Proposta aberta Aprendizado da escrita da Língua Portuguesa por crianças surdas. Anexo Introdução



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Proposta aberta - Aprendizado da escrita da Língua Portuguesa por crianças surdas.

Anexo

Introdução:

A partir da década de 60, novos conhecimentos teóricos sobre a língua de sinais e estudos sobre os processos cognitivos na criança surda contribuíram para que o surdo pudesse ser visto num contexto social mais amplo, como detentor de uma cultura, de uma língua e de identidade próprias. Assim o Surdo deixou de ser visto a partir de uma patologia e passou a ser considerado em sua diferença, com as mesmas capacidades e potencialidades de qualquer indivíduo ouvinte. Se passarmos a enxergar o indivíduo nas suas capacidades, e não apenas no que ele não possui, como no caso a audição, veremos uma outra possibilidade para seu desenvolvimento. Uma delas é o canal espaço-visual (gestual-visual) para a aquisição da linguagem (onde gestual significa o conjunto de elementos lingüísticos manuais, corporais e faciais necessários para a articulação do sinal) (KARNOPP, 1994). Isto não como uma alternativa à falta de integridade do canal oral-auditivo, mas como uma outra modalidade de comunicação, como uma língua que utiliza os canais visual e espacial dentro das possibilidades psicobiológicas humanas para a linguagem, ou seja a língua de sinais.

A língua de sinais tanto no nível de sua estruturação interna como de sua gramática, tem valor lingüístico semelhante às línguas orais e cumpre as mesmas funções, com possibilidades de expressão em qualquer nível de abstração. (STOKOE, 1960). A oportunidade de incorporação de uma língua de sinais mostra-se necessária para que sejam configuradas condições mais propícias à esfera cognitiva e afetiva e fundam a construção da subjetividade(...) não há limitações cognitivas ou afetivas inerentes à surdez, tudo dependendo das possibilidades oferecidas pelo grupo social para seu desenvolvimento e em especial para a consolidação da linguagem. (GÖES, 1996, p.38).

“ Tais línguas são naturais internamente e externamente, pois refletem a capacidade psicobiológica para a linguagem e porque surgiram da mesma forma que as línguas orais – da necessidade específica e natural dos seres humanos de usarem um sistema lingüístico para expressarem ideais, sentimentos e emoções. As línguas de sinais são sistemas lingüísticos que passaram de geração em geração de pessoas surdas. São línguas que não se derivaram das línguas orais, mas fluíram de uma necessidade natural de comunicação entre pessoas que não utilizam o canal auditivo-oral mas o canal espaço-visual como modalidade lingüística.”

(QUADROS, 1997, p.47)


Ao contrário do que muitas pessoas pensam, estudos comprovaram que as línguas de sinais não prejudicam o desenvolvimento das crianças surdas, mas ao contrário ajudam-nas no desenvolvimento escolar sem prejuízo para as habilidades orais.

Desta forma, a língua de sinais deve ser considerada como a 1a língua da criança surda, e como favorecedora do aprendizado da língua oral e/ou escrita, que o surdo tem condições e necessidade de conhecer, para que possa fazer parte de um mundo bilíngüe, bicultural.

É pela linguagem e na linguagem que se podem construir conhecimentos, que vão interferir de maneira contundente nas novas experiências que o sujeito venha a ter. Ele se transforma através desses conhecimentos construídos, transforma seu modo de lidar com o mundo e com a cultura e essas experiências geram outras, num movimento contínuo de transformações e desenvolvimento. Aí entra a Língua de Sinais como um auxílio, um recurso para a terapia fonoaudiológica sendo bastante utilizada já que esta é uma língua passível de ser adquirida pela criança surda sem que sejam necessárias condições especiais de ‘aprendizagem’. Essa língua permite o desenvolvimento rico e pleno de linguagem e possibilita ao surdo um desenvolvimento integral. Esta é uma língua completa e a única capaz de propiciar a entrada dos indivíduos Surdos na linguagem e será utilizada como instrumento necessário para que possam realizar uma leitura do mundo de forma singular, refletindo e comparando com a dos outros. Devemos aceitar qualquer tentativa de comunicação, pois a oralidade se torna vazia se não estiver assentada sobre uma base lingüística verdadeira, fato que ocorre quando a língua de sinais é apresentada desde cedo à criança.

A maior dificuldade do Surdo está relacionada com o ensino do português, já que este é aprendido de forma sistemática e artificial. No caso específico da aprendizagem de uma segunda língua, o aprendiz contribui de maneira decisiva para a tarefa de aprender a partir de seu conhecimento sobre sua primeira língua, seu pré-conhecimento do mundo e dos tipos de texto com os quais está familiarizado. Todas as práticas de ensino/aprendizagem de uma língua instrumental voltada para as habilidades de leitura e produção escrita tendem a fazer uso da primeira língua dos aprendizes como meio de instrução. A escolha da primeira língua do aprendiz como língua de instrução não deve, no entanto, ser encarada como o reconhecimento de uma deficiência por parte do aprendiz, uma minimização de sua capacidade intelectual, mas sim como uma estratégia consciente de como melhor alcançar os objetivos estabelecidos, levando-se em conta a função social da aprendizagem. Assim é necessário buscar uma metodologia que auxilie a criança surda no aprendizado da língua portuguesa escrita.

Segundo o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos), alguns objetivos são bastante importantes para o ensino do Português escrito como segunda língua para o Surdo, como: Identificar no universo que o cerca a existência de mais de uma língua cooperando no sistema de comunicação; vivenciar uma experiência de comunicação humana, pelo uso do português como segunda língua, no que se refere a novas maneiras de se expressar e de ver o mundo; reconhecer que o aprendizado de português como segunda língua lhe possibilita acessar bens culturais; utilizar habilidades comunicativas de leitura e da produção escrita para poder atuar em diversas situações no mundo; ler e valorizar a leitura como fonte de informação e prazer, utilizando-a como meio de acesso ao mundo do trabalho e de estudos avançados e construir conhecimento sistêmico, sobre a organização textual e sobre como e quando utilizar a linguagem nas situações de comunicação.

Isso permitirá certamente uma maior integração da criança em todos os meios. A área da Fonoaudiologia se preocupa exatamente com estes aspectos e certamente a área da informática poderá em muito contribuir para tornar estes métodos mais agradáveis e motivadores para o aprendizagem da escrita.


O que está sendo proposto é o desenvolvimento de um software que permitirá auxiliar a criança surda a aprender a escrita da língua portuguesa. Para isto teremos uma professora que está desenvolvendo uma tese de doutorado nesta linha, uma aluna do último ano de Fonoaudiologia que deverá fazer uma monografia acerca deste tema, Professores de Computação Gráfica, Inteligência Artificial e Educação e a equipe do projeto final da PUCPR para desenvolver o sistema. Os especialistas ligados a Fonoaudiologia proporão uma metodologia pedagógica para o aprendizado da língua escrita em português para as crianças surdas. A equipe de Informática trabalhará para implantar esta metodologia em forma de um programa educacional de aprendizagem com diversas características desta área, utilizando técnicas modernas de Interface e auxílio da Inteligência Artificial visando um melhor aproveitamento do aprendizado da língua, assim como os aspectos cognitivos e lúdicos sejam bem aproveitados na interface, e finalmente os aspectos pedagógicos relevante no processo de aprendizagem com o uso de técnicas de inteligência artificial para dar um pouco de inteligência ao sistema.
O Software poderá fornecer entre outras características, algumas que são listadas abaixo :

  • Acesso das crianças surdas a um livro virtual;

  • Uma agradável história contada em Língua de Sinais bem como em português falado e escrito (inteligente);

  • Atividades de aprendizagem ligadas a uma história (inteligente);

  • Um glossário de palavras da história em Língua de Sinais e Português.

