Projeto whitecoat



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Um Acidente Com Gás Nervoso,
e Mais Mentiras

Cinco anos depois que apareceram o Coronel Tigertt e os artigos de Youth´s Instructor, surgiram incômodas perguntas a respeito da guerra química e biológica e o apoio que recebeu da "investigação médica". Isto começou com um aparente acidente no Campo de Prova de Dugway, a mesma instalação onde os voluntários do Projeto Whitecoat foram contagiados com o vírus da febre Q.

Em 24 de março de 1968, a Associated Press informou que no dia 13 de março do mesmo ano uma neblina do letal gás nervoso "foi empurrada pelo vento por cerca de quase 50km desde uma supersecreta área de provas de guerra química do exército ... e matou a 6.400 ovelhas em Skull Valley, na parte ocidental de Utah". [32]

Este acidente pode ter servido para acordar a algumas pessoas a respeito dos efeitos potencialmente devastadores da guerra química e biológica. Quase num ano mais tarde, o programa First Tuesday, da NBC, apresentou um segmento sobre o tema da guerra química e biológica. O programa mostrou os efeitos de vários agentes sobre os animais e depois entrevistou a um jovem Adventista do Sétimo Dia que tinha sido voluntário do Projeto Whitecoat.

Em julho de 1969, o programa "60 Minutos", da CBS, examinou o tema da guerra química e biológica. Novamente, foi entrevistado um jovem voluntário do Projeto Whitecoat. Evidentemente, os meios de comunicação não engoliam o conto de que "só estamos envolvidos em investigação defensiva". Isto preocupou à cúpula Adventista, que respondeu com dois artigos na Adventist Review defendendo a participação da igreja no Projeto Whitecoat. O artigo na edição do 20 de março de 1969 diz:

O governo dos Estados Unidos decidiu que, tão logo pudesse desenvolver-se um tratamento definitivo para a doença, poder-se-ia dar às descobertas ampla divulgação nas publicações médicas ao redor do mundo. Esta publicidade eliminaria efetivamente essa doença do arsenal potencial da guerra biológica. Ao mesmo tempo, também disseminaria pelo mundo inteiro os conhecimentos médicos sobre o tratamento, de maneira que os que estão atualmente afligidos por essa particular doença possam ser ajudados.”

O autor do artigo da Review defende as investigações levadas a cabo no USAMRIID sobre a premissa de que, ao desenvolver um tratamento para uma doença em particular, esta seria eliminada do arsenal potencial de guerra biológica. Assim, pois, os não-combatentes e a Igreja Adventista em geral ajudariam a erradicar a guerra biológica mediante sua participação nas investigações defensivas no USAMRIID, segundo a Review. Quiçá, este autor também tivesse para venda um terreno pantanoso e uma ponte.

O "Projeto Whitecoat" É Essencial

Para a Guerra Biológica Ofensiva

Um artigo da revista Spectrum convida a uma conclusão muito diferente, sugerindo que o Projeto Whitecoat serviu, em realidade, para expandir o arsenal de guerra química e biológica. Martin Turner escreveu em 1970:

Como já vimos, não é seguro que a existência de um tratamento ou vacina efetivos para uma doença seja suficiente para assegurar sua eliminação "do arsenal potencial da guerra biológica". A verdade é que deve existir esse tratamento para que a doença seja incluída nesse arsenal.” (O grifo é nosso).

O Exército dos Estados Unidos aprendeu bem na Primeira Guerra Mundial, uma guerra que produziu mais de um milhão de baixas só por meio de armas gasosas, que qualquer mudança imprevista no vento traz o agente de volta a seus próprios homens. Com a guerra biológica sucede o mesmo. A oficialidade de um exército seria criminosamente negligente ao usar um agente biológico em qualquer parte próxima de seu próprio pessoal, a não ser que estivessem logisticamente em seu lugar contramedidas biológicas como vacinas. Disparar armas químicas e biológicas sem estas medidas seria o mesmo que se disparar um tiro no pé, porém numa escala muito maior e bem mais mortal.

O valor das medidas "defensivas", como as vacinas, para uma ofensiva de guerra química e biológica foi sublinhado pelo microbiólogo Ivan Malek, que disse: "Em caso de um deliberado ataque microbiológico, é possível preparar ao próprio pessoal, por exemplo, vacinando-o contra microorganismos selecionados, de maneira que não fiquem seriamente expostos ao perigo quando entrem na área infectada". [33] Em outras palavras, antes de lançar ántrax no inimigo nossos soldados deveriam ser inoculados com vacinas que podem ter sido provadas em voluntários do Projeto Whitecoat no USAMRIID.

Martin Turner confirmou isto com o comandante do Projeto Whitecoat, o Coronel Crozier, o qual admitiu o papel integral que o USAMRIID desempenhou na missão de guerra química e biológica. Escreveu Turner:



A unidade médica poporciona ao laboratório de investigação ofensiva vacinas desenvolvidas por meio de experimentos sobre voluntários do Whitecoat. O coronel Crozier reconheceu que estas vacinas são indispensáveis para o trabalho dos pesquisadores na área ofensiva e que, se o serviço médico não o fazia, teriam que desenvolver as vacinas eles mesmos. Não via nenhum problema ético, no entanto, e explicou que ‘estamos comprometidos somente no estudo de doenças infecciosas, e não podemos remediar que uso possam fazer outros de nosso trabalho’”. (O grifo é nosso).

A linha obscura que separa os lados aparentemente "ofensivos" e "defensivos" da guerra bacteriológica quase desaparece, deixando que os observadores casuais cheguem à conclusão de que são um e o mesmo. Esta foi a conclusão do Dr. Malek, que disse:

Um dos traços característicos das armas biológicas é que é difícil distinguir uma obra efetuada para fins puramente defensivos da que é principalmente ofensiva ... Esta é a razão pela qual os estabelecimentos militares que trabalham no desenvolvimento destas armas o façam muito mais sob a etiqueta de defesa.” [34] (O grifo é nosso).

