Projeto Para a História do Português Brasileiro Equipe de São Paulo Edição das Cartas Paulistas da bnrj século XIX



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Projeto Para a História do Português Brasileiro

Equipe de São Paulo

Edição das Cartas Paulistas da BNRJ

- Século XIX -

Edição e Revisão: José da Silva Simões (Org.)

Marcelo Módolo

Nanci Romero
(USP)
2005/2006





Cartas Paulistas do Século XIX da

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro1

José da Silva Simões (Org.)

Marcelo Módolo

Nanci Romero

Com base na solicitação do Prof. Ataliba T de Castilho (USP) ao organizador desta coletânea, os documentos foram coletados em julho de 2004 junto à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A idéia era reunir os primeiros manuscritos deste gênero para incorporá-los aos corpora da equipe paulista do Projeto Para a História do Português Brasileiro. Ao todo, foram selecionadas 19 cartas que giram em torno da pessoa de José Bonifácio de Andrada e Silva, foram escritas entre 1801 e 1822, período que marca grandes transformações na história do país. Não é por acaso que estas cartas tratam da temática sobre a tensão política que imperava na época. Tanto as cartas para José Bonifácio como aquelas trocadas entre João Ferreira de Oliveira Bueno e outros destinatários falam do momento político que envolvia principalmente as regiões de Santos, São Paulo e Rio de Janeiro. Além do interesse que possam despertar aos pesquisadores da língua, elas possuem um valor histórico inestimável que podem de alguma forma ajudar a entender o distanciamento que o Brasil demarcava em relação a Portugal naquele momento.

Um dos critérios de escolha destes documentos anterior à própria coleta foi tentar reconhecer a nacionalidade brasileira dos missivistas. À exceção de Francisco Xavier da Costa Aguiar, cunhado de José Bonifácio, cuja nacionalidade portuguesa detectamos posteriormente em Nizza Silva (1981), todos os autores são brasileiros. Apesar de ter sido escrita por um português, julgamos que esta carta deve fazer parte do conjunto por manter uma coerência temática com o conteúdo das outras cartas e também por oferecer a possibilidade de contraste lingüístico com elas.

Além da nacionalidade, outro fator de seleção era a origem do documento. A busca no Catálogo de Fontes Manuscritas do Brasil Colônia do prof. Afranio Barbasa revelou poucas cartas originárias exclusivamente da cidade de São Paulo. Tomamos uma decisão que hoje cremos acertada de incluir documentos oriundos de outras cidades da então vigente Capitania de São Paulo, cidades que mantinham laços políticos e sociais firmes naquele intervalo histórico (1800-1822). A própria ocorrência destas cartas destinadas a moradores da cidade de São Paulo evidencia esse vínculo. Entre elas estão Itú, Sorocaba e Santos, cidade natal dos irmãos Andrada e centro nervoso do período da independência. Apoiamo-nos nas considerações de Groppi (2001a e 2001b), quando fala sobre a extensão do território paulista e Salles (1998 e 2001), quando fala sobre a constituição dos corpora paulistas.

Outro critério importante eram as características discursivas destas cartas. Mattos e Silva (2001 e 2002) alerta para a necessidade de constituir corpora homogêneos a fim de possibilitar análises mais fidedignas. A exemplo do recorte teórico que permeou a seleção dos outros dois conjuntos de documentos deste CD, procurou-se aqui selecionar textos que, mesmo sendo oficiais, pudessem ser enquadrados dentro da categoria informal de interlocução autor/leitor. Outros fatores discursivos importantes referem-se a i) simetria/assimetria entre missivista e destinatário, ii) registro oficial formulaico/oficial “popular”, feitos ora por um “autor seguro” por um “autor inseguro”, ou por “mãos hábeis”, “mãos pouco hábeis” e ”mãos inábeis” segundo Rita Marquilhas (1996) apud Barbosa (2002).

Esperamos que o conjunto destas cartas possa representar uma boa fonte de fenômenos lingüísticos aos que pesquisam a evolução da variante de português utilizada em São Paulo.