Este software deverá ser armazenado em um CD-ROM, e deverá conter uma história que é trazida à vida em língua de sinais para crianças surdas, seus professores, familiares e profissionais afins. Cada página da história poderá ser contada em algumas telas; uma ou mais figuras, uma com texto e uma em língua de sinais. Um controle de set-up na página índice da história deverá permitir ao usuário escolher qual tela será vista primeiro.


A tela de figuras poderá incluir animações, que é um importante motivador. Um botão de links nesta tela poderá mostrar alguns ícones que vão desencadear a animação. Uma leitura da página da história poderá ser ouvida clicando-se por exemplo em um botão “ouvir ”. Por exemplo, na tela do texto, o botão “ouvir ” poderá operar do mesmo modo e os botões links que mostram as palavras que podem ser clicadas para achar uma entrada para o glossário.
Na tela de sinais, por exemplo, uma seção da história poderá ser contada em língua de sinais por um personagem real ( poderão ser inseridos vídeos ), cujos gestos e estilos deverão motivar crianças e adultos.
O software deverá ter um glossário em língua de sinais e o correspondente glossário em Português com um número fixo de palavras usadas na história. Estas palavras deverão ser explicadas em português escrito e mostradas em sinais, português falado e escrito. Poderá também ter vários links entre as entradas do glossário as quais capacitam as crianças a descobrirem diferentes coisas, cores e mistura de cores.
Deverão existir atividades nas quais incluem a seqüência da história em palavras, em figuras e vídeos, reconhecimento dos sinais por diversos meios; das cores, da escrita da história, da identificação de características, de colorir e talvez alguma outra atividade a ser explorada, como por exemplo um quebra-cabeça. A gama de atividades deverá significar que há algo para todas as idades e habilidades. Algumas atividades, tais como a escrita da história e o colorir podem ser continuados sem o computador.


Sites relacionados ao tema com alguns artigos e livros :



  1. Língua de Sinais, extraída do site abaixo,


http://www.ic.unicamp.br/~983315/mo642/versao1/Linguagem_de_Sinais.html

Uma das maiores preocupações na educação de pessoas surdas está na aprendizagem, pois tem-se limitada a aquisição da linguagem. A audição é um sentido de vital importância para o indivíduo, ela é um dos principais canais de entrada de informação no homem e a aprendizagem de uma língua é um processo que envolve pensamento, raciocínio e tem a audição como o principal responsável.

Segundo Marcato [Marcato, 1998], o surdo é capaz de organizar os fatos e os pensamentos em sua mente podendo utilizar de sentidos que nele são perfeitos.

Através de imagens ele forma o mundo ao seu redor dando-lhe um aprendizado muito maior do que a tentativa de falar, pois trabalha a visão que é um sentido que funciona bem. Ao invés de usar o ouvido, o indivíduo usa os olhos para entender o que está sendo comunicado, portanto, a utilização de gestos permite que ele realize uma interação com o meio.

A língua de sinais foi desvalorizada durante muito tempo, devido a intolerância da época (1820-1870) com as práticas das minorias e com a preocupação de pais e professores de surdos sobre a necessidade de ensiná-los a falar e, conforme Sacks [Sacks, 1998], somente nos fins da década de 1950 é que encontrou seu caminho e novamente pôde ser tratada de forma especial. Ela é uma língua completa, possui uma estrutura como tantas outras línguas. De acordo com Rocha [Rocha, 1996], diferentemente da língua oral, a língua de sinais utiliza o termo gestual-visual, onde gestual significa o conjunto de elementos linguísticos manuais, corporais e faciais para a articulação do sinal.