Turner também citou a Elinor Langer, um perito em guerra química e biológica, que disse:

Com poucas exceções, como o desenvolvimento de equipamentos de detecção e proteção, pouco da investigação sobre guerra química e biológica pode se descrever com precisão como defensivo... Por causa da natureza das armas químicas e biológicas, a investigação ainda de áreas aparentemente 'puras', como o desenvolvimento de vacinas, tem pelo menos envolvimentos iguais tanto para o uso ofensivo como para o defensivo.” [35]

Talvez, a evidência mais clara que aponta à verdadeira missão do Projeto Whitecoat pode se encontrar num manual do exército sobre guerra química e biológica, que diz claramente que "a defesa química e biológica é um pré-requisito da capacidade de ataque". [36]

Enquanto pesquisava para um artigo destinado a Spectrum, Turner entrevistou ao congressista Richard McCarthy, que no final da década de 1960 se opôs à guerra química  e biológica. Turner escreveu a respeito de McCarthy:

“Durante uma conferência sobre guerra química e biológica em dezembro [de 1969], Turner disse que sua investigação o tinha convencido de que o Projeto Whitecoat estava sendo usado para propósitos ofensivos, antes que defensivos. "Em seu conceito essencial, todo a ênfase era no sentido de dissuadir, ofensiva, e de que nós ameaçamos com a possibilidade de se usar uma doença contra alguém mais se eles a usam contra nós. Agora, o que eles fizeram de natureza defensiva é mínimo e até eles mesmos o admitem. Não temos nenhuma medida para inocular ao povo norte-americano contra esta classe de guerra bacteriológica... O que eu sei [do Projeto Whitecoat], e fundamento isto nas afirmações de pessoas muito responsáveis, é que é ofensivo, não defensivo, e que os Adventistas do Sétimo Dia estão sendo enganados". (O grifo é nosso).



Branqueamento, Obstrucionismo e
Mentiras, Mentiras, Mentiras...

Em 27 de novembro de 1969, a Adventist Review publicou um artigo que continha uma entrevista com Clark Smith, diretor da Organização (Adventista) do Serviço Militar Nacional. Os comentários de Smith refletiam as declarações feitas no artigo da Review de 20 de março, que não somente defendia a participação da igreja no Projeto Whitecoat, como também textualmente defendia todo o programa de guerra química e biológica de Fort Detrick. O aparente controle de danos de Smith estava estranhamente ausente da mais ligeira imparcialidade em relação à acusação de que o Projeto Whitecoat poderia estar ajudando à capacidade ofensiva de alguma maneira. Ausente estava até a mais ligeira desaprovação do desenvolvimento de armas bacteriológicas que ele admitia que estavam a ser desenvolvidas em Fort Detrick. É evidente que a cúpula dirigente da igreja não tinha nenhum gênero de saudável desconfiança do programa secreto de guerra bacteriológica do governo.

Em sua defesa do Projeto Whitecoat, Smith dependeu muito da clintonesca definição legal de investigação defensiva e ofensiva em Fort Detrick, isto é, USAMRIID e a investigação ofensiva estavam sob diferentes comandos e tinham edifícios completamente diferentes na base. Smith disse que a única conexão entre as duas era "uma peça de equipamento experimental que custava mais de um milhão de dólares" e que eles compartilhavam, e quase elogiou a "prudência financeira" do exército em não duplicar este gasto.

Smith também afirmou que as instalações do USAMRIID estavam "abertas" para qualquer visitante "que tivesse algum propósito", e que suas descobertas investigativas estavam disponíveis para o público enquanto a unidade de investigações ofensivas estava encerrada por trás de uma porta, aberta apenas para os que tivessem uma permissão especial, pois suas descobertas eram classificadas. Toda a papelada burocrática relacionada ao Projeto Whitecoat era completada por oficiais adventistas "assim que não há nada secreto sobre o projeto inteiro", assegurou Smith. [37]  Smith criticou a "atual agitação" dos que questionavam a contribuição da igreja para a investigação sobre guerra química e biológica, repreendendo-os a respeito da " importância de obter os fatos e obtê-los com clareza".

Está bastante claro que, se os Adventistas do Sétimo Dia criam em seus líderes, não obtiveram os fatos com clareza. Seus dirigentes deixaram de revelar a estreita relação entre a investigação defensiva e a ofensiva sobre a guerra química e biológica evidenciada por peritos qualificados. Quando surgiram perguntas no seio da denominação, a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia nomeou a um comitê para que pesquisasse. Em 1969, este comitê visitou o então comandante do USAMRIID, Coronel Dan Crozier, o qual lhes assegurou que o Projeto Whitecoat era puramente defensivo. O Coronel Crozier até afirmou que "nenhum soldado recebeu jamais nenhuma vacina senão até que ele e alguns de seu grupo de pesquisadores a tivessem provado em seus próprios corpos em procura de quaisquer efeitos adversos", uma falsidade absurda que Smith transmitiu às congregações da igreja sem o menor rubor.

Em vez de pesquisar mais a fundo, o comitê se deteve em sua entrevista com o Coronel Crozier e emitiu uma conclusão de que "o trabalho dos voluntários adventistas no USAMRIID é inteiramente na área defensiva da guerra biológica e, portanto, é de natureza humanitária". É opinião de alguns adventistas que esta é a conclusão que a cúpula dirigente da igreja procurava. Em outras palavras, era um branqueamento.

Não é necessário dizer que a separação entre os dois programas de guerra química e biológica não era tão hermética como a igreja fez crer a seus membros. Em sua declaração de 1989, o veterano do Whitecoat, Tom Kopco, disse que os experimentos de febre Q nos quais participou eram "secretos" ou classificados e ocultos aos olhos do público, o mesmo que o programa ofensivo. "Ordenou-se-nos não dizer nada durante dez anos", disse. Em realidade, todos os voluntários adventistas do Projeto Whitecoat tinham que receber uma permissão de segurança "secreta" antes de entrar "no projeto".

O veterano do Whitecoat, Lester Bartholomew, disse a The WINDS que teve que esperar cinco meses antes de receber sua permissão de segurança. Ele e outro adventista foram atribuídos para trabalhar no edifício 427, que alojava a divisão de virologia da unidade de investigação ofensiva sobre a guerra química e biológica, uma "área quente" que requeria uma permissão supersecreta. Esta era sua "estação de serviço" entre projetos. Bartholomew disse que seu trabalho consistia em despachar o "material nocivo", recipientes de vidro que continham agentes químicos, a postos militares ao redor do mundo, incluindo Fort Dugway, Utah e Guam, esta última uma área de estacionamento de fornecimentos para a guerra do Vietnã. Bartholomew suspeita muito que o "material nocivo" que ele embalava e despachava era usado no Vietnã. Em certa ocasião, um membro do pessoal de virologia lhe disse que, se deixasse cair os dois recipientes que estava a manipular, "apagaria do mapa o estado de Maryland".

