o Salão de Honra hospeda todos os retratos dos benfeitores inaugurados ao longo desses 160 anos, mas não é aberto ao público. Embora climatizadas, muitas dessas obras viveram e demonstram os resultados advindos da inevitabilidade do tempo progressivo sobre a matéria, das condições climáticas e de algumas intervenções de pouco sucesso. As patologias que essas diferentes formas de retrato apresentam indicam, na média de sua gravidade, a necessidade de um planejamento de ações de conservação e restauro, tanto para recuperar o que ainda o pode ser em partes comprometidas, como para promover uma condição de estabilidade que permita ampliar a expectativa de existência do conjunto, coibindo ou minimizando a degradação em curso. Assim, o Curso de Conservação e Restauro da Universidade Federal de Pelotas, tão recentemente fundado (2008) foi chamado, através de seus professores, pela Santa Casa para elaborar e desenvolver um projeto de conservação e restauro do conjunto dessas obras. O aceite para o trabalho deu-se em função dos objetivos do Curso em formar profissionais aptos ao trabalho com conservação e restauro em acervos memoriais e também pela tipologia das obras do Salão de Honra, que cumprem serem exatas as mesmas com as quais o curso atua. Trata-se, esse projeto, de uma ação voltada para consolidar a formação do alunado nas habilidades que conferem a especificidade do curso em consonância com a transferência do conhecimento gerado dentro da Instituição de Ensino para a comunidade, agindo não apenas na matéria do acervo, mas na restituição da memória que ali se deposita e na ressignificação dessa para a região, uma vez que confere à proposta o retorno da visibilidade pública possível dentro dos parâmetros de conservação que se irão adotar. Referência Tomaschewski, Claúdia. Caridade e filantropia na distribuição da assistência: a irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas ? RS (1847-1922).Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em História / Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Porto Alegre (RS), 2007.
Metodologia:
Levantamento bibliográfico e das fontes primárias. - Levantamento documental. - Levantamento cadastral. - Levantamento fotográfico. - Diagnóstico do Estado de Conservação. - Análises; forma, estilistica, iconográfica e iconologica e constextualização histórica das peças do acervo. - Estudo e análise dos materiais constitutivos das obras. - Exames das obras: exames organolépticos, com luzes especiais(resante e UV. - Analise da Tecnologia de construção das pinturas: estudo científico dos materiais, exames organolépticos, com lupa binocular e com miscroscópio, exames físicos, químiocs e estratigráficos. - Proposta de tratamento. - Tratamento emergencial: Higienização e desinfecção e desifestação. - Tratamento de restauro. - Elaboração do Relatório Final.
Súmula do Programa:
Julho: Realização do levantamento das peças, com registro gráfico e laudos do estado de conservação das pinturas pertencentes ao acervo do Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia, e avaliação do local onde as obras estão expostas e suas condições climáticas. Realização do registro fotográfico das obras antes da realização dos processos de conservação e restauração. Agosto: Análise dos materiais constitutivos das obras e suas técnicas de execução. Setembro e outubro: Realização de procedimentos para conservação e restauro das obras danificadas, assim como o registro em fichas catalográficas do processo de intervenção nestas obras de arte. Novembro: Elaboração de um programa de conservação das peças após a restauração, com indicações para a melhor forma de exposição do acervo em função da sua conservação. Dezembro: Elaboração de um relatório sobre o processo de intervenção das peças que compõem o acervo e realização do relatório das atividades desenvolvidas para avaliação dos resultados do projeto.


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal