Pós Graduação em Educação/Unicamp



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A ARQUITETURA DOS GRUPOS ESCOLARES PAULISTAS: O GRUPO ESCOLAR CORONEL FLAMÍNIO FERREIRA DE CAMARGO/ LIMEIRA – SP


GT UNICAMP/ Campinas SP

Alessandra de Sousa dos Santos

aledesousa@vivax.com.br
Profa. Dra. Mara Regina Martins Jacomelli

mararmj@unicamp.br

Pós Graduação em Educação/Unicamp

Introdução


O presente trabalho tem por objetivo analisar a criação e arquitetura utilizada para a construção dos grupos escolares paulista, especialmente na região de Campinas, no período de 1890 a 1920. Para tanto utilizaremos como referência a bibliografia impressa e/ou eletrônica que abordam a história da educação no Estado de São Paulo no referido período e também produções sobre arquitetura escolar.

Pretendemos situar historicamente como essas construções tiveram importância para a educação, uma vez que não é possível falar da educação pública no Brasil sem apresentar a importância que os grupos escolares representaram especialmente no Estado de São Paulo, no contexto sócio-político da época, assim, abordaremos primeiramente a história da criação dos grupos escolares.

Estaremos apresentando também os motivos que nos levaram a escolher dentre os municípios da região de Campinas a cidade de Limeira.

Os arquitetos que estiveram envolvidos com projetos para os grupos escolares, também são objetos de pesquisa neste trabalho, uma vez que tiveram significativa importância para o período, usando como estratégia a reutilização dos mesmos projetos em diferentes construções, em diferentes municípios, mudando muitas vezes apenas a fachada das construções.

Nosso tema não se esgota aqui, seria necessária uma coleção de trabalhos para dar cabo do assunto, mas nos limitaremos a uma breve análise, como forma de introduzirmos uma discussão sobre o assunto nos diferentes campos de pesquisa, uma vez que falar de grupos escolares abrange as diferentes áreas do conhecimento, sejam elas nos campos da educação, da sociologia, da arquitetura, entre outras.

A criação dos grupos escolares


Os grupos escolares foram instituições de ensino destinadas a atender a educação pública, em especial o ensino primário. Foram criados em nosso país no final do século XIX e início do século XX. A partir de 1971, com a Lei 5.692, essas escolas perderam o título de grupos escolares, tendo seu currículo de ensino alterado passando a atender as instituições de primeiro grau.

O interesse por estudar a arquitetura dos grupos escolares surgiu após leituras referente ao tema que abordam a necessidade de um estudo voltado para essas instituições, por terem deixado em nossa história significativa importância e por serem pouco pesquisadas.

Há várias pesquisas sobre a história da educação regional e grupos escolares sendo concluídas ou em andamento, mas poucas produções no campo da arquitetura desses mesmos grupos.

Os grupos escolares iniciaram como escolas de ensino primário e após várias reformas educacionais foram se transformando em escolas de 1º grau e hoje o que chamamos de ensino fundamental (básico).

É importante ressaltar que Saviani (2005, p.25) fala sobre a necessidade de trabalhos que abarquem a história da educação brasileira, sejam eles elaborados por pesquisadores individualmente ou por possíveis projetos coletivos, diz o autor:

A tarefa de investigar a história da escola pública no Brasil é de tal magnitude que só poderá ser cumprida satisfatoriamente instaurando-se um coletivo nacional de pesquisa que articule os esforços de estudiosos das diferentes regiões do país .


A idéia da educação pública está diretamente relacionada à instauração do ideário republicano. É a partir destas afirmações que nos propomos entender a construção histórica da identidade dos grupos escolares e verificar o que ocorria na sociedade brasileira, em especial na sociedade paulista e nas cidades do interior que permitiu a mudança de percurso da educação brasileira e entender o que fez com que os governos se preocupassem com a educação no final do século XIX, momento em que foram criados os primeiros grupos escolares de ensino público. Neste momento da história da educação brasileira os grupos representavam a excelência da educação pública no Brasil, em termos de estrutura e organização (SAVIANI, 2005).