Quando esteve "no projeto", Bartholomew se deu conta de que o Projeto Whitecoat era em realidade de natureza ofensiva. Na clínica, passou numa semana inteira diante de uma caixa na qual piscavam luzes e números e se requeria que ele fizesse cálculos rápidos para provar seus reflexos mentais. As provas se repetiam após ter sido contagiado de tularemia. Em certo ponto, Bartholomew perguntou a uma das pessoas que administravam a prova do que se tratava tudo aquilo. "Bom, se tornamos o inimigo enfermo, podemos calcular como os afetará", foi a resposta. "Digo-lhe que, desde então, não confio no governo e não confio na igreja, porque os dois mentiram para mim", disse-lhe Bartholomew a The WINDS.

Por Que a Igreja Adventista?

A Igreja Adventista do Sétimo Dia faz grande ênfase sobre a saúde, talvez mais que qualquer outra denominação cristã. Seu sistema de hospitais e clínicas pode encontrar-se em muitos países e a igreja está orgulhosa de seus lucros na investigação médica e na educação sobre a saúde. Os ensinos adventistas advertem contra o uso do álcool, o fumo e a carne de animais, e aos membros da igreja geralmente requer-se que se abstenham destas coisas. Historicamente, a igreja antecipou uma ameaça a suas liberdades religiosas de parte dos círculos governamentais, fazendo ainda maior a seguinte dicotomia: Como pode uma igreja cristã que faz uma ênfase tão grande sobre a saúde, que antecipa uma ameaça de parte do governo, encontrar na vanguarda de um programa de investigação sobre a guerra bacteriológica em sociedade com o governo?



"Parecia que estivessem a tratar de se dar bem com o governo e dar uns tapinhas nos ombros do governo para não ter nenhum problema", disse Bartholomew a The WINDS. "Como igreja, queremos realmente nos dar bem com você, não queremos ser conhecidos como uma seita e, por isso, proporcionamo-lhes porquinhos-da-índia", era o raciocínio da igreja.

Outros adventistas assinalam ao período de meados da década de 1950, quando ocorreu esta mudança no modo de pensar da cúpula dirigente adventista. Historicamente, a igreja permaneceu separada das outras denominações cristãs, mas mudou essa postura quando ingressou nas conferências evangélicas de 1955-1956. Esta entrada no movimento ecumênico coincidiu com a chegada do Projeto Whitecoat, ambos como resultado da busca por parte da igreja da aceitação na corrente principal.

"Nenhuma outra igreja se teria saído com a sua nisto", disse Neil Livingston a The WINDS. Livingston assinala casos nas décadas de 1970 e 1980 que estabeleciam que "a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a mais centralizada das principais denominações cristãs deste país". [33]  Livingston afirma que a igreja é hierárquica, muito mais que congregacional, e nela o poder flui de cima para baixo, muito mais que o inverso. Isto converteu os dirigentes adventistas de Takoma Park, Maryland, em agentes úteis para os oficiais militares de alta patente das cidades próximas de Frederick e Washington. O governo centralizado da igreja deu aos oficiais do NSO a influência que precisavam para recrutar rapazes adventistas para o Projeto Whitecoat. "Outras denominações jamais teriam tolerado este tipo de interferência externa" por parte dos dirigentes da igreja, disse Livingston, citando o tipo de estrutura congregacional aberta de outras denominações protestantes.

Livingston também citou o impacto do sistema educativo adventista sobre a cultura da igreja como outra das razões para sua utilidade para o exército. "Desde o momento em que estes jovens entram para a escola superior, estão longe de casa", disse. Muitos meninos adventistas vão a uma escola de internato adventista e depois à escola preparatória, onde vivem em dormitórios. "A igreja os tem desde tenra idade... e isto faz que olhem aos dirigentes com admiração", fazendo a estes meninos mais vulneráveis a sugestões das autoridades superiores, como sucedeu com o Projeto Whitecoat.



Responsabilidade

O Projeto Whitecoat foi concluído há cerca de 25 anos com o fim do recrutamento. Pareceria que o tempo tinha relegado a este sujeito ao arquivo dos "casos fechados", uma nota ao pé da era do Vietnã e da Guerra Fria. Talvez assim seja, mas ainda proporciona uma interessante lição sobre como as igrejas cristãs dos Estados Unidos se venderam aos poderes governamentais por trás dos bastidores. O Projeto Whitecoat foi só um passo no caminho pelo qual a Igreja Adventista e as igrejas protestantes andaram longe. Pode dizer-se sem perigo de equívoco que estas igrejas chegaram ao fim desse caminho – o fim de sua utilidade para os que estão no poder.

Outra razão do por que o Projeto Whitecoat continuou sendo digno de exame é o assunto da responsabilidade, da qual nenhuma pessoa nem igreja pode escapar. AINDA QUE UMA CONVENÇÃO DE ARMAS BIOLÓGICAS (BCW) TENHA SIDO ASSINADA EM 1972 E PERMITA A INVESTIGAÇÃO "DEFENSIVA", CARECE DE VERIFICAÇÃO E CUMPRIMENTO. ESTA INVESTIGAÇÃO SE ACELERA PRODUZINDO ARMAS DE PESADELO COMO A "BALA ÉTNICA" DE ISRAEL, QUE ATACA SÓ A ALVOS DE ESTRUTURA GENÉTICA ÁRABE. BIOTECNOLOGIAS COMO ESTAS SÃO A VANGUARDA E QUANTO DELAS SE CONSTROEM SOBRE A INVESTIGAÇÃO QUE SE LEVOU A CABO NO USAMRIID ANTES DE 1973?