Segundo Valentini [Valentini, 1995], as línguas de sinais possuem características próprias que são definidas através dos sistemas fonológico (estuda as configurações e movimentos dos elementos que estão envolvidos com os sinais), morfológico (quanto a formação de sinais), sintático (apresenta regras próprias e básicas) e semântico. Porém, diferentemente da língua falada ou escrita, não é possível transliterar uma língua falada para a língua de sinais palavra por palavra ou frase por frase, pois suas estruturas são diferentes [Sacks, 1998].

Na educação da criança surda, duas filosofias destacam-se: a do Oralismo e a da Comunicação Total. De acordo com Capovilla [Capovilla, 1994], o oralismo prega que a língua de sinais não é realmente uma língua e a aquisição desta tende a prejudicar a língua falada. Por outro lado a comunicação total não tem como objetivo maior a tentativa da fala, mas propõe o emprego simultâneo da fala e de sinais para a comunicação de surdos. Propõe também o emprego de aparelhos para a amplificação sonora, o trabalho de desenvolvimento de pistas auditivas (indicações sobre as palavras, como sinônimos, desenhos, palavras parecidas), e o trabalho com a produção da fala e com a leitura oro-facial (uma leitura labial ) da fala.

A comunicação total permite uma maior liberdade para pessoas surdas, oferecendo-lhes a possibilidade de comunicarem-se através da forma natural de comunicação que desenvolveram, a linguagem através de gestos. A linguagem através de sinais (gestos) difere em vários países do mundo e, dentre estes, existem também dialetos de uma região para outra [Hoemann, 1981].

Muitas pessoas podem se perguntar: Mas não seria necessário a aquisição da linguagem oral para que uma pessoa surda pudesse realmente fazer parte da comunidade de ouvintes (que é a maioria)? A resposta a esta pergunta e a tantas outras neste sentido nos fazem investigar sobre o assunto e observar que quando existe apenas a tentativa da oralização, a maioria da comunidade surda não consegue realizar uma efetiva comunicação para que possam interagir de modo eficiente com a comunidade ouvinte. Em Capovilla [Capovilla, 1994], de acordo com adeptos da língua de sinais, o surdo, por não conseguir uma integração com ouvintes (pelo fato de não conseguir uma fala perfeita) e tampouco se integrar com pessoas surdas (por aprender a desvalorizar a linguagem de sinais), acaba ficando sem seu lugar próprio na sociedade.

Pode-se observar o valor da língua de sinais também, em depoimentos descrito em [Souza, 1996], que relatam sobre o valor da língua de sinais no ambiente educacional de pessoas surdas, e o fato de como esta língua é importante para o desenvolvimento educacional e social destes.

Diante destas constatações, surgem dúvidas quanto à aprendizagem de surdos, pois, já que a educação deles precisa ser tratada de modo especial e diferente, porque necessariamente precisam comunicar-se como ouvintes? E porque não deixá-los valorizar a linguagem de sinais permitindo que o surdo possa ter um ensino paralelo ao ensino da língua oral?

Atualmente, há muita discussão acerca da inclusão de alunos, que necessitam de atendimento especial, em salas normais. A inclusão apoia a idéia da necessidade dos alunos frequentarem um ambiente de classe regular podendo, desta forma, demonstrarem suas habilidades. Aqueles que concordam com a idéia da inclusão, acreditam que a criança pode frequentar um ambiente regular e ser removida para ambientes especiais, caso haja a necessidade de serviços apropriados que não são fornecidos em classes regulares. Porém, conforme [Martins, 1996], urge a capacitação do professor da classe regular e do especialista para saber atuar frente às necessidades do aluno. Neste caso, torna-se necessária uma preparação adequada e especializada do professor, tanto em salas especiais quanto no ensino normal, para trabalhar em função do ensino de seus alunos.

Devido a necessidade de instrução e de auxílio para a aprendizagem da língua de sinais por professores e por pessoas interessadas em aprender esta linguagem, é que surge a proposta de desenvolvimento de um ambiente com estas características.



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