Prova de admissãO 2002



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PROVA DE ADMISSÃO 2002


PROVA C




INFORMAÇÃO SOBRE A PROVA



  1. Antes do inicio da contagem do tempo será feita uma leitura/explicação sumária sobre esta prova (C).



  1. Esta prova terá a duração de 2 horas.



  1. A prova pode ser feita com consulta.



  1. Esta prova (constituída pelas perguntas 1 a 4) tem o valor de 25% do conjunto das 3 provas (A, B e C).

Caracterização das perguntas:

Pergunta 1- de resposta obrigatória ( cotação de 40%);

Perguntas 2, 3 e 4 – deve responder a 2 delas, tendo cada uma a cotação de 30%.

  1. Não deverá deixar qualquer referência que o identifique nos elementos que entregar.



  1. Todo o material produzido deverá utilizar o papel da OA fornecido para esta prova.



  1. A confirmação da entrega da prova será feita por assinatura na lista de presenças, conforme lhe será indicado.


PROVA C


13 de Novembro de 2002

15:00 – 17:00




  1. Comente sucintamente o texto aqui apresentado à luz do seu contexto histórico e crítico, mas também à luz das perspectivas contemporâneas da Teoria da Arquitectura, sabendo que é um manifesto das Vanguardas do Movimento Moderno escrito por Hannes Meyer.1


CONSTRUIR (1928)

Todas as coisas deste mundo são produto da fórmula: (função x economia).

É por isso que elas não são obras de arte:

Toda a arte é composição e consequentemente não funcional.

Toda a vida é função e por conseguinte não artística.

A “composição de um porto do mar” é uma ideia cómica.

Portanto como conceber um plano para uma cidade? ou para uma habitação? composição ou função? arte ou vida?

Construir é um processo biológico. Construir não é um processo estético. Construída de maneira elementar, a nova casa não é uma máquina de habitar, mas sim um aparelho biológico correspondendo às necessidades físicas e espirituais. A nova época propõe à arquitectura doméstica novos materiais de construção:

betão armado

borracha sintética

couro sintético ... *

Organizamos estes materiais de construção segundo os princípios económicos com o objectivo de realizar a unidade arquitectónica. Deste modo, aparecem por si próprias, impulsionadas pela vida, as formas particulares, a estrutura do edifício, a cor do material e a organização das superfícies. (Tornar agradável e ostentar não são critérios arquitectónicos.)

(O primeiro agarra-se ao coração humano e não às paredes...)

(O segundo penetra a atitude do dono da casa e não o seu tapete persa...!)

A arquitectura como realização de efeitos de artista não se justifica.

A arquitectura como passos à frente da tradição arquitectónica está na direcção da sua história.

Esta conceptualização biológica e funcional da arquitectura como representação formal do processo vital conduz logicamente à construção pura: o mundo das formas não tem pátria. É a expressão de ideias arquitectónicas internacionais. O caracter internacional é uma prioridade da época. A construção pura é o fundamento e o símbolo do novo mundo das formas.
1. vida sexual 7. higiene da casa

2. hábitos de sono 8. conservação do automóvel

3. tratamento de animais pequenos 9. cozinhar

4. jardinagem 10. aquecimento

5. higiene pessoal 11. insolação

6. protecção contra as 12. serviços

intempéries
Eis as únicas exigências a tomar em consideração aquando da construção de uma casa. O estudo do desenvolvimento do dia a dia de todos os habitantes da casa dá-nos um diagrama funcional para o pai, a mãe, a criança e os seus companheiros. A seguir analisam-se as relações que se estabelecem entre a casa e os seus habitantes com o exterior: carteiro, passeante, visitante, vizinho, ladrão, limpa chaminés, lavadeira, polícia, médico, empregada, camarada de jogos, contador do gás, artesão, enfermeira, fornecedor. As relações entre os homens e os animais com o jardim e as relações mútuas entre os seres humanos, os animais domésticos e os insectos da casa...**
Pre-fabricada, a nova casa é um produto industrial e como tal, uma obra de especialistas: economistas, estatísticos, higienistas, climatólogos, engenheiros, especialistas de normas... e o arquitecto?... De artista tormou-se num especialista da organização!
A nova casa é uma obra social...**
A nova cidade, objectivo da prosperidade final, é uma obra conscientemente organizada, solidariamente...**
Construir significa organizar os processos vitais de modo reflectido.

Construir como processo técnico, não é senão um processo parcial. O diagrama funcional e o programa económico são as duas linhas directoras do projecto.

Construir não é mais um exercício solitário e orgulhoso de um arquitecto.

Construir é o trabalho colectivo de operários e investigadores; somente aquele que controla os processos vitais, dirigindo o trabalho colectivo... merece o nome de arquitecto.

Construir depois de ser preocupação individual (derivado do desemprego e da falta de alojamentos), torna-se preocupação de toda a comunidade.

Construir é apenas organizar:

a vida social, técnica, económica, psíquica.
* Lista de 30 materiais

**Interrupção do texto original





  1. Possuir um conceito é ter a capacidade de usar um termo que o exprima ao fazer juízos; essa capacidade está relacionada com coisas como saber reconhecer quando o termo se aplica, assim como as consequências da sua aplicação”

Blackburn, Simon

Dicionário de Filosofia

Lisboa: Gradiva, 1997

Um conceito é a maneira de de pensar sobre qualquer coisa – um objecto particular, ou uma propriedade, ou uma relação, ou qualquer outra entidade”
Dancy, Jonathan; Sosa, Ernest (edited by)

A Companion to Epistemology

Oxford: Blackwell, 1996

Entendendo os conceitos como unidades básicas do pensamento e sua expressão discursiva, pode-se chegar à conclusão que para a Teoria da Arquitectura o conhecimento dos conceitos aí mais utilizados são fundamentais para a estruturação de um pensamento crítico em Arquitectura, importante para qualquer arquitecto. Deste modo, escolha um dos três conceitos aqui nomeados e esclareça o seu significado:


Arquitectura
Construção
Cidade


  1. O Templo Grego e a Villa Garches de Le Corbusier. O conceito de Proporção e de Simetria.

Observe as figuras 1 e 2 e desenvolva o tema.



Fig. 1 - Parthenon – Atenas, 447 a 432 A.C.

Fachada Principal e Estudo dos traçados reguladores




Fig. 2 - Villa Stein – Garches, França, 1926/27 – Le Corbusier

Fachadas Norte e Sul e Estudo dos traçados reguladores





  1. O espaço da Arquitectura Portuguesa.

A Idade Moderna e a “Arquitectura Chã”, suas raízes e suas possíveis permanências na Arquitectura Portuguesa Contemporânea.
Desenvolva o tema.


1 Hannes Meyer foi professor e segundo director da Bauhaus, arquitecto empenhado politicamente, tendo desenvolvido projectos para habitação e equipamentos sociais bem como planos de urbanização, na Suiça, Alemanha, URSS e México, onde viveu. Destacam-se os projectos para uma escola em Basileia (1926), para o concurso do Palácio das Nações (1926-27), a colaboração com W. Gropius no bairro Törten em Dessau (1928-30) ou o projecto para a escola da Federação dos Sindicatos Alemães (1928-30) e ainda planos de urbanização para Moscovo e outras cidades russas (princípio dos anos 30).





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