Há enormes arsenais de uma velha geração de armas químicas e biológicas, muitas das quais foram produzidas durante o apogeu do Projeto Whitecoat. Estas armas são agora instáveis, como o são as estruturas políticas do mundo. Uma calamidade sozinha que fosse, ou certo número de calamidades que funcionassem juntas, poderiam desencadear uma mortal pestilência. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por causa de sua falsa pretensão de boa saúde e boas obras, compartilharia uma grande porção de uma maldição como a que acarretaria um desastre como este.

As questões em disputa que rodeiam a guerra química e biológica são inumeráveis. Há em jogo questões morais a respeito da manipulação de formas de vida para fins de assassinato em massa. Há assuntos em disputa a respeito de quando usar estas armas se estão disponíveis. Há pontos em disputa sobre compensações para suas vítimas, tanto civis como militares. Todos estes pontos permanecem sem se elucidar, o mesmo que as misteriosas doenças e mortes que rodeiam a vários veteranos do Whitecoat e, mais recentemente, milhares de veteranos da Guerra do Golfo.

Hipocrisia

A questão em disputa que se sobressai, acima de todas as demais, é o espectro da hipocrisia, o crime mais grave na escala cósmica. Talvez alguns não vejam nenhum ponto em disputa. Os adventistas simplesmente mudaram o campo de batalha por um laboratório de investigação. Ainda que isto seja verdadeiro para os que crêem na guerra, não é verdade para os Adventistas do Sétimo Dia, que historicamente recusaram participar da guerra. Em 1864, sua Conferência Geral escreveu a Austin Blair, governador de Michigan, afirmando que os adventistas tomam a Bíblia como seu guia, e "crêem unanimemente que seus ensinos são contrários ao espírito e à prática da guerra... Por isso que nosso povo não se tem sentido livre para ingressar no serviço militar".

No ano seguinte, a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia emitiu uma declaração no sentido de que os adventistas "reconhecem a justiça de render tributo, usos, honra e reverência ao poder civil, como se ordena no Novo Testamento. Ainda que com alegria damos a César o que as Escrituras mostram que lhe pertencem, vemo-nos obrigados a declinar toda participação em atos de guerra e derramamento de sangue por serem inconsistentes com os deveres impostos sobre nós por nosso divino Mestre para nossos inimigos e para toda a humanidade".

Este é o verdadeiro significado do "óbice de consciência" – daquele que recusa participar da guerra por razões de consciência, mas os adventistas esticaram este significado com o correr do tempo para permitir o serviço como enfermeiros de campo e voluntários do Whitecoat, ainda que o manual de campo do exército estabelecesse claramente que "a missão do serviço médico num teatro de operações é a de contribuir para o sucesso do esforço militar". [38] Assim, pois, ao manter uma aparência exterior benevolente enquanto compravam paz do governo, os adventistas se abstinham de ter que matar alguns dos inimigos no campo de batalha, em favor de ajudar na matança de potenciais milhões. Isto é digno de nossa mais enérgica condenação. Tomaremos emprestados os parágrafos finais de Martin D. Turner no artigo de Spectrum, nos quais diz:

Uma consciência que é tão sensível aos perigos do café e aos anéis de casamento, mas não se preocupa pelos envolvimentos morais da participação na investigação da guerra biológica e da guerra mesma, deve parecer paranóica a muita gente pensante”. [Logo Turner cita ao Dr. Malek:]

Os guardiões da Igreja Adventista ...estão satisfeitos com uma moralidade de forma sem substância, na qual as artes da doença podem ser apresentadas como as artes da cura e na qual a guerra bacteriológica pode ser abraçada em piedosa obediência ao mandato divino contra a morte”. [39]






Notas:

* Jaleco branco. Alusão aos que usam ou que manipulam germens patogênicos.

1. Os Adventistas Debatem o Papel da Igreja na Investigação Sobre a Guerra na Era do Vietnã. David Dshneau, Associated Press, 8 de outubro de 1998.

2. All Things Considered, National Public Rádio, 13 de outubro 13 de 1998. (Requer RealAudio Player)

3. PROJECT WHITECOAT, Martin D. Turner, revista Spectrum, Verão de 1970.

4. Ibid.

5. PROJECT WHITECOAT. Os Enfermeiros Adventistas nos Estados Unidos se Oferecem Como Voluntários Para Servir à Humanidade, Adventist Review, 20 de março de 1969.

6. OPERATION WHITECOAT (part II), Dom A. Roth, The Youth´s Instructor, 15 de outubro de 1963.

7. PSYCHOCHEMICAL WEAPONS. Sydney Katz, Associate Editor of Macleans, 21 de abril de 1962.

8. Veja-se a referência 1.

9. PROJECT WHITECOAT. Uma Entrevista com CLARK SMITH, diretor do National Service Organization, Adventist Review, 27 de novembro de 1969.

10. Veja-se a referência 3.

11. Veja-se a referência 9.

12. Seventh-day Adventist Encyclopedia, Second Revised Edition, Art. "Noncombatancy".

13. Veja-se a referência 9.

14. Veja-se a referência 6.

15. Cartas e declarações relacionadas com o Projeto Whitecoat obtidas de Neil C. Livingston, que facilitou parte de sua investigação para este relatório.

16. Carta de César Vega datada de 12 de outubro de 1989 (ref. 15).

17. Entrevista telefônica com G. R. Bietz, 9 de novembro de 1989 (ref. 15).

18. OPERATION WHITECOAT (part I), Dom A. Roth, The Youth´s Instructor, 8 de outubro de 1963.

19. Declaração pelo veterano de Whitecoat Thomas Kopco, assinada em 10 de outubro de 1989 (ref. 15).

20. Veja-se a referência 1.

21. Carta de Wilson Wyn datada de 12 de outubro de 1989 (ref. 15).

22. Lester Bartholomew, de Oregon, numa entrevista telefônica com The WINDS, 19 de outubro de 1998.

23. Carta de John E. Keplinger, Capellán (Cor.) AUS, Ret. datada de 12 de outubro de 1989 (ref. 15).

24. Carta do Coronel Dan Crozier, USA MC, Ret. Commanding Officer, USAMRIID [Project Whitecoat] datada de 7 de novembro de 1989 (ref. 15).