Segundo Antunha (1981, p.57), “o período republicano vem testemunhando a progressiva tomada de consciência do País relativamente à imperiosa necessidade de implantação de um moderno sistema nacional de educação pública”. É no início da República que se evidencia a necessidade de se implantar uma escola pública.

Souza (2004, p.113) apresenta que a criação dos primeiros grupos escolares em São Paulo deu-se em 1893, a partir da reunião de escolas isoladas agrupadas pela proximidade. Esses grupos escolares, também chamados de escolas-modelo, começaram a funcionar nos centros urbanos da capital e das cidades do interior.

Resgatar a importância dos grupos escolares nas diferentes regiões do país é uma proposta presente em trabalhos de diferentes autores brasileiros, entre eles Jacomeli (2003, 2005), Lombardi (2005), Ribeiro (2003), Saviani (2004 e 2005), Souza (2004). Os autores afirmam ainda a necessidade de contextualizar socialmente a importância destas instituições para a história da educação local, regional e nacional.

Conhecer a história da criação dos grupos escolares nos permite entender melhor como se organizava a educação no século XIX anterior a criação destas instituições de ensino. Segundo Saviani (2004, p.17) “ao longo do século XIX, o poder público foi normatizando, pela via legal, os mecanismos de criação, organização e funcionamento das escolas que, por esse aspecto adquiriram o caráter de instrução pública”. Apesar de ser nomeado como instrução pública, afirma o autor, o ensino continuou até final do século XIX funcionando em espaços privados, a saber, as casas dos próprios professores.

Segundo Marcílio (2005, p.66) na década de 1850, nas províncias, “alugavam-se casas para servirem às aulas de primeiras letras e ao mesmo tempo de residência dos mestre-escola”. Já em São Paulo “cabia ao professor arcar com as despesas de aluguel de sua sala de aula, ou então ministrar as aulas em sua própria casa com todos os inconvenientes que daí resultavam”.

Afirma a autora (Marcílio, 2005, p.138) que a primeira reforma republicana do ensino paulista ocorreu em 1892, dando origem ao Grupo Escolar e, com ele, nova concepção pedagógica, arquitetônica e social da escola primária, tornando-se modelo para todo o país.

Reis Filho (1995, p. 10) aponta para o fato de ter sido o regime republicano liberal-democrático, aquele que procurou implantar uma estrutura de ensino público capaz de consolidar a construção de um Estado Democrático.

Para Souza (2004, p.112 e 115), foi no final do século XIX que os republicanos implantaram a instrução pública no Estado de São Paulo, naquele momento o ensino era considerado moderno. Quando fala da implantação dos grupos escolares a autora diz: “por toda parte onde foi implantado, este novo modelo de escola primária foi instituído como símbolo de modernização do ensino, em sintonia com expectativas em relação ao desenvolvimento social e econômico”.

Era comum neste momento da história (final do século XIX início do XX), afirma Antunha (1976, p. 72 e 73), prédios sendo cedidos por particulares ou até mesmo alugados, visto que “o governo estadual encontrava-se impossibilitado de construir prédios para todos os grupos cuja criação era solicitada, adotou logo a política de condicionar a instalação do estabelecimento à doação do prédio pelas municipalidades”.

Antunha (1976, p.70-71) faz um relato referente à significância dos trabalhos pedagógicos e administrativos desenvolvidos no interior dos grupos escolares, além da organização:

os resultados positivos do trabalho pedagógico nos grupos escolares foram reconhecidos desde os primeiros tempos da criação. As superiores condições materiais dos grupos escolares, sua estrutura administrativo-docente, a gradação do ensino e a relativa homogeneidade das classes, segundo o adiantamento dos alunos, representavam um progresso extraordinário sobre as escolas isoladas, e foram sempre saudadas como exemplos a serem progressivamente disseminados.