São Paulo / Tübingen, janeiro de 2006




1. Da edição das cartas

    1. Normas de transcrição das cartas

Baseadas nas Normas para transcrição de documentos manuscritos para a História do Português do Brasil (Mattos e Silva 2001), as normas para este conjunto de cartas são as seguintes:




  1. a transcrição é conservadora.

  2. as abreviaturas foram todas desdobradas, indicada em itálico a parte abreviada, salvo quando não foi possível identificar a abreviatura.

  3. os vocábulos escritos juntos ou com partes separadas não foram modificados: ex. osfilhos ou in cluza.

  4. os casos de dúvida de leitura foram em itálico marcados com [ ], o que identifica a dificuldade de leitura do editor: ex. marca[do].

  5. as partes apagadas ou deterioradas, mas de possível leitura, foram marcadas por [ ]: ex. h[e].

  6. as partes deterioradas de leitura impossível foram indicadas por [corroíro] ou [rasurado].

  7. as partes rasuradas pelo remetente foram marcadas por traço: ex. você.

  8. o sinail ↑ foi utilizado para indicar a superposição da palavra como acréscimo posterior do autor.

  9. as marcas de nasalização e acento tônico foram reproduzidos como no manuscrito e podem variar de documento para documento: irmaõ, irmaô, hû, hu’.

  10. as letras C, Z, S e R escritas em maiúsculas foram mantidas, respeitando o original: caZar, aRecadar, peSso, peCar.

  11. a separação de linhas foi marcada por barras ( | ), e a mudança de página com ( || ). A mudança de página será sempre indicada pelo número da folha e lado: p.ex.: 1v = folha 1, verso ou 1r = folha 1 retro.

  12. as correções do remetente são sempre indicadas em nota de rodapé, pois aí encontram-se indícios do grau de planejamento do texto.

  13. também em nota de rodapé, foram colocadas observações sobre o papel – quando timbrado, a forma como o remetente grafou determinada palavra ou letra, o significado de alguma palavra pouco usual nos dias de hoje e outras observações paleográficas.

  14. indica-se por [sic] quando o remetente nitidamente esqueceu de escrever alguma palavra, sílaba ou letra, o que também indica o grau de planejamento do texto.


1.2 Identificação do documento
A identificação de cada documento é feita no cabeçalho da carta da seguinte forma:
Título do Conjuntos de Cartas – Neste caso, será sempre “PHPB-SP – séc. XIX”

Número da carta – numeração crescente por ordem de remetente e data

Imagem de CD-ROM – refere-se ao número da imagem feita do documento, que se encontra neste CD-ROM.

Autor –

Data

Local – Lugar em que a carta foi escrita, com indicação do topônimo atual, caso haja alguma discreprância entre o nome do local identificado na carta e o nome atual.

Fonte – para este conjunto de documentos, será sempre Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Código – os números referem-se aos estabelecidos pela BNRJ.

Edição – nome do editor e ano da edição

Revisão – nome do revisor e ano da revisão.

2. Genealogia dos autores



Genealogia dos Remententes das Cartas Paulistas da BNRJ2

1. Francisco de Paula Sousa de Melo, natural de Itú,

fonte: Marques, Manuel Eufrasio de Azevedo (1980). Apontamentos históricos, geográficos, biográficos, estatísticos e noticiosos da provincia de São Paulo. Belo Horizonte : Itatiaia, 1980.



2. Francisco Xavier da Costa Aguiar, português, cunhado de José Bonifácio

fonte: Silva, Maria Beatriz Nizza (1981). Cultura no Brasil colônia. Petrópolis : Vozes.



3. João Ferreira de Oliveira Bueno, padre, natural de Santos
a) “8-3 Luiz Baptista Bueno foi casado com Candida ... e deixou 3 f.ºs..