25. Veja-se a referência 19.

26. Carta de Harry V. Wiant, Jr., datada de 15 de novembro de 1989 (ref. 15).

27. Veja-se a referência 1.

28. Veja-se a referência 18.

29. Veja-se a referência 6.

30. W. D. Tiggert, Status of Medical Research Effort, Military Medicine, pp. 142, 143, (Fevereiro de 1963) em Turner (ref. 3).

31. World Medical Association, Code of Ethics in Wartime (New York: 1956) em Turner (ref. 3).

32. Associated Press, como foi impresso no Newark Sunday News, Sec. 1, 24 de março de 1968.

33. Dr. Ivan Malek, citado por Stephen Rose (editor), CBW: Chemical and Biological Warfare (Boston: Beacon Press 1969), p. 124, em Turner (ref. 3).

34. Ibid.

35. Elinor Langer, Chemical and Biological Warfare, Science 155, 174-179 e 299-305 (13 e 20 de Janeiro de 1969) em Turner (ref.3).

36. United States Army Field Manual FM 101-140, Armed Forces Doctrine for Chemical and Biological Weapons Employment (1962), p. 10.

37. Vejam-se as referências 3 e 9.

38. Army Field Manual FM 8-10, Medical Service Theater of Operations.

39. Referência 3, Turner também cita a referência 33 no parágrafo final, escrita 11 de novembro de 1998.

Projeto Whitecoat:
A Contribuição Adventista


Para as Armas Químicas e Biológicas

Em edições anteriores, o Adventistas.Com resumiu para você a vergonhosa história do Projeto Whitecoat, que só foi admitido pela homepage da Associação Geral em agosto de 2000. Centenas de jovens adventistas teriam servido como cobaias humanas em experiências que deram origem a armas químicas e biológicas que hoje ameaçam a humanidade. A participação foi incentivada pela liderança mundial da igreja. Essa estranha parceria garantiria até o hoje o apoio financeiro do governo americano à Adra. Em compensação, somos acusados de ter colaborado até no surgimento do vírus da Aids! 

Agora, para quem duvida que tudo isso tenha acontecido, o Adventistas.Com apresenta esta cópia de reportagem sobre a conclusão do Projeto Whitecoat, publicada em 1963 por nossa revista denominacional para jovens, Youth's Instructor, equivalente em inglês à extinta revista Mocidade, da CPB. A matéria trouxe inclusive foto de um dos líderes da Conferência Geral, visitando um das centenas de jovens adventistas que foram induzidos pela denominação a esse procedimento suicida e pecaminoso. 

Olhe bem nos olhos deste nosso pobre e iludido irmão e imagine-se dizendo a ele para relaxar e confiar, porque Deus está por trás de tudo que faz a liderança da "menina de Seus olhos".

Fatos como esse, somados ao apoio a Hitler, mais a participação ativa no massacre de Ruanda, o incentivo ao cerco e extermínio de ex-adventistas em Waco e acusações de terrorismo contra os irmãos de Poá, SP, não nos deixam dúvida de que, embora amemos a igreja (conjunto de irmãos adventistas de todo o mundo), temos que admitir que a liderança da Iasd, com raras exceções, trabalha sob as ordens do Inimigo há muito tempo e está sob a condenação de Deus. Sem arrependimento e confissão desses terríveis pecados, não haverá perdão e a destruição será inevitável. 

Leia agora o que já publicamos sobre o Projeto Whitecoat:


  • Associação Geral Esconde a Verdade sobre o Projeto Whitecoat (08/2000): http://www.adventistas.com/agosto2000/projwhitecoat01.htm

    • Médico Discorda do Uso de Cobaias Humanas no Submundo da Medicina (08/2000): http://www.adventistas.com/agosto2000/projwhitecoat02.htm

    • Cobaias Humanas Pedem Indenização ao Governo Norueguês (09/2000): http://www.adventistas.com/setembro2000/projectwhitecoat3.htm

  • Associação Geral Une-se ao Congresso e Exército dos EUA para Homenagear "Cobaias Adventistas" (02/2001): http://www.adventistas.com/fevereiro2001/project_whitecoat4.htm


Reportagem-Confissão Foi Publicada Pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1963

Para ler a primeira parte da reportagem em inglês, publicada pela revista denominacional Youth's Instructor, as miniaturas das imagem abaixo, seguem nas páginas seguintes.
















Operação Whitecoat Explorou "Patriotismo e Devoção a Deus"

Tradução de trechos da segunda parte da reportagem-confissão, publicada no Youth's Instructor, edição de 15 de outubro de 1963:

Why do Seventh-Day Adventist young men participate in a program in which there are known dangers and possible complications? Elder J. R. Nelson, who has had official denominational interest in Operation Whitecoat for the past five years, gives the answer:

Por que Jovens Adventistas do Sétimo-Dia participam de um programa em que há perigos conhecidos e possíveis complicações? O pastor J. R. Nelson, que representou os interesses denominacionais nos últimos cinco anos dá a resposta:




"First, adventists even though considered nomcombatant, are willing to serve their country in time of war. During every war in this century youth have been willing to be exposed to danger and many have died for their country. In time of peace they are still willing to serve their country in every way possible.

"Primeiro, adventistas, embora se considerem não-combatentes, estão dispostos a servir seu país em tempo de guerra. Durante todas as guerras deste século, a juventude tem estado disposta a se expor ao perigo e muitos têm morrido por seu país. Em tempos de paz, eles estão ainda mais dispostos a servir seu país de todas maneiras possíveis.




"Second, devotion to God and to Christian principles makes adventist soldiers aware of their opportunities to be service to their fellow men. Therefore they are willing to do anything they can in order to advance the cause of the medical science so that others might live as a result of discoveries made during the period of experimentation."

"Segundo, devoção a Deus e a princípios cristãos fizeram os soldados adventistas cientes de suas oportunidades de estar a serviço de seus companheiros. Conseqüentemente, eles se dispuseram a fazer qualquer coisa para avançar a causa da ciência de modo que outros possam viver como resultado das descobertas feitas durante o período da experimentação."



Nas páginas seguintes seguem as imagens da publicação acima mencionada.







Projeto Whitecoat:
Médico Discorda do Uso de Cobaias Humanas no Submundo da Medicina


"Desde a Segunda Guerra Mundial que a experimentação humana criou certos problemas difíceis com o crescente emprego de pacientes como objetos de experimentação, quando se torna aparente que eles não se disporiam a isso se tivessem consciência de como seriam usados."