Ainda falando sobre a qualidade da educação nos grupos escolares diz o autor que o trabalho educativo dos docentes era concebido com muito apreço.

A necessidade de se resgatar a história dos grupos escolares dentro de um contexto social está relacionada ao fato de que as mudanças sociais e econômicas foram responsáveis pelas mudanças educacionais. Os grupos escolares foram sendo criados para atender as necessidades sociais de se implantar uma educação pública no Brasil.

Os terrenos onde foram implantados os grupos escolares não foram escolhidos ao acaso “eram situados em regiões nobres, esses edifícios marcam, definitivamente, pela imponência e localização, seu significado no tecido urbano” (Buffa e Pinto, 2002, p.43 – 44). Os autores afirmam que a seleção dos terrenos era criteriosa: “quadras inteiras ou grandes lotes de esquina que proporcionassem uma visualização completa do edifício e permitisse múltiplos acessos”.

Corrêa (1991, p.introdução) fala em sua obra da importância que os grupos escolares paulista representaram para a arquitetura do período, e a necessidade de preservação destes espaços:

Cerca de 170 edifícios...foram construídos entre 1890 e 1920. Esses prédios constituem um patrimônio merecedor de grande atenção, pois refletem a própria história da arquitetura escolar paulista. Cabem ao Estado, portanto, as iniciativas para que essas escolas sejam preservadas, através de políticas que possibilitem sua restauração e preservação.

O município de Limeira


Estudar a importância de um grupo escolar no município de Limeira está diretamente ligada ao fato desta cidade ter sido pioneira na contratação de trabalhadores livres:

Foi na fazenda Ibicaba que em meados do século passado foi instituída a primeira colônia de imigrantes de cunho particular do Brasil, empreendimento que foi responsável, pela preparação do Estado de São Paulo e do Brasil, para a substituição do braço escravo pelo livre. Por esse motivo Limeira é conhecida como o "Berço da Imigração Européia de Cunho Particular”1.

Foi a chegada dos colonos na fazenda Ibicaba, afirma Busch (1967, p..190) que propiciou a criação de outras frentes de trabalho como ferreiro, carpinteiro, marceneiro, seleiro, etc.

Segundo Busch (1967, p.192) essa diferenciação do trabalho escravo pelo contrato de parceria, contrato estabelecido entre os imigrantes trazidos para o trabalho livre nas fazendas e os fazendeiros, foi vista como a troca do trabalho improdutivo, passivo do escravo, que trabalhava sob coação, para o trabalho ativo do imigrante europeu, interessado.

Vale a pena ressaltar que em Limeira o ensino público foi implantado levando em conta essa realidade, qual seja, atender a uma demanda da população, dentre eles muitos imigrantes, trabalhadores livres que vieram para cá.

Bettini (2000, p.81) relata que a emergência da República em expandir quantitativamente a instrução pública, marca a criação do primeiro grupo escolar na cidade de Limeira, em 1900 com sede provisória cedida pelo então Coronel e posteriormente “chefe” do Partido Republicano de Limeira, Flamínio Ferreira de Camargo, que oferece ao governo sua residência para a instalação do referido grupo escolar.

Segundo a autora, em acordo firmado entre governo estadual e municipal, “o município doa” (grifos nossos) ao Estado em 1905 através da lei nº 89-A, de 15 de abril, o Largo do Rosário para que nele o Estado construísse um prédio adequado que abrigasse o grupo escolar.

Conforme nos apresenta Bettini (2000), o primeiro grupo escolar de Limeira com sede própria teve suas obras concluídas em 1906, iniciando suas atividades em 1907. O Estado atendendo ao pedido feito em 1901 pela Câmara Municipal de Limeira, quando os vereadores solicitam do governo que em virtude dos serviços que o Coronel havia prestado ao Estado, cedendo gratuitamente sua residência para instalação e funcionamento do grupo escolar, lhe fosse prestada uma homenagem e que ao grupo escolar fosse dado seu nome, recebendo então o nome de Grupo Escolar Cel. Flamínio Ferreira de Camargo (apud Bettini, 2000, p.81).