Do 2.º marido teve Quiteria Ferreira as 2 filhas:

6-1 Luiza

6-2 Maria

5-5 Revd.mo. bacharel em cânones, João Ferreira de Oliveira Bueno f.º de 4-3, foi cônego da sé de S. Paulo.”

in: GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Buenos_1.htm

b) “96- Sargento-Mor Francisco Xavier Pinto. N. por volta de 1732 em Alfândega da Fé, Distrito de Bragança, Portugal. Era negociante. Foi Juiz Ordinário e Presidente da Câmara de Curitiba (PR), onde gozou de grande prestígio social e político. Fez parte saliente na expedição a Guarapuava e Tibagi, sob o comando do Itinerato Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, que relevantes serviços prestou no desbravamento do Paraná na segunda metade do Século XVIII. Foi proprietário da Fazenda da Ferraria. Tinha no Barigui terras de criação de gado bovino e eqüino. Possuía, ainda, as Fazendas de São Lourenço e Montenegro, em Castro (PR). Tinha uma casa de sobrado de pedra e cal em Santos (SP), junto à Alfândega. C. c. Rita Ferreira Bueno. Pais de: Sargento-Mor Francisco de Paula Xavier Bueno, Rita Ferreira de Oliveira Bueno, Maria Rita Ferreira Bueno, João Ferreira de Oliveira Bueno, Ana Maria Ferreira Bueno, Joaquim Ferreira de Oliveira, José e Gertrudes Ferreira de Oliveira Bueno. Fal. com testamento em Curitiba em 1805.”

[http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=3316&cat=Ensaios]



4. José Arouche de Toledo Rondon, natural de São Paulo

  1. “O pai do heróico Ten Cel Diogo foi o ilustre paulista paulistano Tenente General José Arouche de Toledo Rendon, comandante das Armas de São Paulo, que formara-se em Direito em Coimbra e foi o organizador primeiro reitor da famosa Escola de Direito de São Paulo.”

[http://www.resenet.com.br/ahimtb/guarara42.htm]

  1. “Nasceu na cidade de São Paulo, aos 14 de março de 1756, filho do mestre-de-campo Agostinho Delgado Arouche e de D. Maria Thereza de Araújo Lara.Fez o curso de direito civil em Coimbra, onde recebeu o grau de doutor em leis em 14 de julho de 1779. De volta ao Brasil, após ter-se dedicado à advocacia em São Paulo, exerceu os cargos de juiz de medições, de juiz ordinário, de juiz de órfãos e de procurador da Coroa. E os exerceu com proficiência e honradez.” [http://www.usp.br/fd/Diretores/Dir_01.htm]

  2. “3-10 Doutor José Arouche de Toledo Rendon, formado em direito pela universidade de Coimbra † em 1834, foi deputado por S. Paulo à constituinte em 1823 e na legislatura de 1826 a 1829. Nascido em 1756, casou em 1791 em S. Paulo com Maria Theresa Rodrigues de Moraes, viúva do ajudante Victorino Pinto Guedes, f.ª do cirurgião Jeronimo Rodrigues e de Maria Potencia Leite de Moraes. Tit. Moraes. Sem geração.”

[GP, http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Chassins.htm]

5. José Bonifácio de Andrada e Silva, natural de Santos

  1. “José Bonifácio de Andrada e Silva, cognominado o Patriarca da Independência, estadista brasileiro, nasceu em Santos, São Paulo, em 13 de junho de 1763. Foi professor de geognosia e metalurgia da Universidade de Coimbra, onde havia se graduado em Filosofia Natural e Direito Civil, e membro da Academia de Ciências de Lisboa.” in http://www.senado.gov.br/comunica/historia/bonifacio.htm

6. José de Almeida Leme, natural de Sorocaba

a) “5-4 João de Almeida Pedroso (o ruivo) natural de S. Paulo, casou em Araçariguama com Gertrudes Ribeiro, f.ª de André de Sampaio Botelho e de Maria Leite da Escada. V. 4º pag. 96. Teve 12 f.ºs: (...)



7-1 Coronel José de Almeida Leme. (...)

7-1 Coronel José de Almeida Leme, commendador, moço fidalgo da casa imperial, foi cidadão de grande respeito e autoridade em Sorocaba onde falleceu em 1856 em avançada idade; ahi casou em 1805 com Flavia Domitila de Barros Lima, f.ª do sargento-mór José Manoel Leite Castanho e de Lucrecia de Barros Lima. V. 4º pag. 75.”