Robin Cook

O comentário acima foi feito por um apreciado professor de Pesquisa em Anestesia, da Escola de Medicina de Harvard, no início de artigo descrevendo 22 exemplos de experiências que ele achava que violavam a ética médica. Ele selecionou esses exemplos de um grupo de 50, e citou um professor na Inglaterra, o doutor M. H. Pappworth, que reuniu uma relação de 500. O problema não constitui um episódio isolado, raro. É endêmico, propagando-se do sistema de valor básico inerente à imagem do médico-experimentador, difundida pela atual corrente da comunidade médica orientada para a pesquisa.

Consideremos alguns exemplos:

Uma experiência que foi recentemente focalizada pela imprensa e objeto do programa de televisão Sixty Minutes (Sessenta Minutos) envolvia várias agências do governo dos Estados Unidos que "realizavam" experiências com funcionários, sem que eles o soubessem, numa tentativa para determinar os efeitos das drogas alucinatórias. Talvez mais perturbadora foi uma experiência na qual células cancerosas foram injetadas em pacientes idosos sem seu consentimento. Na época desse estudo os pesquisadores não sabiam se os cânceres se reproduziriam ou não.

Aparentemente, eles assumiram a decisão de achar que os pacientes já estavam tão velhos que isso não importava!

Existem inúmeros exemplos de pessoas, principalmente de deficientes mentais, que sem o saber recebem injeções de materiais radioativos, e até de recém-nascidos que têm sido submetidos a esta prática. Não há como justificar o uso desses métodos sob a alegação de que vão beneficiar a humanidade, e não há dúvida de que esta gente se submete ao risco de adquirir lesões ou doenças, para não mencionar o desconforto e a dor. Acima de tudo, freqüentemente os resultados dos estudos desse tipo são irrelevantes, servindo mais para aumentar as bibliografias dos pesquisadores envolvidos do que o progresso da ciência médica. Sabe-se que muitos desses estudos são "apoiados" pelos departamentos do governo dos Estados Unidos.

Outra experiência implicou a injeção proposital, em 700 a 800 crianças mentalmente retardadas, de soro infectado com o objetivo de produzir hepatite. Aparentemente, este estudo foi aprovado e apoiado pelo Conselho Epidemiológico das Forças Armadas, entre outros departamentos. Dizia-se que tinha sido obtido o consentimento dos pais, mas as circunstâncias levam a imaginar como foi conseguido esse consentimento e até onde os pais foram "informados" para dá-lo; e, ainda assim, este consentimento dado pelos pais protege os direitos dos menores? A questão permanece de pé; teria algum dos pesquisadores permitido que um membro de sua família ou eles mesmos se envolvessem com objetos do estudo? Sinceramente, duvido. O elitismo intelectual que a Medicina e a pesquisa médica adota cria um sentimento de onipotência, e com ele, dois pesos e duas medidas.

Seria irresponsável sugerir que a maioria das pesquisas envolvendo os seres humanos nos Estados Unidos se baseie em padrões não-éticos, porque definitivamente não é verdade. No entanto, o fato da existência de uma minoria é assustador e exige a atenção do público. A pressão para a pesquisa em nossos centros acadêmicos é tão forte quanto sempre o foi, e o entusiasmo subseqüente e o ar de competição profissional podem fazer com que as pessoas percam a visão das conseqüências negativas para os pacientes. Além disso, a confusão de valores entre paciente-risco individual e possível benefício social não tem sido estabelecida inequivocamente. E a idéia de que consentimento do paciente atalha os abusos provou ser falsa. Tome-se por exemplo o caso de 51 mulheres usadas como pacientes num estudo de uma droga para induzir experimentalmente o trabalho de parto. Todas elas assinaram declarações de consentimento, mas aparentemente sob condições inferiores às ideais. Uma investigação sobre o estudo relatou que muitas deram seu consentimento durante a coação dos procedimentos para admissão ou na própria sala de parto.

Após o fato, as pacientes foram entrevistadas e quase 40% não tinha idéia de que tinha sido objeto de pesquisa, mesmo que "pretensamente" houvessem dado "o consentimento formal". Um dos métodos sutis para obter o consentimento consistiu em dizer que o estudo envolvia uma "nova" droga, não uma droga "experimental", sabendo o pesquisador muito bem que o adjetivo "novo" era melhor do que o da "velha" droga.

Não é necessário recorrer-se a subterfúrgios para se obter o consentimento. Sutis insinuações, sugerindo que a pessoa não será tão bem cuidada se não "cooperar", são a evasiva mais freqüente. A seguir, e freqüentemente em relação ao pesquisador, vem a clara implicação de que o procedimento pode ser benéfico para o indivíduo, mesmo que essa possibilidade deixe de informar ao sujeito em potencial que existem alternativas e, freqüentemente, meios de tratamento já estabelecidos.

Tudo isso não constitui novidade. Há mais de 35 anos que vêm sendo feitas denúncias nas revistas médicas sobre violações da ética envolvendo experiências com seres humanos. O fato de que isso ainda exista na quantidade em que "existe" é uma tragédia de grandes proporções. E agora com a proximidade do fim do século com a Medicina começando um novo caso de amor com a Física, as oportunidades para os abusos atingem um potencial novo e horrível. O palco principal para o casamento da Medicina com a Física é a neurociência, e o principal ator vai ser o cérebro humano, considerado por muitos como a mais espantosa e misteriosa criação do Universo. (Há denúncias de desaparecimento de pessoas na década de 80, usadas em pesquisas cerebrais para o desenvolvimento de mísseis inteligentes para as forças armadas americanas). As questões morais e éticas que envolvem a experimentação com seres humanos têm de ser resolvidas antes que a ficção e a fantasia se tornem um fato.

Robin Cook é doutor em Medicina. (O texto foi enviado como colaboração por uma médica adventista que prefere não ser identificada.)

Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia Esconde a Verdade sobre o

Projeto Whitecoat

Há quem prefira traduzir "whitecoat" simplesmente por "uniforme branco" ou "jaleco branco (de laboratorista)", associando o nome do projeto à opção feita por cerca de 2.300 jovens norte-americanos, não-combatentes e adventistas, que foram incentivados pelo Departamento de Jovens da Associação Geral a trocar o serviço militar pela participação voluntária num programa de pesquisa biológica do exército americano. Mas a expressão "coat" pode significar bem mais que "casaco" em inglês. Coat é também "pele de animal", "cobertura", "capa", etc. Isso, portanto, permitir-nos-ia identficá-lo também como "Projeto Pele de Ovelha", que encobriria a ação de lobos devoradores ligados à Associação Geral e o governo americano, ou mesmo "Projeto Sepulcro Caiado", belo e humanitário apenas por fora. 

O assunto voltou à tona com a veiculação no dia 20 de agosto de 2000 pelo canal de tevê a cabo TV History de um documentário da série Missões Suicidas, intitulado "Human Guinea Pigs" (Porquinhos-da-Índia Humanos, ou Cobaias Humanas). Com duração de cinqüenta minutos, o programa narrou a experiência desse grupo que arriscou a vida, submetendo-se à ação de perigosas substâncias químicas e biológicas que supostamente lhe estavam sendo injetadas com o objetivo de beneficiar futuramente a outros com a descoberta de vacinas e medicamentos. 

Foi como se fizéssemos uma campanha no programa J.A. para recrutar voluntários para fumar maconha enquanto especalistas verificariam os efeitos positivos e negativos da experiência. (Não é o corpo de nossos jovens templo do Espírito Santo?) Mas o "consumo" voluntário de substâncias químicas e biológicas com objetivo humanitário é apenas parte da história.

O Projeto Whitecoat foi desenvolvido pelas Forças Armadas e não por algum departamento do Ministério da Saúde americano, o que logo despertou suspeitas e, no final da década de 60, surgiram denúncias de que esses jovens estavam sendo, de fato, cobaias de experiências com protótipos de armas químicas e biológicas. Mas o silêncio da liderança adventista teria sido obtido através da garantia de apoio financeiro multimilionário do governo americano às ações humanitárias da Adra pelo mundo afora. Por isso, "Operação Judas" em lugar de Projeto Whitecoat, talvez, fosse um nome mais apropriado. 2.300 sacrifícios humanos!

O documentário "Porquinhos-da-Índia Humanos", cuja cópia pode ser adquirida ao preço de 19,95 dólares nos Estados Unidos (http://store.aetv.com/cgi-bin/ae.storefront/0/Ext/OutsideFrame/UT/32/Product/42930), falou sobre as motivações psicológicas de decisões suicidas como essa de arriscar a saúde, segurança e vida pelo bem-estar de outros, estimuladas pela confiança incondicional na palavra de líderes religiosos. Esse não foi, porém, o enfoque dado pelo noticiário oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia na semana que passou. 

Além disso, a reportagem publicada cita o exemplo de apenas um sobrevivente dentre os 2.300 jovens que participaram do projeto. E nas entrelinhas de suas declarações, percebe-se a influência da liderança na indução à decisão de participar: "Fizeram-nos sentir que podíamos apoiar a nosso país sem quitar vidas." E embora refira-se ao Projeto Whitecoat como uma iniciativa do Instituto de Pesquisas para Enfermidades Infecciosas do Exército dos Estados Unidos, a Associação Geral admite que um dos resultados foi a descoberta de "vacinas contra agentes de guerra biológicos". 

Confira a tradução do texto:



Destaque: Projeto Whitecoat (Jaleco Branco) é Lembrado

22 de Agosto de 2000
Silver Spring, Maryland, Estados Unidos .... [Wendi Rogers]

Um documentário sobre o "Projeto Whitecoat", um programa de investigação biológica do Exército em que os não-combatentes Adventistas do Sétimo da desempenharam papel significativo, foi levado ao ar no domingo 20 de agosto. O programa do canal de  TV The History Channel destacou tanto a investigadores como participantes do estudo ao examinar o impacto duradouro do projeto no desenvolvimento de vacinas contra agentes de guerra biológicos.

O Projeto Whitecoat funcionou entre 1954 a 1973 e permitiu aos cidadãos dos Estados Unidos servir o exército, mantendo a condição de não-combatentes (ou objetores de consciência). Atraiu a 2.300 adventistas que contribuíram com o estudo de enfermidades e suas curas. A maioria das experiências ocorreram no Forte Detrick, em Maryland, onde tudo era supervisionado pelo Exército americano.


Dean Rogers e Jerry Penner serviram no Projeto Whitecoat.

"O exército finalmente encontrou seus voluntários para essa experiência científica no lugar menos esperado, a Igreja Adventista do Sétimo Dia", disse o Coronel Arthur Anderson do Instituto de Pesquisas para Enfermidades Infecciosas do Exército dos Estados Unidos (USAMRIID) que foi entrevistado pela reportagem do documentário. "A razão para isso era que os jovens da Igreja Adventista aceitavam servir ao exército desde que em tarefas não-combativas. Existiam raras posições em que eles poderiam servir sem ter que portar armas." O Projeto Whitecoat proporcionou essa oportunidade.

"Esse grupo de homens era o sonho de qualquer pesquisador", disse o Dr. Frank Damazo, que foi o elo de ligação do projeto com a Igreja Adventista. "Todos eles praticavam a abstinência do tabaco, drogas e álcool."

Dean Rogers, um voluntário do Projeto Whitecoat de 1970 a 1971, disse: "Nós, como Adventistas, sentíamos que não devíamos estar envolvidos na parte mortífera da guerra. Fizeram-nos sentir que podíamos apoiar a nosso país sem quitar vidas." Rogers participou de uma experiência para a encefalite oriental, porém ocupou a maior parte de seu tempo trabalhando no escritório do Hospital Walter Reed, do Exército. Os Voluntários do Projeto Whitecoat mantinham toda a documentação da pesquisa em ordem, trabalharam nos laboratórios e hospitais, e cuidaram de pacientes. "Os Whitecoats, de muitas maneiras, permitiram que as coisas funcionassem", disse Rogers.



