Proposta 2 de meditaçÃo da palavra



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PROPOSTA 2 DE MEDITAÇÃO DA PALAVRA
Segunda leitura da Festa da Apresentação do Senhor

Epístola aos Hebreus 2,14-18
Uma vez que os filhos dos homens

têm o mesmo sangue e a mesma carne,

também Jesus participou igualmente da mesma natureza,

para destruir, pela sua morte,

aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo,

e libertar aqueles que estavam a vida inteira

sujeitos à servidão,

pelo temor da morte.

Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos,

mas dos descendentes de Abraão.

Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo

aos seus irmãos,

para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel

no serviço de Deus,

e assim expiar os pecados do povo.

De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento,

pode socorrer aqueles que sofrem provação.

Tema geral
Jesus é apresentado como o sacerdote por excelência que, ao oferecer ao Pai o sacrifício da sua vida, ao serviço do plano salvador de Deus, fez nascer o Homem Novo, livre da escravidão do pecado, promovido à categoria de “filho de Deus”. Esta “catequese” convida os discípulos a olhar para a cruz de Jesus, a interiorizar o seu significado, a seguir Jesus no dom total da vida, na entrega radical, no serviço simples e humilde aos irmãos.

A Vida Consagrada é uma forma privilegiada de viver e de testemunhar esta realidade.



Por quem e para quem é escrita a Carta aos Hebreus?
A Carta aos Hebreus é um escrito de autor anónimo, aparecido provavelmente antes do ano 70, e cujos destinatários, em concreto, desconhecemos. Com o título “aos hebreus” poderia pensar-se num escrito dirigido aos cristãos provenientes do judaísmo, pelas múltiplas referências ao Antigo Testamento e ao ritual dos “sacrifícios” que a obra apresenta. Mesmo se uma tal hipótese é possível, isso não é totalmente seguro, uma vez que o Antigo Testamento era um património comum: todos os cristãos – quer os vindos do judaísmo quer os vindos do paganismo – assumiam esta primeira parte da Escritura Sagrada que viria a denominar-se o Antigo ou o Primeiro Testamento.

O que é certo é que se trata de cristãos em situação difícil: expostos a perseguições e que vivem num ambiente hostil à fé… Em tal situação, o desalento e a desesperança parecem tomar conta destes nossos predecessores na fé. Por isso, facilmente perdem o fervor inicial e acabam por ceder às seduções de doutrinas não muito coerentes com a fé recebida dos apóstolos…

A mensagem do autor vai revestir-se, por isso mesmo, de um colorido de esperança, claramente numa belíssima apresentação da figura de Jesus.

O porquê desta carta
O objectivo do autor é estimular a vivência do compromisso cristão e levar os crentes a crescer na fé, se quisermos, a reviver o tal fervor inicial a que antes se acenava. Para isso, ele expõe o mistério de Cristo, apresentado, sobretudo, como “o sacerdote” da Nova Aliança, que faz a mediação entre Deus e os homens. Para tal, tem necessariamente de se servir da linguagem e imagética litúrgicas do Antigo Testamento.

Nesta linha, o autor apresenta os crentes na sua condição cristã, que deriva da missão sacerdotal de Cristo. Porque estão em relação com o Pai, por meio do Sumo Sacerdote que é Cristo, eles são inseridos nesse dinamismo e são o Povo sacerdotal. O sacerdote é, no contexto do Antigo Testamento, aquele que oferece os sacrifícios pelo Povo. Se Cristo é o Sumo Sacerdote, é Ele que oferece; mas inseridos neste dinamismo, todos os crentes são chamados a fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de acção de graças e de amor.



Uma reflexão sobre o objectivo da vinda de Cristo
Deus tem um plano: renovar a humanidade ou, para usarmos um termo querido ao Novo Testamentário, fazer nascer o Homem Novo (cf. Jo 3,3-7; Rm 6,5-6; Ef 2,15). Trata-se do homem que superou a sua condição limitada e pecadora, que se despiu do egoísmo, do orgulho e dos preconceitos e que chegou à total realização do seu ser, à situação definitiva do homem libertado, à vida verdadeira e eterna, à condição de “filho de Deus”. Este acaba por ser o próprio objectivo da vinda de Cristo, da sua Incarnação; um mistério central da nossa fé.