in GP: http://paginas.terra.com.br/lazer/familiapaiva/Bicudos123.htm



7. Manuel Fabiano de Madureira, natural de Sorocaba

a) “6-5 Capitão-mor Claudio de Madureira Calheiros casou-se em 1761 em Itu com Angela de Siqueira Aranha, natural dessa vila, f.ª do capitão de ordenança João da Costa Aranha e de sua 2.ª mulher Gertrudes de Araujo Cabral. Tit. Arrudas. Teve os 4 f.ºs seguintes:



7-1 Capitão-mor Manoel Fabiano de Madureira que casou com sua sobrinha Angela f.ª do capitão Francisco José de Sousa, natural de Portugal, e de Maria Floriana n.º 7-3 abaixo. Teve (por informações):

8-1 Capitão Manoel Fabiano de Madureira casado com sua parenta Francisca Claudiana de Sousa Madureira f.ª do tenente-coronel Claudio Joaquim Justiniano de Sousa e de Maria das Dores Soares”

in GP: http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Lemes_3.htm

b) “Pág. 323 - o n.º 7-1 Capitão-mor Manoel Fabiano teve mais:

8-3 Maria Leopoldina de Madureira casada em 1841 em Sorocaba com Antonio Mauricio da Costa Guimarães, natural de Curitiba, f.° do capitão Mathias Gonçalves Guimarães e de Libania Mauricia de Sousa.

in GP: http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Adenda_1.htm



8. Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, natural de São Paulo, foi diretor da Faculdade de Direito

  1. “4-9 Capitão Joaquim do Amaral Gurgel, f.º de 3-1 casou em 1773 em S. Paulo com Manoela Angelica de Castro f.ª do capitão José Alvares de Castro e de Rosa Maria de Moraes, natural de Mogi das Cruzes. Tit. Moraes Cap. 2.º § 7.º n.º 2-1, 3-5, 4-1, 5-4. Teve:

5-1 Padre Manoel Joaquim do Amaral Gurgel que foi vigário da vara em Piracicaba(1).

(1) Primo irmão do padre do mesmo nome que foi diretor da academia de S. Paulo, e que era filho natural de um irmão de 4-9.”

in GP: http://www.geocities.com/lscamargo/gp/Godoys_4.htm



9. Vicente da Costa Taques Gois e Aranha, natural de Itú, capitão-mór de Itu

a) “2-10 Gertrudes de Araujo Cabral, f.ª do § 5.º, casou em 1739 em Itu com João da Costa Aranha, viúvo de Maria Francisca Vieira (cuja geração vem descrita no V. 3.º pág. 493). Foi João da Costa Aranha natural de S. João da Foz, da cidade e bispado do Porto, e morador em Itu, onde serviu os honrosos cargos de vereador, almotacé, alferes das ordenanças e capitão das mesmas por patente de dom Luiz de Mascarenhas; foi f.º do dr. Vicente da Costa Rates, natural da freguesia de S. Victor do arcebispado de Braga, bacharel pela universidade de Coimbra que, assentando depois praça na artilharia, passou a governador do castelo de S. João da Foz, e de sua mulher Filippa da Fonseca. Faleceu o capitão João da Costa Aranha em 1769 em Itu com 77 anos de idade (Óbitos de Itu) e teve os 5 f.ºs.: (...)



3-5 Capitão-mor de Itu, Vicente da Costa Taques Góes e Aranha, promovido, de idade de 20 anos, a juiz das medições por nomeação da câmara de Itu, e provisão do exm.º dom Luiz Antonio, general de S. Paulo, exerceu este cargo por espaço de 5 anos; na idade de 26 anos foi juiz ordinário e almotacé em Itu, e na idade de 30 anos ocupou o cargo de capitão-mor, que exerceu por muitos anos. Casou em 1780 em Itu com Alda Brandina de Cerqueira Mello, f.ª do guarda-mor Calixto do Rego Sousa e Mello e de Maria de Cerqueira Paes. Tit. Taques Pompeus.

in GP: http://www.geocities.com/lscamargo/gp/ABotelhos_2.htm



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files -> Fundação da Capitania deS. Amaro no tempo do Governo de Pedro Lopes de Souza, contendas que houverão sobre os seus limites, ecomo passou para a Coroa
files -> Costa, Renata Ferreira (2007). Edição semidiplomática de
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files -> Chamada de publicação Projeto História do Português Paulista Série Estudos, vol. V


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