Arquitetura dos Grupos Escolares


A questão arquitetônica tem significativas citações em diversos trabalhos referentes a grupos escolares. Esses edifícios foram construídos ou adaptados por todo o território nacional “os grupos tem aspecto magnificante e frequentemente representam o melhor edifício de uma determinada região da capital ou cidade do interior”(Monarcha, 1999, p.230).

Situar a arquitetura destes prédios em seu contexto e período se faz necessário, pois representavam o que havia de mais moderno para aquele momento. Antunha (1976, p.71) deixa bem clara esta necessidade:

Talvez para o educador de nossos dias se torne um pouco difícil compreender o que representou, como arrojo e confiança no futuro, a implantação desses estabelecimentos, a construção desses prédios – a maioria dos quais até hoje existem – com sua arquitetura pesadona e enfadonha para o gosto moderno, perdido na multiplicidade vertical das construções atuais, mas que para o coevos impressionavam pela majestosidade e imponência.
A estrutura arquitetônica dos primeiro prédios escolares é o aspecto que muito nos interessa para este trabalho. Monarcha (1999, p. 230) afirma que no início no século XX:

Os edifícios dos grupos são marcos arquitetônicos na paisagem urbana da capital e das cidades do interior(...). Apresentam um padrão arquitetônico definido – cridos por arquitetos famosos como Ramos de Azevedo, Victor Dubugras, José Van Humbeeck e outros...


É importante ressaltar a afirmação que Buffa e Pinto (2002, p.35) fazem a respeito dos projetos e seus autores:

O ritmo acelerado da construção desses edifícios escolares levou alguns arquitetos a apenas desenharem fachadas diferentes para plantas desenhadas por outros profissionais, ficando a autoria do projeto sempre referida ao autor das fachadas .


Segundo Corrêa (1991, introdução), grande parte dos arquitetos eram estrangeiros ou com formação européia. “Dentre eles alguns alcançaram grande projeção, enquanto outros, talvez até por terem restringindo sua atuação aos órgãos públicos, permaneceram praticamente desconhecidos”.

Buffa e Pinto (2002, p. 34) trazem um trabalho minucioso sobre a arquitetura dos grupos escolares e seus respectivos arquitetos:

Victor Dubugras, arquiteto francês formado na Argentina, Giovanni Battista Bianchi, italiano, formado pela Escola de Belas Artes de Milão, Carlos Rosencrantz, nascido e formado na Alemanha, José Van Humbeeck e também profissionais brasileiros, dos quais o mais importante, pela quantidade e qualidade de seus projetos, é Francisco de Paula Ramos de Azevedo, formado na Bélgica.
Um pequeno esboço sobre como trabalhavam esses arquitetos se faz necessário, para compreendermos a magnitude das obras naquele período.

Victor Dubugras adotou em suas construções a chamada arquitetura medieval, com caráter inovador, as escolas contém elementos em estilo neogótico e neo-romântico, de beleza inconfundível (Corrêa, 1991, p.6).

Faz-se saber que os projetos que Dubugras desenvolveu então entre os 20 primeiros projetos e foram criados no final do século XIX, entre 1895 e 1897.

A partir de uma mesma planta padrão (tipologia), foram construídos vários prédios. As primeiras construções foram distribuídas em dois pavimentos sendo 4 salas de aula em cada um, a administração localizava-se no andar superior. Havia também entradas independentes para meninos e meninas. O recreio também era separado.

As construções apresentam diferentes composições de fachadas, mas utilizam o mesmo padrão de arquitetura reforçando traços da arquitetura medieval, com características neo-românticas e neogóticas. Apresentam características bastante semelhantes: número de janelas, disposição da construção, detalhes do telhado, tijolos aparente com emolduramentos de argamassa, frontões triangulares que recriam o estilo francês. (Corrêa, 1991, p.6)

Outro arquiteto que merece destaque pelas construções do período é José Van Humbeeck um dos arquitetos com mais extensa produção na antiga Superintendência de Obras Públicas (Corrêa, 1991, p.42).