Jesus Cristo nasceu no meio de nós, vestiu a nossa carne mortal, solidarizou-Se com a nossa humanidade, conheceu as nossas limitações e as nossas fragilidades (a morte que acaba por ser vencida no seu mistério pascal de morte e ressurreição). Tornando-Se homem, Ele fez-Se nosso irmão; tornando-Se nosso irmão, inseriu-nos na família divina e promoveu-nos à categoria de “filhos de Deus”.

Que mensagem melhor para nos transmitir a esperança de viver num mundo que não tem a última palavra? Como poderia mostrar-se melhor que Deus ainda cuida do seu Povo e que é fiel à sua Aliança?

O Sumo-Sacerdócio de Jesus
Ao fazer-Se homem, Jesus tornou-Se “um sumo sacerdote misericordioso e fiel” (vers. 17). A função do sumo sacerdote é servir de ponte entre os homens e Deus; e, ao vir ao nosso encontro, ao fazer-Se nosso irmão, ao vencer a morte, ao associar-nos à família de Deus, Jesus refez a comunhão entre os homens e Deus. Como sumo sacerdote, Ele realizou também – diz o autor da Carta – a expiação dos pecados do povo (vers. 17), isto é, Ele introduziu na nossa débil, frágil e pecadora natureza humana dinamismos de superação dos nossos limites e falhas, dinamismos de vida nova, de vida verdadeira e eterna, de vida divina.

Desafios da nova condição de filhos no Filho
A condição de “filhos de Deus” exige, no entanto, a superação de tudo aquilo que em nós é frágil, débil, corruptível, finito…

Jesus trouxe essa mensagem de esperança, ao vencer o maior inimigo do homem, a morte (cf. 1Cor 15,26).

Enquanto gera medo, sofrimento, escravidão, a morte perpetua a nossa debilidade e fragilidade, impedindo-nos de chegar à vida plena do homem libertado. Por isso, para nos tornar “filhos de Deus”, Jesus tinha de vencer a morte. E mostrou que, numa vida de serviço e de entrega aos irmãos, coroada na morte que não é o último capítulo da sua história, Ele fez-nos ver que é possível acreditar na vida…


Interpelações para nós, hoje





  • Esta história de um Deus que aceitou despir-Se das suas prerrogativas divinas e assumir as nossas fragilidades e limitações é uma história estranha e ilógica à luz dos critérios e padrões que hoje vestem o mundo e a história dos homens… Mas é uma história que ilustra, sem deixar margem para dúvidas, a intensidade e a radicalidade do amor de Deus por nós.

A constatação desta realidade é algo que enche o nosso coração de serenidade e de alegria e que nos permite encarar a vida, os desafios, as dificuldades, os medos, os limites da nossa existência humana, com esperança, com coragem, com confiança.

Se Deus nos ama desta forma, a nossa caminhada pela história só poderá ter um final feliz.

Aqueles que seguem Jesus Cristo na Vida Consagrada estão conscientes desta realidade; são alimentados, ao longo do seu percurso oblativo, por esta confiança; têm por missão dar testemunho diante dos homens seus irmãos, com luminosa alegria, da intensidade e da radicalidade do amor de Deus.


  • A morte de Jesus é, naturalmente, o ponto alto dessa história de amor que Deus quis viver connosco. A cruz “apresenta”, aos homens e ao mundo, a lógica do amor de Deus, que é um amor total, ilimitado e incondicional…

Naturalmente, os discípulos de Jesus – e também aqueles discípulos que são chamados a uma especial vocação de consagração – são convidados a olhar para a cruz de Jesus, a interiorizar o seu significado, a seguir Jesus no dom total da vida, na entrega radical, no serviço simples e humilde aos irmãos.


  • Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude de Jesus e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade…

Olhar a cruz de Jesus e o seu exemplo significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor…

Viver deste jeito pode conduzir à morte. Mas o discípulo sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne frágil e mortal os dinamismos da ressurreição, vivida em comunhão solidária na alegria e na esperança!



Saborear a Palavra

Continuar a saborear o alimento da Palavra acolhida, em silêncio meditativo…


Rezar a Palavra

Rezar a Palavra pessoalmente ou partilhar a oração, se for em grupo…


Comprometer-se na Palavra

Assumir compromissos concretos provocados pela Palavra que acolhemos, meditámos, rezámos, partilhámos…





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