"Os resultados dos Whitecoats (Casacos Brancos) não só beneficiaram o Exército, como a centenas de milhares de civis", disse Richard Stenbakken, diretor dos Ministérios de Capelania Adventista para a Igreja Adventista mundial. "A Igreja crê que devemos ser bons cidadãos, desde que isso não interfira com nossa responsabilidade para com Deus. Com base nos ensinos da Bíblia, a recomendação da igreja é que seus membros sirvam como não-combatentes."

Fontes:  

  • http://www.adventist.org/news/data/2000/7/966918509/index.html.es

  • http://www.adventist.org/news/data/2000/7/966918509/index.html.en 

Outras referências ao Projeto Whitecoat:

  • "As grandes potências renunciaram as armas químicas há vinte anos atrás, mas continuaram desenvolvendo pesquisas. As primeiras cobaias para as armas biológicas foram soldados adventistas... A imprensa soviética, mestra da meia-verdade, acusa o Exército dos Estados Unidos de produzir o vírus da Aids nos laboratórios de armas biológicas de Fort Detrick, Maryland. Essa tática da guerra psicológica conseguiu de qualquer modo, por um momento, neutralizar aqueles dentre nós que diziam exatamente a mesma coisa, que o vírus da Aids foi provavelmente criado através da reengenharia genética entre duas ou mais espécies de plantas ou animais e/ou desenvolvido através de uma série de gerações de células cultivadas em tecidos ou animais vivos, adaptando então o vírus a novas espécies, usando células cultivadas em tecidos nos laboratórios altamente secretos de Fort Detrick."

Fontes dessa citação: 

  • http://panindigan.tripod.com/aidswar.html

  • http://www.biblebelievers.org.au/aidsplot.htm 

  • "Vinte e cinco anos atrás, ao fim da guerra do Vietnã, o Exército encerrou o Projeto Whitecoat -- um programa em que membros da denominação protestante dos Adventistas do Sétimo Dia serviram como voluntários em experiências científicas. Os adventistas eram objetores de consciência e aceitavam servir ao exército desde que não pegassem em armas. Para o Exército, o Projeto Whitecoat foi o caminho para aprender mais sobre o armamento biológico. A repórter Joanne Silberner participou de uma recente reunião dos Whitecoats, e conta mais detalhes neste arquivo de áudio: Clique aqui para ouvir (11:45)."

http://npr.org/programs/atc/archives/1998/981013.atc.html

  • "Um acordo de parceria foi assinado e estudos sobre defesa médica contra armas biológicas foram conduzidas cooperativamente pela Unidade de Química (Chemical Corps) e o Departamento Médico do Exército. Durante esses primeiros anos, o Congresso aprovou um programa médico voluntário  denominano Projeto Whitecoat, que foi desenvolvido a partir de 1954 após uma série de reuniões de representantes da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia e o Cirurgião Geral do Exército."

http://www.gulfwarvets.com/biowar.htm

Para mais detalhes (em inglês), leia:

  • http://www.adventist4truth.com/GC-Chapter%2016.html (Seria ótimo se alguém pudesse traduzir este artigo integralmente.)

  • http://www.gulfwarvets.com/biowar.htm

  • http://www.sightings.com/political/weapons/bio_chem.htm 

  • http://www.thewinds.org/1998/11/project_whitecoat.html

  • http://www.thewinds.org/library/turner.html

  • http://freenet6.afn.org/~afn64689/senate.htm



PROJETO WHITECOAT:
Cobaias Humanas Pedem Indenização ao Governo Norueguês

OSLO, Noruega (AP) - Os sobreviventes de um grupo de crianças e doentes mentais utilizados como cobaias humanas na Noruega para veriricar os efeitos de drogas como o LSD estão pedindo indenização ao Estado, acusado de ter agido sob instruções da CIA, a agência americana de Inteligência.

O caso, semelhante ao denunciado na Suécia há cerca de um ano, foi revelado nesta segunda-feira (4) pelo jornal "Dagavisen", com base nas denúcias apresentadas ao tribunal de Oslo por mais de 50 vítimas do experimentos, através do advogado Randi Hagen Spydevold, que pede uma reconstrução do caso através de levantamento dos arquivos.

Segundo o Dagavisen, nos anos 50 e 60 o Instituto de Farmácia da Universidade de Oslo - sob a supervisão técnica do Exército e da CIA - realizou experimentos com LSD (ácido lisérgico) utilizando como cobaias crianças nascidas de mães norueguesas e pais alemães durante a ocupação alemã na Segunda Guerra.

Destas crianças, que compartilharam seu papel de cobaias com doentes mentais e outros tipos de deficientes, pelo menos três ou quatro não sobreviveram, diz a acusação.

Não se sabe a quantidade total de cobaias humanas utilizadas em tais experimentos; o que se sabe é que eles se destinavam a estudar o efeito das drogas sobre o controle do cérebro.

O advogado Spydevold disse não ver razões para o Estado norueguês manter o caso em segredo, uma vez que os americanos já publicaram seus documentos sobre experimentos semelhantes.



16h27 - 04/09/2000

Fonte: http://www.zip.net/zipnoticias/mundo/ultimas/48162758.shtml

Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia se Une ao Congresso e Exército dos EUA Para Homenagear

"Cobaias Adventistas"

Todos os jovens adventistas que participaram como "voluntários" do Projeto Whitecoat entre 1954 e 1973 em Fort Detrick, Maryland, estão sendo convocados pelo Exército Americano para uma reunião especial em San Antonio, Texas, de 16 a 18 deste mês (março de 2001). San Antonio é o local onde os não-combatentes adventistas receberam seu "treinamento" básico.

O Exército dos Estados Unidos quer contactar todos os "voluntários" que participaram do Projeto para que eles possam receber seus certificados de apreciação e medalhas do Congresso (U.S. Congress) e Exército (U.S. Army), além da Associação Geral da Iasd.

O Projeto Whitecoat foi recentemente descrito num documentário do History Channel como "Missão Suicida: Porquinhos-da-Índia Humanos."



Voluntários do Whitecoat ou outras pessoas que possuam informações sobre os partipantes podem escrever para Frank Damazo, em 700 Montclaire Ave., Frederick, Maryland, 21701; telefonar para (301) 662-4502; ou enviar mensagem pelo e-mail thedamazos@aol.com.

Fonte: http://www.adventistreview.org/2001-1504/news.html





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