Segundo Corrêa (1991) as fachadas das escolas desenhadas por José Van Humbeeck têm características muito parecidas, destacando-se pela simplicidade estilística formal do neoclássico, acrescida de alguma ornamentação calcada no vocabulário neorenascentista.

Para a construção do grupo escolar de Limeira, foi utilizada a tipologia de Avaré datada de 1901. Esta tipologia segue o mesmo partido da de Botucatu, acrescentando-se duas salas.

Na primeira imagem, podemos perceber a existência de um muro cercando todo o terreno, o que era tendência no período. Mas nas fotos mais recentes podemos observar que esse muro foi retirado.

O grupo escolar Cel. Flamínio Ferreira de Camargo, foi construído em um praça central, com vistas dos quatro lados da praça. Era uma excelência arquitetônica para as construções da época, localizando-se no centro da cidade no Engenho Ibicaba, fazenda modelo para o mundo, prédio de autoria do arquiteto José Van Humbeeck2.

Em 1900, o Cel. Flamínio Ferreira de Camargo, conforme nos apresenta Bettini (2000), cede gratuitamente sua residência para instalação e funcionamento do grupo escolar de Limeira até que ficasse pronto prédio próprio para abrigá-lo, como já anteriormente citado.

O Estado atendendo ao pedido feito em 1901 pela Câmara Municipal de Limeira, quando os vereadores solicitam do governo que em virtude dos serviços que o Coronel havia prestado ao Estado, desde 1900, lhe fosse prestada uma homenagem e que ao grupo escolar fosse dado seu nome, recebendo então o nome de Grupo Escolar Cel. Flamínio Ferreira de Camargo (Bettini, 2000, p.81).

O grupo escolar Coronel Flamínio Ferreira de Camargo foi construído na praça central no Largo do Rosário, no quadrante das ruas da Boa Morte, Tiradentes, Treze de Maio e Carlos Gomes3 e teve como data de fundação 1906, tendo suas atividades transferidas para o prédio em 20 de junho de 1907.

Segundo informações da diretoria local, o Colégio Cel. Flamínio Ferreira de Camargo foi extinto em 02 de janeiro de 1984, tendo seus alunos transferidos para o Colégio Trajano Camargo. O prédio abriga hoje as instalações do Museu Histórico e Pedagógico Major José Levy Sobrinho, da Biblioteca Pública Municipal e Infantil Prof. João de Souza Ferraz, do Centro de Memória Histórica e da Escola Municipal de Cultura e Artes (EMCEA)

José Van Humbeeck é autor também dos primeiros projetos para grupos escolares de um único pavimento, com características acentuadas daquilo que permeava o pensamento pedagógico. Todos os corredores abertos, possibilitando visualizar (vigiar) tudo que acontecia em todos os cantos do prédio.

Importante ressaltar alguns detalhes apresentados por Corrêa (1991, p. 46 – 47) referentes a essas construções:

O partido arquitetônico é caracterizado pela existência de um pátio interno, em torno do qual desenvolve-se a circulação coberta que interliga as salas. As plantas são simétricas, sendo reservadas uma das alas à seção masculina e outra à seção feminina. Bem no eixo da simetria está localizado o acesso central do prédio, que dá para um vestíbulo ou portaria, antes de se atingir a galeria de circulação. Essas galeria possuem as mesmas características dos alpendres e varandas de algumas casas do fim do século passado, com suas coberturas apoiadas em colunas de ferro forjado e arrematadas por lambrequins de madeira rendilhado”.



Veja na imagem a seguinte um exemplo de planta e pátio :

Planta :

Pátio do Grupo escolar de Santa Bárbara.

É importante enfatizar que existiam alguns aspectos em comum nos diferentes projetos que atendiam uma exigência da época: a separação das alas femininas e masculinas, que nos edifícios de dois pavimentos cada pavimento era destinado para um sexo. Já nos edifícios térreos, as alas eram opostas, inclusive com relação ao recreio. Nota-se que nessas construções, apesar de existir o pátio central, o mesmo não era utilizado pelos alunos.

Apesar de termos encontrado diferentes estudos sobre a importância que os grupos escolares representaram no período de sua criação (1890-1920), podemos afirmar, que os municípios e até mesmo o Estado, pouca importância dão a esses prédios hoje. Observamos muitas vezes que não há referências sobre a criação ou atual utilização destes espaços. Nem na história dos municípios seus primeiros grupos escolares aparecem.

É com pesar que ao desenvolvermos nossa pesquisa encontramos muitos dos prédios em situações precárias, faltam reformas e investimentos para esses prédios que tiveram significativa importância tanto para a arquitetura, quanto para a educação do Estado de São Paulo. Faltam verbas e incentivos para a recuperação e preservação desses espaços do patrimônio arquitetônico escolar.

É real a afirmação de que para a atualidade esses prédios, muitas vezes, representam construções ultrapassadas e obsoletas, ocupando grandes espaços que poderiam ser melhor aproveitados. A nosso ver, uma triste realidade brasileira de não se valorizar arquiteturas antigas, deferentemente dos países europeus.

Devemos enfatizar que, apesar destes espaços não serem funcionais nos dias de hoje, representaram, em sua forma física, o que de melhor havia em termos de organização do pensamento pedagógico determinante do período.

Daí a importância em afirmarmos a necessidade de se resgatar em todo o Estado a importância que essas construções representaram para o contexto em que estavam inseridas.


Bibliografia


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BETTINI, R. F.A.J.(2000) “Laços Tecidos no Tempo: A Instrução Pública em Limeira” São Carlos, Rima.

BUFFA, E. e PINTO, G A. (2002). “Arquitetura e Educação: Organização dos espaços e propostas pedagógicas dos grupos escolares paulistas, 1893/1971”. São Carlos, Brasília EdUFSCar, INEP.

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LOMBARDI, J. C.; NASCIMENTO, M I. M. ;SAVIANI, Dermeval. (orgs)(2005). “A Escola Pública no Brasil: História e Historiografia”. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR. (Coleção Memória da Educação)

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MONARCHA, C. (1999). “Escola normal da praça: o lado noturno das luzes”. Campinas, SP : Editora da Unicamp (coleção Momento)

PREFEITURA MUNICIPAL DE LIMEIRA disponível em <www.limeira.sp.gov.br/secretarias/cultura/historia.htm> acesso em 15 dez. 2005

REIS FILHO, C..dos (1995). “A Educação e a Ilusão Liberal: origens da Escola Pública Paulista”. Campinas, SP: Autores Associados. (coleção Memória da educação)

RIBEIRO, M. L. S. (2003) “História da educação brasileira: a organização escolar”. Campinas, SP: Autores Associados, 19ª edição. (Coleção memória da educação).

SAVIANI, D.l (2004). “O legado educacional do longo século XX brasileiro”. In: ___. (et al.) “O legado educacional do século XX no Brasil”. Campinas, SP: Autores Associados (Coleção Educação Contemporânea) p. 9-57



SOUZA, R. F. (2004). “Lições da escola primária” In: SAVIANI, Dermeval (et al.) “O legado educacional do século XX no Brasil”. Campinas, SP: Autores Associados (Coleção Educação Contemporânea) p. 109-161



1 Dado extraído do histórico da cidade de Limeira, retirado da página oficial do município www.limeira.sp.gov.br/secretarias/cultura/historia.htm

2 Informação extraída da página oficial do Município www.limeira.sp.gov.br/secretarias/cultura/historia.htm

3 Na página oficial do município a última rua citada é a Senador Vergueiro, este fato despertou-nos a curiosidade de investigarmos posteriormente porque a prefeitura cita uma rua após a Carlos Gomes como sendo do quadrante.


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